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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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17 maio 2012

A Vida não Espera por Ninguém




“Amanhã; amanhã eu faço.”. Mas amanhã já começou! E mais: daqui a pouco, já terminou, pois amanhã já acontece no hoje, e o hoje começou desde ontem... Tudo está em constate mudança, conectado, faz parte do crochê que emoldura a grande “teia” que é a vida. A única coisa que temos por completo é o agora, o momento, o instante! O mais são partes: restos do ontem, porções do hoje, fragmentos do amanhã.

Vejo as pessoas. Elas pensam que o dia tem 24 horas. Que ilusão, o dia só tem o agora. Você não sabe se no minuto seguinte estará vivo ou morto, portanto, toda cogitação é suposição infrutífera. O futuro ainda está por ser escrito, e ele poderá ser construído de tantas formas diferentes que não adianta lançar-se a pensar sobre nada, isso trará apenas ansiedades e inquietações. Talvez por isso Einstein tenha dito: “nunca penso no futuro, ele chega rápido demais”.

A vida me ensinou a fazer as coisas agora, neste momento. Não deixo para amanhã o que já deveria ter sido feito ontem, pois, na verdade, estou atrasado! Mas nós temos medo do agora porque o agora não espera, não permite hesitação, inseguranças, ele não tolera planos, simulações, o agora tem ser “degustado” neste momento, no tempo em que as coisas estão acontecendo, ou então haveremos de nos conformar com o fato de que ele, nunca, jamais voltará novamente.

Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem”. Marcel Proust. Há coisas que você precisa realizar agora e, normalmente, estas coisas não fazem parte de sua rotina. A rotina escraviza, torna-nos peças de uma engrenagem. Mas creia-me, você precisa quebrar as “regras”, tem de executar aquilo que não está programado, algo que surgiu na sua frente, de repente, motivou o impulso, produziu sensações, gerou o insight, criou o novo.

Há telefonemas que têm que ser dados agora, sentimentos que precisam ser expressos agora, beijos que precisam ser trocados agora, decisões que precisam ser tomadas agora, planos que precisam ser executados agora, nãos que precisam ser ditos agora. Sim, há coisas que não podem esperar, que precisam ser feitas agora, ou então se “calcificam”, tornam-se parte inerte da história, perdem-se entre o quase e o foi-se, entre o talvez e o nada.   

Você conhece a história de Zaqueu, o publicano. As Escrituras não apresentam os detalhes da visita de Jesus à sua casa, apenas narram o fato incomum de um profeta judeu visitar um homem tido como impuro. Eu não sei o que eles conversaram, apenas os resultados...

Fato é que, após aquele encontro, de forma inusitada, inesperada e mesmo surpreendente, Zaqueu, que era um homem desonesto, que extorquia os habitantes de sua cidade com ágio sobre o imposto cobrado pelos romanos, tomou a decisão de repor quatro vezes aquilo que havia ganhado ilicitamente. Era uma decisão difícil, sobretudo em se tratando de questões financeiras. Some-se a isto o fato de que ele era um homem de “negócios”, devia ser hábil em fazer contas, não realizava nada sem ponderar cuidadosamente, pois, como se diz, “o dinheiro nunca dorme”.   

Mas naquela manhã, exposto às verdades e valores do Reino de Deus, tendo sua alma compungida pelas palavras do Nazareno, sentindo seu íntimo invadido por uma luz que lhe desnudou as entranhas do ser e sua consciência despertada frente aos agravos dos próprios atos, desvendados seus olhos para torná-lo capaz de enxergar sua indignidade, ele não pestanejou, não racionalizou, não pediu para pensar, fazer contas ou conjecturas, agiu conforme lhe pedia o coração, apossou-se do agora e não deixou passar aquele momento, o qual, `num único instante, mudou toda sua eternidade, pois disse Jesus: “hoje entrou salvação nesta casa!”.

Sim, Zaqueu não se perdeu nas horas do relógio, não deixou escapar a oportunidade, não permitiu que o “trem” passasse na estação sem que ele embarcasse na grande aventura de viver a vida a partir dos pressupostos do Evangelho, tendo a misericórdia como companheira de jornada e a esperança como alimento que constrói o novo ser.

