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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

18 junho 2017

OS DOIS LADOS DA MESMA MOEDA



Hoje, 18 de junho, foi o dia da “Marcha do Orgulho LGBT” em São Paulo. Exatamente há uma semana atrás, Evangélicos ocuparam as ruas da cidade, só que na zona norte, na “Marcha para Jesus”, igual em magnitude, mas oposta em propósito e proposta. Será?

LGBT e Evangélicos representam, nos dias atuais, expressivas fatias da sociedade brasileira, cada qual com suas idiossincrasias, mas ambos lutando contra preconceitos atrozes e discriminações ferrenhas. Os Evangélicos, historicamente, são perseguidos pela mídia; os LGBT, por sua vez, pela religião institucional. Cada um, ao seu jeito, tenta abrir espaço na multidão para ter vez e voz, obter respeito e ser reconhecido.

As semelhanças, contudo, não param por aí... A Marcha LGBT é marcada pelo excesso, não só na extravagância das fantasias, mas em atitudes extremadas, gestos histriônicos e, não raro, ofensas theofóbicas, ou seja, desrespeito a símbolos e crenças da religião cristã. Os Evangélicos, por sua vez, homofóbicos em sua maioria esmagadora, representados mais expressivamente na marcha por pentecostais e neopentecostais, extravasam uma “alegria” esfuziante, regada a cânticos, danças, pulos e malabarismos, atitudes que só cabem na rua, pois seriam, sem dúvidas, rechaçadas no espaço do “templo” e reprimidas pela ortodoxia doutrinal.

Outra coisa que, incrivelmente, aproxima os grupos tão antagônicos é o fundamentalismo ideológico. Sim, homossexualismo e cristianismo são, por assim dizer, duas religiões, com suas regras e costumes, seus objetivos político-sociais e suas propostas de hegemonia colonizadora. Um apregoa a doutrina da libertação da “moral” careta, o outro defende a plástica comportamental baseada nos valores da tradição judaico-cristã. No fundo, os “apóstolos” das duas crenças não passam de "gayzistas" e "crentinos", ambos defendem suas convicções a ferro e fogo, desejam ser maioria de forma irremediável, donos do status quo, estão dispostos a ultrapassar até mesmo os limites da razão e do bom senso para defender posturas, muitas vezes, irreconciliáveis com a bondade e a justiça.

E seguem as coincidências... LGBT e Evangélicos também desfilam em praça pública com o objetivo claro de demonstrar para a sociedade a força que possuem. Sim, no primeiro caso, o manifesto é uma ovação a frase histórica do Zagalo, algo como: “nós estamos aqui, reconheçam, pois vocês vão ter que nos engolir!”. Marginalizados, excluídos e discriminados, gays, lésbicas, bisexuais e transexuais vão as ruas, antes de tudo, para protestar, exigir o respeito que merecem e buscar a dignidade que vem pela aceitação da massa. Evangélicos, por sua vez, estão numa “batalha espiritual” contra o “mundo”, querem mostrar um Jesus romano, belicista, conquistador, dominador, que é cabeça, não cauda! Esse deus, contudo, parece mais com Thor, uma divindade nórdica, do que com o Deus hebreu que se revela na figura do Carpinteiro de Nazaré, o Deus que deixou o trono da majestade celeste e veio servir aos homens, lavando-lhes os pés e os pecados.

Quer mais? LGBT e Evangélicos patrocinaram, cada um a seu modo, um evento que movimentou milhões de reais. A Causa da liberdade sexual despertou não só a atenção do mercado corporativo, promoveu seu total envolvimento com o business. Marcas como Boticário, AMBEV e Uber se tornaram patrocinadoras do evento, todos de olho no “Pink Money”. Mas o negócio não para por aí, ainda tem artistas renomados, políticos inflamados, heróis de ocasião e muita, muita grana sendo gerada no movimento que atiça o comércio local. Já os Evangélicos, por outro lado, não ficam atrás. Eles também tem seus políticos, seus artistas gospel, seus trios elétricos e muito merchan no share do mercado religioso. Subir nesses palcos preparados pela Marcha para Jesus, seja para discursar ou cantar, custa caro, vale tempo de rádio, de TV, percentual de grana do patrocínio público e não falta quem queria pagar para fazer sua propaganda pessoal. Aliás, o dono da Marcha para Jesus, Estevan Hernandes, foi durante anos profissional de marketing de empresas como Xeroz e Itautec, sabe fazer a “roda girar”, Jesus, para ele, é apenas mais uma commodity na prateleira. Isso sem falar nas propagandas de outros produtos, como a BemPrev, a previdência privada para evangélicos que foi anunciada durante a micareta dos crentes.

Até naquilo que é trágico os grupos se assemelham. A violência sofrida injustamente pelo movimento LGBT, que coloca o Brasil hoje como destaque mundial de assassinatos contra adeptos das práticas, pode também ser comparada a violência histórica sofrida pelos Evangélicos no final do século XIX e primeira metade do século XX, onde igrejas foram incendiadas, missionários assassinados e participantes de cultos apedrejados. A coisa era tão absurda que o aparato militar e policial, usado na defesa da lei e do cidadão, foi usado como instrumento de coerção e intimidação, o que pode ser comprovado com uma pequena pesquisa histórica.

Bem, quem sabe como esses jogos são jogados, não tem ilusões sobre os objetivos destas marchas... Tenho respeito pela homossexualidade humana e por outras expressões de sexualidade não convencional, mas desprezo pelo movimento ideológico. Possuo gays como amigos pessoais e, em minha comunidade, eles são tratados sem discriminação ou preconceito, podem exercer funções e viver sua fé sem ser molestados, mas jamais me convidem para me aliar a esses que fazem da ideologia sexual sua bandeira existencial.

Quanto aos Evangélicos, tenho amor pela esmagadora maioria das pessoas que ali estão. Sei que, em grande parte, trata-se de gente alienada, que ainda não percebeu que não passa de massa de manobra nas mãos de lobos vorazes. Sim, há muita gente boa e ingênua na “Marcha para Jesus”, achando que O Galileu está vibrando com o mega-evento da fé. Tolice. O Reino de Deus não se estabelece com fanfarras e demonstrações de poder terreno, mas em manifestações de paz, amor e justiça, sobretudo, no serviço aos pobres e desamparados. A Marcha da igreja não é nas ruas da cidade, com ufanismo e catarse emocional, mas nas favelas e cracolândias do Brasil, nos presídios e nos hospitais, visitando órfãos e viúvas, cuidando de indefesos e invisíveis sociais, tudo no anonimato, pois o sal salga e dá sabor ao alimento sem ser, sequer, percebido...

Portanto, concluo reconhecendo que o grupo LGTB realizou, de fato, um estrondoso evento hoje! Gays, lésbicas, transexuais e bisexuais conscientes, contudo, sóbrios e cônscios de seu papel social e da responsabilidade que carregam em se assumir como são, sabem que o que estou falando é coerente com a Verdade. Aos Evangélicos, por outro lado, credito todo o "sucesso" do mega-evento realizado, ainda que isso não tenha nada a ver com o Evangelho é, sem dúvida, uma demonstração de força diante de uma sociedade hipócrita e de um país que se intitula cristão e é o campeão da corrupção e da desigualdade social.

Para ambos os grupos, todavia, deixo um chamado a reflexão. Vocês são tão diferentes e tão parecidos, tão antagônicos e tão próximos, tão distintos e tão iguais. Na verdade, quando olho para vocês não consigo ver esta distância abissal que muitos apregoam, vocês são, sim, os dois lados da mesma moeda...


Carlos Moreira



16 junho 2017

Treino é Treino, Reino é Reino

Nesta semana, o alvoroço em Brasília está por conta do deputado Rocha Loures, aquele que saiu correndo da pizzaria com uma mala de dinheiro. Implicado na delação da JBS, Loures perdeu esta semana o cargo de suplente de deputado, o que pode leva-lo a fazer uma delação premiada e, assim, comprometer, em definitivo, o presidente Temer. Na avaliação do chefe do Estado Brasileiro, o gangster bufão é um “Moço de boa índole”, ou seja, não fez o que fez por mal. De fato, se compararmos o Rocha Loures com José Dirceu, Aécio Neves, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ele vira um menor aprendiz na arte da safadeza e, certamente por isso, foi pego com tanta facilidade, pois, para fazer falcatrua graúda, o sujeito tem que ser de “má índole”. Esse não é um terreno para qualquer um escalar ou, como já dizia o Valdir Pereira, o nosso Didi "Folha Seca": “Treino é Treino e Jogo é Jogo!”. Pensando em tudo isso, comparei o que acontece no cenário político com o que se passa, correlatamente, no cenário religioso. Sim, pois o que mais vejo neste tempo é gente brincando de ser discípulo de Jesus, sem ter a consciência do Evangelho nem a dimensão do que é abraçar, com todas as implicações, um chamado que tem que ser encarnado no chão da vida. Seguir a Cristo não é uma tarefa fácil, ele próprio advertiu sobre isso quando afirmou: “...Qual de vós, desejando construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o custo do empreendimento, e avalia se tem os recursos necessários para edificá-la?”. Lc. 14:28. O contexto do texto trata das implicações de seguir a Jesus e aceitar a sua doutrina. Essa não é uma fala politiqueira, mas a declaração de alguém que propõe uma cisão na vida, algo decisivo e definitivo, algo como: “Treino é Treino, Reino é Reino!”. E você? Como você se comporta diante dos desafios da causa do Evangelho? Sua vida é um “treino” ou você é do Reino! Você está envolvido ou comprometido? Assistindo esta mensagem você encontrará estas respostas.


