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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

02 setembro 2009

Espelho, Espelho Meu: Que Tipo de Homem sou Eu?


Afinal, o que é ser homem?

Desde 1990, no Brasil, existe uma discussão acerca da crise de masculinidade, a exemplo do que aconteceu em outros países do mundo, em décadas anteriores. Nesse contexto, variadas questões tem sido suscitadas por sociólogos, antropólogos e psicólogos, tais como: qual o perfil do homem moderno? Que papel ele deve desempenhar na família? Qual a sua relevância na sociedade?

Na verdade, as últimas décadas do século XX não foram fáceis para os homens. Com o avanço do feminismo, a partir da década de 1960, somado as profundas transformações globais, sobretudo no campo econômico-social, o “poder” dos homens diminuiu consideravelmente. Mulheres do século XXI podem, simplesmente, optar em não ter um em casa afinal, elas estudam, trabalham e produzem tanto ou mais do que eles.

Por outro lado e, diferentemente do que alguns possam pensar, não foram às conquistas femininas que desencadearam a dita crise de identidade, mas, indubitavelmente, o que a tornou visível. Para Nolasco, esse problema está associado a valores sociais que transcendem, e em muito, a dimensão do indivíduo. Por isso, o “homem” dos nossos dias está em busca de se diferenciar do padrão de masculinidade que foi socialmente para ele estabelecido.

De fato, o estereótipo do machão, baseado no trinômio força, poder e virilidade, está em declínio absoluto. Aquele ser insensível, vingativo, arrogante, cínico, exibicionista, voltado para a ação em detrimento dos sentimentos e incapaz de controlar seus desejos, está completamente desajustado às demandas modernas.

Segundo Goldenberg, o modelo do “homem” machão está mesmo em crise, mas poderá sobreviver ainda que coexistindo com outras formas de se ser ”homem”. Foi nesse ponto que minha curiosidade se aguçou e me veio o desejo de conhecer que outras formas são essas. Fui pesquisar...

Para quem não está satisfeito em ser um “homem” do tipo machão, poderá escolher ser um metrossexual. Trata-se de um empreendedor que vive nas grandes cidades e se preocupa com seu aspecto visual. Segundo os especialistas, o metrossexual vai assiduamente ao cabeleireiro, onde trata o cabelo com banho de óleo, xampus especiais e chapinhas, faz bronzeamento artificial, freqüenta clínicas de embelezamento, para hidratamento da pele e depila-se. Malhação, através de academias de ginástica, também é outro item indispensável.

Se este tipo de “homem” não satisfaz, pode-se ainda tentar ser um übersexual. De acordo com as últimas pesquisas, são estes que hoje fazem mais sucesso entre as “mulheres”. O Urban Dictionary, que reúne expressões e termos coloquiais, afirma que "über" significa "acima" em alemão, e seu equivalente em inglês seria "super". Contudo, o übersexual não é uma máquina de sexo. Ele na verdade está mais preocupado em resgatar aquela masculinidade que foi perdida, mas sem se voltar ao primitivismo dos machões.

O übersexual é aquele que confia em si mesmo sem se tornar detestável. Ele possui um aspecto masculino e um estilo próprio, pois está determinado a alcançar altos níveis de qualidade em sua vida. Esse “homem do futuro” é apaixonado por seus interesses e tem seus sentidos abertos aos estímulos que recebe. Entretanto, ele não representa uma mudança drástica em relação ao metrossexual, uma vez que também se preocupa com a imagem pessoal e, por isso, vai às compras, sem, todavia, ser narcisista e egocêntrico.

Quero parar aqui para lhe fazer, caso você seja homem, uma proposição – pergunte-se: espelho, espelho meu, que tipo de homem sou eu? Um machão, antiquado e primitivo? Um metrossexual, preocupado com a aparência e a performance? Ou, quem sabe, um übersexual, sensível, mas sem descuidar do corpão?

Fugindo do espírito crítico sobre qualquer das opções que os homens desejem fazer para as suas próprias vidas, quero, todavia, apresentar-lhe mais uma alternativa. Adianto, entretanto, que ela não está na moda, e vai requerer padrões bem diferentes dos acima expostos. Todavia, para mim, é a única que pode nos levar a experimentar, na dimensão correta, aquilo que Deus planejou para a vida dos homens na terra.

