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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

14 abril 2014

Bizarrices Pascoais



Começou uma campanha nas redes sociais que tem como objetivo demonizar a imagem do “coelhinho da páscoa” e do ovo de chocolate. 

Como sabemos, a “crentaiada” adora caçar fantasmas e tudo em nome da orto
doxia! Mal sabem eles que os maiores mitos pagãos estão, hoje, dentro de seus próprios templos. A doutrina da prosperidade, da batalha espiritual, da maldição hereditária e da cura interior, práticas vigentes na grande maioria das comunidades cristãs, é material mais do que suficiente para atestar o que digo.

De fato, o hábito de oferecer ovos como presente vem da tradição pagã francesa e espalhou-se rapidamente por toda a Europa e Oriente. Tratava-se da celebração a Ostera, deusa da primavera, caracterizada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, representante da fertilidade.

Na idade média, provavelmente na Inglaterra, a tradição foi “cristianizada” para associar a troca de presentes ao período de celebração da páscoa judaica. Os costumes folclóricos foram absorvidos uma vez que era comum essa prática entre aqueles povos. 

No século XVIII, confeiteiros franceses tiveram a ideia de produzir os ovos de chocolate, o que fez com que o costume ganhasse contornos econômicos. Hoje, o que temos nada mais é do que a utilização da tríade: tradição – religião – mercado, sendo maximizada pelo marketing para fazer girar a engrenagem de consumo capitalista. Não há nem demônio nem maldição em nada disto, business is business. 

Para finalizar, vou lhe dar uma sugestão: se você tem problemas com o “famigerado coelho”, ao invés de dar um de presente a meninada, troque por um boneco do Thales, o qual pode ser achado neste linkhttp://www.lojathallesroberto.com.br/produtos/54/bonecos ao preço de aproximadamente R$ 20,00. Com esse simples ato, ao menos, seu paganismo será gospel! 

Feliz páscoa para você! E não coma ovo demais. Eles não causam embaraços espirituais, mas podem produzir complicações intestinais...


Carlos Moreira


31 março 2014

Deixe-me ser Coerente com Minhas Incoerências



Quem foi que disse que o traço perfeito tem de ser reto? Há muito mais beleza nas curvas, no “torto”! Cartilhas do viver, convenções, estereotipagens, tudo bobagem. Quem é andarilho da vida sabe que há planos que se fazem enquanto se caminha, o destino nem foi alcançado e já há mudança de rotas.

Talvez isso seja nossa herança cartesiana, tudo sensato demais, lógico demais... Num mundo dominado por máquinas, os sentimentos viraram software, esboço automatizado do que um dia existiu como desrazão no coração. Em nosso tempo, até amar é mecânico, previsível e chato.  

Odeio a ditadura, sobretudo aquela que tenta serializar o pensamento. Neste sentido, ninguém consegue ser mais fabril do que a religião. A fé deixou de ser uma expressão da relação pessoal com o sagrado para se tornar um conjunto de normas e fluxos aceitos pela convenção do sindicato do clero. Quem crer diferente, está fora! Basta ser normal para não caber na “caixa”...

Os anos, creia-me, passam depressa depois dos quarenta. Um dia hoje vale muito mais do que valia há dez ou quinze anos atrás. Eu olho com interesse redobrado o caminho que trilhei. Quando se é jovem, não há motivação para se guardar nada. Ao depois, todavia, surge certa sensação de perda, dá vontade de colher os pedaços de nós que vão ficando pelo caminho para depois colar e vê no que dá. 

E foi olhando para dentro de mim, para os muitos “eus” que compõem o mosaico de quem sou, que percebi essa enorme desarrumação! Sim, eu já fui Quixote um dia, amante dos impulsos, poeta pessimista, lutando contra moinhos... Mas também fui apolíneo, um Hércules invencível, aquartelado em fortalezas miméticas, prisioneiro do saber e da razão.    

Há uma glória, contudo, que não me pode ser negada: a de que eu fui muitos e único, nunca existi para fora, fugi o mais que pude dos recursos estéticos que plastificam a vida. Na minha incoerência, sempre houve coerência, eu expus no letreiro toda a anarquia interior que, na fábrica do coração, um dia, se fez amor e paixão.  