                                         

14 junho 2017

O Ópio do Povo



Quando vi as ações dos últimos dias contra os viciados da Cracolândia de São Paulo, me lembrei de Jesus expulsando os vendilhões do Templo de Jerusalém, que faziam comércio do sagrado.

Sim, a despeito de uma discussão mais ampla sobre a ação da Prefeitura do Dória, pois o problema, visivelmente, não se resolve apenas expulsando as pessoas daquele lugar, o que temos ali é uma indústria de entorpecimento, um espaço público de culto ao vício, de morada de excluídos e marginalizados, de abrigo de bandidos e traficantes.

Como se pôde ver, a polícia vai lá, desmantela tudo, retira as pessoas a força, queima barracas, remove entulhos e, no dia seguinte, eles estão lá novamente, reerguendo o espaço que é o símbolo do descaso da sociedade com quem está a margem da vida.

No caso de Jerusalém, a medida da ação de Jesus foi proporcional a sua indignação, pois o Templo havia se tornado uma fábrica de entorpecimento de mentes e corações. De fato, os sacrifícios estavam dessignificados, os sacerdotes eram traficantes de influência junto ao Altíssimo, os levitas haviam se extraviado, ali se vendia religião a quilo, quinquilharias em nome da fé, o negócio do Templo movia a economia da cidade, e todo mundo ganhava alguma coisa e ficava feliz.

O Galileu quebrou tudo, virou mesas, distribuiu chibatadas, apregoou verdades, mas, no dia seguinte, eles reergueram tudo novamente, porque o crack religioso, fumado no cachimbo da espiritualidade farisaica, aquela que se reveste de boas obras, mas que revela, no íntimo do ser, a podridão da alma, uma vez absorvido pelas narinas, entre na mente e contamina o coração.

Religião vicia tanto quanto qualquer outra droga e entorpece, de tal forma, que o viciado não enxerga mais sua própria loucura, age como zumbi, tem olhos, mas não vê, tem ouvidos, mas não ouve, tem inteligência, mas não pensa, tem coração, mas não se apieda, tem convicções, mas elas para nada aproveitam, pois são apenas retórica oca e discurso vazio e não a manifestação de vida que reverbera atos de amor e justiça.


Carlos Moreira



12 junho 2017

E Daí que Você Está Sozinho?



E daí que você está só? Você preferia estar numa relação amarga, onde a cumplicidade acabou e o que sobrou foram cobranças ácidas e reclamações cáusticas?

Você preferia estar numa relação neurótica, onde há gritos e xingamentos, ofensas e descomposturas?

Você preferia estar numa relação abusiva, com chantagens e manipulações, com violência emocional e física, deitando com um vampiro que chupa sua alegria de viver?

Você preferia estar numa relação anoréxica, onde não há confiança, onde a magreza da alma é o resultado de traições e mentiras, de escusas e joguetes perversos?

Você preferia estar numa relação retalho, onde o outro se dá por partes, onde você não é prioridade e o que lhe sobra é apenas um pedaço da pessoa?


Você preferia estar numa relação berçário, onde se tem que cuidar da infantilidade do outro que nunca cresce, que insiste em andar com fraldas na mente e mamadeira na boca?

Você preferia estar numa relação patológica, onde a doença de um alimenta a insanidade do outro, onde a simbiose do ser mixou o que havia de pior em ambos, de tal forma que um faz o bem ao outro fazendo o mal de cada dia?

Você preferia estar numa relação sem sintonia, onde as estações não combinam, onde os gostos são díspares, onde não há encontro nem de corpo, nem de alma, nem de espírito?

Você preferia estar numa relação blazé, onde todos os apetites pelo outro foram se perdendo ao longo do caminho e mantém-se o convívio apenas por questões financeiras e patrimoniais?


Você preferia estar numa relação berçário, onde se tem que cuidar da infantilidade do outro que nunca cresce, que insiste em andar com fraldas na mente e mamadeira na boca?


Você preferia estar numa relação promíscua, onde o sexo é feito mecanicamente, tendo um na cama e outro na mente, onde o corpo está no lugar e o coração viajando numa outra órbita?

Ora, meu amigo(a), eu vejo isso todos os dias, vejo gente que seria muito melhor se estivesse solitário, tendo reverência por si mesmo, seguindo seu caminho com paz e quietude no ser. Como bem disse Fernando Pessoa: “A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.

Portanto, feliz Dia da Solidão para você! Celebre o fato de não ter se rendido ao comércio do amor, a negociata da paixão, ao tráfico do sexo! Sim, você é um sobrevivente de um mundo sem sentimentos, onde conviver com o outro, não raro, é apenas viver uma solidão a dois, como bem afirmou o poeta...


Carlos Moreira

11 junho 2017

Tatuador e Tatuado: Ambos são Culpados e Inocentes




OS FATOS

Um adolescente drogado, sem emprego, sem estudo, sem opções, é autor de pequenos furtos e delitos.

Dois jovens que não acreditam nem no Estado nem na Polícia se tornam justiceiros locais e realizam tortura psicológica e física como forma de punição do indefeso infrator.

A sociedade viraliza, nas redes sociais, o vídeo desta tortura e desperta todo tipo de sentimento, alguns apoiando, outros condenando a ação. Uma “corrente do bem” é iniciada com vistas a “resolver” o problema da inscrição “Sou ladrão e vacilão” feita na testa do infrator. A ação visa, através de uma arrecadação de fundos, realizar cirurgia reparadora do dano epidérmico da tatuagem.

OS FEITOS

O infrator será em breve cirurgiado, removerá da testa a inscrição maldita, terá recomposta a pele, mas continuará tatuado na alma, vitimado que foi por esta ação violenta.

O texto acusatório pode até desaparecer, mas os dizeres que estão na consciência não têm como ser removidos: “Eu sou um sujeito sem esperança”, “Eu sou um drogado e prostituído”, “Eu não tenho estudo nem opções”.

A questão é: até onde ele é vítima e até onde é vilão? Como chegou a este estágio? Como sairá dele? Qual foi o seu passado, qual é o seu presente, qual será o seu futuro? São questões que ficarão abertas, não têm como ser reparadas ou removidas.

Quanto aos dois justiceiros valentões, serão punidos com os rigores da lei. Sim, eles não são membros de um grupo de extermínio profissional, fosse assim, o infrator estaria morto, mas se sentiram no direito de fazer a ação como forma de punição pública, representam o cidadão comum indignado e cansado com um Estado ineficaz e injusto, que prende por 5 anos um homem por carregar pinho sol consigo e absolve, com farto material provatório, o Presidente da República enredado com corrupção até o pescoço.

Eles representam, ainda, a insatisfação da sociedade com uma Polícia que resolve apenas 5% dos assassinatos do país, que mata o preto e o pobre, que se alia, não raro, com os marginais, para receber “pedágio” e propina, que é despreparada e mal paga, mal aparelhada e pouco eficiente.

E nós, na qualidade de cidadãos brasileiros, continuaremos com essa “indignação de ocasião”, nos movendo via redes sociais para realizar ações cirúrgicas e paliativas.

De fato, eu e você continuaremos alimentando esta hidra de muitas cabeças que é o Estado, que não fornece educação, segurança, saúde, emprego, e relega os habitantes desta nação a sobreviver como se estivessem numa selva de pedra e cimento, onde as regras servem para uns e não servem para outros, onde a polícia mata o pobre, a justiça absolve o rico, a economia serve os bancos, os políticos são parasitas se alimentando de benesses, os mega-empresários são desonestos e corruptores, e o povo é indolente com a perda da moral e leniente com a falta de ética.

A ação “reparadora” que está sendo feita, tem seu valor, mas serve, flagrantemente, como desculpa para, no fundo, amenizar nosso descaso com o que acontece diante de nossos olhos todos os dias. Vamos remover a tatuagem infame do rosto do garoto, mas não poderemos remover tudo o que está tatuado em nosso coração e consciência e que reverbera como imobilismo e desprezo pela dor humana, como insensibilidade com a tragédia social que está na porta de nossa casa e como falsa religiosidade que nos faz sentar nos bancos da igreja e ignorar o que acontece para além das paredes do templo.


Carlos Moreira




10 junho 2017

Geração de "Campeões"!



Nós não negamos que somos filhos dos Gregos. Para nós, vitória tem a ver com lugar no pódio, trata-se de cruzar a linha de chegada na frente, receber os louros da glória, ser aplaudido ao final da maratona.

Sim, somos a geração que adora dizendo: “Campeão, Vencedor...”, cantamos o “Hino da Vitória!”, nossa conquista tem “Sabor de Mel”, mas nada disso encontra guarida no Evangelho. Em Jesus, ganhar só tem significado quando é fruto do coração que abriu mão, os últimos é que são os primeiros, o maior é o que serve, o mestre lava os pés dos discípulos, o bem aventurado é pobre e humilde, o rico é aquele que não tem onde reclinar a cabeça.

Mas nós estamos aí, nessa roda viva louca, fazendo tudo ao contrário, correndo atrás daquilo que não produz bem para o espírito, mas apenas entulho para o cofre. O nosso pão não é semeado em esperança e fé, mas fruto de muito esforço, de muito lobby e networking, confiamos exageradamente no talento, mas pouco na oração.

Este é o tempo do coach, daqueles que ensinam como “ficar rico” e perder a sua alma, dos que lhe estimulam a subir na pirâmide e perder sua família, dos que tem uma conta gorda e uma consciência anoréxica. Triste realidade!

Jesus, para os tais, deveria se vestir com Armani, não com túnicas surradas, locomover-se de Ferrari, deixando as velhas alparcas que calejavam os pés de lado e usar Dolce & Gabbana, porque suar é coisa de pobre.

