Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

23 maio 2017

ESTOU SUFOCADO!



A religião precisa do método para se sustentar. Sim, sem regras, sem obrigações, sem liturgias ordenadas, o religioso entra em pânico, sente-se sem chão, vê-se nu e em pecado.

Ora, nós sabemos o quanto o Evangelho de Jesus chocou os Fariseus justamente por isso, pois as leis judaicas, em número de 613, acrescidas das tradições dos anciãos, que podiam até dobrar esse número, se constituíam o manual de conduta daquela gente, o método que disciplinava e ordenava a vida do fiel.

Aí veio Jesus, falando de liberdade e de consciência, e reduziu mais de 1.000 preceitos legislativos em apenas dois: amar a Deus e ao próximo. Foi fatal! A crentaiada entrou em pânico! Para eles, viver de forma tão simples e leve revelava-se absurdo, era preciso submeter à existência aos rigores assépticos, as lavagens litúrgicas, aos sacrifícios purgatórios, as orações repetitivas, aos jejuns despropositados e as ofertas, em forma de dízimos, desprovidas de compaixão.

Na verdade, o Galileu bagunçou o quengo da moçada, propôs o Caminho da Consciência do Evangelho, onde não há lugar sagrado, nem dia sagrado, nem sacrifício sagrado, nem homem do sagrado, e com isso pôs fim, de uma feita só, no templo, no sábado, na intermediação dos sacerdotes e na oferta de cordeiros e pombas.

O Evangelho é um convite a quebrar as regras da religião para nos levar a liberdade de ser em Deus, ele nos tira do fordismo metódico e industrializado da igreja, para nos propor a Lei do Espírito e da Vida, que nos faz seguir pacificados e perdoados, sem pesos e sem demandas.

É simples assim, mas o Cristianismo não suportou nada disso, colocou de volta no velho odre da religião o vinagre do judaísmo repaginado com uma pitada de platonismo e a lógica do sistema grego de Aristóteles.

A partir daí, construiu templos, para congregar os "santos", ordenou Papas e Padres, para ministrar sacramentos, santificou o domingo, para o "culto" a Deus e reconstruiu as pesadas liturgias "sagradas", para metodizar a fé, pôs “ordem” na “desordem” proposta por Jesus.

Quando olho para tudo isso, dá certa tristeza, vê no que foi reduzida a fé de muitos, perceber o quanto a religião escraviza o indivíduo com ordenanças sem fim... Mas fazer o quê? Para quem o “Está Consumado!” não basta, o que sobra é viver com o “Estou Sufocado!”. Agora durma com um barulho desse...



Carlos Moreira

03 maio 2017

Às Vezes dá Certo, às Vezes dá Errado. E Daí?

A teologia da prosperidade, impregnada na mente e na alma desta geração, atribui ao fracasso, a doença, a perda ou qualquer outra situação desfavorável na vida do indivíduo o fato dele estar em dívida com a divindade, seja esta falta em forma de pagamento de dízimos, de falha em seu comportamento moral, de queda na frequência de atividades religiosas ou coisas correlatas. A religião se alimenta da culpa e do medo e estabelece na barganha seu modus operandis. Ao invés de fomentar saúde existencial, provoca doença comportamental, produz pessoas gananciosas que imaginam que Deus é uma espécie de financista de suas vontades, obrigado a lhes fazer prosperar em tudo o que fazem desde que o sujeito esteja em dia com a Contabilidade Celestial. Diante desse contexto, a questão que se levanta é a seguinte: o que fazer quando as coisas dão errado, mesmo quando estou fazendo tudo certo? Será que há algo subliminar que não estou percebendo? Ou uma maldição se alojou em minha vida em função da quebra de algum preceito ou mandamento? Quem sabe é algo ligado a alguém que está próximo a mim – um “Acã” em pecado? Será, talvez, plano de Deus me fazer passar por isso para me disciplinar? Ouço todos os dias pessoas que me trazem questões como estas... Elas estão desesperadas em busca de encontrar um álibi que possa explicar qual o motivo de seus negócios não estarem indo bem, o porquê do casamento está em crise, a explicação para o organismo está debilitado, a razão da promoção na empresa não ter saído, o propósito da causa na justiça ter sido perdida, e por aí vai... Mas será que existe alguma promessa de Deus nas Escrituras que lhe garanta viver bem todo o tempo? Sem doenças? Sem perdas? Sem fracassos ou frustrações? Sem impossibilidades e limitações? Na verdade, diante de muitas destas questões, o que tenho dito é apenas o seguinte: “Relaxe! Nem tudo dá certo!”. Assista a mensagem e tenha um encontro com a paz que pacificará sua alma a partir do discernimento de quais ações podem ser tomadas para nos aquietar diante da vida.


 

26 abril 2017

O Absurdo de Deus num Mundo em que é Absurdo Existir

Olhe para o mundo a sua volta: o que lhe parece? Ande pelas ruas de sua cidade, observe o que se passa ao seu entorno, você percebe o que está acontecendo? Leia as manchetes dos jornais de hoje, analise o que elas expressam, dá para discernir a gravidade do que está dito? Sim, está claro, vivemos em meio ao caos e estamos à beira de um colapso definitivo. O mundo, neste exato momento, sofre com diversos tipos de ameaças: catástrofes no ecossistema global por ações exploratórias desenfreadas dos países ricos; iminência de guerras continentais com a possibilidade do uso de armas atômicas; epidemias globais de vírus que estão, cada vez mais, resistentes aos medicamentos; exploração humana e corrupção generalizada nos países do terceiro mundo; ceticismo religioso com a irremediável falência das instituições ligadas a fé; terrorismo internacional utilizado pelos países do Oriente como mecanismo de insurreição. Convenhamos, viver neste planeta é algo totalmente inviável, por isso, diante de um quadro tão assustador, o ser humano implode em si mesmo, a psique do indivíduo não suporta o peso das pressões externas, explodem, assim, disfunções psicossomáticas, depressões, pânico, transtornos de ansiedade, dependência de diazepínicos, tudo visa, de alguma forma, amortecer a realidade. Estamos vivendo na sociedade da fuga, existimos com medo, temos terror de olhar pela janela e constatar o que nos espera no dia seguinte. Diante de tudo isso, contudo, lembro de forma esperançosa das palavras do profeta Miquéias: “Eu, porém, olharei para o Senhor; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá”. Mq 7:7. Eu confesso: tenho receio de colocar meus pés na rua, temo pelo que pode sobrevir contra as pessoas que amo, sofro com o que acontece no meu país em termos político, econômico e social. Mas constato, também, que não dá para viver assim! Por isso afirmo que, num mundo absurdo, a existência só se torna possível se crermos no Deus que é absurdo! Só a fé naquilo que é intangível e a convicção da existência de um amor que é inexplicável pode nos dar a capacidade de andar num caminho que é pura contradição. Como bem afirmou Tertuliano, pensador do segundo século da era cristã: “O Filho de Deus morreu, o que é crível justamente por ser inepto; e ressuscitou do sepulcro, o que é certo porque é impossível”. Com essas certezas, há um terreno onde a consciência pode descansar, pois no chão do coração passa a repousar a paz que viabiliza o ser. Assista a mensagem e se permita ser consolado pela paz que excede todo entendimento.


 

25 abril 2017

Se Não Tem Tu, Vai Tu Mesmo!



A sabedoria popular afirma que "é melhor viver só do que mal acompanhado", mas a realidade existencial, por vezes, revela o contrário, ou seja, é melhor viver mal acompanhado do que só. Aliás, Vinícius, o poetinha, afirmou certa feita, despudoradamente: “É melhor o amor que não compensa do que a solidão”.

Como pastor, estou acostumado a ouvir os dramas relacionais das pessoas, separações e crises conjugais fazem parte do meu cardápio cotidiano, além, obviamente, de novas relações que se estabelecem após estações outonais. Me parece, todavia, que a partir dos 40 anos fica mais difícil construir relações duradouras e qualitativas, a esmagadora maioria das pessoas chega a esta etapa da vida com, no mínimo, uma separação e um filho, o que, convenhamos, é uma dificuldade extra.

Recorrentemente, confesso, tenho me deparado com reclamações de que o “mercado” de solteiros é escasso e de baixa qualidade, os homens não querem nada sério e as mulheres preferem investir na profissão do que num novo casamento. A verdade é que vivemos no tempo dos “líquidos”, como afirmou Bauman, somos a sociedade da impermanência, nada sólido ou duradouro sobrevive aos nossos dias.

Diante deste contexto complexo, observo, também, que muita gente partiu para o que expõe, mais uma vez, a sabedoria popular, ou seja, “se não tem tu, vai tu mesmo!”. E assim, relacionamentos de alto risco se estabelecem, pessoas se juntam para aplacar suas carências, sejam elas sexuais, emocionais, e, não raro, financeiras. Ficar só não parece para estes uma boa opção, portanto, é melhor viver pela metade, do que amargar um final de semana de televisão e edredom.

Na verdade, o que percebo em tais arranjos é que, na esmagadora maioria dos casos, eles se revelam desastrosos em pouquíssimo tempo. A pessoa desarruma a vida inteira, às vezes desaloja filhos, muda de apartamento, realiza adaptações profissionais, tudo para tentar fazer caber o new love no espaço apertado que a alma dispõe. Todavia, como esse “Romeu” está mais para “Romero”, ou seja, não era bem isso o que eu desejava, em curto espaço de tempo os problemas se revelam maiores que a capacidade de administrá-los e aí, o desfecho final já está traçado, é só questão de oportunidade...

