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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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18 setembro 2012

Homens que Marcam o Chão em que Pisam




Há homens que nascem para marcar o chão em que pisam. Eles são singulares, irrepetitíveis. Gente desta envergadura não se satisfaz em passar pela vida como turista. Eles desejam imprimir algo na história da humanidade, saciar o apetite de ir além do trivial.

Pensando nisso, lembrei que a indústria do entretenimento, motivada em reverenciar e imortalizar seus ídolos criou a famosa Calçada da Fama, em Hollywood. O seu longo passeio, de forma inusitada, está “eternizado” com as marcas das mãos e pés de centenas de celebridades do showbiz.
   
Mas para entrar nesse seleto hall é preciso atingir o “sucesso”, tornar-se midiático, e, não raro, extravagante. As marcas daquela calçada mais parecem “pegadas” que descortinam a história de cada um, todas escritas num chão comum. Mas foi a “poeira da existência”, acumulada pelos anos, o que acabou por esculpir na lousa da vida o que veio a se constituir narrativa pessoal.

O que tenho observado na “sociedade da imagem” é que só aqueles que escreveram seus nomes nas “Calçadas da Fama” se notabilizaram. Ninguém se atém às “pegadas” comuns daqueles que se levantam às cinco da manhã para realizar coisas corriqueiras. Gente que tem de caminhar pelo solo pedregoso da favela para apanhar a condução lotada e ir para o serviço. Eles entram nas fábricas, cumprem suas jornadas e recebem pelo que fazem. Mas, sem perceber, acabaram se tornando apenas peças da grande engrenagem que engole pessoas e devora o ser.

Pelas “calçadas da vida” há pegadas de muita gente boa, quase todas sobrepostas, o que nos mostra que, independentemente da direção, o caminho de todos os homens é sempre o mesmo. As marcas que produziram ficam apenas “impressas” no diário daquele dia, na rotina anônima de cada um. E assim, ao final da empreitada, todas desaparecem, sobra apenas a fadiga da alma e o cansaço do corpo.

Analisando tudo isso, ocorreu-me a figura de Moisés, o hebreu que conduziu o povo de Israel do Egito até a Terra Prometida. Sempre acreditei que o fato dele não entrar no lugar que fora prometido aos Patriarcas produziu uma imensa frustração, pois diz o Texto Sagrado que ele apenas viu a terra de longe e faleceu em seguida.

Como sabemos, Moisés caminhou 40 anos pelo deserto. Certamente neste tempo produziu muitas pegadas, mas todas foram apagadas pelo tempo e pela areia do solo da Palestina. Elas não ficaram esculpidas senão na sua alma, pois caminhar no deserto faz as pessoas enrijecerem a pele e abrandarem o coração. O “deserto” não é local para empreender uma carreira de sucesso, é lugar para forjar homens de valor.

A história de Moisés, de certa forma, é semelhante à minha, quem sabe, à sua. Eu já andei muito pelo chão da Terra, mas todas as minhas pegadas foram apagadas pelo tempo, delas nada restou a não ser a lembrança dos caminhos que fiz, tanto os que me conduziram à paz e ao bem quantos os que se constituíram veredas de sombra da morte.

Por isso, ao lançar o seu olhar sobre alguém, não busque apenas discernir se ele conseguiu ou não escrever seu nome no hall de galerias célebres, como a Calçada da Fama. Pois, como disse certa vez Clarice Lispector: “Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar...”.

Às vezes, os grandes passos que damos não serão sequer percebidos, passarão incólumes da “plateia”. Eles não serão transmitidos em cadeia nacional de televisão, como foram os de Neil Amstrong, que pisou no solo lunar. Contudo, tais pegadas, feitas sob a poeira que se esvai, ao final de um dia comum, no solo sagrado da vida, revelam o caminho que um homem escolheu fazer, qual direção desejou seguir e que tipo de “frutos” colherá enquanto caminha.

