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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

24 setembro 2009

O Evangelho 3G: Grana, Glamour e Gambiarra


“Uma congregação enorme é algo bom e agradável, mas a maior parte das comunidades precisa mesmo é de alguns santos. A tragédia é que pode ser que eles estejam lá, como embriões, esperando ser descobertos, precisando de treinamento eficiente, aguardando ser libertados do culto à mediocridade”- Martin Thornton

Está inaugurada a portabilidade eclesiástica! Vai ter pastor colocando catraca eletrônica na porta do templo, pelo menos assim dá pra saber (contabilizar) se o fluxo aumentou ou (bate três vezes na madeira da cruz…) se diminuiu. Imagine a cena: uma pessoa chega para o pastor e diz: “Pastor, quero mudar pra essa igreja, mas quero ficar com a minha teologia” – eis a porta(dos fundos)bilidade da fé.

O evangelho 3G chegou pra ficar! Grana, glamour e gambiarra. Agora vai! Só não sabemos pra onde… O problema maior é que os crentes/clientes do balcão da religiosidade tresloucada pós-moderna vão ficar cada vez mais chatos. Para aquela perguntinha do apóstolo Paulo aos Gálatas 3.1: “Quem vos fascinou?”, a resposta hoje será um uníssono: “a portabilidade!”.

O evangelho 3G tem a seguinte configuração:

Grana: O evangelho 3G é o evangelho do moneycentrismo. Você vale o que seu bolso determinar. Se você tem dinheiro, ah, “o céu é o limite”, você pode tudo! O evangelho 3G tem horror a pobre. É a teologia Caco Antibiana! Detesta “ofertinhas” e “viuvinhas”. Tem alergia ao diminutivo. O negócio é a “reunião dos empresários”, a “unção da prosperidade” e o “voto faraônico”. A sua trindade é assim: Lucro, Consumo e Prosperidade. Coitados dos que recebem o famigerado salário mínimo…

Glamour: O evangelho 3G é o evangelho da ostentação, do luxo. Das revistas imitando pobremente a “Caras” (aí fica “Faces”, pra dar uma de crente), aos pastores e pastoras “emergentes” (aqueles “papagaios de piratas” que não perdem uma noite de autógrafos). Eles adoram aparecer na TV. São viciados nos holofotes. Já não andam de carro (principalmente no trânsito eterno de sampa), eles têm helicóptero, chiques não? É o evangelho Dolce Gabana, Daslu, Armani e cia. Coitado do Jesus dos evangelhos, com aquelas sandalinhas de couro… ninguém merece…

Gambiarra: O evangelho 3G é o evangelho da maracutaia. É a igreja de Simão (um mágico safado que percebeu a possibilidade marqueteira e quis “dar uma de esperto” pra cima dos apóstolos – At. 8. 9-20). É a teologia canalha que, em nome de Deus, vai “profetizando” seu estelionato religioso. O evangelho da gambiarra é baseado na lei fundamental da pilantragem: você é um trouxa; eu sou o profeta que vai dar a você a chance de ser alvo da minha esperteza! Você nasceu pra ser iludido; eu, pra iludir – o mundo é maravilhosamente ordenado! Coitados daqueles irmãos que acreditam numa coisa chamada “caráter...

Esse é o Evangelho 3G. Eu até queria escrever mais… só que tô me sentindo péssimo… desculpe, é que a vontade de vomitar é grande… vou correr pro banheiro…


Fonte: Alan Brizotti via http://alanbrizotti.blogspot.com

22 setembro 2009

Irmão ET?


Você acredita que há vida inteligente em outros planetas? Se não, seja por que razão for, você faz parte de um grupo, cada vez menor, de céticos e ortodoxos quanto ao tema. Para se ter uma idéia, até a Sé de Roma, considerada uma das instituições mais conservadoras do nosso mundo, rendeu-se, recentemente, a teoria de que existe sim, vida em outros lugares do universo.

A declaração pública foi feita pelo padre jesuíta José Gabriel Funes, chefe do Observatório Astronômico do Vaticano. Em sua entrevista ao jornal L’Ossevatore Romano, o padre afirmou: “assim como consideramos as criaturas terrestres como irmãos e irmãs, por que não podemos falar sobre um irmão extraterrestre? Seria também parte da criação", argumentou.

Fiquei matutando sobre a notícia... Desde a adolescência acredito que há vida em outros planetas. O tema para mim sempre foi tão real que, aos treze anos de idade, escrevi um livro de ficção científica que tratava destas questões.

Abrir-se a estas percepções, ao contrário do que muitos pensam, não é pecado! O problema é que nós “evangélicos” convencionamos desacreditar de tudo aquilo que a Bíblia, de forma explícita, não fale, como se as Escrituras se prestassem a ser um livro de “anatomias do cosmos”, e não uma carta de amor endereçada aos humanos caídos para permitir-lhes compreender qual é o significado que há em existir.

A verdade é que a igreja, e isso não é de hoje, sempre teve medo de discutir, aberta e corajosamente, questões polêmicas. Isto se deve principalmente ao fato de que nós cristãos, de forma muito presunçosa, acreditamos poder ter a palavra final em todos os assuntos, como se apenas o que crêssemos fosse expressão exata da realidade.

O mundo pós-moderno, entretanto, não pensa nem funciona assim! Talvez seja justamente por isso que no pontificado de Bento XVI têm-se dado tanta ênfase a que se encontrem, cada vez mais, pontos de contato entre fé e razão. E nós “reformados” imaginamos ser a vanguarda da fé...

Digo o que creio: é bem provável que haja sim, em outros planetas, ou em outros sistemas, ou em outras galáxias, vida inteligente. Acharmo-nos os únicos habitantes de todo o universo revela o quanto somos prepotentes e egocêntricos, pois resume a capacidade de Deus criar vida apenas em nosso mundinho. Ora, você acha mesmo que eu e você somos o melhor do que Deus podia fazer? Mais menino!?...

Numa questão, todavia, eu, mui modestamente, permito-me discordar do padre Funes. É que, no meu entendimento, para que eu possa chamar o ET de “meu irmão”, preciso antes satisfazer alguns pressupostos.

Logo na partida, temos um problema enorme: a falta de prova material sobre o fato de existir ou não algum tipo de consciência fora da Terra. Isso por si só já nos deixa profundamente limitados sobre muitas possíveis conjecturas. Por exemplo, não temos como fechar questão se a “queda” foi um fenômeno restrito apenas a este planeta e aos seres que aqui vivem, ou se ela teve implicações e desdobramentos outros, para muito além de nossa possibilidade de ver e compreender. A “queda” pode, inclusive, ter sido um evento universal, não obstante nossa percepção sobre ela ser apenas global.

Como o assunto é polêmico e complexo, ficando, inclusive, fora do meu universo de conhecimento, quero apenas me enxerir e pontuar três questões.

Em primeiro lugar, para chamar o ET de irmão, preciso saber se ele, em algum momento de sua existência, compreendeu o significado do amor. Sim, creio que isso é imprescindível porque aquele que não ama não é nascido de Deus e também não conhece a Deus. A descoberta mais importante, na vida de um humano, se dá quando ele compreende que o Infinito, movido por um amor inexplicável, tornou-se Homem, pois tinha como objetivo redimir-nos de toda a culpa e também do medo da morte. Isso dá a nossa existência, e a qualquer outra, um novo significado e propósito, pois, sem amor, de que adiantaria existir?

Em segundo lugar, para chamar o ET de irmão, preciso saber se ele, como eu, tendo experimentado a “queda”, foi também “sepultado com Cristo”, pois a Cruz de Cristo é uma “Cruz Cósmica”, universal, que em nosso mundo ganhou materialidade histórica na Cruz do Calvário. É a partir dela que emana o poder, independentemente de lugar, tempo ou forma de vida, para que se possa reconciliar o que um dia foi criado com o Criador.

Se algo neste universo, seja porque razão for, afastou-se dos propósitos do Eterno, esse algo pode, através do sacrifício do Cordeiro, que foi imolado antes da criação de todos os mundos, ser pacificado e apaziguado com o Deus de Toda a Graça. Jesus, na Cruz do Calvário, atraiu para si mesmo todas as coisas, tanto as visíveis como as invisíveis, de tal forma que tudo o que existe só existe, de fato, a partir dEle e, fora dEle, nada é capaz de ser.

Em terceiro e último lugar, para poder chamar o ET de irmão, tenho de partir do pressuposto de que ele faz parte da “Família de Deus”, ou seja, não é apenas um ser criado, mas obteve, através do poder que é outorgado pelo Espírito Santo, a possibilidade de ser chamado Filho de Deus.

De fato, todos os seres vivos que habitam em nosso planeta são meus irmãos e irmãs, do ponto de vista sociológico, mas não do ponto de vista teológico. Desta perspectiva, irmão em Cristo é, apenas, aquele que “nasceu de novo”, da água e do Espírito, que teve o ser pacificado pela graça e a consciência apaziguada pela justiça que procede da fé. Sim, estes foram ressignificados na existência, enxertados na Videira, tiveram seus nomes escritos no Livro da Vida e ganharam o direito a vida eterna.

Se estas três questões forem satisfeitas, não só pelos ET’s, mas por qualquer outro tipo de criatura que exista, creio poder então irmanar-me com ela, seja neste mundo, seja em outro, seja nessa vida, ou na que ainda há de vir.

Por fim, não vá se assustar se numa noite dessas você avistar um disco voador parado, quem sabe, no quintal da sua casa. Tenha calma, não fique alarmado. O “OVNI” pode ser da paz! Se tiver oportunidade de entrar na nave, faça isso com cautela, e veja se a “moçada” que está lá é do Senhor. Em caso afirmativo, relaxe, fique a vontade, e não esqueça de saudar os “irmãos” com a paz do Senhor!

Agora, se a “Etzada” estiver reunida num culto ou coisa afim, não se escandalize, sobretudo se eles estiverem ouvindo música gospel e assistindo o Silas Malafaia! É que irmão, tem coisas que parecem ser aqui da Terra, mas, no fundo, são mesmo é do outro mundo...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

10 setembro 2009

Um Banho de Simplicidade


Como de costume, estava saindo às pressas para o escritório. Mal deu tempo de engolir o almoço e lá estava eu, de volta a maratona minha de cada dia.

Na saída do prédio, entretanto, algo me fez parar. Eu moro num edifício antigo, daqueles que possuem poucas unidades. Mas, confesso, não tenho do que me queixar. O bairro é bom, o espaço é ótimo, com cômodos amplos e bem divididos. Já a Gabriela, não sei...

Gabriela é minha filha de apenas 4 anos. Tenho dúvidas se para ela nossa aquisição foi boa. O motivo é simples: o prédio não tem parquinho, piscina, nem salão de festa. Apenas um pilotis cimentado e amontoado de carros com uma pequena área na entrada.