São muitos, portanto, os casos de pessoas que se entregaram a novas relações que acabaram por se constituir mais adoecedoras do que a que elas possuíam no passado. A tirania da solidão, um mal deste tempo, acaba obrigando o indivíduo a estar acompanhado a todo custo, ainda que essa companhia produza o que poetizou Cazuza – solidão a dois.

Estar só, imagino, é uma merda, pois não há nada melhor do que ter alguém para amar e dividir alegrias e tristezas da vida. Estar acompanhado de alguém que não lhe completa, contudo, parece-me algo ainda pior, pois além de impedir que alguém bacana chegue na antessala do coração, e nos arrebate o ser, faz-nos viver na melancolia do “quase”, ou seja, não é o que eu queria, mas é o que tem para hoje! Como bem disse Chico Buarque, em 1979, na canção “Sob Medida”: “Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus”. Só que não...

Carlos Moreira



10 abril 2017

Eu Não Quero...



Eu não quero ser escravo de qualquer máquina que me chantageie com avisos sonoros, recados falantes e imagens instigantes, não preciso me tornar seu refém estando obrigado a responder tudo o que ela me manda, com e sem propósitos, nem ter que viver “conectado” a algo que não tem conexões em mim.

Eu não quero ser dependente de redes sociais virtuais que me obrigam a exibir em selfies e vídeos uma vida que não é minha, demonstrando uma alegria que não passa de brilho de aluguel, expondo cenas que são construções plásticas, liberando intimidades que são encenações flagradas para agradar ao freguês.

Eu não quero viver sobre a bandeira da ideologia partidária, achando que o mundo se divide entre “nós” e “eles”, rechaçando o bem que é feito pelo outro por causa da cor da sua bandeira, ou das letras de seu partido, negando a verdade de fatos irretocáveis por causa de suas origens políticas, invalidando discursos óbvios por não se respaldarem nos meus teóricos de bolso e em minhas filosofias de gaveta.

Eu não quero seguir uma religião que se acovarda entre quatro paredes de um templo mórbido, onde a gordura da consciência impede a ação solidária em favor do meu igual, não tenciono viver preso a liturgias que reverenciam Deus em formas estéticas, mas que não transformam a vida em culto libertário e o próximo em altar para o meu serviço amoroso, não desejo existencializar uma fé que fecha o céu para quem não crê igual a mim nem segue as doutrinas que construí para meu desplante, já sei, desde sempre, que meu Deus é mais indulgente comigo do que com os outros.

Eu não quero ser um cidadão de mente sedentária, manipulado por uma mídia perversa, que tem na agenda os interesses de predadores da alma humana, não posso fazer vista grossa para o que me diz respeito e está no entorno da minha casa como se fosse apenas um problema do Estado, nem desejo me fossilizar como um teórico que sonha em mudar o mundo, mas não tira a bunda do sofá da sala de estar.

Eu não quero ser um escravo do desejo, nem um indivíduo preso na coleira do consumo, viciado em comprar o que não preciso e tornando-me um acumulador de supérfluos tecnológicos, eu não vou viver exibindo o que se constitui a “última moda”, nem vou possuir o modelo mais usado pelos gestores dos padrões e etiquetas culturais, aqueles que vivem uma vida performática, os que debaixo de suas maquiagens e grifes agonizam em angústias noturnas, tendo que amargar o personagem que os consome o ser.

Eu não quero ser vítima de relações abusivas, nem ser chantageado em nome de um amor que vicia, não preciso que ninguém trague a minha alma nem estupre o meu coração, ou faça de mim o seu objeto de consumo tedioso, eu não sou coisa, sou gente, não posso ser usado e descartado, meu espírito é infinito, não pode ser jogado no lixo do cotidiano.

Eu não quero poder dizer que não quero por causa de partido político, igreja, pessoas, ideologias, modismos culturais, tendências tecnologias, filosofias existencialistas, pensadores libertários, ou qualquer outra coisa que me torne refém de algo que não esteja em mim, não faça parte de mim, ou que em mim não aconteça como verdade e amor. Simplesmente, não quero...


Carlos Moreira


29 março 2017

Me Engana que Eu Gosto!



“Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras”. Os. 4:9.

A fenomenologia congregacional nos ensina que o povo é um reflexo do seu pastor, eles possuem, portanto, o pastor que lhes cai bem, assim como, da mesma forma, o filósofo francês Joseph-Marie Maistre afirma que “cada povo possuí o governo que merece”.

Sim, eu diria ainda mais, a congregação é capaz de produzir um tipo de pastor que nada mais é do que o reflexo de sua própria face, ele é a expressão visível de aspirações e frustrações invisíveis, a propagação material das imaterialidades e latências da alma, das vaidades e taras, dos medos e opressões, da malícia e dos juízos, o produto consciente do inconsciente coletivo.

Assim, quanto mais doente é o povo, tanto mais será o pastor, quanto mais ambiciosa seja a congregação, mais volúpia por dinheiro terá o seu líder, quanto mais fetiche tenham os membros na magia espiritual, mais manipulador do sagrado será aquele que os conduz.

Ao final, o que se vê nestas igrejas é um grande engodo, todo mundo traindo e sendo traído, os encontros não passam de teatro a céu aberto, o baile de máscaras do qual falou Soren Kierkegaard.

Fuja disso! Busque quem reflete a face de Cristo, não a sua própria, muito menos a daqueles que o ouvem, saia de perto de todo ajuntamento onde o pastor se apresente como homem poderoso, capaz de fazer a agenda de Deus na Terra, ou de produzir milagres com dia e hora marcada. Saia daí! Isso lhe fará um mal sem precedentes! Corra para longe de todo aquele que se auto-promove, dos que falam com a boca e destroem o discurso com atos perversos, dos que esbravejam e praguejam para amedrontar incautos e neófitos.

Busque, de alguma forma, os que andam com bacias e toalhas para lavar os pés dos irmãos, os que trabalham incansavelmente sem buscar a recompensa financeira, os que não querem honra nem desejam bajulações. Busque pastores que se pareçam com Jesus, que sejam mansos, que tratem da dor humana com misericórdia, que acolham os necessitados e protejam os indefesos e diferentes.

Faça isso e sua alma viverá, você jamais será confundido, nem terá seu coração esmagado pela dor. Isso lhe diz quem sabe o que é andar no chão dos dias, quem já viveu o bastante para discernir que não há bem maior do que a paz e a alegria de ser conforme a imagem do Filho Unigênito de Deus, e não o reflexo tosco de qualquer outro homem debaixo de sol.


Carlos Moreira




28 março 2017

O Primeiro Dia Depois do Último Dia

VOCÊ SE PROJETARÁ PARA O FUTURO E SE VERÁ NA CENA FINAL DA HISTÓRIA HUMANA Eschaton – εσχατος – é a palavra que, na teologia, trata dos eventos finais da história do gênero humano. Quando estudamos as Escrituras, observamos que existe uma grande quantidade de textos que falam destes eventos, tanto nos profetas do Velho Testamento, quanto nos Evangelhos e nas Epístolas. Mas certamente é no Livro de Apocalipse, escrito pelo apóstolo João, onde estes eventos parecem estar melhor descritos. Contudo, ainda que a maior parte da profecia do último livro da bíblia já ter se cumprido, é fato que ali existem fenômenos de natureza arquetípica, os quais se projetaram durante toda a história da humanidade adensando-se numa espiral que culminará com o epílogo do nosso mundo. Por isso, bem afirma-se sobre esse texto sagrado que ele é uma “arquitetura em movimento”. O grande desafio de sua leitura, todavia, é compreender que esse tipo de literatura é farta em metáforas, alegorias e outras figuras de linguagem, pois o escritor tem em sua mente uma maquete em múltiplas dimensões, olha não apenas para o futuro, mas também para o passado e presente. Portanto, interpretá-lo com todas as simbologias e conectá-los as dimensões de nosso tempo requer boa capacidade exegética e um consistente conhecimento da história da civilização. Essa reflexão analisa a fala de João em Apocalipse capítulo 21 e revela o que vai acontecer no primeiro dia depois do último dia. Qual será a síntese final da existência, o que ficará como significado eterno e o que será apagado da consciência, o que, de fato, tem valor e o que se revelará apenas como vaidade e correr atrás do vento? Assista a mensagem e perceba-se na cena final da saga humana!


 

24 março 2017

O "Missionário" e o Visionário



Então alguém me falou: “Eu sou missionário, vivo de abrir igrejas”. Conversando mais apuradamente, contudo, compreendi melhor o que ele dizia...

Sim, o que ele estava falando era de alugar um prédio, comprar bancos, um púlpito e equipamentos eletrônicos, colocar uma placa e juntar pessoas para ouvir sermões.

Na visão dele igreja parece ser um lugar que prescinde de uma agenda de eventos, grupos de música, teatro, ensino, evangelismo, uma hierarquia piramidal de cargos e dízimos para custear os salários dos empregados e dos sacerdotes.

Depois de certo tempo, ele percebeu que eu não estava empolgado com as coisas que me dizia, então, perguntou-me enfaticamente: “E você? O que você faz no Reino?”. Um pouco resoluto, com certa melancolia, respondi, “Eu sou visionário, vivo de ensinar as pessoas o que não é igreja”.

E na sequência, concluí: “Esse é um tempo onde se abrem igrejas como se abrem empresas, elas possuem muita estrutura e pouca humanidade, muitos recursos, mas são pobres de coração, estão abarrotadas de programas e esvaziadas de significados.

Triste é esse lugar que vocês chamam de igreja, onde a diferença está na roupa que se usa, mas o diferente não pode sentar para ouvir a mensagem, onde acontecem “milagres” e “curas”, mas a grande enfermidade que é a lepra de coração permanece, onde há "fogo" nas orações e cauterização de consciência.