Portanto, não me amole, não me esfole, nem me moleste com seu senso de perfeição. Não me diga que não dá para ser desse jeito, que é preciso recondicionar minha alma para que o apetite pelo démodé se torne prato do dia. Fique com seus códigos, no meu sistema, o caos é o padrão, não há rotas, a nau se entrega as correntes e vai...

Hoje eu sou, mas, amanhã, quem sabe? Hoje é assim, contudo, tudo pode mudar! Hoje acredito, mas posso vir a duvidar... Já tens quase tudo de mim, não me tire essa loucura derradeira. Há tantas câmeras me filmando, quase me tornei controlável, dá-me, então, um pouco de espaço para ser o que você tem medo até de pensar. 

É que “pau que nasce torno” não vira mobília em museu, só serve para ser vara de boiadeiro rasgando o chão duro da Terra, comendo barro e poeira, descobrindo o sabor das manhãs... 

Carlos Moreira

01 março 2014

Descobri Quando Jesus Voltará!




O mistério em torno de quando será a volta de Jesus e o arrebatamento da Igreja é uma das questões mais controversas da fé cristã. Especulações das mais diversas já foram realizadas, algumas fantasiosas e místicas, outras seguindo correntes doutrinárias e sistematizações.

Na verdade, a inquietação quanto ao tema é legítima, uma vez que trata de eventos cataclísmicos e, na sequência, do fim da vida como nós a conhecemos. Até mesmo os apóstolos que andavam com Jesus perguntaram a Ele sobre quando tudo isso sucederia: “Dize-nos quando ocorrerão estas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do final dos tempos?”. Mt. 24:3(b).

Em sua resposta, a meu ver, Jesus foi extremamente claro, e, a partir dela, é possível saber, exatamente, quando ele voltará! Agora, para afirmar consistentemente algo desta natureza, é preciso, antes, analisar duas questões prioritárias: o “espírito” das sociedades e as ambiências sócio-culturais da humanidade.

Para chegar a uma conclusão, nesse caso específico, não é preciso ser especialista em sociologia, antropologia ou filosofia para perceber que as sociedades e suas culturas, apesar de separadas no espaço/tempo, sendo assim totalmente distintas, possuem, contudo, arquetipias comuns. Através da história, podemos averiguar que a saga das civilizações humanas percorreu, de certa forma, os mesmos caminhos.

Essa afirmação não carrega nada de novo. Os povos antigos já sabiam disto com clareza, pois o sábio do Eclesiastes, há cerca de 3.000 anos atrás, já afirmava: “O que foi voltará a ser, o que aconteceu, ocorrerá de novo, o que foi feito se fará outra vez, não existe nada de novo debaixo do sol”. Existem, sim, fatos e comportamentos humanos que se repetem, a cada geração e, ainda que muitos deles se aprofundem, como numa espiral, ganhando contornos cada vez mais intensos, carregam os mesmos arquétipos de gerações passadas.

Entendido isto, é possível declarar, exatamente, quando Jesus irá voltar! Tal conclusão, bastante simplista, não faz parte da execução de cálculos cabalísticos, nem faz alquimia em sistematizações dispensacionalistas, nem muito menos exegese exaustiva da escatologia judaico-cristã a partir dos escritos de Daniel, Mateus, Paulo ou João. Para mim, tudo é muito óbvio, pois acredito que Jesus deixou-nos aquilo que é suficiente para nossa salvação e entendimento da Verdade em tudo que existencializou.

Para chegar ao desfecho, poderíamos utilizar vários textos, mas escolhi o final do Evangelho de Mateus, onde estão organizados os eventos escatológicos descritos pelo próprio Jesus. Se prestarmos atenção, veremos que, do capítulo 22 até o capítulo 25, o Evangelista nos expõe, em certa ordem, os eventos que marcam o fim dos tempos, a saber: a grande tribulação, a segunda vinda, o arrebatamento e o juízo eterno.  

Pois bem, minha chave hermenêutica, para estas ponderações, se localiza na primeira metade do capítulo 24 de Mateus. Neste texto, estão presentes os sinais que nos dão condições de afirmar, com absoluta certeza, quando será a volta de Cristo. Quais são eles, então? Observe: falsos profetas, guerras e rumores de guerras, injustiças, perseguições, esfriamento do amor, traições, manipulação do sagrado e eventos de magnitude celeste.

