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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

15 março 2016

Coronéis da Fé



Impedir uma pessoa de ser Batizada ou tomar a Ceia por causa de questões existenciais e comportamentais é, sem dúvida alguma, uma das ações mais perversas que já vi a igreja cometer.

Tristemente, conselhos de igreja, chefiados por coronéis da fé, gente preconceituosa e vestida de hipocrisia, acham-se no direito de negar esses sacramentos a divorciados, gays, casados com uniões estáveis, mas sem contrato cartorial, dentre outros, os quais não se encaixam no manequim religioso denominacional, que varia de agremiação para agremiação.

Ora, Jesus não negou a Ceia a Judas, que o havia traído horas antes, e Filipe batizou o Eunuco Etíope sem exigir preenchimento de formulário de conduta, para avaliar a aptidão do mesmo, ou fazer perguntas sobre suas práticas e crenças, mas apenas afirmou: “Se creres, é lícito”.

A igreja quer se arvorar a ser “o caminho a verdade e a vida”, ela quer ser a Porta do Reino, o Tabelião do Céu, filtrando quem pode e quem não pode entrar, quem está apto a se relacionar com Deus, quem deve e quem não deve ser perdoado, quem é santo o suficiente para se tornar membro da confraria e quem não atende aos requisitos comportamentais da agremiação.

Ora, como sabemos, a santificação é um processo que acontece em cada um de nós por ação do Espírito Santo, é um lavar regenerador da consciência, e isso leva tempo! Deus não destrói quem eu sou, mas reconstrói minha natureza, de forma gradual e misericordiosa.

Portanto, impedir alguém de participar destes meios de Graça é abuso de poder, é querer legislar em terreno onde apenas o amor e a fé podem se manifestar, é proselitismo denominacional, é acepção doutrinária em função do preconceito comportamental.

Por isso afirmo: quem pode dizer que é digno de participar da Mesa do Senhor? Ora, é por isso que Paulo manda que nos examinemos antes de comer o pão e beber o vinho, pois é no exame sincero que reconhecemos nossa indignidade e pedimos perdão ao Pai. Quem é justo o suficiente para ser Batizado? Ninguém! O que o Evangelho me ensina é que o requisito é “Quem crê”, a despeito de qualquer outro.

Eu prefiro abrir portas, para que os homens entrem na presença do Senhor, ao invés de colocar empecilhos, pois, lembrando as palavras de Jesus, quem assim o faz nem entra, nem deixa os outros entrarem...


Carlos Moreira

Jesus era um “Realista”




Jesus não tinha uma visão “romântica” da sociedade, nem advogava causas que dissessem respeito a igualdade social, como se ele fosse um marxista precoce.

Diante da politicagem hipócrita de Judas, que recriminou Maria pelo desperdício do perfume de Alabastro utilizado para ungi-lo, declarou sem pruridos: “Os pobres sempre tendes convosco”. Era uma leitura realista de que a humanidade, mesmo que o ideal fosse outro, sempre se organizará em castas, havendo, portanto, ricos, pobres, classe média, estrangeiros, etc.

A mensagem de Jesus, bem como a dos Profetas, priorizou os desprestigiados, denunciava a injustiça, o descaso, a abastança da aristocracia em detrimento da miséria da mão de obra escrava e da população essencialmente agrícola de Israel, a opressão dos governos imperialista, mas jamais reivindicou para si uma ideologia comunista, onde houvesse as mesmas oportunidades para todos.

Na verdade, o Reino de Deus se baseia na justiça, não na igualdade, se baseia na verdade, não na utopia, insta o indivíduo a ser solidário, a se importar com a dor do outro, a repartir o que lhe sobra, a fomentar a dignidade humana, mas não desconsidera o homem em sua natureza caída, nem faz vista grossa a presença incômoda do egoísmo, da ambição, da insensibilidade como marcas indeléveis do pecado na consciência e no coração das pessoas, mesmo aquelas que já foram alcançadas pelo Evangelho.

Há pessoas que defendem que, na igreja primitiva, em Jerusalém, existia um modelo de cristianismo socialista. De certo, aquela comunidade experimentou, por curto período de tempo, um “avivamento” social, onde as propriedades e bens foram vendidos e os recursos acabaram sendo repartidos por todos. Mas o resultado final não se mostrou exitoso, pois, pouco tempo depois, Paulo teve de fazer arrecadações para suprir às necessidades dos irmãos pela carestia que os havia alcançado.

Quem acredita num sistema de igualdade de classes, deve olhar para história da humanidade e perceber que, mesmo desejável, isso jamais foi viável. Agora, no que tange a Deus, penso, fomos nivelados em condições de igualdade em, apenas, duas questões: (1) Todos somos pecadores; e (2) Todos somos chamados a receber o perdão e a reconciliação.

O mais, para mim, enquadra-se na tentativa dos políticos de vender sonhos e tirar vantagens do povo, ou na ideologia de teólogos e filósofos religiosos que propõem mudar o mundo sem, contudo, jamais se levantarem de suas poltronas para fazê-lo.


Carlos Moreira

Saia do Armário: o Evangelho te faz ser Normal!

Em 33 anos, portanto, tempo suficiente para firmar uma opinião, vi o que a religião pode produzir na vida das pessoas. Sim, percebi que, por vezes, as neuroses mais profundas, as taras mais insanas e os medos mais perversos nascem na alma de gente que se esconde dentro de igreja, que, apesar de seguir um catecismo de doutrinas, jamais teve uma experiência que transformasse a consciência e se desdobrasse como paz e bem no chão dos dias. O disfarce é o mal maior dessa gente, pois, sem nos percebermos, sem nos encararmos, toda a possibilidade de pacificação e cura se dilui, a existência performática, baseada na encarnação de um personagem, traz um dano sem fim à psique humana, transforma o real num teatro de mambembe a céu aberto, faz à máscara se tornar a face nossa de cada dia. Por isso o convite de Jesus no Evangelho é nos chamar para luz, pois não há nada melhor para o ser do que olhar para a vida de cara limpa, sem as maquiagens e os retoques produzidos para disfarçar pseudo-imperfeições, sem se deixar escravizar por etiquetas comportamentais que satisfazem o apetite de gente possuída pelo espírito religioso. Seja livre! Seja normal! Assista a esta mensagem e liberte-se de todo o grilhão religioso que eventualmente esteja lhe prendendo.


 

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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