“a fim de que o HOMEM DE DEUS seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." 1ª. Tm. 3:17.

Permita-me mostrar-lhe algumas das características mais marcantes deste tipo de homem. Homens de Deus falam pouco, não pelo fato de não ter o que dizer, mas porque desenvolveram o precioso dom de saber ouvir. Quem aprende sobre o silêncio já nem precisa de palavras para se fazer entender, ou mesmo para se expressar.

Homens de Deus são mansos, mesmo indo contra a natureza própria dos machos, que é ser vigoroso. Ao invés de buscar delimitar espaços, firmar posições ou estabelecer valores, aquietam-se e esperam pacientemente a ação de Deus. Essa dependência, vamos e convenhamos, é desconcertante. Levá-los a ira ou tirá-los do sério é algo impossível. Eles são capazes de ser ofendidos sem revidar. Em discussões, buscam o apaziguamento e em momentos de tensão, se mantém serenos.

Mesmo que não pareça a primeira vista, Homens de Deus são contagiantes. Eles brilham por onde passam. Facilmente você reconhecerá um quando o vir, não por causa de sua roupa extravagante, ou de seu corte de cabelo-última-moda. Não será por causa de seu físico avantajado, e nem mesmo pelo seu bronze de verão. Na verdade, é a sua discrição que acaba por acentuá-los além do banal e corriqueiro. Eles destilam compaixão, possuem olhos cheios de esperança, são dotados de gestos de misericórdia e tem o coração cheio de amor e gratidão.

Tenho observado que os homens de Deus fazem coisas inacreditáveis e, não raras vezes, até absurdas. Dificilmente você os verá defendendo suas convicções pessoais. Eles abrem mão de ganhar uma discussão com vistas a poder ganhar a pessoa. Creiam-me, homens de Deus são especialistas em ceder os seus direitos a outros e, mesmo que isto pareça surpreendente, dizem viver melhor assim.

Chama-me a atenção o fato de que os Homens de Deus estão sempre em busca de reconhecer os seus erros. Eles esquadrinham e averiguam os seus próprios caminhos. Por isso, não se surpreenda se eles lhe procurarem para lhe pedir perdão numa questão em que você jamais teve qualquer razão. É que os homens de Deus são humildes e, para eles, viver em paz com as pessoas e com sua própria consciência é mais importante do que o tolo prazer que há nas pseudo-vitórias em mesquinhas demandas. Ademais, eles entendem que a responsabilidade pelo restabelecimento de vínculos afetivos está sempre sobre aqueles que são mais maduros ou estão em posição de maior autoridade.

Mesmo contra toda lógica humana, homens de Deus buscam aprender o valor que há na perda, no abandono e na desistência. Isto acontece porque eles constataram que este é o caminho mais curto para uma vida simples, cheia de graça e paz. Por isso, da dor, tiram força; das tragédias, ensinamentos; dos problemas, experiências. Homens de Deus são frágeis como vasos de barro, moldáveis nas mãos do oleiro. Eles são dóceis como crianças e leves como a brisa de fim de tarde.

Num mundo sem heróis, sem referências, sem moral, ou ética, homens de Deus são verdadeiros oásis no deserto. Você certamente discernirá Jesus olhando para eles. Por isso, não se surpreenda se desejar imitá-los, pois eles imitam ao Senhor e são, sem dúvida alguma, Sua expressão mais fiel entre os humanos caídos.

Homens de Deus estão longe de ser politicamente corretos, pois, para eles, o que interessa é a verdade. Sim, eu sei, a verdade tem um custo, é bem verdade, mas, para eles, não custa nada falar a verdade. Ela é como um perfume bom, que inebria todo ambiente; é como o sol ao meio dia ou chama que não se extingue. Homens de Deus optam por falar a verdade porque entenderam que a mentira é pecado próprio apenas quando se é criança.

Homens de Deus são apropriados para as mulheres, pois, de fato, elas estão fartas dos machos. Estes, tragicamente, tornaram-se seres insensíveis, insípidos e até insalubres. Machos tendem a se tornar machões, e os machões, invariavelmente, não passam de crianças. Mulheres gostam de crianças, mas, em se tratando de conjugalidade, preferem homens. Também tenho dúvidas se os metrossexuais ou os übersexuais poderão satisfazê-las. Minha percepção é que eles fazem muito sucesso com adolescentes, mas, em se tratando de mulheres de verdade, acho pouco provável.

