Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

31 janeiro 2011

BBB - Big Brother Brasil


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
 
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
 
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade. Um abismo chama outro abismo.

Luiz Fernando Veríssimo

26 janeiro 2011

O Diabo vai ao Analista


Todos nós possuímos certos mecanismos que,
em psicologia, são chamados de mecanismos de defesa. Eles têm por finalidade reduzir manifestações que podem colocar em perigo a integridade do “ego” – uma instância da personalidade definida como o nosso eu mais perceptível.


Quando o indivíduo não consegue lidar com de-terminadas situações, entram em ação esses mecanismos de defesa, processos subconscientes ou mesmo inconscientes que acabam permitindo que a mente encontre uma solução para o conflito que não pôde ser resolvido no nível da consciência.

Esses mecanismos de defesa têm por base a angústia. Quanto maior a angústia, mas fortemente eles atuam. Freud estudou bastante este tema e nos revelou que um dos mais importantes mecanismos é a “projeção”. Trata-se da transferência de atributos pessoais de determinado indivíduo – pensamentos inaceitáveis ou indesejados, por exemplo – para outra pessoa.


O filósofo Ludwig Feuerbach estabeleceu para-lelos entre sua teoria da religião com a ideia de projeção psicológica, e escreveu como uma de suas conclusões que “a concepção de uma divindade antropomórfica trata-se, na verdade, de uma projeção dos medos e ansiedades dos homens”. Foi dentro deste contexto que, em uma de suas frases mais famosas, declarou: “Deus foi criado à imagem e semelhança do homem”.


Posto isso, base mínima para as argumentações que se seguem, quero especular sobre um fenômeno que tenho presenciado sistematicamente ouvindo pessoas: a atribuição ou transferência de culpa de atitudes dos indivíduos para a figura do “diabo”.

Em nossos dias, o “diabo” é o grande culpado por boa parte dos problemas que enfrentamos e este “fenômeno”, pasmem, carrega em si até certo grau de espiritualidade, pois, afinal de contas, o sujeito está sendo “atacado por satanás”! O diabo na igreja é criatura das mais conhecidas e reverenciadas. Não

raro, ganha status de ator hollywoodiano, pop star, gospel, chega a dividir com Deus boa parte das citações em um culto ou sermão.

Até hoje, todavia, ninguém havia avaliado os supostos estragos que eventuais acusações e transferências causaram na alma do “tinhoso”. De tanto ser culpado por coisas que jamais realizou, atos que não cometeu e situações das quais não participou, o diabo começou a desenvolver certas deformidades comportamentais.


No começo era apenas um leve sentimento de culpa, mas a coisa se aprofundou e começou a virar disfunção de autoimagem. Em seguida, baixa estima, depressão e, por fim, síndrome do pânico!


Apavorado com a situação e de forma recorrente, sendo acusado pelos crentes como culpado de tudo que lhes sobrevém, o diabo resolveu, como recurso último, já num grau de desespero extremo, ir ao analista. O trecho abaixo é parte da anamnese realizada pelo psicanalista no primeiro contato que teve com o “rabudo”.


Terapeuta - Vamos lá, deixe essa timidez de lado, pode falar. O que lhe incomoda?

Diabo – Doutor, eu estou me sentindo muito mal.
Tenho ânsia de vômito, sudorese, taquicardia e, às vezes, pânico!

Terapeuta – Sei... Mas o que você acha que provoca tais sintomas?

Diabo - Bem, doutor, eu estou carregando um far-do muito pesado. Os crentes colocam a culpa em mim por tudo o que lhes acontece. Isso tem gerado um constante estado de angústia. O senhor tem ideia do que é ser acusado de algo que, em absoluto, não realizou?


Terapeuta - Não. Mas isso não é importante, pois estamos falando de você, não de mim. Dê-me um exemplo para que eu possa entender melhor.

Diabo - O cara é um safado; vive no trambique... nota fria, caixa dois e tudo o mais. Um dia, chega a fiscalização e o cretino afirma: “Isso é coisa do diabo!”. Quer mais? O sujeito não ora, não lê a Bíblia, não age conforme o que crê, e aí diz que sua falta de disciplina é “coisa do diabo!”. É pouco, doutor?! Vem um outro... Ele não cria os filhos com valores nem princípios. Em casa, é o pior exemplo possível. Contudo, se os pirralhos se desencaminham na vida, assevera: “Isso é coisa do diabo”!

Terapeuta - Realmente, estou vendo que seu caso é mesmo sério!

Diabo – É, doutor, mas não fica só nisso não... Observe: o sujeito toma uma decisão sem pensar, irrefletidamente. Mas o que ele diz quando bate com a cara na parede: “Isso é coisa do diabo”! Ainda tem mais... Se alguém possui um temperamento descontrolado, iracundo, provocador, toda vez que se desentende com alguém conclui de forma absurda: “Isso é coisa do diabo”! Achou pouco, doutor? E quando um deles se endivida, desorganiza-se financeiramente por não
conseguir segurar o cartão na carteira, sabe o que diz? Que deu uma “brecha para o diabo!”.

Terapeuta - Cidadão, a situação é mesmo complicada...

Diabo – Mas não para aí não... O cara vem cheio de paranoias, uma família pra lá de louca, alma desestruturada, traumas, medos, e diz que a “doideira” dele é “coisa do diabo”. Imagina, doutor?! O sujeito é mal-amado, mal resolvido, carente, e tudo é “coisa do diabo?!”. Se o cara mergulha no vício, o que eu ouço? “Isso é coisa do diabo”. Se vive na mentira, diz que o responsável sou eu, afinal, eu sou o pai da mentira! A desgraça torna-se ainda maior porque eu não ganho nada com isso! Falam o tempo todo no meu nome, mas crédito que é bom, nada! Assim não tem quem aguente!

Terapeuta - Bem meu “amigo”, seu tempo, infeliz-mente, acabou. Na verdade, estou achando que você está muito ansioso. Vou ter de lhe receitar um ansiolítico!

Diabo - Para que serve?

Terapeuta - Para controlar sua ansiedade.

Diabo - Você está louco, doutor?! Eu vivo de gerar ansiedade nos outros e você quer tirar a minha? Doutor, creia-me, estou com muito medo de não ter mais nada o que fazer contra a existência humana, tornar-me apenas alegoria de história de criança!

Terapeuta - Mas seu diabo, como é que o senhor ganha a vida?


Diabo - Bem, eu vivo de gerar medo, culpa, angústia e ansiedade nas pessoas. Eu mato seus sonhos, roubo suas sensações, destruo suas almas. Na verdade, sou um grande coreógrafo! Crio cenários para as pessoas atuarem na peça, mas elas é que fazem as escolhas e desempenham os papéis.

A sessão termina. O analista diz: “Bem, vá até a farmácia, compre o medicamento e me ligue! Vamos avançando no tratamento...”. O diabo se despede, sai cabisbaixo, arrastando o rabo, deprimido, mas dirige-se à drogaria mais próxima.


No consultório, toca o telefone na sala do médico. É a secretária. O doutor diz: “Mande entrar o próximo”. A porta se abre e entra o outro paciente... É um crente. O doutor pergunta:


Terapeuta - Bem, meu amigo, qual é o seu problema?

Crente - Doutor, estou meio sem jeito... É que eu dei uma “brecha”, sabe? Uma escapadela! Na verdade, traí minha mulher.

Terapeuta - E quando foi isso?

Crente - Ah doutor, tem sido algo constante. Antes de vir para cá, por exemplo, aconteceu.