Essa igreja que aí está, com vitrais pomposos e bancos de madeira trabalhada, é a apologia ao “Reino dos Homens”, o império da religião, nada tem a ver com a manjedoura ou a Cruz do calvário, ela tem opulência, mas não tem consistência, tem prestígio, mas não tem poder espiritual.

O Deus que deveria ser cultuado nos templos cristãos é Apolo, o deus grego filho de Zeus, um deus atlético, musculoso, fitness, uma divindade exaltada no Olimpo das conquistas humanas. Jesus, o Deus hebreu, filho de Elohim, está superado, um Deus que sangra, sofre e morre é um derrotado, não deve ser levado muito a sério, afinal, quem quer perder? O que nos interessa mesmo é ganhar! O que incomoda, todavia, é: ganhar o quê?


Carlos Moreira


08 junho 2017

Relações Promíscuas: Quando Deus é Cafetão nós Somos Prostitutas

Em tempos de Lava Jato, nada mais comum do que pedido de habeas corpus enviado a justiça. Advogados experientes, auxiliando clientes desesperados, tentam preservar a liberdade de réus cada vez mais complicados com provas incontestes. Essa semana, pela primeira vez, um Presidente da República sentou-se diante de um Juiz Federal para responder a um processo no qual pode ser preso. No contexto mais amplo, Lula tenta, a todo custo, se livrar de companhias indesejáveis, fantasmas pendurados no armário do seu governo: “amigos” empreiteiros, partidários presos, e alguns ainda soltos, desafetos históricos, executivos de grandes corporações, marqueteiros, é tanta gente entranhada em questões escusas que, para onde o Presidente se vira, tem alguém querendo “comer seu fígado”. Obviamente, Lula já se apercebeu que virou refém de uma centena de pessoas e luta para, de alguma forma, se vê livre delas. Assim, esperemos as cenas dos próximos capítulos, elas vão revelar se ele conseguirá este tento... Pois bem, pensando nisto, imaginei como seria se Deus entrasse com habeas corpus para se ver livre de sua relação com os homens. Sim, ninguém mais do que ele é usado e solicitado para todo tipo de demanda na Terra. Sendo honestos, vamos constatar que Deus está cercado de “amigos da onça”, gente que diz lhe amar, mas que só deseja receber benesses, tem de lidar, o tempo todo, com pessoas que construíram com ele relações promíscuas, baseadas na troca, no interesse, na busca de vantagens e no desejo de manipular o sobrenatural em favor próprio. Deus é traído o tempo todo! Ele é rejeitado e escarnecido por aqueles que dizem lhe devotar reverência e amor! Ninguém, na história humana, foi tão desejado para satisfazer desejos frívolos, para intervir em questões supérfluas, em demandas pequenas, em questiúnculas tolas, todos temas que revelam, despudoradamente, do que a vaidade, a ganância e maldade do homem são capazes. Deus é explorado, é chantageado, é tratado como amante, colocado em segundo plano, esfolado por uns, seviciado por outros, vive no imaginário das pessoas, mas só é buscado, de verdade, quanto a tragédia nos visita, quando um filho desenvolve um câncer, quando um acidente fataliza um pai, uma mãe, quando o desemprego bate em nossa porta ou o amor da vida se esvai pelo esgoto dos dias. Neste domingo, vou pregar sobre este difícil tema, e vou lhe demonstrar como sua relação com Deus é superficial, interesseira e desprovida de significados para a vida. Você tem coragem de Assistir?


                                  

28 maio 2017

A Mente de Cristo




Paulo era um homem com uma mente para além de seu tempo, certamente era o indivíduo mais qualificado intelectualmente do primeiro século.

Não obstante todo esse saber, tanto da filosofia grega, quanto da lei romana e da teologia judaica, ele prefere afirmar que considerou tudo isso como “esterco”, com vistas a alcançar um tipo mais excelente de sabedoria, a sabedoria do alto, aquela que nem carne nem sangue podem desenvolver, pois ela só se constrói por meios espirituais.

Ora, é por isso que escrevendo sua carta aos Coríntios, Paulo afirma que nós temos “A Mente de Cristo”, que é o que nos capacita a pensar de outra forma. Diferentemente, todavia, do que alguns inocentemente imaginam, a “Mente de Cristo” não é uma mente superdotada, com poderes cognitivos avançados, uma mente para além daquela que possuía Eistein ou Steve Jobs. A “Mente de Cristo” é uma mente que foi reconfigurada pelo Espírito Santo, ela recebeu o down load dos valores éticos do Reino de Deus e das Verdades do Evangelho com vistas a aparelhar a todo aquele que a possui a discernir coisas espirituais.

Portanto, quem tem a “Mente de Cristo” olha a vida com os olhos de Jesus, percebe as coisas como ele percebia, pensa como ele pensava, age como ele agiria. Mas não é só isso! Até a própria leitura e interpretação das Escrituras não pode prescindir deste “novo olhar”, pois sem esta capacidade de perceber o texto para além da letra, o que sobra é a interpretação caduca do código de regulamentação religioso.

Sim, o mesmo Paulo afirma que essa forma de crer produz morte, pois a letra precisa do Espírito para ganhar significado e propósito. Fora disto, o que sobra são regras infindáveis, liturgias ocas e sacrifícios tolos, os ditames de uma espiritualidade mórbida, algo tão bizarro que levou Jesus a perguntar a Nicodemos, o velho ancião do sinédrio, em tom sarcástico: “Você é mestre em Israel?”.

Já há algum tempo, tenho evitado discutir sobre a interpretação das Escrituras. Há mentes que se tornaram tão fechadas, danificadas que foram pelo espírito da letra, que não podem mais discernir nada para além do mandamento de Moisés.

Argumentar com tais pessoas é como falar de física quântica com uma criança, algo sem qualquer proveito ou benefício. Assim, estou certo, os que são de Deus ouvem a sua voz e se alegram com toda canção de paz. Os que não são, todavia, continuam nas praças esperando a velha cantiga religiosa, pois nada mais os alegra ou motiva.

Eu sei que pensar assim é algo totalmente desconforme, mas eu não sei mais pensar de outro jeito. Como bem afirmou Nietzsche: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”.


Carlos Moreira



25 maio 2017

Os Pecadores que Amam



Eu não acredito que ninguém possa conhecer a Deus, através de Jesus e do Evangelho, e ainda assim se tornar uma figura retórica, apática, expressando uma espiritualidade tão etérea que não dura para além do culto de domingo.

Conversão, para mim, é visceralidade, é uma experiência de uma violência tal, que as marcas ficam tatuadas na alma, há uma mudança no olhar, no falar e no sentir, o indivíduo nunca mais será o mesmo, algo avassalador lhe revolve as entranhas, um outro ser, cresce dentro de si, pede licença para vir a superfície dos dias, esmaga e consome a velha natureza.

Eu olho para esta geração, para as catedrais lotadas, para os 60 milhões de evangélicos e os 140 milhões de católicos no Brasil, e o que vejo é apatia, é superficialidade, é gente que não tem um centro de gravidade espiritual, nem um caráter modificado, nem gestos largos, nem cicatrizes que marcam a vida.

Na verdade, somos a geração dos crentes de plástico, gente sem alma, sem emoção, sem paixão ou zelo pelas coisas do Reino, sem espírito sacrificial ou compaixão, sem solidariedade. Amontoamos saber teológico, e carecemos de ações de misericórdia, decoramos catecismos e confissões, e nada sabemos da prática da fé expressa na troca com o outro, decoramos versículos bíblicos, e esquecemos as lições elementares de Jesus no Sermão do Monte, somos os reis da retórica e da falácia, mas estamos esvaziados de obras que referenciem a experiência de fé.

Lucas, em seu evangelho, nos fala de Jesus visitando a casa de um fariseu chamado Simão. Na narrativa do cronista, o anfitrião, devidamente acomodado, foi surpreendido pela entrada em cena de uma “Mulher da Vida”. Ela não havia sido convidada, jamais poderia estar ali, mas quebrou todo o protocolo e correu todos os riscos para estar com Jesus.

Diz o texto: “Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: "Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés. Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés. Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama". Lucas 7:44-47.

A conclusão é de uma obviedade flagrante: quem foi perdoado, quem nasceu de novo, quem foi regenerado pelo Espírito, quem teve a consciência ressignificada, quem sofreu a violência gentil da mudança de natureza, quem experimentou ter o coração de pedra transformado em carne, ama, e o amor cancela todos os pecados cometidos no chão da vida. O resto é etiqueta religiosa, é receber a Jesus sem dar-lhe a importância devida, é seguir prescrições, mas sendo esvaziado de todos os significados mais profundos da fé.

Sim, a lição de Jesus é tão clara, mas apenas aqueles que são como crianças é que poderão entender. O Nazareno não disse que era preciso frequentar templos, nem decorar textos, nem dar dízimos e cumprir liturgias, ele não fala de sacrifícios, de manuais comportamentais, nem de lutas frenéticas contra o diabo, apenas disse que quem ama, está perdoado, e João complementa: “Quem ama, conhece a Deus!”.

Eu não quero andar com “teólogos”, nem com “apóstolos”, nem com os big shots da religião, não quero mais me ocupar de discussões doutrinárias, ou de projetos eclesiais, mega-eventos, marchas ou coisas semelhantes, eu estou em busca de encontrar pecadores que amam, gente que chora e se compadece das dores dos homens e da Terra, gente que me inspire a viver a fé e seguir, a suportar estes dias que são tão difíceis...


Carlos Moreira


23 maio 2017

ESTOU SUFOCADO!



A religião precisa do método para se sustentar. Sim, sem regras, sem obrigações, sem liturgias ordenadas, o religioso entra em pânico, sente-se sem chão, vê-se nu e em pecado.