O que sei é que a vida não espera por ninguém, segue seu curso, faz seus próprios planos, ruma inexorável na direção que lhe está proposta. No fundo, como disse Chaplin, ela “... é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. Carpe Diem!

Carlos Moreira

31 dezembro 2011

Um Novo Ser para um Mesmo Ano




“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. Fernando Teixeira de Andrade.

Coisa extremamente perversa é a rotina, o tédio, a mesmice, a acomodação. Não há nada mais destrutivo ao espírito humano do que alguém que virou coadjuvante da história, e não seu ator principal, passou a seguir mapas, e não a fazer mapas, satisfez-se em atingir a média, tornar-se igual, massificado, não-singular, cópia da cópia, rosto na multidão, clone de outros, holograma de carne e sangue. Esquecemos as lições do filósofo Eurípedes, quando afirmou “tudo é mudança; tudo cede o seu lugar e desaparece”.

Todos me dizem que esperam um ano de 2012 melhor. Que haja menos dificuldades, menos inquietações, que as oportunidades perdidas, reapareçam, que os amores desfeitos, ressurjam, que os negócios não concretizados, possam novamente se realizar, que o dinheiro perdido, retorne, algo como se o tempo tivesse seu próprio “espírito”, sua própria vontade, seu próprio querer.

Ora, não é o tempo que vai mudar, não é o ano que vai ser diferente, mas, se desejarem, as pessoas é que poderão ser. As dinâmicas da vida permanecerão as mesmas. Cada estação se abrirá em flores e se recolherá em sombras. Por isso, diz o sábio: “o que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol”. Ec. 1:9. A vida certamente nos brindará com dores, perdas, medos, dramas, todos os matizes dos quais a existência se compõe neste grande crochê que emoldura a saga humana sobre o chão empoeirado da Terra.

“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. Érico Veríssimo. Fico impressionado com nossa resistência a mudança, ao novo, àquilo que é inusitado, desafiador! É que nós nos acostumamos com o conforto, com a palidez de dias acinzentados, com a existência que se resumiu entre a boca e o prato – comer para trabalhar e trabalhar para comer.

Em 2012 quero lhe desafiar a mudar, ser diferente, ser persistente, ser gente! “Se os fatos não se encaixam na teoria, modifique os fatos”. Albert Einstein. Aprenda a discernir o tempo, veja o que acontece em nossa sociedade. Desgraçadamente, estamos nos coisificando, tornando-nos lenta e sutilmente seres de coração de pedra e sentimentos de aço. Passamos a amar as coisas e usar as pessoas! É tempo de mudar!    

Com toda certeza, 2012 não será diferente de 2011. Como bem nos chama a atenção o livro do Apocalipse, “continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se". Por isso, escute o que sabiamente afirmou Elliot Gould: “ninguém pode ser escravo de sua identidade: quando surge uma possibilidade de mudança, é preciso mudar!”.

Feliz 2012 para você! Que este seja o ano da sua virada, pois, a virada do ano, em si mesma, não vai representar qualquer tipo de mudança... Lembre-se do que disse Kant “toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço”.

Foi um grande prazer escrever para vocês durante este ano. Procurei ser o mais honesto possível com cada linha publicada. Espero que alguns possam ter sido abençoados. Obrigado ao Danilo pela imensa oportunidade de trabalhar no Genizah.

Termino com o salmo 40:1 e 2: “coloquei toda minha esperança no Senhor; ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito de socorro. Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num local seguro”. Beijo no coração!

Carlos Moreira

01 setembro 2011

Auto-sabotagem: Eu Contra Mim Mesmo!


“Já enfrentei muitas dificuldades na minha vida. A maioria delas nunca existiu” Mark Twain.

Em 1916, Freud escreveu um artigo de grande repercussão no mundo científico intitulado: “Os que Fracassam ao Triunfar”. Ele tratava de pessoas que possuíam medo de ter satisfação e, por isso, sentiam-se aliviadas quando o que estavam fazendo, ou intentavam fazer, não dava certo.

Com o avanço da psicologia a patologia pôde ser cada vez mais estudada e, em 1978, surgiu à designação “auto-sabotagem”, estabelecida pelos psicólogos Steven Berglas e Edward Jones, os quais haviam feito pesquisas neste campo com comprovado resultado científico.