Terapeuta – Mas meu amigo, o que você acha que está acontecendo com sua vida afetiva?

Crente - Não sei, doutor! Tenho pensado muito sobre esse assunto e cheguei a uma conclusão: “Isso é coisa do diabo!”.

Nessa hora, não aguentando o absurdo ali proferido, o analista, levantando-se da cadeira exaltado, esbraveja: “Deixe de ser safado! Que diabo coisa nenhuma! O diabo acabou de sair daqui ainda agora, deprimido, mais pra baixo do que rabo de elefante, e você me vem com este papo da carochinha! Tome vergonha na sua cara e assuma a responsabilidade por seus atos...”.

Agora, durma o diabo com um barulho desse...

Carlos Moreira

24 janeiro 2011

Uma Janela para a Vida



A porta abriu-se e eu dei de cara com aquela quitinete toda pintada de amarelo ovo. Achei estranho, mas a casa tinha vida própria: braços, pernas, olhos e ouvidos. Nela mora “a menina das palavras”, uma escritora e poetisa que fez de São Paulo o seu mundo, o seu lugar. 

Ela me mostrou seu cantinho com especial deferência, mas deu destaque àquela janela, uma que dá para a rua onde mora. Debruçada sobre ela, vê a cidade de um ângulo privilegiado, observa sem ser observada, espreita a vida que se arrasta preguiçosa bem abaixo do seu nariz. Incólume, assisti a tudo o que se passa: pessoas correndo, carros buzinando, motos barulhentas, ônibus fumacentos, o fluxo da vida que vem e vai. Às vezes chove, às vezes faz calor. Há dias de “trevas”, mas ela me disse que o sol sempre dá as caras...

Enquanto conversávamos, percebi que daquela janela não se vê apenas a rua, a cidade, mas o mundo. Sim, tudo pode ser observado dali, a grande passarela por onde a vida desfila, a vida como ela é – dramas e dores, medos e temores –, tudo do que gente é feito. 

Diante daquele cenário, ocorreu-me: no que pensam essas pessoas que, tão apressadamente, correm de um lado para outro? Quem são elas? Onde moram? Como vivem? Quais são seus sonhos, inquietações? Difícil decifrar... O tempo nos permite apenas um relance de olhar.

Lembrei, então, de uma citação de Jesus: “Os olhos são a candeia do corpo. Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz. Mas quando forem maus, igualmente o seu corpo estará cheio de trevas”. Lc. 11:34.

O texto solto pode não nos dizer grandes coisas. Dentro de seu contexto imediato, todavia, ganha novos significados. Jesus acabara de dizer aos seus ouvintes, que lhe pediam insistentemente um “sinal”, que eles precisavam atentar para o que acontecera ao profeta Jonas.

A história de Jonas nos revela um homem acometido de uma terrível enfermidade, uma doença que lhe atacara os olhos, pois sua visão havia se tornado embotada, seu aparelho visual estava daltônico, incapaz de ver as cores, a beleza, o brilho da luz.

Jonas olhava, mas não enxergava. Sua consciência havia se cauterizado pela dureza e perversidade da sociedade na qual vivia. Era assim que ele percebia a grande metrópole de Nínive, 100 mil pessoas indo e vindo, desencontradas de si mesmas, de um propósito maior para existir..

Na “janela” de Jonas, a vida perdera a sensibilidade, a magia, a singularidade. Sobrara-lhe apenas a realidade. Ele já não possuía mais a capacidade de sonhar, de acreditar, de alçar voos e adentrar mares.

Mas algo inusitado o esperava... Ao tentar fugir de Deus e de seu destino, foi parar num dos “antros da terra”, no lugar mais improvável da existência: o interior de um grande peixe. Espero que entenda a alegoria...

Sozinho, amedrontado, desprovido de tudo, sem controle de nada, rendeu-se a si mesmo e à soberania de Deus. “Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer”. Platão, filósofo grego.

Ao sair dali, rumou de volta para Nínive. Seus olhos, entretanto, já não eram mais os mesmos... A escuridão na qual havia ficado lhe abrira novamente as percepções e sentidos. Agora, mesmo vendado, seria capaz de enxergar. Num relance, discerniu toda aquela miséria que o cercava, a futilidade das almas que naquela sociedade viviam, a banalidade de suas vidas, a inutilidade de seus dias.

Mas Jonas agora podia ver aquilo que antes lhe era impossível. Onde havia trevas ele viu luz; onde havia morte ele viu vida; onde havia desesperança ele viu oportunidades; onde havia dor ele viu alegria; onde havia enfermidade ele viu a cura. Sua mensagem de amor e graça deu à cidade a chance de reescrever uma nova história.


Quero lhe dizer algo: a vida nem é boa nem é má – ela é como é. São os teus olhos que lhe dão sentido e significação. A maneira como você percebe as situações, os acontecimentos, é o que dará a cada fato a sua “tonalidade” própria – cinza chumbo ou azul-turquesa.


Se os teus olhos forem bons, capazes de olhar para o outro com reverência, para a dor com solidariedade, para a perda com gratidão, para o lamento com alegria, para a amargura com contentamento, para a injustiça com esperança, todo o teu corpo usufruirá disso, e você terá saúde física, emocional e espiritual, será como uma candeia em meio à escuridão.


Do contrário, tudo o que se poderá perceber através de teu olhar será um grande amontoado de fatos desconexos, uma realidade caótica, um mundo perverso, um Deus bizarro, sadista, que trata seres humanos como marionetes circenses.


Sim, você enxergará as pessoas como uma multidão de gente louca, indo do nada para lugar algum, pois, certamente, se os seus olhos forem maus, que grandes trevas habitarão o interior do seu ser. Por isso, nunca se esqueça do que disse o escritor Saint-Exupéry: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos”.


Deixei o apartamento naquela tarde carregando em mim lições preciosas que a vida, por vezes, nos traz de forma simples... Aquela janela, compreendi, não dá para a rua... Na verdade, abre-se para mundos.



Carlos Moreira

21 janeiro 2011

"Todo Mundo Quer ir Para o Céu, Mas Ninguém Quer Morrer"



O problema de vocês ocidentais cristãos é que vocês têm milhões de jovens querendo viver... Nós, ao contrário, temos milhões de jovens querendo morrer!”. Osama Bin Laden.

Inicialmente fiquei chocado com a frase, pois, a primeira vista, ela não me fez muito sentido. Ao depois, entretanto, quando minhas categorias político-filosóficas-religiosas entraram em ação, aí sim, compreendi o que o famoso terrorista da rede Al Qaeda quis dizer.

O fundamentalismo religioso não é regalia dos Mulçumanos. Pelo contrário, quem conhece um pouco mais a fundo a Religião Islâmica sabe que a proposta é totalmente diferente do estigma criado, sobretudo depois do 11 de setembro de 2001, com os ataques as Torres do World Trade Center. 

Deixemos os idealismos de lado... Fundamentalismo existe em qualquer religião. Entre os evangélicos, então, o que dizer? Quer mais ortodoxia e aberrações do que temos em nossas “denominações”? Quer mais manipulação e catarse emocional do que em certos “cultos”. Quer mais espoliação e pressão psicológica na pregação de determinadas “doutrinas”? Ora, quem não conhece “o jogo” é que fica de tolo, mas a gente já está nisto há muito tempo para ser ludibriado...