Ah, como é triste essa igreja, meu amigo, que arrecada dízimos para custear reformas e ampliações, ao mesmo tempo que negligencia os miseráveis que estão no mesmo quarteirão do templo, onde reverencia-se a bíblia como regra de “prática e fé”, no mesmo instante em que se pratica estelionato contra a Verdade, onde a Ceia é tomada com pão e vinho, e o mendigo, sentado na entrada do estacionamento, carece de pão e misericórdia".

Ai de ti, igreja, que te vestes de pompas e esqueces das vestes de justiça, que adoras a Deus e desprezas teu semelhante, que proclamas a santificação e te cobres de imoralidades, basta a ti a tua própria vergonha, arrepende-te e busca o concerto, vê onde caístes e volta ao primeiro amor, faze isso antes que seja tarde, antes que o Senhor te visite e te despedace com um sopro da sua boca, antes que ele mova de ti o teu candeeiro e entregue a outro o teu chamado...

Carlos Moreira





21 março 2017

Acorrentado? Não se Pode Prender quem Sabe que é Livre!

A Operação Lava Jato completou essa semana 3 anos com números que assombram. Entre os presos VIPS estão o ex-presidente da maior empreiteira do País, Marcelo Odebretch, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o ex-Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, o ex-Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e o presidente do Grupo EBX, o empresário Eike Batista. Esse, portanto, é um tempo de encarceramento, de mandados de busca e condução coercitiva, pois há, de fato, um grande esforço para tentar se passar o Brasil a limpo. Presos em celas comuns, os bigshots da política e do mundo empresarial amargam dias difíceis, tem de conviver com companheiros de cela indesejáveis, submeter-se a uma rotina disciplinar robusta, alimentar-se com quentinhas numa dieta distante das iguarias do passado e usufruir, com afinco, de um pequeno tempo reservado para o banho de sol. Eu tenho convicção que não há nada pior para o homem do que perder a sua liberdade. Quando Van Gogh, quase louco, pintou a tela “Campo de Trigo”, já hospitalizado e detido num quarto que possuía grades na janela, ele abstraiu as barras de ferro e fez um de seus trabalhos mais lindos. Sim, ali se encontrava um homem que estava com seu corpo físico detido, mas a sua alma era livre. Nessa mensagem, vamos refletir sobre Paulo, o apóstolo que foi acorrentado a um guarda Pretoriano por 2 anos ininterruptos. Mesmo preso, ele revela as dimensões do que o Evangelho produz na consciência e se desdobra para vida, pois não é possível acorrentar quem já sabe que é livre. Assista esta empolgante mensagem, ela será libertadora para o seu coração!

 

15 março 2017

Você é um Parasita?



Só existe sentido em participar de um ajuntamento de fé se lá você puder servir e ser servido. A comunidade é o espaço da troca, da interação, da comunhão, da experienciação das dinâmicas do Evangelho.

Paulo usa a metáfora de um Corpo Humano quando trata desta questão. Ele ensina que nesta maravilhosa máquina, que é o nosso corpo, todos os membros interagem entre si e todos tem uma função, independente de sua importância na execução de questões específicas.

Assim, ninguém pode prescindir de qualquer membro desse corpo, pois as habilidades de cada membro são limitadas ao seu próprio propósito, portanto, o que falta em um, é suprido pelo que há no outro.

Se você faz parte de uma comunidade e não tem uma função, você se torna um parasita, alguém estranho ao corpo, que dele se alimenta pela via da intrusão. Um parasita consegue se misturar ao corpo, não raras vezes camuflado, para obter os benefícios que precisa sem, contudo, ter o compromisso e a responsabilidade de lidar com todas as questões deste complexo organismo.

Desta forma, creiam, eles podem viver por muito, às vezes, trocando de corpo, saindo daqui para ali, visitando um lugar e outro, pulando de galho em galho, sempre com a intensão de receber, nunca de dar ou se comprometer.

O parasita é um egoísta que só pensa em si, recebe todos os benefícios possíveis sem, necessariamente, ter que dar nada em contra partida. Ele não tem preocupação com as questões do corpo, não se importa se um membro está doente ou sofrendo, não sabe o que a Cabeça está apontando nem para onde as pernas estão indo, muito menos o que mãos e braços fazem. A questão dele é se alimentar e gozar de todos os privilégios, e isso pelo maior tempo possível.

Ora, você não é obrigado a congregar, pode viver sua fé isoladamente, o ajuntamento é um privilégio cada vez mais declinado, pois há feridos aos milhares entre nós e muita gente frustrada com um modelo de igreja falido.

A cada dia, aumenta mais o número dos discípulos de Jesus que foram expurgados de comunidades de fé em função de sua flagrante convalescença, por vezes, reconheço, a igreja atrapalha mais do que ajuda.

Mas eu penso que você deve evitar a todo custo o risco de se tornar um parasita, trocando de corpo quando lhe convém e desenvolvendo um espírito utilitarista e predatório nas relações que desenvolve.

Se deseja congregar, encontre um lugar e fique lá, sendo útil no que for possível, igreja perfeita será algo viável apenas na Nova Jerusalém. Se esse lugar legal não existe aonde você se encontra, abra sua casa e comece um grupo, você poderá provar que é tão bom executando as tarefas de uma pequena comunidade quanto é em criticar as que já existem.



Carlos Moreira








13 março 2017

A "Cura Gay" e a Danação da Alma Humana





Em 34 anos caminhando com Jesus, tenho ouvido e convivido com centenas de pessoas homossexuais. Os dramas são inimagináveis e o que a igreja diz fazer por eles, “em nome de Deus”, é algo da mais grotesca intenção.

Eu creio firmemente que, se estivéssemos na idade média, com todo o poder que a instituição tinha, os gays seriam dizimados pelos senhores da ortodoxia, pelos perseguidores das diferenças, pelos exterminadores do amor, pelos executores da “moral e dos bons costumes”. Sim, em nome de Deus já se matou e torturou muita gente, e os gays comporiam essa lista, seriam queimados em fogueiras, arrancados de suas casas e torturados, pressionados a confessar estar possessos de demônios.

Eu não quero essa religião para mim, nem quero crer num Deus que não aceite alguém numa condição existencial diferenciada. E aí me falam: “Mas Deus cura!”. Sim, Deus é Deus, ele faz o que quiser sem dar satisfações, mas olhando a existência como ela é, e não como eu gostaria, as coisas não sucedem dessa forma.

Todos sabemos, o mundo é caído, a Terra passou a produzir “cardos e abrolhos”, a linguagem figurada do Gênesis, cheia de simbolismos, não pode ser entendida pelos escribas deste tempo, examinadores de códigos sem nenhuma competência hermenêutica, gente que estupra a Escritura em nome da sua fé.

Os impactos da queda são profundos e se movem em todas as direções, no físico e no emocional, no mundo animal, vegetal e mineral, na natureza e na substância das coisas, por isso Paulo fala que a criação geme e aguarda sua redenção, o estrago foi aterrador!

No entanto, a Graça redime, o amor cura, Deus fez a sua parte, a Cruz destruiu quem eu sou, o Sangue o que eu faço, toda a dívida foi exterminada, mas os homens costuram o véu novamente, e trazem Levítico para substituir Mateus, eles preferem Moisés a Jesus, são os que fazem gestão da misericórdia, os porteiros do céu que nem entram e nem deixam quem quer se salvar entrar.

Eu lido com centenas de homossexuais, alguns são amigos íntimos, outros estão na comunidade, são gente boa, pessoas amigas, leais, generosas, eles fazem o trabalho do Reino com devoção e responsabilidade. Não poderia estar mais honrado pela presença dos tais entre nós, estou agradecido a Deus por poder tê-los conhecido. Eles me confessam que tentaram de tudo, o imponderável para serem “curados” da maldição que a igreja lhes impõe, a dor é dilacerante.

Cura gay? De um gay que nasceu gay? De alguém que aos 3 anos de idade se percebe disforme dos seus iguais? De alguém que os pais já identificaram, ainda usando fraldas, que é diferente dos outros? Creio nessa cura como creio que a mangueira possa dar laranjas. Creio nessa cura como creio que Deus pode dar visão a um cego de nascença, em condições especiais, mas não como obra do catecismo dos crentes, nem de correntes de oração ou cultos catárticos de milagres, nem de processos de invasão de mente e alma com um doutrinamento perverso e violento.

Eu não prego a “Cura Gay”, eu prego o Evangelho que salva gays e todos os outros pecadores. O resto é com Deus, e você que não gosta que se entenda com ele. Se ao ser julgado, no último dia, o Senhor me imputar essa culpa, eu direi: “Perdoa-me, Pai, eu queria que todos os gays fossem salvos pelo teu amor. Se agi errado, tira, então, a minha porção da árvore da vida”. Serei honesto com Deus, direi isso de cara limpa e coração puro, ele sabe que aqui não minto nem faço jogo de cena, pago um preço muito alto para ser quem sou e fazer o que faço, não há nenhuma vantagem nisso.

Portanto, prefiro ver um gay curado pelo amor, sendo quem é e vivendo com reverência e discrição, do que “curado pela igreja”, negando sua natureza, introjetando ser o que não é, fazendo uma mutilação na sua alma, casado com uma irmãzinha e tendo pulsões pelos irmãozinhos, se escondendo atrás de ministérios e gemendo na solidão da cama, dando testemunho de libertação e chorando horrores por viver um simulacro. Sim, é isso o que acontece, e quem é gay e passou por esse processo não me deixará mentir. A cura para o gay é o amor, e a igreja que aí está dificilmente entenderá isso...