Carlos Moreira

30 junho 2011

Alterar a Agenda não Significa Transformar a Consciência


Quando alguém aceita a Cristo como seu Senhor e Salvador, não percebe, de imediato, o milagre que se realizou silenciosamente em seu ser, o desencadeamento de todo um processo interior e espiritual em proporções inimagináveis.

Através da iluminação do Espírito Santo, que produz a consciência de pecados, nascemos de novo, recebemos o próprio Espírito em nossas vidas, apropriamo-nos da remissão de pecados – mediante o sangue do Cordeiro – somos justificados pela fé, pois cremos com o coração e confessamos com a boca a Jesus, e, a partir de então, começamos a viver os prenúncios da eternidade, pois nossa consciência começa a ser reelaborada a partir da matriz de valores do Evangelho, o que nos leva a praticar atos de justiça.

O processo de santificação, que é este desafio de, no caminho encarnarmos “O Caminho”, é algo que vai sendo gestado de dentro para fora, das percepções para as ações, dos conteúdos para a prática, algo que permite com que carisma e caráter caminhem lado a lado, harmonizem-se com a finalidade de construção de um novo ser, pois, como disse Proudhon, “a revolução sucede à revelação.

Isso fica bonito num texto religioso-filosófico, mas, na prática, a realidade é outra. O que tenho visto, nas últimas décadas, é que o “evangelho” não produz mais aquilo que deveria produzir, ou seja, ou ele perdeu a sua eficácia com os anos, ou o que estamos pregando é um outro “evangelho”!

Sinto uma alegria indescritível quando encontro alguém que me relata ter tido recentemente uma experiência com Deus através de Jesus Cristo. Por outro lado, minha alma é invadida por uma imensa tristeza, pois sei que há grandes chances desta pessoa se tornar uma vítima da engrenagem  das instituições religiosas, pois, como disse Nietzsche, “Deus está morto e o seu túmulo é a Igreja".

Quando o filósofo escreveu esta sentença, estava diante de uma religião perversa, a qual havia criado um “deus” caricaturado, um ser absoluto e indiferente. “Matar” Deus, significava extinguir o dogma, o conformismo, a superstição e o medo, era a proposta da não imposição de “regras”, as quais impediam a transcendência do ser, sua auto-afirmação, sua busca por elevação em sua saga existencializada.

O que vejo em nossos dias é que as pessoas “desembarcam” nas comunidades, às vezes oriundas de movimentos, outras após aceitarem o convite de amigos ou parentes, em algumas situações após terem levantado a mão num “apelo”, seja como for, e, a partir daí, iludidas pelo "sistema", começam a imaginar que a vida cristã significa apenas uma mudança na agenda, e não uma transformação na consciência!

O “novo convertido” inclui em sua programação semanal um culto dominical, uma reunião de oração, a participação em um pequeno grupo, ou mesmo num movimento, e pronto, toda a sua vida está rearrumada! Agenda refeita, lá vai o novo “crente” “mundo a fora”, ano após ano, e nada do que ele faz é capaz de produzir transformações significativas em seu ser – reestruturação emocional, ressiginficação conjugal, reelaboração familiar, renascimento espiritual, redirecionamento profissional.

É que o sujeito, não raro, apenas trocou o bar pelo pequeno grupo, o cinema pelo culto, a praia pelo movimento e a palestra pela reunião de oração. Ele mudou a agenda, mas não mudou o coração. Em alguns anos, irá sentir-se totalmente esvaziado de propósitos e significados, viverá uma fé epidérmica, uma espiritualidade não-sustentável, se decepcionará com a Igreja, ou, talvez, até com o próprio Deus, irá tornar-se um “esquentador de banco”, freqüentador de reuniões que possuem, como único objetivo, purgar de sua consciência um sentimento de culpa por ter se tornado um ser sem emoção, sem reverência, sem devoção. 