A frase do Osama choca-nos não porque saibamos que há um exército de meninos e meninas sendo treinados para fins perversos, que não consegue discernir o tamanho da maldade da qual eles se tornaram vítimas, pois tiveram suas consciências cauterizadas pela “palavra” e pela subversão da “religião”. O que surpreende é o desejo dessa gente de sacrificar a própria vida em função de algo no qual eles crêem, de imaginar estar sendo usado para cumprir um propósito divino, agradar a “deus”, ser  a "vara de seu juízo" na Terra.

Nietzsche disse certa vez “no ocidente não há ninguém mais disposto a morrer, seja por um deus, pela pátria ou pela família”. De fato, ele estava mais do que certo. Nós somos a sociedade dos que querem apenas ganhar, jamais perder, muito menos a vida! A saudosa banda Blitz, sucesso da década de 1980, dizia em sua canção: “todo mundo quer ir pro céu mais ninguém quer morrer”.

porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro... E já não sei o que escolher!... desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo... para o seu progresso e alegria na fé". Fp. 1:21-25

Na perspectiva do cristianismo, morrer é um prêmio, uma coroa, a consagração de uma vida, mas morrer está relacionado a nascer, não a extinguir-se, é a partida que nos leva a encontrar o propósito para o qual fomos criados. Quem morre deixa o não-ser para tornar-se ser de fato.

Mas Paulo, que desejava ardentemente morrer, pois queria estar com Jesus, entende que viver tem um propósito: edificar e ensinar a outros, abençoá-los, servi-los, amá-los, doar-se para que eles possam encontrar o significado de existir. Assim é o Evangelho. A vida do discípulo só ganha singularidade quando se desdobra na direção do outro, quando o próximo torna-se mais importante que sua própria vida, pois sacrificar sonhos e planos em prol de alguém é prazer e privilégio.

Bin Laden está recrutando jovens para morrer. É triste, mas fato. E nós? Quantos jovens temos dispostos a morrer pela causa do Reino de Deus? Não estou falando em se amarrar a toneladas de dinamites ou de detonar um carro em frente ao um mercado público. Estou falando em entender que a fé cristã deveria nos levar a buscar da vida mais do que sucesso profissional, dinheiro no bolso, alegria, festa, riso, namoros e curtição. Nossos jovens não têm referências. Bem disse Cazuza: “meus heróis morreram de overdose”.  

Tenho pena dos jovens de hoje... Rebeldes sem causa, mesmo... São, em sua grande maioria, alienados, fúteis, frívolos, superficiais, dessignificados, vazios, insensatos, desafeiçoados, insensíveis, desencontrados de si mesmos. Mas com tristeza, admito: eles tiveram a quem puxar; tiveram excelentes fontes de referência para ser o que são: nós. Eu e você...

Carlos Moreira

19 janeiro 2011

Contra-Fluxo


A sensação é de estar remando contra a maré, indo na direção oposta, subindo quando devia estar descendo, descendo quando devia estar subindo.

“Negue-se a si mesmo”, é a voz que escuto o tempo todo, todo o tempo. Desisti de tentar impressionar a Deus, aos homens. Entendi que não será por habilidades, nem necessidades. Não será por nada que eu possa fazer. Não será “por força, nem por violência”, não será pela ciência, nem mesmo pela razão. Apenas deixo-me levar pela brisa e, caminhando no caminho, semeio o bem e colho a esperança.


Enquanto todos querem ajuntar, desejo aprender a repartir. Enquanto querem mentir, busco encontrar a coragem de andar na verdade. Enquanto querem ser desleais, pretendo me tornar mais fiel. Rio-me da ganância, desprezo a futilidade, faço caso do sucesso, da busca da felicidade desprovida de propósitos. Cresço para dentro, expandindo minha consciência, alterando meus valores, repensando minha história. Aos que desejam mandar, ofereço o servir. Aos sofisticados e complexos, ofereço a simplicidade; aos arrogantes, a humildade; aos maliciosos a pureza; aos invejosos a singularidade de ser o que sou, incompleto, imperfeito, uma “metamorfose ambulante”.

Sim, é verdade, já compreendi que seguir a Jesus implica em andar na contra-mão, pois o Evangelho é um contra-fluxo, é subversão silenciosa, é mudança de coração, é transformação dos “ambientes” interiores, uma vez que a “ética do Reino é a estética do lado de dentro”.

E será assim, sem máscaras, sem cascas, despojando-me de tudo que possa impermeabilizar minhas sensações, libertando-me do que cauteriza as percepções, largando pela estrada tudo o que não é vida e aprendendo a recomeçar que, aos poucos, me tornarei um pouco mais parecido com Ele.


E assim, como o grão de trigo, que morre para poder fomentar a vida, morro também, pois, “pra que outros possam viver, vale a pena morrer”. Não deixarei para morrer amanhã, quero morrer logo, hoje, agora! Por isso, abro mão, despojo-me de mim mesmo, abro as janelas da alma, destranco os ferrolhos do coração, e morro. Morro enquanto ainda é tempo, pois os que me propõem a “vida” andam as portas a me convidar a seguir de acordo com o fluxo, de conformidade com as "marés", na direção da multidão, do corriqueiro, do banal. Eles me oferecem a morte embalada com papel celofane, numa caixa bonita, mas, no fundo, ainda é apenas morte. E eu, que pela morte de mim mesmo abracei a Vida, insisto em seguir na direção contrária.

Carlos Moreira

Determinismo ou Possibilismo?


Uma pergunta que todo mundo faz quando acontecem tragédias como a mais recente que provocou tanto desespero na região serrana do Rio de Janeiro é se esses acontecimentos não poderiam ser evitados. A essa pergunta são dadas poucas respostas plausíveis e convincentes.


É bem verdade que ninguém pode evitar que um grande terremoto aconteça, que um tsunami venha a varrer as cidades litorâneas de algum continente ou que a chuva torrencial provoque desmoronamentos. Mesmo o mais eficaz monitoramento de possíveis catástrofes naturais não evita inteiramente os desastres, embora possa atenuá-los.


Por outro lado, sabemos que um grande número de mortes resultantes desses acidentes da natureza poderia ser evitado caso a ambição política, o descaso para com a vida de milhares de pessoas e a obstinação dos homens não fosse tão grande. As tragédias, em geral, são ajudadas, paradoxalmente, pelos próprios homens que são as principais vítimas desses acontecimentos.


Se não fosse o crescimento desordenado das cidades, as propinas recebidas pelos fiscais das prefeituras municipais para fecharem os olhos à ilegalidade e os políticos doando terrenos em áreas de risco com fins eleitoreiros, provavelmente os números dessas hecatombes não seriam tão astronômicos; e os números não mentem jamais!


Voltando, porém, á pergunta do início do texto (se as tragédias poderiam ter sido evitadas ou não) percebo que por trás desta indagação subjaz um velho dilema humano; refiro-me ao embate entre determinismo e possibilismo. Há uma força maior desencadeando os acontecimentos trágicos diante da qual os homens são impotentes ou o próprio ser humano é responsável por aquilo que lhe acontece?

As opiniões deterministas e possibilistas permearam algumas das discussões mais antigas da humanidade. Determinismo e possibilismo travam uma luta feroz que começou no mundo antigo, passou pela Idade Média, avançou através da modernidade e continua acirrando os ânimos no mundo contemporâneo.



No mundo medieval Agostinho e Tomás de Aquino foram respectivamente representantes do determinismo e do possibilismo. No século XVI e XVII, por exemplo, homens como Calvino e Armínio opuseram as suas opiniões uns aos outros ao discutirem questões ligadas à salvação da alma dentro da perspectiva cristã.


