Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
Mostrando postagens com marcador disfarce. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador disfarce. Mostrar todas as postagens

11 dezembro 2014

O Paraíso é Aqui



Sem dúvida alguma, um dos maiores fenômenos da tecnologia nos últimos anos são as chamadas redes sociais. Elas nos oferecem interação em tempo real com uma comunidade de pessoas, muitas das quais conhecemos intimamente, outras nem tanto, além de permitir que fatos e circunstâncias de nossas vidas possam ser vistos e comentados por terceiros.
Uma dessas redes sociais, que tem por objetivo promover diversão, criou um produto que permite que residentes do universo online possam viver uma vida paralela. Nele é possível trabalhar, estudar, passear, namorar, fazer compras, vender, ter novos amigos, viajar, ou seja, experimentar quase todas as dinâmicas de uma vida real.
Contudo, para os usuários do programa, a maior vantagem do metaverso tridimensional é que você pode ser quem quiser, ter uma outra vida, um alter ego, ser totalmente diferente de quem na verdade é! Nele você pode ser famoso, rico, bonito, saudável, bem empregado, ou seja, ter ou ser tudo o que você sempre quis, mas que, talvez, nunca tenha conseguido.
Sociologicamente falando, é curioso perceber esse fenômeno da contemporaneidade que está presente nas redes sociais. Nelas é mesmo possível ter uma vida dentro da própria vida, pois o ambiente virtual permite que qualquer um seja e se apresente da forma como bem desejar! Na verdade, a grande maioria das pessoas está ali se relacionando com outras tantas que nem sequer lhe conhecem bem, ou mesmo que nunca lhe viram pessoalmente.
Eu sou usuário de uma dessas redes. Entro lá para divulgar mensagens, artigos, reflexões, frases e pensamentos. Como não tenho tempo para ficar analisando o que se posta, às vezes dou uma olhada rápida no feed de notícias para ver o que aparece por lá... É como se você ficasse diante de um grande mural onde as pessoas postam as mais diversas informações: textos, músicas, imagens, vídeos, piadas, e tudo o que, eventualmente, lhes chama a atenção.
Obviamente, o material publicado pelas pessoas muda de acordo com os conteúdos interiores que em cada um existe, com sua matriz de valores. Como somos uma geração com muita aparência e pouca consciência, tenho percebido que, cada vez mais, encontro coisas inapropriadas e desagradáveis. Recentemente, inclusive, cheguei a afirmar que esse “ambiente” estava parecendo um grande lixão, onde é preciso um esforço hercúleo para encontrar algo que se aproveite.
Mas o que mais me impressiona nas redes sociais é o fato de que boa parte das pessoas vive, na grande maioria do tempo, uma enorme mentira, pois estão mergulhadas numa vida que não lhes pertence. É gente que está despedaçada fazendo piada, casais em crise postando fotos de amor, profissionais frustrados contando vantagens, pessoas solitárias compartilhando experiências maravilhosas, pais descuidados em fotos belíssimas com os filhos, gente flertando e contando lorota, etc.
Em resumo, é muita encenação e pouca verdade! O grande perigo de tudo isso é descuidar nos exageros e cair no que bem citou o escritor Millôr Fernandes: “Jamais diga uma mentira que não possa provar”.
Triste geração esta, onde ser o que se é tornou-se algo insuportável. Por isso, precisamos tanto do disfarce, de algo que nos projete da falsidade real para a realidade virtual. Tem toda a razão Erich Fromm, psicanalista alemão, quando afirmou: “Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar”. E me responda, com total isenção e honestidade, em que lugar se “mata” mais o tempo do que nas redes sociais?
Diante de tudo isso, alguém pode afirmar que sou contra a tecnologia. Não, não sou. Mas, confesso: sou totalmente cético quanto ao fato de que a tecnologia pode nos tornar pessoas melhores e dar à humanidade um futuro mais tranquilo. E aqui lembro de George Carlim, escritor norte-americano, que afirma: “Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos”.
Escrevi esse texto porque estive conversando com uma pessoa que conheço há bastante tempo – alguém que não pode me esconder os contornos de sua vida – e percebi que seu estado era preocupante. Sim, senti suas dores, discerni sua angústia, “inalei” sua tristeza, “sorvi” sua solidão, “degustei” sua ansiedade, seus medos, sua aflição . Foi um diálogo longo e difícil...
Todavia, na manhã posterior a essa nossa conversa, quando fui divulgar algo nas tais redes sociais, percebi que o dito cujo havia postado piadas e fotos engraçadas, contando vantagens e falando bobagens, como se nada do que está “depositado” nas gavetas do armário de sua alma fosse real.
Diante do ridículo da situação, e com certo ar de decepção, não me restou outra alternativa a não ser relacionar tudo aquilo com a velha canção do Bee Gees – “ Jive Talking ” – cujo título, numa tradução livre, pode ser compreendido como: “Papo Furado”. Sim, meu “mano”, tudo aquilo que foi publicado não passou de conversa mole, dissimulação e mentira.
Por isso, tenha muito cuidado ao navegar pelas redes sociais, pois, do outro lado da linha, tem gente de carne e osso – e não estátuas! Certo mesmo estava cantor e compositor Renato Russo ao afirmar: “Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. E viva o ciberespaço!

