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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

28 julho 2009

Deus não Leva "Checho"!


“cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria”. 2a. Co. 9:7.


Na antiguidade, conforme sabemos, eram cultuados inúmeros deuses e, ao contrário do que muitos pensam, mamon nunca foi uma destas divindades, pois o termo aramaico refere-se apenas ao dinheiro e riqueza. Jesus afirma no Evangelho de Lucas que não é possível servir a Deus e a mamon, elevando o vil metal ao status de potestade espiritual, e Paulo, escrevendo a Timóteo, diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Observe que ele não trata o dinheiro como coisa em si mesmo, como muitos, equivocadamente, interpretam, mas da tara, do apego exacerbado, da adoração compulsiva, do desejo desenfreado de possuí-lo.

De fato, mamon não é um deus, mas pode assumir a dimensão de um deus no coração humano. Não tenho dúvidas em afirmar que uma das forças mais poderosas que atua na Terra é o dinheiro. Por ele os homens mentem, matam, manipulam e corrompem. O amor ao dinheiro, na melhor das hipóteses, nos torna avarentos, incapazes de perceber as necessidades e demandas do outro, e prepotentes, imaginando ser ele o grande e único esteio de nossa existência.

Estamos na pós-modernidade, mas professamos uma fé pré-histórica. O clero da idade média, que negociava indulgências e simonias, estaria hoje estudando no jardim da infância da escola dominical de nossas igrejas. As práticas predatórias da religião cristã contemporânea, baseadas em barganhas com o sagrado – correntes, quebra de maldições, confissões positivistas e outras mandingas – demonstra, explicitamente, que o que nós queremos é uma espécie de “para-raio espiritual”, uma divindade que nos assegure bonança e prosperidade, e nos livre de todo mal. Sai dele!

E como é que fica esse negócio de dízimo? Digo negócio porque, para mim, é assim que boa parte dos “crentes” trata a questão. Sobre este tema, permita-me não emitir comentários sobre os que não ofertam a Deus. Estes ainda estão na infância da fé, longe de desenvolver uma espiritualidade sadia e equilibrada, que não seja umbigocêntrica. Mas, entre os que dão o dízimo, existe uma quantidade assustadora de gente que está neurotizada, dentre as quais consigo identificar três grupos: 1- Os que têm medo da maldição de Malaquias 3, não compreendendo o contexto do templo-estado e a dispensação da graça; 2- Os que estão investindo no retorno de 100 X 1, colocando ideologias na cabeça de Jesus que Ele jamais imaginou; e 3- Os que vivem de fazer contas com o Todo-Poderoso, uma espécie de fluxo de caixa entre o Céu e a Terra.

A turma da maldição vê em tudo a “pata do devorador”. Quebrou o liquidificador? Foi o “devorador”! O pneu do carro furou? Olha o “devorador” aí gente! Espirrou? É o capeta tentando minar as finanças! Pura maluquice... O pessoal do businessanto está sempre à espera da partilha dos dividendos celestiais. Pensam que tudo que recebem é fruto do negócio com o Eterno, e não a expressão de Sua bondade e fidelidade e do trabalho digno e honesto. Por fim, tem ainda a moçada da contabilidade, que fica sempre fazendo “encontro de contas” com a tesouraria celeste e dizem: “ah, lembrei que tenho que subtrair do dízimo a carona que dei ao irmão fulano. Isso me custou R$ 4,50”. Que tragédia!

Digo o que creio: Deus não precisa de seu dinheiro. Ele nunca vai lhe dizer: “ou dá ou desce”. Se você fizer mal uso dele, permitindo que assuma dimensões de uma potestade em sua vida, quem perde é você. Seu coração será contaminado pela ambição e pelo egoísmo, e você viverá enfermo da alma, tendo tudo e não possuindo nada. Dar é um princípio. Não interessa o valor, mas o coração desprendido e generoso. Quando você oferta a Deus, o maior abençoado é você mesmo. A viúva pobre, que depositou apenas duas moedas no gazofilácio, que o diga, pois o Senhor considerou a sua oferta como sendo a maior de todas... Ter liberalidade estimula dimensões e valores que ajudam a construção do ser, além de mover esferas espirituais, pois, conforme Paulo, Deus ama a quem faz isto com alegria, e não por esquizofrenismo religioso.

