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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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06 dezembro 2017

Masturbação Teológica: Puxa, Encolhe e não Chega a Canto Algum



O “Drama do Gondim”, que diz ter abraçado a teologia apofática, não é novo, não é, sequer, dele, apenas, não tem qualquer originalidade, é o drama do homem diante do inexplicável, do êxtase do absurdo de um Deus que ama a quem dele se aproxima com fé, sem questões outras, crendo no imponderável, fazendo a dúvida sucumbir e a razão desvanecer ante a imensidão do amor que se manifesta na Graça.

De certo, diverte-me tanta polêmica com a questão do Gondim, debates inflamados, “teólogos” monolíticos defendendo sua ortodoxia calcificada, agressões espontâneas, paixões ideologizadas. O sábio do Eclesiastes daria gargalhadas de nossas questiúnculas, tomaria um bom vinho e apreciaria a nossa barbárie pseudo intelectual.

Escrito há 3.000 anos atrás, o texto do sábio oriental já apresentava os devaneios de quem não tem medo de pensar e inquirir a existência em busca de, ao menos, algumas poucas respostas. No capítulo 9, versos 2 e 3, ele nos expõe o drama humano, numa afirmação basilar, que carrega o desconsolo de todos nós. Afirma o pensador: “Todos caminham rumo a um mesmo destino, tanto o justo quanto o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que consagra sacrifícios e louvores e o que não os oferece. O que acontece com o homem bom, ocorre também ao pecador; e o que faz juramentos passa pelas mesmas circunstâncias que aquele que evita jurar. Este é o mal que paira sobre tudo o que se realiza debaixo do sol: todos nós estamos expostos ao mesmo destino”.

A perplexidade do autor do extraordinário texto sapiencial é a minha, a sua, a nossa! Quem ousar olhar para além do muro, quem abrir o entendimento para degustar outros saberes e não se afogar numa teologia minimalista, vai se deparar com a mesma questão, pois a dualidade do texto bíblico por ora nos revela um Deus que intervém na história, muda planos, usa circunstâncias, altera destinos, subverte a lógica, realiza o milagre, ao mesmo tempo em que, em outras situações, permite que o caos se estabeleça, que o inusitado nos surpreenda, que o pior plano seja executado, que a razão sucumba, que o justo morra, que a questão se revele irremediável e inamovível.

E tem explicação? Tem não! Deus não é para ser explicado, é para ser crido, o justo não viverá pelo método, mas pela fé, isso é tão elementar que avançar um milímetro para além é blasfêmia e arrogância.

Deixa, então, o Gondim crer no que ele quiser, eu prefiro a sua honestidade de confessar sua incapacidade de crê na cartilha protestante reformada do que a hipocrisia travestida de segurança dogmática dos que defendem a providência de um lado e se contorcem em angústias noturnas do outro, sem conseguir explicar o óbvio da vida. Queria ver essa gente diante da calamidade de enterrar um filho, ou ao receber a notícia do câncer metástico, que confere ao enfermo três meses de vida, se ainda encararia a “providência” da mesma forma. Na prática, minhas convicções teológicas não conseguem, sequer, explicar porque nasce o são e o cego, quanto mais questões singulares da vida, posto que a tragédia do outro é sempre suportável para quem assiste a calamidade da calçada da arrogância teórica.

Assim, podemos chamar de teologia apofática ou teologia da negação aquela que apregoa um Deus que não pode ser definido ou explicado, como bem disse Karl Barth, isso acontece por que ele é o “Totalmente Outro”. A teologia autofágica, por sua vez, é aquela que se basta, que come a si mesma, que se alimenta de um deus criado, um deus a semelhança do homem, com a razão humana, com as inquietações e angústias dos seres humanos, um deus para consumo da religião, ensimesmado, malicioso, cheio de cabrestos morais, ranzinza, neurótico, empestado de ódio pela criação, vingativo, que precisa mostrar seu poder mandando maldições e despejando saraiva e fogo sobre a humanidade perdida.

Certo, mesmo, estava o sábio do Eclesiastes, que num texto de apenas 12 capítulos questiona Deus, faz asseverações realistas, permite-se realizar conjecturas absurdas, contraria a teologia vigente, assume contornos epicuristas, apropria-se de questões ateístas, veste-se com a dúvida, flerta com a loucura, toma um porre de desrazão e conclui, como não poderia deixar de ser, dizendo: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: teme a Deus e guarde os seus mandamentos”, ou seja, ainda que todas estas inquietações me habitem, pois sou feito do barro das contradições, Ele continua sendo bom, Ele continua sendo Deus!