Carlos Moreira


22 outubro 2014

Efeito Cinderella



Não há consenso sobre a origem do Conto de Fadas mais arrebatador da humanidade: “Ciderella”. A versão mais popular dá conta de que ele é produto do famoso escritor francês Charles Perrault e teria sido escrito em 1697.

Decerto, Cinderella é uma história maravilhosa. De suas muitas nuances, uma me chamou particularmente a atenção nestes dias: a magia que transforma, momentaneamente, a garota rejeitada e descuidada em uma princesa estonteante.

Mas tudo na vida tem um custo... Aquele encantamento, que abria possibilidades e entretecia sonhos, tragicamente, tinha prazo de validade – dia, hora e lugar para acabar. E foi assim que, no bom da festa, Cinderella teve de correr para não se transfigurar na frente de todos e do príncipe, numa “gata borralheira”.

Como pregador e pensador deste tempo, percebo um fenômeno que vem acontecendo entre aqueles que dizem seguir a Jesus e ao Evangelho: o “Efeito Cinderella”. Trata-se de um tipo de prática religiosa que acaba por tornar o sujeito um refém da agenda do sagrado.

O Efeito Cinderella é a crença confinada ao ambiente, a espiritualidade de ocasião que consagra o personagem, a religião com hora marcada. Neste tipo de profissão de fé, o indivíduo pensa e age como crente apenas quando está conectado ao calendário da igreja, num culto, num movimento ou numa vigília de oração. Nestas circunstâncias, muda o olhar, a fala, os gestos, os atos, as convicções. Passa a seguir ritos, acredita em mitos, fala sério, torna-se ético no proceder e ascético quanto ao pecado.

Contudo, findo o “efeito mágico”, alterado o ambiente e as ambiências, a pessoa fica livre para viver conforme sua própria conveniência, entregue a tórridas concupiscências, dessensibilizado de consciência, amargurado de alma e petrificado de coração. No fundo, é como se a fé estivesse condicionada ao acionamento de um botão on/off , que liga e desliga conforme a ocasião e as circunstâncias.

Com tristeza, encontro maridos exemplares no Templo, mas que são adúlteros contumazes no escritório. Vejo gente sincera trabalhando em movimentos, mas mentindo descaradamente na sala de aula, pudica na EBD e depravada na mesa do bar. Para nossa vergonha, é a consagração do estelionato espiritual, a bipolaridade existencial, a dialética religiosa sem síntese, nem tem propósitos, nem se desdobra de forma consequente.

Bem dizia a canção consagrada na voz imortal da Elis Regina: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Sim, “nossos pais” adoravam no Templo, por isso tornamo-nos devotos de espaços pseudo-sacralizados, de geografias espirituais, batemos no peito diante do altar, mas ignoramos o necessitado agonizante em nosso caminho, somos sacerdotes que ofertam o ideal no altar da conveniência. 

