Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
Mostrando postagens com marcador fidelidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fidelidade. Mostrar todas as postagens

28 dezembro 2011

Feliz Ano Velho



Mas um ano se vai… e este, em especial, foi por demais difícil. Vi-me cercado por angústias do inferno, senti-me emaranhado por laços de morte. Muitas foram às noites sem sono, com medo, ansioso, andando pelo vale das sombras em meio ao silêncio e a solidão.

Por vezes tive a impressão que minha alma escapou de mim mesmo, uma sensação de que meu ser esvaiu-se, como se toda essência se derramasse como água que transborda da jarra enquanto vai sendo carregada pelo chão da vida.

Tentava sorrir e não conseguia... Meus lábios estavam serrados, meus olhos transbordavam tristeza, meu coração tornou-se um cômodo apertado. Queria trazer a memória algo que pudesse me dar esperança, mas, definitivamente, não sou Jeremias, meu alimento é lamento e dor. Bem disse Nietzsche ao afirmar: "é necessário levar em si mesmo um caos, para pôr no mundo uma estrela dançante.". E haja caos aqui dentro...

Quanta inquietação! É o “ser ou não ser”... E eu não sei. Se soubesse, seria, mas penso não saber, por isso não sou, mesmo querendo ser, ainda que não aquilo que deveria, vou sendo em partes, por pedaços, fragmentos de mim mesmo, junto migalhas do eu que há em mim na busca incansável de tornar-me aquilo que sou.

E assim, em meio a este turbilhão, lembrei-me do salmista: “Senhor meu Deus! Quantas maravilhas tens feito! Não se pode relatar os planos que preparaste para nós! Eu queria proclamá-los e anunciá-los, mas são por demais numerosos!”. Sl. 40:5

Meus olhos se voltaram para o caminho – as horas dos dias, os dias das semanas, as semanas dos meses, os meses deste ano... percebi que mesmo em meio a tantas dificuldades Deus sempre esteve ali, no mesmo lugar, eu é que me perdi. Como pude, então, não agradecer por cada lágrima derramada, por cada dor degustada, por cada tristeza acalentada? Por isso agora me arrependo... Trago-te Shakespeare: “a gratidão é o único tesouro dos humildes”.

O problema é que na contabilidade da vida as contas nunca fecham, o saldo sempre está negativo. Por mais que Deus tenha feito em nós, por nós e através de nós, continuamos a valorizar apenas àquilo que deu errado, que produziu tristeza, que contrariou os planos, que feriu as regras, que alterou o curso, que roubou o sonho, que tragou o brilho, que matou a vida. Em meio à dor, o bem recebido é sempre esquecido, pois “a gratidão é a memória do coração” (Antístenes), e se ele tiver se tornado de pedra, viverá eternamente de esquecimento.

Bem disse Lenine em sua poesia ao perceber que nos tornamos máquinas movidas a sangue: “deu ferrugem nos meus nervos de aço”. É que nós nos esquecemos de quase tudo, inclusive que somos de osso, não de aço! Certo estava Sêneca quando afirmou: “quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida”.  

Perdoa-me meu Pai por tanta ingratidão! Aquieta a minha alma com Tua Palavra, pois, ‎"quanto a mim, sou pobre e necessitado, mas o Senhor preocupa-se comigo. Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores!". Sl. 40:17. 

E assim vou vivendo, como de um mal incurável, trago essa ânsia de transcender. Um dia, todavia, tornar-me-ei aquilo para o qual fui concebido, serei totalmente eu, sem fragmentações, sem desencontros ou contradições, serei por inteiro, recriado, refeito, ressuscitado! Aí, então, conhecerei como sou conhecido, saciada será a minha sede, pois beberei no cálice da Graça a Água da Vida.

Por tudo isto e mais um pouco: Feliz Ano Velho!