Homens de Deus são sacerdotes do lar e não apenas seus provedores ou financistas. Eles olham para a esposa como a parte mais nobre, mais digna, e que precisa de mais atenção. Mulheres casadas com homens de Deus verão que eles vão se aprimorando a cada ano, pois quanto mais velhos ficam, melhores se tornam, e isso acontece porque, com o tempo, mostram-se mais sensíveis e atentos às suas necessidades.

Homens de Deus são incapazes de tratar uma mulher com rispidez ou desonrá-la em qualquer circunstância, seja por uma crítica mordaz, ou mesmo em relações extra-conjugais. Digo com certeza: mulheres casadas com homens de Deus são as mais felizes e seguras que existem. Elas não temem os cabelos brancos, rugas ou celulites. E Sabe por quê? Compreenderam que são amadas por aquilo que são, e não por aquilo que os cosméticos ou a plástica as faz parecer ser. Descobriram que o que prende o coração de um homem de Deus é o conteúdo, e não o invólucro.

Homens de Deus são assim porque eles são cheios de Deus! São construtores de altares, nos quais derramam a própria vida para alegrar aquEle que dá sentido e significado ao fato deles existirem. São habitantes de tendas, e por isso podem mudar facilmente de um lugar para outro, conforme o sopro suave e bendito do Espírito Santo.

Ah, que falta faz, nessa sociedade que vivemos, homens de Deus. Confesso que gostaria de vê-los aos milhares, sobretudo nestes dias onde os "machos" apenas se satisfazem em seguir scripts. Com mais de quarenta anos, creio já ter me tornado um homem. Minha oração, entretanto, é que o Espírito Santo vá produzindo em mim, mesmo que lentamente, princípios e valores que me permitam, um dia, chegar a ser um homem de Deus.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

Oficina de Vidas


INTRODUÇÃO

Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de carro. Oficina, então, nem se fala! Vá entender... Gosto de quase tudo que tem quatro rodas, mas o Jipe sempre foi o meu “xodó”. Quando comprei o primeiro, passava horas com ele no mecânico. A coisa chegou a um estado tal, que Fabiana uma vez me disse que eu estava ficando mais tempo na oficina do que com ela em casa.

Sempre gostei de cuidar de carros e acabei desenvolvendo outra paixão na vida: cuidar de gente. Mas é fato que trata-se de coisas totalmente diferentes. Carro se machuca, arranha, amassa, quebra uma peça, mas sempre tem jeito! Com grana e uma boa oficina pode-se até, num curto espaço de tempo, transformar uma velharia num hot rodes.

Mas com gente é diferente. Gente quando “arranha”, “amassa”, ou “quebra” dá um trabalho enorme para “recuperar” e, não raras vezes, o problema é tão grave que a “perda é total”.

Você já pensou numa oficina que cuidasse de vidas? Imagine o cliente chegando e sendo recebido pelo “mecânico” da alma que diria: “é patrão, vamos ter de arriar todo esse egoísmo, que já rodou bastante, e colocar no lugar dele dois litros de generosidade. Também vou ter de substituir essa mentira aqui, que como se pode ver já está bastante gasta, por aquela verdade ali, novinha em folha”.

Que bom seria se fosse assim! Mas não é. Gente dá trabalho. Gente tem insegurança, insensatez, implicância, intemperança, intolerância, indolência, e tanta coisa ruim que a gente só acredita que gente tem jeito porque a gente é gente. E dá trabalho cuidar de gente; e como dá... Mas não há nessa terra tarefa que seja mais inspiradora e, no meu entender, que seja tão prioritária.

UMA “PAIXÃO” DENTRO DA PAIXÃO

Quando olho para Jesus, vejo essa verdade expressa em cada gesto e em cada palavra, pois, de fato, o Mestre gostava de gente. Gente doída, gente perdida, gente caída, gente excluída, gente que não se achava gente, gente que perdeu a referência do que era ser gente, gente que ignorava outra gente, gente de todo tipo e gente de toda gente.