Mas não esqueçamos que no grande banquete que nos aguarda, onde estaremos diante do Rei, não adiantará encantamentos. Naquele dia, não haverá como esconder a fratura exposta de nossa consciência, atrofiada por práticas refratárias ao amor. Ali, ou você se revestirá de vestes de louvor ou trajará trapos de imundice.   

Ainda é tempo de lembrar que Jesus nos desafiou a encarnar um tipo de espiritualidade que se projeta de ambientes para as dinâmicas do cotidiano. “Nem neste Templo e nem no Monte”, disse a Samaritana, mas andando em Espírito e em Verdade! Deus continua buscando gente que não se satisfaça com rotinas religiosas e que não se torne prisioneiro de catedrais. Sim, para estes, Ele ainda continua a dizer: “Vem e Segue-me!”.


Carlos Moreira
Outubro de 2014



15 maio 2012

O Que os Olhos não Vêem o Coração não Sente. Mas Faz mal do Mesmo Jeito!




É próprio do ser humano fugir de responsabilidades, não assumir erros, nem chamar para si o “peso” de decisões, muito menos ser coerente com suas convicções. Sim, coisa difícil é encontrar, sobretudo num tempo onde é possível camuflar quase tudo, desde a imagem até a realidade, pessoas que, reconhecendo suas falhas, defeitos, incongruências e interjeições, firmem posições.

A atitude de fugir, de esconder-se, não é algo novo. No texto do Gênesis já podemos ver tal comportamento na conduta de Adão e Eva. “Onde estais?”, disse Deus. Era o Criador a procura da criatura. Diante da transgressão cometida, a primeira coisa que ambos cogitaram foi desaparecer, tentaram encontrar um modo de evadir-se da culpa, das implicações inerentes ao que fora praticado. Tolinhos...

Na verdade, o ato de se esconder, de dissuadir, de disfarçar, está intimamente ligado com o fato de que, aquilo que não pode ser percebido, passa incólume, dá ao transgressor a sensação de imunidade e impunidade, de ter escapado ileso ao agravo realizado.

Pensando bem, talvez seja por isso que a sabedoria popular afirma: “o que os olhos não vêem o coração não sente”. Ora, se os olhos não podem discernir o que está se passando, então a alma nem sente nem se ressente de nada, pois tudo fica na sombra, vira esquecimento.

Esses conceitos são muito úteis para pensarmos sobre uma questão bastante polêmica: pecados que são percebidos e pecados que são de foro íntimo. O pressuposto é bastante simples: aquilo que não é visto não pode ser julgado, nem tornar-se alvo de condenação, de comentários ou fofocas. O pecado que se desenvolve na mente, por exemplo, só é discernido por quem o pratica, mas não tem como ser percebido pelo outro.

No entanto, quando o pecado é perceptível, vem a público, o “infeliz” que o cometeu torna-se réu da “corte dos santos”, alvo fácil de falatórios, a “bola da vez”, o “prato” quente servido para ser devorado na mesa dos “justos”, os quais o fazem com voracidade, mas sem qualquer compaixão ou misericórdia. Triste de quem for surpreendido em qualquer que seja a situação de pecado. Será vítima do “apetite” de uma “igreja” que tem prazer em ver mortos os seus feridos.  

Neste sentido, é fácil, por exemplo, condenar alguém que está embriagado. Seu estado é facilmente perceptível. Mas o que dizer de alguém que sente ciúmes? Ora, quem comete tal pecado, normalmente faz tudo para escondê-lo, sobretudo porque não deseja que a pessoa que é alvo de tal sentimento o saiba. Contudo, ao analisarmos Gálatas 5, que trata dos desvios da conduta humana, vemos que ambos são tratados da mesma forma, com igual severidade.

Jesus lidou com esta questão quando proferiu o Sermão do Monte. Nele está explicitado o que chamo de “Ética do Reino”, ou seja, os valores e conteúdos que fazem com que o bem aventurado seja aquele que é, que encarna no chão da vida a Verdade, que se cobre com a justiça que procede da fé, e não das obras.