João Calvino, enfatizando mais a soberania de Deus do que a liberdade humana, afirmava que a divindade havia escolhido os homens destinados á salvação e à danação eterna antes mesmo de terem nascido ou praticado qualquer tipo de pecado (predestinação). Já Armínio, inclinado mais ao livre arbítrio, dizia que o homem contribuía com a sua salvação ao responder positivamente ao chamado do evangelho.


Passando da teologia à geografia, no século XIX geógrafos alemães e franceses também se dividiram entre deterministas e possibilistas. Os primeiros advogavam que era o meio que determinava o homem, os segundos diziam que, ao contrário do que pensavam os primeiros, é o homem que determina o meio através das mudanças que nele produz.


Nos dias atuais o debate sobre doenças como o câncer, o diabetes e até discussões de gênero acerca do homossexualismo trouxeram de novo à tona os debates entre deterministas e possibilistas. Afinal de contas, somos livres ou escravos de um “destino”? A liberdade humana evita ou contribui para as catástrofes? Somos predestinados ou escrevemos com as nossas ações a nossa própria história?


Eu confesso que não tenho uma resposta definitiva para estas perguntas, mas desconfio que a resposta mais adequada a estes questionamentos se encontra no meio do caminho, em algum ponto intermediário entre o determinismo e o possibilismo. “A virtude está no meio”, disse sabiamente Aristóteles.


Acredito que naquilo que tange á liberdade humana, o homem se encontra, para usar uma linguagem jurídica criminal, sob uma “liberdade condicional”. Somos livres, mas só até certo ponto. Desse ponto em diante talvez sejamos guiados por alguma força cega e avassaladora que nos arrasta como fez a lama dos morros com as casas da região serrana ao descer encosta abaixo.

O que é esta força? Talvez aquilo que chamamos todos os dias, por não ter uma palavra mais adequada, de DEUS.

André Pessoa via Século XXI

16 janeiro 2011

Celulites na Noiva de Cristo: os efeitos indesejáveis do modelo celular


Recebi recentemente um e-mail de alguém descontente com o modelo celular implantado em sua igreja. Por achar pertinentes as questões por ele levantadas, resolvi usá-lo em um artigo sobre o tema. Ei-lo abaixo:
Há algum tempo tenho andado triste com algumas coisas que têm acontecido em minha congregação. O trabalho lá é celular e, como tal, a meta é que sejam formados e enviados mais e mais líderes de células. Porém, o meu entendimento é de que alguém que lidera uma célula é, na prática, um pastor, pois tem que cuidar, de e discipular pessoas - e isso, no meu entendimento, é um dom do Espírito. Tenho a certeza absoluta de que não tenho chamado para a vocação pastoral, por isso nunca me prontifiquei e nem quero ocupar tal cargo na igreja, porque o que gosto de fazer é ensinar. Sendo assim, por não me prontificar a fazer o que a liderança considera aquilo que todos têm que fazer, fui posto de lado (acho que sou considerado algum tipo de rebelde, pois por muitas vezes contestei esse ponto de vista com a liderança, o que percebo deixar meu pastor aborrecido). Até aí tudo bem, pois não sou obrigado a fazer aquilo que não me sinto bem em realizar. A gota d'água ocorreu ontem, quando fui questionar meu pastor a respeito de uma decisão tomada pela liderança da igreja: a partir deste ano, não mais teremos os cultos matutinos, pois antes havia a escola bíblica seguida do culto. Esta escola bíblica (chamada de ESCOLA DE DISCÍPULOS) consiste na ministração de três apostilas durante todo o ano, as quais já estudei. Espera-se que, nos anos subsequentes, haja novos estudos que abordem novos pontos para nossa edificação espiritual. Mas, nos anos seguintes são ministradas as mesmas apostilas, com os mesmos estudos. Então comuniquei a ele que quero e preciso me alimentar mais da Palavra (nos cultos da manhã, pelo menos, eram pregadas mensagens de edificação para igreja; agora nem mais isso) e que vou passar a frequentar a EBD de alguma congregação de minha cidade, e a sua resposta foi que eu preciso entrar na "visão", porém sou livre para fazer o que eu quiser e para frequentar a EBD que eu bem entender. Hoje em dia, o argumento mais utilizado para desestimular aquele que deseja aprofundar-se no estudo da Palavra é o de que "a letra mata". Meu irmão, desculpe-me a expressão, mas estou de saco cheio disso, desestimulado até em continuar ali. Será que é algum crime o querer conhecer as Escrituras, o buscar o entendimento na Palavra daquilo que o Senhor Deus quer para a minha vida? Será que sou algum rebelde em não concordar com alguns pontos dessa "visão que Deus deu para o ministério"? Amado, desculpe o desabafo, mas preciso de uma palavra.

Acredito que a formação de pequenos grupos pode ser salutar para toda a congregação. Apesar da Bíblia referir-se a cada um de nós como membros do Corpo de Cristo, e não como células. E no caso, chama-se “célula” o pequeno grupo, e não o indivíduo em si. Ora, se o grupo é uma célula, o indivíduo é o que? Uma molécula? rs

Bricandeiras à parte, tenho visto o grande estrago que tem sido feito em muitas igrejas por conta de uma aplicação errônea dessa ‘visão’. Se o objetivo fosse tão somente de comunhão, ou mesmo, evangelístico, tudo bem. O problema é que se coloca sobre cada membro da célula a expectativa de tornar-se também líder de seu próprio grupo. E como você mesmo disse, nem todos são chamados para isso. Tal expectativa acaba se tornando numa opressão.

Será que Maria Madalena, que seguia de perto o Mestre, tornou-se líder de doze? Será que cada um dos apóstolos teve que formar seu próprio colégio apostólico com outros doze? Onde está escrito que Paulo liderava um grupo de doze?

Tenho percebido pelo menos dois efeitos colaterais em igrejas que adotaram tal estratégia de crescimento: a produção de células cancerígenas, e de celulites e estrias.

Deixe-me explicar cada um desses efeitos:

Células cangerígenas – Acredito que devemos abandonar a analogia celular e voltar à analogia bíblica dos membros do corpo. Por que digo isso? Simples. Porque as células são sempre uniformes. Se reproduzem uniformemente. E quando ocorre alguma anomalia, é porque produziram células cancerígenas.  O câncer é uma doença caracterizada pela produção de células que crescem e se dividem sem respeitar os limites normais, invadem e destroem tecidos adjacentes, e podem se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase. Imagine o estrago que uma “célula cancerígena” pode produzir no corpo de Cristo! Paulo chama a atenção de Timóteo para o fato de que havia se introduzido na igreja pessoas cuja palavra “corrói como câncer” (2 Tm.2:17). O problema se agrava quando tais pessoas são elevadas ao posto de liderança. O modelo celular insiste em que cada discípulo deve aspirar à liderança, criando sua própria célula. Por conta disso, muitas divisões tem ocorrido em igrejas antes sadias. Se em vez de adotarmos a analogia de células, voltarmos à analogia bíblica de membros, perceberemos que nem todos são vocacionados para servirem como líderes. Basta conferir 1 Coríntios 12:12-31. Uns são chamados para serem ‘mãos’, outros ‘pés’, outros ‘boca’, e assim por diante. Porém, todos têm valor no contexto do corpo, e devem situar-se numa relação de interdependência. Imagine se todos fossem ‘olhos’, quem os socorreria na hora em que fossem invadidos por um cisco?