Jesus vivia rodeado de pessoas. Com elas celebrou a vida e, por causa delas, a própria vida doou. Mas também experimentou nas suas relações a tristeza, a decepção e a dor. Para mim, a encarnação nada mais é do que Deus se deixando traduzir. Deus, agora, não é mais somente Deus, mas também é homem, bem próximo a nós. Podemos vê-Lo na esquina, entre uns e outros. Ele vai à casa do publicano e senta-se na roda dos pecadores. Conversa com a prostituta e come na mesa do coletor de impostos. Num momento está numa festa e, no outro, partilhando da dor solitária de um aleijado esquecido. Alegra-se no casamento, e chora no enterro do amigo, acolhe carinhosamente as crianças e expulsa o demônio que atormenta o endemoninhado.

Verdadeiramente, a paixão daquele Galileu, era gente...
A vida de Jesus foi “gasta” com pessoas, sobretudo, os três últimos anos. Ele investiu todo o tempo de que dispunha na tarefa de fazer discípulos e, mesmo não tendo inventado o discipulado, discerniu-O como algo eficaz e aplicou-O como estratégia no ministério. No fundo, Ele criou uma oficina de vidas, pois, no que diz respeito à “consertar” gente, nunca houve ou haverá alguém melhor do que Jesus.

QUEBRANDO PARADIGMAS

Mais o que é mesmo discipulado? Ora, para tentar refletir um pouco sobre o tema, vou primeiro lhe dizer, o que eu acho que não é.

- Discipulado não é uma reunião de pessoas, mas a união de pessoas que se reúnem;

- Discipulado não é apenas abrir a casa para uma reunião, mas abrir a vida para a comunhão;

- Discipulado não é algo que acontece num dia da semana, mas, numa semana, todos os dias;

- Discipulado não termina quando a reunião acaba, pelo contrário, começa;

- Discipular não é passar a vida ensinando a bíblia, mas, no ensino da bíblia, passar a vida;

- Discipular não é apenas ensinar o que se aprende, mas viver o que se ensina;

- Discípulo não é alguém que quer apenas fazer discípulos, mas, antes de tudo, ser discípulo;

- Discípulo não é alguém que freqüenta a sua casa, mas aquele que partilha com você a sua vida;

- Discipulador não é aquele que apenas aceita o chamado do pastor, mas que compreende a comissão do Senhor;

- Discipulador não é um cargo que se assume na Igreja, mas um encargo que se assume na vida.

Tenho trabalhado com discipulado há mais de 20 anos. Neste período, no nosso país, observei, pelo menos, 4 “tipos” dele sendo implementados nas Igrejas.

1- DISCIPULADO COMO UM SISTEMA DE MANIPULAÇÃO

É um tipo de discipulado onde o discipulador exerce forte influência na vida de “seus” discípulos sendo que, em muitos casos, a relação torna-se, perigosamente, passional. O que à primeira vista poderia ser um fator positivo acaba tornando-se, num curto espaço de tempo, em algo extremamente nocivo. É que a dita “influência” vai muito além do que deveria ir, revelando-se, assim, uma invasão de privacidade. As pessoas têm de fazer a vontade do líder, sempre sob o suposto respaldo das Escrituras que, não raras vezes, são utilizadas totalmente fora de contexto.

Outra característica deste tipo de discipulado é ser um “sistema” fechado em si mesmo, com regras e rigores a respeito da vida e da conduta. O produto gerado a partir deste “caldo existencial” são vidas que existem sob o signo do medo, uma vez que, num ambiente como esse, torna-se quase impossível desenvolver de forma sadia a consciência na graça.

Conteúdos e verdades podem e devem ser repassados, primordialmente, através da vida, com respeito e amor, sempre olhando de forma reverente os “espaços” do outro, nunca perdendo a referência de que cada pessoa fará o seu próprio caminho na terra com Deus, pois será a partir dele que colherá a paz e o bem de cada dia.

2- DISCIPULADO COMO UMA ESTRATÉGIA DE MASSIFICAÇÃO

Muito do que acontece hoje, no mundo corporativo, achará guarida, em alguns anos, no mundo eclesiástico. Foi isto o que aconteceu na última década, com vários conceitos e processos empresariais sendo adicionados ao dia a dia das Igrejas.

Dentro desta perspectiva, os métodos voltados para o crescimento da membresia, mais especificamente através da estratégia de pequenos grupos, são os mais utilizados. A “visão” inicial, que chegou ao Brasil em meados dos anos 90, tinha como modelo a Igreja em Células da Colômbia que, num curto espaço de tempo, experimentou, através do discipulado, um crescimento numérico de milhares de pessoas.

