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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

24 julho 2014

"Amigo" de Igreja



É difícil, no meio profissional, você fazer amizades. E falo de amizade mesmo, cara brother, não apenas parceiro, coisa de momento, de oportunidade, colega, todo mundo tem... E quando o seu mercado é muito competitivo, a coisa fica ainda mais improvável. Não raro, é neguinho querendo lhe passar a perna, ocupar o espaço que nem se sabe se seria seu.

Nessa impossibilidade, sobram, no meu caso, os “amigos” de igreja. E aqui não vai uma crítica a ninguém e, por favor, se você conviveu comigo nestes últimos 30 anos, não se magoe nem tome o texto como uma indireta. Na verdade, a coisa é muito pessoal, acontece comigo, mas, tenho absoluta certeza, jamais acontecerá com você. A minha leitura dos fatos, em absoluto, implica em eu ter razão, mas me dá o direito de sentir assim.

Amigo de igreja é foda... Não sei, mas tenho a impressão que esse tipo de relacionamento, que tem como pano de fundo a religião, parece que trava as pessoas. E no meu caso, que sou pastor, que vivo na “vitrine”, pregando, aconselhando, ensinando, visitando e assistindo pessoas, a coisa torna-se ainda mais artificial. 

O “amigo” de igreja é um amigo temporal. Sim, a amizade nascida na ambiência do “sagrado” não resiste à mudança de lugar, de denominação, de convicções. Crente tem de pensar tudo igual, como se fosse produção em série. A divergência provoca um tipo de náusea existencial que, mais cedo ou mais tarde, expurga o indivíduo da confraria.

Outra coisa incômoda, no “amigo” de igreja, é que ele só quer falar sobre temas “espirituais”. Fica pior quando você carrega esse status de “guru-pastor”. Aí é ainda mais traumático. Crente, quando se junta, tende a só querer tratar de doutrina, até mesa de bar vira púlpito, e uma fala mansa logo se transforma em desfile de homiléticas toscas e exegeses de gaveta. 

Para ser sincero, tem certos assuntos, em roda de “amigo” de igreja, que parecem ser proibidos. Eu penso que, no fundo, ninguém quer se expor. Quem vai falar intimidades, ou fraquezas, nesse meio? Mazelas, então, nem pensar! Em roda de crente, tem que se manter a “ordem e a decência” afinal, cada um quer preservar a sua postura incólume. Aí tudo fica pálido e plástico, você sufoca de tantas amenidades. 

É curioso, mas existe certa dificuldade de encontrar um “amigo” de igreja que vá num bar, num campo de futebol ou numa boate. Crente gosta de encontro, de seminário, de acampamento e de reuniões, muitas reuniões... Além do mais, pela enorme bitolação, as falas são sempre dietéticas, será quase improvável uma reflexão sobre política ou poesia.

O “amigo de igreja”, desgraçadamente, também é pouco sensível. Isso, me parece, está ligado às questões do platonismo cristão, que dissociou a vida espiritual da vida material. As pessoas choram no louvor, mas não conseguem se aperceber que, ao seu lado, há alguém deprimido. Triste, mas as coisas sensíveis ficaram todas no mundo das idéias, e aí, solidão, medo, ansiedade e dor, sentimentos do mundo real, de gente de carne e osso, e não apenas de mente e espírito, acabam passando despercebidos. 

Eu fico pensando como seria uma igreja com gente boa de Deus, sem frescuras, sem intrigas, sem melindres. Um lugar de encontro humano, de carinho, de partilha, de abraço. Sim, um “Clube da Esquina”, numa esquina qualquer da vida, onde dois ou três se juntassem para celebrar, dar risada do trágico, citar poetas, discutir futebol, criticar político safado, coisas que bons amigos fazem quando se encontram. 

Quem sabe chegará um tempo onde a igreja terá a mesma devoção pelo humano que tem pelo divino. Sim, eu penso que isso não só é preciso, mas também possível, afinal, amar a Deus sobre todas as coisas só faz sentido quando se ama ao próximo como a si mesmo.

Carlos Moreira

16 julho 2014

Novo Canal de Mensagens de Carlos Moreira



Chegamos a marca de meio milhão de pessoas alcançadas no VIMEO com as mensagens de vídeo. Mas, por outro lado, há algumas questões que dificultam a visualização das mesmas, como incompatibilidade do browser, do formato da mensagem, etc.