Quer dá? Então dê, com entusiasmo e coração agradecido, conforme suas posses. Não se surpreenda se a quantia ofertada, a partir desta nova perspectiva, for maior do que aquela que você fazia antes, no cabresto da fé-maníaca. Dê com consciência, sabendo que a obra de Deus não se faz só com fé e garganta, mas também com dinheiro. Exija, todavia, que as ofertas sejam administradas de forma séria e transparente, e que não haja manipulação. Se não quer dar, seja porque motivo for, não dê, é mais honesto e digno, e evita que sua oferta se transforme em oferta-de-tolo, sendo, assim, desprezada por Deus.

Portanto, para arrematar, como a gente diz aqui no nordeste, prego batido e ponta virada, saiba que, diferentemente do que você, talvez, imagine, Deus nunca leva “checho”, pois está apenas interessado no seu coração, e não no seu bolso. Por isso, mano, relaxe...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

O Avesso do Avesso


A música SAMPA, uma espécie de hino oficial da cidade de São Paulo, foi composta por Caetano Velozo em 1978. A canção fala da beleza e do caos ordenado da metrópole, onde as pessoas, de forma alucinadamente controlada, existem em meio ao asfalto acinzentado, ao céu esfumaçado e aos arranha-céus. Em certo ponto de sua poesia, Caetano cita a expressão “porque és o avesso, do avesso do avesso, do avesso”, ou seja, ele exprime que, mesmo amando de paixão a cidade, não pode deixar de perceber que ela é pura contradição, é a materialização dos desencontros humanos, de suas incongruências, inquietações e interjeições a respeito de si mesmos e da vida.

Pois bem, analisando os versos de SAMPA, me veio aquela “irreverente inspiração”... Imaginei como seria inverter a parábola do “Filho Pródigo”, girá-la pelo avesso, torná-la o avesso do avesso. O que teríamos, então? Qual seria sua nova perspectiva? Você já pensou nisso? É claro que não! Isso é coisa para gente doida feito eu. Permita-me, por favor, lhe contar como ficaria a história...

Certo dia o Pai reuniu os seus dois filhos e lhes disse: vocês não podem compreender o quanto eu os amo. Vocês trazem ares de festa ao meu coração e intensa alegria a minha alma. Quando olho para vocês ouço o som de todas as músicas, sinto o cheiro das manhãs e o aconchego gostoso do orvalho quando repousa sobre a relva. Mas eu tenho visto que vocês não sentem o mesmo por mim. Sim, eu vejo que nossa relação é formal, superficial e até artificial. Vocês entram aqui na minha casa e mal falam comigo. Estão sempre atarefados, cumprindo obrigações, seguindo regras, realizando coisas, e por isso não conseguem perceber que o que eu gostaria mesmo era algo totalmente diferente. Queria apenas estar com vocês, lhes ensinar a respeito da vida, de como vivê-la com propósitos e significados para que vocês pudessem crescer para dentro e, depois, se expandir para fora...

Mas vocês são irrequietos demais. Você, meu pequeno príncipe, meu filhote mais novo, só pensa em ir embora, atrás daquilo que imagina ser vida, mas que é apenas morte. Sonha em encontrar um significado para a existência, sem compreender que só a minha presença no ser é o que pode significar os dias sobre a Terra. Ah, meu filinho, você quer correr atrás do vento, achando que a felicidade está nas coisas, em possuí-las e delas tirar proveito. Ledo engano... Você certamente as possuirá, mas elas acabarão lhe roubando toda a alegria em existir...

E você meu lindão, você que é o mais velho, que pensa que sabe tudo, que já é maduro o suficiente, homem feito, com todas as percepções do mundo e dos fatos, ah, você ainda não entendeu coisa alguma... Você me serve por obrigação e, por isso, o seu serviço para mim de nada aproveita. Ele é apenas fruto de sua razão infantil, que imagina que eu faço barganhas, pois você acha que conseguirá de mim coisas se fizer àquilo que julga que eu necessito. Eu não preciso de nada! Tudo já é meu! Eu queria apenas o seu amor e a sua devoção, e que isso fosse fruto do bem e da paz que procede do coração, não de sua cabeça adoecida com tantas neuroses e racionalizações.

