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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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16 novembro 2018

Jesus, Cristão, ou Jesus, o Cristo?




O Jesus que a igreja nos ensinou é o líder da maior religião do planeta, o cristianismo. O Jesus da igreja se converteu, tornou-se cristão, abraçou suas doutrinas, seus catecismos, suas confissões, seus ritos, suas representações históricas, seus costumes e suas tradições.

É incrível, mas o que o judaísmo não conseguiu – que foi converter Jesus num praticante de uma religião morta – o cristianismo julga ter alcançado. O Jesus cristão é membro de igreja, adepto de denominações, seguidor de teologias, é um deus domesticado, encaixotado, industrializado, abestado, que fala língua estranha, bebe suco de uva na ceia, dá dízimo e ouve música gospel.

Eu tenho gasto minha vida tentando destruir essa imagem de Jesus para que as pessoas encontrem a um outro Jesus, antes dele ter se convertido ao cristianismo, antes da igreja o ter transfigurado nesse ser caricato preso a uma ideologia! O que eu tenho tentado mostrar é como era Jesus antes de ser reinventado pelas artimanhas da igreja, desnudar o que ele pensava, o que falava, o que ensinava, como vivia, no que cria!

Mas talvez você me diga: eu já sei de tudo isso, eu já li um livro a esse respeito, já li a bíblia, o pastor me ensinou, a EBD me catequisou, o congresso do “big shot” da vez me instrumentalizou, o seminário teológico me informou. Mas eu não estou falando disso, eu não estou falando do que lhe ensinaram, eu estou falando do que nem carne, nem sangue podem ensinar, porque só pode ser discernido por revelação do Espírito Santo, aquela verdade que testifica em nosso espírito que ele é quem ele diz ser.

O Jesus que lhe apresentaram, acredite, é um vestígio tosco do original, porque o Jesus das Escrituras começou a desaparecer no início do século II, na era dos pais apostólicos. Em seguida, ele foi sendo sufocado pelos apologistas e polemistas dos séculos II e III e na, sequência, foi soterrado pelos pós-nicenos, do século IV.

Assim, alvejado duramente, continuou se esvaindo em meio a uma fé simbiotizada com a filosofia grega neo-platônica e com a lógica do aristotelismo. Mas foi com a criação do cristianismo constantiniano que ele sofreu o seu mais duro golpe, institucionalizou-se, virou o proprietário de uma organização.

Daí para frente, quase morto, Jesus arrastou-se pela história. Na idade média, em meio a uma igreja prostituída e desnorteada, foi conivente com matanças e latifúndios feudais, com indulgências e simonias, com torturas e escravizações. No século XVI, todavia, já na idade moderna, quando estava desvalido, tentaram ressuscita-lo, com a Reforma Protestante, mas não deu certo... era só uma dieta eclesial. Na verdade, ele continuou sendo diluído, aos poucos, homeopaticamente, e quando chegou o iluminismo, já era quase um apagão.

No século XVIII, em meio à revolução industrial, ele foi posto de lado, o homem tornou-se a medida de todas as coisas. Depois Nietzsche tentou mata-lo, mas ele, surpreendentemente, sobreviveu, acabou ganhando novo ânimo no avivamento da Rua Azuza, no início do século XIX.

Maltrapilho, com os pés sujos, foi se arrastando, lentamente, e cambaleou no século XX, alvejado pelo multiculturalismo e pelo existencialismo de Sartre. Hoje, em nosso tempo, ele é essa coisa que os neopentecostais creem, esse híbrido de divindade e homem de negócio, esse esboço de deus, essa carranca pseudo-espiritual.

Jesus, o da Escritura, sempre andou ao largo de tudo isso, em movimentos marginais, entre desvalidos, excluídos, entre os sem "pedigree", mas sempre a "Porta da Igreja", batendo, esperando que alguém abra a Catedral para ele entrar.

Ora, diante de tudo isso, e com profundo respeito, eu só tenho uma questão para você: o seu Jesus é cristão, ou ele é o Cristo de Deus? 


Carlos Moreira


18 agosto 2018

Afinal, o que Desejava Jesus?




A LITURGIA de Jesus era o Caminho de cada manhã e os SACRAMENTOS todo encontro humano travado no chão dos dias. Em Jesus, CULTO é celebração da vida, em todo canto possível, a qualquer hora, e ADORAÇÃO a Deus é, antes de tudo, reverência solidária para com o próximo. 

O TEMPLO de Jesus foram os descampados da Galiléia e a PREGAÇÃO a encarnação da Palavra que só existia em forma de texto. Os OFICIAIS de Jesus eram homens simples, que sabiam que entre eles não havia hierarquias ou distinções, o maior lavava os pés de todos, não se chamavam por títulos, eram apenas amigos e irmãos. 

MISSÃO para Jesus era carregar a boa nova nas trilhas do cotidiano, e assim, indo pelas esquinas da vida, fazer o bem e buscar a justiça. DÍZIMO para Jesus era a oferta dadivosa espontânea, dada por aqueles que se sentiam abençoados para ajudar na implantação do Reino, sem apelos, sem constrangimentos, se manipulações. 

Portanto, IGREJA, para Jesus, tem a ver com estas perspectivas, foi isso que ele disse a Pedro que edificaria. Depois disso veio a necessidade de aditar a mensagem o método grego-aristotélico, para produzir a apologética do século II, em seguida a disposição organizacional de bispados com suas geografias mandatárias, e no século IV a invenção do cristianismo como ideologia político-religiosa para promover o novo desenho arquitetônico do poder de Constantino sob o Império Romano. 

Daí vieram catedrais e cátedras, projetos expansionistas e poder terreno, posse de latifúndios territoriais e influência política, normatizações doutrinárias, dogmas e confissões. Quem conhece a história sabe que não estou mentindo, a adulteração do que propôs o Galileu é grotesca. 

Mas desmontar a engrenagem criada é quase impossível, porque junto com a queda de todo aparato vem também a destruição do poder de homens que se tornaram donos da marca “Jesus” e proprietários da holding “Igreja”. Se você, todavia, desejar voltar a simplicidade da fé e a pureza do Evangelho, é só viver na dimensão do que ele encarnou e ensinou, obviamente serás tachado de herege e desviante, de louco e blasfemo, mas, que importa, como bem disse Jiddu Krishnamurti, filósofo e educador indiano, “Não é sinal de saúde estar ajustado a uma sociedade doente”. 

Mas o chocante mesmo é perceber que o que nós chamamos de igreja não faria qualquer sentido para Jesus se ele estivesse vivendo encarnado entre nós... 

Carlos Moreira


30 julho 2018

Jesus Encenado por um “Traveco”? E por que não?





A polêmica da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, chegou aqui em Pernambuco, mais especificamente, no “Festival de Inverno” da charmosa cidade de Garanhuns.

O imbróglio começou antes mesmo da apresentação, com ordem e contra-ordem da Justiça, ora proibindo, ora liberando o evento. O último ato da prosopopeia se deu na sexta-feira - 27/07, quando o desembargador Roberto da Silva Maia, a pedido da Ordem dos Pastores Evangélicos de Garanhuns, proibiu a exibição da peça. Na sequência, todavia, o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, desembargador Cândido Saraiva, manteve a decisão inicial de que ela poderia ser apresentada ao público.