Termino com Karl Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão: “a verdadeira existência é a possibilidade de transcender a situação na qual nos encontramos”. E eu, na minha insignificância, fico pensando: e se não for isso, então, o que será? 

Carlos Moreira

03 janeiro 2011

O "Show" não Pode Parar!


Um dos filmes que mais marcou a minha adolescência foi “All That Jazz”. Interpretado pelo ator Roy Scheider, foi exibido no Brasil com o título “O Show não Pode Parar”. Na verdade, trata-se de um relato semiautobiográfico da vida de Bob Fosse, escritor, diretor e coreógrafo, vencedor, dentre outros prêmios, do Oscar.

Em “All That Jazz”, Joe Gideon é um produtor que está montando uma peça para a Broadway. Em sua cansativa rotina, ele sempre começa seus dias ligando o toca-fitas – tempo bom – pingando colírio nos olhos e tomando comprimidos de dexedrina. Em seguida, entra no banho, olha-se no espelho e repete a famosa frase: “It’s show time folks!” – “É hora do show pessoal!”.

Como acontece em outros musicais de Fosse, o bom e atento espectador perceberá que a ideia central do filme é mostrar que, na sociedade contemporânea, todos nós vivemos de certa forma no “mundo do espetáculo”, baseado na fantasia, na encenação.

Fico pensando se não foi esse o sentimento de Jesus quando ele observou as dinâmicas produzidas pela religião de Israel, em particular, ao analisar os contornos e entornos do que se passava no interior do templo de Salomão.

Vejamos o texto: “Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse: Está escrito. "A minha casa será chamada casa de oração mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões.”, Mt. 21:12-13.

Talvez você esteja se perguntando: mais o que esta passagem de Mateus tem a ver com o filme “All That Jazz”? Eu lhe respondo: tudo!

Nessa passagem, Jesus entra em Jerusalém e se depara com o “show” montado no lugar onde era feito o sacrifício e realizadas as orações. Era o shopping da religião, onde tudo podia ser comprado, desde souvenirs e quinquilharias sagradas, até animais, comidas e plantas para se fazer ofertas.
Isso sem falar no câmbio do dinheiro estrangeiro, feito com pesado ágio. Sem dúvida, ali funcionava um grande centro de negócios, operado em pequenas barracas, que promovia um comércio farto e rentável.

Mas Jesus ao ver a perda da significação de propósito daquele lugar, ao constatar a cauterização a qual chegara a consciência da nação de Israel, ao perceber o endurecimento do coração daquela gente, partiu para cima da “moçada” com azorrague nas mãos distribuindo tabefe para todo lado e repetindo: “a minha casa será chamada casa de oração”. O barraco foi grande, não ficou nada de pé.

Eu acredito que a grande tristeza do Galileu foi ver que aquele tipo de religião era calcada em exterioridades, em ritos ocos e dessignificados. Era uma liturgia esvaziada de propósitos, com a oferta sendo banalizada, o desrespeito para com o altar, que significava a oferta, a entrega do que sobejava, a dádiva sem esforço, o arrependimento epidérmico, sem consequências ou desdobramentos, a contrição de ocasião, o sacrifício do ideal no altar da conveniência. Tudo tão semelhante com o nosso tempo...

Mas, no dia seguinte, o que você acha que aconteceu? Que os “traficantes do sagrado” estavam de joelhos no Templo? Que os “mercadores da religião, aos prantos, atiravam-se no átrio? Que os “feiticeiros da fé”, com pano de saco e cinza sobre a cabeça, faziam oblações? Nada! No dia seguinte, tudo já estava de pé novamente, refeito, e o comércio já havia voltado a operar normalmente, do mesmo jeito de antes, afinal de contas, o “circo” tinha de continuar operando!

O que sei é que, quando a vida vira rotina, precisamos escolher entre começar um novo ano, uma nova etapa, rever escolhas, valores, princípios, prioridades, ou voltar a repetir tudo de novo, as mesmas práticas e, como no filme, declarar: “É Hora do Show Pessoal!”.