Vocês não imaginam o quanto eu sofro! Como eu gostaria de tê-los junto a mim. Eu poderia pacificar todas as suas inquietações, e ensinar-lhes o valor que há num sono tranqüilo. Eu poderia fazê-los compreender sobre a dádiva de saber esperar, e de nunca deixar de crer naquilo que é belo, pois isto produz harmonia interior e cura para o ser. Poderia ensiná-los sobre o valor que há nas coisas simples, e sobre a beleza única que existe na singularidade de cada dia. Mas vocês não querem nada disto. Um está ansioso para ir embora, o outro inconformado por imaginar ter que ficar.

Por tudo isto, por perceber que vocês não me amam pelo que sou, mas apenas pelo que tenho e pelo que posso lhes oferecer, decidi, então, ir embora. Sim, eu vou embora! Fiquem com tudo: a casa, os móveis, os bens e todo o dinheiro. Façam dele bom proveito. Repartam a herança como melhor lhes parecer. Eu, com pouco posso fazer muito, mas vocês, sem mim, mesmo com tudo, ainda não terão nada. Vou embora! Estou cansado de tudo isto. Estou cansado destas palavras que me são lançadas como resmungos, destes queixumes eternos, desta amizade banal, desprovida de verdade e valores. Estou farto! Vou embora. Não me peçam mais nada, pois o que vocês desejavam eu já lhes dei e, desgraçadamente, vocês perceberão que, sem mim, nada disto lhes aproveitará.

Gente, esta é a história do “cristianismo” de nossos dias, a representação patética da fé professada por nossa geração. É a simbolização do avesso do avesso, ou seja, da profunda contradição e hipocrisia que vivemos e que temos a petulância de chamar de vida cristã. Eu penso que Deus, não raras vezes, tem se retirado de nosso meio, de nossos cultos e de nossos templos. É que para Ele é a oferta que significa o altar, e o rito só ganha sentido quando procede da vida, não das formas. A igreja de nossos dias parece ter todas as coisas que pensa precisar, menos a presença de Deus. É como a Igreja de Laodicéia, que era pobre, cega e estava nua. Minha angústia não é que Deus deixe as nossas catedrais, mas que Ele, de tão cansado de tudo isto, resolva deixar também o nosso coração. Se isto acontecer amigo, ainda que venhamos a conquistar o mundo inteiro, seremos os mais miseráveis de todos os homens.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

O Clube da Esquina


Na década de 1960 surgiu um movimento musical em Minas Gerais que influenciou toda uma geração e fez despontar, mais tarde, grandes nomes da música popular brasileira, como Milton Nascimento, Lô Borges, Flávio Venturini, Wagner Tiso, Fernando Brant, Beto Guedes e os integrantes da banda 14 Bis.

Tudo começou quando essa moçada, que já se conhecia, passou a se reunir semanalmente para compor, tocar violão e jogar “conversa fora”. Depois de certo tempo, de tanto ficarem na esquina da Rua Divinópolis, no bucólico bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, Milton e os irmãos Borges resolveram batizar o encontro de “clube da esquina”, uma espécie de irmandade que se unia para falar de música, política, poesia, e tomar uma cachacinha, que ninguém era de ferro! “Eita trem bão!”.

Quando imagino a cena daquela “meninada” reunida no meio da rua, fico supondo que quem passava por ali, sem saber nem da procedência, nem da intenção, julgava tratar-se de um bando de vagabundos, boêmios irresponsáveis, malandros de ocasião, poetas fracassados, amantes desventurados, filósofos de botequim e beberrões. Quem, em sã consciência, poderia imaginar que daqueles encontros despretensiosos sairia tanta gente famosa e tantas canções maravilhosas?

Pois bem, pensando nessas “noitadas” de “BH”, e na riqueza produzida a partir daquela “ciranda de saberes”, acabei me lembrando dos muitos caminhos e encontros que Jesus experimentou na existência. Fiz a correlação por que acredito que por onde o Senhor passou, em cada cidade ou lugarejo, sempre quis, de alguma forma, estabelecer uma espécie de “Clube da Esquina”, ou seja, um lugar de encontro – no meio da rua, na casa de alguém, dentro da sinagoga, ou na beira do caminho – onde fosse possível gente comum “sentar na roda”, de igual para igual, e conversar com Ele, partilhar a vida e tornar perceptível os dramas e medos que advém do simples fato de ser.