Ora, nós sabemos o quanto o Evangelho de Jesus chocou os Fariseus justamente por isso, pois as leis judaicas, em número de 613, acrescidas das tradições dos anciãos, que podiam até dobrar esse número, se constituíam o manual de conduta daquela gente, o método que disciplinava e ordenava a vida do fiel.

Aí veio Jesus, falando de liberdade e de consciência, e reduziu mais de 1.000 preceitos legislativos em apenas dois: amar a Deus e ao próximo. Foi fatal! A crentaiada entrou em pânico! Para eles, viver de forma tão simples e leve revelava-se absurdo, era preciso submeter à existência aos rigores assépticos, as lavagens litúrgicas, aos sacrifícios purgatórios, as orações repetitivas, aos jejuns despropositados e as ofertas, em forma de dízimos, desprovidas de compaixão.

Na verdade, o Galileu bagunçou o quengo da moçada, propôs o Caminho da Consciência do Evangelho, onde não há lugar sagrado, nem dia sagrado, nem sacrifício sagrado, nem homem do sagrado, e com isso pôs fim, de uma feita só, no templo, no sábado, na intermediação dos sacerdotes e na oferta de cordeiros e pombas.

O Evangelho é um convite a quebrar as regras da religião para nos levar a liberdade de ser em Deus, ele nos tira do fordismo metódico e industrializado da igreja, para nos propor a Lei do Espírito e da Vida, que nos faz seguir pacificados e perdoados, sem pesos e sem demandas.

É simples assim, mas o Cristianismo não suportou nada disso, colocou de volta no velho odre da religião o vinagre do judaísmo repaginado com uma pitada de platonismo e a lógica do sistema grego de Aristóteles.

A partir daí, construiu templos, para congregar os "santos", ordenou Papas e Padres, para ministrar sacramentos, santificou o domingo, para o "culto" a Deus e reconstruiu as pesadas liturgias "sagradas", para metodizar a fé, pôs “ordem” na “desordem” proposta por Jesus.

Quando olho para tudo isso, dá certa tristeza, vê no que foi reduzida a fé de muitos, perceber o quanto a religião escraviza o indivíduo com ordenanças sem fim... Mas fazer o quê? Para quem o “Está Consumado!” não basta, o que sobra é viver com o “Estou Sufocado!”. Agora durma com um barulho desse...



Carlos Moreira

03 maio 2017

Às Vezes dá Certo, às Vezes dá Errado. E Daí?

A teologia da prosperidade, impregnada na mente e na alma desta geração, atribui ao fracasso, a doença, a perda ou qualquer outra situação desfavorável na vida do indivíduo o fato dele estar em dívida com a divindade, seja esta falta em forma de pagamento de dízimos, de falha em seu comportamento moral, de queda na frequência de atividades religiosas ou coisas correlatas. A religião se alimenta da culpa e do medo e estabelece na barganha seu modus operandis. Ao invés de fomentar saúde existencial, provoca doença comportamental, produz pessoas gananciosas que imaginam que Deus é uma espécie de financista de suas vontades, obrigado a lhes fazer prosperar em tudo o que fazem desde que o sujeito esteja em dia com a Contabilidade Celestial. Diante desse contexto, a questão que se levanta é a seguinte: o que fazer quando as coisas dão errado, mesmo quando estou fazendo tudo certo? Será que há algo subliminar que não estou percebendo? Ou uma maldição se alojou em minha vida em função da quebra de algum preceito ou mandamento? Quem sabe é algo ligado a alguém que está próximo a mim – um “Acã” em pecado? Será, talvez, plano de Deus me fazer passar por isso para me disciplinar? Ouço todos os dias pessoas que me trazem questões como estas... Elas estão desesperadas em busca de encontrar um álibi que possa explicar qual o motivo de seus negócios não estarem indo bem, o porquê do casamento está em crise, a explicação para o organismo está debilitado, a razão da promoção na empresa não ter saído, o propósito da causa na justiça ter sido perdida, e por aí vai... Mas será que existe alguma promessa de Deus nas Escrituras que lhe garanta viver bem todo o tempo? Sem doenças? Sem perdas? Sem fracassos ou frustrações? Sem impossibilidades e limitações? Na verdade, diante de muitas destas questões, o que tenho dito é apenas o seguinte: “Relaxe! Nem tudo dá certo!”. Assista a mensagem e tenha um encontro com a paz que pacificará sua alma a partir do discernimento de quais ações podem ser tomadas para nos aquietar diante da vida.


 

26 abril 2017

O Absurdo de Deus num Mundo em que é Absurdo Existir

Olhe para o mundo a sua volta: o que lhe parece? Ande pelas ruas de sua cidade, observe o que se passa ao seu entorno, você percebe o que está acontecendo? Leia as manchetes dos jornais de hoje, analise o que elas expressam, dá para discernir a gravidade do que está dito? Sim, está claro, vivemos em meio ao caos e estamos à beira de um colapso definitivo. O mundo, neste exato momento, sofre com diversos tipos de ameaças: catástrofes no ecossistema global por ações exploratórias desenfreadas dos países ricos; iminência de guerras continentais com a possibilidade do uso de armas atômicas; epidemias globais de vírus que estão, cada vez mais, resistentes aos medicamentos; exploração humana e corrupção generalizada nos países do terceiro mundo; ceticismo religioso com a irremediável falência das instituições ligadas a fé; terrorismo internacional utilizado pelos países do Oriente como mecanismo de insurreição. Convenhamos, viver neste planeta é algo totalmente inviável, por isso, diante de um quadro tão assustador, o ser humano implode em si mesmo, a psique do indivíduo não suporta o peso das pressões externas, explodem, assim, disfunções psicossomáticas, depressões, pânico, transtornos de ansiedade, dependência de diazepínicos, tudo visa, de alguma forma, amortecer a realidade. Estamos vivendo na sociedade da fuga, existimos com medo, temos terror de olhar pela janela e constatar o que nos espera no dia seguinte. Diante de tudo isso, contudo, lembro de forma esperançosa das palavras do profeta Miquéias: “Eu, porém, olharei para o Senhor; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá”. Mq 7:7. Eu confesso: tenho receio de colocar meus pés na rua, temo pelo que pode sobrevir contra as pessoas que amo, sofro com o que acontece no meu país em termos político, econômico e social. Mas constato, também, que não dá para viver assim! Por isso afirmo que, num mundo absurdo, a existência só se torna possível se crermos no Deus que é absurdo! Só a fé naquilo que é intangível e a convicção da existência de um amor que é inexplicável pode nos dar a capacidade de andar num caminho que é pura contradição. Como bem afirmou Tertuliano, pensador do segundo século da era cristã: “O Filho de Deus morreu, o que é crível justamente por ser inepto; e ressuscitou do sepulcro, o que é certo porque é impossível”. Com essas certezas, há um terreno onde a consciência pode descansar, pois no chão do coração passa a repousar a paz que viabiliza o ser. Assista a mensagem e se permita ser consolado pela paz que excede todo entendimento.


 

25 abril 2017

Se Não Tem Tu, Vai Tu Mesmo!



A sabedoria popular afirma que "é melhor viver só do que mal acompanhado", mas a realidade existencial, por vezes, revela o contrário, ou seja, é melhor viver mal acompanhado do que só. Aliás, Vinícius, o poetinha, afirmou certa feita, despudoradamente: “É melhor o amor que não compensa do que a solidão”.

Como pastor, estou acostumado a ouvir os dramas relacionais das pessoas, separações e crises conjugais fazem parte do meu cardápio cotidiano, além, obviamente, de novas relações que se estabelecem após estações outonais. Me parece, todavia, que a partir dos 40 anos fica mais difícil construir relações duradouras e qualitativas, a esmagadora maioria das pessoas chega a esta etapa da vida com, no mínimo, uma separação e um filho, o que, convenhamos, é uma dificuldade extra.

Recorrentemente, confesso, tenho me deparado com reclamações de que o “mercado” de solteiros é escasso e de baixa qualidade, os homens não querem nada sério e as mulheres preferem investir na profissão do que num novo casamento. A verdade é que vivemos no tempo dos “líquidos”, como afirmou Bauman, somos a sociedade da impermanência, nada sólido ou duradouro sobrevive aos nossos dias.

Diante deste contexto complexo, observo, também, que muita gente partiu para o que expõe, mais uma vez, a sabedoria popular, ou seja, “se não tem tu, vai tu mesmo!”. E assim, relacionamentos de alto risco se estabelecem, pessoas se juntam para aplacar suas carências, sejam elas sexuais, emocionais, e, não raro, financeiras. Ficar só não parece para estes uma boa opção, portanto, é melhor viver pela metade, do que amargar um final de semana de televisão e edredom.

Na verdade, o que percebo em tais arranjos é que, na esmagadora maioria dos casos, eles se revelam desastrosos em pouquíssimo tempo. A pessoa desarruma a vida inteira, às vezes desaloja filhos, muda de apartamento, realiza adaptações profissionais, tudo para tentar fazer caber o new love no espaço apertado que a alma dispõe. Todavia, como esse “Romeu” está mais para “Romero”, ou seja, não era bem isso o que eu desejava, em curto espaço de tempo os problemas se revelam maiores que a capacidade de administrá-los e aí, o desfecho final já está traçado, é só questão de oportunidade...

São muitos, portanto, os casos de pessoas que se entregaram a novas relações que acabaram por se constituir mais adoecedoras do que a que elas possuíam no passado. A tirania da solidão, um mal deste tempo, acaba obrigando o indivíduo a estar acompanhado a todo custo, ainda que essa companhia produza o que poetizou Cazuza – solidão a dois.

