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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

21 fevereiro 2011

Dormindo com o Inimigo


Adoro polêmica! Quem me conhece sabe disso. Pensar é preciso e, para que isso aconteça, nada como levantar reflexões a respeito de temas que mexem com o consciente e o inconsciente de todas as sociedades, inclusive a nossa.

Dentro desse contexto, uma temática cujo debate é extremamente complexo é a questão do sexo no casamento e quando ele se torna pecado, mesmo respaldado pelo contrato que foi assinado no cartório ou a benção concedida pela igreja.

Há tantos que se preocupam com o sexo antes do casamento que, não raro, acabam esquecendo que existe sexo também no casamento! Primeiramente, para falar sobre o assunto, é preciso conceituá-lo. Aqui vou utilizar a experiência de estar há 20 anos ouvindo casais com os mais diversos tipos de problemas e conflitos na área sexual, o que se constitui vasto material para podermos refletir.Com vistas a chegarmos a algum ponto de “iluminação” da consciência, vou tentar dizer, logo de cara, o que não é sexo. Será mais fácil assim...

Sexo não é coito, ou seja, não é o ato em si, com carícias, preâmbulos, penetrações e orgasmo. Os animais fazem isso, mas não desfrutam da grandiosidade daquilo que Deus planejou para nós, humanos. Coito, é parte do sexo, mas ainda não é sexo! Sexo é encontro de corpo, sim, mas também de alma e de espírito. Sexo é algo muito mais profundo e complexo do que a grande maioria de nós entende ou usufrui. O sexo começa no olhar, no desejo acalentado, pacientemente. Depois ele passa pelas afinidades, complementaridades . Em seguida, vem a questão da “química”, do cheiro, do gosto, das formas. E então, finalmente, vem a parte espiritual.

Sim, sexo é coisa muito espiritual! Aliás, é mais espiritual do que muitas outras que imaginamos. Por isso, fazer sexo com alguém de “outro espírito” é deitar-se com uma pessoa que tem em sua natureza diferenças importantes da nossa e isso, obviamente, tem implicações para muito além do que se pensa ou se vê.

Foi por isso que Paulo, tratando do tema em sua epístola aos Coríntios, falou de forma aberta sobre os desdobramentos de um tipo de sexo que é casual, aquele realizado com a prostituta.

Na verdade, o raciocínio de Paulo não se prende à figura da prostituta em si, mas está focado no que podemos denominar de “espírito de prostituição”. Pessoas transmitem “espíritos” quando se relacionam intimamente. Por isso, há uniões que contaminam a alma da gente para o mal, pois cada pessoa carrega sua própria carga de “energia”, e isso a partir do que se construiu no ser.

Se você quiser aprender alguma coisa boa sobre sexo no casamento, não precisa ler livros que dão conselhos sobre o tema, sobretudo esses que estão aí nas prateleiras e que são, em sua esmagadora maioria, baboseira pura.

Faça o seguinte: abra a sua Bíblia e debruce-se sobre o livro de Cantares. Ali está a mais linda poesia sobre o sexo, com metáforas das mais ousadas e pertinentes que farão um leitor atento e inteligente, que consiga ir além da “letra”, apropriar-se das alegorias e, assim, aprender muita coisa bonita e poética para a vida a dois. Mas este não é um texto sobre sexo, e sim sobre o fato de se estar casado e fazer um tipo de sexo que é pecado diante de Deus. Isso é possível e mais comum do que se imagina.

Para entrar de cabeça na questão, vou usar apenas um texto dos muitos possíveis, pois ele vai me ajudar a pontuar o assunto. “Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio.” 1ª Co. 7:5. O texto é riquíssimo, mas vou usar apenas esta parte dele: “Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento...”.

Em primeiro lugar, vamos esclarecer algo importantíssimo: não se “recusar um ao outro” não trata apenas da incidência da relação, ou seja, da agenda sexual, mas de algo com implicações mais profundas.

Diferentemente do que, talvez, a maioria pense, não se recusa o parceiro apenas quando se diz a ele: “hoje não”, seja por que motivo for. Essa é apenas a forma mais usual.

