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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

11 dezembro 2018

A Falência Múltipla da Pós-Modernidade

Na semana em que um cãozinho vira-lata foi brutalmente assassinado a golpes de barra de ferro, nas dependências de uma grande cadeia de supermercado, o que gerou, sobretudo nas redes sociais, uma enorme comoção, cabe perguntar: o que aconteceu conosco? Onde foi que nos perdemos de nós mesmos? Por que nos tornamos tão insensíveis, desumanizados? E mais... Por que certas cenas do cotidiano, muito mais violentas e dramáticas, envolvendo mulheres, crianças, velhinhos, policiais, mendigos de rua, não nos sensibilizam mais? Será que estamos esgotados de tantas cenas negativas? Será que a mesmice da rotina cegou a nossa retina? Ou terá sido a nossa psiquê que sofreu um apagão, que ficou leprosa, perdendo toda a capacidade de sentir e discernir o que está no nosso entorno? Nesse tempo onde tudo é “líquido”, passageiro e fugaz, nessa civilização da virtualização, onde o técnico se sobrepõe ao tátil, onde a imagem faz prescindir a presença, a vida dessignificou-se, banalizou-se, somos como zumbis, andando na direção insólita do futuro, mas ainda não percebemos que o futuro já chegou, é hoje, é agora. Sim, desgraçadamente, morremos enquanto íamos vivendo, nem isso fomos capazes de perceber, estamos sepultados na vala dos dias e cobertos com a terra que devora a alma, nosso túmulo, que ironia, tornou-se a nossa própria consciência. Ainda assim, cabe questionamentos: qual a fenomenologia por traz de tudo isso? Quais foram os acontecimentos que nos levaram a ruína, quais indícios tínhamos de que estávamos num caminho sem volta? Será que é possível parar o trem e pular do trilho, antes do encontro irremediável com o destino final? Diante de tudo isso, lembro das palavras de Jesus, quando ele afirma: "Bem aventurados os que choram, por que serão consolados". De fato, quem ainda tem lágrimas para derramar no chão duro do cotidiano, pode mesmo se achar verdadeiramente rico na existência. Assista a mensagem e faça sua própria reflexão!


 

10 dezembro 2018

“João sem Deus”?



Na última semana, em entrevista ao programa global do jornalista Pedro Bial, a holandesa Zahira Lieneke, uma das mulheres presentes, denunciou o médium João Teixieira de Faria – o João de Deus – por abuso sexual.

João de Deus atua há mais de 40 anos fazendo cirurgias e outras ações de curas espirituais no município de Abadiânia, interior de Goiás. A Casa Dom Inácio de Loyola, onde os procedimentos são realizados, tornou-se mundialmente conhecida e recebe cerca de 10 mil pessoas por mês para tratamento.

Ontem, no programa Fantástico, outro grupo de mulheres veio a público para declarar que foram vítimas de abusos e estupros, supostamente cometidos pelo paranormal, entre os quais, um relato de quem foi abusada na adolescência. A situação tomou tal proporção que o Ministério Público, que apura o caso, já conta com mais de 200 pessoas que querem depor contra João de Deus.

Eu não sei se João é culpado, a polícia e a justiça devem decidir isso, mas se ele for condenado, eu posso afirmar, com convicção, que nele operou-se o mesmo princípio que opera em Lúcifer: a “Síndrome de Deus”.

As Escrituras não negam a existência da paranormalidade, há casos, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, onde encontramos a liberação de poder sobrenatural através de magos, místicos, feiticeiros e paranormais, os quais operaram coisas extraordinárias, inclusive curas.

Portanto, sim, é dom de Deus, uma vez que, conforme Tiago: “Toda dádiva e todo dom perfeito vem do alto, do Pai das Luzes...”. Tg. 1:7. Paulo, complementando esse conceito, nos informa que “Os dons de Deus são irrevogáveis”, conforme Romanos 11:29, ou seja, o dom está na pessoa, mas pode ser usado, tanto para o bem, quanto para o mal, tudo é uma questão de consciência.

Assim, João, se culpado, é uma vítima de sua própria soberba, de um egocentrismo despudorado, pois, sendo usado por Deus, achou que em si mesmo pudesse haver tal poder sobrenatural, como se ele fosse a fonte primária dessas realizações. Ainda que recitasse, conforme relatos, que nada daquilo era feito por ele, no fundo, seu coração já havia se corrompido, era apenas um mantra psicológico, mas sem qualquer reverberação para a vida.