Pois bem, com tantas “deficiências”, levando-se em consideração os modernos arranha-céus que existem ao redor, a Gabi não parecia nem um pouco insatisfeita. Naquela tarde, colocou no pequeno espaço que havia entre a guarita e um carro sua “piscina” para se divertir. Aliás, chamar aquele artefato de piscina é um despropósito. Na verdade, tratava-se de uma antiga bóia que ela utilizava quando tinha meses de vida para brincar com a água.

Ao contrário de tudo que se possa imaginar, levando-se em consideração tanta “precariedade”, a pituca se esbaldava dando gritos de alegria e risos soltos no ar. Batia com as mãos na água, que se esparramava pra todo lado, e me mandava beijos de despedida.

Sem dúvida, uma cena arrebatadora. Pensei comigo mesmo por alguns instantes: tanta felicidade, com tão pouco. Como a Gabi pode estar tão feliz com apenas uma bóia e dois palmos de água? Na verdade, naquele dia, minha filha me deu um banho de simplicidade. Ao contrário do que eu imaginava, a piscina não era algo tão determinante para ela...

A vida moderna acabou por criar uma série de demandas de coisas que, não raras vezes, são totalmente dispensáveis na nossa lista de imprescindíveis. Constatei isto depois do episódio da “piscina”, numa análise, mesmo que simplista, sobre algumas coisas que julgava ser fundamentais no meu dia-a-dia.

Para se ter uma idéia, na minha lista passou desde alguns gêneros alimentícios até o uso de eletrodomésticos. Fiquei intrigado em ver que algumas coisas que eu realmente achava fundamentais acabaram não sendo assim tão importantes... Durante todo aquele dia continuei meditando e, para minha surpresa, vi que a lista começava a ter proporções cada vez maiores, cabendo, inclusive, até alguns eternos “sonhos de consumo”.

O que é mesmo necessário para se ser feliz? Paulo escrevendo a seu filho na fé Timóteo parece ser sintético demais. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”. I Tm 6:7-8. Ora, dizer isto nos nossos dias soa como uma verdadeira aberração. Como se pode viver sem um telefone celular? E o ar-condicionado? Neste calor! Impossível. Você já imaginou o que seria de sua vida sem uma televisão? E banho quente, já pensou? Imagina tomar um banho frio no final de um dia de trabalho? Inadmissível! Será?

Impressionante mas, até a metade do século XX, boa parte destas coisas que eu mencionei como imprescindíveis à vida sequer existiam no Brasil. E isto há apenas 60 anos atrás. Será que as pessoas daquela época eram menos felizes do que nós somos?

Fico imaginando se Paulo escrevesse o mesmo texto hoje. Penso que, talvez, ele refletisse uma outra realidade. Como sabemos, a cultura sempre teve grande influência sobre o texto bíblico. Por isso, é bem provável que no nosso contexto algumas outras coisas realmente tivessem que ser acrescentadas para se poder viver a vida com dignidade. Mas, provavelmente, a nova lista continuaria a nos surpreender pela simplicidade.

Boa parte dos problemas que chegam aos gabinetes pastorais está relacionada com questões financeiras. Nós vivemos oprimidos por um forte apelo de consumo, seja de bens, de serviços, ou de gêneros alimentícios. A propaganda e o marketing são capazes de realizar maravilhas. Um consumidor menos precavido é sutilmente conduzido a se endividar realizando a compra de algo que, a primeira vista, parecia indispensável. Ao depois, entretanto, acaba se juntando a uma dúzia de outras coisas sem grandes utilidades.

Na verdade, a concupiscência dos olhos parece ter ganhado seu maior significado na sociedade pós-moderna. Ë muito apelo! Televisão, jornal, letreiro, stand, internet, vitrine, folder, e uma infinidade de outros instrumentos de comunicação estão sempre ávidos por encontrar os olhares cobiçosos de consumidores cada vez mais despreparados para comprar. Além do mais, para se levar tais “bagatelas” para casa não se precisa nem ter dinheiro! Tem cartão, crediário, cheque pré-datado, nota promissória, carnê e, se mesmo assim não der, você pode fazer um empréstimo bancário a taxas de juros extraordinárias; para os banqueiros, é claro.

Será mesmo que eu preciso disto? Será que esta é a melhor hora para fazer isto? Será que vou ter condições de pagar por esta aquisição? Perguntas tão óbvias, que poderiam evitar tanto sofrimento, mas que são, desgraçadamente, esquecidas na hora de se comprar algo ou de se fazer alguma despesa.

Fico impressionado como o tema “problema financeiro” tem uma alta capacidade de destruição. Famílias podem ser arrasadas como conseqüência de uma má administração econômica. Relacionamentos conjugais podem “virar sopa” por conta de descontroles e irresponsabilidades. Viver com dívidas é como viver no inferno. É uma tormenta da hora em que se levanta até a hora em que se vai dormir. Não há nada pior do que acordar com o telefonema de um gerente de banco dizendo que a conta está descoberta. Lembro-me de Paulo quando diz “a ninguém fiqueis devendo coisa alguma exceto o amor...” Rm. 13:8. Não tenho dúvidas de que o apóstolo queria nos poupar de tristezas e dissabores.

Você já olhou sua lista de imprescindíveis? Será que tudo que está nela é de fato indispensável? Vejo que as Escrituras Sagradas nos instam a um viver simples. Por isso Jesus recomenda buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus. Sim, Ele nos garante que “as outras coisas” nos serão acrescentadas. E o que é o Reino de Deus? Diz Paulo: “não é comida nem bebida”, mas “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Rm. 14:17. Ou seja, não é constituído de coisas, mas de valores. A felicidade não está baseada no que se tem, mas em quem se é.

Gosto do pensador de Eclesiastes quando ele diz:”Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho... Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol”.

Sim, ele fala de simplicidade. Não inclui o carro do ano, o apartamento de cobertura, a banheira de hidromassagem, o DVD, o microondas, o notepad, o celular, o i-pod, e tantos outros “imprescindíveis” dos nossos dias. Mas ensina a comermos com alegria, coisa que muitos de nós já não sabemos o que é. Cita o pão como elemento que expressa a graça de “cada dia”, como no pai-nosso, e o vinho como simbolização do prazer de se poder apreciar o que é bom e o que faz bem. Fala também da mulher amada, numa clara demonstração do prazer que há na conjugalidade, e é só. Só isso? Sim. Não precisa de mais nada. Esta é a nossa porção. É tudo o que precisamos. O resto está nas “outras coisas”, que não são essenciais e que, por assim ser, nos “serão acrescentadas”.

Quero viver dias melhores. Quero poder ver minha filha crescer com valores diferentes. Nunca mais me esquecerei do seu sorriso naquela tarde em que eu estava tão apressado para ir para o trabalho. Muitos negócios me esperavam. Coisas urgentes, telefonemas, contas para pagar. Mas uma bóia com dois palmos de água me fez refletir que a vida é mais do que o que eu tenho vivido. Obrigado Pai pela preciosa lição que a Gabi me ensinou. Ensina-me a viver com o pouco e a ser grato pelo muito que tens feito em minha vida.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

04 setembro 2009

Me Perguntaram quem é Jesus?


Entender quem foi esse personagem tão misterioso e paradoxal só é possível descobrindo primeiro quem ele não foi.

Em primeiro lugar, Jesus Cristo não foi um revolucionário no estilo marxista-leninista do termo. Em momento algum, para a decepção de alguns, ele criticou a “burguesia” defendendo o “proletariado”.

Jesus Cristo procurou ajudar os pobres por compaixão, mas não creditou ao sistema a miséria do mundo. Nunca se rebelou contra as autoridades políticas, embora conhecesse as suas inconsistências como o demonstrou muitas vezes.

Em segundo lugar, Jesus Cristo não foi um mito criado a partir da história de Hórus, deus egípcio filho de Ísis e Osíris. Apesar das semelhanças literárias entre as duas histórias e outras mais, a figura do nazareno é diferente das demais.

Por quê? Você perguntaria. Porque em Jesus Cristo o elemento ético aparece de forma clara, coisa que não se verifica nas demais histórias. Krishna, por exemplo, que tem “uma ficha” muito parecida com a de Cristo (nascendo de uma virgem e tudo mais), tinha 6 000 amantes, coisa que não se verifica no nazareno.

É bem verdade que tentaram casar Jesus Cristo com Maria Madalena, mas isso é coisa da Margareth Starbird e do Dan Brown e não da história que se desenrolou na Palestina. Os profetas judeus, em geral, eram celibatários, embora houvesse exceções.

É possível que Jesus não tenha sido nem de longe aquilo que o cristianismo ocidental fez dele, mas também é fato que ele não foi uma mera construção mitológica como deseja o documentário Zeitgester. Um mero mito dificilmente dividiria a história do ocidente em duas partes como fez Jesus.

Além do mais, é bom lembrar que a historicidade do Cristo é testemunhada por Tácito (60-120), decano dos historiadores romanos que liga o nome dos cristãos a um certo “Christus”, que no reinado de Tibério (42 a.C. – 42 d.C.) sofreu a morte por sentença do procurador Pôncio Pilatos, como observou Earle Cairns.

Outros personagens ilustres e historiadores como Plínio e Suetônio também fizeram menção a historicidade de Jesus, portanto, o fato da sua existência histórica é indiscutível. O Cristo andou nesse mundo, teve endereço e familiares, foi um ser humano como os demais.

É interessante notar também as semelhanças entre Jesus Cristo e Sócrates. Ambos foram considerados santos pelos seus discípulos, não escreveram nada com o próprio punho e foram condenados injustamente. Contudo, é raro ver alguém duvidar da autenticidade histórica de Sócrates, mas quanto a Jesus a história é outra, por quê?

Autores como Charles Dawkins e companhia limitada são analfabetos teológicos que sentem prazer em impressionar as pessoas com interpretações equivocadas da Bíblia. Pousar para a foto como ateu confesso sempre trouxe popularidade aos espertalhões.

Quanto a mim, não desejo fazer nenhum tipo de apologia a qualquer tipo de religião, muito menos a cristã, que sobrevive sem a minha ajuda a mais de dois mil anos. Aliás, não sou muito chegado á religião institucionalizada, mas também não tolero imbecis que vivem para denegrir fatos e pessoas que não conhecem.

Afinal de contas, quem é Jesus? Não sei exatamente, mas tenho a impressão de que o nazareno, como observou Jung, é um arquétipo, um pensamento fundante com o qual nos deparamos toda vez que somos invadidos por um sentimento religioso ancestral. Jesus é o ativador da nossa consciência em relação a Deus.