Sim, não se iluda, a religião entorpece o ser, deixa dormente os sentidos, embebeda a consciência, engana o discernimento. Creia-me, até o sagrado pode se tornar enfadonho, algo mecânico, que come o ser por dentro e só deixa trevas e morte.

Entra ano, sai ano, e a vida da grande maioria das pessoas continua a mesma. Pactos são feitos, promessas, correntes, campanhas, “salamaleques” dos mais diversos, mandingas evangélicas, “boacumba”, e nada muda! Não muda o caráter, não mudam os valores, não mudam o “olhar”, a consciência, o coração, as atitudes.

Muito pelo contrário, a vida segue da mesma forma, pois tudo é parte de um grande circo, de uma encenação. É um embuste, um estelionato, a fé arrotada pela boca, à letra morta, contudo contradita pelas ações, pois não houve arrependimento – metanoia!

Por isso, vamos lá! Comecemos tudo de novo! Levantemos a lona do circo para entrarmos no “picadeiro” da existência! Acendam-se os holofotes, liberem os “palhaços da vida”, as “marionetes da religião”, os “saltimbancos anarquistas”. Deixem que comece o espetáculo, abram as cortinas para que entre em cena o disfarce nosso de cada dia. E não nos esqueçamos do principal:

“o Show não Pode Parar!”.

Carlos Moreira


14 dezembro 2010

Você Está Disposto a Dizer Sim ao Não de Deus?


Na vida, a gente acaba colecionando mais o erro do que o acerto, mais a tristeza do que a alegria, mais a queda do que a conquista, mais o não do que o sim. Saudosista que sou, acabei lembrando que, antes de compreender estas verdades, tinha dificuldades com o texto de Eclesiastes que diz “melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.

Creia-me, não há nenhum masoquismo sádico na frase do filósofo. Trata-se apenas da constatação de que o sofrimento e a dor podem, em certas circunstâncias, produzir algo de bom para a vida. De fato, nunca vi nenhum empresário sentar-se introspectivo para analisar o porquê do sucesso de um grande negócio. Mas tenho visto alguns que assim o fazem quando suas empresas vão a banca rota. Não tenho encontrado pessoas quebrantadas em lugares festivos, mas percebo-as cabisbaixas em funerais ou em visitas a doentes terminais.  

É muito difícil encontrar o riso fácil na vida de uma mulher solitária ou mesmo o entusiasmo num quarentão desempregado. No fundo, a vida é feita mais de não do que sim, e isto, tenha certeza, pode produzir valor e significado a existência. Mas esta não é uma mensagem para os nossos dias, sobretudo nos círculos religiosos. A teologia da prosperidade está aí para contradizer tudo isto que eu estou pregando. Ninguém está disposto a dizer que a dor, a dificuldade, o fracasso e até a solidão podem produzir frutos extraordinários para a consciência das pessoas de tal forma a materializar no caminho um proceder diferente.

As Igrejas do nosso país estão cada vez mais amontoadas de gente em busca de um “deus” que só diga sim. Ligo a televisão e fico estupefato com as loucuras que estão sendo pregadas nos canais ditos “evangélicos”. Em termos de literatura a desgraça não é menor. Livros com aberrações doutrinárias estão aí sendo vendidos aos milhares com promessas calcadas no trinômio: vitória, sucesso e felicidade.

Mas a nossa realidade existencial é outra. Temos vivido num país onde tudo é muito precário e difícil. As pessoas pobres desta nação há muito não vivem mais, apenas empurram os dias para frente desafiando a sorte e a morte. Elas não moram com dignidade, não possuem assistência médica, não se sentem seguras, não tem acesso à educação, o crédito é concedido a taxas de juros escandalosas... Onde está então a prosperidade? Eu lhes digo: nas contas bancárias dos “bispos”, “pastores”, “apóstolos” e outros feiticeiros do sagrado!