Carlos Moreira










10 março 2017

A Tirania de Deus foi nos dar a Liberdade de Ser



A tirania de Deus foi nos dar a liberdade de ser. Sim, toda tentativa de aprisionar a alma humana não vem de Deus, fosse esse seu desejo, nos teria feito anjos, sujeitos a sua vontade, e não humanos livres, capazes de fazer nossas próprias escolhas.

Ora, Jesus nos ensina que a proposta do Evangelho mantém esta premissa quando afirma: “Eu Sou a porta. Qualquer pessoa que entrar por mim, será salva. Entrará e sairá; e encontrará pastagem”. Jo. 10:9.

Mas a religião não suporta a liberdade, precisa de controles e regras, precisa supervisionar o que sucede na vida, esquadrinhar o pensamento, cercear impulsos, castrar o inusitado, amputar a inspiração. Sim, a religião é como uma máquina industrial produzindo pessoas em série, todas com suas mentes padronizadas, Robocops da fé, gente que perdeu a singularidade porque perdeu a identidade.

Quem pode dizer ser livre no meio religioso? Se o indivíduo precisa, logo de cara, aceitar uma cartilha inteira de regras ligadas aos usos e costumes da denominação? Se são livres, porque me perguntam se podem beber, fumar, jogar, dançar, transar, frequentar determinados ambientes, fazer piercing, tatoo, pintar o cabelo, usar essa ou aquela roupa, namorar com alguém de outra crença, comer certo tipo de comida, assistir um filme “censurado”, ir a motel, só para descrever algumas das questões que, para seres humanos normais, não são questões, uma vez que todas essas coisas fazem parte do cotidiano e deveriam ser tratadas como escolhas simples do modo de viver. Quem pode ser livre numa igreja que recrimina a opção sexual? Quem pode ser livre sofrendo bulling por não se adaptar a alta costura religiosa, que determina o padrão do que pode ou não ser usado como vestuário? Quem pode ser livre não tendo a opção de frequentar um ambiente qualquer por que ele está repleto de “pecadores”? Quem pode ser livre sem ter a prerrogativa de fazer o que bem entender com seu corpo, ainda que isso seja para o seu próprio mal?

Nessa perspectivas, quanto Paulo escreve sua carta aos Coríntios, ele cita: “O Senhor é o Espírito; e onde quer que o Espírito esteja, ali há liberdade”. 2ª. Co. 3:17. Esta frase está num contexto onde o apóstolo faz uma comparação entre o ministério da Lei de Moisés e o ministério da Lei do Espírito da Vida, conforme o Evangelho. É nesse mesmo capítulo onde ele diz que o “código” – a letra – mata, mas o “Espírito” – a liberdade – vivifica.

Ora, Corinto era a cidade mais promíscua e com as maiores manifestações de devassidão dos dias de Paulo. E foi justamente nesse contexto, que aparentemente poderia demandar "controles", que o apóstolo trata da necessidade de sermos livres. Mas que tipo de liberdade pode promover isso sem ser libertinagem? A liberdade do Evangelho, aquela que me permite ser livre para poder dizer sim ou não sem a obrigação de ter que cumprir códigos humanos e etiquetas religiosas!

No texto que citei acima, a palavra grega que designa liberdade é ἐλευθερία – eleutheria. Ela também é encontrada em outra passagem, na carta aos Gálatas 5:1, como segue: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão”. Ora, de que jugo Paulo estava falando? Das leis do judaísmo, dos códigos acéticos, das liturgias sagradas, das tradições dos fariseus, das regras comportamentais, das prescrições sociais, e de tudo que tornasse a vida uma prisão.

Portanto, afirmo, não pode haver fé sadia em um ambiente de punição e medo, de controle e cerceamento. Por isso muitas igrejas se tornaram usinas de neuróticos, sanatórios religiosos, casas de entorpecimento da mente e do coração. Assim, não se esqueça jamais: O Evangelho te dá identidade; a religião, dupla personalidade. Um te faz ser normal, o outro, um ser patológico...


Carlos Moreira







08 março 2017

A Marca, a Massa, a Mídia e o Evangelho

O “Beijo Gay” da Disney veio reascender antigas questões ligadas a nevrálgica relação entre cultura e religião. Diante da polêmica, dois grupos veem se enfrentando abertamente nas redes sociais: os defensores da moral e dos bons costumes, composto prioritariamente pela ortodoxia religiosa, e os ideólogos liberais, em sua maioria membros ou simpatizantes do movimento LGBT. A partir do incidente, que será cada vez mais constante, temos como desafio buscar entender qual o fenômeno que há por detrás não apenas das ações estratégicas de conglomerados de mídia voltados para o entretenimento, mas também de outros meio de influência e produção de conteúdos sociais tentando impetrar uma nova cosmovisão, uma vez superada a ideologia judaico-cristã no ocidente. Diante deste mosaico, o filósofo italiano Antônio Gramsci, em suas postulações sobre a “Revolução Silenciosa”, nos fornece algumas premissas sobre a utilização de mecanismos de entorpecimento social, pelas vias legais e constitucionais, os quais visam produzir um doutrinamento específico, no caso deste autor, a ideologia marxista. As questões centrais, todavia, que merecem nosso estudo, são as seguintes: o que devemos tratar como cultura e o que precisamos observar como valores imutáveis do Evangelho? Como identificar ideologias subliminares inoculadas no inconsciente coletivo que passam a fazer parte da cosmovisão social? Quais são os riscos que corremos ao não discernirmos tais questões e que prejuízos isso pode causar? Assista a esta mensagem e chega às respostas a cada uma destas perguntas.


 

02 março 2017

Otário sou Eu!



Desculpe, Marcelo, mas o otário aqui sou eu! Sim, por que eu não fiquei bilionário corrompendo ninguém, nem criei uma empresa paralela para fazer subvenção de políticos movidos à propina, nem estuprei o Estado Brasileiro com obras superfaturadas pagas com o dinheiro do contribuinte, parte dele formada por aquele indivíduo que morre no corredor do hospital, que não tem escola para os filhos nem saneamento básico para viver com um pouco de decência.

Desculpe, Marcelo, mas o otário aqui sou eu, por que eu não usei da influência de governantes desonestos para entrar em outros países e fazer negociatas, nem dispus do caixa dois da minha empresa para financiar campanhas, além do que, não tenho na folha de pagamento metade do Congresso Nacional, gente venal que vendeu a consciência ao dinheiro e a alma ao demônio.

Você não deve saber, mas eu pago imposto, sr. Marcelo, e pago muito caro, tenho que votar no candidato político menos ruim e ainda preciso esperar quatro anos para ele fazer alguma coisa, pois o que ele deveria fazer, não faz, uma vez que você o comprou para realizar lobby em prol da Odebretch. 

Eu sou otário pois tive, desde cedo, que trabalhar para pagar meus estudos, não herdei nenhum império da minha família. Sabe, Marcelo, eu saía todos os dias às 10:00 horas da noite da faculdade e ia trabalhar no frio de 15 graus do Centro de Processamento de Dados do Banorte, largando às 6:00 da manhã, cansado, com fome, mas com o senso de dever cumprido. 

Me desculpe, mas não divido com você meu título de otário, pois as licitações públicas que ganhei foram na base da competência técnica, nunca precisei dar propina para realizar meus serviços. Você talvez não saiba, Marcelo, mas dos otários do Brasil, estou entre os melhores, são mais de 20 anos como empresário, sobrevivendo as custas do mérito, do estudo, do tratamento correto com clientes, funcionários e parceiros. 

Ora, com uma conduta como essa, não enriqueci, é verdade, e continuo apenas tendo grana para pagar as contas, tenho um carro velho, ano 1998, e um apartamento com 30 anos de construção. Não possuo moeda estrangeira em banco, nem poupança, não tenho ações na bolsa, minha mulher não tem joias e não sou titular de contas em paraíso fiscal.

Mas tem uma coisa, sr. Marcelo, que eu tenho e o sr. não tem: vergonha na cara! Sim, meu pai não me deixou patrimônio, mas me legou sua honradez, eu deito a noite, sem tranquilizantes, e durmo, e ainda posso andar pela rua com a cabeça erguida, olhando todo mundo nos olhos. Eu sei que esses valores não lhe interessam, Marcelo, pois sucesso para você é outra coisa, mas quero, definitivamente, lhe dizer algo: você já me roubou o suficiente, pois como cidadão paguei parte da conta da sua ganância, mas uma coisa você não vai tirar de mim: o título de otário!

Carlos Moreira


01 março 2017

Religião X Evangelho



A religião muda aparências
O Evangelho muda consciências...
A religião muda rotinas.
O Evangelho muda pessoas...
Na religião, a Verdade é uma ideologia.
No Evangelho, a Verdade é uma pessoa...
A religião se propõe a ocupar prédios.
O Evangelho se dispõe a ocupar mentes...
A religião propõe que você experimente o melhor desta terra.
O Evangelho propõe que você experimente o melhor de Deus...
A religião lhe propõe fazer o sinal da Cruz
O Evangelho lhe ensina a fazer da Cruz um sinal...
A religião visa multiplicar gente
O Evangelho visa multiplicar mentes
A religião molda as pessoas.
O Evangelho muda as pessoas...
A religião consegue transformar pessoas boas em más.
O Evangelho é capaz de transformar pessoas más em boas...
A religião idealiza
O Evangelho realiza...
A religião se ocupa em edificar impérios.
O Evangelho se compromete a edificar pessoas...
A religião anestesia o pensamento.
O Evangelho reconstrói a consciência...
Na religião você é um CNPJ
No Evangelho você é um CPF

A religião é uma forma de pensar.
O Evangelho é uma forma de viver...