André Pessoa

Crime Existencial


Em Gn 3:15, Deus faz uma afirmação, da qual, nem sempre, nos damos conta: de que a inimizade da serpente seria para com a mulher.

A serpente configurava Satanás e a mulher configurava a Igreja, que traria Cristo ao mundo.

Mas, para além das configurações, que falam do enfrentamento da Igreja do Antigo e do Novo Testamento para trazer o Cristo, primeira e segunda vez; nesse texto, Deus reinventa a maternidade. O que era, apenas, a forma como nos multiplicaríamos, passou a ser a única esperança da humanidade. Duma gravidez especial viria o salvador. Toda a esperança da humanidade repousava no útero de uma mulher.

Mas a mulher pagaria um alto preço, teria como seu inimigo o anjo rebelde.

Os homens entrariam nessa briga por serem descendentes da mulher. Mas, a briga principal era com ela, para impedir a vinda do ungido.

Talvez, isso explique porque a vida da mulher tem sido um inferno em todas as culturas. Os homens, que deveriam ser aliados das mulheres, protegendo-as dos ataques do maligno, mudaram de lado e colaboraram com essa caçada por tempos perdidos na memória.

De todas as manifestações dessa tentativa de destruir a mulher, fazê-la prostituta, talvez, seja a pior. E, às vezes, se faz isso dentro do casamento, porque prostituição é mais do que troca de sexo por dinheiro, é o aviltamento da mulher – há culturas onde isso está institucionalizado por meio do harem - em outras pela poligamia – noutras pela permissão velada a profusão de amantes ou aventuras. E, também, se faz isso quando a mulher é convencida que sem sexo não há relacionamento possível.

Em qualquer tipo de prostituição a mulher não conta como ser humano, apenas como fonte de satisfação masculina: quanto mais serviçal, melhor! Ela não existe mais! O que existe é o macho em sua volúpia querendo satisfação plena e sem questionamento. E a única razão da existência da fêmea se sustenta em sua capacidade de dar prazer ao macho. Ela não vale pro si, vale por ele.

A gente não combate a prostituição como pecado moral, combate-a como crime existencial, porque a alma da mulher é devorada e o que resta é a sua capacidade de satisfazer a uns e enriquecer a outros: homens que a usam e exploram a seu bel prazer.

Os Céus revoltam-se, a prostituição amesquinha a mulher e insulta a Deus, que, com a mulher, fez um pacto especial, fazendo dela a portadora da esperança da humanidade, não só por trazer o Cristo, mas por ser, na maternidade que carrega no coração, a certeza de que Deus continua investindo na humanidade.

Ariovaldo Ramos

02 setembro 2009

Espelho, Espelho Meu: Que Tipo de Homem sou Eu?


Afinal, o que é ser homem?

Desde 1990, no Brasil, existe uma discussão acerca da crise de masculinidade, a exemplo do que aconteceu em outros países do mundo, em décadas anteriores. Nesse contexto, variadas questões tem sido suscitadas por sociólogos, antropólogos e psicólogos, tais como: qual o perfil do homem moderno? Que papel ele deve desempenhar na família? Qual a sua relevância na sociedade?

Na verdade, as últimas décadas do século XX não foram fáceis para os homens. Com o avanço do feminismo, a partir da década de 1960, somado as profundas transformações globais, sobretudo no campo econômico-social, o “poder” dos homens diminuiu consideravelmente. Mulheres do século XXI podem, simplesmente, optar em não ter um em casa afinal, elas estudam, trabalham e produzem tanto ou mais do que eles.

Por outro lado e, diferentemente do que alguns possam pensar, não foram às conquistas femininas que desencadearam a dita crise de identidade, mas, indubitavelmente, o que a tornou visível. Para Nolasco, esse problema está associado a valores sociais que transcendem, e em muito, a dimensão do indivíduo. Por isso, o “homem” dos nossos dias está em busca de se diferenciar do padrão de masculinidade que foi socialmente para ele estabelecido.

De fato, o estereótipo do machão, baseado no trinômio força, poder e virilidade, está em declínio absoluto. Aquele ser insensível, vingativo, arrogante, cínico, exibicionista, voltado para a ação em detrimento dos sentimentos e incapaz de controlar seus desejos, está completamente desajustado às demandas modernas.

Segundo Goldenberg, o modelo do “homem” machão está mesmo em crise, mas poderá sobreviver ainda que coexistindo com outras formas de se ser ”homem”. Foi nesse ponto que minha curiosidade se aguçou e me veio o desejo de conhecer que outras formas são essas. Fui pesquisar...

Para quem não está satisfeito em ser um “homem” do tipo machão, poderá escolher ser um metrossexual. Trata-se de um empreendedor que vive nas grandes cidades e se preocupa com seu aspecto visual. Segundo os especialistas, o metrossexual vai assiduamente ao cabeleireiro, onde trata o cabelo com banho de óleo, xampus especiais e chapinhas, faz bronzeamento artificial, freqüenta clínicas de embelezamento, para hidratamento da pele e depila-se. Malhação, através de academias de ginástica, também é outro item indispensável.

Se este tipo de “homem” não satisfaz, pode-se ainda tentar ser um übersexual. De acordo com as últimas pesquisas, são estes que hoje fazem mais sucesso entre as “mulheres”. O Urban Dictionary, que reúne expressões e termos coloquiais, afirma que "über" significa "acima" em alemão, e seu equivalente em inglês seria "super". Contudo, o übersexual não é uma máquina de sexo. Ele na verdade está mais preocupado em resgatar aquela masculinidade que foi perdida, mas sem se voltar ao primitivismo dos machões.

O übersexual é aquele que confia em si mesmo sem se tornar detestável. Ele possui um aspecto masculino e um estilo próprio, pois está determinado a alcançar altos níveis de qualidade em sua vida. Esse “homem do futuro” é apaixonado por seus interesses e tem seus sentidos abertos aos estímulos que recebe. Entretanto, ele não representa uma mudança drástica em relação ao metrossexual, uma vez que também se preocupa com a imagem pessoal e, por isso, vai às compras, sem, todavia, ser narcisista e egocêntrico.

Quero parar aqui para lhe fazer, caso você seja homem, uma proposição – pergunte-se: espelho, espelho meu, que tipo de homem sou eu? Um machão, antiquado e primitivo? Um metrossexual, preocupado com a aparência e a performance? Ou, quem sabe, um übersexual, sensível, mas sem descuidar do corpão?

Fugindo do espírito crítico sobre qualquer das opções que os homens desejem fazer para as suas próprias vidas, quero, todavia, apresentar-lhe mais uma alternativa. Adianto, entretanto, que ela não está na moda, e vai requerer padrões bem diferentes dos acima expostos. Todavia, para mim, é a única que pode nos levar a experimentar, na dimensão correta, aquilo que Deus planejou para a vida dos homens na terra.

“a fim de que o HOMEM DE DEUS seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." 1ª. Tm. 3:17.

Permita-me mostrar-lhe algumas das características mais marcantes deste tipo de homem. Homens de Deus falam pouco, não pelo fato de não ter o que dizer, mas porque desenvolveram o precioso dom de saber ouvir. Quem aprende sobre o silêncio já nem precisa de palavras para se fazer entender, ou mesmo para se expressar.

Homens de Deus são mansos, mesmo indo contra a natureza própria dos machos, que é ser vigoroso. Ao invés de buscar delimitar espaços, firmar posições ou estabelecer valores, aquietam-se e esperam pacientemente a ação de Deus. Essa dependência, vamos e convenhamos, é desconcertante. Levá-los a ira ou tirá-los do sério é algo impossível. Eles são capazes de ser ofendidos sem revidar. Em discussões, buscam o apaziguamento e em momentos de tensão, se mantém serenos.

Mesmo que não pareça a primeira vista, Homens de Deus são contagiantes. Eles brilham por onde passam. Facilmente você reconhecerá um quando o vir, não por causa de sua roupa extravagante, ou de seu corte de cabelo-última-moda. Não será por causa de seu físico avantajado, e nem mesmo pelo seu bronze de verão. Na verdade, é a sua discrição que acaba por acentuá-los além do banal e corriqueiro. Eles destilam compaixão, possuem olhos cheios de esperança, são dotados de gestos de misericórdia e tem o coração cheio de amor e gratidão.

Tenho observado que os homens de Deus fazem coisas inacreditáveis e, não raras vezes, até absurdas. Dificilmente você os verá defendendo suas convicções pessoais. Eles abrem mão de ganhar uma discussão com vistas a poder ganhar a pessoa. Creiam-me, homens de Deus são especialistas em ceder os seus direitos a outros e, mesmo que isto pareça surpreendente, dizem viver melhor assim.

Chama-me a atenção o fato de que os Homens de Deus estão sempre em busca de reconhecer os seus erros. Eles esquadrinham e averiguam os seus próprios caminhos. Por isso, não se surpreenda se eles lhe procurarem para lhe pedir perdão numa questão em que você jamais teve qualquer razão. É que os homens de Deus são humildes e, para eles, viver em paz com as pessoas e com sua própria consciência é mais importante do que o tolo prazer que há nas pseudo-vitórias em mesquinhas demandas. Ademais, eles entendem que a responsabilidade pelo restabelecimento de vínculos afetivos está sempre sobre aqueles que são mais maduros ou estão em posição de maior autoridade.

Mesmo contra toda lógica humana, homens de Deus buscam aprender o valor que há na perda, no abandono e na desistência. Isto acontece porque eles constataram que este é o caminho mais curto para uma vida simples, cheia de graça e paz. Por isso, da dor, tiram força; das tragédias, ensinamentos; dos problemas, experiências. Homens de Deus são frágeis como vasos de barro, moldáveis nas mãos do oleiro. Eles são dóceis como crianças e leves como a brisa de fim de tarde.

Num mundo sem heróis, sem referências, sem moral, ou ética, homens de Deus são verdadeiros oásis no deserto. Você certamente discernirá Jesus olhando para eles. Por isso, não se surpreenda se desejar imitá-los, pois eles imitam ao Senhor e são, sem dúvida alguma, Sua expressão mais fiel entre os humanos caídos.

Homens de Deus estão longe de ser politicamente corretos, pois, para eles, o que interessa é a verdade. Sim, eu sei, a verdade tem um custo, é bem verdade, mas, para eles, não custa nada falar a verdade. Ela é como um perfume bom, que inebria todo ambiente; é como o sol ao meio dia ou chama que não se extingue. Homens de Deus optam por falar a verdade porque entenderam que a mentira é pecado próprio apenas quando se é criança.

Homens de Deus são apropriados para as mulheres, pois, de fato, elas estão fartas dos machos. Estes, tragicamente, tornaram-se seres insensíveis, insípidos e até insalubres. Machos tendem a se tornar machões, e os machões, invariavelmente, não passam de crianças. Mulheres gostam de crianças, mas, em se tratando de conjugalidade, preferem homens. Também tenho dúvidas se os metrossexuais ou os übersexuais poderão satisfazê-las. Minha percepção é que eles fazem muito sucesso com adolescentes, mas, em se tratando de mulheres de verdade, acho pouco provável.