Estar só, imagino, é uma merda, pois não há nada melhor do que ter alguém para amar e dividir alegrias e tristezas da vida. Estar acompanhado de alguém que não lhe completa, contudo, parece-me algo ainda pior, pois além de impedir que alguém bacana chegue na antessala do coração, e nos arrebate o ser, faz-nos viver na melancolia do “quase”, ou seja, não é o que eu queria, mas é o que tem para hoje! Como bem disse Chico Buarque, em 1979, na canção “Sob Medida”: “Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus”. Só que não...

Carlos Moreira



10 abril 2017

Eu Não Quero...



Eu não quero ser escravo de qualquer máquina que me chantageie com avisos sonoros, recados falantes e imagens instigantes, não preciso me tornar seu refém estando obrigado a responder tudo o que ela me manda, com e sem propósitos, nem ter que viver “conectado” a algo que não tem conexões em mim.

Eu não quero ser dependente de redes sociais virtuais que me obrigam a exibir em selfies e vídeos uma vida que não é minha, demonstrando uma alegria que não passa de brilho de aluguel, expondo cenas que são construções plásticas, liberando intimidades que são encenações flagradas para agradar ao freguês.

Eu não quero viver sobre a bandeira da ideologia partidária, achando que o mundo se divide entre “nós” e “eles”, rechaçando o bem que é feito pelo outro por causa da cor da sua bandeira, ou das letras de seu partido, negando a verdade de fatos irretocáveis por causa de suas origens políticas, invalidando discursos óbvios por não se respaldarem nos meus teóricos de bolso e em minhas filosofias de gaveta.

Eu não quero seguir uma religião que se acovarda entre quatro paredes de um templo mórbido, onde a gordura da consciência impede a ação solidária em favor do meu igual, não tenciono viver preso a liturgias que reverenciam Deus em formas estéticas, mas que não transformam a vida em culto libertário e o próximo em altar para o meu serviço amoroso, não desejo existencializar uma fé que fecha o céu para quem não crê igual a mim nem segue as doutrinas que construí para meu desplante, já sei, desde sempre, que meu Deus é mais indulgente comigo do que com os outros.

Eu não quero ser um cidadão de mente sedentária, manipulado por uma mídia perversa, que tem na agenda os interesses de predadores da alma humana, não posso fazer vista grossa para o que me diz respeito e está no entorno da minha casa como se fosse apenas um problema do Estado, nem desejo me fossilizar como um teórico que sonha em mudar o mundo, mas não tira a bunda do sofá da sala de estar.

Eu não quero ser um escravo do desejo, nem um indivíduo preso na coleira do consumo, viciado em comprar o que não preciso e tornando-me um acumulador de supérfluos tecnológicos, eu não vou viver exibindo o que se constitui a “última moda”, nem vou possuir o modelo mais usado pelos gestores dos padrões e etiquetas culturais, aqueles que vivem uma vida performática, os que debaixo de suas maquiagens e grifes agonizam em angústias noturnas, tendo que amargar o personagem que os consome o ser.

Eu não quero ser vítima de relações abusivas, nem ser chantageado em nome de um amor que vicia, não preciso que ninguém trague a minha alma nem estupre o meu coração, ou faça de mim o seu objeto de consumo tedioso, eu não sou coisa, sou gente, não posso ser usado e descartado, meu espírito é infinito, não pode ser jogado no lixo do cotidiano.

Eu não quero poder dizer que não quero por causa de partido político, igreja, pessoas, ideologias, modismos culturais, tendências tecnologias, filosofias existencialistas, pensadores libertários, ou qualquer outra coisa que me torne refém de algo que não esteja em mim, não faça parte de mim, ou que em mim não aconteça como verdade e amor. Simplesmente, não quero...


Carlos Moreira


29 março 2017

Me Engana que Eu Gosto!



“Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras”. Os. 4:9.

A fenomenologia congregacional nos ensina que o povo é um reflexo do seu pastor, eles possuem, portanto, o pastor que lhes cai bem, assim como, da mesma forma, o filósofo francês Joseph-Marie Maistre afirma que “cada povo possuí o governo que merece”.

Sim, eu diria ainda mais, a congregação é capaz de produzir um tipo de pastor que nada mais é do que o reflexo de sua própria face, ele é a expressão visível de aspirações e frustrações invisíveis, a propagação material das imaterialidades e latências da alma, das vaidades e taras, dos medos e opressões, da malícia e dos juízos, o produto consciente do inconsciente coletivo.

Assim, quanto mais doente é o povo, tanto mais será o pastor, quanto mais ambiciosa seja a congregação, mais volúpia por dinheiro terá o seu líder, quanto mais fetiche tenham os membros na magia espiritual, mais manipulador do sagrado será aquele que os conduz.

Ao final, o que se vê nestas igrejas é um grande engodo, todo mundo traindo e sendo traído, os encontros não passam de teatro a céu aberto, o baile de máscaras do qual falou Soren Kierkegaard.

Fuja disso! Busque quem reflete a face de Cristo, não a sua própria, muito menos a daqueles que o ouvem, saia de perto de todo ajuntamento onde o pastor se apresente como homem poderoso, capaz de fazer a agenda de Deus na Terra, ou de produzir milagres com dia e hora marcada. Saia daí! Isso lhe fará um mal sem precedentes! Corra para longe de todo aquele que se auto-promove, dos que falam com a boca e destroem o discurso com atos perversos, dos que esbravejam e praguejam para amedrontar incautos e neófitos.

Busque, de alguma forma, os que andam com bacias e toalhas para lavar os pés dos irmãos, os que trabalham incansavelmente sem buscar a recompensa financeira, os que não querem honra nem desejam bajulações. Busque pastores que se pareçam com Jesus, que sejam mansos, que tratem da dor humana com misericórdia, que acolham os necessitados e protejam os indefesos e diferentes.

Faça isso e sua alma viverá, você jamais será confundido, nem terá seu coração esmagado pela dor. Isso lhe diz quem sabe o que é andar no chão dos dias, quem já viveu o bastante para discernir que não há bem maior do que a paz e a alegria de ser conforme a imagem do Filho Unigênito de Deus, e não o reflexo tosco de qualquer outro homem debaixo de sol.


Carlos Moreira




28 março 2017

O Primeiro Dia Depois do Último Dia

VOCÊ SE PROJETARÁ PARA O FUTURO E SE VERÁ NA CENA FINAL DA HISTÓRIA HUMANA Eschaton – εσχατος – é a palavra que, na teologia, trata dos eventos finais da história do gênero humano. Quando estudamos as Escrituras, observamos que existe uma grande quantidade de textos que falam destes eventos, tanto nos profetas do Velho Testamento, quanto nos Evangelhos e nas Epístolas. Mas certamente é no Livro de Apocalipse, escrito pelo apóstolo João, onde estes eventos parecem estar melhor descritos. Contudo, ainda que a maior parte da profecia do último livro da bíblia já ter se cumprido, é fato que ali existem fenômenos de natureza arquetípica, os quais se projetaram durante toda a história da humanidade adensando-se numa espiral que culminará com o epílogo do nosso mundo. Por isso, bem afirma-se sobre esse texto sagrado que ele é uma “arquitetura em movimento”. O grande desafio de sua leitura, todavia, é compreender que esse tipo de literatura é farta em metáforas, alegorias e outras figuras de linguagem, pois o escritor tem em sua mente uma maquete em múltiplas dimensões, olha não apenas para o futuro, mas também para o passado e presente. Portanto, interpretá-lo com todas as simbologias e conectá-los as dimensões de nosso tempo requer boa capacidade exegética e um consistente conhecimento da história da civilização. Essa reflexão analisa a fala de João em Apocalipse capítulo 21 e revela o que vai acontecer no primeiro dia depois do último dia. Qual será a síntese final da existência, o que ficará como significado eterno e o que será apagado da consciência, o que, de fato, tem valor e o que se revelará apenas como vaidade e correr atrás do vento? Assista a mensagem e perceba-se na cena final da saga humana!


 

24 março 2017

O "Missionário" e o Visionário



Então alguém me falou: “Eu sou missionário, vivo de abrir igrejas”. Conversando mais apuradamente, contudo, compreendi melhor o que ele dizia...

Sim, o que ele estava falando era de alugar um prédio, comprar bancos, um púlpito e equipamentos eletrônicos, colocar uma placa e juntar pessoas para ouvir sermões.

Na visão dele igreja parece ser um lugar que prescinde de uma agenda de eventos, grupos de música, teatro, ensino, evangelismo, uma hierarquia piramidal de cargos e dízimos para custear os salários dos empregados e dos sacerdotes.

Depois de certo tempo, ele percebeu que eu não estava empolgado com as coisas que me dizia, então, perguntou-me enfaticamente: “E você? O que você faz no Reino?”. Um pouco resoluto, com certa melancolia, respondi, “Eu sou visionário, vivo de ensinar as pessoas o que não é igreja”.

E na sequência, concluí: “Esse é um tempo onde se abrem igrejas como se abrem empresas, elas possuem muita estrutura e pouca humanidade, muitos recursos, mas são pobres de coração, estão abarrotadas de programas e esvaziadas de significados.

Triste é esse lugar que vocês chamam de igreja, onde a diferença está na roupa que se usa, mas o diferente não pode sentar para ouvir a mensagem, onde acontecem “milagres” e “curas”, mas a grande enfermidade que é a lepra de coração permanece, onde há "fogo" nas orações e cauterização de consciência.

Ah, como é triste essa igreja, meu amigo, que arrecada dízimos para custear reformas e ampliações, ao mesmo tempo que negligencia os miseráveis que estão no mesmo quarteirão do templo, onde reverencia-se a bíblia como regra de “prática e fé”, no mesmo instante em que se pratica estelionato contra a Verdade, onde a Ceia é tomada com pão e vinho, e o mendigo, sentado na entrada do estacionamento, carece de pão e misericórdia".