O espetáculo, que originalmente versa sobre um monólogo escrito pela dramaturga transexual escocesa Jo Clifford, passou a ser executado no Brasil pela transexual Renata de Carvalho. Nele Jesus é um travesti e, logo na primeira cena, de salto alto e vestido, se apresenta afirmando: "Vocês não imaginavam me encontrar aqui, vocês imaginavam me encontrar na igreja, mas na igreja não posso entrar". Confesso: já me apaixonei!

O roteiro interpretativo, numa releitura contemporânea, segue visitando parábolas e ensinamentos de Jesus onde é possível, por exemplo, ouvir: “Nunca disse: cuidado com os homossexuais, transexuais e gays. Eu nunca disse isso, eu disse: cuidado com os autoindulgentes e os hipócritas, cuidado com aqueles que se imaginam virtuosos e proferem julgamento, aqueles que condenam os outros e se consideram bons. Seus lábios são cheios de bondade, mas seus corações estão plenos de ódio”. Vibrei! Na esmagadora maioria das igrejas cristãs deste país algo tão sólido, que aponta inexoravelmente para a perspectiva do Evangelho, é dito com tanta determinação e verdade.

Bem, diante de tudo o que aconteceu, a primeira questão que desejo pontuar, apenas para lembrar-nos, é que o Estado Brasileiro é laico, ou seja, não arbitra nada no âmbito religioso, dando liberdade às pessoas para expressarem suas crenças como bem entenderem. Assim, a censura, que ocorreu em várias cidades do país, jamais poderia ser uma questão da justiça, uma vez que houve clara tendenciosidade religiosa para que a sanção fosse estabelecida. Afirmar que a peça “expõe símbolos religiosos ao ridículo” é, no mínimo, uma forçação de barra sem precedentes.

A segunda questão que me chamou à atenção é que o problema real está no fato da atriz que interpreta o papel de Jesus ser transexual. Creia: permitir algo desta monta é blasfêmia contra “Deus” e contra o cristianismo. Ora, Jesus já foi interpretado por incontáveis atores, em peças, filmes, musicais e, salvo em casos raros, como no polêmico “A Última Tentação de Cristo”, de Nikos Kazantzakis, com interpretação irretocável de Wilem Dafoe, não se viu qualquer tipo de manifestação ou censura. Aliás, aqui mesmo em Pernambuco, numa jogada marqueteira sensacional, a “Paixão de Cristo”, maior espetáculo ao ar livre do mundo, realizado na Semana Santa em Nova Jerusalém, faz todo ano um rodízio de Jesus com atores globais que provocam o maior frisson entre a mulherada. Lembro, num desses anos, que o Fábio Assunção, que não carrega reputação que corresponda aos critérios éticos e morais da “Santa Igreja”, interpretou o papel com a desenvoltura que lhe é peculiar. Amigos que foram ao espetáculo, para ver esse Jesus de olhos azuis e cabelos loiros sedosos, relataram o constrangimento de assistir cenas dos Evangelhos tendo ao fundo assobios, histeria e gritos de “gostoso”. Não lembro, todavia, de nenhum movimento de religiosos ou do poder público para proibir nada. Também, pudera, ali rola muita, muita grana mesmo...

Finalmente, nesta simples reflexão, lhe faço uma pergunta provocativa: “Você acha mesmo que Jesus está preocupado com o fato de uma transexual realizar uma peça teatral com uma releitura de suas falas, ainda que possamos enquadrar, aqui e ali, imprecisões quanto ao que está dito nos Evangelhos?”. Ora, meu amigo, Jesus entrou na casa de Simão, o fariseu, homem dito de Deus, dado aos ascetismos de Israel, ao cerimonialismo religioso vazio, as liturgias de purgação de pecados ineficazes, a reverência a forma e o culto a mecanicidade de um tipo de fé que nada pode produzir ao coração e a consciência, e ali teve seus pés lavados por uma mulher da vida, puta mesmo, que não se conteve e em uma explosão de amor, com suas próprias lágrimas, ungiu-lhe diante de todos. O religioso, escandalizado por saber que tipo de pecado ela carregava, fez sua censura pública e com gestos expunha sua reprovação. Jesus, todavia, repreendeu-lhe, e asseverando sobre a verdadeira espiritualidade, aplicou-lhe uma lição que serve, também, para mim e para você. Você acha que esse Jesus, que não é nutella, mas raiz, ia ficar chocadinho e ruborizado porque uma atriz trans está fazendo uma encenação dele numa apresentação cultural? Jesus não é travesti, ele sabe de si, ele é Deus, mas você tem que defender ele porque, quem sabe, o seu "Jesus" acabe entrando em crise com tudo isso. Ah meu Pai! Sabe de nada, inocente...

Concluo, portanto, pedindo que o estado, a justiça, e os religiosos deixem a Peça em cartaz, pois o próprio Jesus afirmou “Quem não é contra mim, é por mim”. Jesus "Traveco"? Gente do céu, é apenas uma peça, vocês não conseguem abstrair nada, tudo tem que ser a ferro e fogo. Num tempo onde os profetas estão mortos, Deus pode levantar transexuais para nos jogar na cara valores que temos negligenciado, como a tolerância, o respeito e o amor. Se a igreja pensa que tem o “copyright” de Jesus, que é dona da “marca”, que só ela pode falar em nome dele, é bom repensar seus conceitos, pois, tempos atrás, houve uma moçada lá em Israel que pensava a mesma coisa, e o final deles, como sabemos, foi trágico...

Carlos Moreira




06 julho 2018

Você Fala "Palavrão"?



“Palavrão” é dizer palavras afáveis como – "Vá em Paz" – diante da dor do outro sem se mover na sua direção para ajuda-lo, “palavrão” é aquele comentário cheio de preocupação maldosa sobre a vida do outro que, certamente, não lhe diz respeito, “palavrão” é você fazer uso das Escrituras, aplicando cirurgicamente versículos como uma faca fincada nas costas de incautos e desesperados para atingir os seus propósitos, “palavrão” é você glorificar a Deus com salmos e cânticos e blasfemar contra ele com sua própria vida. 

Sim, “palavrão” não é você dizer “porra”, “puta que o pariu” ou “caralho” como fruto de um vício de linguagem ou ato falho, isso é, quando muito, falta de educação, sobretudo em determinadas circunstâncias. 

Quando Paulo fala aos Colossenses sobre um tipo de linguagem inadequada ao discípulo de Jesus, ele coloca o tema dentro de um contexto mais amplo: "Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar." Colossenses 3:8. 

Perceba que a “linguagem obscena” está sendo comparada a coisas que acontecem como fruto de algo que está presente no coração, é, portanto, uma fotossíntese daquilo que está na alma, ou seja, “palavrão” é tudo que vem carregado de impressões e sentimentos do coração, a “palavra”, nesse sentido, nada mais é do que a materialização fonética de algo que acontece intrinsecamente nos escaninhos do ser. 