No texto, o Galileu nos fala o seguinte: “ouvistes o que foi dito...”; em seguida, todavia, estabelece o novo paradigma: “eu porém vos digo...”. Faz isso por diversas vezes. Numa delas, usa um exemplo que era extremamente controverso na cultura judaica, e o é ainda nos nossos dias: a questão do adultério.

“Vocês ouviram o que foi dito: “Não adulterarás”. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”. Mt. 5:27-28. Perceba a maneira como o Evangelho trata a questão: tanto o explícito quanto o implícito são reprováveis diante de Deus, pois, mesmo aquilo que os olhos não vêem, tendo, todavia, se tornado fato “materializado” no coração, constitui-se pecado, e torna aquele que o cometeu réu do inferno.

Ora, isso está posto para que ninguém seja capaz de se justificar diante de Deus, uma vez que alguém até pode dizer: “eu jamais me deitei com outra mulher”, mas torna-se impossível afirmar nunca ter desejado alguém em sua mente e coração durante toda a vida.  

No fundo, a afirmação de Jesus foi proposital, pois tornou inviável todo caminho que tente promover auto-justificação. Por outro lado e, exclusivamente pela Graça, Ele mesmo se constituiu Caminho para a salvação de todo aquele que, crendo, deseje viver em pacificação, santidade e fé.

Quando realizo algo que desagrada a Deus, os olhos dos outros podem não perceber, seus corações podem até nem sentir, mas, a mim, faz mal de todo jeito! O pecado ofende ao Senhor, mas causa danos a minha alma e consciência. Por isso, é melhor andar sempre na luz, pois é na “claridade” que toda obra se torna manifesta, e só desta forma é que eu posso ser justificado, não por aquilo que faço, mas por alguém em quem creio, Cristo Jesus!


Carlos Moreira

12 maio 2012

“Quando o Corpo Pede um Pouco mais de Alma”




Que tempo este que nós vivemos. As mulheres buscam emagrecer para ficar com uma silhueta adequada ao “padrão” de beleza. Os homens, por sua vez, empenham-se em engordar, aumentam o volume para transformá-lo em músculos. Ao final, todavia, o que temos são mulheres esbeltas de corpo e pobres de alma, e homens fortes e musculosos, mas fracos de mente.   

O culto a imagem não é coisa da sociedade contemporânea. Em nossos dias, todavia, exacerbou-se a tal ponto que virou patologia. No caso dos homens, a disfunção chama-se vigorexia e, no caso das mulheres, anorexia. Ambas as doenças se remetem a transtornos dismórficos corporais, ou seja, a percepção por parte do doente de que sua própria imagem está distorcida.

Foi Platão, na Grécia antiga, o primeiro a formular a pergunta: “o que é o belo?”. Para os gregos, a beleza sempre foi algo fundamental. Mas eu penso que só agora, em nosso tempo, a questão ganhou contornos neurotizantes. As pessoas preocupam-se tanto com a imagem que esquecem que são mais do que apenas um corpo! Bem falou Confúcio, filósofo chinês,  "ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo". O avanço da indústria dos cosméticos, associado com as novas práticas da medicina estética – com plásticas restauradoras e modeladoras – tornou, a meu ver, o tema ainda mais dramático.   

Para quem tem dinheiro, o “céu” é o limite – ou seria o “inferno”? Corta, puxa, estica, infla, pinta, tudo é possível! É gente de 50, 60 anos querendo ter corpo de 20, ainda que a “cabeça” continue nos 15. Hoje, inclusive, estas práticas estão sendo cada vez mais buscadas precocemente. Até os adolescentes já entraram na “dança” do “culto ao corpo”, a “caça” pela perfeição estética, ainda que, do lado de dentro, falte-lhes um elemento essencial ao ser: a ética. Sou contra se investir na aparência? Não. Sou contra tudo o que maquia a verdade e camufla a essência, sou contra a falta de bom senso, de equilíbrio e inteligência. Ademais, lembrando David Hume "a beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla".