Ai de ti, igreja, que te vestes de pompas e esqueces das vestes de justiça, que adoras a Deus e desprezas teu semelhante, que proclamas a santificação e te cobres de imoralidades, basta a ti a tua própria vergonha, arrepende-te e busca o concerto, vê onde caístes e volta ao primeiro amor, faze isso antes que seja tarde, antes que o Senhor te visite e te despedace com um sopro da sua boca, antes que ele mova de ti o teu candeeiro e entregue a outro o teu chamado...

Carlos Moreira





21 março 2017

Acorrentado? Não se Pode Prender quem Sabe que é Livre!

A Operação Lava Jato completou essa semana 3 anos com números que assombram. Entre os presos VIPS estão o ex-presidente da maior empreiteira do País, Marcelo Odebretch, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o ex-Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, o ex-Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e o presidente do Grupo EBX, o empresário Eike Batista. Esse, portanto, é um tempo de encarceramento, de mandados de busca e condução coercitiva, pois há, de fato, um grande esforço para tentar se passar o Brasil a limpo. Presos em celas comuns, os bigshots da política e do mundo empresarial amargam dias difíceis, tem de conviver com companheiros de cela indesejáveis, submeter-se a uma rotina disciplinar robusta, alimentar-se com quentinhas numa dieta distante das iguarias do passado e usufruir, com afinco, de um pequeno tempo reservado para o banho de sol. Eu tenho convicção que não há nada pior para o homem do que perder a sua liberdade. Quando Van Gogh, quase louco, pintou a tela “Campo de Trigo”, já hospitalizado e detido num quarto que possuía grades na janela, ele abstraiu as barras de ferro e fez um de seus trabalhos mais lindos. Sim, ali se encontrava um homem que estava com seu corpo físico detido, mas a sua alma era livre. Nessa mensagem, vamos refletir sobre Paulo, o apóstolo que foi acorrentado a um guarda Pretoriano por 2 anos ininterruptos. Mesmo preso, ele revela as dimensões do que o Evangelho produz na consciência e se desdobra para vida, pois não é possível acorrentar quem já sabe que é livre. Assista esta empolgante mensagem, ela será libertadora para o seu coração!

 

15 março 2017

Você é um Parasita?



Só existe sentido em participar de um ajuntamento de fé se lá você puder servir e ser servido. A comunidade é o espaço da troca, da interação, da comunhão, da experienciação das dinâmicas do Evangelho.

Paulo usa a metáfora de um Corpo Humano quando trata desta questão. Ele ensina que nesta maravilhosa máquina, que é o nosso corpo, todos os membros interagem entre si e todos tem uma função, independente de sua importância na execução de questões específicas.

Assim, ninguém pode prescindir de qualquer membro desse corpo, pois as habilidades de cada membro são limitadas ao seu próprio propósito, portanto, o que falta em um, é suprido pelo que há no outro.

Se você faz parte de uma comunidade e não tem uma função, você se torna um parasita, alguém estranho ao corpo, que dele se alimenta pela via da intrusão. Um parasita consegue se misturar ao corpo, não raras vezes camuflado, para obter os benefícios que precisa sem, contudo, ter o compromisso e a responsabilidade de lidar com todas as questões deste complexo organismo.

Desta forma, creiam, eles podem viver por muito, às vezes, trocando de corpo, saindo daqui para ali, visitando um lugar e outro, pulando de galho em galho, sempre com a intensão de receber, nunca de dar ou se comprometer.

O parasita é um egoísta que só pensa em si, recebe todos os benefícios possíveis sem, necessariamente, ter que dar nada em contra partida. Ele não tem preocupação com as questões do corpo, não se importa se um membro está doente ou sofrendo, não sabe o que a Cabeça está apontando nem para onde as pernas estão indo, muito menos o que mãos e braços fazem. A questão dele é se alimentar e gozar de todos os privilégios, e isso pelo maior tempo possível.

Ora, você não é obrigado a congregar, pode viver sua fé isoladamente, o ajuntamento é um privilégio cada vez mais declinado, pois há feridos aos milhares entre nós e muita gente frustrada com um modelo de igreja falido.

A cada dia, aumenta mais o número dos discípulos de Jesus que foram expurgados de comunidades de fé em função de sua flagrante convalescença, por vezes, reconheço, a igreja atrapalha mais do que ajuda.

Mas eu penso que você deve evitar a todo custo o risco de se tornar um parasita, trocando de corpo quando lhe convém e desenvolvendo um espírito utilitarista e predatório nas relações que desenvolve.

Se deseja congregar, encontre um lugar e fique lá, sendo útil no que for possível, igreja perfeita será algo viável apenas na Nova Jerusalém. Se esse lugar legal não existe aonde você se encontra, abra sua casa e comece um grupo, você poderá provar que é tão bom executando as tarefas de uma pequena comunidade quanto é em criticar as que já existem.



Carlos Moreira








13 março 2017

A "Cura Gay" e a Danação da Alma Humana





Em 34 anos caminhando com Jesus, tenho ouvido e convivido com centenas de pessoas homossexuais. Os dramas são inimagináveis e o que a igreja diz fazer por eles, “em nome de Deus”, é algo da mais grotesca intenção.

Eu creio firmemente que, se estivéssemos na idade média, com todo o poder que a instituição tinha, os gays seriam dizimados pelos senhores da ortodoxia, pelos perseguidores das diferenças, pelos exterminadores do amor, pelos executores da “moral e dos bons costumes”. Sim, em nome de Deus já se matou e torturou muita gente, e os gays comporiam essa lista, seriam queimados em fogueiras, arrancados de suas casas e torturados, pressionados a confessar estar possessos de demônios.

Eu não quero essa religião para mim, nem quero crer num Deus que não aceite alguém numa condição existencial diferenciada. E aí me falam: “Mas Deus cura!”. Sim, Deus é Deus, ele faz o que quiser sem dar satisfações, mas olhando a existência como ela é, e não como eu gostaria, as coisas não sucedem dessa forma.

Todos sabemos, o mundo é caído, a Terra passou a produzir “cardos e abrolhos”, a linguagem figurada do Gênesis, cheia de simbolismos, não pode ser entendida pelos escribas deste tempo, examinadores de códigos sem nenhuma competência hermenêutica, gente que estupra a Escritura em nome da sua fé.

Os impactos da queda são profundos e se movem em todas as direções, no físico e no emocional, no mundo animal, vegetal e mineral, na natureza e na substância das coisas, por isso Paulo fala que a criação geme e aguarda sua redenção, o estrago foi aterrador!

No entanto, a Graça redime, o amor cura, Deus fez a sua parte, a Cruz destruiu quem eu sou, o Sangue o que eu faço, toda a dívida foi exterminada, mas os homens costuram o véu novamente, e trazem Levítico para substituir Mateus, eles preferem Moisés a Jesus, são os que fazem gestão da misericórdia, os porteiros do céu que nem entram e nem deixam quem quer se salvar entrar.

Eu lido com centenas de homossexuais, alguns são amigos íntimos, outros estão na comunidade, são gente boa, pessoas amigas, leais, generosas, eles fazem o trabalho do Reino com devoção e responsabilidade. Não poderia estar mais honrado pela presença dos tais entre nós, estou agradecido a Deus por poder tê-los conhecido. Eles me confessam que tentaram de tudo, o imponderável para serem “curados” da maldição que a igreja lhes impõe, a dor é dilacerante.

Cura gay? De um gay que nasceu gay? De alguém que aos 3 anos de idade se percebe disforme dos seus iguais? De alguém que os pais já identificaram, ainda usando fraldas, que é diferente dos outros? Creio nessa cura como creio que a mangueira possa dar laranjas. Creio nessa cura como creio que Deus pode dar visão a um cego de nascença, em condições especiais, mas não como obra do catecismo dos crentes, nem de correntes de oração ou cultos catárticos de milagres, nem de processos de invasão de mente e alma com um doutrinamento perverso e violento.

Eu não prego a “Cura Gay”, eu prego o Evangelho que salva gays e todos os outros pecadores. O resto é com Deus, e você que não gosta que se entenda com ele. Se ao ser julgado, no último dia, o Senhor me imputar essa culpa, eu direi: “Perdoa-me, Pai, eu queria que todos os gays fossem salvos pelo teu amor. Se agi errado, tira, então, a minha porção da árvore da vida”. Serei honesto com Deus, direi isso de cara limpa e coração puro, ele sabe que aqui não minto nem faço jogo de cena, pago um preço muito alto para ser quem sou e fazer o que faço, não há nenhuma vantagem nisso.

Portanto, prefiro ver um gay curado pelo amor, sendo quem é e vivendo com reverência e discrição, do que “curado pela igreja”, negando sua natureza, introjetando ser o que não é, fazendo uma mutilação na sua alma, casado com uma irmãzinha e tendo pulsões pelos irmãozinhos, se escondendo atrás de ministérios e gemendo na solidão da cama, dando testemunho de libertação e chorando horrores por viver um simulacro. Sim, é isso o que acontece, e quem é gay e passou por esse processo não me deixará mentir. A cura para o gay é o amor, e a igreja que aí está dificilmente entenderá isso...

Carlos Moreira










10 março 2017

A Tirania de Deus foi nos dar a Liberdade de Ser



A tirania de Deus foi nos dar a liberdade de ser. Sim, toda tentativa de aprisionar a alma humana não vem de Deus, fosse esse seu desejo, nos teria feito anjos, sujeitos a sua vontade, e não humanos livres, capazes de fazer nossas próprias escolhas.

Ora, Jesus nos ensina que a proposta do Evangelho mantém esta premissa quando afirma: “Eu Sou a porta. Qualquer pessoa que entrar por mim, será salva. Entrará e sairá; e encontrará pastagem”. Jo. 10:9.

