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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

13 maio 2016

A Dádiva de Saber Envelhecer



Se Deus me permitir viver a média dos brasileiros, morrerei com cerca de 72 anos. Isso significa que há apenas mais 1/3 da jornada a ser conquistado, boa parte do caminho já foi feita, o dia da chegada no meu lar se aproxima.

Sim, eu já tenho calos nos pés de tanto chão trilhado, contudo, ainda há estradas por onde não passei, lugares dentro de mim que são inabitados. Herman Hess diz que os passos dos homens são dados para dentro, a vida é simplesmente um seguir de rastros.

Mas eu também tenho calos no coração, pois o existir produz marcas, esculpe na tapeçaria dos dias tatuagens que se projetam no chão do ser. Aos quase 50 anos vejo o físico sofrendo os desgastes dos anos, não obstante me regozijo ao perceber que minha musculatura emocional aguenta sopapos, eu estou na meia-idade, mas minha alma é velha.

Hoje, ao ler a carta de Paulo ao seu filho Timóteo, deparei-me com a exortação do apóstolo que diz: “Ninguém despreze a tua juventude”. Timóteo estava em Éfeso, exercia o ministério pastoral, devia ter aproximadamente 30 anos, o que era considerado muito pouca idade para um homem que precisava aconselhar anciãos.

Naquele tempo, era sinal de respeito o possuir cabelos grisalhos, algo que, certamente, faltava ao jovem pastor. Foi por isso, certamente, que Paulo se viu estimulado a pedir aos irmãos da igreja que respeitassem o “garoto”, discernissem o dom do Espírito Santo em sua vida e relevassem sua pouca experiência.

Ah, se fosse possível o apóstolo escrever para mim, gostaria que dissesse: “Ninguém despreze a tua velhice”. Seria de muita serventia esse conselho para o tempo presente. É que envelhecer cansa, sobretudo num país onde os idosos são desprezados e a idade avançada é vista como um fardo, um atrapalho, onde os filhos estão dispostos a deixar seus pais em asilos, ou, pior ainda, exilados de tudo dentro de suas próprias casas.

O mesmo se dá na igreja...

O Velho é visto como empecilho, ele é resistente ao “novo”, parece ter sempre uma palavra que estraga-prazer. Mais saiba que, por certo, um homem velho carrega a experiência de toda uma jornada, acumula muitos sonhos que não puderam se realizar, tem muito mais certezas do que dúvidas e apesar da fragilidade da visão, pode enxergar muito longe onde certos caminhos nos levarão. Eu tenho respeito pela velhice, ela revela no rosto as dores da vida, as perdas inevitáveis, os fracassos incontornáveis, a resignação ante o impossível. 


Eu sei, este pode até parece um texto melancólico, mas eu gosto de pensar que são apenas palavras lúcidas, de um homem que não teme envelhecer, ainda que saiba que essa estação outonal da existência guarda mais tristezas do que sorrisos...


Carlos Moreira

11 maio 2016

"Uns aos Outros": a Experiência da Comunidade Terapêutica



Sempre que penso em como deveria ser uma igreja, logo me vem à mente palavras como: acolhimento, pacificação, relacionamento e crescimento. Sim, a igreja tem o desafio de ser como um pomar, um espaço onde pessoas são plantadas para dar frutos para a vida. A experiência de comunidade de fé no Novo Testamento nos revela, dentre outras coisas, um ambiente relacional altamente salutar, capaz de promover assepsia na alma, de curar feridas e recuperar os enfermos de mente e coração para a jornada do Caminho. Igreja não é um turbilhão de gente entrando e saindo de cultos, ou uma engrenagem que propõe uma agenda com programas diversos para satisfazer o apetite religioso, mas é, antes de qualquer outra coisa, um Corpo capaz de promover o fomento da espiritualidade através do discipulado. Para mim, um dos maiores riscos que corre uma igreja é se tornar uma organização impessoal, transformar-se num ambiente onde a pessoa entra e sai sem ser percebida, deixa eventos e volta a seguir a pesada rotina de cada dia amargando existir apartada dos cuidados necessários para o desenvolvimento, pela via do ensino e do pastoreio, da consciência no Evangelho. Assista esta empolgante mensagem!