Jesus nos deu uma explicação muito concisa, sobre algo parecido, quando tratou do homicídio subjetivo, aquele assassinato que não é fruto de um tiro de revolver, mas que, pela via do ódio elaborado no íntimo, fuzila o outro da mesma forma. 

Eu não falo “palavrão” desde minha adolescência. De fato, eu tinha uma “boca suja”, por assim dizer, ainda que minha alma estivesse limpa, mas o poder da revelação do Evangelho me levou rapidamente a perceber que era preciso encontrar outras formas para me expressar. 

Paulo nos ensinou isso em 1ª Coríntios 13 quando afirmou: “Quando eu era menino, falava como menino...”. Sim, excesso de “palavrão”, quando muito, é meninice, coisa que deixa a gente a medida que nos tornamos homens e mulheres na consciência da fé e do Reino. 

O mais, meus manos, é fuleragem de quem, não raro, tem linguagem irrepreensível, cheia de galanteios e salamaleques, mas o coração cheio de maledicência e maldade. Nesses casos, não há outra coisa a dizer, é "foda" mesmo...



Carlos Moreira

10 março 2018

A Cartilha dos Crentes: Orar, Jejuar e Ler a Bíblia



Nos dias de Abraão não existia bíblia, a tradição para se ensinar algo era oral, o pai repassava para o filho as verdades da fé enquanto caminhava com ele no chão dos dias e aquilo ia sendo introjetado como verdade e bem.

Mas quando Jesus fala de Abraão para os Fariseus, diz que ele viu o “Seu Dia” e se alegrou, ou seja, o Patriarca não leu nada sobre isso em um livro, mas fez uma leitura da vida da perspectiva do Espírito, ele não discerniu a partir da letra, mas leu espiritualmente o que estava por vir e isso era para ele mais real do que qualquer texto, "... As palavras que eu lhes digo são espírito e vida". João 6:63, lembram?

É muito comum, no meio evangélico, existir uma certa neurose compulsiva pela leitura da bíblia. Aliás, o trinômio “orar, jejuar e ler a palavra” é quase um mantra na boca dos crentes, revela um sinal de saúde espiritual e quem segue essa “disciplina” está em paz com Deus.

Ora, eu sei que quando se afirma isso ainda se está olhando para a religião judaica, para a oração do templo, que foi substituída por vigílias e cultos, para o jejum meritório, onde se tencionava mover a divindade na direção daquilo que se desejava, e para a leitura do texto sagrado, com o livro nas mãos, hora e local definidos.

Mas em Jesus, todas essas coisas foram extintas, não há mais geografia para o culto, uma vez que ele se faz em todo lugar e a qualquer hora, a oração é em Espírito e em Verdade, interage com as dinâmicas dos fatos, o jejum é aquele ensinado por Isaías, que quebra o jugo da injustiça e me torna solidário a dor do meu próximo, e a leitura da palavra passa a ser a encarnação da Palavra, que é Jesus, em mim, ou seja, eu passo a ler a bíblia a partir daquilo que eu encarno conforme o Evangelho que está em mim, não é mais um fetiche pelo texto, é um chamado a tornar o texto realidade existencial.

Ora, com isso não estou dizendo que não se possa pegar o livro e ler, ainda que eu entenda que o livro já está em mim, na minha consciência, mas que praticar o que se leu é melhor do que ler e não tornar esse saber em nada que não seja “carne e sangue”, não materializar as Verdades das escrituras como concretude no passadiço do quotidiano. Você gosta de ler a bíblia? Fazes bem, até os demônios a leem. Mas você faz a bíblia ser lida em você?


Carlos Moreira



23 maio 2017

ESTOU SUFOCADO!



A religião precisa do método para se sustentar. Sim, sem regras, sem obrigações, sem liturgias ordenadas, o religioso entra em pânico, sente-se sem chão, vê-se nu e em pecado.

Ora, nós sabemos o quanto o Evangelho de Jesus chocou os Fariseus justamente por isso, pois as leis judaicas, em número de 613, acrescidas das tradições dos anciãos, que podiam até dobrar esse número, se constituíam o manual de conduta daquela gente, o método que disciplinava e ordenava a vida do fiel.

Aí veio Jesus, falando de liberdade e de consciência, e reduziu mais de 1.000 preceitos legislativos em apenas dois: amar a Deus e ao próximo. Foi fatal! A crentaiada entrou em pânico! Para eles, viver de forma tão simples e leve revelava-se absurdo, era preciso submeter à existência aos rigores assépticos, as lavagens litúrgicas, aos sacrifícios purgatórios, as orações repetitivas, aos jejuns despropositados e as ofertas, em forma de dízimos, desprovidas de compaixão.

Na verdade, o Galileu bagunçou o quengo da moçada, propôs o Caminho da Consciência do Evangelho, onde não há lugar sagrado, nem dia sagrado, nem sacrifício sagrado, nem homem do sagrado, e com isso pôs fim, de uma feita só, no templo, no sábado, na intermediação dos sacerdotes e na oferta de cordeiros e pombas.

O Evangelho é um convite a quebrar as regras da religião para nos levar a liberdade de ser em Deus, ele nos tira do fordismo metódico e industrializado da igreja, para nos propor a Lei do Espírito e da Vida, que nos faz seguir pacificados e perdoados, sem pesos e sem demandas.

É simples assim, mas o Cristianismo não suportou nada disso, colocou de volta no velho odre da religião o vinagre do judaísmo repaginado com uma pitada de platonismo e a lógica do sistema grego de Aristóteles.

A partir daí, construiu templos, para congregar os "santos", ordenou Papas e Padres, para ministrar sacramentos, santificou o domingo, para o "culto" a Deus e reconstruiu as pesadas liturgias "sagradas", para metodizar a fé, pôs “ordem” na “desordem” proposta por Jesus.

Quando olho para tudo isso, dá certa tristeza, vê no que foi reduzida a fé de muitos, perceber o quanto a religião escraviza o indivíduo com ordenanças sem fim... Mas fazer o quê? Para quem o “Está Consumado!” não basta, o que sobra é viver com o “Estou Sufocado!”. Agora durma com um barulho desse...



Carlos Moreira

01 março 2017

Religião X Evangelho



A religião muda aparências
O Evangelho muda consciências...
A religião muda rotinas.
O Evangelho muda pessoas...
Na religião, a Verdade é uma ideologia.
No Evangelho, a Verdade é uma pessoa...
A religião se propõe a ocupar prédios.
O Evangelho se dispõe a ocupar mentes...
A religião propõe que você experimente o melhor desta terra.
O Evangelho propõe que você experimente o melhor de Deus...
A religião lhe propõe fazer o sinal da Cruz
O Evangelho lhe ensina a fazer da Cruz um sinal...
A religião visa multiplicar gente
O Evangelho visa multiplicar mentes
A religião molda as pessoas.
O Evangelho muda as pessoas...
A religião consegue transformar pessoas boas em más.
O Evangelho é capaz de transformar pessoas más em boas...
A religião idealiza
O Evangelho realiza...
A religião se ocupa em edificar impérios.
O Evangelho se compromete a edificar pessoas...
A religião anestesia o pensamento.
O Evangelho reconstrói a consciência...
Na religião você é um CNPJ
No Evangelho você é um CPF

A religião é uma forma de pensar.
O Evangelho é uma forma de viver...