A religião desafia você a ler as Escrituras.
O Evangelho instiga você a encarná-las...
Na religião, a confissão é uma liturgia do culto.
No Evangelho, a confissão é uma liturgia da vida...
Na Religião: “Sem dízimos, nada podeis fazer.
No Evangelho: "Sem Mim, nada podeis fazer"
Na religião, arrependimento é um pesar por aquilo que eu faço.
No Evangelho, é a geração da consciência sobre quem eu sou...
A religião põe a bíblia em suas mãos.
O Evangelho a põe em seu coração...
O Evangelho te dá identidade.
A Religião dupla personalidade.
A religião propõe uma Reforma.
O Evangelho, uma nova forma...
Na religião há muitos culpados e muita culpa.
No Evangelho há muitos culpados e nenhuma culpa...
A religião raciocina com a categoria do "todos por Um".
O Evangelho, com a factualidade do "Um por todos"...
A Religião muda à forma.
O Evangelho muda a fôrma...
Vem e segue-me, propõe o Evangelho.
Vem e senta-te, propõe a religião...
O Evangelho lhe desafia a seguir a Jesus.
A Religião lhe propõe seguir-se a si mesmo...
A religião nos leva a buscar coisas.
O Evangelho nos desafia a abraças causas...
O Evangelho: "Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".
A Religião: "Negue a sua cruz, tome a si mesmo e siga"...




Carlos Moreira


21 fevereiro 2017

Oficina de Vidas: Eu e Minha Casa Serviremos a Deus

O advento da modernidade, pelo olhar do sociólogo alemão Georg Simmel, pode ser melhor compreendido quando conhecemos dois dos seus principais símbolos: o dinheiro e a metrópole. Para Simmel, a evolução histórica destes elementos acentuou o que há de diverso no modo de vida moderno, a saber, um mundo onde as relações são objetivas e superficiais, uma sociedade marcada pela impessoalidade. Na mesma linha de pensamento segue o reconhecido sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que criou o conceito de “modernidade líquida”, algo que produziu uma cosmovisão na qual os valores se deterioram facilmente, o estilo de vida das pessoas passa a ser afetado pela impermanência e onde a tecnologia mecanizou as relações em redes sociais de interação virtual. A igreja, como não poderia deixar de ser, foi duramente afetada por essa dinâmica existencial, o que gerou o que denomino de “Cristianismo de Massa”, um fenômeno caracterizado pelo inchaço numérico das comunidades de fé, pela impessoalização das relações e das trocas humanas e o surgimento de uma demanda por programações que produzam entretenimento espiritual. O Cristianismo de Massa é o grande responsável pelo surgimento, a partir da década de 1980, das mega-igrejas, comunidades avantajadas e superpopulosas anabolizadas por práticas que são incapazes de produzir crescimento espiritual consistente e cumprir o propósito daquilo que Jesus qualifica no Evangelho como Εκκλησία – Igreja. Mas o que esse tipo de ajuntamento superlativo numericamente revela? Quais as consequências desta espiritualidade de massa que dilui o indivíduo e o torna apenas um número dentro de uma superlotada congregação? Em contra partida, qual é o significado da expressão “Corpo de Cristo”, utilizada por Paulo na carta aos Coríntios, e qual o modelo da igreja neotestamentária? Assista a esta mensagem e compreenda qual o verdadeiro significa de igreja.

 

SAI CAPETA!!



Essa foi uma conversa com alguém que me chamou pelo "in box" do Facebook.


- Pastor, boa noite.
- Oi mana!
- Essa agora eu quero ver... O que o sr. acha de um crente sair fantasiado de DIABO no carnaval?
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Acho interessante!! É aquele diabo com chifre, tridente, rabo em forma de seta e roupa vermelha?
- Esse mesmo, um que a bíblia chama de SATANÁS!!!!
- Vai ser uma zueira... kkkk. Se ele for esperto, manda um amigo sair de pastor pentecostal – paletó preto, gravata e cabelo engomado... Aí fica um tirando onda com o outro...
- Eu não acredito que estou ouvindo isso!!
- Eu também não!! Kkkkkkkkkkkkkkk
- O sr. concorda com isso?
- Mana, não sou eu que vou sair de diabo, é esse mano que você citou...
- E o sr. não acha nada demais?
- Não. Esse diabo que os crentes criaram, essa caricatura que citei, com rabo, chifre e tridente, é uma projeção do diabo medieval de Dante Alighieri, nada tem a ver com o ser ardiloso, inteligente e sofisticado revelado nas Escrituras. Esse “diabo de igreja”, que produz endemoninhados rosnando e rodopiando, não põe medo nem em criança de dois anos de idade.
- E como é esse seu DIABO???
- Ah... Jesus falou dele como “inimigo das nossas almas”, ou seja, ele age nas subjetividades, estimulando vaidades estilosas, ciúmes doentios, maldades calculadas, mentiras disfarçadas de bondade, desfaçatez ingênua, cobiças perniciosas. Paulo, por sua vez, nos diz que ele se disfarça de “anjo de luz”, travestido de boas obras, promovendo no coração das pessoas aquela piedade perversa, um tipo de ascetismo judaizante, ou uma espiritualidade meritória, ou ainda as barganhas tradicionais com o sagrado. Sim, o diabo se esconde onde crente nem imagina, pois o diabo dos crentes está no barzinho, na boate e no carnaval. O diabo mesmo está sentado no banco da igreja e não raras vezes ajuda o pastor com a “inspiração” para o sermão do domingo...
- Eu fico imaginando o que há na cabeça de um servo de Jesus para sair de diabo no carnaval!
- Eu sei... Ele está fazendo uma crítica bem humorada a safadeza que aí está, uma crítica sofisticada, admito, mas que não poderá ser percebida pela esmagadora maioria das pessoas. Ele tenta fazer o que Nietzsche fez, no século XIX, dizendo que Deus estava morto, pois o cristianismo que ele via praticado pelo clero da igreja protestante e pelos que se diziam cristãos só podia levar a essa conclusão.
- Quem é Nietzsche?
- Um filósofo.
- E o sr. lê essas coisas?
- Claro, eu sou filósofo por formação, mas eu sei que você vai dizer que isso é coisa do diabo! kkkkkkkk
- O mundo está mesmo perdido...
- Olha, mana, se fantasiar de diabo no carnaval é a menor de todas as questões... O problema é se vestir de diabo na igreja, todo domingo, oprimindo a mentezinha de gente sofrida, enganando com sofismas evangelicais os fracos de consciência, proibindo a bebida e bebendo a alma dos angustiados, cerceado o fumo e tragando o desespero dos famintos de esperança, proibindo o sexo e se amancebando com o dinheiro e a cobiça. Sim, tem mais diabo dentro da igreja que no carnaval, pois no carnaval ninguém está enganado de sua condição, quem está perdido sabe de si mesmo, mas na igreja o diabo ajuda a manter mentes entorpecidas, gente anestesiada de coração, que se esconde atrás de regrinhas bobas e de uma agenda pirotécnica, são seres de performance, mas sem conteúdo de vida, nada sabem do amor, da justiça ou da misericórdia.
- O sr. deixaria um crente de sua igreja sair de diabo?
- Não faço blitz na comunidade, não sei quem vai brincar ou não, todo mundo é maduro para fazer suas escolhas, eu não trato a alma das pessoas como latifúndio da religião, nem exerço sobre elas um magnetismo hipnótico em nome de Deus, quem vai lá é livre para entrar, sair e voltar, essa é a única regra, que todo homem seja livre para viver conforme a sua consciência em Jesus e no Evangelho.
- Pois eu nunca irei em sua igreja!
- Eu sei, mana, você prefere ir aonde o diabo fala com voz impostada, paletó engomado, bíblia na mão e cheiro de enxofre...


Carlos Moreira


15 fevereiro 2017

Toda Nudez Será Castigada?



Sobre a evangélica passista que vai sair nua no carnaval do Rio 2017 - segue link da matéria - http://extra.globo.com/noticias/carnaval/evangelica-passista-vai-desfilar-sem-roupas-em-carro-alegorico-da-rocinha-20920663.html.

Há duas questões aqui e elas dizem respeito às “decisões” e “cisões” que somos chamados a fazer no chão dos dias.

Do ponto de vista das decisões, não se deve invadir o direito à individualidade e a privacidade de cada um, escolhas já demandam a responsabilidade de quem as toma de viver com suas consequências.

Portanto, ninguém tem o poder de legislar sobre a alma do outro, muito menos a igreja e seus líderes – padres, pastores e bispos.

Isso também diz respeito, analogamente, a nossa profissão, pois se você trabalha de forma honesta para quem é desonesto – o caso dos executivos da Odebretch – por exemplo, deve, ao depois, arcar com as demandas de seus atos, não haverá “imunidades” no seu caminho por você ser uma pessoa religiosa, Deus não blinda ninguém contra os desdobramentos de suas ações.

A moça é livre para sair vestida ou pelada onde ela bem entender, desde que esteja disposta a lidar com a reverberação existencial de tudo isso. Se essa é a sua profissão, deve arcar com os “custos” e seguir o que manda a consciência. Agora, se compete ou não, aí já é outra coisa.

Em segundo lugar, do ponto de vista das “cisões” necessárias ao viver do homem, neste tema específico, sigo o que recomenda Paulo: “... Cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra”. 1ª Ts. 4:4.