Por conta disso, resolvi criar um canal no YOUTUBE e comecei a transferir as mensagens de um aplicativo para o outro. Todas as mensagens deste ano, 2014, já estão disponíveis. A partir de agora, vou começar a migrar as mensagens de 2011 a 2013. No total, serão 100 mensagens disponíveis, com temas diversos, que tenho certeza podem abençoar e ajudar muitas pessoas.

Para você que me acompanha, e para você que ainda não me conhece, deixo aqui o endereço do canal do YOUTUBE para você se cadastrar. Acesse: https://www.youtube.com/user/cfsmoreira/videos e, se puder, divulgue com aqueles que precisam ouvir mensagens sobre Jesus e o Evangelho. 


Um grande beijo a todos!

Carlos Moreira

10 julho 2014

Perdeu no Campo e Fora Dele



Perder uma semi-final de Copa do Mundo, com um time em condições de disputar a final, não é uma coisa boa. A Holanda encantou a todos na primeira fase, sobretudo na goleada contra a Espanha, mas decepcionou na fase do mata-mata, indo para os pênaltis nos dois últimos jogos. Está fora da final. 


Imagino ser frustrante para a Holanda chegar sempre muito perto e perder. Eles foram finalistas 3 vezes e nunca conseguiram um título. Com a “tragédia” do Brasil, eu estava torcendo pela “Laranja”, pois acho justo que eles entrem no seleto clube dos Campeões Mundiais, mas, infelizmente, não deu. A Argentina ganhou nos pênaltis e vai para o Maracanã.

O mais triste desta história, contudo, não foi a perda do jogo, mas a perda dos significados do jogo. O técnico Van Gaal, que se destacou durante toda a competição, não só pela boa equipe que formou, mas também por declarações polêmicas, fechou ontem com “chave de ouro” sua participação na semi-final afirmando, sobre a disputa do 3º lugar com o Brasil, o seguinte: “Esse jogo nunca deveria ser disputado, já disse isso há 15 anos. Mas não há o que fazer, teremos que jogar".

Na verdade, a fala de Van Gaal carrega o inconsciente coletivo desta geração, onde apenas vencer importa, onde só há reconhecimento para os “campeões”, para os que atingem o lugar mais alto do pódio. Participar, competir, celebrar a alegria entre as nações, confraternizar os povos, nada disso interessa nem a Van Gaal, nem a FIFA, nem as Seleções, os jogadores, ou a grande maioria dos torcedores.

Não me deixa mentir a seleção de Gana, que recusou-se a jogar se não recebesse em dinheiro o prêmio pelas partidas disputadas e pela classificação. A mensagem foi enviada ao mundo inteiro: Gana só joga com Grana! Apego a camisa, amor a bandeira, ética desportiva, consciência profissional, nada disso. O negócio é faturar, é ser exposto para a mídia, é alavancar contratos milionários, tudo gira em torno do sucesso e do dinheiro.

Eu fico triste pelo que vejo e mais decepcionado ainda porque sei que o problema não é a Copa do Mundo, com seus bastidores sujos e sórdidos, mas aquilo que o homem contemporâneo carrega como verdade no ser, como valores e princípios para a vida. Esse é um tempo de muitos carismas e pouco caráter, de aparências reluzentes e consciências pálidas e apáticas.

Sábado, vou torcer pelo Brasil. Sim, o 3º. lugar será um prêmio e um consolo para a torcida que ama o futebol e entende sobre competição. Se não der para passar pela Holanda, que venha o 4º. lugar, com dignidade e honradez. Quanto a Van Gaal, seja qual for o resultado da partida, ele já perdeu. Sim, perdeu dentro e fora do campo, no futebol e na ética, perdeu no jogo da copa e perdeu no jogo da vida.

Carlos Moreira
Recife, 10 de julho de 2014

26 maio 2014

Carta Aberta a Presidente Dilma Rousseff



Exma. Sra. Presidente do Brasil, 

Como cidadão brasileiro, senti o desejo de compartilhar com a Sra. alguns dos meus sentimentos e convicções mais profundos. Apesar de saber que a Sra. não lerá est
a carta e, se lesse, provavelmente, não a responderia, segue o meu desabafo, expressão da minha alma, pois pouco me resta fazer.

Eu não votei na Sra, presidente. Também não votei no seu partido. E não votei porque não me convenci sobre o seu projeto, não abracei as suas idéias. E isto se deu, não porque eu seja de direita, ou de centro, pois, desde que muros e “impérios” ruíram, na década de 1980, entendi que as ideologias estavam sendo, juntamente com eles, sepultadas. Portanto, tento votar na proposta que entendo ser a melhor para a sociedade, independente da sigla que o candidato carregue.

