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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

30 julho 2018

Jesus Encenado por um “Traveco”? E por que não?





A polêmica da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, chegou aqui em Pernambuco, mais especificamente, no “Festival de Inverno” da charmosa cidade de Garanhuns.

O imbróglio começou antes mesmo da apresentação, com ordem e contra-ordem da Justiça, ora proibindo, ora liberando o evento. O último ato da prosopopeia se deu na sexta-feira - 27/07, quando o desembargador Roberto da Silva Maia, a pedido da Ordem dos Pastores Evangélicos de Garanhuns, proibiu a exibição da peça. Na sequência, todavia, o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, desembargador Cândido Saraiva, manteve a decisão inicial de que ela poderia ser apresentada ao público.

O espetáculo, que originalmente versa sobre um monólogo escrito pela dramaturga transexual escocesa Jo Clifford, passou a ser executado no Brasil pela transexual Renata de Carvalho. Nele Jesus é um travesti e, logo na primeira cena, de salto alto e vestido, se apresenta afirmando: "Vocês não imaginavam me encontrar aqui, vocês imaginavam me encontrar na igreja, mas na igreja não posso entrar". Confesso: já me apaixonei!

O roteiro interpretativo, numa releitura contemporânea, segue visitando parábolas e ensinamentos de Jesus onde é possível, por exemplo, ouvir: “Nunca disse: cuidado com os homossexuais, transexuais e gays. Eu nunca disse isso, eu disse: cuidado com os autoindulgentes e os hipócritas, cuidado com aqueles que se imaginam virtuosos e proferem julgamento, aqueles que condenam os outros e se consideram bons. Seus lábios são cheios de bondade, mas seus corações estão plenos de ódio”. Vibrei! Na esmagadora maioria das igrejas cristãs deste país algo tão sólido, que aponta inexoravelmente para a perspectiva do Evangelho, é dito com tanta determinação e verdade.

Bem, diante de tudo o que aconteceu, a primeira questão que desejo pontuar, apenas para lembrar-nos, é que o Estado Brasileiro é laico, ou seja, não arbitra nada no âmbito religioso, dando liberdade às pessoas para expressarem suas crenças como bem entenderem. Assim, a censura, que ocorreu em várias cidades do país, jamais poderia ser uma questão da justiça, uma vez que houve clara tendenciosidade religiosa para que a sanção fosse estabelecida. Afirmar que a peça “expõe símbolos religiosos ao ridículo” é, no mínimo, uma forçação de barra sem precedentes.

A segunda questão que me chamou à atenção é que o problema real está no fato da atriz que interpreta o papel de Jesus ser transexual. Creia: permitir algo desta monta é blasfêmia contra “Deus” e contra o cristianismo. Ora, Jesus já foi interpretado por incontáveis atores, em peças, filmes, musicais e, salvo em casos raros, como no polêmico “A Última Tentação de Cristo”, de Nikos Kazantzakis, com interpretação irretocável de Wilem Dafoe, não se viu qualquer tipo de manifestação ou censura. Aliás, aqui mesmo em Pernambuco, numa jogada marqueteira sensacional, a “Paixão de Cristo”, maior espetáculo ao ar livre do mundo, realizado na Semana Santa em Nova Jerusalém, faz todo ano um rodízio de Jesus com atores globais que provocam o maior frisson entre a mulherada. Lembro, num desses anos, que o Fábio Assunção, que não carrega reputação que corresponda aos critérios éticos e morais da “Santa Igreja”, interpretou o papel com a desenvoltura que lhe é peculiar. Amigos que foram ao espetáculo, para ver esse Jesus de olhos azuis e cabelos loiros sedosos, relataram o constrangimento de assistir cenas dos Evangelhos tendo ao fundo assobios, histeria e gritos de “gostoso”. Não lembro, todavia, de nenhum movimento de religiosos ou do poder público para proibir nada. Também, pudera, ali rola muita, muita grana mesmo...