 

30 abril 2016

Você é um Culto!



“Eu vou ao culto”? Vai não, você é um culto!

Nas manifestações religiosas dos hebreus, na antiguidade, o culto se relacionava a expressões de devoção e adoração associadas a lugares e circunstâncias, daí a prática dos Patriarcas de construir altares, com vistas a demarcar espaços de comunhão com Deus.

Depois que o Templo foi construído por Salomão, o lugar da vivência das práticas ligadas ao sagrado se confinou as paredes daquela mega-construção, onde as rotinas litúrgicas de culto eram executadas por funcionários devidamente qualificados.

No desterro babilônico, diante da ausência do Templo, os hebreus passaram a utilizar como lugar de adoração e ensino as sinagogas, prática que se mostra presente nos dias de Jesus e, após a destruição do Templo, no ano 70 d.C., pelos romanos, como modelo consolidado para esse fim.

Mas, em Jesus, e no Evangelho, o culto ganha uma dimensão totalmente diferente, ele move-se de um lugar fixo – “nem neste monte nem em Jerusalém” – para todo e qualquer lugar – “pois o Pai busca adoradores que o adorem em Espírito e em Verdade”.

Nesta perspectiva, culto é o que acontece na vida, culto é a dinâmica da existência que se rendeu a Deus e busca materializar a fé em atos de amor e justiça.

Por isso Paulo, quanto trata deste tema, ensina que o culto é racional, pois envolve todas as dimensões do nosso viver – corpo, emoções, intelecto e espírito – conforme descrito na sua carta aos Romanos. Em Coríntios, ele explicita ainda mais, dizendo que “quer comais, ou bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei-o para a Glória de Deus”.

Assim, não há geografia sagrada no Evangelho, nem lugares santificados, pois o culto acontece debaixo do sol, na forma como encarnamos os valores do Reino de Deus.

Na parábola do Samaritano, o sacerdote e o levita haviam saído do “culto”, onde tinham sacrificado no altar santo e louvado a Deus com suas oblações, mas foram incapazes de discernir que o culto seguia pelo chão da vida, e agora se apresentava diante deles na figura moribunda de um transeunte machucado por malfeitores.

De fato, aquele homem era o altar onde a fé deveria ganhar concretude pela via da solidariedade e do amor sacrificial, mas eles não puderam compreender, pois seus olhos e mentes estavam impregnados pela insensatez de um tipo de espiritualidade que privilegia rotinas e formas, mas despreza as dinâmicas do coração...


Carlos Moreira

26 abril 2016

Há Um Outro Eu Morando em Mim

“Desventurado homem que sou, quem me livrará desta morte?”. A afirmação dramática é do apóstolo Paulo e está descrita no capítulo 7 da Carta aos Romanos. De fato, a esmagadora maioria das pessoas que encontro vive em profunda aflição e sentindo-se brutalmente culpada por não conseguir fazer àquilo que a religião lhes propõe. Elas reconhecem que, mesmo amando a Deus e desejando seguir ao Evangelho, não conseguem livrar-se de vícios, pensamentos, condicionamentos, traumas e medos, o que as faz existir em flagrante estado de culpa e desânimo. Sim, a cartilha religiosa comportamental se constituiu no substituto da Lei Mosaica, assumiu o papel de advogada de acusação, esmaga consciências e reduz a zero a possiblidade de experimentação de algo que produza paz e bem na vida e, por conseguinte, saúde no ser. Contudo, a questão é: como lidar com esse outro “eu” que existe em mim e que tende, inexoravelmente, ao pecado? O que fazer para apaziguar essa guerra incessante entre a carne e o espírito, entre o bem e o mal que habitam no meu interior? Assista a mensagem e encontre a pacificação para sua alma!


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