E qual é o motivo de minha indignação, Sra. presidente? Ora, eles são tantos, que uma carta não poderia abrigá-los. Por isso, vou me ater ao evento que estamos para receber nos próximos dias em nossa nação: a Copa do Mundo de Futebol da FIFA.

É com imensa tristeza que presencio a humilhação a qual o meu Brasil está sendo submetido por causa desta que é, sem dúvida, a maior de todas as competições do planeta. Sim, discirno sem ingenuidades que aqueles que organizaram o evento, dentre eles, obviamente, o Governo Federal, se esmeraram ao extremo na prática de safadezas, de negociatas, na corrupção, nos desmandos, no “jogo de comadres”, no “toma-lá-dá-cá”, práticas essas já tão costumeiras em meu país.

Os desmandos são tantos e em tantas áreas distintas, desde o planejamento, passando pelo projeto, até a execução e operação, que enumerá-los seria tarefa hercúlea. Aquilo que foi feito sem o devido “esquema”, aparece todos os dias nos jornais e meios de comunicação como sendo o maior estupro que a nação, talvez, já tenha sido vítima.

O derrame de dinheiro gasto em obras faraônicas, super-faturadas, em nada ajudará o meu país, ao depois. Os estádios, que são o maior legado da competição, não foram feitos para a grande maioria de nossa população, que é pobre e miserável e, sendo assim, só servirão a uma pequena camada da classe média. Outras tantas obras, anunciadas pela Sra. e pelo seu governo, juntamente com o arrobo praticado por governadores oportunistas, além de não terem sido executadas, jamais o serão.

A minha desventura, Sra. presidente, é ver que, as vésperas de um evento desta magnitude, nós brasileiros, ao invés de celebrarmos e nos orgulharmos de nosso país, temos que nos encolher de vergonha. Sim, pois quem tem um mínimo de dignidade e amor pela justiça e pela verdade, não pode tapar os olhos e os ouvidos ao que está acontecendo.

Dá muita indignação ver o país exposto em notícias nos quatro cantos do mundo. Somos capa de revistas, jornais, aparecemos na internet, nas rádios, na TV, sempre como protagonistas da safadeza e promotores da corrupção, todos desmandos que envolvem a Copa do Mundo. É desalentador ver que uma oportunidade tão grande, foi desperdiçada com tamanho descaso.

Eu sei que uma Copa do Mundo de Futebol não se faz com hospitais, como afirmou o nosso Ronaldo “fenômeno”. Ingenuamente, ele disse a coisa certa, da forma errada e na hora errada. Mas eu não sou ingênuo, Sra. presidente. Sei como as coisas funcionam... Já perto dos 50 anos de idade, com três formações, uma na área de exatas, duas na área de humanas, 30 anos de profissão no segmento de tecnologia, empresário há 20 anos, posso fazer análises adequadas sobre a situação.

Eu compreendo, obviamente, que os estádios precisavam ser construídos ou reformados. Estou convencido de que as parcerias e os investimentos do governo eram necessários. Sei também que uma Copa da FIFA, talvez, não seja prioridade de um país de 3º. mundo, mas penso que qualquer gestor mediano é capaz de perceber os inúmeros benefícios e oportunidades que um evento desta magnitude pode produzir, direta e indiretamente ao anfitrião que o receber, desde que, bem administrado.

De fato, a Copa do Mundo não se faz com hospitais, Sra. presidente, mas pode gerar hospitais. E não apenas eles, mas poderia produzir, desde que fosse interesse de seu governo, escolas, habitação, segurança, e tudo o mais que o brasileiro se acostumou a ver como artigo de luxo, mas que figura como basicalidades para os países desenvolvidos.

E como essa “mágica” poderia ser feita, seria uma pergunta legítima? Ora, não com o dinheiro dos estádios, mas com todo o dinheiro que um evento desta envergadura faz circular no país! Com os impostos pagos pelas empresas que estiveram envolvidas na construção, nas telecomunicações, nas obras de transporte, dos aeroportos, nos muitos movimentos da mídia e da publicidade, no turismo, só para citar, de forma simplista e resumida, algumas atividades econômicas que foram “oxigenadas” em função do evento.

Melhor do que eu, presidente, a Sra., como excelente gestora que é, sabe o quanto de receitas adicionais foram geradas, da ordem de bilhões de reais, as quais poderiam ter sido empregadas em obras básicas para nossa população. Mas ao invés disto, o que nos sobrará será continuar a ver, todos os dias, os corredores dos hospitais superlotados, as delegacias infestadas de presos, os ônibus e metrôs sendo depredados, as casas sem saneamento, todas situações insalubres ao ser e desrespeitosas para com a vida e a dignidade humana.