Portanto, creia-me, o Todo Poderoso está no mesmo lugar de sempre e o seu amor ainda é a razão de tudo ser e existir. O mais, meu bro, é masturbação filosófico-teológica de quem, na verdade, nunca quebrou uma unha e não sabe que o chão da vida é feito de perdas, dramas e dores... CM

Carlos Moreira

01 fevereiro 2017

Minha Teologia



Minha teologia tem cheiro de gente e rosto de rua, é aplicável ao cotidiano, desvenda a existência crua, analisa o fenômeno, propõe ações, olha a notícia e faz as conexões com a Palavra, implica abraçar a vida para, de alguma forma, materializar a fé.

Ora, toda teologia que se projeta para o céu foge ao seu propósito, pois o Deus em que cremos abandonou os céus para encarnar na Terra como homem. Teologia, portanto, tem que propor um chão, um caminho, deve evitar percorrer as veredas da especulação filosófica, pois Evangelho é encarnação, prescinde que o que se alojou na consciência se desdobre em atos de bondade e justiça. 

A boa teologia, portanto, não necessita de sofisticação, uma vez que não trabalha com sistematizações ou argumentos retóricos, o convencimento não é alcançado pela via da razão, antes, é o coração quem discerne a voz que o chama ao arrependimento. 

Assim, a Palavra, que um dia já foi texto, se faz vida na vida de quem está para além do verbo, pois a simples leitura não pode produzir salvação, nem são justos os que a ouvem nos templos e catedrais. Só quando a letra se agarra as vestes de quem se deixa gastar no chão dos dias, é que as metáforas e alegorias do escrito sagrado ganham cheiro e sabor, as histórias se transportam das páginas para as calçadas, a doutrina ganha significado porque alcança concretude, se faz graça e misericórdia na existência do meu igual. 

A teologia de Jesus foi feita de encontros nas esquinas e poeira no caminho. Ele não se utilizou nem da Lei Romana, nem da Ética Judaica, nem da Filosofia Grega, estava propondo não um teorema, nem uma nova ciência, não se fez protagonista de revelações inusitadas ou se deteve a prestigiar mistérios, não quis ser fundador de uma nova religião, tudo nele era simples, com um sorriso e um abraço, Deus se fez entender, pois um Deus que não fosse capaz de andar com pescadores, para que aproveitaria?

Minha teologia? Não preciso explicar; olhe para mim e você a verá. E se não pode ver, de que serve?

Carlos Moreira




02 setembro 2015

A Relatividade das Revelações




Percepções espirituais, além de serem muito pessoais, estão impregnadas de nossas próprias visões de Deus e do sagrado. A fenomenologia da revelação muda de indivíduo para indivíduo, podendo construir elaborações particulares ou arquetipias coletivas.

Moisés, por exemplo, viu o paraíso como um jardim, num contexto lúdico, cheio de beleza e poesia. Já o apóstolo João, que se radicou durante muitos anos em Éfeso, a segunda maior metrópole do mundo antigo, viu o paraíso como uma cidade, a Nova Jerusalém, que assumia a representação de uma nova sociedade, construída com os valores do Reino de Deus.

Paulo, por outro lado, em seu arrebatamento extático, não quis fazer asseverações concretas daquilo que viu e ouviu sobre a eternidade e o mundo por vir, o que denota o quão pessoal e intimista foi sua experiência.

Mas alguém pode perguntar: como é, então, o paraíso? Um jardim, selado por Deus depois da queda e guardado para ser usufruído apenas pelos salvos em Cristo? Uma cidade, aos padrões das metrópoles imponentes, com casas, ruas árvores e praças? Uma ambiência dimensional, tão distante de nossa realidade que é impossível descrevê-lo ou compará-lo a algo?

Ora, aquilo que hoje vejo e sobre o que penso, por mais subjetivo que seja e por mais metafísico que se represente, ainda está possuído pelas minhas percepções humanas, meus condicionamentos e minhas relatividades. Assim, toda visão que possuo, mesmo produzida por uma ação divina, ainda carrega as impressões do meu próprio olhar do mundo e da vida.

Ao despois, todavia, quando o que é em parte se tornar perfeito e o corruptível se revestir de incorruptibilidade, àquilo que é subjetivo se tornará concreto e definível, pois Deus fará com que mente e coração convirjam com vistas a compreensão de todas as coisas.

Sim, creia, um dia nós veremos com os olhos do Pai, discerniremos todas as coisas a partir dele, o que é e o que não é. Hoje, já há algo de divino em nós, mas continuamos a existir como o agora e o ainda não. Amanhã, todavia, seremos o que, irremediavelmente, fomos destinados para ser, conhecendo como somos conhecidos, refeitos e ressignificados para a glória e o propósito insondável do Senhor.

© 2015 Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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