Diante de tantos problemas, de tantos “nãos”, fica fácil entender porque as pessoas estão correndo para estas “fábricas de ilusões”, para estes lugares de engano e estelionato. Por isso, encham-se os salões, os galpões e os palácios eclesiásticos. Digam ao povo o que o povo quer ouvir! A verdadeira mensagem caducou, foi superada, caiu no desuso pela falta de “resultados”. O “evangelho” de hoje, que desgraça, não é o da graça, pois tem preço, não é “de graça”. Quem paga mais leva, e todo mundo fica feliz. A lógica  perversa do “capitalismo eclesiástico” é a seguinte: o povo quer “consumir” e os “sacerdotes” querem “vender”. E Deus? Ora, Deus parece estar disposto a fazer qualquer coisa para manter o “mercado da fé” aquecido e, desta forma, nem se importa de distribuir um milagre aqui e outro acolá.

Diante de tudo isso, quero apenas lhe fazer uma pergunta: você está disposto a dizer sim ao não de Deus? Você está disposto a mudar planos já concebidos, adiar projetos pré-aprovados, desviar por rotas inusitadas, cancelar o negócio, desfazer a compra, terminar o relacionamento, suspender a viagem, dar ouvido a consciência, desprezar as emoções, submeter-se às Escrituras? Deus é Deus de sim, e Paulo diz que “em todas as suas promessas existe o sim”. Mas, saiba: Deus também é Deus de não!

Eu creio que há, pelo menos, 3 situações na vida em que Deus diz não. Vou utilizar o texto de Hebreus 12 para me ajudar na construção hermenêutica do meu raciocínio. Assim, fica a pergunta: Quando é que Deus diz não?

Em primeiro lugar, Deus diz não quando eu estou disposto a obedecer a qualquer custo. Hb. 12:5 “...filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado;”. Ora, isso faz todo o sentido, pois, se eu não estou disposto a obedecer, pouco importa aquilo que Deus está dizendo! Jean Paul Sartre afirma: “é sempre fácil obedecer quando se sonha comandar”. Se eu é que comando a minha própria vida, que importa o que Deus diz, pensa, sente, ou sonha a meu respeito?

A verdade é que nossa geração é atrelada a resultados, pois somos “medidos” por aquilo que realizamos; temos metas, métricas, objetivos, números a alcançar, custos a reduzir, lucros a aumentar. Forjados sob esta mentalidade capitalista, imaginamos que Deus também está em busca de produtividade. “Quantas pessoas você ganhou este mês para Jesus? De quantos cultos participou? Quanto deu de oferta? Em quais ministérios este envolvido?”. E por aí vai... É uma lógica atrelada à produção, não a adoração! Disse o profeta Samuel ao Rei Saul: “acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifício quanto a que se obedeça a Sua palavra?” E concluiu: “o obedecer é melhor do que o sacrificar”.

Sabe o que quer dizer isto? Que Deus não está medindo o quanto você faz, mas o porquê você faz. Ele não está contabilizando as suas ações, mas as suas intenções. Ele não está somando o seu esforço, a sua produtividade, mas a sua capacidade de se ajustar a Sua vontade a partir de uma ressignificação de sua consciência, de uma mudança de mentalidade – da “igreja-fábrica”, com vários “executivos dando ordens e exigindo metas, para a igreja-Corpo de Cristo, onde apenas o Senhor dá as ordens, pois Ele é o cabeça da Igreja.       