Homens de Deus são sacerdotes do lar e não apenas seus provedores ou financistas. Eles olham para a esposa como a parte mais nobre, mais digna, e que precisa de mais atenção. Mulheres casadas com homens de Deus verão que eles vão se aprimorando a cada ano, pois quanto mais velhos ficam, melhores se tornam, e isso acontece porque, com o tempo, mostram-se mais sensíveis e atentos às suas necessidades.

Homens de Deus são incapazes de tratar uma mulher com rispidez ou desonrá-la em qualquer circunstância, seja por uma crítica mordaz, ou mesmo em relações extra-conjugais. Digo com certeza: mulheres casadas com homens de Deus são as mais felizes e seguras que existem. Elas não temem os cabelos brancos, rugas ou celulites. E Sabe por quê? Compreenderam que são amadas por aquilo que são, e não por aquilo que os cosméticos ou a plástica as faz parecer ser. Descobriram que o que prende o coração de um homem de Deus é o conteúdo, e não o invólucro.

Homens de Deus são assim porque eles são cheios de Deus! São construtores de altares, nos quais derramam a própria vida para alegrar aquEle que dá sentido e significado ao fato deles existirem. São habitantes de tendas, e por isso podem mudar facilmente de um lugar para outro, conforme o sopro suave e bendito do Espírito Santo.

Ah, que falta faz, nessa sociedade que vivemos, homens de Deus. Confesso que gostaria de vê-los aos milhares, sobretudo nestes dias onde os "machos" apenas se satisfazem em seguir scripts. Com mais de quarenta anos, creio já ter me tornado um homem. Minha oração, entretanto, é que o Espírito Santo vá produzindo em mim, mesmo que lentamente, princípios e valores que me permitam, um dia, chegar a ser um homem de Deus.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

Oficina de Vidas


INTRODUÇÃO

Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de carro. Oficina, então, nem se fala! Vá entender... Gosto de quase tudo que tem quatro rodas, mas o Jipe sempre foi o meu “xodó”. Quando comprei o primeiro, passava horas com ele no mecânico. A coisa chegou a um estado tal, que Fabiana uma vez me disse que eu estava ficando mais tempo na oficina do que com ela em casa.

Sempre gostei de cuidar de carros e acabei desenvolvendo outra paixão na vida: cuidar de gente. Mas é fato que trata-se de coisas totalmente diferentes. Carro se machuca, arranha, amassa, quebra uma peça, mas sempre tem jeito! Com grana e uma boa oficina pode-se até, num curto espaço de tempo, transformar uma velharia num hot rodes.

Mas com gente é diferente. Gente quando “arranha”, “amassa”, ou “quebra” dá um trabalho enorme para “recuperar” e, não raras vezes, o problema é tão grave que a “perda é total”.

Você já pensou numa oficina que cuidasse de vidas? Imagine o cliente chegando e sendo recebido pelo “mecânico” da alma que diria: “é patrão, vamos ter de arriar todo esse egoísmo, que já rodou bastante, e colocar no lugar dele dois litros de generosidade. Também vou ter de substituir essa mentira aqui, que como se pode ver já está bastante gasta, por aquela verdade ali, novinha em folha”.

Que bom seria se fosse assim! Mas não é. Gente dá trabalho. Gente tem insegurança, insensatez, implicância, intemperança, intolerância, indolência, e tanta coisa ruim que a gente só acredita que gente tem jeito porque a gente é gente. E dá trabalho cuidar de gente; e como dá... Mas não há nessa terra tarefa que seja mais inspiradora e, no meu entender, que seja tão prioritária.

UMA “PAIXÃO” DENTRO DA PAIXÃO

Quando olho para Jesus, vejo essa verdade expressa em cada gesto e em cada palavra, pois, de fato, o Mestre gostava de gente. Gente doída, gente perdida, gente caída, gente excluída, gente que não se achava gente, gente que perdeu a referência do que era ser gente, gente que ignorava outra gente, gente de todo tipo e gente de toda gente.

Jesus vivia rodeado de pessoas. Com elas celebrou a vida e, por causa delas, a própria vida doou. Mas também experimentou nas suas relações a tristeza, a decepção e a dor. Para mim, a encarnação nada mais é do que Deus se deixando traduzir. Deus, agora, não é mais somente Deus, mas também é homem, bem próximo a nós. Podemos vê-Lo na esquina, entre uns e outros. Ele vai à casa do publicano e senta-se na roda dos pecadores. Conversa com a prostituta e come na mesa do coletor de impostos. Num momento está numa festa e, no outro, partilhando da dor solitária de um aleijado esquecido. Alegra-se no casamento, e chora no enterro do amigo, acolhe carinhosamente as crianças e expulsa o demônio que atormenta o endemoninhado.

Verdadeiramente, a paixão daquele Galileu, era gente...
A vida de Jesus foi “gasta” com pessoas, sobretudo, os três últimos anos. Ele investiu todo o tempo de que dispunha na tarefa de fazer discípulos e, mesmo não tendo inventado o discipulado, discerniu-O como algo eficaz e aplicou-O como estratégia no ministério. No fundo, Ele criou uma oficina de vidas, pois, no que diz respeito à “consertar” gente, nunca houve ou haverá alguém melhor do que Jesus.

QUEBRANDO PARADIGMAS

Mais o que é mesmo discipulado? Ora, para tentar refletir um pouco sobre o tema, vou primeiro lhe dizer, o que eu acho que não é.

- Discipulado não é uma reunião de pessoas, mas a união de pessoas que se reúnem;

- Discipulado não é apenas abrir a casa para uma reunião, mas abrir a vida para a comunhão;

- Discipulado não é algo que acontece num dia da semana, mas, numa semana, todos os dias;

- Discipulado não termina quando a reunião acaba, pelo contrário, começa;

- Discipular não é passar a vida ensinando a bíblia, mas, no ensino da bíblia, passar a vida;

- Discipular não é apenas ensinar o que se aprende, mas viver o que se ensina;

- Discípulo não é alguém que quer apenas fazer discípulos, mas, antes de tudo, ser discípulo;

- Discípulo não é alguém que freqüenta a sua casa, mas aquele que partilha com você a sua vida;

- Discipulador não é aquele que apenas aceita o chamado do pastor, mas que compreende a comissão do Senhor;

- Discipulador não é um cargo que se assume na Igreja, mas um encargo que se assume na vida.

Tenho trabalhado com discipulado há mais de 20 anos. Neste período, no nosso país, observei, pelo menos, 4 “tipos” dele sendo implementados nas Igrejas.

1- DISCIPULADO COMO UM SISTEMA DE MANIPULAÇÃO

É um tipo de discipulado onde o discipulador exerce forte influência na vida de “seus” discípulos sendo que, em muitos casos, a relação torna-se, perigosamente, passional. O que à primeira vista poderia ser um fator positivo acaba tornando-se, num curto espaço de tempo, em algo extremamente nocivo. É que a dita “influência” vai muito além do que deveria ir, revelando-se, assim, uma invasão de privacidade. As pessoas têm de fazer a vontade do líder, sempre sob o suposto respaldo das Escrituras que, não raras vezes, são utilizadas totalmente fora de contexto.

Outra característica deste tipo de discipulado é ser um “sistema” fechado em si mesmo, com regras e rigores a respeito da vida e da conduta. O produto gerado a partir deste “caldo existencial” são vidas que existem sob o signo do medo, uma vez que, num ambiente como esse, torna-se quase impossível desenvolver de forma sadia a consciência na graça.

Conteúdos e verdades podem e devem ser repassados, primordialmente, através da vida, com respeito e amor, sempre olhando de forma reverente os “espaços” do outro, nunca perdendo a referência de que cada pessoa fará o seu próprio caminho na terra com Deus, pois será a partir dele que colherá a paz e o bem de cada dia.

2- DISCIPULADO COMO UMA ESTRATÉGIA DE MASSIFICAÇÃO

Muito do que acontece hoje, no mundo corporativo, achará guarida, em alguns anos, no mundo eclesiástico. Foi isto o que aconteceu na última década, com vários conceitos e processos empresariais sendo adicionados ao dia a dia das Igrejas.

Dentro desta perspectiva, os métodos voltados para o crescimento da membresia, mais especificamente através da estratégia de pequenos grupos, são os mais utilizados. A “visão” inicial, que chegou ao Brasil em meados dos anos 90, tinha como modelo a Igreja em Células da Colômbia que, num curto espaço de tempo, experimentou, através do discipulado, um crescimento numérico de milhares de pessoas.

Na versão tupiniquim, entretanto, o método sofreu o aditamento de programas e estratégias de planejamento e marketing com vistas a gerar melhores “resultados”. O saldo, todavia, na maioria dos casos, tem sido desastroso, e não há como ser diferente, pois algo tão frio e impessoal, que visa apenas metas quantitativas, só pode gerar um adoecimento emocional e espiritual nas pessoas. Muitos são os casos dos que se queixam de estarem sendo submetidos a forte pressão para que metas de “multiplicação de membros” sejam alcançadas, como se a Igreja agora fosse uma empresa.

Jesus não nos mandou oprimir as pessoas, mas instou-nos a servi-las e amá-las. Nossa tarefa é encher o céu, e não a Igreja. Encher Igreja, sobretudo com gente vazia, é algo fácil. Com meia dúzia de “teologias da terra” o objetivo será alcançado. Mas, povoar o céu, com gente transformada, que compreende a graça e que viva de forma pacificada com Deus e com seus semelhantes, é tarefa apenas para quem quer ver o Reino de Deus crescer, e não o seu reino pessoal.

3- DISCIPULADO COMO UM PROGRAMA DE MANUTENÇÃO

Toda rotina gera fadiga, até mesmo nas coisas boas. Tenho observado que muitas comunidades se encantam com a possibilidade de começar um “programa” de discipulado. Analisam livros, escolhem métodos, criam uma “estrutura” e comissionam pessoas para a “execução da tarefa”. Todavia, cedo–cedo, e, inevitavelmente, acabam se deparando com questões prementes tais como: o que é ser discípulo? O que se deve ensinar a eles? De que forma eles serão influenciados? Qual o objetivo deles estarem nas reuniões? A maneira de lidar com estas e outras questões, ao longo do tempo, definirá se a “coisa”, como um todo, irá ou não rumar na direção de um “programa de manutenção”.