Abraçar a fé em Jesus e existencializar o Evangelho em ações práticas demandará algumas cisões na vida. Sim, não há como encarnar tudo isso sem que amputações não sejam feitas, cortes profundos que demandarão coragem, pois separam, definitivamente de nossas vidas, aquilo que sempre fez parte dela.

Eu acredito que um discípulo de Jesus não deva expor o seu corpo para além dos limites do que pede o bom senso, não há pudores morais aqui, mas apenas o equilíbrio de quem deseja caminhar em outras direções.

Quando Jesus trata do tema do Eunuco, em Mateus 19, ele afirma que há alguns destes, que abraçaram tal estado na vida, por causa de uma decisão pessoal, e finaliza dizendo que nem todos estão aptos a compreender tal escolha, pois ela é tomada a partir de pressupostos ligados aos valores que o indivíduo introjetou.

Da mesma forma, há determinadas cisões que precisam ser feitas na vida por questões de consciência e fé, mas reconheço que nem todos estão aptos a fazê-las...



Carlos Moreira

14 fevereiro 2017

A Utopia do Reino de Deus e a Sociedade Humana

Na semana em que, no Espírito Santo, o Estado foi vencido pelo vandalismo, cabe parar para refletir: em que tipo de sociedade nós desejamos viver? O que nos revela os saques às lojas e supermercados e a barbárie da violência descontrolada que aconteceu nestes últimos dias? O que faz com que cidadãos normais se transformem em bandidos de ocasião? Qual a fenomenologia que há por trás destes acontecimentos? A primeira vista parece que, retirado um dos instrumentos de coerção estatal – a Polícia – o que nos sobrou foi o caos, o que vimos foi o cidadão comum, esmagado em sua realidade perversa, oprimido por um sistema desigual, infeliz e insatisfeito, dando vazão a instintos reprimidos e revelando a ausência de uma consciência ética e moral para além da norma e do controle. Ora, o que importa, diante dos fatos, é olhar com acurácia não a quantidade de pessoas envolvidas, mas a conjuntura mais ampla e, sobretudo, a possível tendência desta “curva”, usando uma linguagem estatística. Tendo este cenário a nossa frente e a necessidade de tratar com coragem o tema, vamos analisar qual a proposta do Evangelho para as sociedades humanas, o que significa “O Reino de Deus está entre vós”. Será utopia esse Reino entre os homens, como pensou Leon Tolstói, o “anarquismo cristão”, ou a única solução para um mundo sem perspectivas? Assista esta mensagem e tire suas conclusões!

 

13 fevereiro 2017

Me Proíbe que Eu Gosto!



A Assembleia de Deus de Pernambuco, que recentemente proibiu seus membros de lerem livros de teologia reformada, baixou agora uma portaria onde impede que os adolescentes (10 a 13 anos) que frequentem suas igrejas, namorem.

Quando eu tinha essa idade, ouvia relatos dos amigos que possuíam carro que as mulheres mais loucas com as quais eles haviam transado eram da “Bréia”, pois o recalque sexual, o tesão reprimido, as castrações comportamentais, os pudores de ocasião, a santidade construída a fórceps, tudo conspirava para que o fetiche crescesse na mente e os excessos viessem a tona como larvas de vulcão.

Obviamente, estas mulheres não eram adolescentes de 13 anos, mas um pouco mais velhas, acima dos 18, contudo, eram subproduto do mesmo meio, haviam crescido dentro desta ambiência de pudores e pruridos sexuais.

Pois bem, 37 anos se passaram e a gente fica com a expectativa que a cabecinha desta gente tenha se aberto, evoluído, comece, enfim, a pensar. Mais que nada... Na sociedade da internet, do sexo virtual, da “ficada”, do preconceito com quem é “BV”, da pílula do dia seguinte, das uniões sexuais heterodoxas, dos “50 Tons de Cinza”, da Miley Cyrus, os crentes imaginam que proibindo a garotada de dar selinho, ir no cinema, usar biquíni e sentar no banco da praça da igreja de mãos dadas vai ajudar em alguma coisa.

Ao invés de lerem Levítico, para se apropriar dos ditames da Lei, das regras comportamentais e dos ascetismos, tudo extinto em Jesus, esses pastores deveriam ler “Totem e Tabu”, de Sigmund Freud, escrito em 1913, que trata dos mecanismos de castração sexual com seus desdobramentos na psique dos indivíduos.

Ora, não é possível que a esta altura do desenvolvimento humano ainda não se tenha entendido que, quanto mais impomos controles, mais estimulamos a contravenção, quando mais mordaça, mas compulsão, quanto mais lei, mais pecado! Isso deveria estar claro lendo-se a carta de Paulo aos Romanos, capítulo 7, onde o apóstolo ensina que a Lei foi dada apenas para aviltar a transgressão, para que todo mundo fosse culpado diante de Deus, tendo na Graça, no Sangue e na Cruz a única alternativa de Salvação.

Vocês não tem ideia da quantidade de tara que se desenvolve nestes lugares opressores. Aconselho gente, inclusive pastores, que desgraçaram a vida por conta de compulsões sexuais que afloraram em meio as cercas de arame farpado imposta pela doutrina denominacional.

A igreja, neste tempo, transformou-se numa espécie de estatal imperial do Reino de Deus, legisla com mão de ferro e dita como deve ser a vida das pessoas. É uma invasão de privacidade, uma vez que a Escritura nos ensina que cada um deve fazer o seu próprio caminho com Deus, com boa consciência e fé, pois quem é maduro em Cristo não precisa nem de policiamento, nem de repressão.

Portanto, esse tema dos adolescentes está sob o domínio dos pais, não da secretaria da igreja, nem pastor nem bispo deve interferir nestas questões.

Ora, a AD não é a única instituição a proibir o namoro entre seus jovens e adolescentes, outras tantas denominações o fazem sob o manto do “Eu Resolvi Esperar”, que é outra maluquice destes dias. O que a AD fez foi normatizar oficialmente a questão publicando a determinação em reunião do “alto clero” e mandando que, quem tem juízo, siga a legislação eclesial.

E assim, mordaça posta no corpo, tampão nos olhos, fones nos ouvidos, bucha na boca e grades na mente, segue a vida como se nada fosse acontecer... Quanta ilusão! Só Deus sabe como essa meninada, que vive numa sociedade erotizada, onde propaganda de pneu de carro tem mulher pelada, vai lidar com a proibição. Acredite, se masturbação gerasse pontos para o ENEM, vestibulando da AD, e destas outras denominações que promovem castrações sexuais, bateriam todos os recordes de aprovação. E assim, diante de tanta doença, só nos resta dizer: “Me proíbe que eu gosto!”...


Carlos Moreira


* O Documento que está na foto acima é uma circular interna da ADPE com decisões tomadas no final do ano de 2016 e que começam agora a entrar em vigor. Perceba que o tema da proibição consta de uma das últimas postulações. Consultei uma pessoa de dentro da instituição, que ocupa cargo na igreja, e tive a informação confirmada. A fonte pediu para não ser identificada.



10 fevereiro 2017

O "Espírito" do Anti-Cristo



Hitler não é apenas um dos mais importantes personagem da história do século XX, ele representa um “espírito” operante, a articulação e atuação de uma potestade que tem caráter político-religioso.

O apóstolo João fala sobre isso usando a designação da “besta que emerge da Terra” em Apocalipse 13, no caso imediato, o império Romano, com seu poder de dominação e destruição. Essa "besta" é a representação material da projeção espiritual destas forças invisíveis, as quais atuam sobre as sociedades terrenas.


O que temos na revelação de João é a arquetipia do fenômeno, a representação de uma espiral profética que se adensa e segue devastando tudo até que a saga humana chegue ao seu epílogo.

Você pode ver essa mesma potestade agindo na história, usando líderes e simbiotizando, por vezes, o poder estatal com o poder religioso numa relação promíscua. Mesmo quando essa potestade não se apresenta com as vestes da religião, está travestida de tal, pois o ateísmo é a religião dos que negam a Deus, tão dogmático e radical quanto qualquer outra, é uma crença que eleva o homem a condição de divindade e o torna causa e consequência de si mesmo. 

Um bom observador perceberá o que afirmo e verá que essa potestade se move com velocidade absurda nestes dias. Sim, um novo mundo começa a se desenhar, a cosmovisão está sendo alterada bem debaixo dos nossos olhos, e ela surge com personagens totalitários, cheios de fundamentalismo religioso, com propostas messiânicas e truculência disfarçada. 

O que já podemos ver em alguns países do Oriente, nos Estados Unidos, e em boa parte da Europa – as próximas eleições por lá revelarão o que digo – também poderá ser visto muito em breve no Brasil. São expressões diversas, com matizes diferentes, mas todos operados pelo mesmo poder. 

Como sempre afirmo, os pequenos fatos revelam, por vezes, algo muito maior sendo articulado, é preciso buscar, portanto, a capacidade de observar e analisar o fenômeno, percebendo assim o quadro mais amplo que se desenha. 

Você acha que o mundo não comportaria um novo Hitler? Ora, a história nos revela que a tirania dos homens não tem limites e que a dominação dos povos sempre foi um fetiche para ditadores. O Anti-Cristo está as portas, já vimos representações suas ao longo das eras, mas a versão final, que será uma soma de todas as outras, está por se revelar...


Carlos Moreira





07 fevereiro 2017

Que Aproveita ao Homem Saber a Bíblia e Perder a sua Alma?