A religião desafia você a ler as Escrituras.
O Evangelho instiga você a encarná-las...
Na religião, a confissão é uma liturgia do culto.
No Evangelho, a confissão é uma liturgia da vida...
Na Religião: “Sem dízimos, nada podeis fazer.
No Evangelho: "Sem Mim, nada podeis fazer"
Na religião, arrependimento é um pesar por aquilo que eu faço.
No Evangelho, é a geração da consciência sobre quem eu sou...
A religião põe a bíblia em suas mãos.
O Evangelho a põe em seu coração...
O Evangelho te dá identidade.
A Religião dupla personalidade.
A religião propõe uma Reforma.
O Evangelho, uma nova forma...
Na religião há muitos culpados e muita culpa.
No Evangelho há muitos culpados e nenhuma culpa...
A religião raciocina com a categoria do "todos por Um".
O Evangelho, com a factualidade do "Um por todos"...
A Religião muda à forma.
O Evangelho muda a fôrma...
Vem e segue-me, propõe o Evangelho.
Vem e senta-te, propõe a religião...
O Evangelho lhe desafia a seguir a Jesus.
A Religião lhe propõe seguir-se a si mesmo...
A religião nos leva a buscar coisas.
O Evangelho nos desafia a abraças causas...
O Evangelho: "Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".
A Religião: "Negue a sua cruz, tome a si mesmo e siga"...




Carlos Moreira


15 março 2016

Jesus era um “Realista”




Jesus não tinha uma visão “romântica” da sociedade, nem advogava causas que dissessem respeito a igualdade social, como se ele fosse um marxista precoce.

Diante da politicagem hipócrita de Judas, que recriminou Maria pelo desperdício do perfume de Alabastro utilizado para ungi-lo, declarou sem pruridos: “Os pobres sempre tendes convosco”. Era uma leitura realista de que a humanidade, mesmo que o ideal fosse outro, sempre se organizará em castas, havendo, portanto, ricos, pobres, classe média, estrangeiros, etc.

A mensagem de Jesus, bem como a dos Profetas, priorizou os desprestigiados, denunciava a injustiça, o descaso, a abastança da aristocracia em detrimento da miséria da mão de obra escrava e da população essencialmente agrícola de Israel, a opressão dos governos imperialista, mas jamais reivindicou para si uma ideologia comunista, onde houvesse as mesmas oportunidades para todos.

Na verdade, o Reino de Deus se baseia na justiça, não na igualdade, se baseia na verdade, não na utopia, insta o indivíduo a ser solidário, a se importar com a dor do outro, a repartir o que lhe sobra, a fomentar a dignidade humana, mas não desconsidera o homem em sua natureza caída, nem faz vista grossa a presença incômoda do egoísmo, da ambição, da insensibilidade como marcas indeléveis do pecado na consciência e no coração das pessoas, mesmo aquelas que já foram alcançadas pelo Evangelho.

Há pessoas que defendem que, na igreja primitiva, em Jerusalém, existia um modelo de cristianismo socialista. De certo, aquela comunidade experimentou, por curto período de tempo, um “avivamento” social, onde as propriedades e bens foram vendidos e os recursos acabaram sendo repartidos por todos. Mas o resultado final não se mostrou exitoso, pois, pouco tempo depois, Paulo teve de fazer arrecadações para suprir às necessidades dos irmãos pela carestia que os havia alcançado.

Quem acredita num sistema de igualdade de classes, deve olhar para história da humanidade e perceber que, mesmo desejável, isso jamais foi viável. Agora, no que tange a Deus, penso, fomos nivelados em condições de igualdade em, apenas, duas questões: (1) Todos somos pecadores; e (2) Todos somos chamados a receber o perdão e a reconciliação.

O mais, para mim, enquadra-se na tentativa dos políticos de vender sonhos e tirar vantagens do povo, ou na ideologia de teólogos e filósofos religiosos que propõem mudar o mundo sem, contudo, jamais se levantarem de suas poltronas para fazê-lo.


Carlos Moreira

27 janeiro 2016

Meu Nome é “Legião”



Na vida, você pode ser possuído por dois tipos de espíritos: o dos demônios e o espírito do próprio homem. Sim, gente pode possuir gente para o bem e para o mal, pois todo encontro humano é, de certa forma, possessão.

Portanto, tenha cuidado com aquele que você convida para entrar no íntimo do ser, pois a “variedade” promíscua, ao invés de proporcionar experiência, fomenta, na verdade, a decadência da alma, exila o indivíduo para o mar do abandono dentro do seu próprio corpo.

Pessoas que tem por hábito cultivar relacionamentos fortuitos, gente que se entrega a um rosto bonito ou um corpo esculpido, não percebe o mal que faz a si ao trazer para o coração uma mistura enorme de sentimentos, o que faz com que a mente se torne compulsiva pela busca de novas possibilidades.

Tenho pena dos que imaginam que se entregam pelo prazer e que isso nada lhes custará, pois, mais cedo ou mais tarde, perceberão que perderam sua essência, diluíram-se dentro de si mesmos, já não possuem mais identidade nem unicidade, se você lhes perguntar o nome, tristemente, responderão: “meu nome é legião”.

Desta forma, percebo que o indivíduo que tem reverência pela sua solidão é mais feliz do que aquele que fez das trocas relacionais uma orgia de encontros descompromissados, onde o sexo rolou frouxo e a busca pela satisfação constituiu-se o único objetivo a ser alcançado. Quem vive imbuído apenas em sentir prazer experimentará angústias inesgotáveis quando ele lhe faltar e, tenha certeza, isso acontecerá, cedo ou tarde...

Carlos Moreira

26 janeiro 2016

A Ceia só é Santa se a Fome for Farta



Santa Ceia? É ser pão para o faminto e vinho – alegria – para o oprimido de alma. O resto é rito dominical elitizado para uma igreja cauterizada de mente e gangrenada de coração.

Compreenda, portanto, que todo memorial que não aponta para a vida e não se faz carne e sangue no Caminho, para nada aproveita, é tradição religiosa que reverbera apenas como piedade perversa. 
A mística do Corpo e do Sangue servem para aguçar o Espírito em nossa consciência quanto ao Evangelho, essa é a benção, sermos livres do egoísmo que opera em nós, pois não há nada que produza mais doença do que ser autocentrado.  

Jesus afirmou que era o verdadeiro Pão que havia descido do Céu, e assim, arrematou: "A minha comida e a minha bebida é fazer a vontade de meu Pai". Ora, nós já sabemos que a vontade do Pai é ser amado no próximo. O outro, portanto, é o altar onde eu devo realizar o meu serviço, pois, só fazendo assim, é que o Senhor virá até nós, sentará à mesa e cerará conosco.

Quando Jesus declarou na Eucaristia: "Fazei isto em memória minha", ele não tencionava induzir ninguém a repetir um rito sem qualquer entendimento, pois, em verdade, aquele ato significava algo com uma perspectiva muito maior! Chega a ser bizarro imaginar que Jesus desejava que comêssemos pão e vinho, fizéssemos o sinal da cruz, cara de piedade e voltássemos saltitantes para nossos lugares no culto.