Mas a religião não suporta a liberdade, precisa de controles e regras, precisa supervisionar o que sucede na vida, esquadrinhar o pensamento, cercear impulsos, castrar o inusitado, amputar a inspiração. Sim, a religião é como uma máquina industrial produzindo pessoas em série, todas com suas mentes padronizadas, Robocops da fé, gente que perdeu a singularidade porque perdeu a identidade.

Quem pode dizer ser livre no meio religioso? Se o indivíduo precisa, logo de cara, aceitar uma cartilha inteira de regras ligadas aos usos e costumes da denominação? Se são livres, porque me perguntam se podem beber, fumar, jogar, dançar, transar, frequentar determinados ambientes, fazer piercing, tatoo, pintar o cabelo, usar essa ou aquela roupa, namorar com alguém de outra crença, comer certo tipo de comida, assistir um filme “censurado”, ir a motel, só para descrever algumas das questões que, para seres humanos normais, não são questões, uma vez que todas essas coisas fazem parte do cotidiano e deveriam ser tratadas como escolhas simples do modo de viver. Quem pode ser livre numa igreja que recrimina a opção sexual? Quem pode ser livre sofrendo bulling por não se adaptar a alta costura religiosa, que determina o padrão do que pode ou não ser usado como vestuário? Quem pode ser livre não tendo a opção de frequentar um ambiente qualquer por que ele está repleto de “pecadores”? Quem pode ser livre sem ter a prerrogativa de fazer o que bem entender com seu corpo, ainda que isso seja para o seu próprio mal?

Nessa perspectivas, quanto Paulo escreve sua carta aos Coríntios, ele cita: “O Senhor é o Espírito; e onde quer que o Espírito esteja, ali há liberdade”. 2ª. Co. 3:17. Esta frase está num contexto onde o apóstolo faz uma comparação entre o ministério da Lei de Moisés e o ministério da Lei do Espírito da Vida, conforme o Evangelho. É nesse mesmo capítulo onde ele diz que o “código” – a letra – mata, mas o “Espírito” – a liberdade – vivifica.

Ora, Corinto era a cidade mais promíscua e com as maiores manifestações de devassidão dos dias de Paulo. E foi justamente nesse contexto, que aparentemente poderia demandar "controles", que o apóstolo trata da necessidade de sermos livres. Mas que tipo de liberdade pode promover isso sem ser libertinagem? A liberdade do Evangelho, aquela que me permite ser livre para poder dizer sim ou não sem a obrigação de ter que cumprir códigos humanos e etiquetas religiosas!

No texto que citei acima, a palavra grega que designa liberdade é ἐλευθερία – eleutheria. Ela também é encontrada em outra passagem, na carta aos Gálatas 5:1, como segue: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão”. Ora, de que jugo Paulo estava falando? Das leis do judaísmo, dos códigos acéticos, das liturgias sagradas, das tradições dos fariseus, das regras comportamentais, das prescrições sociais, e de tudo que tornasse a vida uma prisão.

Portanto, afirmo, não pode haver fé sadia em um ambiente de punição e medo, de controle e cerceamento. Por isso muitas igrejas se tornaram usinas de neuróticos, sanatórios religiosos, casas de entorpecimento da mente e do coração. Assim, não se esqueça jamais: O Evangelho te dá identidade; a religião, dupla personalidade. Um te faz ser normal, o outro, um ser patológico...


Carlos Moreira







08 março 2017

A Marca, a Massa, a Mídia e o Evangelho

O “Beijo Gay” da Disney veio reascender antigas questões ligadas a nevrálgica relação entre cultura e religião. Diante da polêmica, dois grupos veem se enfrentando abertamente nas redes sociais: os defensores da moral e dos bons costumes, composto prioritariamente pela ortodoxia religiosa, e os ideólogos liberais, em sua maioria membros ou simpatizantes do movimento LGBT. A partir do incidente, que será cada vez mais constante, temos como desafio buscar entender qual o fenômeno que há por detrás não apenas das ações estratégicas de conglomerados de mídia voltados para o entretenimento, mas também de outros meio de influência e produção de conteúdos sociais tentando impetrar uma nova cosmovisão, uma vez superada a ideologia judaico-cristã no ocidente. Diante deste mosaico, o filósofo italiano Antônio Gramsci, em suas postulações sobre a “Revolução Silenciosa”, nos fornece algumas premissas sobre a utilização de mecanismos de entorpecimento social, pelas vias legais e constitucionais, os quais visam produzir um doutrinamento específico, no caso deste autor, a ideologia marxista. As questões centrais, todavia, que merecem nosso estudo, são as seguintes: o que devemos tratar como cultura e o que precisamos observar como valores imutáveis do Evangelho? Como identificar ideologias subliminares inoculadas no inconsciente coletivo que passam a fazer parte da cosmovisão social? Quais são os riscos que corremos ao não discernirmos tais questões e que prejuízos isso pode causar? Assista a esta mensagem e chega às respostas a cada uma destas perguntas.


 

02 março 2017

Otário sou Eu!



Desculpe, Marcelo, mas o otário aqui sou eu! Sim, por que eu não fiquei bilionário corrompendo ninguém, nem criei uma empresa paralela para fazer subvenção de políticos movidos à propina, nem estuprei o Estado Brasileiro com obras superfaturadas pagas com o dinheiro do contribuinte, parte dele formada por aquele indivíduo que morre no corredor do hospital, que não tem escola para os filhos nem saneamento básico para viver com um pouco de decência.

Desculpe, Marcelo, mas o otário aqui sou eu, por que eu não usei da influência de governantes desonestos para entrar em outros países e fazer negociatas, nem dispus do caixa dois da minha empresa para financiar campanhas, além do que, não tenho na folha de pagamento metade do Congresso Nacional, gente venal que vendeu a consciência ao dinheiro e a alma ao demônio.

Você não deve saber, mas eu pago imposto, sr. Marcelo, e pago muito caro, tenho que votar no candidato político menos ruim e ainda preciso esperar quatro anos para ele fazer alguma coisa, pois o que ele deveria fazer, não faz, uma vez que você o comprou para realizar lobby em prol da Odebretch. 

Eu sou otário pois tive, desde cedo, que trabalhar para pagar meus estudos, não herdei nenhum império da minha família. Sabe, Marcelo, eu saía todos os dias às 10:00 horas da noite da faculdade e ia trabalhar no frio de 15 graus do Centro de Processamento de Dados do Banorte, largando às 6:00 da manhã, cansado, com fome, mas com o senso de dever cumprido. 

Me desculpe, mas não divido com você meu título de otário, pois as licitações públicas que ganhei foram na base da competência técnica, nunca precisei dar propina para realizar meus serviços. Você talvez não saiba, Marcelo, mas dos otários do Brasil, estou entre os melhores, são mais de 20 anos como empresário, sobrevivendo as custas do mérito, do estudo, do tratamento correto com clientes, funcionários e parceiros. 

Ora, com uma conduta como essa, não enriqueci, é verdade, e continuo apenas tendo grana para pagar as contas, tenho um carro velho, ano 1998, e um apartamento com 30 anos de construção. Não possuo moeda estrangeira em banco, nem poupança, não tenho ações na bolsa, minha mulher não tem joias e não sou titular de contas em paraíso fiscal.

Mas tem uma coisa, sr. Marcelo, que eu tenho e o sr. não tem: vergonha na cara! Sim, meu pai não me deixou patrimônio, mas me legou sua honradez, eu deito a noite, sem tranquilizantes, e durmo, e ainda posso andar pela rua com a cabeça erguida, olhando todo mundo nos olhos. Eu sei que esses valores não lhe interessam, Marcelo, pois sucesso para você é outra coisa, mas quero, definitivamente, lhe dizer algo: você já me roubou o suficiente, pois como cidadão paguei parte da conta da sua ganância, mas uma coisa você não vai tirar de mim: o título de otário!

Carlos Moreira


01 março 2017

Religião X Evangelho



A religião muda aparências
O Evangelho muda consciências...
A religião muda rotinas.
O Evangelho muda pessoas...
Na religião, a Verdade é uma ideologia.
No Evangelho, a Verdade é uma pessoa...
A religião se propõe a ocupar prédios.
O Evangelho se dispõe a ocupar mentes...
A religião propõe que você experimente o melhor desta terra.
O Evangelho propõe que você experimente o melhor de Deus...
A religião lhe propõe fazer o sinal da Cruz
O Evangelho lhe ensina a fazer da Cruz um sinal...
A religião visa multiplicar gente
O Evangelho visa multiplicar mentes
A religião molda as pessoas.
O Evangelho muda as pessoas...
A religião consegue transformar pessoas boas em más.
O Evangelho é capaz de transformar pessoas más em boas...
A religião idealiza
O Evangelho realiza...
A religião se ocupa em edificar impérios.
O Evangelho se compromete a edificar pessoas...
A religião anestesia o pensamento.
O Evangelho reconstrói a consciência...
Na religião você é um CNPJ
No Evangelho você é um CPF

A religião é uma forma de pensar.
O Evangelho é uma forma de viver...