Na versão tupiniquim, entretanto, o método sofreu o aditamento de programas e estratégias de planejamento e marketing com vistas a gerar melhores “resultados”. O saldo, todavia, na maioria dos casos, tem sido desastroso, e não há como ser diferente, pois algo tão frio e impessoal, que visa apenas metas quantitativas, só pode gerar um adoecimento emocional e espiritual nas pessoas. Muitos são os casos dos que se queixam de estarem sendo submetidos a forte pressão para que metas de “multiplicação de membros” sejam alcançadas, como se a Igreja agora fosse uma empresa.

Jesus não nos mandou oprimir as pessoas, mas instou-nos a servi-las e amá-las. Nossa tarefa é encher o céu, e não a Igreja. Encher Igreja, sobretudo com gente vazia, é algo fácil. Com meia dúzia de “teologias da terra” o objetivo será alcançado. Mas, povoar o céu, com gente transformada, que compreende a graça e que viva de forma pacificada com Deus e com seus semelhantes, é tarefa apenas para quem quer ver o Reino de Deus crescer, e não o seu reino pessoal.

3- DISCIPULADO COMO UM PROGRAMA DE MANUTENÇÃO

Toda rotina gera fadiga, até mesmo nas coisas boas. Tenho observado que muitas comunidades se encantam com a possibilidade de começar um “programa” de discipulado. Analisam livros, escolhem métodos, criam uma “estrutura” e comissionam pessoas para a “execução da tarefa”. Todavia, cedo–cedo, e, inevitavelmente, acabam se deparando com questões prementes tais como: o que é ser discípulo? O que se deve ensinar a eles? De que forma eles serão influenciados? Qual o objetivo deles estarem nas reuniões? A maneira de lidar com estas e outras questões, ao longo do tempo, definirá se a “coisa”, como um todo, irá ou não rumar na direção de um “programa de manutenção”.

O que é isto? É quando o discipulado, após alguns anos de funcionamento, torna-se apenas mais um “programa” da Igreja e, por isto, tem de ser mantido em funcionamento. Chega-se facilmente a esta situação quando a rotina se estabelece e o método se torna mais importante que a vida. Mesmo algo bom, como uma reunião caseira, com cânticos, orações, estudo e compartilhar, pode tornar-se algo extremamente “viciante”, sem desdobramentos maiores, sem que as pessoas sejam de fato transformadas nos valores, conteúdos e caráter. Numa perspectiva mais ampla, o “programa” ou tenderá a se acabar, ou virará algo sem conseqüências práticas para a vida. Existirá sim, porém, cada vez mais, menos pessoas se interessarão por ele.

Jesus fez justamente o contrário, ou seja, transformou o método em algo prático e aplicável à vida. Jesus não chamou os discípulos para uma reunião na sua casa, nem para participarem de um estudo bíblico na sinagoga, nem mesmo para um grupo de comunhão aos sábados, dia reservado ao “sagrado”. O convite foi para que pudessem experimentar o hoje, com todas as cores e intensidade de cada momento, na singularidade incomparável que há em cada dia. O chamado dizia respeito a se “provar” as dinâmicas da existência e, a partir delas, experimentar a verdadeira vida que deve ser sempre vivida em abundância.

4- DISCIPULADO COMO UM TEMA PARA MEDITAÇÃO

Quem já passou por um curso de pós-graduação sabe que um dos itens mais importantes para a formulação de uma tese é o arcabouço teórico, ou seja, o acréscimo ao texto principal do pensamento de diversos autores. Mas, uma boa tese, dificilmente se sustentará sem um “trabalho de campo”, ou seja, sem as observações práticas que respaldem a teoria proposta. Pois bem, a mesma coisa pode ocorrer com o discipulado quando ele se transforma num tema para meditação, quase sempre contido nos objetivos de ensino da Igreja.