Células canceríginas são autofágicas, isto é, devoram-se umas as outras. Isso já acontecia entre os crentes primitivos. Como disse o escritor de Eclesiastes, não há nada novo debaixo do sol. Paulo repreende os gálatas por estaremos devorando-se uns aos outros (Gl.5:15). Um modelo que insiste com a ideia de que todos devem ser líderes, acaba por estimular a competitividade entre seus membros.

E o que é que causa o aparecimento de células cancerígenas? Entre vários fatores, quero destacar o consumo de comida enlatada. Alguns, no afã de alimentarem bem seus ‘discípulos’, saem em busca de novidades, e encontra nas prateleiras dos mercados religiosos todo tipo de teologia enlatada, ora ‘made in USA’, ora ‘made in Colombia’, ou ‘Coréia’, ou ‘Europa’, e assim por diante. Ovelhas preferem e precisam de capim fresco, tirado direto do solo, sem conservantes, nem qualquer outra química.

Celulite e estrias – Ora, o apóstolo Paulo diz que “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, a fim de apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef.5:25b-27). Deixe-me aproveitar que Paulo usou a expressão “coisa semelhante”, para acrescentar aqui celulites eestrias.

Imagine a noiva de Cristo cheia de celulite e estrias! Pois o modelo celular, da maneira como tem sido implementado nas igrejas, tem produzido exatamente isso.

O fato é que a igreja, em vez de crescer, engordou, tornou-se obesa, e o pior é que, pelo jeito, trata-se de obesidade mórbida.

celulite é caracterizada principalmente pelo aparecimento de ondulações da pele, dando a esta o aspecto de casca de laranja. Entre as causas da celulite, destacamos a alimentação e a vida sedentária. Troca-se a boa comida caseira pelos fastfoods. Abandona-se os cultos na igreja, limitando-se a frequentar as reuniões celulares. Os pequenos grupos começam a ser visto como um fim em si mesmos, produzindo um tipo de sedentarismo espiritual.

Já as estrias caracterizam-se por um rompimento das fibras elásticas que sustentam a camada intermediária da pele, formada por colágeno e elastina (responsáveis pela sua elasticidade e tonicidade). Podem surgir de diversas formas, dentre elas: o efeito sanfona e o crescimento rápido.

Talvez o que tem contribuído para que igrejas adotem este modelo seja justamente a promessa de crescimento rápido. Mas o que ele realmente produz é inchaço, e não crescimento (1 Co.4:19; 5:2). Ora, quando um membro incha, é sinal de que algo está errado no organismo. Um crescimento saudável demanda tempo, empenho, perseverança. Não há fórmulas mágicas. Basta um alimento saudável, extraído da boa e fiel Palavra de Deus, e um ritmo de vida antisendentário, em que os membros sejam incentivados a darem testemunho de sua transformação lá fora e a estenderem as mãos aos necessitados deste mundo. Daí, é só esperar. Um planta, outro rega, mas é o próprio Deus quem Se responsabiliza em promovero o crescimento (1 Co.3:6).

Hermes Fernandes via Hermes Fernandes

15 janeiro 2011

"Quando não se Tem Nada a Perder Deve-se Arriscar Tudo"





A tragédia que desabou sobre as cidades serranas do Rio de Janeiro durante as chuvas desta semana é sem precedentes, mas tem antecedentes. Segundo um dos depoimentos que assisti pela TV, cada vez que chove nesta região duas coisas são certas e estão previstas: deslizamentos e velórios.

Quando a desgraça acontece, todo mundo se sensibiliza. As emissoras de televisão transmitem o “show” ao vivo e a cores; os jornais vociferam o descaso das autoridades; as autoridades atuais culpam seus antecessores por não terem feito nada; as rádios fazem entrevistas com os sobreviventes que nos mostram histórias das mais dramáticas possíveis.

Contudo, creia-me, isso não é motivo de alarde. Não se preocupe tanto. Sei que, talvez, você tenha visto cenas muito fortes, mas, saiba, elas desaparecerão de sua memória em dois ou três dias. Sim, elas sumirão assim como sumiram as imagens inacreditáveis de Angra dos Reis, de Niterói, das cidades do nordeste, todas devastadas por enchentes, arrasadas, com   milhares de mortos, cidades varridas do mapa por sinais que a natureza nos dá, cada vez mais freqüentes, de que a Terra agoniza.  

É duro de admitir, mas nos tornamos confortavelmente insensíveis. A dor do outro não nos diz nada. Quando muito, citando Sartre, o outro é o inferno.  Em poucos dias as TV’s, as Rádios, os Jornais, a Internet, precisarão de novos escândalos, de novas tragédias, de novas revelações, de novas notícias. É assim que a “máquina” gira, é assim que as coisas funcionam, é “assim que caminha a humanidade”... Tudo, tudo mesmo será esquecido...

Você acha que algo será feito? Claro que não! Alguns órgãos farão visitas, a presidente vai sobrevoar as cidades, alguns políticos vão aproveitar a desgraça para se projetarem, os bombeiros, a polícia, as igrejas, outras entidades de auxílio, a cruz vermelha, e muitos, muitos anônimos, como sempre, vão ajudar, vão se doar, vão se arriscar. Mas, no próximo ano, tenha certeza, veremos tudo de novo. Só não temos ainda como prever em qual região e em quais cidades a desgraça acontecerá. Talvez, nos mesmos lugares novamente.

No vídeo postado acima, assisti a uma das cenas mais dramáticas de toda a minha vida. Ela me lembra a frase de Laya: “quando não se tem o que perder deve-se arriscar tudo”. A mulher está ilhada numa casa semi destruída. Ali dentro tem uma história, tem a luta de uma vida, os móveis, os eletrodomésticos, documentos, fotos, poucos bens comprados com sacrifício. Mas a casa está submersa, a maior parte destas coisas já foi levada pela correnteza. O volume de água e a sua força faz com que a mulher suba até chegar ao telhado. Agora já não há mais o que fazer,  não tem mais para onde ir.

A câmera mostra a dura realidade. O que lhe sobrou foram apenas duas coisas: a roupa do corpo e o cachorro que ela segura como um filho. Naquele momento, o melhor amigo do cão era o “homem”. Ela o segura como quem segura o único e último bem que lhe restou. Parece determinada a salvá-lo a qualquer custo.

Num ato extremado, num último recurso para livrá-la da morte, vizinhos jogam uma corda para tentar puxá-la para o prédio ao lado. É uma tarefa arriscada. As chances do resgate dar certo são poucas, pois a correnteza é muito forte, o prédio é alto, apenas dois homens estão lá em cima e uma mulher de idade não tem tanta resistência para suportar isto.

A corda é lançada e ela a segura. Ao fundo ouvem-se gritos de desespero. A mulher se joga na correnteza agarrada ao cachorro e tenta salvar-se e salvar o seu bichinho. Mas a força da água impõe-lhe a dura tarefa de escolher entre a sua vida e a vida do animal. Ela agarra a corda com as duas mãos e solta o cachorro que é levado pelo turbilhão descontrolado.

Puxada de forma milagrosa até o teto do prédio, amparada heroicamente por gente que estava no lugar certo na hora certa, ela olha pra trás e não vê mais nada. O “amigo” que tentou salvar a todo custo desaparecera para sempre. Eu tenho um cachorrinho, posso imaginar a sua dor pela sua perda. O que não poderei jamais imaginar é a dor gerada pelas outras tantas perdas deste dia que, para ela, será inesquecível: o dia em que sua vida esteve presa apenas por uma corda.