A religião desafia você a ler as Escrituras.
O Evangelho instiga você a encarná-las...
Na religião, a confissão é uma liturgia do culto.
No Evangelho, a confissão é uma liturgia da vida...
Na Religião: “Sem dízimos, nada podeis fazer.
No Evangelho: "Sem Mim, nada podeis fazer"
Na religião, arrependimento é um pesar por aquilo que eu faço.
No Evangelho, é a geração da consciência sobre quem eu sou...
A religião põe a bíblia em suas mãos.
O Evangelho a põe em seu coração...
O Evangelho te dá identidade.
A Religião dupla personalidade.
A religião propõe uma Reforma.
O Evangelho, uma nova forma...
Na religião há muitos culpados e muita culpa.
No Evangelho há muitos culpados e nenhuma culpa...
A religião raciocina com a categoria do "todos por Um".
O Evangelho, com a factualidade do "Um por todos"...
A Religião muda à forma.
O Evangelho muda a fôrma...
Vem e segue-me, propõe o Evangelho.
Vem e senta-te, propõe a religião...
O Evangelho lhe desafia a seguir a Jesus.
A Religião lhe propõe seguir-se a si mesmo...
A religião nos leva a buscar coisas.
O Evangelho nos desafia a abraças causas...
O Evangelho: "Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".
A Religião: "Negue a sua cruz, tome a si mesmo e siga"...




Carlos Moreira


21 fevereiro 2017

Oficina de Vidas: Eu e Minha Casa Serviremos a Deus

O advento da modernidade, pelo olhar do sociólogo alemão Georg Simmel, pode ser melhor compreendido quando conhecemos dois dos seus principais símbolos: o dinheiro e a metrópole. Para Simmel, a evolução histórica destes elementos acentuou o que há de diverso no modo de vida moderno, a saber, um mundo onde as relações são objetivas e superficiais, uma sociedade marcada pela impessoalidade. Na mesma linha de pensamento segue o reconhecido sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que criou o conceito de “modernidade líquida”, algo que produziu uma cosmovisão na qual os valores se deterioram facilmente, o estilo de vida das pessoas passa a ser afetado pela impermanência e onde a tecnologia mecanizou as relações em redes sociais de interação virtual. A igreja, como não poderia deixar de ser, foi duramente afetada por essa dinâmica existencial, o que gerou o que denomino de “Cristianismo de Massa”, um fenômeno caracterizado pelo inchaço numérico das comunidades de fé, pela impessoalização das relações e das trocas humanas e o surgimento de uma demanda por programações que produzam entretenimento espiritual. O Cristianismo de Massa é o grande responsável pelo surgimento, a partir da década de 1980, das mega-igrejas, comunidades avantajadas e superpopulosas anabolizadas por práticas que são incapazes de produzir crescimento espiritual consistente e cumprir o propósito daquilo que Jesus qualifica no Evangelho como Εκκλησία – Igreja. Mas o que esse tipo de ajuntamento superlativo numericamente revela? Quais as consequências desta espiritualidade de massa que dilui o indivíduo e o torna apenas um número dentro de uma superlotada congregação? Em contra partida, qual é o significado da expressão “Corpo de Cristo”, utilizada por Paulo na carta aos Coríntios, e qual o modelo da igreja neotestamentária? Assista a esta mensagem e compreenda qual o verdadeiro significa de igreja.

 

SAI CAPETA!!



Essa foi uma conversa com alguém que me chamou pelo "in box" do Facebook.


- Pastor, boa noite.
- Oi mana!
- Essa agora eu quero ver... O que o sr. acha de um crente sair fantasiado de DIABO no carnaval?
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Acho interessante!! É aquele diabo com chifre, tridente, rabo em forma de seta e roupa vermelha?
- Esse mesmo, um que a bíblia chama de SATANÁS!!!!
- Vai ser uma zueira... kkkk. Se ele for esperto, manda um amigo sair de pastor pentecostal – paletó preto, gravata e cabelo engomado... Aí fica um tirando onda com o outro...
- Eu não acredito que estou ouvindo isso!!
- Eu também não!! Kkkkkkkkkkkkkkk
- O sr. concorda com isso?
- Mana, não sou eu que vou sair de diabo, é esse mano que você citou...
- E o sr. não acha nada demais?
- Não. Esse diabo que os crentes criaram, essa caricatura que citei, com rabo, chifre e tridente, é uma projeção do diabo medieval de Dante Alighieri, nada tem a ver com o ser ardiloso, inteligente e sofisticado revelado nas Escrituras. Esse “diabo de igreja”, que produz endemoninhados rosnando e rodopiando, não põe medo nem em criança de dois anos de idade.
- E como é esse seu DIABO???
- Ah... Jesus falou dele como “inimigo das nossas almas”, ou seja, ele age nas subjetividades, estimulando vaidades estilosas, ciúmes doentios, maldades calculadas, mentiras disfarçadas de bondade, desfaçatez ingênua, cobiças perniciosas. Paulo, por sua vez, nos diz que ele se disfarça de “anjo de luz”, travestido de boas obras, promovendo no coração das pessoas aquela piedade perversa, um tipo de ascetismo judaizante, ou uma espiritualidade meritória, ou ainda as barganhas tradicionais com o sagrado. Sim, o diabo se esconde onde crente nem imagina, pois o diabo dos crentes está no barzinho, na boate e no carnaval. O diabo mesmo está sentado no banco da igreja e não raras vezes ajuda o pastor com a “inspiração” para o sermão do domingo...
- Eu fico imaginando o que há na cabeça de um servo de Jesus para sair de diabo no carnaval!
- Eu sei... Ele está fazendo uma crítica bem humorada a safadeza que aí está, uma crítica sofisticada, admito, mas que não poderá ser percebida pela esmagadora maioria das pessoas. Ele tenta fazer o que Nietzsche fez, no século XIX, dizendo que Deus estava morto, pois o cristianismo que ele via praticado pelo clero da igreja protestante e pelos que se diziam cristãos só podia levar a essa conclusão.
- Quem é Nietzsche?
- Um filósofo.
- E o sr. lê essas coisas?
- Claro, eu sou filósofo por formação, mas eu sei que você vai dizer que isso é coisa do diabo! kkkkkkkk
- O mundo está mesmo perdido...
- Olha, mana, se fantasiar de diabo no carnaval é a menor de todas as questões... O problema é se vestir de diabo na igreja, todo domingo, oprimindo a mentezinha de gente sofrida, enganando com sofismas evangelicais os fracos de consciência, proibindo a bebida e bebendo a alma dos angustiados, cerceado o fumo e tragando o desespero dos famintos de esperança, proibindo o sexo e se amancebando com o dinheiro e a cobiça. Sim, tem mais diabo dentro da igreja que no carnaval, pois no carnaval ninguém está enganado de sua condição, quem está perdido sabe de si mesmo, mas na igreja o diabo ajuda a manter mentes entorpecidas, gente anestesiada de coração, que se esconde atrás de regrinhas bobas e de uma agenda pirotécnica, são seres de performance, mas sem conteúdo de vida, nada sabem do amor, da justiça ou da misericórdia.
- O sr. deixaria um crente de sua igreja sair de diabo?
- Não faço blitz na comunidade, não sei quem vai brincar ou não, todo mundo é maduro para fazer suas escolhas, eu não trato a alma das pessoas como latifúndio da religião, nem exerço sobre elas um magnetismo hipnótico em nome de Deus, quem vai lá é livre para entrar, sair e voltar, essa é a única regra, que todo homem seja livre para viver conforme a sua consciência em Jesus e no Evangelho.
- Pois eu nunca irei em sua igreja!
- Eu sei, mana, você prefere ir aonde o diabo fala com voz impostada, paletó engomado, bíblia na mão e cheiro de enxofre...


Carlos Moreira


15 fevereiro 2017

Toda Nudez Será Castigada?



Sobre a evangélica passista que vai sair nua no carnaval do Rio 2017 - segue link da matéria - http://extra.globo.com/noticias/carnaval/evangelica-passista-vai-desfilar-sem-roupas-em-carro-alegorico-da-rocinha-20920663.html.

Há duas questões aqui e elas dizem respeito às “decisões” e “cisões” que somos chamados a fazer no chão dos dias.

Do ponto de vista das decisões, não se deve invadir o direito à individualidade e a privacidade de cada um, escolhas já demandam a responsabilidade de quem as toma de viver com suas consequências.

Portanto, ninguém tem o poder de legislar sobre a alma do outro, muito menos a igreja e seus líderes – padres, pastores e bispos.

Isso também diz respeito, analogamente, a nossa profissão, pois se você trabalha de forma honesta para quem é desonesto – o caso dos executivos da Odebretch – por exemplo, deve, ao depois, arcar com as demandas de seus atos, não haverá “imunidades” no seu caminho por você ser uma pessoa religiosa, Deus não blinda ninguém contra os desdobramentos de suas ações.

A moça é livre para sair vestida ou pelada onde ela bem entender, desde que esteja disposta a lidar com a reverberação existencial de tudo isso. Se essa é a sua profissão, deve arcar com os “custos” e seguir o que manda a consciência. Agora, se compete ou não, aí já é outra coisa.

Em segundo lugar, do ponto de vista das “cisões” necessárias ao viver do homem, neste tema específico, sigo o que recomenda Paulo: “... Cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra”. 1ª Ts. 4:4.

Abraçar a fé em Jesus e existencializar o Evangelho em ações práticas demandará algumas cisões na vida. Sim, não há como encarnar tudo isso sem que amputações não sejam feitas, cortes profundos que demandarão coragem, pois separam, definitivamente de nossas vidas, aquilo que sempre fez parte dela.

Eu acredito que um discípulo de Jesus não deva expor o seu corpo para além dos limites do que pede o bom senso, não há pudores morais aqui, mas apenas o equilíbrio de quem deseja caminhar em outras direções.

Quando Jesus trata do tema do Eunuco, em Mateus 19, ele afirma que há alguns destes, que abraçaram tal estado na vida, por causa de uma decisão pessoal, e finaliza dizendo que nem todos estão aptos a compreender tal escolha, pois ela é tomada a partir de pressupostos ligados aos valores que o indivíduo introjetou.

Da mesma forma, há determinadas cisões que precisam ser feitas na vida por questões de consciência e fé, mas reconheço que nem todos estão aptos a fazê-las...



Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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