De forma simplista, quem sabota a si mesmo não consegue usufruir das dinâmicas da vida que geram alegria e prazer porque, cada vez que elas surgem na existência, vêm associadas a um profundo conflito com as crenças primordiais do sujeito. Em síntese, é como se alguém tivesse tudo para ser feliz e, de alguma forma, conseguisse arrumar um jeito para fugir da felicidade. É o famoso “medo de ser feliz”. Mas, como já citava Dostoievski, “A maior felicidade é saber por que se é infeliz”.

Do ponto de vista clínico, a psicopatologia é tão grave que pode provocar obesidade, depressão, cardiopatias, transtornos de ansiedade, pensamentos suicidas, diabetes e, em casos mais graves, até a auto-mutilação, que é quando a pessoa cria flagelos físicos em si mesma para se punir. 

Apesar de parecer algo bizarro – não esqueçamos que se trata de uma doença – quem se auto-boicota sente prazer pelo desprazer, ou seja, quanto mais a vida se torna difícil, através de situações adversas e portadoras de sofrimento, tanto mais a pessoa se satisfaz, chega a ter prazer em ser maltratada ou sentir dor. É uma reação provocada pelo inconsciente que faz com que o sujeito sinta atração por tudo o que produz destrutividade, um comportamento ativado por uma forte negatividade e um complexo de inferioridade crônico.

Como bem citou Kelly Young “O problema não é o problema – o problema é a atitude com relação ao problema”. A grande maioria dos “dramas” da alma humana, como a auto-sabotagem, tem cura, mas exige determinação e, particularmente neste caso, uma mudança significativa em hábitos e atitudes. 

Nas Escrituras nós encontramos um caso que, ao meu ver, aplica-se ao que estamos falando. Trata-se do aleijado do tanque de Betesda, descrito no capítulo 5 do Evangelho de João. Sua atitude de auto-sabotagem fica muito clara quando Jesus lhe pergunta: “queres ser curado?”, e ele responde: “Senhor, não tenho quem me coloque no tanque”. Era o paradoxo de quem desejava a cura e, ao mesmo tempo, tinha medo dela. A pergunta de Jesus era objetiva, a resposta do aleijado subjetiva. A questão é que já havia se instalado em sua alma, pelas dores e pelo tempo, os mecanismos inconscientes de auto-sabotagem.  

Quando Jesus encontrou-se com aquele homem, que se arrastava por aquela casa de agonia havia 38 anos, ele “scaneou” sua alma, discerniu todas as suas desconformidades e doenças. Seu aleijão já se projetara do físico para o emocional, por isso, duas coisas eram necessárias ser feitas: 1- Jesus precisou quebrar o “padrão de pensamento” daquele moribundo – “levanta-te, toma o teu leito e anda”; 2- com a mudança instantânea das crenças subjacentes que haviam se acumulado em sua alma ele finalmente liberou a fé necessária para ser curado.     
    
Os psicoterapeutas são unânimes em afirmar que o processo de cura para este tipo de doença emocional passa, irremediavelmente, pela tomada de consciência de que, não só estamos nos auto-sabotando, como também dos danos que tais atitudes demandarão. Eles descrevem que, quando o paciente descobre os “padrões” que estão embutidos nestes “mecanismos intra-subjetivos”, torna-se possível reformular a matriz cognitiva de valores e crenças que desencadeia as atitudes destruidoras. Como bem afirmou Albert Schweitzer: “A maior descoberta de uma geração é que os seres humanos podem mudar sua vida modificando seus pensamentos”, ou, como disse o apóstolo Paulo, numa outra “versão”, “transformai-vos pela renovação da vossa mente”.    

Não raro tenho encontrado na caminhada pastoral pessoas com este tipo de problema. Elas precisam ser amadas e tratadas, entendidas e confrontadas. O processo de cura, nesses casos específicos, necessita do apoio do trinômio: psicoterapia, ação medicamentosa e discipulado.

Ora, afirmar isto não significa que estou eliminando o poder exclusivo que há no Sangue de Jesus para a remissão de pecados e a salvação para todo aquele que crer, mas apenas adicionando alguns elementos que julgo necessários em tais situações os quais pôs Deus a nossa disposição através do apoio da ciência. Nossa única regra de prática e fé são as Escrituras, e elas afirmam que é o arrependimento - mudança no pensamento seguida de mudança de comportamento - produzido pelo Espírito Santo, que nos conduz a convicção de pecado e a necessidade de nos reconciliarmos com Deus. Isso reforça ainda mais o que afirmamos acima.