O que é isto? É quando o discipulado, após alguns anos de funcionamento, torna-se apenas mais um “programa” da Igreja e, por isto, tem de ser mantido em funcionamento. Chega-se facilmente a esta situação quando a rotina se estabelece e o método se torna mais importante que a vida. Mesmo algo bom, como uma reunião caseira, com cânticos, orações, estudo e compartilhar, pode tornar-se algo extremamente “viciante”, sem desdobramentos maiores, sem que as pessoas sejam de fato transformadas nos valores, conteúdos e caráter. Numa perspectiva mais ampla, o “programa” ou tenderá a se acabar, ou virará algo sem conseqüências práticas para a vida. Existirá sim, porém, cada vez mais, menos pessoas se interessarão por ele.

Jesus fez justamente o contrário, ou seja, transformou o método em algo prático e aplicável à vida. Jesus não chamou os discípulos para uma reunião na sua casa, nem para participarem de um estudo bíblico na sinagoga, nem mesmo para um grupo de comunhão aos sábados, dia reservado ao “sagrado”. O convite foi para que pudessem experimentar o hoje, com todas as cores e intensidade de cada momento, na singularidade incomparável que há em cada dia. O chamado dizia respeito a se “provar” as dinâmicas da existência e, a partir delas, experimentar a verdadeira vida que deve ser sempre vivida em abundância.

4- DISCIPULADO COMO UM TEMA PARA MEDITAÇÃO

Quem já passou por um curso de pós-graduação sabe que um dos itens mais importantes para a formulação de uma tese é o arcabouço teórico, ou seja, o acréscimo ao texto principal do pensamento de diversos autores. Mas, uma boa tese, dificilmente se sustentará sem um “trabalho de campo”, ou seja, sem as observações práticas que respaldem a teoria proposta. Pois bem, a mesma coisa pode ocorrer com o discipulado quando ele se transforma num tema para meditação, quase sempre contido nos objetivos de ensino da Igreja.

Com data de início e fim já demarcados – em alguns casos estabelece-se o tempo de três anos – o grupo passa a reunir-se com o objetivo de estudar um vasto cabedal de temas bíblicos e de autores diversos. Assim, o que deveria ser um estilo de vida a ser adotado, com pressupostos mais excelentes, acaba se transformando, apenas, num conjunto de conteúdos a ser “dissecado”. Ao final do período proposto, cumpridas as “exigências”, o membro do grupo torna-se um “discípulo graduado”, ou seja, alguém que cumpriu uma espécie de jornada acadêmica, mas que, talvez, não tenha incorporado nenhuma prática à vida. Tiago nos adverte sobre o risco que há nesse proceder, quando nos diz: “tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. Tg. 1:22

Jesus não iniciou com seus discípulos um programa acadêmico fechado, mas, pelo contrário, criou uma grande escola da vida, aberta às pessoas, com sala de aula móvel, variando entre um lugar e outro, com conteúdos ensinados a partir das manifestações próprias da existência humana, sempre buscando harmonizar as pessoas ao mundo que as cercava e a Deus o Pai e Criador.

Mais afinal, então, o que é discipulado?

DISCIPULADO É A ESSÊNCIA DA MISSÃO!

Não há como entender algo sobre discipulado cristão se não olharmos para Jesus. Ele é a chave hermenêutica para todas as coisas e, a partir dEle, tudo pode ser discernido, até o próprio coração do Pai. É certo que as Escrituras Sagradas nos revelam alguns modelos de discipulado – Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Paulo e Timóteo – mas a referência maior está no discipulado de Cristo.

Discipulado não é apenas um programa, apesar de ter etapas, nem um método, apesar de ter estratégias, nem mesmo um sistema, apesar de ter processos, mas é, antes de tudo, um estilo de viver para ser incorporado à vida. O ponto focal está no relacionamento. Jesus não chamou pessoas para manipular, nem criou estratégias para alcançar as massas e multiplicar “o bolo”. Ele não estabeleceu uma rotina reciclável de entretenimento e nem fundou uma classe de estudos sistematizados. Tudo que aconteceu, aconteceu a partir da vida, nas relações travadas no dia a dia e nas oportunidades que foram surgindo a partir dos encontros humanos. Foi algo simples, mas extremamente poderoso.

Os vínculos e laços gerados, durante aqueles três anos de convivência com Cristo, foram tão profundos e marcantes que a vida daqueles que com Ele estavam nunca mais foi a mesma. Jesus ressuscitou, subiu aos céus, mas antes de sentar-se, definitivamente, à direita do Pai, esteve com Seus discípulos uma última vez, às margens do mar da Galiléia. Na derradeira palavra do Senhor aos seus amigos, disse: “ide e fazei discípulos”. E, de fato, eles foram...

Quando penso em tudo isto e olho para a grande comissão meu coração se enche de esperança e alegria. Sim, porque mesmo sem cursos, apostilas ou livros, mesmo sem recursos de fita K7, CD ou DVD, sem elaboração de estratégias, programas ou campanhas, os discípulos saíram pelo mundo anunciando as boas novas da salvação. De nada se fizeram acompanhar que não fosse vida. Sim, tudo se resumiu apenas a vida vivida com o Galileu, naqueles dias empoeirados na Palestina, onde a luz resplandeceu nas trevas de seus corações.

CONCLUSÃO

Discipulado é uma oficina de vidas! É uma tarefa árdua e que exige persistência. Muitas pessoas estão à nossa volta, todos os dias, precisando ser discipuladas. Algumas estão em nossa casa, outras no trabalho, ou na faculdade, e outras estão dentro da Igreja. Muitas delas acham que não precisam se submeter a isso, e outras, até que precisam, mas poucas serão as que tomarão uma de-cisão de ir além. Existe uma grande diferença entre precisar e querer e, isto, você verá por si mesmo...

O discipulador é um escultor do caráter de Cristo no caráter das pessoas. Ele é alguém que entendeu que precisa ser uma referência na vida de outros a partir da vida que pulsa na sua própria vida. E isto leva tempo... E dá trabalho... Por isso, não espere moleza se quiser ser e fazer discípulos.

Jesus discipulou, de forma mais próxima, 12 pessoas. A Bíblia também fala dos 70, dos 120 e Paulo menciona os 500. Não sei quantos dá para formar numa vida, mas tenho a impressão de que, talvez, não sejam muitos. Se, todavia, nos empenharmos nesta tarefa, poderemos ver, ainda nessa geração, uma Igreja formada, em sua maioria, por discípulos do Senhor. Isso, posso lhe garantir, fará muita diferença...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

01 setembro 2009

Quando não há mais Sentido, o Sentido se Releva em Deus


"Que grande inutilidade!", diz o mestre. "Que grande inutilidade! Nada faz sentido!" Eclesiastes 1:2

Carpe Diem, aproveite o dia! A palavra de ordem de nossos dias é viver intensamente. A lógica do McDonalds – super size, fast food – tomou conta do mundo da vida. As pessoas desejam que tudo seja imediato, e ao máximo possível. Assim é a trajetória do autor de Eclesiastes: de tudo ele experimentou em intensidade, do bem e do mal, do útil e do fútil. E o resultado foi: enfado.

O Sábio descreve que a existência humana não se converte em vida se não encontrarmos um significado para existir. Na sua observação e experiência, apesar de todos os empreendimentos e realizações, foi incapaz de encontrar esse significado, e tudo veio a ser monotonia e cansaço.

De fato, ele buscou arduamente este sentido. O livro de Eclesiastes bem poderia ser a biografia de um bon vivan, de um boêmio, presente em todas as festas e eventos sociais, ou de uma celebridade. Poderia ser ainda o curriculum vitae de alguém extremamente empreendedor, que de tudo fez, e fez com excelência. Ao final de sua vida, todos imaginariam encontrar um homem realizado – alguém que alcançou um sentido para existir. Ao invés disso, o que o Sábio diz é que tudo não passou de enfado. Apenas canseira para o corpo e para a mente, sem sentido para o espírito.

Assim como o autor de Eclesiastes, as pessoas do nosso tempo também têm se cansado da vida. Estão famintas, embora comam e bebam em abundância. Sentem-se incompletas, embora possuam muitas coisas. Eclesiastes mostra que não é possível encontrar o significado para esta vida porque ele está além da vida. Este livro está repleto de exemplos em que a experiência não proporciona completude à pessoa, antes, evidencia sua incompletude.

“Vaidade de vaidades – diz o sábio – tudo é vaidade”. O que o autor chama de vaidade é um sentimento irracional de desconexão entre causa e efeito, o qual resulta em indiferença. De tudo o homem experimenta, esperando encontrar um significado para a vida. Quando a capacidade de prever os resultados é contestada, o que sobra é uma indiferença para com as circunstâncias mundanas. Uma frustração que - ao extremo - resulta em completa apatia.

O autor de Eclesiastes verifica que é impossível ao conhecimento do homem descobrir um sentido para a existência. "Fiquei pensando: Eu me tornei famoso e ultrapassei em sabedoria todos os que governaram Jerusalém antes de mim; de fato adquiri muita sabedoria e conhecimento. Por isso me esforcei para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez, mas aprendi que isso também é correr atrás do vento. Pois quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto.” (Ec 1:16-18).

“De que serve?”. Quando o significado da vida, que liga o ser humano ao mundo, se quebra, esse ponto de ruptura é a vaidade. O Sábio, no ponto de ruptura com a vaidade da vida, passa a observar tudo a partir de um ponto distante. Ele se aliena do mundo e de si mesmo. A partir da distância, deste olhar imparcial, surge a possibilidade de rever a identidade do ser humano. Nesse ponto, em que nada mais faz sentido, a pessoa se encontra na disposição correta para dar o salto no vazio. É esse o momento em que a pessoa se abre para o não-conhecível, para o impossível.

Assim como é impossível à mente humana conhecer o sentido para a vida – pois ele está além da capacidade do conhecimento humano – também é impossível conhecer a Deus. Não é possível conhecer a Deus, a não ser pelo que Ele mesmo revela de si e se deixa conhecer. Deus é pessoal. Ela busca se relacionar conosco. A experiência com Deus se dá na relação que firmarmos com Ele, e é na relação com Deus que a completude pessoal se materializa. De nada nos serve conhecermos a nós mesmos ou procurar conhecer a Deus – como objeto de estudo. É inútil querer saber tudo sobre Deus, analisá-lo, dissecá-lo, pois é a relação que nos dá significado.

Quando nos relacionamos com Ele, sua revelação de si mesmo nos completa, como essência além do conhecimento humano. Uma experiência pessoal com Deus vai além do possível. Se considerarmos que o possível é aquilo que podemos experimentar estando com os dois pés no chão, somente poderemos conhecer a Deus quando tirarmos os pés do chão: impossível.