A verdade é que homem algum suporta existir no lugar de Deus, a glória de Deus é veneno para nós, mortais, o poder de Deus, mal utilizado, desconstrói nossas estruturas psíquicas e nos leva ao surto diabólico que produz o desejo de ser como ele é. Aí o indivíduo não teme mais nada, nem ninguém, está acima do bem e do mal, pode realizar qualquer coisa, transformar pedra em pão e subir no pináculo do templo, ele cura, ele salva, ele liberta, pois ele é Deus!

O capítulo 28 do Livro do Profeta Ezequiel nos revela essa fenomenologia associada ao rei de Tiro. Na metade do texto, todavia, faz um paralelismo com o próprio Satanás, mostrando-nos que o princípio que operava em um, é o mesmo que operava no outro. O resultado final, inexoravelmente, é a destruição do ser, a corrupção da alma e a desapropriação do coração, homens, mesmo sem perceber, podem transformar-se em diabos.

João, se culpado, esqueceu-se que, para quem é de Deus, não basta apenas fazer o bem, tem de faze-lo da forma certa, movido pelo amor, mas sem esquecer-se de cerca-se, por todos os lados, pela ética, pela verdade e pela justiça.

Esperemos, todavia, a comprovação dos fatos, aqui não há um juízo temerário, apenas a revelação da fenomenologia que já foi constatada em situações semelhantes (só neste ano, Maury Rodrigues da Cruz e Sri Prem Baba).

Desta forma, se culpado, “João sem Deus”, mais do que nunca, precisará da misericórdia de Deus, pois, na medida em curou milhares, adoeceu e feriu a outros tantos. O perdão do Pai, certamente, não lhe faltará, mas o castigo e a justiça dos homens, todavia, não lhe serão negados


Carlos Moreira




07 dezembro 2018

A Supremacia Evangélica





Não se poderia esperar nada diferente depois de décadas de doutrinação baseada no positivismo de Augusto Conte – convertido a fé cristã – dos ensinos de Kenneth Hagin, Morris Cerullo e Benny Hinn, com a teologia da prosperidade, e da indústria de milagres e manifestações metafísicas de Macedo, Valdemiro, Agenor Duque, Estavan Hernandes e outras entidades do mundo religioso.

A nova ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, a pastora Damares Alves, chegou para causar, e vem com toda essa bagagem que eu citei acima, ainda que ela, praticamente, não sirva para quase absolutamente nada com o qual ela vai lidar, sobretudo num estado laico.

Admira-me o Presidente Bolsonaro, que disse que não lotearia cargos, ter feito essa gentileza apenas para acalmar a bancada evangélica, insatisfeita com as indicações do Todo Poderoso – o da Terra, não o do Céu.

Em 2016, em pregação na Igreja Batista da Lagoinha – aquela que tem aqueles aloprados do show business gospel – a nova ministra disse o seguinte: “... As instituições estão todas piradas... Não restou à nação senão a alternativa de confiar nas denominações evangélicas... Chegou a nossa hora. É o momento de a igreja ocupar a nação. É o momento de a igreja governar. Se a gente não ocupar esse espaço, Deus vai cobrar da gente." (sic).

A profecia se cumpriu, aleluia! Ou seria, misericórdia? Até o diabo treme com uma declaração dessas. Sim, ela tem tudo a ver com a religião, mas não tem nada a ver com Jesus, com o Evangelho ou com o Reino de Deus. Se restou a nação confiar nas denominações evangélicas, como ela afirma, já estou pulando do barco, sei como essa engrenagem gira, o Congresso vira creche de criancinha junto dessa moçada, que além de usar de esperteza, fisiologismo, tramoia, charlatanismo e estelionato, tem a divindade a seu favor, um Deus só pra si, capaz de realizar coisas imponderáveis para agradar “seu povo”.

Dá tristeza? Dá. Mas causa muito maior indignação a distorção fraudulenta da mensagem e do ensino de Jesus. O mesmo Jesus que disse a Pilatos que seu Reino não era desse mundo, o mesmo Jesus que disse aos Fariseus que seu Reino não tinha aparência, nem opulência, nem cargos, nem tronos, nem poderes transitórios, nem planos expansionistas, nem instâncias de poder, nem propósito de dominação.

