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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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19 abril 2012

Perdoa-me por não Aceitar a Morte


Eu sei que “a coisa mais certa que a vida inventou foi a morte”, que nós, irremediavelmente, rumamos ao seu encontro. Estou informado, pelos Evangelhos, de que Jesus a venceu e, conforme o escritor de Hebreus, que essa vitória teve como objetivo livrar-me de todo pavor que ela produz. Tenho consciência de que aqueles que morrerem em Cristo, com Ele também ressuscitarão e ainda que, para Deus, ninguém jamais morre, pois, pelo sacrifício do Cordeiro, passam da morte para a vida eterna. Contudo, devo admitir, a morte me incomoda profundamente.

Teologicamente, eu sei que a morte veio com o pecado e, filosoficamente, entendo-a como eterno retorno, ou como afirmou o teólogo Leonardo Boff: “A morte é sim o fim da vida, mas fim entendido como meta alcançada, plenitude almejada e lugar do verdadeiro nascimento”. A morte está associada ao devir ou, como disse o filósofo Nietzsche, à possibilidade de, enfim, tornarmo-nos aquilo que de fato somos, a alternativa que temos para que se viabilize, finalmente, o projeto para o qual fomos concebidos. Mas, ainda assim, ela me inquieta e me intriga.

Tenho convicção de que isto não acontece com você, pois você tem uma fé inabalável e todas as certezas que me faltam. Mas não posso negar que, em cada funeral que participo, me vejo diante de perguntas ainda sem respostas. Sim, enterros e velórios me trazem certo vazio, uma melancolia impertinente para alguém que vive as dinâmicas do sagrado. Mesmo discernindo nas homilias todos os versículos que falam da ressurreição e da vida pós-morte, das promessas de perdão e consolo, não consigo fugir ao fato de que olho para a morte com rancor, com sentimentos de impotência e incompetência.

O que a morte abre como perspectiva não compensa o que elimina de potencialidades. De forma precisa, ela põe fim à criatividade, à engenhosidade humana, sua capacidade de inventar e inverter.

Mesmo compreendendo o escritor do Eclesiastes quando afirma: “Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio”, sinto-me constrangido por não aceitar completamente os desígnios do “Totalmente Outro”, usando aqui a expressão de Karl Barth, teólogo da Basileia. Talvez, na minha falta de fé, esteja mais identificado com o que afirmou Mário Quintana, “a morte não melhora ninguém...”. 

“Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo.”, Fp.1:23-24. 

Só mesmo Paulo... Está pronto para ir de encontro à morte, pois a vida, com todos os seus matizes, já foi vivida, e em nada mais o fascina ou desafia. Ao mesmo tempo, todavia, está disposto a abrir mão da vida que só pode ser experimentada após a morte, com vistas a que, através de sua morte-vida, os que ainda não receberam em si mesmos a semente da eternidade possam ser ressignificados e preparados para enfrentá-la.

Eu já tive a tristeza incomparável de enterrar meu pai e minha mãe. Mesmo tendo a certeza de que os encontrarei muito em breve, não posso negar a dor que senti. No funeral, muitos esperavam que eu, como homem da religião, pregasse em ambas as ocasiões. Imagina se eu não poderia desprezar uma oportunidade daquelas para “evangelizar” os perdidos? Perdoe-me Senhor, mas não pude fazer tal coisa.

Meu coração estava coberto de ambiguidades: de um lado confortava-me o fato de saber que Jesus é a ressurreição e a vida e que todo aquele que nele crê, ainda que esteja morto, viverá! Do outro, entretanto, estava um ser humano sentindo-se abandonado na avenida por onde passam as coisas concernentes à vida, pois, sendo filho único, percebi-me como alguém que não tinha mais raízes, havia sido desterrado, estava solitário e coberto de solidão.

Sei que bom seria se eu aqui dissertasse mais profundamente sobre aquelas frases clichês que se recitam em enterros, frases do tipo: “ele agora está com Jesus”, ou “estava sofrendo muito, enfim descansou”, ou ainda “este é o caminho de todo vivente”.