Mas é na segunda metade deste capítulo que Jesus nos diz, de forma segura, quando ele irá voltar! A revelação está no verso 34, que explicita: “Com toda certeza Eu vos afirmo, que não passará esta geração até que todos esses eventos se realizem”. Eis, portanto, a grande revelação: Jesus voltará em nossa geração!

Não se frustre, pois é legítimo que haja certa confusão quanto a esta afirmação. Alguém pode exclamar: “o texto em questão se refere à geração dos discípulos, não a nossa!”. Sim, isso é verdade! Contudo, se Jesus afirmou que voltaria naquela geração, onde todos os sinais que foram citados acima se manifestaram, e não voltou, o que, então, precisamos entender? Qual a chave para este mistério?

Ora, nós sabemos que, entre a morte e ressurreição de Jesus – no primeiro terço do 1º. século – e o ano 100, o mundo presenciou perseguições, barbáries, guerras, injustiças, desamor, a destruição da Cidade Santa, o aniquilamento do Templo, o general Tito sendo cultuado como deus, recebendo sacrifícios em plena Jerusalém, dentre outros tantos eventos que, inquestionavelmente, produziam a moldura perfeita para que se fizesse a asseveração de que, de fato, o Senhor estava voltando!  

Todavia, o fato é que Jesus não voltou! Por isso, a partir deste evento, começou-se a se fazer especulações e previsões sobre quando se daria a tal volta do Senhor. Para mim, não há questões a serem desvendadas. É certo que Ele volta nesta geração. Jesus virá a qualquer momento, portanto, devo estar preparado para recebê-lo! Quando leio o texto de Mateus, e vejo a afirmação “não passará esta geração”, tomo a mensagem para mim, sinto como se Jesus falasse comigo naquele instante, para a minha geração!

O que todo discípulo precisa saber, é que a análise de Mateus 24, e dos demais capítulos escatológicos das Escrituras, deve sempre ser feita com muito cuidado, pois a linguagem, não raro, é simbólica, parabólica, recheada de figuras e metáforas da apocalíptica judaica. Em Mateus 24, o que percebo, claramente, é que as arquetipias usadas por Jesus servem para evitar as previsões fatalistas dos adivinhadores e magos da religião em relação ao dia ou hora quando tudo sucederá.

Ao fazer isto, Ele desenhou o cenário do fim, mas não estabeleceu qualquer outro tipo de previsão. A cada geração, o cenário se faz presente, portanto, é nosso dever esperar a Sua volta a qualquer momento! Sempre haverá, em cada uma das sociedades humanas, a presença dos sinais de Sua vinda, pois os arquétipos descritos pelo Senhor estão constantemente presentes na história das civilizações. Quando Jesus volta? Ora, Ele volta hoje! A questão, todavia, é: você está preparado?!

Quanto a mim, esforço-me para fazer o melhor que posso ainda neste tempo! Estou arregimentado no exército de Deus, tenho metas a alcançar, preciso anunciar o Evangelho e ser testemunha de que, em Cristo, o Pai se reconciliou com o mundo e não mais imputa aos homens os seus pecados. Aleluia! Essa é a grande salvação!

Quem é filho do Reino, herdeiro da fé, quem tem sobre si a marca do Sangue do Cordeiro e a habitação do Espírito Santo, entende estas verdades e delas dá testemunho. Os que caminham na luz e são mensageiros da Boa Nova, não se cansam nem se fadigam, seguem obstinados até alcançarem a promessa da Vida Eterna, quando todos juntos celebraremos a festa da misericórdia que triunfou sobre o juízo!

E assim, também sigo eu, remindo o tempo, pois os dias são maus, anunciando a todo homem que a Graça de Deus está disponível para aquele que a receber com alegria, que o perdão está estendido a todo aquele que deseje se arrepender de seus pecados. Portanto, sigo com todo empenho, compromissado em anunciar o Evangelho e, enquanto faço isso, declaro com toda convicção: Maranata! Vem Senhor Jesus!