E o Galileu gostava de gente, de prosa e de fazer amigos. Minha figura de Cristo sempre esteve associada a de alguém carinhoso, aquele sujeito que fazia questão de dar um abraço apertado, um beijo duradouro, um “cara” por quem você se apaixona logo no primeiro contato. Eu penso em Jesus como um homem contagiante, de riso farto, olhar penetrante e gestos generosos, alguém capaz de num “papo simples”, falar da beleza e do significado da vida com tal intensidade e singularidade, que não “converter” a Ele tanto a alma quanto o espírito era algo, simplesmente, impensável. Zaqueu que o diga...

Refletindo sobre estas questões, lembrei-me de um texto das Escrituras que expressa bem o que estou tentando conjecturar. Certo dia, “estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e pecadores.Vendo isso, os fariseus perguntaram: “Por que o mestre de vocês come com essa gente?””. Mt. 9:10-11.

Que tal uma exegese básica? Jesus está na casa de Mateus, um conhecido coletor de impostos, sentado à mesa, rodeado de picaretas, intermediários de negócios duvidosos, traficantes de influência, agiotas e toda sorte de gente de má reputação. Quem olhasse de longe, não teria nenhuma dúvida em afirmar que Ele havia se associado à escória local.

Para o Senhor, todavia, isso não representava problema algum. Se fosse comigo, pensaria logo no ministério, na reputação, na imagem... Mas Jesus? Que nada! Não estava nem aí. Sentou com a “moçada” e comeu o guisado de bode sem qualquer problema de consciência. É que na mesa que Jesus senta sempre há espaço para todo tipo de gente, sobretudo gente que se dessignificou como gente e que pode, a partir de um encontro com Ele, se perceber como gente novamente.

Naquele dia, entretanto, sob o teto “profano” da casa de Mateus, que existencialmente se fez “Clube da Esquina”, havia um cantinho para toda sorte de indivíduo, menos para a “trupe” indesejada dos religiosos de Israel, impregnada pela presunção e julgamento. Naquela “muvuca”, fariseu não entrava, e o motivo era um só: eles não podiam conceber a possibilidade do Sagrado se “misturar” com o profano, o Divino com o humano, o Eterno com o temporal. Desgraçadamente, não conseguiram discernir que, em Cristo, Deus e Homem se tornou um só ser e, em conseqüência disto, toda barreira de separação existente foi abolida.

Aí, para completar de vez a desgraceira, Jesus senta-se a mesa com a “ralé”, e quase que propositalmente passa a ignorar a suposta “elite” religiosa, que imaginava merecer deferências especiais em função de sua “pedigree espiritual”. Ficou foi tudo “na geral”! E a “rafaméia”, espremida na saleta, que não tinha nenhum entendimento das mazelas e salamaleques daquele arquétipo do “sagrado”, comia com alegria o pão e o vinho, lambuzava os beiços com o assado e deixava o riso correr frouxo pelo ar.

No final das contas e, de forma surpreendente, o simples almoço do “Clube da Esquina” acabou foi se transformando numa extraordinária oportunidade para que se fizesse saber em Israel, que só a Graça de Deus era capaz de incluir os excluídos e, ao mesmo tempo, excluir os que a si mesmos se julgavam inclusos. De uma “cajadada” só, o Galileu desconstruiu o “modelito” da eleição espiritual, baseado no preconceito, desmascarou a espiritualidade calcada na aparência e, de quebra, ainda embaralhou o “quengo” da “fariseada” de plantão, como, aliás, só Ele sabia fazer...

Diante de tudo isso, fiquei pensando: “quem me dera ser achado digno de sentar numa mesa como aquela!”. Como seria bom poder freqüentar um lugar onde fosse possível papear, tratar de coisas legais, falar de poesia, filosofar, tomar um cappuccino, encontrar gente resolvida, de bem com a vida, em paz com Deus e com seus semelhantes. Aí caí na real de que, na prática, ainda não achei um lugar assim...