Na verdade, a fala do Senhor, ao depois, desdobrou-se de forma mais profunda e consistente no fato dele ter dado a Sua vida em prol do mundo! Então, Santa Ceia é aquilo que me leva, a partir do rito e dos símbolos, a entender que eu também devo ser pão para os outros, que devo gastar minha vida em prol de amenizar a dor dos que não possuem esperança. Que melhor maneira de anunciar a "morte e a ressurreição do Senhor" que não esta? 


Em absoluto, é propósito de Deus que, semana após semana, ano após ano, o indivíduo faça o "árduo" caminho do banco até o altar para tomar a sua Ceia e voltar ao seu lugar, tão inerte de consciência e insensível de alma quanto estava antes.

E assim, a Ceia só se torna Santa se a fartura da mesa seja tanta que chegue até os miseráveis e indigentes da Terra. Caso contrário, é apenas pão, vinho, religiosidade e descaso...



Carlos Moreira

O Jejum que Alimenta o Coração




O jejum, no meio evangélico, é uma espécie de “Espinafre do Popeye”, o sujeito faz uso dele como um suplemento espiritual com vistas a se fortalecer, tornar-se mais ungido, mas destemido na sua luta contra o diabo, é algo travestido de sobrenaturalidade, não obstante não passe de uma prática supersticiosa e vazia.

Sim, o Jejum de Jesus foi feito como preparação para a oferta de si mesmo ao mundo, portanto, correlatamente, ele deve ser algo que aguça a consciência e fortalece o coração para a ação solidária e generosa com o outro no chão da vida.

O jejum tem, sim, esse poder de nos mover para fora de nós mesmos, ele leva a fixar o olhar para o que está no entorno, para as realidades dramáticas que nos cercam, como a dor, a miséria e a injustiça contra aquele que é nosso igual.

Isaías, no capítulo 58, já advertia a Nação de Israel quanto a esse jejum ascético, auto-indulgente e meritório, que visa fazer chantagem emocional com a divindade com vistas a tirar proveitos dela. Já ali, numa sociedade experimentando um desequilíbrio social grave, há a denúncia do abandono dos pobres em detrimento do exercício de uma espiritualidade oca, que imaginava que Deus desejava que o abastado se privasse de pão por um ou dois dias, enquanto o faminto agonizava sem ter o que comer.

O único jejum que agrada a Deus é aquele que você faz para o benefício do outro, um jejum que remove a lepra da alma para torná-la sensível ao sofrimento humano, o jejum que traz algum proveito alimenta o coração de solidariedade, move mãos e pés na direção dos indigentes da terra, dos esquecidos e soterrados sem qualquer esperança.

Tudo o mais, para mim, é só fuleragem, não é necessário se fazer um curso para aprender o óbvio! Com o que está dito aí, você já está diplomado em jejum, não precisa de mais nada...


Carlos Moreira

10 julho 2015

Assédio Espiritual: Um Crime como Qualquer Outro!




Eu penso que, muito em breve, a legislação brasileira terá de olhar de forma séria, com legislação específica, para um tipo de abuso praticado a céu aberto e sem qualquer tipo de sanção da sociedade civil: o assédio espiritual.

Trata-se da exploração da miséria em nome de Deus, do charlatanismo sincrético que propaga curas mentirosas, das promessas de prosperidade para famintos de alma e indigentes de pão.

Se você ligar agora sua TV e sintonizar em algum canal que veicule programas religiosos, a chance de se deparar com este tipo de “mensagem” será enorme. É trágico, mas a esmagadora maioria dos teleevangelistas que estão nas grandes redes faz uso deste expediente.

Para que se saiba, gente abusada espiritualmente fica desgraçada para a vida, perde a esperança, a alegria, compromete a fé e tem sua autoestima abalada. É uma invasão de privacidade o que se faz hoje, um tipo de coronelismo espiritual, onde o “senhor de engenho” da igreja-latifúndio tem o poder de adentrar mentes e corações.

E assim, os fracos de alma, sem paz e sem calma, sucumbem às suas proposições tentadoras, aos seus apelos frenéticos e a desafios insanos. Tudo mentira! Cafetões do Sagrado, traficantes de sofismas, pregadores de fundo de quinta e estupradores de mentes.

As vítimas, via de regra, sofrem porque não entendem, de forma clara, as Escrituras, é gente com pouca ou nenhuma consciência do Evangelho. O alvo destes falsários se detém em quem está em desespero flagrante, se entregando a qualquer mágica que alivie a dor, que diminua a sensação de abandono existencial.

Estes abutres, como que sentindo o cheiro da “carniça”, se abatem sobre os incautos sempre em hora propícia, quando os indivíduos estão mais fragilizados. Eles chegam sorrateiros, com fala e voz mansa, travestem-se de um tipo de piedade perversa, que oferece a salvação por um lado e a escravidão pelo outro.

Mas que se saiba, ai destes que apagam a torcida que ainda fumega, que sujam com excrementos o solo santo do coração de pessoinhas aflitas e entregues a própria sorte! Eles darão conta, no último dia, ao Juiz de toda a Terra, que não lhes poupará a dívida, mas os enviará para o “verdugo” até que paguem o último centavo roubado de quem não tinha mais o que perder no chão dos dias.

Meu desejo é que haja alguma legislação que proteja essa gente simples e humilde que vem sendo dilacerada em seus sentimentos e enganada pela agiotagem da fé. Eles compram um produto enganoso, iludidos com a promessa de solução de todos os problemas, um negócio que envolve barganhas com a divindade, que tenta vender àquilo que já foi pago e liquidado na Cruz do calvário.


Carlos Moreira


07 julho 2015

O que Significa ser um Pastor?



O que vem a ser um pastor? Cabe aqui tentar definir visto que, o conceito que se tem hoje sobre esse indivíduo e a função que ele deveria desempenhar na igreja, está completamente equivocado e isso conforme o Evangelho. 

Pastor não é um título eclesiástico, mas um encargo que se recebe na vida, não é uma posição de diferenciação ministerial, mas um chamado ao serviço humilde e solidário aos homens.

Pastor não é um “iniciado” entre leigos errantes, nem um “ungido” entre os desviantes, mas um homem chamado para ser o coração de Deus entre os homens e o coração dos homens diante de Deus.

Pastor não é um déspota autoritário, não é um general, ele dirige com sabedoria, exorta com paciência, corrige com amor e disciplina com zelo. Sua autoridade lhe foi dada para edificar, não para destruir, e aqui entenda-se como autoridade a capacidade de ser servo dos demais, pois quem lava os pés dos irmãos tem também o direito de lhes redarguir com carinho.

Pastor não é o super-homem, é homem de carne e osso, mais carne do que osso, ou seja, pastor é gente! Ele se entristece, se desmotiva, tem crises de ansiedade, medo e depressão. Desconfie sempre de um pastor que só vive sorrindo e distribuindo beijinhos para a plateia. Certamente, está diante de você um personagem que a igreja criou, mas não um homem com todas as suas dores e contradições.