Carlos Moreira

26 setembro 2011

Ri Melhor Quem Ri por Último



“Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado”. Sl. 73:13-14


Por que prosperam os ímpios? Por que seus planos sempre dão certo? Por que nunca são acometidos de doenças? Por que sobre eles o céu não desaba, ou se abre o chão para tragá-los? Por que nunca sofrem, têm medo, ou são surpreendidos na calamidade?  Por quê?

Eis a indignação solitária do salmista! Ela ganha ressonância na voz dos aflitos da Terra: os inquietos, os injustiçados e oprimidos. Por isso eu amo esse texto. Nele não se vê projetado à caricatura de um personagem irreal, um holograma imaterial da frágil materialidade do ser, a imagem do super-homem, ou de um herói da fé, baluarte da santidade, da moral e dos bons costumes. Não. Para quem tiver a coragem de discernir, verá, sim, as vísceras de um coração partido, os escaninhos abertos de uma alma árida, repartida ao meio, os fragmentos de alguém mergulhado em sombras e silêncios, medos e contradições.    

Em Asafe, no salmo 73, percebo um homem como outro qualquer, alguém com a coragem de se declarar indignado com a existência, que não tem pudores para afirmar que seus pés quase resvalaram no desfiladeiro das suposições, no precipício das racionalizações, no abismo da amargura. Como diria Nelson Rodrigues, Asafe vocifera sobre “a vida como ela é” – imperfeita, injusta e inconstante.  

Preciso confessar: meu coração já visitou esses “ambientes” muitas vezes. Já me revolvi em amargura e desespero de alma, já mergulhei na aridez que faz apagar até o Espírito. Sim, destilei em meu íntimo veneno e o bebi até a última gota, engasguei-me com o fel produzido em meu próprio estômago, pois é fato que dói demais ser traído, enganado, passado para trás, injustiçado.      

Escrevo estas linhas, pois vivi nos últimos dias uma situação recorrente na vida: fui injustiçado. Fui esmagado pelas mãos de “poderosos”, descartado como carta de baralho em jogo de pôquer. Mas quem me “feriu” não estava blefando, pois atingiu-me o coração com sua lança certeira, quebrou-me os ossos e os sonhos, desfez a minha esperança, dispersou a minha coragem, apagou a minha fé.  Estava correto Max Scheler, o filósofo dos valores, quando afirmou que “a injustiça engrandece uma alma livre e orgulhosa”. Fato é; feito está.

Mas bom é o Senhor e eterna a Sua misericórdia. Como citou Exupéry “o que torna belo o deserto é que ele sempre esconde um poço em algum lugar". Dá-me então, Senhor, de beber desta água, sacia-me a sede, concede-me um gole de vida.

E assim segui lendo Asafe, num salmo que a mim mais parecia autobiográfico, escrito de mim para mim mesmo, expondo em detalhes a minha própria miséria. E foi desta forma que cheguei aos versos 16 e 17 e deparei-me com o imponderável: “quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso; até que entrei no santuário de Deus; então entendi eu o fim deles”. Tomei um choque! Despertou o meu espírito! Era à virada do “jogo”, a virada da “mesa”, a virada do “vento”, a virada da vida, retorcida para ser reinventada, refeita, revivida, reescrita de ponta a cabeça, posta ao contrário, disposta ao avesso.   

Na minha perplexidade, lembrei-me de Malaquias: “então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem”. Estou bem certo, “o jogo” ainda não terminou, pois o Juiz continua assentado no Trono, e tem todas as coisas sob Seu controle e poder. Certamente Ele me fará justiça, e porá diante de mim uma mesa na presença dos meus adversários e ali me ungirá a cabeça com óleo.

Quão maravilhoso é este salmo 73! Ele me ensinou que ri melhor quem ri por último, me fez lembrar que eu tenho um Deus nos céus, “que mal me poderá fazer o homem”? Sim, estou seguro de que paz e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e “habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre”.

Carlos Moreira

Mais Lidos

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More