Na verdade, todavia, não estou disposto a disfarçar minhas incongruências. A morte não me alegra o coração, não me dá prazer, nem me traz consolação. Perdoa-me, Pai, por ainda pensar assim, por não aceitar esse fim, e muda isso que reside em mim e que resiste ao que só concerne a Ti.


O que sei, e é fato, é que a morte será mesmo o último inimigo a ser vencido, e eu sei que assim será, quando o meu dia chegar. No derradeiro instante, no último lampejo de luz, trarei a mim as Escrituras e lhe direi na face: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?”.


E assim, num abrir e fechar de olhos, deixarei para traz tudo o que fui e me revestirei de tudo o que sou. E será só aí que poderei compreender com total consciência e clareza as sábias palavras de Ernst Bloch, filósofo marxista alemão: “O verdadeiro Gênesis não está no começo, mas no fim”.


Carlos Moreira

13 julho 2011

Arranquei Jesus da Cruz!


Na próxima quinta-feira estarei sendo ordenado presbítero da Igreja Episcopal Carismática do Brasil. O arcebispo Paulo Garcia, que oficiará a cerimônia, é como um Pai, tem me ajudado e servido de referência desde minha conversão.

Na verdade, atuo como pregador do Evangelho há pelo menos 25 anos. Mas, do ponto de vista da instituição formal, só fui ordenado diácono em 2004. Canonicamente, deveria ter sido consagrado presbítero logo em seguida, mas toda vez que o assunto surgia eu acabava me esquecendo, e, assim, passaram-se 7 anos...

De fato, sempre acreditei que é Deus quem levanta homens e os capacita para a obra do ministério. Por isso nunca me preocupei em “costurar” ou “viabilizar” de alguma forma minha ordenação, sequer, tratei deste assunto com quem quer que fosse. Se hoje sou pastor, posso dizer, é pela vontade de Deus e pela imposição de mãos dos homens.

Como faço parte de uma Igreja de linha reformada – litúrgica, sacramental e carismática – que guarda a herança do cristianismo anglicano, procurei observar com atenção os detalhes da cerimônia para não fazer feio no dia. Foi desta forma que vi que existe um momento simbólico onde o presbítero recebe 3 elementos bastante significativos: uma Bíblia, a Estola Sacerdotal e um Crucifixo.

Bem, a Bíblia eu já possuo. Ganhei a primeira quando tinha 10 anos, de minha mãe. Hoje existe uma dezena delas na minha biblioteca. Aprendi a amá-la e utilizá-la para comunicar as verdades do Evangelho. Como ministro já ordenado, também tenho Estolas Sacerdotais, com as cores litúrgicas. Elas apontam simbolicamente para o fato de que eu estou cingido com o jugo de Cristo, ou seja, preciso carregar na consciência e no coração o fato de que o ministério nunca deve deixar de ser algo leve e suave, apesar de todas as dificuldades que lhe são inerentes.

Quanto ao crucifixo, dependendo do ramo da Igreja, pode assumir vários significados, sobretudo porque a cruz é um símbolo muito antigo e, ao contrário do que alguns pensam, não é patente dos cristãos. Para mim, todavia, a cruz que irei receber terá o propósito de trazer sempre a minha memória que foi o sacrifício de Jesus, através de sua morte, que proporcionou aos homens a possibilidade de se reconciliarem com Deus. 

Pois bem, como eu não tenho um crucifixo, fui hoje comprar um. Depois de ir a várias joalharias, e não me agradar de nada, resolvi visitar uma loja da Igreja Católica Romana onde existe farto material litúrgico. Lá encontrei um crucifixo muito bonito, mas com uma questão incômoda: havia nele a figura de Cristo pregada na cruz.

Ora, eu sou hoje um dos maiores defensores do retorno dos símbolos à Igreja. Os protestantes, sobretudo no Brasil, baniram de suas paróquias e congregações toda a beleza litúrgica por não quererem qualquer semelhança com os Católicos Romanos. Pura tolice, em minha opinião. Jogar fora 2.000 anos de tradição e história da Igreja por causa de algo tão pequeno e mesquinho chega a ser insano. Mas, fazer o quê?