Na verdade, assisto com desânimo homens de 40, 50 anos trocando suas esposas, companheiras de toda uma vida, por garotas de 20. O mesmo acontece com as mulheres... Talvez nenhum deles saiba que “enganosa é a beleza e vã a formosura”. Sim, haverá um tempo em que será inevitável esconder rugas, calvície, celulites, cabelos brancos, culotes, varizes, marcas que o tempo produziu no corpo que, ainda sem querer, teve de acolher as “pinturas” que a vida trouxe com o findar da “primavera”.  

De que adianta um corpo perfeito numa alma disforme? De que vale cabelos bem tratados e um coração amargurado? Ou um rosto bonito e uma mente perversa? Pernas e braços torneados e uma alma árida, áspera? Pele de seda e olhos de aço? Há, como gostaria de ver gente investindo em ser mais generosa, mais misericordiosa, quebrantada, obediente, santa, temperante, amorosa, humilde e verdadeira! Gente que desejasse ser mais do que “carne emoldurada”, e sim “alma esculpida”, talhada pelo cutelo do Espírito Santo, refeita e ressignificada para servir aos propósitos do “Oleiro”.  

Não é a toa que a alma adoece tanto, pois a ela não é dispensado qualquer tipo de cuidado. Toda nossa atenção está voltada para o corpo, para a imagem. E de tanto se viver de disfarce, de futilidades, a substância interior se dilui, as estruturas do ser desmoronam, as “vigas” da alma se quebram e fazem irromper toda sorte de somatização que, não raro, acabam por destruir os “investimentos” realizados no corpo.   

Certo estava Lenine quando, em sua poesia urbana, declarou que o corpo precisava mais de alma! Sim, um corpo sem alma é como uma casa sem mobília – triste, vazia e sem vida. Num tempo onde a aparência conta mais do que o caráter e a beleza mais do que valores, sei que estou na contramão do “sistema”, investindo em ter conteúdos e consciência. Cuido razoavelmente do corpo que recebi, mas estou mesmo interessado no que ainda está por vir. 



Carlos Moreira


07 maio 2012

No Facebook Todo Mundo é Feliz



Um dos maiores fenômenos nos EUA nos últimos anos chama-se “Second Life”. Trata-se de um “metaverso, um mundo virtual tridimensional que oferece a qualquer um que tenha acesso a internet a possibilidade de ter uma segunda vida, um alter-ego”.

O Second Life permite que residentes do universo on-line possam trabalhar, estudar, passear, namorar, fazer compras, vender, ter novos amigos, viajar, ou seja, experimentar quase todas as dinâmicas de uma vida real, mas com uma enorme vantagem: no Second Life você pode ser quem quiser, ter uma outra vida, totalmente diferente da que já possui. Nela você pode ser famoso, rico, bonito, saudável, bem empregado, ou seja, ter ou ser tudo o que você sempre quis, mas que, talvez, nunca tenha conseguido. 

Quando eu observo o fenômeno das redes sociais, sobretudo o Facebook, eu me lembro muito do Sencond Life. E por quê? Porque o Facebook permite que se tenha uma vida dentro da própria vida, ele estabelece um ambiente virtual onde qualquer um pode aparentar ser o que desejar! Na verdade, a grande maioria das pessoas estão ali se relacionando com outras milhares que não lhe conhecem bem, ou mesmo que sequer nunca lhe viram pessoalmente.

Eu sou usuário do Facebook. Entro lá para divulgar mensagens, artigos, reflexões, frases, e para dar notícias sobre meu ministério e minha comunidade. Como não tenho tempo para ficar analisando o que se posta, às vezes dou uma olhada rápida no feed de notícias para ver o que aparece por lá... É como se você ficasse diante de um grande “quadro de avisos” onde as pessoas postam as mais diversas informações: frases, músicas, imagens, vídeos, textos, piadas, e tudo o que, eventualmente, lhes chama a atenção.