Com data de início e fim já demarcados – em alguns casos estabelece-se o tempo de três anos – o grupo passa a reunir-se com o objetivo de estudar um vasto cabedal de temas bíblicos e de autores diversos. Assim, o que deveria ser um estilo de vida a ser adotado, com pressupostos mais excelentes, acaba se transformando, apenas, num conjunto de conteúdos a ser “dissecado”. Ao final do período proposto, cumpridas as “exigências”, o membro do grupo torna-se um “discípulo graduado”, ou seja, alguém que cumpriu uma espécie de jornada acadêmica, mas que, talvez, não tenha incorporado nenhuma prática à vida. Tiago nos adverte sobre o risco que há nesse proceder, quando nos diz: “tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. Tg. 1:22

Jesus não iniciou com seus discípulos um programa acadêmico fechado, mas, pelo contrário, criou uma grande escola da vida, aberta às pessoas, com sala de aula móvel, variando entre um lugar e outro, com conteúdos ensinados a partir das manifestações próprias da existência humana, sempre buscando harmonizar as pessoas ao mundo que as cercava e a Deus o Pai e Criador.

Mais afinal, então, o que é discipulado?

DISCIPULADO É A ESSÊNCIA DA MISSÃO!

Não há como entender algo sobre discipulado cristão se não olharmos para Jesus. Ele é a chave hermenêutica para todas as coisas e, a partir dEle, tudo pode ser discernido, até o próprio coração do Pai. É certo que as Escrituras Sagradas nos revelam alguns modelos de discipulado – Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Paulo e Timóteo – mas a referência maior está no discipulado de Cristo.

Discipulado não é apenas um programa, apesar de ter etapas, nem um método, apesar de ter estratégias, nem mesmo um sistema, apesar de ter processos, mas é, antes de tudo, um estilo de viver para ser incorporado à vida. O ponto focal está no relacionamento. Jesus não chamou pessoas para manipular, nem criou estratégias para alcançar as massas e multiplicar “o bolo”. Ele não estabeleceu uma rotina reciclável de entretenimento e nem fundou uma classe de estudos sistematizados. Tudo que aconteceu, aconteceu a partir da vida, nas relações travadas no dia a dia e nas oportunidades que foram surgindo a partir dos encontros humanos. Foi algo simples, mas extremamente poderoso.

Os vínculos e laços gerados, durante aqueles três anos de convivência com Cristo, foram tão profundos e marcantes que a vida daqueles que com Ele estavam nunca mais foi a mesma. Jesus ressuscitou, subiu aos céus, mas antes de sentar-se, definitivamente, à direita do Pai, esteve com Seus discípulos uma última vez, às margens do mar da Galiléia. Na derradeira palavra do Senhor aos seus amigos, disse: “ide e fazei discípulos”. E, de fato, eles foram...

Quando penso em tudo isto e olho para a grande comissão meu coração se enche de esperança e alegria. Sim, porque mesmo sem cursos, apostilas ou livros, mesmo sem recursos de fita K7, CD ou DVD, sem elaboração de estratégias, programas ou campanhas, os discípulos saíram pelo mundo anunciando as boas novas da salvação. De nada se fizeram acompanhar que não fosse vida. Sim, tudo se resumiu apenas a vida vivida com o Galileu, naqueles dias empoeirados na Palestina, onde a luz resplandeceu nas trevas de seus corações.

CONCLUSÃO

Discipulado é uma oficina de vidas! É uma tarefa árdua e que exige persistência. Muitas pessoas estão à nossa volta, todos os dias, precisando ser discipuladas. Algumas estão em nossa casa, outras no trabalho, ou na faculdade, e outras estão dentro da Igreja. Muitas delas acham que não precisam se submeter a isso, e outras, até que precisam, mas poucas serão as que tomarão uma de-cisão de ir além. Existe uma grande diferença entre precisar e querer e, isto, você verá por si mesmo...

O discipulador é um escultor do caráter de Cristo no caráter das pessoas. Ele é alguém que entendeu que precisa ser uma referência na vida de outros a partir da vida que pulsa na sua própria vida. E isto leva tempo... E dá trabalho... Por isso, não espere moleza se quiser ser e fazer discípulos.

Jesus discipulou, de forma mais próxima, 12 pessoas. A Bíblia também fala dos 70, dos 120 e Paulo menciona os 500. Não sei quantos dá para formar numa vida, mas tenho a impressão de que, talvez, não sejam muitos. Se, todavia, nos empenharmos nesta tarefa, poderemos ver, ainda nessa geração, uma Igreja formada, em sua maioria, por discípulos do Senhor. Isso, posso lhe garantir, fará muita diferença...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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