Finalmente, nesta simples reflexão, lhe faço uma pergunta provocativa: “Você acha mesmo que Jesus está preocupado com o fato de uma transexual realizar uma peça teatral com uma releitura de suas falas, ainda que possamos enquadrar, aqui e ali, imprecisões quanto ao que está dito nos Evangelhos?”. Ora, meu amigo, Jesus entrou na casa de Simão, o fariseu, homem dito de Deus, dado aos ascetismos de Israel, ao cerimonialismo religioso vazio, as liturgias de purgação de pecados ineficazes, a reverência a forma e o culto a mecanicidade de um tipo de fé que nada pode produzir ao coração e a consciência, e ali teve seus pés lavados por uma mulher da vida, puta mesmo, que não se conteve e em uma explosão de amor, com suas próprias lágrimas, ungiu-lhe diante de todos. O religioso, escandalizado por saber que tipo de pecado ela carregava, fez sua censura pública e com gestos expunha sua reprovação. Jesus, todavia, repreendeu-lhe, e asseverando sobre a verdadeira espiritualidade, aplicou-lhe uma lição que serve, também, para mim e para você. Você acha que esse Jesus, que não é nutella, mas raiz, ia ficar chocadinho e ruborizado porque uma atriz trans está fazendo uma encenação dele numa apresentação cultural? Jesus não é travesti, ele sabe de si, ele é Deus, mas você tem que defender ele porque, quem sabe, o seu "Jesus" acabe entrando em crise com tudo isso. Ah meu Pai! Sabe de nada, inocente...

Concluo, portanto, pedindo que o estado, a justiça, e os religiosos deixem a Peça em cartaz, pois o próprio Jesus afirmou “Quem não é contra mim, é por mim”. Jesus "Traveco"? Gente do céu, é apenas uma peça, vocês não conseguem abstrair nada, tudo tem que ser a ferro e fogo. Num tempo onde os profetas estão mortos, Deus pode levantar transexuais para nos jogar na cara valores que temos negligenciado, como a tolerância, o respeito e o amor. Se a igreja pensa que tem o “copyright” de Jesus, que é dona da “marca”, que só ela pode falar em nome dele, é bom repensar seus conceitos, pois, tempos atrás, houve uma moçada lá em Israel que pensava a mesma coisa, e o final deles, como sabemos, foi trágico...

Carlos Moreira




24 julho 2018

Brasil: Mostra teu "Bumbum"!



Como bem disse o Tom, “O Brasil não é para principiantes”. O caso trágico da morte da bancária Lilian Calixto revela, com exatidão, como se organiza e vive a nossa sociedade, sobretudo, no que diz respeito às regulamentações, às leis, à forma como os serviços são prestados aos cidadãos. 

Não vou explicar os detalhes, porque o caso é público e com grande repercussão, mas apenas a “anatomia” da tragédia. Dr. Denis Furtado – carinhosamente apelidado de "Dr. Bumbum”, por aí você já começa a perceber a credibilidade do profissional, exercia a medicina de forma curiosa, realizava cirurgias estéticas sem cumprir o que legisla o Conselho de Medicina, ou seja, que procedimentos estéticos devem ser feitos por um cirurgião plástico, o que implica residência médica com dois anos de cirurgia geral e mais três anos de cirurgia plástica. Passou batido... 

Outro pequeno detalhe é que o Dr. Bumbum estava, desde março de 2016, sob a mira da justiça, uma vez que foi alvo de uma interdição cautelar para o exercício da profissão pelo fato de realizar atendimentos em local inadequado, com procedimentos e aparelhagem inapropriados. Mas a justiça, você sabe bem como é... Depois de três meses de suspensão, houve um recurso jurídico que liberou o médico para fazer o que não se pode fazer, da mesma forma de antes, até que o processo inicial seja julgado. E lá se foram 2 anos... 