Carlos Moreira

28 fevereiro 2014

10 Coisas que Você Precisa Saber Antes de se Aconselhar com um Pastor




01- Não deixe a situação ficar incontornável para procurar ajuda. Profilaxia é o segredo para as dinâmicas da vida. A prevenção é melhor do que a correção. Infelizmente, muitos dos problemas que me chegam já estão em fase “terminal”, ou seja, já não há praticamente mais nada a se fazer. 

02- Nunca se aconselhe com vários pastores. Em 5 opiniões pastorais, provavelmente, haverá 5 conselhos diferentes. E aí? O que você fará? A quem você irá ouvir? Em casos extremos, você deve buscar uma segunda opinião, mas saiba que, dependendo da linha e da experiência do pastor, as posições serão divergentes. 

03- Pastores não são intermediários do sagrado. O que eles dizem tem certa importância, mas eles não devem se auto-proclamar mensageiros de Deus infalíveis, ou portadores da Palavra inquestionável. Eles podem ajudar, e trazer a luz das Escrituras sobre alguma situação, mas evite tê-los como “personal profetas”, pois isso significará a sua ruína na vida. 

04- O ideal no aconselhamento é a pessoa lhe mostrar cenários. A partir de suas colocações, situações podem ser “simuladas”, hipóteses podem ser levantadas, as alternativas disponíveis, etc. Mas quem aconselha nunca deve inferir a sua opinião pessoal. Você é livre para analisar e fazer a escolha que melhor lhe convier. O conselheiro é apenas alguém com mais experiência que está lhe ajudando a ver o “cenário” por inteiro, ele não é alguém para lhe dirigir os passos.

05- Na minha experiência pastoral, 80% das questões que me trazem se resolveriam com bom senso, ou seja, nem tudo é espiritual. As pessoas tendem a querer uma solução mágica para seus problemas e, em função disto, imaginam estar sofrendo um ataque do diabo, uma conspiração celeste, ou que estão em maldição, ou que pecaram contra a Palavra, etc. Acredite, poucas questões tem cunho espiritual. A maioria está associada a valores da vida que estão sendo negligenciados.

06- Sua opinião é importante, mas você não é o dono da verdade. Quando o aconselhamento envolve outras pessoas, todas devem ser ouvidas. Nunca acredite em alguém que lhe aconselha ouvindo só o seu ponto de vista. A sua “verdade” é sua, mas isso não quer dizer que seja a verdade de fato. Procure ser sincero no que coloca, mas lembre-se que é seu ponto de vista.

07- Cuidados com quem aconselha usando versículos e mais versículos da bíblia. A Escritura é o ponto de partira do pastor ou conselheiro, mas a interpretação é sempre uma questão crítica. Um pastor com uma bíblia na mão e uma interpretação equivocada é alguém com uma arma e uma autorização para matar. Conselhos que trazem a bíblia como instrumento de “autenticação” devem sempre ser muito ponderados.

08- Quando se aconselhar, esteja certo que colocou tudo o que gostaria. Pastores, por vezes, tendem a ouvir pouco e falar muito. Em alguns minutos de conversa, dizem que já entenderam o “quadro” inteiro, que já ouviram muitas vezes aquela situação, e que já sabem a solução. Apesar das questões se repetirem, nenhuma história é igual à outra. Mudam os “cenários”, os “atores”, as circunstâncias. Peça para ser ouvido até que tudo esteja colocado. 

09- Pastores não podem cobrar por aconselhamento. Essa tarefa só pode ser realizada por um profissional da saúde, no caso, psicanalistas, psiquiatras ou psicólogos. Pastores não têm formação para atenderem pessoas por períodos longos e nem, muito menos, receitarem medicação. No caso de pastores que tem formação em alguma das áreas acima, eles devem decidir o que querem fazer, mas, se desejam ser pastores, que não cobrem pelo atendimento. 

10- Se você está em busca de um conselho, esteja pronto para ouvir o que não lhe agrada. O pastor não tem obrigação de lhe dizer o que você quer ouvir, mas o que precisa ouvir. Não raras vezes, a palavra que nos é colocada é dura, mas lembre-se: o remédio ruim produz um bom efeito.

Carlos Moreira

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