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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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22 outubro 2014

Efeito Cinderella



Não há consenso sobre a origem do Conto de Fadas mais arrebatador da humanidade: “Ciderella”. A versão mais popular dá conta de que ele é produto do famoso escritor francês Charles Perrault e teria sido escrito em 1697.

Decerto, Cinderella é uma história maravilhosa. De suas muitas nuances, uma me chamou particularmente a atenção nestes dias: a magia que transforma, momentaneamente, a garota rejeitada e descuidada em uma princesa estonteante.

Mas tudo na vida tem um custo... Aquele encantamento, que abria possibilidades e entretecia sonhos, tragicamente, tinha prazo de validade – dia, hora e lugar para acabar. E foi assim que, no bom da festa, Cinderella teve de correr para não se transfigurar na frente de todos e do príncipe, numa “gata borralheira”.

Como pregador e pensador deste tempo, percebo um fenômeno que vem acontecendo entre aqueles que dizem seguir a Jesus e ao Evangelho: o “Efeito Cinderella”. Trata-se de um tipo de prática religiosa que acaba por tornar o sujeito um refém da agenda do sagrado.

O Efeito Cinderella é a crença confinada ao ambiente, a espiritualidade de ocasião que consagra o personagem, a religião com hora marcada. Neste tipo de profissão de fé, o indivíduo pensa e age como crente apenas quando está conectado ao calendário da igreja, num culto, num movimento ou numa vigília de oração. Nestas circunstâncias, muda o olhar, a fala, os gestos, os atos, as convicções. Passa a seguir ritos, acredita em mitos, fala sério, torna-se ético no proceder e ascético quanto ao pecado.

Contudo, findo o “efeito mágico”, alterado o ambiente e as ambiências, a pessoa fica livre para viver conforme sua própria conveniência, entregue a tórridas concupiscências, dessensibilizado de consciência, amargurado de alma e petrificado de coração. No fundo, é como se a fé estivesse condicionada ao acionamento de um botão on/off , que liga e desliga conforme a ocasião e as circunstâncias.

Com tristeza, encontro maridos exemplares no Templo, mas que são adúlteros contumazes no escritório. Vejo gente sincera trabalhando em movimentos, mas mentindo descaradamente na sala de aula, pudica na EBD e depravada na mesa do bar. Para nossa vergonha, é a consagração do estelionato espiritual, a bipolaridade existencial, a dialética religiosa sem síntese, nem tem propósitos, nem se desdobra de forma consequente.

Bem dizia a canção consagrada na voz imortal da Elis Regina: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Sim, “nossos pais” adoravam no Templo, por isso tornamo-nos devotos de espaços pseudo-sacralizados, de geografias espirituais, batemos no peito diante do altar, mas ignoramos o necessitado agonizante em nosso caminho, somos sacerdotes que ofertam o ideal no altar da conveniência. 

Mas não esqueçamos que no grande banquete que nos aguarda, onde estaremos diante do Rei, não adiantará encantamentos. Naquele dia, não haverá como esconder a fratura exposta de nossa consciência, atrofiada por práticas refratárias ao amor. Ali, ou você se revestirá de vestes de louvor ou trajará trapos de imundice.   

Ainda é tempo de lembrar que Jesus nos desafiou a encarnar um tipo de espiritualidade que se projeta de ambientes para as dinâmicas do cotidiano. “Nem neste Templo e nem no Monte”, disse a Samaritana, mas andando em Espírito e em Verdade! Deus continua buscando gente que não se satisfaça com rotinas religiosas e que não se torne prisioneiro de catedrais. Sim, para estes, Ele ainda continua a dizer: “Vem e Segue-me!”.


Carlos Moreira
Outubro de 2014



01 dezembro 2010

Uma Geração de Vampiros

Desde que os jornais sensacionalistas como a Folha de Pernambuco entraram em circulação a violência e a morte foi banalizada e uma grande multidão de “vampiros” ávida por sangue espalhou-se por todos os lugares. São os novos vampiros urbanos, habitantes da cidade e não da lendária Transilvânia.

Não basta apenas ver pessoas mortas nos jornais e nos filmes da TV, é preciso que os cadáveres estejam mutilados, decepados, esmagados, empalados, mergulhados em poças de sangue, enforcados nas próprias tripas. Quanto maior a desgraça, mais leitores, mais dinheiro ganho.
Lembro de um dia, enquanto eu dava aula, que chamei um aluno à atenção porque ele ria sem parar no fundo da sala, sentado em uma cadeira na última fileira de bancas enquanto olhava um pedaço de papel.

“Por que você está rindo tanto? Alguma coisa muito engraçada? O que tem aí nesse papel?”; perguntei ao rapaz. Com um gesto ele levantou a mão contendo uma página de jornal na qual se via a fotografia de um homem decapitado e a sua cabeça repousando calmamente colocada em cima de um orelhão.

“É que se parece com o tio de um amigo meu”, e o rapaz continuou rindo sem controle algum. Pensei então comigo: “que geração é essa que ri de uma cena tão bizarra? Será que ele tem noção do que é uma vida humana? Acho que não”. O ser humano perdeu todo o seu valor, a vida nada significa.

A verdade é que somos vampiros, filhos de Vlad IV, geração do Conde Drácula, criaturas ávidas por sangue. Os nossos heróis são os homens mais sanguinários (Stallone, Vin Diesel, Capitão Nascimento) e os nossos filmes preferidos os mais violentos. Somos todos vampiros!


Você acha que não? Então me responda: você não se frustrou com a tomada quase sem violência do Morro do Cruzeiro e do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro? Seja sincero, admita, você gostaria de ter visto os traficantes esmagados pelos blindados da Marinha, metralhados impiedosamente, cortados ao meio por armas de grosso calibre não gostaria?

Você também é um vampiro, apesar dessa carinha de gente civilizada, você também deseja beber sangue. Foi a TV que fez isso com você, foi a locadora, foi a globo, foi a internet... “A vida imita o vídeo”.


Sangue, queremos sangue! Não somos muito diferentes dos antigos romanos que se reuniam em grandes multidões nas arquibancadas do coliseu de Roma para ver os gladiadores lutarem até morrerem envoltos em um rio de sangue. Somos uma geração de vampiros, e o pior de tudo: não temos medo de alho!

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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