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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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20 julho 2013

Quando Deus Faz o Bem lhe Fazendo “Mal”



Então Deus olhou para a Terra e só havia “João”. Todos eram iguais, todos banais, cada qual vivendo sua própria sina: levantar, comer, trabalhar... Sim, por vezes a existência é puro enfado, o trágico espaço que se resume entre a boca e o prato.

Mas em meio a tanto “João”, Deus conseguiu ver a Jó! Ele era homem reto, íntegro, singular, que se desviava do mal e amava o bem. E Deus pensou: “Dá gosto de ver esse Jó! Quero Lhe retribuir por tudo que tem existencializado. Tratarei Jó como filho muito querido e, junto a Mim, Lhe ensinarei quem eu Sou e ainda deixarei que viva para poder saber quem ele é.

E foi assim que Deus permitiu que as dinâmicas próprias da vida visitassem a Jó. Como aguaceiro que desaba sem aviso prévio, ele foi alcançado por infortúnios, calamidades, perdas inigualáveis. A estação outonal havia chegado trazendo seus matizes próprios, fazendo as folhas despencarem dos galhos das árvores, despindo a vida de tudo o que ainda pudesse representar alegria e esperança.

Como bem sabemos, o dia da tragédia é sempre solitário, é o dia onde Deus parece ter se tornado indisponível. Jó perdera tudo quanto possuía: gado, terras, empregados, e até o que mais amava, os próprios filhos, carne da sua carne. Agora, todavia, restava-lhe render o coração em gratidão àquEle que havia dado e também havia tirado. Se Jó fosse um “João” qualquer, talvez tivesse esperneado, blasfemado... Mas Jó ficou apenas maravilhado, extasiado com a violência do amor com o qual estava sendo amado, um tipo de paixão que está para além de conjecturas e explicações.

Como já se esperava, todavia, Jó entrou em conflito, percebeu-se paradoxo. Mesmo não sendo um “João”, somatizou dores, mixou no ser esperanças e medos, viu explodir em sua pele úlceras e cóleras. Ainda que fosse Jó, tornara-se necessário reconhecer que não era de aço, mas apenas de osso.

Agora sim, Jó havia sido reduzido a nada! Ele encontrava-se exatamente em meio ao caos do qual Deus se locupleta para criar o absurdo de ser. E foi em meio ao inusitado, ao inexplicável, “do meio do redemoínho” da vida, que Deus “saltou” para mostrar a Jó  que apenas Ele é quem pode todas as coisas, e que nenhum de Seus planos será frustrado. Assim, devolveu-lhe o Senhor em dobro tudo o que dantes tinha, pois mais foram os bens de Jó em meio a dor, do que as perdas que sofreu, ainda que por amor.

A história de Jó nos revela que Deus é livre para fazer aquilo que deseja. Ele poderia, para abençoá-lo, tê-lo prosperado ainda mais. Poderia ter lhe dado mais terras, gado, filhos e riquezas. Contudo, quando tencionou torná-lo grande, alguém melhor, quando imaginou algo que pudesse, de fato, fazer diferença em seus dias, algo para levá-lo a conhecer não apenas de ouvir falar, escolheu a dor, a perda, a angústia e a solidão.

Deus não teve medo de provar a Jó, não ficou com crise de consciência, nem muito menos com receios de que ele seguisse outro caminho. Ele sabia que Jó não era como os outros, ele não era um “João”. Sabia que a vida poderia lhe trazer tanto o bem como o mal, sem que isso alterasse o desejo de seu coração de conhecer a Verdade.  

A história de Jó é a arquetipia existencial de todos nós. Ela é o drama que está para além do certo ou errado, do bem e do mal. Na “novela” de Jó, a existência se catastrofiza do nada para, logo em seguida, voltar ao mesmo “lugar”. O que fica da “tragédia” de Jó é a certeza de que não importam as circunstâncias, pois Deus sempre tramará algo que, ao final, redunde em bem para nosso ser e paz para nossa alma. 

Num mundo habitado por gente que nada mais é do que um “João”, quero ser Jó. Desejo viver a experiência de me perder em mim mesmo para poder ser achado em Deus e assim encarnar a poesia do salmista que me desafia a semear no chão da vida lágrimas de esperança e, a partir delas, colher frutos de misericórdia.

Carlos Moreira

14 janeiro 2012

Quando Deus Diz Não




Já experimentei muita frustração na vida. Não raras vezes senti aquele azedume na boca, tive a sensação de ser sufocado por algo que me sobreveio com o propósito de roubar-me o fôlego, suspender-me do chão da existência e deixar-me dependurado entre o nada e o quase... Mas eu sou teimoso, nunca canso de tentar ser! Henry Ford afirmou: “há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam!”.

Eu sempre acreditei que Deus prefere o desconsolado sincero ao que falsamente se veste de alegria. É por isso que na parábola dos dois filhos mandados ao campo, contada por Jesus, apenas o que disse que não ia, e foi, trouxe alegria ao coração do Pai. Esteja certo, o lamento sincero é melhor do que a oração falsa, ou, como bem citou Clarice Lispector, “antes o sofrimento legítimo do que o prazer forçado”.