Encontro de “crente”... Você já participou de um? Não ria não! Talvez ainda venha a participar... A maioria, amigo, é de enlouquecer. Mesmo quando o propósito é lazer, fica devendo no que diz respeito a prazer. Não raro, até os que se propõem a tratar de coisas, supostamente, “espirituais”, por vezes, se tornam insuportáveis!

Ajuntamento de “crente” ou é para falar de ministério e movimento, ou para fofocar sobre o pecado de alguém, de preferência o do pastor. Se aparecer um tocador e um violão, aí a “reunião” “corre o risco” de virar “vigília de oração”, umas com muita gritaria, e pouca ou nenhuma unção; outras com uma infinidade de lamúrias e choramingos, e quase nada de gratidão.

Quem passar ao largo, ou olhar da esquina, logo verá que aquele encontro não tem nada a ver com um “Clube da Esquina”, pois ao invés de fomentar pacificação interior, quietude do ser e quebrantamento de alma, produz apenas fadiga mental e ressaca espiritual, pois até mesmo o sagrado, se for mal “processado”, só é capaz de gerar enfado e canseira.

Se você for sincero, talvez chegue à conclusão de que muitos dos nossos encontros têm sido terríveis! Uns o são pela total falta de propósitos, e outros pela ausência de direção. A impressão que tenho é que é reunião demais, para assunto de menos... Ou tudo é muito técnico, ou esvaziado de sensações, pois quando o rito vira mito, petrifica o coração, embaça os sentimentos e desfaz a razão.

Ah, como seria legal ter uns encontros diferentes, onde a gente pudesse tratar de qualquer outra coisa, menos de “papo de igreja”. Mas parece que falta-nos assunto e, por conta disso, caímos sempre na vala comum do “besteirol “religioso”. Não raro, fica tudo muito parecido com “papo” de fariseu. Em cartaz sempre está os bastidores da instituição, a “fofocalhada” do fulano que separou da mulher, a última bobeira que o pastor disse no púlpito, o ministério tal que deu uma mancada, e por aí vai... Um suplício sem fim!

E aqui, me permita deixar algo bem claro: não estou culpando nem criticando ninguém de coisa alguma! Quem quiser que ponha sobre si a carapuça! Os que me conhecem sabem que só prego a partir de mim e para mim mesmo. Se a mensagem, todavia, “atinge” a outros, não é obra minha, é coisa de Deus, portanto, se não gostar, entenda-se com Ele. Expresso aqui apenas a minha angústia materializada na alma, e essa em função de saber que, como membro desta “confraria”, posso fazer pouco, ou quase nada, para que isso mude...

Eu não sou santo não. Longe disso! E sei como a “máquina” funciona, já faz tempo. Mas confesso: estou cansado mesmo! A “coisa” toda está me fazendo muito mal. Se você quiser me ajudar, não me traga certas “notícias”, nem me procure para tratar questiúnculas de igreja... Não quero nem saber! O “crentês” me dá enjôo. E, para fechar com chave de ouro, ainda tem o diabo, que está em quase tudo que vemos ou fazemos. O “capeta” na “igreja” tem mais status e poder do que Jesus. Aí, “patrão”, não tem quem não surte!

Que tal se acabássemos com tudo isso! Vamos fazer um jejum, rasgar diante de Deus a alma e o coração, pedir perdão ao Espírito Santo por tanta insensatez, ter a coragem de desmantelar tudo o que construímos a partir de nós mesmos, para permitir que Deus possa, ainda que através de nós, construir o que Ele deseja.

Que tal repensarmos a nossa fé? Que tal repensar, até mesmo, a igreja?! Isso! Se nos afirmamos como “Reformados”, por que, então, não damos seqüência na “reforma”?! O que é mais importante: a Instituição ou o Reino de Deus? Promovermos um “Clube da Esquina”, que seja capaz de viabilizar encontros humanos para que a Graça seja manifesta aos caídos, ou investirmos numa “confraria de membros esquartejados” – mal quistos, mal resolvidos, e mal amados?

O que sei, é que na Parábola da Grande Ceia, em Lucas 14, depois da desfeita que os convidados fizeram ao Anfitrião – gente do “clero”, líderes de ministérios, professores da EBD, ministros de música, etc. – Ele mandou foi buscar nas ruas e becos da cidade toda gentalha expurgada da vida – cegos, coxos, pobres e aleijados – gente desgraçada, que se amontoava nos clubes da esquina, gente que a gente acha que não é gente, e é incapaz de entender que é justamente essa gente que Jesus quer fazer gente e que, se assim for, será gente bem melhor do que a gente é!