Eu não sei o nome daquela mulher. Não sei o nome dos homens que a puxaram. Não sei o nome do pequeno cachorrinho. Mas minha alma se entristeceu profundamente pela sua dor e meu coração se compungiu pelo seu sofrimento. Sua coragem em se lançar nas águas para tentar salvar-se me marcarão pelo resto da vida. Daqui de onde estou, posso apenas orar para que ela encontre forças para continuar a viver e reconstruir o que sobrou de sua existência.

A esta mulher, símbolo do desrespeito pela vida, símbolo do descaso das autoridades deste país pelo povo que vive a margem de tudo, símbolo da resistência e da vontade inexplicável de sobreviver, símbolo de dignidade, de humanidade, meus sentimentos, meu respeito e minha reverência pela sua vida, pela sua alma e pela sua dor.

Carlos Moreira 

12 janeiro 2011

É Melhor ser Cauda de Tubarão do que Cabeça de Bagre




Augusto Comte foi o filósofo a quem se atribui a criação do Positivismo, corrente filosófica do século XIX que surgiu com o desenvolvimento do iluminismo e das mudanças produzidas pelo fim da Idade Média. O Positivismo propõe uma existência construí-da sobre valores absolutamente humanos, o que o afasta tanto da metafísica quanto da teologia.

Mas foi através de seu livro “Sistema de Política Positiva” que Comte, para mim, deu seu “salto” mais ousado: a proposição de uma nova religião – a Religião da Humanidade. Para ele, as religiões do passado eram apenas formas primitivas, uma vez que se baseavam em mitos, dogmas e na metafísica. Na Religião Positiva, os “deuses” e o sobrenatural eram dispensáveis, pois a verdadeira busca por sentindo se dá na unidade moral humana, no ideal de sua regeneração social.

Sendo assim, o Positivismo se tornou uma refutação ao pensamento cristão, pois ele retirou Deus da cena humana e colocou a ciência em seu lugar. Pois bem, em nosso tempo, vimos algo semelhante acontecer com a chamada Confissão Positiva, um movimento que nasceu no seio das Igrejas pentecostais e neopentecostais e que, pasmem, acabou por retirar Deus da existência, e colocou no lugar dele o homem. A partir de então, o que temos assistido é o Criador tentando servir a criatura, e não o contrário.

A Confissão Positiva, surgida na década de 1980, teve como precursor o pastor Essek William Kenyon. Influenciado na universidade pelo pensamento de Fineias Parkhust Quimby, um curandeiro e hipnotizador, Kenyon construiu a base para a sua “nova teologia” usando técnicas do poder do pensamento positivo, doutrinas das seitas da Ciência da Mente e a metafísica do Novo Pensamento.


É fato que todo vento de doutrina se espalha com excepcional velocidade no meio evangélico. Com a Confissão Positiva não foi diferente, sobretudo quando ela ganhou adeptos de “peso” internacional como Kenneth Hagin, Morris Cerullo e Benny Hinn.

Foi esse “esquadrão” que, inicialmente, se encarregou de espalhar a “nova doutrina” mundo afora. Dessa forma, ela assumiu diferentes nuances, passando a ser reconhecida também como Teologia da Prosperidade, Evangelho da Saúde, Palavra da Fé ou Movimento da Fé.

No Brasil, sua aparição se deu no final do século XX. A Confissão Positiva, ou como a chamamos no Brasil, a Teologia da Prosperidade, baseia-se numa hermenêutica fraudulenta amparada por sofríveis artifícios manipulatórios. Ela fomentou na consciência de toda uma geração o sofisma de que o crente deve reivindicar seus supostos direitos para adquirir tudo o que desejar, pois Deus está obrigado a cumprir aquilo que, inexoravelmente, tenha prometido em Sua Palavra. O resultado de tudo isso não poderia ser outro: o surgimento de um sem-número de aberrações doutrinárias, além de perversas práticas eclesiásticas.

As bases do movimento passam por um sincretismo capaz de misturar o cristianismo ao espiritismo, judaísmo, às religiões de mistérios, cultos afros e até ao gnosticismo. Seus líderes rapidamente transformaram pastores em verdadeiros feiticeiros do sagrado, intermediários exclusivos do trânsito entre o céu e a terra, profetas do apocalipse, mestres de revelações inusitadas para os últimos dias.

Infelizmente, a Teologia da Prosperidade alcançou em pouco espaço de tempo milhões de adeptos, quase sempre gente desesperada em busca de solução para seus problemas. Além do mais, as ofertas das igrejas que abraçaram o movimento tornaram-se irrecusáveis. No “cardápio” tem cura de enfermidades e saúde abundante, prosperidade financeira, restauração de casamentos destruídos, libertação de encostos, dentre outras benesses que, por fim, arrastaram nesse tsunami de heresias incautos e despreparados, os quais, espoliados de todas as formas, passam a engrossar cada vez mais as fileiras das denominações supracitadas.

A Confissão Positiva, como aconteceu com o Positivismo de Comte, criou uma espécie de nova religião, onde Deus tornou-se um ser escravizado a cumprir liturgias performáticas preestabelecidas. Fiéis de outras denominações passaram a ser considerados crentes de segunda categoria, gente que estava fora da “bênção”, do “mover”.

Nesse novo cenário, as mais variadas práticas foram surgindo, todas supostamente respaldadas nas Escrituras. Vieram os cultos de catarse emocional, os seminários de cura interior, as correntes para libertação de maldições hereditárias, os processos de mapeamento de “potestades espirituais”, coisas tão bizarras e absurdas que sou capaz de apostar que até o diabo tem dificuldade em acreditar.

Lembro bem de uma das frases usadas pelo movimento que bem simboliza o nível de consciência e fé dessas pessoas: “Deus te pôs como cabeça e não como cauda”. Era uma espécie de mantra positivista, ufanista, usado para fazer a cabeça dos discípulos e criar neles um embuste mental capaz de aliená-los e afastá-los de toda a verdade do Evangelho.

Uma das curiosidades mais intrigantes da “nova religião” é o fato de suas mensagens retornarem sempre aos heróis da fé do Velho Testamento, pois eles servem de modelo para demonstrar a bênção, a prosperidade, a vitória e a saúde. Em suas homilias, pregadores exaltam personagens como Moisés, Davi, Abraão e Salomão, todos bem-sucedidos e divinamente abençoados, como referencial daquilo que Deus deseja de Seus filhos.

O que eu gostaria, todavia, era de vê-los pregar sobre a simplicidade de Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça, que foi humilhado, difamado, perseguido e, por fim, morto.

Gostaria de vê-los pregar sobre as profundas dores e perdas da vida de Paulo, que dizia ter aprendido a viver na escassez e estar feliz por ter o que comer e com o que se vestir. Quem sabe, ainda, sobre o apóstolo João, já velho e calejado, preso na Ilha de Patmos, privado de tudo e de todos, agonizando sozinho e aguardando a esperança da salvação.

No primeiro século da era cristã, os líderes eram entregues à morte para que os discípulos pudessem experimentar a vida. Hoje a liderança mudou um pouco... “Apóstolos”, “Bispos”, “Patriarcas” e outras “entidades” andam em jatinhos, vestem ternos italianos, possuem um Mercedes na garagem e moram em mansões de 3 pavimentos.

É um contrassenso quando comparado com a afirmação de Paulo de que os apóstolos eram postos em último lugar, como escória do mundo. É triste, mas essa gente virou divindade, seres metafísicos, nem pisam no chão de tão santos que são, astros do mundo gospel, membros desta confraria de hipócritas, dessa panacéia religiosa, dessa pantomima de mambembes do sagrado.