A verdade é que eu acho que, às vezes, Deus teima em ser do contra. Talvez isso nunca tenha acontecido com você, mas, comigo, tem sido recorrente. Lembro de Jeremias, no capítulo 1, ouvindo Deus falar: “Eu hoje dou a você autoridade sobre nações, para arrancar, despedaçar, arruinar e destruir; para edificar e para plantar". Alguns anos mais tarde, todavia, já carregado de dores e de perdas, com os cômodos da alma cheios de sombras e cinzas, tendo encarnado em si mesmo a aridez de existir, o profeta, no capítulo 20, diz ao Todo Poderoso: “você me enganou, eu fui enganado!”.  

Sei bem o que é isso... Houve muitos momentos em que, prestes a realizar algo, senti como se uma serra “amputasse” minhas pernas. Já “morri na praia” muitas vezes! Dei voltas e voltas ao redor do mundo mas, quando fui ver, sequer havia saído do lugar. Sim, já tive muitos dos meus sonhos despedaçados e, por vezes, engoli a seco o choro que escorreu pela face. Já tive de abandonar, de desistir, deixar ir, deixar pra lá, deixar partir. Quando Deus cisma, meu “mano”, quando Deus “embirra”, quando diz “não!”, creia-me, não há nada que possa ser feito; a porta se fecha pelo lado de fora e ninguém é capaz de abri-la.

Foi assim com Moisés, servo do Senhor, que durante 40 anos peregrinou com o povo de Israel pelo deserto. Quando toda aquela geração morreu, sobrando apenas Josué e Calebe, Moisés inocentemente achou que iria possuir a Terra de Canaã, imaginou que alcançaria a promessa feita aos Patriarcas, erroneamente concluiu que o esforço de toda uma vida seria, enfim, justificado. Mas Deus tinha outros planos! “Moisés, para você termina aqui! Veja os campos de longe, contemple com seus olhos, pois você ali não entrará. Sim, você morrerá aqui, neste monte, mas jamais porá seus pés na Terra Prometida”.

Deus diz não! Não sei por que, não sei pra que, mas sei que diz! Diz não quando a gente mais quer algo, quando a gente está quase tocando aquilo que é nosso mais profundo desejo. E esse não, desgraçadamente, acontece quando menos esperamos, quando, sequer, para ele nos preparamos. Mas isto é maravilhoso! Sim, é estarrecedor saber que esse Deus tem de fato o controle de todas as coisas: quando quer, diz sim. Quando não quer, diz não! E pasmem: seja o que for, funciona do jeitinho que Ele determinou. 

Quero lhe confessar algo, com coração compungido: a vida é mesmo mais feita de não do que de sim. Certo estava o “poetinha” ao afirmar: “
o sofrimento é o intervalo entre duas felicidades”.

Recentemente, num aconselhamento pastoral, alguém me perguntou: “pastor, quando é que Deus diz não?”. Eu pensei, pensei, e respondi: “Deus diz não quando você está disposto a obedecer!”. Em seguida, complementei: “e olhe, é só nesta circunstância que Ele assim faz, pois, se você não está determinado a isto, pouco importa o que vai ser dito, não é mesmo?”. Agora, eu é que lhe pergunto: é ou não é?...

Carlos Moreira

04 dezembro 2010

Ensaio Sobre a Dor

Frejat, em uma das suas canções, diz que todo mundo é parecido quando sente dor. A dor, ao que parece, nivela as pessoas e revela os seres humanos tal e qual eles são, humanos. Na dor não há rico ou pobre, feio ou bonito, apenas homens. Nela as máscaras forjadas para distinguir as pessoas caem por terra revelando a semelhança existente entre todos.


Sobre isso diz Oscar Wilde: “diferente do prazer, a dor não usa máscaras”. A dor é na verdade um sublime momento de revelação. Nela temos acesso aos mais profundos recônditos da alma humana e conhecemos as nossas limitações que tão orgulhosamente tentamos esconder no dia a dia.

Na dor todo mundo tem a mesma cara, todos se parecem, ninguém é diferente. Talvez seja por isso que no sofrimento os homens tendem a ser solícitos e solidários uns com os outros, exatamente por que se assemelham. Os que choram e partilham as mesmas dores sempre se abraçam fraternalmente como irmãos.

Vejam como se parecem os homens enquanto choram. Vejam como são igualmente decaídos os semblantes, vejam como rolam iguais as lágrimas que se precipitam dos olhos e caem na terra do nosso coração fecundando-a. Fecundando-a! a dor gera vida e não morte!

A dor, desde que saibamos absorver os seus ensinamentos, será a melhor de todas as mestras. Ela pode até nos redimir. A dor é redentora, somos salvos pela dor. Triste do homem que é incapaz de senti-la, de aprender com ela, de ser redimido por essa grande tutora que nos conduz por um caminho difícil, mas triunfante.

Entretanto, é também igualmente verdade, que devemos lidar com a dor com a cabeça erguida, sem nos entregar a uma tristeza avassaladora. Devemos ser como aqueles “que não se ajoelham para beber água”, que nunca perdem tempo com excessivas lamentações e que não se deixam abater pelos percalços da vida.

Devemos suportar a dor sem lamentar o destino ou supor que estamos sofrendo por causa do que fizemos e não deveríamos ter feito. Pelo contrário, faremos da dor o combustível que nos move velozmente em direção ao futuro.

A dor é algo inerente a natureza e a existência humana. Quem não sofre e não sente dor certamente também não se pode dizer humano e vivo. A grande questão é: o que faremos das nossas dores? Quanto a mim, embora não a cultue, respeito-a e aprendo com ela. E você? O que faz com a sua dor?

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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