Presidente Dilma, a Sra. teve, talvez, uma das maiores oportunidades de projetar o Brasil nos últimos dois séculos. Nós poderíamos ter dado ao mundo lições de nossa competência, de nossa criatividade, de nosso vigor! Sim, a Copa poderia ter sido usada com mais inteligência, pois poderia ter resgatado nossa auto-estima, e esse benefício, apesar de intangível, promoveria desdobramentos tão profundos que só se poderia medir se acontecesse de fato.

Eu sei que, se ganharmos a Copa, os “proventos” políticos serão enormes e, quem sabe, isto impulsione sua já consolidada campanha à reeleição. Contudo, ao depois, o povo se aperceberá de tudo, pois o “porre” de alegria vai passar, e assim será possível ver que, do “pão e circo”, nada sobrou.

Eu acredito que, se fosse do interesse do governo, e se fosse prioritário, a Copa do Mundo poderia ter gerado ganhos de toda sorte para o país. Poderíamos, com os meios de que dispomos, ter promovido um grande canteiro de obras em nossas Cidades-Sede, obras realizadas com transparência, sendo acompanhadas de forma eletrônica em portais públicos.

Se fosse conveniente, os Tribunais de Contas, o Ministério Público, as empresas de Planejamento e Consultoria teriam sido convocados/contratadas para promover o melhor aproveitamento dos recursos, com o menor custo possível, e com as mais bem sucedidas práticas de gestão. Nós teríamos dado um verdadeiro show! Sim, essa seria mesmo a “Copa das Copas”...

Vou finalizar, Sra .presidente, pois quase ninguém lerá esta carta, nem mesmo, provavelmente, meus amigos. Brasileiro, como se sabe, não gosta de ler e ela está por demais extensa. Mas eu tinha de falar, Sra. presidente, estava com um nó na garganta e um buraco na alma. Fui simplista no que expus, eu sei, mas já dará para perceber que, nem sou inocente, nem estou confortável com tudo isto.

Presidente Dilma, como se sabe, a Sra., recentemente, foi portadora de um câncer. Também é sabido que foi tratada e, graças a Deus, está curada de sua enfermidade. Houve um homem na bíblica sagrada, um governante, que, certa vez, também enfermou. Ele foi visitado pelo profeta Isaías que foi lhe avisar que ele iria morrer. Seu nome era Ezequias.

Aterrorizado com aquela notícia, o Rei foi para o seu quarto e chorou amargamente. Desesperado, pediu ao Deus de Israel que o livrasse daquela doença mortal. Enquanto ainda orava, Isaías, o profeta, recebeu a ordem de retornar ao palácio e anunciar que o Todo-Poderoso havia se compadecido de sua alma e, pelo seu clamor, lhe daria mais 15 anos de vida.

Eu gostaria tanto, presidente, que a Sra. tivesse feito o mesmo com a sua vida! Não sei quantos anos o Senhor da Terra e dos Céus ainda lhe reserva, mas espero que sejam suficientes para lhe levar a refletir sobre sua vida e suas escolhas. Minha oração, presidente, não é para que Deus lhe castigue, pois isso seria grande ingenuidade minha, mas para que Ele lhe ascenda à consciência e lhe proporcione arrependimento.

Eu acredito, presidente Dilma Rousseff, que a Sra desperdiçou uma grande oportunidade de entrar para a história deste país. Sim, acredito que a Sra. poderia alvejar um pouco a mancha de seu partido, o PT, que hoje está com boa parte do seu “staff” preso em prisões de nosso país por conta de corrupção e safadeza. Eu creio plenamente que a Sra. poderia nos dar esperanças, nos alimentar a alma de sonhos, mas, desgraçadamente, a Sra. pouco ou nada fez quanto ao que aí está, diante dos seus e de nossos olhos.

Com todo respeito que a Sra. merece, presidente, lhe escrevo esta carta, pois independente de tudo, a Sra. é a minha presidente. E lhe envio, pelas redes sociais, através da internet, para que ela ganhe alguma “voz”. Seu conteúdo reflete as dores e percepções de um homem de meia idade, já calejado da vida, que crê no Evangelho e na salvação do homem, no perdão dos pecados e na vida eterna, mas que já não acredita mais no seu país. Eu amo o Brasil, mas odeio o que vocês fizeram com ele.

Com reverência por sua vida e sua alma, subscrevo-me, cordialmente,


Carlos F. S. Moreira, um brasileiro
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