Pastor não é um marajá da fé, nem um funcionário da instituição ou um servidor do templo. Ele pode receber pelo seu trabalho, mas melhor seria se tivesse seu próprio emprego e fosse capaz de prover seu sustento. Dê dinheiro em excesso a um pastor e haverá uma enorme possiblidade dele se corromper, de deixar de pregar o que é preciso para passar a discursar sobre o que é desejado pela comunidade.

Um pastor deve ensinar com profundidade e com responsabilidade. Triste será a igreja que tiver pastores rasos, tanto de bíblia quanto de outros saberes indispensáveis a articulação da fé com a vida. Mas o pastor não é infalível, não é inerrante nem o dono da verdade. Ele deve ser coerente com o que acredita, mas ele não tem que crer igual a você, há espaço para a diferença dentro de toda comunidade sadia e saudável.

Pastor é um amigo presente, um conselheiro prudente, ele é capaz de ouvir com mansidão, de guardar segredos, de repartir sofrimentos. Pastor não é psicólogo, ele não usa técnicas para fazer anamnese, pastor se envolve, se emociona, seu trabalho é chorar com os que choram, se alegrar com os que se alegram.

Pastor tem ética, disciplina, tem caráter. Ele precisa do testemunho público da sociedade, precisa ser bom profissional, bom marido, bom pai, bom filho, bom cidadão. Ele não é infalível, mas precisa ser uma referência. O pastor é um pai para os órfãos da vida, um amigo para o solitário, um abrigo para os cansados, um alento para os oprimidos.

Que bom seria se tivéssemos mais pastores. Contudo, com tristeza, ei de admitir, eles estão se extinguido, rapidamente, silenciosamente. Em seu lugar surgiram profissionais da fé, estelionatários da Verdade, traficantes de influências do sagrado, sequestradores do bem. Faz falta pastores conforme o coração de Deus. Sim, faz muita falta...


© 2015 Carlos Moreira

06 julho 2015

Por que Congregar?




Eu congrego, porque eu preciso.

É simples assim, sem cobranças, sem reprimendas, sem leis ou imposições. Não se trata também, de uma demanda da agenda da religião, nem de uma compulsão culposa que tenta suprir a outros com os dons que o espírito me concedeu. Não é obrigação ministerial, que almeja galardão no futuro, ou sacrifício pseudônimo piedoso que busca uma santidade forçada.

Eu congrego, porque preciso, porque aceito o ajuntamento que nos torna família, gente distante, e comunidade de iguais, os diferentes. Congregar é juntar corações para desfrutar a multiforme sabedoria de Deus, é unir consciências entorno do nome de Jesus e da causa do evangelho.

Eu congrego porque escolhi, um dia e um lugar para adorar com os que creem igual a mim, porque tenho alegria em partir o pão conjuntamente e reverência em celebrar o perdão generoso que me alcançou como graça inestimável.

Eu congrego porque gosto de gente, de abraços, de sorrir, de poder servir o meu semelhante de forma qualificada, congrego para fazer da vida uma oferta e da oferta uma ação consciente e solidária da minha fé, a qual precisa se materializar em ações concretas.

Sim, eu preciso congregar para fazer parte de algo, para ser corpo e não membro amputado, para abençoar e ser abençoado, para amar e ser amado. Eu congrego não só porque as escrituras afirmam que devo fazer isso, mas sobre tudo porque não quero ser um errante andando sozinho num tempo onde não a amor para se compartilhar.

E assim, para mim, é melhor serem muitos do que um só, pois onde há comunhão e generosidade de espirito, ali, certamente há a presença do Senhor.


Carlos Moreira

16 janeiro 2015

A Religião e suas Gaiolas




Eu acho curioso quando pessoas ligadas à religião tentam patentear Deus. Sim, eles querem um deus domesticado, alguém que siga conceitos teológicos pasteurizados, costumes dietéticos, um deus que se submeta a convenções, que siga liturgias, que cumpra agendas, que consiga ser explicado, ainda que não possa ser compreendido.

Olhando esta geração, e conhecendo a história do cristianismo, penso que chegamos à última fronteira, não posso conceber algo pior. A igreja contemporânea tornou a idade das trevas medievais um parque de diversões. O que se faz hoje, em nome de Deus, reduziu a inquisição e as cruzadas a histórias de jardim da infância.     

No Brasil, o fenômeno religioso-cristão é passível de estudo. Ainda que templos e catedrais estejam lotados, as manifestações de fé são cada vez mais patológicas. A quantidade de gente adoecida por causa de crenças perversas e infundadas é alarmante. A religião tem esse poder: quando não sara a consciência, adoece todo o resto. Se Marx fosse vivo, diria que esse tipo de prática é o “Rivotril do povo”.  

O cristianismo brasileiro é, na verdade, uma hidra com muitas cabeças. A igreja de Roma tenta sobreviver à secularização, busca de todas as formas preservar heranças moribundas das práticas ibéricas que submergiram no Velho Continente. A igreja Protestante, por outro lado, é a expressão da perversão, resultado da alquimia que simbiotizou doutrinas judaizantes, positivismo filosófico, costumes das religiões Afro e o pentecostalismo americano do início do século XX. Exceções? Sim, existem, mas pouquíssimas!

Diante deste cenário, resta-nos perguntar: o que nós podemos fazer? Bem, penso eu, nada. Não creio que ação de homem algum, ou de instituição, doutrina, ideologia, métodos ou qualquer outra coisa seja capaz de alterar a situação. A solução não está no que se pode fazer, a partir da Terra, mas do que já está sendo feito, a partir dos Céus! Sim, Deus está se movendo há tempos, nós é que, talvez, ainda não tenhamos discernido. 

Um bom observador, contudo, vai perceber que estamos diante de algo muito próximo ao que aconteceu nos dias de Jesus. Naquele tempo, a religião de Israel adoecera de morte. As práticas eram lesivas, o sacerdócio havia se transformado em exercício político, a interpretação da Lei era tendenciosa, o Sinédrio estava corrompido, a fé havia se dessignifcado. A corrupção era tal que o lugar da adoração transformou-se em centro de comércio, impulsionava a Nação. Nada do que se fazia ali tinha significados para Deus, até o perdão tornara-se negócio, era vendido e comprado por preço. Tudo tão semelhantes aos nossos dias...

Mas Deus tinha seus próprios planos. Ele irrompeu as tradições, desprezou geografias pseudo-sagradas, ignorou hierarquias, sublevou interesses e enviou João, o batista, para o deserto. Lá, ele pregava o arrependimento e conclamava o povo a mudança de vida, afirmava que o Reino de Deus estava próximo, Reino de consciência e fé, não de aparência e opulência.

Na verdade, o Senhor sabia que Anás e Caifás não se converteriam, que Herodes não se renderia a Graça, nem tão pouco o Sinédrio se sensibilizaria ao Evangelho. Por isso João foi enviado ao deserto, sem Templo, sem utensílios sagrados, sem os rolos da Torá, sem lugar para sacrifícios, sem liturgias, sem levitas, sem nada que não fosse o Espírito Santo, a Voz do que clamava no deserto! Nós sempre imaginamos que a solução para tudo está do “lado de dentro” da igreja, mas Deus, não raro, começa agindo no deserto, do “lado de fora”!