Na verdade, podemos recusar alguém de muitas maneiras, inclusive inconscientemente. Aliás, normalmente recusamos os nossos parceiros enquanto fazemos sexo com eles! Recusa é algo que acontece não só nas proibições físicas – “isso não; aqui não; desse jeito não; não gosto assim;...”, mas também em nível emocional. Nesse segundo caso, o problema é subliminar, pois a resistência fica “presa à alma”, e, por vezes, até ao intelecto.

Mas há ainda outra frase-chave nessa citação de Paulo e nós precisamos explorá-la melhor: “mútuo consentimento”. Sabe o que significa? Não é tão simples como talvez pareça. Não trata apenas de concordar sobre local e hora de fazer sexo, mas de algo muito mais profundo, ou seja, das práticas, acordos e brincadeiras que o casal se permite fazer quando está nesse nível de intimidade sem que nenhum dos dois se constranja, sinta-se desrespeitado.

Então, usando o texto de Paulo como uma referência, posso concluir que sexo entre um casal é algo que é feito sem privação ou subterfúgios, em bom português: sem enrolação! E posso também arrematar que esse sexo é feito de forma prazerosa e digna – uma vez que um busca o que dá mais satisfação ao outro – ou seja, resumindo: sexo é um encontro profundo de um ser com outro ser.

No casamento, as relações sexuais se tornam pecado quando são feitas sem interesse, quando um dos cônjuges está ali por “obrigação”, apenas para “esvaziar” o desejo retido do outro. Sexo é pecado quando eu o faço com minha mente “vagando” por outros “ambientes” ou, pior, quando ela projeta alguém naquela “cena” que ali não está, nem poderia estar, ou seja, quando faço amor com um(a) e, ao mesmo tempo, penso em outro(a).

Sexo é pecado quando eu não respeito os “limites” do meu parceiro (a), estando apenas na busca pelo meu próprio prazer – ainda que isso traga desconforto e até dor a ele (a). Isso quebra a “regra” da consensualidade; é pecado!

Sexo é pecado quando eu preciso de objetos de erotização exteriores para produzir excitação. Fantasia é algo bom e saudável quando não ultrapassa os limites do bom senso, pois até mesmo o que supostamente dá prazer pode viciar e levar a alma a pulsões cada vez mais insustentáveis, onde o limite acaba beirando o absurdo.

Hoje há tantos recursos para produzir fetiche, como réplicas de pênis e vagina, cilindros para introdução, máscaras, algemas, filmes com aberrações, chicotes, que o prazer acaba se transferindo do corpo das pessoas para as coisas periféricas.

A experiência mostra que o vício na pornografia tem o poder de diluir a alma das pessoas, pois cria uma pulsão inconsciente que, depois, só concede ao corpo o prazer se a fantasia artificial se fizer presente. Não se pode esquecer, todavia, que ela é um estimulante sensorial virtual, mas não real. Talvez Seja bom para “crianças”, mas para adultos...??
Sexo é pecado quando eu não dou prazer ao outro. A coisa mais comum com a qual lido em meus aconselhamentos é ouvir das mulheres que elas jamais tiveram um orgasmo com seus parceiros em anos de casamento.

E o marmanjão, desfilando impoluto, fica achando: “Esse cara sou eu”! É pecado! Mostra o descaso para com o outro, o egoísmo explícito no ato, a falta de maturidade que me leva apenas a buscar meus 15 minutos de prazer em detrimento do outro que está há anos e anos na míngua, no deserto da excitação, na aridez do gozo.

Bem disse o cantor e compositor Cazuza, em circunstâncias similares: trata-se mesmo de “solidão a dois”. E mais... é pecado!

Lin Yutang, escritor chinês, afirma que: “É a minha conclusão que no Ocidente se pensa muito no sexo e muito pouco nas mulheres”.

Acredito que, sem nos preocuparmos sinceramente com o prazer do outro, jamais seremos felizes na cama com aquele (a) a quem dizemos amar. E creia-me: milhares de separações poderiam ser evitadas se esse tema fosse enfrentado de forma corajosa. Mas fazer o quê? Tem gente que prefere sonhar com o amante e dormir com o “inimigo”...



Carlos Moreira

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