Ocorrida a tragédia, que se deu no Rio de Janeiro, o Conselho de Medicina do DF, onde o doutor tem registro, cassou sua licença para exercício da profissão. Mas para ter validade, o Conselho Federal tem que ratificar, ou seja, como o Dr. Bumbum deve ser liberado em breve, mesmo com o registro cassado, poderá exercer sua atividade de cirurgião até que o processo seja definitivamente julgado, o que vai ocorrer em... Bem, você sabe como a banda toca... 

Outro detalhe inconveniente é que o Dr. Bumbum não podia exercer atividade médica no Rio de Janeiro, onde ocorreu a tragédia, uma vez que sua licença só é válida em Brasília e em Goiás. Mais um descuido, coisa pequena... 

Para abrilhantar ainda mais a história, é sabido que o Dr. Bumbum realiza propaganda de seus serviços em mídias sociais, onde é seguido por mais de meio milhão de pessoas, anunciando os benefícios de sua “arte”, o que é proibido por lei, uma vez que os anúncios não cumprem os rigores médicos que determinam a comprovação dos resultados através de métodos e técnicas aprovados pela comunidade científica. Não sei porque tanta picuinha... 

Finalmente, chegamos a Lilian, uma mulher de classe média, bonita, culta, com profissão reconhecida, que é vítima, sim, mas que também não tem como se evadir de ter culpa no cartório. E aqui eu nem vou entrar na questão da tirania da beleza escultural, ou na busca da plasticidade estética que ignora a ética, mas apenas no fato de que uma pessoa contrata um procedimento cirúrgico – qualquer médico pode lhe informar que procedimentos invasivos, por menores que sejam, apresentam riscos a vida – de um profissional que faz anúncios marqueteiros na internet, que não atende num hospital, mas em sua casa, que não tem registro no CRM regional para exercício da profissão, que não tem especialização para realizar o procedimento e que vai introduzir no seu corpo um material para modelar membros que não é aprovado pela comunidade científica para tal uso. Triste... 

Tenho reverência pela dor da família, mas escrevo o texto em protesto ao acúmulo dos desmandos, da insensatez, do descaso com a vida, da prática profissional mercenária, da justiça morosa, da falta de fiscalização de órgãos reguladores, e por aí vai... Dr. Bumbum não é apenas um médico escroto brincando de esculpir glúteos perfeitos, ele é o retrato do Brasil e do brasileiro, expõe as vísceras de quem somos, como vivemos e porque estamos do jeito que estamos. 

Termino constatando que, mais uma vez, a "esperteza" venceu a ética, pois a grande lição que nos deixa o Dr. Denis, parafraseado a sabedoria popular, é que “Plástico, no bumbum dos outros, é dinheiro”... 


Carlos Moreira



23 julho 2018

O Evangelho nos Torna "Gente Boa de Deus"!

Convivendo desde a mais tenra infância no meio religioso, sempre fiquei intrigado com uma questão sui generis: por que o crente é alguém tão chato? Ora, essa afirmação não é meramente especulação, mas fruto da observação acurada de anos e anos sobre o comportamento das pessoas que afirmam ter fé em Jesus e que congregam em alguma comunidade cristã. Se você acha exagero, faça uma pesquisa, converse com pessoas não-religiosas, com amigos do trabalho, da faculdade, familiares, e veja se o que digo não tem base sólida. Aliás, “chato” é uma designação amena frente ao que vejo e escuto por aí. Fato é que, intrigantemente, pessoas que afirmam estar “salvas” ou destinadas a usufruir da eternidade, não raro, são pessoas invasivas, inconvenientes, elitistas, preconceituosas, complicadas, intolerantes e intrigueiras. Contrariando toda expectativa, muitos dos que se dizem “Servos de Deus” estão, assombrosamente, longe de ter o caráter manso e amoroso que vemos manifesto em Jesus. Ser “evangélico”, desgraçadamente, tornou-se algo que carrega a pecha de ser alguém que se esmera em se tornar um “estraga prazer”, um “espinho na carne”, ou ainda uma “pedra no sapato”. Conheço muita gente bacana que, depois de se “converter” a “fé”, passou a ser insuportável, uma vara do juízo de Deus sob a Terra, uma usina de condenações movida por uma boca recheada de pragas e maldições. Diante de tudo isso, surge a questão: como explicar esse fenômeno? O que deveria, de fato, acontecer, com aqueles que conhecem ao Senhor? Como podemos nos tornar “Gente Boa de Deus”, o que devemos fazer para ser crentes em Jesus e amigo das pessoas, seres descomplicados e lúcidos, pessoas com boa fé e firme consciência, homens e mulheres cheios de luz e Verdade, indivíduos que transbordam graça e amor? Assista a mensagem e chegue a suas próprias respostas!


