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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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26 janeiro 2012

O Agora e o Ainda Não




“Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”. 2ª. Co. 4:18

Não sei se  já te deste conta, mas teu dever é tornar-te um peregrino, um ser errante numa terra que não é tua, um andarilho da existência, alguém que deixa pegadas que se apagam enquanto ainda se caminha.

Por isso, não crie raiz, fuja de toda fixidez, esteja sempre pronto para ser “colhido do chão” da terra, pois tu e tudo é transitório, temporal, passageiro e fugaz. Lembra-te de que estais aqui apenas de passagem, um sopro e já não mais serás...

E eu penso comigo: coisa espantosa é o homem! Tão ambíguo, tão contraditório. Num momento é... no outro, já deixou de ser. Surpreende-me como consegue contrastar em si mesmo grandeza e miséria, luz e escuridade, paixão e ódio, vida e morte.

Eis aí vai o homem! Pensa que é, mas ainda não se tornou o que há de ser. O que será está mais a frente, está no futuro. Não te enganes ao pensar que ele trilha irremediavelmente rumo à morte, pois, na verdade, caminha a passos largos para nascer! Ou não sabes que é morrendo que se vive, pois a morte abre a porta, não a fecha, liberta-nos de quem fomos para vestir-nos de quem somos.

Portanto, olhe para a "morte" como tua amiga e aprende a esperá-la. Ela porá fim a todos os teus dilemas, te libertará de todas as tuas algemas, e, por fim, vencerá até mesmo o tempo. Sim, pois como disse Platão, "o tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel". Mas lembre-se: para se ganhar o direito de "morrer" é preciso, antes, aprender a viver...

Entende, então: só quando não mais fores é que poderás ser... Como bem citou Manoel de Almeida “sinto tamanha saudade de algo que nunca partiu, porque também nunca chegou”. Hoje ainda és informe, mas amanhã serás matéria eterna; hoje és parte, amanhã serás todo; hoje és pecado, amanhã serás redenção!

Sei que há em ti essa ânsia de transcender, de ir além, mar a dentro, céu a fora. É que tu almejas por aquilo que ainda virá, a “Nova Jerusalém”! Por isso sê paciente, espera só mais um pouco, não desistas de ti mesmo! Saibas que “embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia”.

Portanto, conforma-te homem. Se ainda não te decifrastes, não te devores! Aprende que existir é paradoxo, é absurdo, mas ao mesmo tempo é também paixão e beleza. Por isso te trago a poesia de Erikah Azzevedo: “eu sou o "eu vivo", num querer transcender toda a essência do meu viver... e sou o "eu posso" , num querer ser num além mais de mim. Eu sou o que sou, e ser... me consome!”.

E assim eu te digo: abraça a tua impotência, consola-te por teres limites, entende que ainda estás preso ao corpo, sois pó que tomou forma: finito, tolhido, rascunho. Aceita, então, que a Graça te basta, pois és o agora e o ainda não!

Por fim, aquieta-te, pacifica as tuas guerras e descansa sob o solo sagrado do teu coração. Acolhe, portanto, o fato de que, neste momento, vês “... apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, verás face a face. Agora conheces em parte; então, conhecerás plenamente, da mesma forma como és plenamente conhecido”.

Carlos Moreira

21 julho 2011

Pra Sempre, Sempre Acaba



"Ele fez tudo apropriado há seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez
”. Ec. 3:11

Depois de certa idade você começa a entender que tudo na vida é passageiro, fugaz, demasiadamente breve. Hoje, existe; amanhã, quem sabe? Esta é uma das grandes chatices da vida, nada é pra sempre; pra sempre, como poetizou Renato Russo, sempre acaba...

Eu já vivi a ilusão de que algumas coisas na existência eram pra sempre. Ah, como isso me fazia bem... Mas não era real... Hoje penso que, às vezes, é melhor acreditar numa boa ilusão do que ter de encarar uma dura realidade. Pena que meu pragmatismo não me permita viver com tal regalia.     

Houve um dia em que eu pensei que seria jovem para sempre, mesmo que meu corpo viesse a sofrer os desgastes próprios do tempo. Hoje, na meia idade, percebi que o envelhecimento não tem nada a ver com a degeneração do físico, mas com a perda da inocência, da irreverência, da anarquia, da capacidade de sonhar sonhos impossíveis.

Houve um tempo em que eu pensei que os amigos seriam amigos para sempre. Ao depois, entretanto, percebi que as amizades acabam por tornarem-se circunstanciais, algumas, inclusive, são meramente calcadas em interesses, outras, desfazem-se quando mudamos de endereço, de telefone, de empresa, de igreja... Constatei que minhas amizades, quais pedras de barro, foram se esfarelando até tornarem-se apenas poeira que cobre os meus pés exaustos de tanto chão.

Houve um tempo em que eu pensei que a paixão seria para sempre. Mas paixão é “bicho” indolente, foi feita pra voar, não para viver presa, por isso não é possível aprisioná-la na “gaiola” do coração humano. A paixão é como foguete de São João, quando despertada, rasga o céu com exuberância e desenvoltura, depois, todavia, desvanece, silencia, some na escuridão da noite do ser.   

Houve um tempo em que eu “vivi a ilusão de que ser homem bastaria”. Mas aí eu cresci, senti a necessidade de ser gente, quis ser reconhecido, singular, irrepetitível. Ser gente é mais do que simplesmente ser homem, pois homens não duram pra sempre. Aos poucos, entretanto, percebi que meus sentimentos se complexificaram, que minha alma tornara-se “sofisticada”, que minha consciência, momentaneamente iludida, imaginara ter evoluído a tal ponto de prescindir do meu coração. Sendo gente, pensei, jamais serei esquecido, ignorei o fato de que tudo na existência ruma para o irremediável, sucumbe em silêncio e solidão.  

Houve um tempo em que eu sentia estas coisas... Tudo isto invadia minha alma como raios de sol que rasgam as frestas da velha janela, até que atentei para o fato de que o único absoluto da vida é Deus, tudo o mais, sendo relativo, é passageiro e finito. Deus colocou a eternidade como pulsação interior no coração do homem, mas este, não compreendendo as dimensões e implicações deste estado pós-matéria, tenta tornar eterno aquilo que é apenas temporal.

De fato, pra sempre, sempre acaba, pois, no final desta estrada na qual todos nós estamos caminhando, existe uma grande placa onde estão presentes os seguintes dizeres: “Fim da Linha! Bem vindo à eternidade!”. Nesta nova dimensão pós-existencial, pra sempre é pra sempre mesmo, pois Deus assim o diz, e Sua Palavra, para mim, é mais do que suficiente para me fazer crer. E para você?...

Carlos Moreira


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