Em segundo lugar, Deus diz não quando as circunstâncias não vão produzir bem e paz para a minha alma. Hb. 12:10 “pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade”. Lembrei de Balzac: “os acontecimentos são assuntos que nossas almas convertem em tragédia ou em comédia”. Se aprendermos a confiar, saberemos que mesmo a tragédia pode se converter em festa, pois “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

É fato que desde nossa infância nossos pais nos corrigem e nos ensinam aquilo que julgam ser o melhor para nós. Mas nem sempre aquilo que eles avaliam ser o melhor é, de fato, o melhor. Já com Deus, é diferente. Deus não se dobra aos nossos caprichos; Deus não se comove com nossos choramingos; Deus não se deixa influenciar por nossas chantagens. Ele sabe o que é melhor, pois está vendo o “quadro” por completo, enquanto nós temos apenas parte da visão. É por isso que o profeta Isaías diz: “os meus pensamentos são mais altos que os vossos pensamentos”.

É muito bom para mim saber que Deus conspira o tempo todo para me fazer o bem. Lembro de Habacuque: “mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação”, ou seja, mesmo que tudo dê errado, e que a lógica se transforme em loucura, que a razão se dessignifique e que a esperança sucumba, ainda assim, tenho convicção que há Deus no céu, e que Ele me ama e fará o melhor a meu respeito!

Finalmente, Deus diz não quando os meus caminhos estão em desacordo com os dEle. Hb. 12:13 “e fazei caminhos retos para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado”. Tenho visto como as pessoas buscam andar por seus próprios caminhos. Elas fazem seus planos, traçam suas metas, fazem suas escolhas, investem recursos, e, ao final de tudo, raramente, perguntam a Deus: “o que você acha disso?”. Por isso tanto desencontro, tanta separação, tantos negócios falidos, tanta dor, tanto desespero, tanta aflição de alma, tanta angústia, pois, conforme Isaías, “os meus caminhos não são os vossos caminhos...”.   

Mas quem quer mesmo ouvir o que Deus tem a dizer? Quem está disposto a fazer a Sua vontade? Jesus afirma: “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda este é o que me ama...”. As pessoas me perguntam: “pastor, como faço para saber a vontade de Deus?”. E eu lhes pergunto: “você está mesmo disposta a fazer o que Ele mandar?”.

Deus fala de formas diferentes com cada um de nós. Usa a Sua Palavra, fala em nosso coração pelo Seu Espírito, usa pessoas próximas as nós, circunstâncias, Sua própria criação, mas quando não queremos obedecer, temos de nos render a citação do grande Heráclito “o caminho para cima e o caminho para baixo são sempre os mesmos”. É que não raro, nem mesmo a combinação de todas estas coisas elencadas é suficiente para nos demover de algo que queremos realizar. Nestas situações, tenho visto, o resultado final é sempre trágico. E o pior é que nós ainda temos a petulância de dizer: “mas Senhor, eu orei tanto por isso”. Aí, digo eu: durmam os pastores com um “barulho” desse...

Carlos Moreira

13 dezembro 2010

Mentiras Vivas


Passeando pela internet vi as fotos de uma garota conhecida. Nas fotografias ela aparecia ao lado do noivo em muitas situações e lugares diferentes.


Eram fotos tiradas na praia, em casa, nas praças e etc. Logo abaixo de cada foto uma frase curta de cunho altamente romântico tentava resumir o sentimento associado às imagens.


Uma das frases, com um clichê insuportável, dizia assim: “meu eterno amor, não sou nada sem você”. Outra dizia ainda: “Te amo, razão da minha vida”. Quanto romantismo; o amor é lindo!


Era isso que eu poderia ser levado a pensar se eu não conhecesse a garota mencionada e não soubesse que ele trai o noivo com um conhecido meu. Aliás, o noivo dela está com um semblante de quem carrega um peso nas costas, quero dizer, na cabeça!


A minha avó já dizia que a mentira tem pernas curtas. Ela estava certa, mas o seu raciocínio estava incompleto, pois a mentira, além das pernas curtas, tem também braços, noivo e endereço no Orkut.


Algumas pessoas não passam de mentiras que possuem CPF e número de identidade. Elas são mentiras que vestem roupas, vão ao cinema, freqüentam escolas, faculdades e se passam por seres humanos.