Mas é bom saber que os dias desses pústulas es-tão contados. É fato que, cada vez mais, uma enorme legião de incautos e inocentes acorda para a verdadeira intenção do movimento da Confissão Positiva e de seus “líderes”.

O que creio, como bem disse o pastor Ricardo Gondim, é que “o século XX assistiu ao alvorecer, à consolidação, ao apogeu e ao desgaste do movi-mento evangélico, um ciclo histórico que está prestes a se encerrar. O que virá depois é uma incógnita – contudo, é possível vislumbrar que, passada a crise de pragmatismo que assola a Igreja deste início do terceiro milênio, a espiritualidade será experimentada de maneira mais viva e relacional com Deus”.

Os adeptos da Teologia da Prosperidade afirmam que Deus os colocou por cabeça e não por cauda. Pois é, há quem creia nisso... Para mim, contudo, que sou um cara que anda na contramão, prefiro ficar com outra máxima: “É melhor ser cauda de tubarão do que cabeça de bagre!”.

Carlos Moreira


11 janeiro 2011

Desigrejados, Desviados e Evangélicos não Praticantes



Danilo Fernandes


Em agosto de 2010, eu decidi coletar dados capazes de sustentar uma abordagem quantitativa de algumas questões apoquentando os que pensam nos rumos da Igreja. Nesta mesma época, a revista Cristianismo Hoje tinha na pauta este ARTIGO mirando a questão dos cansados de igreja. Pensei: Vou botar números em algumas destas questões.

Postei no site um questionário de pesquisa usando a ferramenta On-Line Survey Monkey. Em uma segunda fase, fiz uso do cadastro de 1,2 milhão e-mails de cristãos evangélicos que possuo, produzi uma amostra e enviei questionários com perguntas abertas e fechadas envolvendo temas relativos a fé e a religião. Os resultados trouxeram nada menos do que surpresas atrás de surpresas com material para muitos posts. Este é o primeiro.

Genizah: Um site de hereges de desviados?

Definitivamente não. Em termos numéricos absolutos tem muito desviado por aqui, risos. Afinal, o Genizah tem tráfego oscilando entre 8,8 – 14,8 mil pessoas por dia, mas em termos relativos a coisa não é bem assim! Um alívio (sem querer ofender os desviados) afinal, os colaboradores do site são na sua maioria esmagadora pastores, líderes, missionários, etc... Iria ficar mal pra gente, risos.

Para começar 88,5% dos respondentes se declaram membros batizados de uma denominação cristã. Para agravar nossa beatitude, 31,25% dos leitores – ver gráfico a seguir – se identificaram com a opção “FAMILIARES ECLESIA” que separamos para pastores, família pastoral, presbíteros, diáconos e líderes ministeriais.

Conclusão: Genizah é um site muitíssimo lido pela liderança da Igreja. Levando ainda em consideração que 25% dos leitores se dizem professores de Escola Bíblica Dominical e, estamos falando de até 80.000 visitas de professores de EBD por mês, não dá para chamar o Genizah de um site de desviados! Envolvidos e incomodados, sim. Subversivos, muitos. Desviados, dificilmente.

Tirando o Genizah da reta, bem-dito, alguns números saltam aos olhos e confirmam que os fenômenos recentes que formaram os grupos que muitos chamam de desigrejados, decepcionados com a igreja, reorganizados (em comunhão heterodoxa) e, claro, desviados se revelam todos mais do que estatisticamente consideráveis. São números muito representativos e deveriam estimular acadêmicos a realizarem uma pesquisa comme il faut.

Os Assembleianos, considerando todos os ministérios e divisões são o grupo que mais frenquenta o Genizah. Em seguida, os Batistas.

Em determinada questão do instrumento de coleta de dados pedimos para as pessoas marcarem a alternativa que melhor descreveria o formato de sua comunhão principal. Uma das opções disponíveis oferecia possibilidades, entre outras: membro de células, igreja em casa e comunidades. 12,5% das pessoas marcaram esta opção. Eu considerei o percentual bem alto. Não esperava que tanta gente tivesse este tipo de comunhão,primariamente. Devo admitir que há um viés da questão. Embora a formulação da pergunta fizesse uma ressalva entre opções “membros de uma igreja tradicional que tenha células ou grupos pequenos” e “igreja em células”, há a possibilidade de alguns terem se equivocado na sua resposta. Ainda assim, é alto o percentual dos internautas que tem a sua comunhão principal em um arranjo heterodoxo (célula, grupos em casa, formações alternativas, etc.). Deixando claro que o heterodoxo não carrega nenhum preconceito ou crítica, mas tão somente qualifica o que é não é ortodoxo (igreja tradicional).

Os afastados da igreja

Apesar de relevante, o achado anterior só serve para dar peso a uma descoberta ainda mais importante: O alto percentual dos que marcaram a opção “AFASTADO”. Afinal, fica estabelecido que os 7,25% dos respondentes que assim se identificam estão de fato afastados de qualquer tipo de comunhão. São crentes, mas estão afastados da igreja denominacional, seja em que formato ou arranjo for. Ortodoxo ou heterodoxo. Seria uma gente cansada de tudo que lembra uma igreja? Gente ferida pelo corpo institucional? Gente massacrada ou decepcionada com doutrinas? Vítimas da religião? As opções são muitas, contudo repito: São todos crentes. Ainda seguem com Cristo.

Na nossa pesquisa por e-mail com amostra na base dos 1,2 milhão de e-mails buscamos o reforço para este percentual de AFASTADOS. Obtivemos um resultado oferecendo uma boa consistência ao percentual já estimado, mas como disse antes, são muitos os fatores enfraquecendo a metodologia. A amostragem e o método de coleta, entre os principais. Considere que um grande percentual de evangélicos não tem acesso à internet, por exemplo. Contudo, apesar das limitações, temos aqui é um bom termômetro e, o único disponível.

Genizah é um site de líderes.


Agora, imaginem se este mesmo percentual  de afastados se aplicar a massa dos que se declaram evangélicos no país? Seriam milhões. Temos um sinal de alerta, e dos grandes, de que há algo ferindo gravemente o corpo e é tempo de despertar para a questão.

E o que dizer dos 1,25% que se declaram “SEM RELIGIÃO”? O que fazem estas pessoas em tão grande número (150 por dia!) em um site de evangélicos? E mais, os 7,25% “AFASTADOS”, o que fazem em um site de apologética? Estamos falando de um grupo entre 13.000 e 27.000 pessoas apenas entre os leitores do Genizah!

Claramente, estamos diante de fenômenos interessantes. Por um lado, constatamos percentuais relevantes de AFASTADOS e SEM RELIGIÃO em um site de interesse evangélico, indicando gente cansada de Igreja, mas não de Cristo. Por outro lado, não é nenhum disparate afirmar que um percentual ainda mais significativo de irmãos forme um grupo chamado de EVANGÉLICOS NÃO PRATICANTES, cuja quantificação deve ser objeto de pesquisa específica. Para que o leitor tenha uma ideia, da população de 1,2 milhão de e-mails de cristãos de nossa base, a amostra retornou 2,1% de respondentes declarando que são evangélicos, mas não tem comunhão em igreja por 12 meses ou mais. A seguir, as razões principais declaradas, segundo o tipo de pergunta formulada.

Em resposta fechada (múltipla escolha previamente definida): 

Cansei de dar dinheiro e ser enganado por falsas promessas.