Igreja é um ajuntamento em torno da “mesa” de Cristo, pois só quem partilha do pão e do vinho é que pode entender que a proposta é para o refazer do ser e, a partir disto, desenvolver uma espiritualidade sadia, tendo como matiz as dores e perdas da existência, pois só por meio delas é que a alma ganha musculatura e peso de gravidade, uma vez que aprendeu, pela via da pacificação interior, que a justiça que justifica o justo procede apenas da fé.

Domingo passado preguei sobre a parábola do filho pródigo... Sempre que leio a história, fico encafifado por que o Pai, ao receber o filho, não fez um culto de ações de graças ou uma vigília de oração? Por que não promoveu um “louvorzão”, ou uma noite de testemunhos? Será que o escriba, quando registrou o texto, confundiu a expressão “fazer uma reza”, com “fazer uma festa”? Que nada! Foi “balada” mesmo, até o dia amanhecer! E tinha um motivo: “Este meu filho estava morto e reviveu; estava perdido, e foi achado”.

Sinto falta deste tipo de encontro, desse “aroma” de festa. Se pudesse, criaria um “Clube da Esquina”, um “pedaço de chão”, sem dono, sem trono, em qualquer lugar, numa encruzilhada da vida, apenas para podermos conversar de forma leve, solta, expressar nossos sonhos, fracassos, perdas e alegrias... Bom seria se fosse um “ambiente” sem geografia, mas construído a partir da liberdade que é própria dos que amam a Deus, dos que estão fazendo o caminho enquanto o caminho vai se fazendo neles.

Deixe-me lhe fazer uma pergunta: você tem amigos na igreja? Amigos mesmo? De verdade? Pra qualquer “parada”? Em qualquer circunstância? No tempo bom e no tempo mau? Amizade que não se acabou quando você mudou de denominação, ou de paróquia, ou de endereço, ou de telefone, ou de gostos? Você tem? Você é que é feliz! Os poucos que eu tinha não enchiam nem uma mão. Hoje, sobram ainda mais dedos... Minha tristeza é saber que nem Cristo consegue, por vezes, unir as pessoas em torno de algo. E o pessoal de BH, do “clube da esquina”, continua sendo amigo até hoje...

Sonho com um “cantinho” onde fosse possível reunir gente boa de Deus. Um lugar onde reunião não tivesse que ser só de oração, pois, afinal, um cineminha, um teatro, ou um show de música não vai levar ninguém para o inferno! É “coisa do mundo”, eu sei, mas não é do outro mundo não, é deste aqui mesmo! “Foi para a liberdade que Cristo vos libertou! Não se submetam, novamente, a julgo de escravidão!” Não esqueçamos que, por questões semelhantes a essas, nosso Senhor foi chamado de “glutão, beberrão, amigo de pecadores e publicanos”. Por isso, não se deprima não...

Para terminar o texto, pois já é madrugada, fiquei pensando que assim como Jesus, existencialmente, criou vários “Clubes da Esquina”, nós também poderíamos criar um! Uma coisa, todavia, não devemos esquecer: é que todo encontro, de dois ou três, feito em Seu Nome, ou seja, a partir da perspectiva dEle em nós, só tem significação se for realizado em verdade e amor, e só ganha propósito se puder construir no ser paz para a alma e bem para a vida.

O que for diferente disso, meu “mano”, nos levará apenas de volta à mesmice de sempre. Vamos continuar nos encontrando, e na nossa “mesa” pode até ter todo tipo de “figurão de igreja”, com assuntos dos mais “espirituais” possíveis, mais, ainda assim, será uma reunião totalmente dessignificada. Ao final, quando encerrarmos os “trabalhos” e formos pelo caminho para nossas casas, lembraremos, de forma melancólica, aquela velha canção do Sérgio Bitencourt “naquela mesa tá faltando “Ele” e a saudade “dEle” tá doendo em mim”. E essa ausência “parceiro”, faz toda diferença..

Sola Gratia !

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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