Dali por diante, quebrados os paradigmas, o Galileu foi “destruindo” o que encontrou pela frente, mitos foram caindo, um por um. Ele afirmava as multidões: “Ouvistes o que foi dito aos antigos...” e expunha os preceitos caducos da Lei. Em seguida, todavia, afirmava com autoridade: “Eu, porém, vos digo...”, e dava novo significado a tudo. Com leveza, o Evangelho foi sendo fecundado no coração das pessoas e os simples de coração puderam entendê-lo.

A igreja cristã brasileira pensa ser proprietária da fé em Jesus. Católicos e Protestantes se arvoram como legitimadores do Evangelho. Trancafiados em suas “gaiolas”, imaginam que o Senhor juntou-se a eles. Engano. Deus é claustrofóbico! Saiu da “arapuca” faz tempo. Aqueles que ainda enxergam e são honestos sabem que o “sistema” está condenado! Sim, há muita gente boa na Instituição-Igreja, gente de Deus, mas a luta deles é inglória, não há como salvar aquilo que já nasceu condenado. A igreja de Jesus triunfará! A dos homens, não...  

É tempo de perceber o que o está acontecendo! Milhares começam a surgir, de todos os lugares, filhos da Esperança e da Graça, e esses não estão vinculados a nada, são apenas pessoinhas do bem, gente de coração singelo e boa consciência, sem tradições, sem liturgias, credos ou dogmas. Eles vão por aí, estão em pequenos grupos, em ajuntamentos informais, comunidades livres, partem o pão, falam com Salmos, sensibilizam-se com as dores das pessoas, comprometem-se com ações que promovam a dignidade humana e a preservação do Planeta.   

O que posso lhe dizer, depois destes mais de 30 anos caminhando com Jesus, é que “O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai”. Há, novamente, muitas vozes que clamam no “deserto” e elas estão anunciando o arrependimento e a Salvação. Algo está se movendo, cada vez mais veloz, o Vento está soprando, livre e leve, portanto, discirna para onde está indo e siga junto com ele.

© 2015 Carlos Moreira

Outros textos podem ser lidos em http://anovacristandade.blogspot.com

09 janeiro 2015

Tiete da Religião ou Filho do Evangelho?



A religião muda rotinas. 
O Evangelho muda pessoas...
A religião se propõe a ocupar prédios.
O Evangelho se dispõe a ocupar mentes...
A religião molda as pessoas. 
O Evangelho muda as pessoas...
A religião consegue transformar pessoas boas em más.
O Evangelho é capaz de transformar pessoas más em boas...
Na religião, a Verdade é uma ideologia.
No Evangelho, a Verdade é uma pessoa...
A religião anestesia o pensamento.
O Evangelho reconstrói a consciência...
A religião se ocupa em edificar impérios.
O Evangelho se compromete a edificar pessoas...
A religião desafia você a ler as Escrituras.
O Evangelho instiga você a encarná-las...
Na religião, a confissão é uma liturgia do culto.
No Evangelho, a confissão é uma liturgia da vida...
Na Religião:
“Sem dízimos, nada podeis fazer.
No Evangelho:
"sem Mim, nada podeis fazer"...
Na religião, arrependimento é um pesar por aquilo que eu faço.
No Evangelho, arrependimento é a consciência sobre quem eu sou...
A religião põe a bíblia em suas mãos.
O Evangelho a põe em seu coração...
A religião propõe uma Reforma.
O Evangelho, uma nova forma...
Na religião, há muitos culpados e muita culpa.
No Evangelho, há muitos culpados e nenhuma culpa...
A religião raciocina com a categoria do "todos por Um". 
O Evangelho, com a factualidade do "Um por todos"...
A Religião muda à forma.
O Evangelho muda a "fôrma"...
Vem e segue-me, propõe o Evangelho. 
Vem e senta-te, propõe a religião...
O Evangelho lhe desafia a seguir a Jesus.
A Religião lhe propõe seguir-se a si mesmo...
A religião nos leva a buscar coisas.
O Evangelho nos desafia a abraças causas...
O Evangelho propõe: "Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".
A Religião propõe: "Negue a sua cruz, tome a si mesmo e siga-se"...


Agora, a pergunta que não quer calar: você é religioso ou é gente do Evangelho?

Carlos Moreira


08 janeiro 2015

Livre de Todos, Mas Escravo da Consciência



Alguém muito querido, e muito sincero, falou comigo pelo in-box e relatou que, depois de ver uma foto minha com um amigo tomando uma “breja”, sentiu-se desejoso de 
voltar a beber. E assim, ele foi tomando uma, duas, três, até que, inadvertidamente, tomou todas...

Bem, ele me confessou o caso e assumiu a responsabilidade pelo ato, mas pediu, com carinho, que eu revisasse minha postura quanto a tomar minha cerveja.

Então, eu respondi...

Mano, entendo o seu drama e entendo que, talvez, você tenha problema com a bebida e precise se conscientizar disto. Mas veja a questão por um ângulo mais amplo... Você imaginou que, se eu posso tomar minha cerveja, você também pode e isso ascendeu o desejo de voltar a beber. Mas ai você se excedeu e, por conta disto, agora acha que eu também não devo beber, uma vez que, fazendo assim, estimulo outros a igualmente fazê-lo.

Agora suponhamos que eu deixe de beber por conta disto... Mas aí, chega a sexta feira e eu vou na casa de uns amigos para jogar umas partidas de dominó. Noite rolando e um destes amigos posta uma foto da mesa de jogo no FB. Pois bem, ocasionalmente, alguém que me segue e é também viciado em jogo, acaba vendo essa imagem e, daí por diante, aquela "cena" passa a se constituir o álibi perfeito para que esse tal volte ao vício da jogatina.

Pois bem, chocado com o ocorrido, eu, “obviamente”, deixo também de jogar, para evitar ser um escândalo ao meu irmão. Mas, como se sabe, pastor é convidado para ir a muitos lugares, e, sendo assim, acabo indo a uma festa de aniversário. Chegando lá, sou servido pela dona da casa que me traz uma deliciosa torta de chocolate. Com todo o prazer, eu como a torta e me lambuzo todo. Minha filha Gabi, que adora fotos, posta, então, a imagem desta cena hilária na minha linha do tempo no FB. Mas, desgraçadamente, alguém que me segue e tem compulsão alimentar, me vendo comer a bendita torta, volta a ter problemas com a glutonaria. E é assim que eu paro de comer tortas...

Finalmente, como resultado do dia de Natal, eu posto uma linda foto com minha esposa na qual não estou, nem bebendo, nem jogando e nem comendo. Mas naquela foto, estou vestindo uma camisa nova que ela me deu de presente, linda mesmo! Infelizmente, e para meu desgosto, alguém que me segue no FB e tem compulsão por gasto, não conseguindo ver aquela imagem, acaba caindo novamente em tentação com o cartão de crédito. Dias depois, fico sabendo que a pessoa foi ao shopping e detonou geral, e o pior de tudo, voltou para as mãos dos agiotas.

E foi assim, desta forma triste, que eu deixei de viver! Sim, foi isso que me aconteceu, pois eu perdi, totalmente, minha individualidade e, com ela, minha liberdade. Tornei-me um escravo dos outros e, por “amor” aos outros, deixei de existir.