Na semana da prisão do empresário e presidente do Grupo EBX, Eike Batista, lembrei da afirmação incisiva de Jesus quanto tratou, numa de suas parábolas, com um grande industrial que havia gasto a vida para produzir e encher seus celeiros: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”.Com uma fortuna que poucos tiveram nas mãos, Eike Batista desperdiçou as oportunidades que a vida lhe deu. Dono de uma mente privilegiada, perdeu a chance de ter sido protagonista de seu tempo marcando sua geração e transformando-se na inspiração para jovens empreendedores. Mas nem todo dinheiro do mundo é o bastante quando a alma não se sacia com nada, sua ambição só é satisfeita com a terra da sepultura. “Ecce Homo!” – “Eis o Homem!”, humilhado mundialmente, com seus bens tomados, suas empresas falidas, seu nome na sarjeta e agora preso numa cela comum com bandidos comuns. Desta análise do cotidiano da vida, surge a grande questão da existência humana: como é possível um homem perder a sua alma? O que Jesus estava querendo dizer com essa afirmação? Será que ele falava de condenação eterna? Do inferno de fogo? Ou era algo mais sutil, como perder a alegria, a sensibilidade, a compaixão, ou a generosidade? Será que apenas o mau uso da riqueza é o que destrói a alma de um homem? Em minha experiência como mestre, pregador e pastor, tenho observado um fenômeno sócio-existencial intrigante: o poder que a religião tem de matar a alma das pessoas. Sim, embevecidas em ambientes insalubres, condicionadas e adestradas por líderes perniciosos, endurecidas pela imposição de doutrinas perversas e instigadas a encarnação de um personagem eclesial, milhões de pessoas acabam experimentando a morte da alma pela via da supressão das emoções e sentimentos, pela negação da personalidade e da individuação, pelo cerceamento da vontade e do prazer. Será que isso aconteceu contigo? Assista esta mensagem e tenha a coragem de perguntar a sua alma: “Como vai você?”.

 

01 fevereiro 2017

Minha Teologia



Minha teologia tem cheiro de gente e rosto de rua, é aplicável ao cotidiano, desvenda a existência crua, analisa o fenômeno, propõe ações, olha a notícia e faz as conexões com a Palavra, implica abraçar a vida para, de alguma forma, materializar a fé.

Ora, toda teologia que se projeta para o céu foge ao seu propósito, pois o Deus em que cremos abandonou os céus para encarnar na Terra como homem. Teologia, portanto, tem que propor um chão, um caminho, deve evitar percorrer as veredas da especulação filosófica, pois Evangelho é encarnação, prescinde que o que se alojou na consciência se desdobre em atos de bondade e justiça. 

A boa teologia, portanto, não necessita de sofisticação, uma vez que não trabalha com sistematizações ou argumentos retóricos, o convencimento não é alcançado pela via da razão, antes, é o coração quem discerne a voz que o chama ao arrependimento. 

Assim, a Palavra, que um dia já foi texto, se faz vida na vida de quem está para além do verbo, pois a simples leitura não pode produzir salvação, nem são justos os que a ouvem nos templos e catedrais. Só quando a letra se agarra as vestes de quem se deixa gastar no chão dos dias, é que as metáforas e alegorias do escrito sagrado ganham cheiro e sabor, as histórias se transportam das páginas para as calçadas, a doutrina ganha significado porque alcança concretude, se faz graça e misericórdia na existência do meu igual. 

A teologia de Jesus foi feita de encontros nas esquinas e poeira no caminho. Ele não se utilizou nem da Lei Romana, nem da Ética Judaica, nem da Filosofia Grega, estava propondo não um teorema, nem uma nova ciência, não se fez protagonista de revelações inusitadas ou se deteve a prestigiar mistérios, não quis ser fundador de uma nova religião, tudo nele era simples, com um sorriso e um abraço, Deus se fez entender, pois um Deus que não fosse capaz de andar com pescadores, para que aproveitaria?

Minha teologia? Não preciso explicar; olhe para mim e você a verá. E se não pode ver, de que serve?

Carlos Moreira




31 janeiro 2017

Espiritualidade da Alma




“Espiritualidade da Alma” é a forma como chamo o fenômeno da histeria presente em muitas igrejas de linha “renovada”, pentecostal e pós-pentecostal. Sim, é a volta da doutrina grega repaginada da catarse, algo que se podia ver não só na religião, mas também na medicina e filosofia da antiguidade.

Os rituais visavam à libertação, expulsão ou purgação de tudo o que fosse estranho à essência ou natureza de um ser, aquilo que podia corrompê-lo. Portanto, certos “cultos de liberta
ção” em nosso tempo, sob o manto da busca da santidade, nada mais são do que essas práticas reeditadas com glacê místico e pirotecnia moderna, tudo regado a muito “louvor”, algo capaz de embalar o estado de frenesi que neles se instalam.

Indivíduos como Benny Hinn e outros “apóstolos” e “bispos” da igreja contemporânea, figuras carimbadas no mundinho gospel, nada mais são do que “indutores” para a liberação de manifestações de gente com distúrbios na psique e fragilização emocional. 


Eles são, na verdade, a “mídia”, o meio pelo qual repressões de natureza psicológica, abusos, recalques, castrações, sublimações, estoques sexuais reprimidos e toda sorte de “energia” acumulada no ser vem à tona, daí tanta pirueta, tanta queda, tanto tremilique, compulsões, risos desenfreados e choros compulsivos.

O que é tudo isso? Carne, nada mais, a alma vazando larvas de vulcão, tudo que se acumulou no esgoto do ser ao longo de uma vida inteira, algo que, raramente, produz efeito para além do culto, ou seja, mudanças profundas que tenham desdobramentos reais na vida real.

Ora, esses acontecimentos não são uma exclusividade do pentecostalismo surgido no início do século XX, e do qual herdamos modelos e doutrinas através dos missionários americanos. Se você for estudar os avivamentos pós-reforma protestante, verá que eles eram seguidos das mesmas manifestações, ainda que o caráter e conteúdo da pregação fossem outros, algo totalmente diferente do que é apresentado nos nossos dias.

Assim, o fenômeno é espiralizado, pode retrair-se e expandir-se conforme contextos sociais e culturais da humanidade, somem e surgem de geração em geração, mas podem ser facilmente discernidos por todo aquele que carrega em si a consciência do Evangelho. 


Carlos Moreira


Não Erga Muros, Construa Pontes!

Era de se imaginar que, 25 anos após a queda do Muro de Berlim, os homens houvessem aprendido que paredes de tijolo e cimento não resolvem problemas, apenas os separam em lados opostos. Mas Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pensa diferente... Na verdade, enquanto o ser humano imaginar que apartar-se do seu igual pode ser a solução para alguma coisa, levantaremos barreiras físicas, mas não seremos capazes, sequer, de perceber que a grande barreira está posta, na verdade, em nossa consciência. Um muro físico nada mais é do que a representação visível dos muros invisíveis que crescem a cada dia dentro de nós. Assim, quando nos deparamos com questões como essa, devemos sempre observar o fenômeno mais amplo, e não apenas o evento em si, de tal forma a perceber o que há por trás de cada “tijolo” que é colocado nesta enorme parede que é a existência humana. O muro “Clinton/Trump” visa separar nativos de imigrantes ilegais, essa é a justificativa plausível e concreta, mas acaba por revelar outros muros, ainda que intangíveis, pois a grande separação proposta não é geográfica, se dá no terreno do coração. Foram atitudes como essa que criaram, ao longo da história da civilização, o muro que separa negros de brancos, pobres de ricos, direita de esquerda, capitalistas de socialistas, religiosos de ateus, protestantes de católicos, oriente de ocidente, islâmicos de cristãos, héteros de gays... Há um fenômeno muito mais amplo por trás de tudo isso e ele é algo de dimensões globais, e não local, como a maioria imagina. Você pode perceber? Ou, ingenuamente, acha que é apenas mais muro? De fato, esse não será o primeiro, e nem tão pouco o último. Na verdade, temos 4 outras barreiras semelhantes no mundo atual: o “muro da vergonha”, que separa a Cisjordânia de Israel, o muro de Ceuta e Melilla, na África, o muro de Ervos, na fronteira entre a Grécia e a Turquia e o muro que separa a Coréia do Norte da Coréia do Sul. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: quantos muros já cresceram dentro de você sem que você os percebesse? E quantos ainda vão crescer? Assista esta mensagem e entenda que seu desafio é construir pontes, não levantar obstáculos!

 

26 janeiro 2017

O que Há por Detrás do Seu Muro?



Eu pensei que a queda do Muro de Berlim havia ensinado aos homens que paredes de tijolo e cimento não resolvem problemas, apenas os separam em lados opostos. Mas Donald Trump pensa diferente...

Sim, enquanto o ser humano imaginar que apartar-se do seu igual pode ser a solução para alguma coisa, levantaremos barreiras visíveis, intermináveis, mas sequer seremos capazes de perceber que o grande muro está posto, na verdade, no coração e na consciência.

O “Muro do Trump” é só a representação visível dos muros invisíveis que crescem a cada dia dentro de nós. Olhe para o fenômeno, não para o evento, perceba o que há por trás de cada “tijolo” colocado nesta grande parede da vida.

De fato, o muro proposto pelo Trump separará nativos de imigrantes, mas se você analisar com mais cuidado, perceberá que, neste tempo, há outros muros erguidos, ainda que eles sejam invisíveis, como o muro que separa negros de brancos, pobres de ricos, direita da esquerda, capitalistas de socialistas, religiosos de ateus, protestantes de católicos, oriente do ocidente, islâmicos de cristãos, héteros de gays...

Olho para as Escritura e encontro: "Porquanto, Ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando o muro de separação, em seu próprio corpo desfez toda a inimizade...". Ef. 2:14. Portanto, não erga muros, pois você foi chamado para destruir fortalezas!