Ao se jogar no impossível, o Sábio compreendeu que o significado da vida não está na vida, mas em Deus. Nele, tudo ganha sentido, até mesmo o enfado da vida. Nesta existência, vazia em si mesma, Deus deve ser o absoluto. "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos: porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer o juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más." (Ec 12:13,14)

Quando a vida não passa de futilidade – vaidade, nas palavras do sábio de Eclesiastes – o sentido está além do impossível, para além do vazio. A completude do coração, o significado à existência, o sentido para as relações interpessoais, o sabor da comida, o prazer das realizações, a razão para continuar existindo – todo o valor da vida somente pode ser encontrado em Deus. Para isso, precisamos deixar que Ele nos encontre.

E para que Deus nos encontre, só há um caminho, e este é Jesus: “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14:8,9)

Emanoel Querette

28 agosto 2009

Maria e o Dilema Ecológico


“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5).

Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte.

Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

25 agosto 2009

Quando o Sacramento se Transforma em Sofrimento


Introdução

“Eu os declaro marido e mulher até que o casamento os separe”. Sendo muito sincero, essa deveria ser a frase usada na conclusão de algumas cerimônias religiosas de matrimônio. Olhando para os noivos, ainda no altar, analisando a forma como eles construíram aquela “história de amor”, nem é preciso ser profeta para vaticinar o provável desfecho. Sim, em pouco tempo, a não ser que haja uma mudança absoluta de direcionamento, aquilo lá vai para o beleléu! É que, não raras vezes, o “casamento” se transforma em veneno e, em curto prazo, mata o relacionamento.

Nós vivemos na sociedade dos descartáveis. Quase tudo à nossa volta, em termos de bens de consumo, é feito para durar pouco, ser substituído facilmente, ou ser reciclado. Talvez, por conta disso, começamos a amar coisas e usar pessoas. É muito comum, em conversas pastorais, diante de gente que teve o coração despedaçado pela perda do “grande amor da vida”, ouvir expressões do tipo: “ eu fui usada”; “sou apenas um joguete”; “não tenho qualquer valor”. A verdade é que, cada vez mais, amontoam-se os casos dos que são tratados como coisas e descartados como lixo.

Outra questão que também está muito presente em nossos dias é a impermanência. Trata-se da ausência de qualquer existência duradoura, estável e inerente. Impermanência é uma crença budista, que está presente nos “Três Selos do Dharma”, e postula que “as pessoas mudam, os fenômenos mudam. Nossos pensamentos, sonhos, sentimentos, idéias, vida, estão sempre em transformação. Nada permanece inalterado”. Olhando para o conceito sem pré-conceitos, não vejo nada extraordinário. Parece-me, apenas, a simples constatação dos “movimentos” próprios da existência humana. O problema é que, nós “evangélicos”, temos por premissa jogar no “lixo” tudo aquilo que é dito fora de nosso “mundinho eclesiástico”, como se a sabedoria fosse apenas um privilégio dos “santos”, e não um dom de Deus às Suas criaturas.

Descendo a Ladeira

Pois bem, o que tenho visto nos relacionamentos conjugais pós-modernos é justamente um misto de algo descartável e impermanente. Casamento não é mais um projeto existencial de longa duração, mas um contrato de prestação de serviço de curto prazo. As pessoas querem apenas ser felizes e, em nome dessa “tirania da felicidade”, ou seja, desse desejo de ser feliz a qualquer custo, como se felicidade fosse um estado perene, e não uma estação sazonal, estão dispostas a fazer qualquer coisa, inclusive, trocar de parceiros tantas vezes quantas sejam necessárias, até que o “príncipe” ou a “princesa” encantados seja encontrado.

Ora, eu não sou legalista, ou contra separações, mesmo sendo pastor de igreja. Crucifique-me quem quiser! E não me venha com sua “exegese de gaveta”, viciada, baseada no uso do texto que exalta a letra das Escrituras, mas exclui o Espírito do Evangelho. Sei, todavia, que meu trabalho, como sacerdote, é ajudar pessoas a construir vínculos afetivos fortes e duradouros. Contudo, não há como negar que, às vezes, vida de marido e mulher torna-se uma fábrica de neuroses e amarguras. Nesses casos, quando verifico que o ficar junto se constitui algo totalmente insalubre ao ser, pois está diluindo a substância interior das pessoas, além do desastre que é para os filhos ter de conviver com essa “ferida purulenta”, não raro apenas para manter as aparências, sejam religiosas, sejam sociais, aceito o fato de que, o que Deus não uniu, o homem pode separar.

De fato, o que tenho visto em certos tipos de vínculos conjugais é que eles, de tão adoecidos que estão, acabam se constituindo em algo profundamente nocivo a psique do casal. Dentro deste contexto, surgiu em nossa sociedade um tipo de patologia relacional que vem crescendo assustadoramente nos últimos 10 anos. Trata-se da famosa “solidão a dois”. A “síndrome” baseia-se na premissa de que os casais modernos estão mais preocupados em competir do que em construir, vivem juntos, mas existem desconectados. Moram na mesma casa, dormem no mesmo quarto, mas não conseguem experimentar um mínimo de conjugalidade. Possuem dois carros, duas camas, dois computadores e duas contas correntes. Têm amigos separados, lazer separados, filhos separados, bens separados, ou seja, tantas coisas fora do comum, e tão poucas em comum que, por fim, acabam olhando-se nos olhos e se perguntando: “ por que foi mesmo que nós nos casamos?”.

O “buraco”, todavia, parece estar bem mais embaixo. Na prática, o que tenho visto é uma total falta de apetência dos casais em querer, de verdade, considerando, inclusive, os “custos” envolvidos – renúncia, paciência, humildade – que a relação ganhe significado e propósito, mesmo que em meio a crises. Desavenças e desajustes, neste mundo louco que vivemos, é algo comum e até natural! Desencontros são maravilhosas oportunidades de crescimento, de amadurecimento, de abrirmo-nos à percepção do outro, de suas dores, medos e idiossincrasias. Crises são, via de regra, a melhor chance de um casal ajustar-se para viver uma existência sadia e equilibrada, onde busca-se mais a alegria e o bem-estar do outro, do que o seu próprio. Mas, o problema é que nós queremos apenas ser felizes e, como diz o “poetinha”, “tristeza não tem fim, felicidade sim”...

Sinais de Fumaça

O trágico equívoco desta história está no fato de imaginarmos que os problemas conjugais só começam após o casamento, ou seja, que são frutos da falta de tato e habilidade dos cônjuges em conduzir o relacionamento entre quatro paredes. Que nada! Isso é lenda! Folclore puro! A bronca começa bem lá atrás, no alicerce e nos pilares, nos valores e conteúdos, na forma como a relação está sendo construída.

Pastores e Padres sabem o que eu estou dizendo... Sim, nós sacerdotes da igreja, incumbidos de realizar o sacramento do matrimônio, nos encontramos, por vezes, entre a “cruz” e a “espada”! Neste caso, entretanto, o dito popular ganha nova significação. Cruz passa a ser a representação do fardo existencial que os nubentes vão arrastar pela estrada da vida a dois, mas que, tristemente, ainda não sabem. Espada, por sua vez, é a sentença de morte, que já está posta, em algum lugar do futuro-próximo, pois, não tenha dúvidas, mais dias menos dias, um dos dois cônjuges será “decapitado” ou, quem sabe até, ambos!

Tentando encontrar alternativas para minimizar estes problemas, adotamos, em nossa denominação, o costume de, antes do casamento, termos alguns encontros com o casal para avaliar as motivações e o estado de ânimo em que eles se encontram. Normalmente esta iniciativa ajuda os noivos com questões pendentes, detalhes da cerimônia e, às vezes, até na solução de problemas. Pois bem, é justamente aí que, não raras vezes, já começo a perceber o cheiro de “angu queimado”... É que não é difícil discernir um relacionamento adoecido, mesmo tratando-se do primeiro encontro. Muitas vezes, uma simples conversa é capaz de revelar marcas e medos que só se fazem presentes em relações que foram vitimadas por enormes desgastes.

Diante de tais circunstâncias, a impressão que tenho é que a separação já aconteceu, não obstante o casamento ainda não ter sido realizado, ou seja, o casal já está separado, antes mesmo de se separar, só que ainda não está percebendo. Talvez, justamente por isso, é que exista uma certa expectativa mística em torno da cerimônia de matrimônio, como se o ato religioso pudesse produzir um efeito milagroso capaz de mudar realidades interiores.

Luzes, Câmera, Ação e Decepção!

Eu casei em 1991, numa cerimônia simples, à beira de uma piscina, no entardecer do mês de dezembro. De lá para cá, vi o sacramento se transformar num verdadeiro business. Hoje, casar como “manda o figurino”, é coisa dispendiosa e extremamente complexa. Para realizar a festa, prepare-se para gastar dinheiro, algumas dezenas de milhares de reais, e arregace as mangas, pois os preparativos começam com, pelo menos, um ano de antecedência.

Planejamento é a chave do “sucesso”! A coisa é tão organizada que possui até planilha de custos. Nela estão incluídos itens como: local, decoração, maquiagem, filmagem, sonorização, orquestra, bufet, iluminação, convites, dentre outros. Uma festa de casamento, realmente organizada, pode chegar a contar com uma equipe de até 40 pessoas trabalhando, pois, lembre-se: tudo precisa ser perfeito para que o evento seja inesquecível!

Olhando para este cenário, acho intrigante o fato de alguns casais desejarem se casar no religioso. A questão é simples: se eles não possuem um relacionamento com Deus, não estão dispostos a conhecer Sua vontade, não discernem os princípios das Escrituras, nem muito menos os valores intrínsecos à fé, por que, então, querem realizar tal ato? Se são apenas praticantes da religião institucional, hereditária e nominal, por que desejam o sacramento?

Ora, eu penso que quando esses pressupostos não se estabelecem como verdade nos “ambientes interiores”, de tal forma que o que se exteriorize seja apenas a significação do que já acontece no íntimo do ser, o que está sendo feito é apenas uma encenação social. É um enorme equívoco acharmos que algo possa ser sagrado sem proceder do coração, pois sagrado é tudo aquilo que reverencia a Deus no íntimo, e vaza pela vida em expressões de fé e gratidão. Tudo o mais é liturgia oca e sem propósito, é apenas o badalar do címbalo que retine, mas que não produz música para acalentar a alma, nem a alegria desejosa e amante que apaixona os apaixonados.

Remendo Novo em Vestido Velho?

Outra questão que avilta ainda mais o paradoxo está no fato de que, nas Escrituras, casamento sempre foi algo totalmente diferente do que aí está posto. Matrimônio, do ponto de vista bíblico, é algo simples, familiar, despretensioso, sem implicações regulamentares que possam ir além do pacto de amor e fidelidade entre os que se amam. A verdade é que a evolução sociológica da instituição do casamento acabou dessignificando por completo o ato diante de Deus e, porque não dizer, até mesmo diante dos homens.