Obviamente, o conteúdo publicado por cada pessoa muda de acordo com os “conteúdos” interiores que em cada um existe, com sua matriz de valores. Como somos uma geração com muita aparência e pouca consciência, tenho percebido que cada vez mais encontro “material degradável” no Facebook. Recentemente, inclusive, cheguei a afirmar que esse “ambiente” estava parecendo um grande lixão, onde é preciso um esforço hercúleo para se achar algo que se aproveite.

Mas o que mais me impressiona no Facebook é o fato de boa parte das pessoas viverem, na grande maioria do tempo, uma enorme mentira, uma vida que não é a delas. É gente que está despedaçada fazendo piada, casais em crise postando fotos de amor, profissionais frustrados contando vantagens, pessoas solitárias compartilhando experiências maravilhosas, pais descuidados em fotos belíssimas com os filhos, gente flertando e contando lorota, têm de tudo um pouco, muita encenação e pouca verdade. O grande perigo, todavia, é descuidar nos exageros e cair no que bem citou o Millôr Fernandes: “jamais diga uma mentira que não possa provar”.

Triste geração esta, onde ser o que se é tornou-se algo insuportável. Por isso precisamos tanto do disfarce, de algo que nos projete da falsidade real para a realidade virtual. Tem toda a razão Erich Fromm quando afirmou: "somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar". E me responda, com total isenção e honestidade, em que lugar se “mata” mais o tempo do que no Facebook?

Diante de tudo isso, alguém pode afirmar que sou contra a tecnologia. Não, não sou. Mas confesso, sou totalmente cético quanto ao fato da tecnologia poder nos tornar pessoas melhores e dar a humanidade um futuro mais tranquilo. E aqui lembro de George Carlim; “construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicarmos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias”.

Escrevi esse texto porque, nessa madrugada, conversando com alguém que conheço há bastante tempo, que não pode me esconder os contornos de sua vida, percebi que seu estado era preocupante, senti suas dores, discerni sua angústia, “inalei” sua tristeza, “sorvi” sua solidão, “degustei” sua ansiedade, seus medos, sua aflição. Foi uma conversa longa e difícil...

Hoje pela manhã, todavia, quando fui divulgar uma programação da comunidade, percebi que depois de termos batido aquele "papo", o dito cujo passou o resto da noite postando piadas, fotos engraçadas, contando vantagens, falando bobagens, dizendo tolices, tirando “onda”, como se nada do que está “depositado” nos escaninhos de sua alma fosse real.

Diante do ridículo da situação, e com certo ar de decepção, não me restou outra alternativa a não ser relacionar tudo aquilo com a velha canção do Bee Gees – “Jive Talking” – numa tradução livre: “Papo Furado”. Sim meu “mano”, tudo aquilo que foi publicado não passou de “conversa mole”, dissimulação e mentira. Por isso, tenha muito cuidado, pois do outro lado da linha tem gente de carne e osso, e não estátuas! Certo mesmo estava o Renato Russo ao afirmar: “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. E viva o Facebook!

Carlos Moreira

01 maio 2012

“Sabe lá o Que é Não Ter e Ter Que Ter Pra Dar?”




“Convém que Ele cresça e que eu diminua”. A frase lapidar de João Batista é, além de desconcertante, inquietante. Quem, de sã consciência, fala um negócio desses? Quem, responda-me honestamente, quer diminuir, quer ceder o lugar, a vez, o espaço, o status? Eu lhe respondo: não sei. Só sei que eu não. Pelo menos, ainda não...

Mas talvez alguém me questione: “olha, abrir mão, nesta perspectiva, é deixar que Jesus se sobressaia!”. E eu respondo: eu sei! E é por isso mesmo que complica, porque Jesus não está atrás de nada, não precisa de nada, não tem que provar nada, não tem que defender nada, não tem que lutar por nada! Isso tudo é coisa minha, é dinâmica pequena e mesquinha da minha existência, da minha luta por um lugar em baixo do sol, da minha necessidade de parecer, de me fazer perceber, de buscar quem possa me reconhecer e, em tudo isso sentir, ainda que por um pouco, prazer.