Ora, esse não será o primeiro muro que o homem vai construir, nem tão pouco será o último, mas a questão central é: quantos muros já cresceram dentro de você? E quantos ainda vão crescer?

Carlos Moreira


24 janeiro 2017

Indesculpáveis? Sim. Imperdoáveis? Jamais!

“Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Frase dita pelo antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, há 50 anos. No último dia 02 de janeiro, na cidade de Manaus, numa luta entre as facções, 56 presos foram assassinados e, em seguida, tiveram suas vísceras expostas e suas cabeças decapitadas. A barbárie é mais um capítulo que revela os intestinos do sistema prisional brasileiro, debilitado e profundamente insalubre. Trancados em suas “jaulas”, homens viraram bichos, mas eles não se tornaram assim sozinhos, foram vitimados por esse sistema carcerário desumano, pela lentidão da justiça, pelo descaso da sociedade, pela ineficiência do Estado, pela desigualdade social do País, pela insalubridade da vida nos bolsões de pobreza e, finalmente, por suas próprias escolhas. Não é um tema simples, nem de fácil resolução. Conclusões precipitadas, análises superficiais e tendenciosas, soluções paliativas, nada ajuda. Aqueles indivíduos são, na verdade, o resultado de todo um fenômeno social complexo, revelam o ser humano no seu estado último e terminal: embrutecidos, desumanizados e irracionais. O que eles fizeram é impensável, imponderável, mas não é imperdoável, pois se houver um pecador que a Graça não possa regenerar e um pecado ao qual o Sangue de Jesus não possa perdoar, você pode chamar sua religião do que quiser, menos de Evangelho. A religião, como se sabe, vive da hipocrisia seletiva, cria a casta do pecador-padrão, aquele indivíduo que é mauzinho, mas a maldade dele é fumar um cigarro, beber uma cerveja, dizer uma mentira, falar um palavrão, dá uma pulada de cerca no casamento, sonegar o imposto de renda, fazer uma fofoca, ou seja, são os pecados normatizados e aceitos pela santa igreja. Foi chocante o que os presos fizeram, seria muito mais fácil condená-los ao inferno de fogo, pois eles chegaram ao ponto de se tornarem diabos, esvaziados de qualquer humanidade, cheios de maldade, desprovidos de afetividade, enrijecidos e brutos, violentos e homicidas. Certamente seria mais fácil fuzilá-los, enforcá-los, matá-los com choque, com injeção letal, mas aí lembramos que Deus ainda pode resgatá-los e salvá-los, assim como ele fez com cada um de nós, e o coração se encharca de misericórdia. “Bandido bom é bandido morto!”? Se pensas assim, essa mensagem é, prioritariamente, para você, pois, analogamente, o diabo também pensa: “pecador bom é pecador morto”. Mas Deus pensou diferente... Assista e comprove!

 

Desculpe o Transtorno! A Falha... É Toda Minha.



- Sim, me desculpe por lhe falar a verdade, de forma bem objetiva, e as vezes com certa dureza, ainda que eu saiba que você prefere palavras amenas, discursos adocicados, falas positivistas, retórica triunfalista, algo que catapulte você para enfrentar a semana que já é tão difícil, uma espécie de ilusão consentida, um “me engana que eu gosto”.

- Me desculpe por não roubá-lo constrangendo-lhe para que você dê, com medo, 10% do que ganha para fazer a engrenagem religiosa funcionar. Eu sei que você gostaria de se sentir seguro porque está pagando a taxa da fazenda celestial, impermeabilizado contra o mal, e também estou informado que você precisa de coisas e, fazendo esta barganha, acha que poderia consegui-las com Deus, mas eu não posso lhe enganar, nada disso está no Evangelho. Se você quer ajudar, a sua oferta espontânea é bem vinda, mas apenas isso.

- Me desculpe por eu não ter montado uma igreja com uma agenda interminável de eventos e movimentos, uma espécie de academia aeróbica espiritual, onde mal acaba um programa e já começa outro, tudo para que você pense que está acumulando pontos no jogo da salvação. Eu lhe peço perdão por estar investindo mais no ensino e na formação de uma consciência que seja robusta o suficiente para você suportar as grandes crises da vida que, certamente, chegarão.

- Me desculpe por eu insistir que você abra a sua casa e faça discípulos, ajudando as pessoas a caminhar no cotidiano da vida pondo em prática os ensinamentos da fé. Sim, eu sei que é algo que invade nossa privacidade, que demanda esforço para preparar algo legal para os participantes, que prescinde de tempo para aconselhar os bebês espirituais, mas igreja é isso, não aquela reunião impessoal do domingo, aquele encontro onde a gente mal se fala, ainda que ele tenha outros objetivos, é insuficiente para formar Cristo em você e nos demais.

- Eu lhe peço perdão por estar constantemente lhe admoestando para cuidar dos pobres, dos necessitados, para colocar o seu semelhante na agenda. Sim, sei que na sociedade que vivemos há expurgados e amputados sociais, invisíveis ao Estado e a Igreja Institucional, mas eu preciso lhe lembrar que Deus escolheu ser amado no outro e que não há salvação se ela não alcançar todo homem e o homem todo.

 - Por favor, me desculpe pelas minhas pregações, sempre temas agudos, ligados aos acontecimentos do dia a dia, palavras que desafiam você a sair da inércia, da letargia, do anestesiamento de mente e coração. Eu sei que você adora mensagens sobre o amor, a esperança, a paz, e temas do Velho Testamento que tratam de vitória e prosperidade, mas o apóstolo Paulo me ensinou que tenho que pregar sobre “todo o conselho de Deus”, conforto e confronto, de tal forma a preparar você para as dinâmicas próprias da vida.

- Eu também quero lhe pedir perdão por estar tentando lhe conduzir a Verdade que não amordaça, que não pune, que não cerceia, que não reprime, que não esmaga, que não proíbe nem faz de você apenas um boneco da religião, um molde fabricado numa igreja-indústria que serializa a mente e o comportamento das pessoas. Sim, eu sei que pensar por si mesmo é algo assustador, porque é mais fácil que um sacerdote-intermediário-do-sagrado diga tudo o que a gente deve fazer, mais Jesus nos chamou para andarmos por nós mesmos e vivermos o Evangelho como Graça que nos liberta dos velhos preceitos e ditames da Lei.

- Me desculpe por não ser aquele pastor que você gostaria, parecido com o estereótipo da maioria, com voz empostada, roupa vistosa, oratória rebuscada, abraços e sorrisos politiqueiros, que se esconde atrás de um cargo clerical, que não bebe, nem se diverte, que não vai à festas, nem senta na mesa do bar. Eu lhe peço perdão por não tentar ser o super-homem, esmagando minha consciência e reprimindo toda a minha humanidade para você se sentir mais seguro com uma imagem de “homem de Deus”. Também aproveito para me retratar por não ter um casamento perfeito, uma filha perfeita, por eles não serem também “pastores” como eu, pois o chamado foi apenas para mim, minha família é feita apenas de gente boa, como você, não uma elite sacerdotal que herdou os meus atributos ministeriais.

- Perdoe, meu mano(a), por eu não enfrentar "demônios" em espetáculos circenses, não fazer demonstrações de que eu sou poderoso, brincando com potestades espirituais, me desculpe por não banalizar o milagre de Deus, nem tratar a cura da dor e da enfermidade humana como evento com dia e hora marcada, não consigo ser charlatão, nem alienar pessoas com efeitos spilberguianos, pirotecnias da religião pós-moderna.

- Peço aqui, de público, perdão a você que faz parte da Estação por nós não sermos uma mega-igreja, com várias bandas gospel, com muitos cultos, com milhares de “convertidos”, com um network fantástico e um status quo poderoso. Nós jamais seremos grandes, nossa mensagem é subversiva, é contra-cultura religiosa, não atrai multidões. Assim como aconteceu com o Galileu, nós sempre somos rechaçados pelo “sinédrio” religioso de plantão, que nos chama de libertinos, hereges e desviantes. Aconteceu com nosso Senhor, e acontece conosco também.

- Desculpe-me, meu irmão, por estar construindo uma igreja onde cabe gente diferente, onde todos são, de fato, bem vindos, e podem entrar e sair sem terem sua privacidade invadida, um lugar para punks, ripies, gays, exotéricos, ateus, agnósticos, e outros grupos que, normalmente, não encontram espaço nos ambientes religiosos. Eu sei que você gostaria de ter uma ambiente só com gente de pedigree, que fala e se veste de forma a se adequar ao manequim denominacional, mas aqui as pessoas são livres para ser o que são, sem disfarces e sem se constituir um estelionato existencial.

- Por fim, mas não menos grave, também peço que me desculpe por não me envolver nem estimulá-lo a participar de “marchas para Jesus”, junto com tele-evangelistas famosos e políticos evangélicos, nem ir a shows gospel, nem fazer congressos trazendo “big shots” do mundo religioso, onde temas como "batalha espiritual", "vitória e prosperidade", “cura e libertação” e "maldição hereditária" são abordados. É que eu percebo que tudo isso é comércio do sagrado, com vistas a enriquecer financeiramente uma elite espiritual, e nada promove em termos de crescimento genuíno e consistente, uma vez que o que ensinam e enfatizam choca-se, flagrantemente, contra o Evangelho.

E assim, por ser o que sou e pregar o que creio, peço-lhe perdão, mas informo que nada será mudado, pois aquele a quem eu prestarei contas, no último dia, está sempre me dizendo “fala e não te cales!”. Um beijo em seu coração!

Carlos Moreira


Mais Lidos

Barra de Vídeos

Loading...

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More