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18 julho 2017

A Quem você Segue: a Jesus ou a Igreja?



Jesus destruiu as burocracias do judaísmo e a igreja reeditou-as no cristianismo. Sim, Jesus não usava vestes diferenciadas, nem a túnica dos fariseus, nem a elaborada veste sacerdotal, mas a igreja fez suas capas, suas togas, suas alvas para se comparar aos reis medievais, para produzir opulência ao invés de consciência.

Jesus não criou hierarquias entre os discípulos, disse que todos eram amigos e irmãos, e que o maior serviria os demais, mas a igreja elitizou o clero, hierarquizou a fé em cargos eclesiais, politizou a relação entre os “ordenados”, fez diferenciação entre os iguais.

Jesus era um homem das ruas, dos encontros humanos, das paragens nas casas dos amigos, das preleções na beira do mar ou ao pé da montanha, mas a igreja “converteu” as catedrais pagãs do império romano em “casas de oração” e não parou mais de fazer edificações portentosas e lúgubres, que demandam uma soma infindável de dinheiro para serem mantidas, muitas das quais mais parecem cemitérios, vazias e escuras.

Jesus proveu tudo o que precisava para o seu ministério através de ofertas espontâneas, porque vivia em simplicidade, mas a igreja precisa que o carnê dos dízimos seja pago regularmente para que a engrenagem funcione e os custos vultosos da estrutura sejam arcados pelos fiéis.

Jesus enfatizou, em todo tempo na sua mensagem, que os pobres fossem cuidados, como foi no caso da multiplicação dos pães em Betsaida, mas a igreja criou um ministério de ação social para que meia dúzia de visionários faça um sopão uma vez por mês ou visitas esporádicas a presídios e hospitais, a estrutura fica a semana inteira fechada ao invés de servir a circunvizinhança com serviços sociais e voluntariado.

Jesus usou o discipulado como ferramenta fundamental de ensino, não apenas esclarecendo textos das Escrituras, mas usando a sua própria vida como referência, mas a igreja criou programas de massa para entreter as pessoas, uma agenda de atividades que faz o indivíduo permanecer anos na comunidade sem saber, sequer, o que é arrependimento de obras mortas.

Jesus agiu profeticamente denunciando a exclusão, a injustiça, a opressão, quando visitou as aldeias miseráveis da galileia curando enfermos, expulsando demônios e dando de comer aos famintos, mas a igreja se alia ao poder estatal para obter vantagens e benesses, cria bancadas no Congresso para defender os interesses de denominações poderosas, não os da população.

Jesus reprovou, veementemente, o comércio do sagrado quando foi ao templo de Jerusalém, aquele shopping da religião de Israel onde tudo era feito por dinheiro, com glacê de espiritualidade, mas a igreja faz culto a Mamon, vive de realizar campanhas e congressos para arrecadar fundos para pastores morarem em mansões e viajarem de jatinho, ela transformou o Evangelho num negócio, e Jesus num produto comercializável, o templo virou um cassino-caça-níquel, onde todo tipo de bizarrice é feita para se levantar grana.

Jesus se misturou com as pessoas, visitou aldeias de samaritanos execrados pelos judeus, comeu com pecadores, bebeu com publicanos, permitiu que prostitutas o seguissem, fez amigos entre os imprestáveis, mas a igreja prega que os crentes devem sair do mundo, devem viver num universo paralelo, uma vida entre as paredes do templo, evitando lugares públicos onde a existência acontece, fugindo dos incrédulos, apartando-se dos perdidos, platonizando a fé, que vira apenas um discurso verborrágico.

Jesus quebrou as tradições da religião de seus dias, como a guarda do sábado, as etiquetas comportamentais, as dietas de alimentos, os rigores com a higiene, mas a igreja reeditou tudo com a exigência de usos e costumes “sagrados”, roupa adequada ao manequim religioso, castração de alimentos, bebidas, reprimendas quanto à maquiagem, ou fazer uma tatoo, ou cortes de cabelo, todo tipo de controle plástico, mesmo que não exista qualquer preocupação com a postura ética.

Jesus afirmou: “Ouvistes o que foi dito...” e, na sequência: “Eu porém vos digo...”, e ressignificou a Lei de tal forma a manifestar a Graça de Deus, mas a igreja pegou o código de Moisés e fez edições seletivas, ressuscitou prescrições, fez adição de etiquetas, republicou códigos vexatórios, costurou o véu do templo e profanou a Cruz e o Sangue do Cordeiro.

Eu poderia passar o dia todo escrevendo o que Jesus fez, e a igreja desfez, e o que Jesus desfez, e a igreja refez. E aqui cabe a pergunta: você segue a Jesus ou a igreja? Sim, pois a igreja de Jesus não é isto que aí está, a igreja de Jesus, que não tem placa, nem endereço, nem estatuto, nem templo, segue como deve ser, vencendo as portas do inferno e anunciando a Salvação, mas a instituição é tudo isso que eu disse acima, de forma simplista, e ainda muito mais!

Portanto, posso entender se você hoje for um refém deste sistema pelo fato de não compreender estas questões que expus palidamente, mas não consigo entender você, que sabe de tudo isso, continuar colaborando para que o câncer se prolifere e mate gente que ainda não discerniu nem o que é salvação.

Paulo teve coragem de largar o judaísmo, mesmo com o alto cargo de fariseu que possuía, uma vez que percebeu que era cego, mas que havia visto a Luz de Jesus e do Evangelho. Ele passou a andar na contramão e a ser chamado de herege e desviante, mas não negociou a revelação que havia recebido. Você tem coragem também?


Carlos Moreira



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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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