Resposta aberta (respondente marca a opção “OUTROS” e declara a sua razão livremente):

Tenho vergonha do que os outros evangélicos andam fazendo (na TV, no rádio, na Igreja XYZ, nos negócios, na política, etc.); ou algo equivalente.

Definitivamente, em nosso esforço, apenas testamos com um dedinho a temperatura do corpo. É apenas um vislumbre de diagnóstico, mas assusta. Se relevarmos a precariedade do exame, podemos dizer que estamos diante da estatística do tecido machucado pelo próprio corpo. Quase nove para cada cem! É o tamanho da cicatriz no corpo da Igreja. Estes são os amputados.

Quantos serão os mortos? Aqueles que nem sequer buscam crescimento, conhecimento da Palavra, refrigério, informação sobre rumos mais seguros. Quantos nem mesmo buscam algum tipo de comunhão em sites e redes sociais de evangélicos? Os que perderam a fé?

Os hoje feridos de morte? Os para sempre NÃO PRATICANTES? Todos são vítimas das práticas predatórias de uma porção cada vez mais significativa da igreja onde as ovelhas são cuidadas por lobos. Estes irmãos feridos e afastados hoje estão vivendo a mornidão da sua fé.


Almas sobre as quais iremos dar conta um dia. Estamos desafiando um Deus Santo!

Há algum consolo? Claro que há. Ao menos 4,7% declararam que deixaram a Igreja (não tendo adotado nenhum outro modelo de comunhão), contudo não desistiram de Jesus.

E mais: Se considerarmos as respostas destes irmãos (AFASTADOS, DESVIADOS, ETC.) não seria de se perguntar o que fazem eles, em tão grande número, em um site cristão? Eu quero crer que mesmo contra as suas declarações, o AMOR por Jesus está presente, mesmo no caso dos que se declaram ateus. O que há nestes casos é uma grande ferida que precisa de bálsamo.

Os sites e blogs apologéticos apontam as feridas da Igreja, os absurdos. Contudo, também tratam da Glória de Deus. E também de teologia, evangelismo, missões, prática cristã, humor cristão e muito mais. São todos assuntos que interessam a quem está na Igreja e a quem não está, mas ama a Cristo. E, vendo por este lado, faz até muito sentido que os irmãos que estão feridos sintam-se atraídos por sites que tratam das “armadilhas” da Igreja moderna de forma direta e sem hipocrisia. Os sites apologéticos tratam dos bandidos e de suas armas, que um dia foram usadas para ferir estes irmãos. Rever o processo do engano e perceber que há o “lado A” deste disco horripilante é consolo e incentivo.

Os blogs e sites apologéticos cresceram muito nestes dois últimos anos, na proporção do aumento dos feridos nesta guerra entre a sã doutrina e a heresia. Contudo, ao contrário de reafirmar a decepção e aumentar a ferida, o que vemos, e constatamos, na pesquisa por e-mail, é que os blogs apologéticos têm ajudado na cura das pessoas. Muitos buscaram outras denominações (com doutrina mais ortodoxa fundamentada na Palavra) ou mesmo igrejas em suas denominações atuais onde a Palavra é o centro e não há lugar para o espetáculo e a profetada. Enfim, onde não se coloca da boca de Deus promessas que nunca foram feitas. Desta forma, muitos irmãos voltam à comunhão.

Os blogs apologéticos servem para expor a ferida, rir da ferida (no nosso caso em especial), indicar o que é bom. Muitos irmãos decepcionados achavam que Igreja era aquilo que viviam no G12, MIR12, na fogueira santa de Israel, nas doutrinas de apóstolos empresários, nos moveres e atos proféticos, nas sementes e unções financeiras, e outros negócios gospel.

Outros tantos entenderam que não foi a sua vida de pecado, ou sua falta de fé que os relegaram a uma vida de decepção e ausência de conquistas. Pode-se dizer, os blogs apologéticos funcionam como vacina, inoculam a praga para propiciar a benção bereana. No primeiro momento o irmão machucado entra, sente raiva do que vê, responde com um chavão do tipo “não toque no ungido”, mas lê. Com o tempo entende o sentido de tudo. Abre os olhos (alguns nos esculacham bastante antes, claro. Risos).

Se alguns irmãos após um período sabático retornam à igreja, desta vez em busca de uma comunhão mais sadia, muitos outros seguem afastados e inalcançados.

Há muito a perguntar. Eu perguntei algumas coisas. Enviei e-mail para alguns respondentes (nestes casos, já sem valor estatístico) deste grupo de irmãos desigrejados.

Mas afinal, quem são os desigrejados?

Desigrejado não é desviado. O desigrejado se afastou do modelo ortodoxo de comunhão (igreja denominacional) e não aderiu a nenhum outro modelo heterodoxo, seja células, igreja em casa, ou ainda comunidades e novos modelos (tipo aqueles que estão reinventando o modelo tradicional de Igreja, depois de tê-lo desconstruído, risos.). O desigrejado tão pouco se desviou de Cristo, tão somente de sua comunidade, não aderindo a nenhuma outra.

E os desviados?

O desviado simplesmente desviou-se da fé. Pode-se presumir que os irmãos que se declaram SEM RELIGIÃO sejam desviados, afinal estão em um site cristão, mas isto não é certo. A maioria dos desviados, seja por feridas adquiridas na igreja, decisão própria ou qualquer outro motivo, está longe da comunhão e, quase certamente, não buscam mídias eletivas de conteúdo cristão.

Na prática, o desigrejado poderia seguir imitando a Cristo, portando sendo cristão, não fosse um pequeno detalhe, risos: Como ser cristão sem o “outro”? Sem a comunhão?  Sem o culto ao Pai, o louvor? O discipulado? Creio ser muito difícil, mas a questão é nevrálgica. Obvia para mim, mas não para todos. Deixemos o tema para outra oportunidade. O que nos interessa é tentar lançar bases para outros esforços. Penso que devemos olhar esta multidão de irmãos afastados da comunhão, a maioria esfriando na fé (feridos, machucados) e, no entanto, buscando a Cristo e algum tipo de comunhão, em sites e blogs apologéticos como uma oportunidade de:

• Reflexão sobre erros cometidos no apascentar das ovelhas, se somos líderes, pastores, bispos, etc.

 Consideração destas doutrinas antropocêntricas, em especial a confissão positiva, que é maligna, pois é uma fábrica de desilusões, desvia a atenção da Cruz para causas mundanas e ainda transforma questões normais da vida em sentimento de inadequação sério, ou desilusão com o Espiritual.

• Reflexão sobre a forma como orientamos o ambiente da comunidade, em especial, se incentivamos o amor entre os membros ou a competitividade.

• Consideração sobre as bases na Palavra que estão sendo dadas aos membros, sem as quais os mesmos ficam sujeitos a ventos de doutrinam ou a fraqueza na tribulação, pois desconhecem as promessas que podem lhes confortar.

• Repensar os modelos de comunhão à luz da tecnologia de informação.

• Pensar no papel crucial da Escola Bíblica Dominical. Seria este o ministério mais importante da sua comunidade, ou a EBD perde fácil em popularidade para o ministério da cantina, do louvor, social, etc.?

• Reflexão e planejamento na direção de trazer estes irmãos para a comunhão.

• Reflexão sobre o caráter profético da nossa missão na internet cristã, lembrando que devemos sempre de nos manter no espirito de Jeremias 1:

Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares.

- Tudo com muita urgência.


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz1AkYhGxBa
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

Mais Lidos

Barra de Vídeos

Loading...

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More