Há algo me apertando a garganta... É uma vontade enorme de chorar, de gritar, de correr, de dizer que está difícil, “punk” mesmo, sofrido, doído, ou como se diz aqui por estas bandas, ardido. E eu preciso confessar! Preciso lhe dizer que não sou o que gostaria de ser, ou, melhor, o que deveria ser... Não há coisa pior do que você frustrar a você mesmo. Frustrar os outros já se tornou rotina, mas a pior decepção é quanto você vê que não consegue ser mais do que já é, chegou ao limite, e, ainda assim, é muito pouco... Lembro de Clarice Lispector: “oh chega de decepções, estou tão machucado, me doem a nuca, a boca, os tornozelos, fui chicoteado nos rins”.

Olho para a igreja... Vejo os “personagens” realizando “malabarismos” no “teatro de marionetes”. Sim, eles fazem mesmo o “show” acontecer. E como sabemos, “the show must go on!”. São todos “figurões da fé” lutando entre si de forma despudorada, acusando-se mutuamente, seja em secreto, seja nos bastidores eclesiásticos, seja de maneira aberrante na mídia, pra todo mundo ver. É gente muito “poderosa”, que construiu o seu próprio “reino”, mas que nunca esteve envolvida com o Evangelho, nem com Jesus de Nazaré, nem muito menos com o Reino de Deus.

Incomoda-me o personalismo, a divinização do humano, “pastores” sendo alçados a categoria de pop-star, gente que nunca teve nem referência nem consciência de que foi chamada para lavar os pés da igreja, para servir os que fazem o Corpo de Cristo. Sim “ministros”, nós devemos tomar os últimos lugares, tornarmo-nos os menores entre os menores, estarmos entre os que carregam as maiores cargas, os que sofrem em silêncio, que são perseguidos, injuriados, caluniados, e ainda termos a certeza de que nos tornamos alvo fácil para aqueles que abrem a boca com o fim de destruir em um mês o que foi construído com lágrimas em vinte, trinta anos.     

Domingo eu acordei cansado... Já faz parte... Dormi já era madrugada fazendo a mensagem. É a falta de tempo, não de zelo. Tinha vontade de tudo, menos de ir pregar. O corpo pesava duas toneladas, a cabeça doía, os pés estavam fartos de chão e os olhos cansados de tanto ver. Tive vontade de ficar dormindo. Pensei em ligar para alguém para me substituir. Mas levantei-me e fui... Tenho dúvidas se deveria. Não sei se era eu que estava ali. “Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar?”. Encarnei com todos os matizes a poesia de Djavan. Estava parado na “esquina” e, diante de mim, se encontravam minha consciência e minhas limitações.

Fui aos trancos e barrancos. Deus usou o que sobrou de mim. Era a contradição em pessoa. “Como isso é possível?”, perguntava-me como que repetindo um velho mantra. Lembrei que não sou eu, mas Ele em mim... Ainda assim... A comunidade em que sirvo já me conhece. Sabe que não faço “caras e bocas”, que não sou performático, que evito disfarces, salamaleques. Era só olhar para ver que eu não estava bem. Mas tinha de estar. Tinha? Não sei, acho que tinha! Mas não estava... Como disse o Cáio, “Eu sou Biribá, não nasci para ser Fruta do Conde”.   

Se quiseres mesmo saber o que sou, sou iconoclasta, estou em busca de desmascarar e destruir os “ícones”, os “ídolos”, as “imagens”. E faço isso começando comigo mesmo, me expondo e abrindo o meu ser para que saibas que não sou o que pensas, nem mesmo o que penso eu, pois na verdade sou pó e podridão, poeira e solidão. Sim, não fosse a Graça que sustenta os caídos, sequer me levantaria da cama, amargaria existir de mim para mim mesmo.

Desculpe-me se de alguma forma te choquei... Faz parte do meu “show”... É melhor que saibas por mim mesmo sobre mim do que pelos outros, que de mim nada sabem além do que fragilmente conseguem perceber. Mas eu sei que sou mais do que o que eles podem ver e menos do que eu gostaria de ser. “That´s all folks!”. Quem lembrar vai entender... “E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou...”. Jota Quest.  

Carlos Moreira

Mais Lidos

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More