 

14 julho 2018

Os “Dias” de Cada Geração




"E, como foi nos dias de Noé..., nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam...”. Mateus 24:37-39
Noé era um homem bom e justo vivendo em meio a uma sociedade corrompida e empedernida, uma geração vitimada pelo “espírito do tempo”, algo capaz de anestesiar mente e coração e impedir que o mal que se avizinhava fosse discernido. 

Eclesiastes, em sua sabedoria, ensina que na existência há tempos e tempos, e cada tempo tem o seu próprio fim e também o seu próprio “espírito”. 

Quando olho para a minha geração, neste dia chamado hoje, percebo, claramente, a atuação desse mesmo “espírito” que operou nos dias de Noé, a mesma complacência, a mesma displicência, a mesma resistência a Verdade e a Justiça. 

Sim, nem mesmo aqueles que se dizem “salvos” e que fizeram da religião seu guia e do templo sua morada são capazes de perceber o que está acontecendo, pois a igreja tornou-se um covil de salteadores, a doutrina transformou-se em alucinógeno, os profetas estão mortos, não há quem faça o bem, não há quem busque a Deus! 

Todavia, como nos dias de Elias, Deus continua a se mover, e junta para si aqueles que não se dobraram às potestades, que não sucumbiram a instituição, que não reverenciam ritos e dogmas, liturgias e paramentos, gente que se vestiu com as vestes do Evangelho, que não se rendeu a “tradição da igreja”, algo tão assemelhado a “tradição dos fariseus” dos dias de Jesus. 

Só cego não enxerga, e não falo de cegueira física, mas de cegueira espiritual, estamos diante de gente que olha sem vê, uma vez que os olhos do coração estão vendados e a mente cauterizada, impedida de compreender aquilo que procede da verdadeira fé. 

Creia, há muitas “nuvens” sob nossas cabeças, há muitos “gases” condensados, principados se movem, silenciosamente, e articulam o plano final, tecem o script que fará com que o Anticristo se revele. 

É como nos dias de João, que afirmava que a maldade imperava, mas ele discerniu, pela revelação, o que estava por vir, jamais foi surpreendido. 

Sim, a surpresa arrebatará a igreja neste tempo, pois os que se dizem Discípulos do Reino vivem como nos dias de Noé, fazem marchas, movimentos e empreendimentos, comem a maldade e folgam com a injustiça, embriagam-se em seu próprio egoísmo, deseumanizam-se olhando a dor do outro e afirmando: “Eu não tenho nada com isso”. 

Mas eles não tardam por esperar, o “dilúvio” está vindo e ninguém poderá escapar das suas “águas”, os homens se afogarão em sua vaidade, serão submersos em meio ao caos que eles mesmos produziram. 

A verdadeira igreja, todavia, será preservada, assim como a Família de Noé foi. E aqui não estou falando de grife religiosa, nem de grupeto com placa na fachada do templo, muito menos de confraria denominacional ou agremiação eclesial, estou falando dos lavados e remidos no Sangue do Cordeiro, aqueles que carregam o selo do Espírito, que foram marcados com as Marcas da Cruz e o fogo da Palavra. Estes jamais serão confundidos ou envergonhados, estes são os que reinarão com o Senhor e desfrutarão da vida eterna. 

Abra seus olhos! É tempo de discernir... 


Carlos Moreira



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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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