Comprei o crucifixo, pois o achei de uma beleza incomparável, mas o meu Jesus não está pregado na cruz, ressuscitou, e isto para mim tem implicações profundas e um poderoso significado. Desta forma, lancei-me a tarefa de “descolar” aquele outro “Jesus” da cruz.

Com um objeto pontiagudo, fiz uma ligeira pressão sobre a peça e, tomado de surpresa, tive de agarrar “Jesus” com uma das mãos, pois “ele” praticamente “saltou” da cruz, como se quisesse se desprender dali há tempos...

Foi uma cena cômica, e eu comecei a rir descontroladamente. Fiquei imaginando a “agonia” daquele “Jesus” pregado naquele crucifixo desde o dia em que ele foi feito pelo artífice. Acho que minha atitude pôs fim ao seu grande tormento. Nunca imaginei que, um dia, iria arrancar “Jesus” da cruz!

Em toda essa história, verídica, diga-se de passagem, há duas lições preciosas. A primeira, é que Jesus foi crucificado e, naquele madeiro, ficou preso até a morte, só sendo retirado de lá depois de ter sangrado e agonizado pelos pecados de todos os homens em todos os tempos. A segunda é que a morte não pôde retê-lo, pois ele ressuscitou ao terceiro dia, como havia dito, deixando tanto a cruz quanto o túmulo vazios.

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Gl. 2:20.

Eu, não raras vezes, esqueço que estou crucificado com Cristo, “desprego-me” da cruz, e começo a viver conforme a minha própria vontade. Ele, todavia, tomou sobre si a minha iniqüidade, incluiu-me na sua morte para que eu pudesse usufruir da sua vida, do poder da sua ressurreição, pois pela fé estou assentado com ele nos lugares celestiais e nada, nem ninguém, pode me remover de lá ou alterar o que ele fez por mim.

Carlos Moreira 

24 abril 2011

Jesus Está Vivo!


Queridos amigos leitores da Nova Cristandade, desde quinta-feira tenho feito pequenas reflexões tentando seguir o que aconteceu em cada um dos dias que antecederam a ressurreição. Mas hoje, meu desejo é cantar, e não escrever. Compartilho com vocês a música "Jesus is Alive" de Ron Kenoly. A tradução está logo abaixo. Espero que gostem do vídeo e da música. Aleluia, Ele ressuscitou! Um abraço do amigo Carlos Moreira.






Jesus Está Vivo

Ron Kenoly

 

Pois toda a terra tremia
O sol escondera sua face e
Todos os homens que andavam com ele
Se viraram e fugiram
Eles crucificaram seu Salvador
E o sepultaram
A vida que uma vez
Trouxe amor e esperança
Se foi naquela tarde
Satana´s se vangloriava com prazer
Naquele dia no Calvário
Pois pensara que vencera
Uma grande vitória
E assim como ele, todos os demônios
Do inferno aplaudiram
Mas eles mal sabiam
Que seu fim estava próximo

Porque no domingo bem cedo
Como Jesus havia dito
Ele quebrou o curso
Do pecado e da morte
E ressurgiu dos mortos
Agora temos um novo começo
E um reino qeu não tem fim
Aleluia! Aleluia!

Aleluia!
Jesus está vivo!
A morte perdeu sua vitória
E o túmulo foi rejeitado
Jesus vive eternamente
Ele vivo está! Ele vivo está!

Ele é o alfa e o ômefa
O primeiro e o último ele é
O curso do pecado foi quebrado
Temos liberdade perfeita
O cordeiro de Deus ressuscitou
Ele vivo está! Ele vivo está!

Ele é o autor e
O consumador da nossa fé
A pedra qeu foi rejeitada
Hoje é a pedra angular
A morte não tem mais sua vitória
E o túmulo não tem mais sentido
Aleluia! Aleluia!

Maravilhoso Conselheiro
Um Deus poderoso ele é
O Pai da Eternidade
Ele é o precioso Príncipe da Paz
É o Verbo que vive para sempre
Ele vivo está! Ele vivo está!

(Tradução: letras.mus.br)

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