Jamais, em momento algum, Jesus imaginou que sua igreja teria o desafio de dominar a Terra, de governar nações, de reger política e economicamente os povos. A igreja nada mais é do que o encontro singelo e despretensioso de gente que foi reinventada pela graça, alcançada pela misericórdia, pessoas do bem em torno da mesa da comunhão para celebrar o amor e o perdão. Ela não passa de um ajuntamento transitório, não físico, não geográfico, não hierárquico, não normatizável, não institucionalizado, um ente espiritual, um corpo imaterial ligado a Cabeça, que é o próprio Senhor, um espaço de fomento de consciência para a vida e de envio de anônimos da existência para suportar os desvalidos, os desterrados, os invisíveis, os pobres, os famintos, os discriminados, todos os que estão nas cenas do cotidiano dos dias.

Ah, ministra, quanto equívoco em suas palavras, quanta distância há nelas em relação as palavras do Galileu. Não, Deus não vai cobrar nada de ninguém, muito menos que sua igreja ocupe os espaços do poder público, pois toda a dívida foi paga, tudo está consumado e cravado na Cruz. Não, não é nosso papel, como discípulos de Jesus, tomar o poder temporal dos homens, pois todo poder, conforme Paulo aos Filipenses, já foi dado a Jesus, não estamos atrás de tronos humanos, mas de paz, alegria e justiça, pois destas coisas é feito o Reino de Deus.

Espero, de todo o coração, um bom reinado a ministra, que suas ações possam redundar em benefício da sociedade, e não de sua igrejola ou denominação, pois para este fim ela foi colocada no cargo.

Quanto a “supremacia evangélica”, ainda não vimos nada... A última vez que esse firme passou, na idade média, a bola da vez eram os Católicos Romanos, e houve um apagão geral, trevas sobre tudo e todos. Muito em breve, todavia, como tanto se sonhou, o “Brasil será do Senhor Jesus”, teremos um “crente” no poder, e aí você vai ver a democracia virar teocracia, e por incrível que pareça, vai sentir saudades de Color, Lula, Dilma e Temer...


Carlos Moreira

04 dezembro 2018

Pastor sou Gay, e Agora?

Em entrevista pública em 2015, o cantor e compositor inglês Helton John declarou: “Se ser gay fosse uma opção, dificilmente haveria homossexuais”. Eis aí um tema controverso, capaz de gerar as mais diversas polêmicas e despertar o mais primitivo de todos os ódios, não só no meio religioso, mas na sociedade como um todo. Na história humana, a homoafetividade – termo que melhor enquadra o tema – já foi admirada, condenada e, em alguns casos, tolerada. Quando admirada, respaldava-se na crença de que o indivíduo poderia se tornar melhor com seu usufruto, como no mundo da antiga Grécia e no Império Romano. Nos casos de condenação, é considerada prática pecaminosa pelas religiões de matiz abraâmica – Judaísmo, Islamismo e Cristianismo –, além de, na idade média, ter sido diagnosticada como transtorno de ordem mental, o que desembocava, não raro, no confinamento da pessoa num centro de tratamento médico-psiquiátrico. Na sociedade pós-moderna, existe um nítido avanço quanto a aceitação dessa temática social, sobretudo no ocidente, mas em diversas outras nações, com predominância do mundo oriental, ainda existe forte preconceito e trato violente com os homoafetivos. No Brasil, os números de registro de violência e assassinato contra pessoas homoafetivas – e suas variantes – é assustador. Em 2017, representando um aumento da ordem de 30% de anos anteriores, houve 445 assassinatos ligados a questão da homofobia, um a cada 19 horas. Diante de um cenário tão complexo, o tema mantém-se como um dos mais polêmicos, produzindo, desta forma, no espectro religioso, questões tais como: é pecado ser homoafetivo? Uma pessoa homoafetiva pode ser salva? É possível a um homoafetivo realizar atividades na igreja? Homoafetividade é desvio moral, patologia social, inclinação psicológica ou natureza genética? Assista a mensagem e tire suas conclusões!


 

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