Fato mesmo é que essa cerimônia de ritos e pompas é apenas a projeção dos plebeus acerca do casamento dos nobres. Festa com trombetas, véu, grinalda, entrada triunfal – já vi uma até com tiro de canhão – padrinhos e madrinhas, págens, corais, e a “corte” assistindo, como diz o Caio, é a simbolização dos casamentos de príncipes e princesas da Idade Média. Ora, convenhamos, você não acha que fica meio ridículo nós, descendentes de índios tupiniquins, querermos aparentar a sofisticação da burguesia européia?

O que tenho visto, na prática, é que os noivos pensam em tudo, até numa assessoria para ajudar na preparação do feito apoteótico, gastam “aos tubos”, chamam os amigos, parentes, aderentes, mas não possuem qualquer entendimento daquilo que Deus deseja que se realize. Eu não sou contra a festa, mas sou contra toda festa que aconteça apenas para fora, e não parta das dinâmicas que acontecem do lado de dentro, onde apenas Deus pode, de fato, fazer soar a música e brotar a alegria. Já vi casamento em que os noivos, ao apresentarem a lista das canções, sequer incluíram uma que fosse para adorar a Deus! Ora, se Deus é apenas adereço, por que então não assumir isso e fazer uma cerimônia apenas social? Não seria mais honesto?

Por isso, não raras vezes, sinto-me como se fosse uma espécie de “vela de altar”, ou seja, apenas um enfeite a mais na belíssima e requintada festa. E logo eu, branco do jeito que sou e vestido com vestes clericais, para vela, só fica faltando o fogo! Ora, se eu, que sou pó e poeira, me sinto meio sem sentido naquele altar, imagina, então, como não se sente aquEle que significa não só o altar, mas também a cerimônia, o sacramento, o casamento e a vida? Triste, não? E eu ainda tenho que ficar esperando, rindo e achando bom, às vezes mais de hora, a beldade da noiva chegar... Vá ser pastor! E o salário, ó!!

Depois de tudo isso, do esvaziamento dos significados da festa, do empobrecimento dos valores da cerimônia, da banalização dos preceitos do sagrado, o casal ainda deseja que Deus saia da igreja juntinho com eles, se possível, de mãos dadas com os pombinhos. Imaginam, equivocadamente, que a benção do Senhor se estabelecerá, de forma mágica, sobre as suas vidas pelo resto de seus dias, e isso sem qualquer perspectiva de mudanças posteriores. Ah, meu bom, me poupe! Não dá dois anos! Sim, esse é o tempo médio de muitos casamentos em nossos dias. É só a crise chegar, seja de que natureza for, para aquele “endless love” sair voando pela janela.

Cenas dos Próximos Capítulos

O que vem a seguir, todavia, seria hilário, não fosse trágico. O casal, mergulhado numa crise sem fim, perdido de Deus e de si mesmos, depois das luzes, cores e brilhos da festa terem se apagado, e a dura realidade da rotina e das contas a pagar ter chegado, tem ainda que aturar o coro desafinado da “moçada” da religião que, diante do infortúnio, tem a petulância de protestar em alto e bom tom: “O que Deus uniu não o separe o homem”. Mc. 10:9.

Cabe, aqui, perguntar: que tipo de entendimento temos sobre esta passagem? Será que ela trata do fato de ter Deus decidido, de forma unilateral e determinista, quem deva ser o nosso par na existência? Que a escolha foi dEle, e não nossa? Que Ele é uma espécie de deus grego que, com arco e flexa na mão, feito um cupido irresponsável, sai flexando as pessoas para obrigá-las a viver juntas para sempre? Me perdoe, mas eu não creio nisso. Não creio que Deus faça tal escolha nem por mim nem por você, como também não creio, por exemplo, que Ele escolha nossa profissão.

A coisa fica ainda pior quando se acrescenta a esse fatalismo-místico, exposto acima, uma analogia bíblica explicitamente legalista, baseada numa exegese tendenciosa e preconceituosa. Desta perspectiva, Jesus estabelece que a separação conjugal produz um estado de total impossibilidade de reconstrução da vida a dois, a não ser que tenha ocorrido um caso de adultério. Em tais circunstâncias, ficaria, então, “legalizado”, o direito a novas núpcias. Bizarro! Não parece ter nada a ver com a forma como o Galileu lidava com os dramas da vida. Sempre achei essa linha de interpretação muito perigosa, pois ela coloca na mente e na boca de Jesus conceitos e palavras que Ele pode, jamais, ter Se prestado a defender.

No mesmo contexto, também acho absurdo os que reconhecem a responsabilidade pela escolha conjugal que fizeram, mas, em paralelo afirmam que, a partir do momento que foram ao “altar-mágico” da igreja, Deus tomou parte no processo e, por conta disso, passa a obrigá-los ao convívio marital pelo resto da vida, mesmo quando fica claro que a decisão tomada foi totalmente equivocada. A conseqüência óbvia de tal pré-disposição é que o casal, por medo das supostas reprimendas do Altíssimo, permanece casado no papel, mas completamente separado no coração.

Para mim, todavia, ainda há algo mais impensável: os que em meio a uma relação claramente desprovida de sentido existencial, acabam torcendo, às vezes inconscientemente, para que o cônjuge, ou morra – que Deus o tenha! – ou adultere. A explicação para algo tão adoecido é simples: em ambos os casos, tanto a “letra morta” das Escrituras, quanto os “homens do sagrado” poderiam fornecer à devida “legalidade” institucional para chancelar a autorização que o pobre infeliz necessita para contrair a tão sonhada nova núpcia. É muita doideira!

Eu não creio, em se tratando de casamento, que Deus faça escolhas por nós nem, muito menos, que nos obrigue a viver com as decisões equivocadas que tomamos pelo resto da vida. Creio, sim, que Ele abençoa toda escolha que é feita levando-se em consideração os Seus princípios. É isso que entendo quando leio o texto “ o que Deus uniu não o separe o homem”, que tudo aquilo que foi feito em fé e calcado em valores e verdades, é algo realizado da perspectiva de Deus, e, por conta disso, o homem não deve desfazer. Sobre os que agem de tal forma, penso, repousa, ainda que em meio a lutas e dores, a paz que apazigua toda desconstrução interior. É isso que dá consistência a liga da qual é feito o “cordão de três dobras”, que não se rompe com facilidade, pois é o próprio Deus quem o mantém como uma corda de amor capaz de sustentar o relacionamento dos que nEle se amam.

Conclusão

Sinceramente, não creio ser possível construir um caminho existencial a dois, de forma sólida e séria, sem levar em consideração cada uma das questões aqui expostas. Se desejamos apenas cumprir os “códigos” da religião, sem atentar para a necessidade de haver pressupostos no coração, devemos ter claro o fato de que, em se tratando de casamento, poderemos até realizar uma bela festa, repleta de ritos sagrados, mas que, em sua essência, estará esvaziada da presença do Sagrado, que é o que dá sentido e significado ao rito.

E mais, o que tenho visto é que, quando o relacionamento não foi construído da maneira correta, antes das núpcias, acaba potencializando as chances de replicar as mesmas questões para a vida de casado, que passará, então, a acumular os desgastes do namoro e do noivado com os novos problemas da vida conjugal. Relacionamentos afetivos precisam de profilaxia, ou seja: cuidados diários, investimentos constantes e tratamento, quando necessário. Se isso não for observado, pode aguardar, pois, provavelmente, a tragédia está a caminho...

Por outro lado e, como mamãe dizia, às vezes “é melhor está só do que mal acompanhado”. Sim, tenho visto muitas experiências de solidão que, quando processadas pelo solitário de forma reverente consigo mesmo, acabam gerando desdobramentos existenciais extraordinários. Pessoas sozinhas tendem a crescer mais para dentro do que para fora. Este tipo de experimentação equilibra o corpo, aquieta o espírito, e produz paz e bem para a alma. Corrobora comigo o pensamento de Fernando Pessoa quando afirma: “a liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.

Sendo bem pragmático, creio haver mais chances para o solteirão solitário, que experimentou estes matizes interiores, construir um relacionamento duradouro, do que para o conquistador compulsivo, de sentimentos “reciclados”, ávido por relações de alto risco, estabelecer um convívio sustentável. Portanto, prefiro quem experimenta a liberdade de estar só, do que quem se “amarra” a uma companhia indesejável, mesmo que pela via do “sagrado” matrimônio.

Se você me convidar para realizar o seu casamento, certamente, fá-lo-ei com muito prazer. Ficarei ainda mais feliz se perceber que você discerniu o que está no “coração de Deus” e, por conta disso, tem buscado honrá-lo, não apenas no dia da festa, mas em todos os dias de sua vida.

Quanto à cerimônia, quero apenas lhe pedir um favor: se você for atrasar muito, não esqueça de me ligar antes, pois, nesse caso, não precisarei ficar em pé no altar, todo paramentado, suando feito “tirador de espírito”, rindo sem motivos para centenas de convidados que, impacientemente, estão esperando. Lembre-se: nem sempre as pessoas estão num dia bom e, se esse for o meu caso, para seu azar, posso também prolongar a liturgia do ato pelo mesmo tempo que você me fez esperar, horas a fio, pois, creia-me, é mais fácil tirar uma chupeta da boca de uma criança chorando, do que um microfone da mão de um pastor com desejo de pregar.

Sola Gratia !

Carlos Moreira

Perdão, a Faxina da Alma


O perdão é a cura das memórias, a assepsia do coração, a faxina da alma. O perdão é uma necessidade vital e uma condição indispensável para termos uma vida em paz com Deus, com nós mesmos e com o próximo. Uma vez que somos falhos e pecadores, estamos sujeitos a erros. Por essa razão, temos motivos de queixas uns contra os outros. As pessoas nos decepcionam e nós decepcionamos as pessoas.

É impossível termos uma vida cristã saudável sem o exercício do perdão. Quem não perdoa não pode adorar a Deus nem mesmo trazer sua oferta ao altar. Quem não perdoa tem suas orações interrompidas e nem mesmo pode receber o perdão de Deus. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. Quem não perdoa é entregue aos verdugos da consciência. O perdão, portanto, não é uma opção para o crente, mas uma necessidade imperativa.

O perdão é uma questão de bom senso. Quando nutrimos mágoa no coração, tornamo-nos escravos do ressentimento. A amargura alastra em nós suas raízes e produz dois frutos malditos: a perturbação e a contaminação. Uma pessoa magoada vive perturbada e ainda contamina as pessoas à sua volta. Quando guardamos algum ranço no coração e nutrimos mágoa por alguém, acabamos convivendo com essa pessoa de forma ininterrupta. Se vamos descansar, essa pessoa torna-se o nosso pesadelo. Se vamos nos assentar para tomar uma refeição, essa pessoa tira o nosso apetite. Se nosso propósito é sair de férias com a família, essa pessoa pega carona conosco e estraga as nossas férias. Por essa razão, perdoar não é apenas uma questão imperativa, mas, também, uma atitude de bom senso. O perdão alivia a bagagem, tira o fardo das costas e terapeutiza a alma.