Deixo como ponto de reflexão final a frase de Frank Outlaw: “Cuide de seus Pensamentos, porque eles se tornam Palavras. Escolha suas Palavras, porque elas se tornam Ações. Compreenda suas Ações, porque elas se tornam Hábitos. Entenda seus Hábitos, porque eles se tornam seu Destino.”

Carlos Moreira

30 agosto 2011

Que me Venha a Tristeza Então!



“A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração”. Ec. 7:3.

Nós vivemos na sociedade da fuga. Foge-se de tudo e, não raro, de todos. As pessoas desviam da realidade, vivem entorpecidas por psicotrópicos, não suportam o mundo como ele se apresenta. Em reportagem no jornal Folha de São Paulo, constatou-se que o ansiolítico Rivotril vende mais no Brasil do que Paracetamol e Hipoglós. Pode?

Pessoas fugindo... Elas se evadem de situações difíceis, inventam uma “mentirinha branca”, aquela que não traz prejuízos... Evitamos o gerente do banco, pois a conta está estourada, o síndico do prédio, pois o condomínio está atrasado, o cliente, pois a entrega está fora do prazo acordado, até os filhos, pois eles demandam tempo, e tempo, definitivamente, é algo que nós não temos.

Há os que têm medo do confronto, são eternas crianças, desviam da palavra mais firme, do olho-no olho, da verdade nua e crua. Evitam a todo custo uma conversa sincera, por isso, criam desculpas esfarrapadas, marcam e não comparecem, prometem e não cumprem, têm medo do enfrentamento porque sabem que agiram erradamente, preferem o jogo de esconde-esconde, arrastam a situação por anos, se possível for. Já afirmava Charles Ferdinand Ramuz, escritor e poeta suíço: “Não basta fugir, é necessário fugir-se para o lado mais conveniente”.

Há os que se escondem de si mesmos... Tentam esconder o ser do próprio eu, enterram seus sentimentos nos lugares impermeáveis da alma, aprisionam suas consciências em calabouços de mistérios. Friedrich Hebbel, poeta alemão, afirmou: “A vida da maioria das criaturas humanas é uma fuga para fora de si próprias”. Que agonia é existir assim, no simulacro, é a existência anabolizada, a vida plastificada.

Tenho visto algo alarmante: pessoas que evitam qualquer tipo de situação incômoda ou de desprazer. É a existência idealizada sobre a égide do hedonismo epicureu, a busca apenas pelo prazer, tudo o mais deve ser rejeitado: hospitais, funerais, doentes terminais, estações outonais, as pessoas não querem nada que as remeta às dinâmicas pertencentes ao real: a dor, a perda, o sofrimento e a solidão.   

Quero tentar trazê-lo à realidade! O sábio do Eclesiastes afirma que é melhor o enfrentamento com a tristeza do que a fuga dela. É a tristeza, e não o riso, que produz um ser mais robusto, uma espiritualidade sustentável, uma fé consequente.

É girando o moinho da dor que as pessoas se transformam em gente, aprendem a solidarizar-se, a perceber o outro, tornam-se generosas, humildes, contritas e mansas. Somos todos seres singulares, mas bem poetizou Frejat na sua canção “todo mundo é parecido quando sente dor”.   

Não fuja da tristeza, ela pode ser de grande valia na vida! É por isso que o apóstolo Paulo dizia que “regozijava-se nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições e angústias”, pois sabia que esses matizes eram capazes de transformar suas fragilidades em fortalezas.

Deus se utilizará mais da tristeza do que da alegria para forjar em nós um ser melhor, pois este é o convite para os que desejam caminhar no caminho: “Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.” Hb. 12:2.


Que me venha, então, a tristeza, pois eu sei, conforme o salmista, que os que “semeiam com lágrimas, com alegria ceifarão”.


Quem na vida sai andando e chorando enquanto semeia, quem entendeu que lágrimas são sementes que germinam a felicidade e que a terra regada com o sofrimento é capaz de produzir frutos de justiça jamais deixará que qualquer tipo de dor passe em sua vida sem que produza paz e bem para o ser.


Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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