O que me preocupa nisso tudo é que agora a mentira é regra e não mais exceção. Se antes as pessoas mentiam para viver, hoje em dia elas vivem para mentir. O mundo está doente e a mentira é o seu principal sintoma!


Não quero me iludir quanto ao ser humano, acredito que todo mundo (inclusive eu) já mentiu em alguma situação. Entretanto, mentir descaradamente e compulsivamente envolvendo o sentimento alheio é sinal de enfermidade psíquica e espiritual.


Pessoas mentirosas são seres infelizes que precisam ser tratados por especialistas. A mentira é uma forma doentia de fugir de uma realidade indesejada criando uma ilusão que é um mecanismo já de antemão fadado ao fracasso.


O mentiroso é alguém em fuga, é um indivíduo tentando escapar de si mesmo e da sua própria miséria. A pessoa mentirosa está construindo com cada mentira um edifício sobre bases frágeis que mais cedo ou mais tarde desabará sobre ela.


Vencer a mentira, eis aí o primeiro passo a ser dado por quem quer viver uma existência autêntica. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, ensinou Jesus Cristo ao mundo mentiroso de sua época.

André Pessoa via Século XXI

01 dezembro 2010

Uma Geração de Vampiros

Desde que os jornais sensacionalistas como a Folha de Pernambuco entraram em circulação a violência e a morte foi banalizada e uma grande multidão de “vampiros” ávida por sangue espalhou-se por todos os lugares. São os novos vampiros urbanos, habitantes da cidade e não da lendária Transilvânia.

Não basta apenas ver pessoas mortas nos jornais e nos filmes da TV, é preciso que os cadáveres estejam mutilados, decepados, esmagados, empalados, mergulhados em poças de sangue, enforcados nas próprias tripas. Quanto maior a desgraça, mais leitores, mais dinheiro ganho.
Lembro de um dia, enquanto eu dava aula, que chamei um aluno à atenção porque ele ria sem parar no fundo da sala, sentado em uma cadeira na última fileira de bancas enquanto olhava um pedaço de papel.

“Por que você está rindo tanto? Alguma coisa muito engraçada? O que tem aí nesse papel?”; perguntei ao rapaz. Com um gesto ele levantou a mão contendo uma página de jornal na qual se via a fotografia de um homem decapitado e a sua cabeça repousando calmamente colocada em cima de um orelhão.

“É que se parece com o tio de um amigo meu”, e o rapaz continuou rindo sem controle algum. Pensei então comigo: “que geração é essa que ri de uma cena tão bizarra? Será que ele tem noção do que é uma vida humana? Acho que não”. O ser humano perdeu todo o seu valor, a vida nada significa.

A verdade é que somos vampiros, filhos de Vlad IV, geração do Conde Drácula, criaturas ávidas por sangue. Os nossos heróis são os homens mais sanguinários (Stallone, Vin Diesel, Capitão Nascimento) e os nossos filmes preferidos os mais violentos. Somos todos vampiros!


Você acha que não? Então me responda: você não se frustrou com a tomada quase sem violência do Morro do Cruzeiro e do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro? Seja sincero, admita, você gostaria de ter visto os traficantes esmagados pelos blindados da Marinha, metralhados impiedosamente, cortados ao meio por armas de grosso calibre não gostaria?

Você também é um vampiro, apesar dessa carinha de gente civilizada, você também deseja beber sangue. Foi a TV que fez isso com você, foi a locadora, foi a globo, foi a internet... “A vida imita o vídeo”.


Sangue, queremos sangue! Não somos muito diferentes dos antigos romanos que se reuniam em grandes multidões nas arquibancadas do coliseu de Roma para ver os gladiadores lutarem até morrerem envoltos em um rio de sangue. Somos uma geração de vampiros, e o pior de tudo: não temos medo de alho!

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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