Mas, o que é perdão? Perdão é alforriar o ofensor. Perdoar é não cobrar nem revidar a ofensa recebida. O perdão não exige justiça; exerce misericórdia. O perdão não faz registro das mágoas. Perdoar é lembrar sem sentir dor.

Até quando devemos perdoar? A Bíblia nos diz que devemos perdoar assim como Deus em Cristo nos perdoou. Devemos perdoar de forma ilimitada e incondicional. Devemos perdoar não apenas até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Por que devemos perdoar? Porque fomos perdoados por Deus. Os perdoados precisam ser perdoadores. No céu só entra aqueles que foram perdoados; e se não perdoarmos, não poderemos ser perdoados. Logo, todo crente em Cristo precisa praticar o perdão.

Quem deve tomar iniciativa no ato do perdão? Jesus disse que se nos lembrarmos que nosso irmão tem alguma coisa contra nós, devemos ir a ele. Não importa se somos o ofensor ou o ofendido. Sempre devemos tomar a iniciativa, e isso com humildade e espírito de mansidão. Precisamos entender que o tempo nem o silêncio são evidências de perdão. É preciso o confronto em amor. Há muitas pessoas doentes emocionalmente porque não liberam perdão. Há muitas pessoas fracas espiritualmente porque não têm a humildade de pedir e conceder perdão. Precisamos quebrar esses grilhões, a fim de vivermos a plenitude da liberdade cristã.

O perdão é a manifestação da graça de Deus em nós. Se nos afastarmos de Deus, nosso coração torna-se insensível. Porém, se nos aproximarmos de Deus, ele mesmo nos move e nos capacita a perdoar assim como ele em Cristo nos perdoou.


Rev. Hernandes Dias Lopes

Dez Coisas tão Simples Quanto Essenciais a Vida


1.Nunca descreia do poder do amor, ainda que você demore muito a ver os resultados;

2.Não tema pedir em oração, pois o Pai tem prazer em nos ouvir pedindo em fé confiante; mas lembre que Deus não está preso à oração, posto que somente nos atenda naquilo que Ele, como Pai, não julgue que nos fará mal;

3.Leia as Escrituras, especialmente a parte chamada de Novo Testamento; pois toda pessoa que, tendo tal chance, não a use, demonstra que não deseja mesmo conhecer a Deus; posto que seja pela leitura da Palavra que melhor se possa discernir a vontade de Deus;

4.Exercite-se na dadivosidade e na generosidade, pois por tais exercícios seu coração se manterá sóbrio em relação a dinheiro e poder;

5.Nunca fuja de uma necessidade humana que você possa ajudar a resolver... Seria como fugir de Jesus;

6.Fuja do pensamento malicioso. Seja sábio e sóbrio, mas não olhe com malicia, posto que o olhar malicioso corrompa todo o seu ser;

7.Cuidado com todas as raízes perversas... Sim, cuide de seu coração para que nele não cresçam as raízes da inveja, da amargura, da arrogância ou da auto-vitimização; pois essas são as piores raízes a serem deixadas vivas no chão do ser;

8.Nunca se sinta importante, pois tiraria toda a sua naturalidade de ser e viver...; além de que tal sentir é a ladeira para o abismo;

9.Nunca fuja de nenhuma verdade sobre você ou sobre quem você ame; pois, por tal evasão perde-se o discernimento e mergulha-se o ser no escafandro do auto-engano no fundo de um mar de rochas... Além disso, quem determina um auto-engano no pouco, esse será enganado no muito;

10.Ame a Deus e ao próximo; e não existirá lugar para ídolos em seu coração.


Estas são coisas simples e vitais... E aqueles que as seguem sempre são bem-sucedidos em tudo o que fazem; posto que seu fluxo de energia decorra da fonte do que é em Deus.

Cáio Fábio

24 agosto 2009

Perfeição e Proteção


Entre as patologias que a religião produz, a mais grave tem a ver com neurose. Os seres humanos vivem iludidos com a possibilidade de construir um mundo arredondado, previsível, sem percalços. Imaginam trazer as contingências existenciais sob controle; fantasiam encabrestar leis físicas, metafísicas, espirituais, esotéricas, cármicas, qualquer uma, para afugentar o mal e atrair o bem.

Os que acreditam em um Deus títere, que enlaçou cordões nos dedos para manipular o mundo, nem precisam dominar leis, basta ganhar o favor divino; quem conquista a simpatia celestial, vira preferido. “Deus fará qualquer coisa para deixar a vida dos seus filhos isenta de sobressaltos”, prometem. “E se por algum motivo acontecer imprevisto, basta orar com fé; Deus, que permitiu doença ou acidente, vingará seu nome com um livramento sobrenatural”.

Os sistemas religiosos monoteístas se fortalecem com esse discurso; discurso de quem conhece o segredo de agradar a Divindade. “Obedeça, cumpra, sacrifique, humilhe-se e seja bonzinho segundo a nossa prescrição e o Senhor lhe sorrirá; a sua vida vai aprumar-se”.

Israel tentou; seus líderes se revezaram para homogeneizar as ações do povo. Tudo era feito para escapar de exércitos poderosos, de epidemias que assolavam o mundo antigo, de gafanhotos na lavoura, de infertilidade feminina (os homens nunca eram responsabilizados quando as mulheres não engravidavam).

Porém, os esforços empacavam. Bastava um sair da risca para desabar a idéia da nação impecável. Abraão mentiu. Ló tomou um porre. Moisés, intempestivo, assassinou. Acã afanou o que não devia. A lista de personagens que jogaram na lata do lixo a possibilidade da recompensa por bom comportamento é longuíssima.

Buscar uma humanidade perfeita com o intuito de acabar com o sofrimento, não funciona. Homens e mulheres serão sempre sombras e luzes. Bem e mal, duas palavras que zunem como golpe de espada, também expressam a riqueza da virtude. Acabar com a ambiguidade, que mora na alma, aniquila a criatividade humana. A pedagogia que conduz à maturidade precisa acolher erro, deslizes, inadequação.

Deus não desejou criar gente absolutamente previsível, pateticamente conformada às suas leis. Ele criou para que aprendêssemos a trabalhar o vai-e-vem do coração; hora, doce, hora, amargo. Ele espera que descubramos, nas excursões para o interior da alma, a riqueza do eterno vir-a-ser.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

20 agosto 2009

Tratado Sobre Unidade?


João 17…

Não adianta fazer força, pois, unidade entre pessoas, genuína unidade, fruto de amor e tolerância, não se manifesta pela força do homem, embora seja simples como respirar...; isto quando se respira amor de Deus.

Jesus não deu um método e nem postulou uma Unidade Oficial ou Institucional.

Não havia tal coisa...

Os que ouviram Jesus sabiam que Unidade era o mesmo que amor em exercício, com todas as suas implicações...

E mais:

Os que ouviram Jesus dizer tais palavras sabiam que se Ele não vivesse neles... tudo aquilo seria totalmente impossível...

Afinal, com Jesus entre eles..., eles ainda brigavam... Imagine só eles sem Jesus, mas fazendo tudo em nome de Jesus, e sem o amor de Jesus em seus corações — o que sobraria da experiência se não aquilo que hoje chamamos de “Cristianismo” e de “Igreja”?...

Sim, nesse sentido o “Cristianismo” é coerente consigo mesmo e com sua fundação no Século IV da “Era Cristã”...

Digo isto porque o “Cristianismo” é a tentativa de organizar a fé sobre bases e fundamentos humanos de poder, de institucionalidade e de intelectualidade capaz de explicar Deus e demonstrar a superioridade da tese cristã sobre o resto da humanidade perdida...

Jesus, todavia, disse que a Unidade a qual Ele fazia referencia era um milagre...

Sim, teria e tem a ver apenas com aquilo que Ele pediu ao Pai: “Eu neles; tu em mim; eles em nós; para que sejam aperfeiçoados na unidade”...

E disse que a única apologia que o Evangelho teria no mundo seria a do poder e da evidencia simples do amor!...

Ora, tal realidade ganha contornos objetivos e históricos na manifestação do amor, e apenas do amor; pois, do contrário, tudo mais que se crie é confraria, é maçonaria, é clube santo, é “igreja”, é o que se tem visto... — e que é tudo, menos manifestação de amor no mundo, e, menos ainda, pelo mundo...

Entretanto, tal Unidade não espera acontecer...

Quem ama e vive com Ele, Nele, e Ele no Pai — esse não espera encontrar comunhão intelectual com ninguém, mas, sobretudo, busca servir, não importando a identificação...

Sim, pois tal Unidade se baseia em amor e não em acordo de opiniões...

Se o outro conhece o Senhor mesmo, a unidade acontece como a vida ou como o nascimento... Se, porém, o outro não conhece o Senhor, será mesmo assim e, sobretudo, servido...; pois amor tem como seu Dogma único o servir e o se dar...

Assim, onde há amor, há unidade; e onde não há amor, pode-se ter tudo, inclusive acordo doutrinário, mas jamais haverá unidade segundo Deus.

Ora, a grande manifestação do amor que testemunha a unidade no mundo e entre os homens somente é de serviço...

Sim, o que Jesus chamou de Igreja teria e tem que ser o povo do amor em serviço, uns pelos outros e pelo mundo inteiro...

Mas a “Igreja” não quer servir, quer ser servida; não quer amar, quer ser amada; não acredita no silencio esmagador das obras de amor, mas apenas em discursos; não pode nem mesmo se imaginar servindo aos pagãos da Terra, mas apenas sonha com os pagãos em submissão à “igreja”...

Desse modo, com tal espírito, com esse animo de “Alexandre, o Grande”, com essa vontade soberana dos Casares, com esse fervor mulçumano fundamentalista, e com esse surto de importância histórica que assomou a “igreja”—o resultado tem que ser o que foi e o que é; posto que não haja em tal “igreja” nada do Espírito de Jesus, nada do Servo de Todos, nada daquele que disse que nossa vida seria entregá-la todos os dias, em amor e serviço à vida e ao mundo perdido...

Toda tentativa humana de unidade apenas acentua as diferenças e abisma os homens...

Sim, pois Unidade é apenas unidade... — e isso só nasce do amor que não faz perguntas, mas apenas se dá como Jesus se Deus...

Agora leia João 17 e veja que a suma de tudo é o que está dito acima!



Nele, que não escreveu um Tratado sobre Unidade, mas ensinou o caminho do amor,

Caio Fábio

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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