Ora, em absoluto é isso que as Escrituras afirmam sobre, por amor ao mais fraco, alguém deixar de fazer algo! Quando Paulo trata deste tema, em 1ª. Co. 8, o contexto imediato é a comida sacrificada aos ídolos, a qual era comprada ou consumida na feira, onde a maioria dos alimentos havia sido consagrado para os cultos tanto no templo de Apolo, quanto de Afrodite. Paulo, então, está tratando de uma questão específica, num contexto próprio, e faz uso, inclusive, de recursos literários, como a hipérbole do verso 13, para ratificar seu pensamento.

Para se ter uma ideia, a questão era a seguinte: a mente debilitada do neófito, que acreditava nos mitos das religiões pagãs, sobretudo a grega, acabava estimulada pela superstição e, desta forma, levava o indivíduo a viver eternamente dependente dos deuses, o que acarretava, por consequência, a não compreensão da liberdade do Evangelho e da salvação em Jesus. Ou seja, o que temos ali é uma questão essencial à fé e não algo de cunho meramente existencial.

No meu pensar, todavia, é óbvio que Paulo não está recomendando que nunca mais alguém tenha a liberdade de comer algum alimento pelo fato dele ter sido consagrado ao ídolo, pois ele mesmo diz que, recebida com ação de graças, todas as comidas estão santificadas para o uso! O que se subentende, então, é que, ainda que eventualmente julguemos que devamos nos privar de algo, por amor àquele que tem uma consciência fraca, não precisamos viver desta forma, mas usar a pedagogia e o discipulado para instruir aquele que é débil na fé a chegar a maturidade em Cristo!

O exemplo que dei acima é bastante simplista, mas factível! Agora, imagine que alguém se escandalize pelo fato de você usar calça jeans, o que é totalmente compatível com algumas doutrinas de igrejas pentecostais. Com sinceridade, você deixaria de usar a calça por causa da debilidade do pensamento desta pessoa? Ora, se não, então essa aplicação sobre a liberdade serve para algumas coisas e para outras não? Será que nós vamos ter de fazer uma planilha com o que pode e o que não pode ser feito?

Por isso, o mesmo Paulo que trata o tema de 1a. Co. 8, afirma, em Rm 14:22 “Bem aventura aquele que não se condena naquilo que aprova”. É assim que eu penso, com sinceridade e respeito pelo meu semelhante em suas fraquezas, mas não me tornando refém de nada nem de ninguém.

Para terminar, deixo essa frase de Harriet Tubman como reflexão final: "Libertei mil escravos. Podia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos". Cabe tão bem...

Beijo a todos!


PS: Eu sei que a maioria não vai concordar, mas alguns vão começar a acordar depois desta reflexão... E eu? Bem, eu continuo livre de todos e escravo de Cristo!

Carlos Moreira

25 novembro 2014

Lázaro e o Pastor Rico




Essa parábola (baseada em Lc. 16:19-31), será melhor entendida se você ler, antes, essa outra nesse link: http://anovacristandade.blogspot.com.br/…/a-parabola-do-pas…
LÁZARO E O PASTOR RICO
Crentonildo, pastor de “sucesso”, dono de uma hermenêutica invejável, possuidor de uma “unção” poderosa, considerado o príncipe dos púlpitos, vivia encastelado em sua mega-igreja. Ele se vestia com vestes pomposas, andava em sua Mercedes, morava em uma mansão com 6 suítes e refestelava-se no luxo.
Diante dos portões de seu Império Eclesiástico, todavia, havia um mendigo chamado Lázaro, moribundo coberto de chagas que agonizava solitário e ansiava por comer das migalhas que caíam da mesa da “Santa Ceia” de Crentonildo. Sim, ali estava um homem desprezado da sociedade, abandonado dos amigos, expurgado da família, em irremediável colapso físico e emocional.
Passado certo tempo, chegou o dia em que Lázaro morreu e os anjos o levaram para estar à mesa com Jesus.
Logo em seguida, Crentonildo também faleceu e foi sepultado. No Hades, onde passou a habitar, vivia atormentado, existia de si para si mesmo, experimentava uma total impossibilidade de arrependimento, era consumido pelas chamas do egoísmo e devorado por sua própria cobiça.
Nessa angústia interminável, Crentonildo olhou para cima e viu, de longe, Lázaro sendo acolhido e consolado por Jesus. Inconformado, clamou com grande voz e disse: “Jesus, tem misericórdia de mim! Manda que Lázaro venha aqui e me traga um pouco de esperança e boas palavras que consolem meu coração, pois estou sofrendo muito neste desespero sem fim”.
Diante de tal apelo, Jesus afirmou: “Crentonildo, é importante que você reflita que durante a sua vida você tratou a dor alheia de forma displicente e, não fosse isso bastante, encolheu os braços ao faminto, fez economia de misericórdia e racionamento de solidariedade. Lázaro, por outro lado, era indigente e sem importância, morava na favela próxima a tua igreja, era pedinte ao lado do teu portão. Por isso, não por acaso, agora ele está consolado e tu em meio a esse tormento.
Além disso, há entre nós um abismo tal de consciência, que torna-se impossível ressignificar aqueles que aí estão para que sejam transportados para aqui.
Crentonildo, todavia, respondeu: “Jesus, eu te suplico que mandes, então, Lázaro lá no presbitério da minha igreja, pois tenho fraternos amigos pastores vivendo absortos tal como eu, despercebidos da dor humana, e ele os avise sobre as implicações de tal proceder, de sorte que eles não venham parar aqui neste lugar”.
Jesus, entretanto, arrematou: “Eles têm o Evangelho, portanto, que o ouçam!”. E Crentonildo insistiu: “Meu Senhor, se você ressuscitar alguém entre os mortos é bem provável que eles acreditem, sobretudo se for Lázaro, o mendigo”.
Mas Jesus finalizou: “Eles tem o Evangelho, o testemunho dos apóstolos e profetas, a vida de milhares de homens e mulheres que foram inspiração na história da igreja, o testemunho dos meus discípulos sobre a Terra. Se não podem escutar todas essas “vozes” que clamam, então, não adiantará fazer mais nada, nem mesmo ressuscitar alguém dentre os mortos”.
As igrejas estão cercadas de “Lázaros” por todos os lados. Há gente agonizando em nossas portas, indigentes de alma, mendigos de amor, miseráveis de sentimentos. Estamos circundados de desgraças, de fome, de doenças, de drogaditos. Eles não podem mais esperar, é preciso fazer algo agora, hoje!
Enquanto você vai, displicentemente, para o seu “culto” no domingo, senta-se em sua cadeira confortável, sente o refrigério agradável do ar-condicionado e escuta belas canções do grupo da música, tem gente morrendo de sede, de fome e de frio no altar da injustiça humana, solitários nos bancos do descaso, perfilados a frente da mesa das lamentações.
Deus escolheu ser amado no próximo e fez a síntese de toda a Lei em um único mandamento, com duas facetas: amar a Deus e amar ao meu irmão. O que passar disso é retórica vazia, é a indignação complacente daqueles que acreditam que podem mudar o mundo sentados nos bancos de suas igrejolas...

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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