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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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10 fevereiro 2011

Bancos de Ferro


Procusto, personagem da mitologia grega, vivia perto da estrada de Elêusis. Costumava atrair para sua casa, de forma hospitaleira, viajantes solitários oferecendo-lhes abrigo para passar a noite. Ali ele possuía duas camas de ferro, uma menor e outra maior que, “caridosamente”, cedia ao visitante. Entretanto, depois que a vítima adormecia, Procusto a dominava para tentar adequá-la da forma exata ao tamanho do leito. Se o sujeito era alto, e passava das medidas, ele cortava os pés com um machado; se era baixo, esticava os seus membros com cordas e uma roldana. Ao final, mesmo mutilada, a pessoa acabava conformando-se adequadamente ao tamanho da cama, satisfazendo assim o mimetismo e o transtorno obsessivo compulsivo de Procusto.

Olhe para as igrejas dos nossos dias! Veja se os bancos não se parecem com “camas de ferro”? Veja se a mensagem que atrai as pessoas não parece com o “maravilhoso” convite de Procusto aos incautos? Triste, mas o cristianismo de hoje está apenas produzindo bonecos autômatos, ou seja, seres caricaturados, estereotipados, gente de uma rigidez e frieza cadavérica inigualáveis.

Com tristeza percebo que a mensagem, ao invés de fomentar a vida, semeia a morte, ao invés de produzir quebrantamento e pacificação interior, gera presunção e julgamento, ao invés de construir o ser, desconfigura a alma, ao invés de atrair as pessoas, produz nelas repugnância...


Ser crente, nesta geração, é ser engessado, alguém que foi customizado pela igreja como um

produto em série, alguns até vêm com chip! É gente sem consciência, sem senso crítico, apenas um membro de uma confraria de escolhidos que pensa que o sagrado pode ser cartelizado e o Evangelho, normatizado como se fosse uma franquia do divino. Ah moçada, quão distante tudo isso está da mensagem de salvação de Jesus!

Que seja utopia, mas eu desejo um cristianismo que produza gente de barro e não bonecos mecânicos, pois o barro nas mãos do oleiro ganha forma e pode ser moldado novamente, caso o objeto quebre ou perca o seu valor.

Gente de barro é entretecida nas mãos do arte-são, daquEle que cria o “vaso” com vistas a dar-lhe um propósito e um significado. É obra da manufatura diária da vida, que pacientemente constrói coisas boas e belas. Chega de esticar e cortar as pessoas para torná-las iguais, um fiel padrão! Isso pode até fazer sentido na nossa cabeça, adoecida pela religião, mas jamais passou, nem de longe, pelo coração do Pai que está nos céus.

Carlos Moreira

25 novembro 2010

O Funeral da Catedral


Introdução


“Quincas Berro D’água”, personagem do livro de Jorge Amado, era um funcionário público, pai e marido exemplar, até a sua aposentadoria. Daí para frente, jogou tudo para o alto e passou a viver no baixo meretrício de Salvador, afundado na bebedice e na jogatina. Quincas morreu de forma triste e solitária. Os amigos, sentindo sua falta, foram ao seu encontro e, sem perceber que ele estava morto, pois estavam embriagados, saíram arrastando-o pelos bordéis da cidade. A gandaia só foi terminar de manhã, num saveiro, onde Quincas, que estava jogado num canto do barco, escorregando pela beirada do mesmo caiu ao mar e desapareceu nas águas da Bahia.


Quando olho para o cristianismo de nossos dias, para a instituição que o representa – a igreja –, para os postulados que tenciona defender, para as convicções que almeja fomentar, para as transformações que pretende introduzir, para os conteúdos que propõe anunciar, para os líderes que consegue produzir, para as dores que deseja aliviar, acabo achando tudo muito parecido com a história de “Quincas Berro D’água”. No fundo, a sensação que tenho é que nós estamos arrastando um “defunto”, talvez até, sem perceber!


Um dos piores problemas do cristianismo sempre foi a sua falta de senso crítico. De fato, de Constantino até os nossos dias, a fé cristã “evoluiu” bastante como religião organizada e institucionalizada, tornando-se, sem dúvida alguma, um fenômeno de massa, um “sucesso”! Entretanto, do meu ponto de vista, involuiu drasticamente como proposta de ressignificação da existência e de apaziguamento do ser através de uma relação íntima com Deus por meio de Jesus Cristo. Myles Munroe, conferencista internacional, no seu livro “Understanding your Potential”, afirma que “o sucesso é o grande inimigo do progresso”. Ele usou a expressão para se referir aos riscos existentes em todo empreendimento quanto ele alcança um expressivo êxito em seus objetivos. Diante do pressuposto, pensei: não seria esta uma das causas que tem levado a igreja ao explícito enfraquecimento atual?


Uma Crise Global: Ética, Moral e Espiritual


O fato é que o cristianismo enfrenta problemas sérios, e isso não tem mais como ser escondido. A exceção de algumas partes do continente Africano, onde os números atestam para uma expressiva adesão a fé em Jesus Cristo, a despeito de qualquer ligação confessional, em boa parte do resto do mundo a coisa vai de mal a pior.


No continente Asiático somos, simplesmente, insignificantes. O Hinduísmo, o Islamismo e o Budismo são maioria absoluta. A famosa Janela 10/40, uma faixa de terra que vai do oeste da África até a Ásia, revela que cerca de 3,2 bilhões de pessoas, que vivem em 62 países, ou seja, mais de 50% de todos os habitantes do planeta, ainda não foram evangelizados. Neste território estão contidas megalópoles como Tóquio, Calcutá, Bagdá e Bancoc. Dados da Junta de Missões Mundiais atestam que no Japão existem 3% de evangélicos, na Índia 1%, no Iraque 0,5% e na Tailândia 0,3%, que são, respectivamente, os países destas cidades citadas anteriormente.


Na Europa, um dos lugares onde a crise é mais grave, a falência do cristianismo é um fato concreto e, talvez, irrecuperável. No velho continente, a igreja cristã, tanto Católica Romana, quanto Protestante, está agonizando. Na Itália, por exemplo, país onde 95% da população está vinculada a Sé de Roma, só 30% vai à igreja. Na França, há cidades onde os Mulçumanos são maioria absoluta em relação aos Cristãos. 40% dos britânicos, tradicionalmente Protestantes, declararam não acreditar em Deus. Em artigo recente, a jornalista Adele M. Stan, articulista do jornal New York Times, escreveu que “a rejeição da Europa ao catolicismo tem menos a ver com a perda da espiritualidade e mais com a falência da instituição”.


Mas a crise não para por aí... Nos Estados Unidos e no Canadá o cristianismo também entrou na UTI. Na América os escândalos de pedofilia da Igreja Romana abalaram o mundo todo, tendo inclusive desencadeado uma forte reação do Vaticano e, em ambos os países, as igrejas Protestantes, algumas de origem histórica, sobretudo a Igreja Episcopal, vem enfrentando graves problemas de desvios doutrinários com questões ligadas a uniões de pessoas do mesmo sexo, inclusive sacerdotes. Um escândalo sem precedentes...


Brasil: Mostra a tua Cara


No Brasil, maior país Católico Romano do mundo, que representa quase metade da América Latina, a crise não parece ser perceptível, porém, certamente, mais cedo ou mais tarde, será. A fé cristã continua perdendo sistematicamente fiéis para as religiões de origem Afro e também para as seitas espiritualistas. Outro fato preocupante é a migração adensada, sobretudo nos últimos 15 anos, de fiéis tanto da Igreja Romana, quanto da Evangélica – tradicionais e históricos – para as chamadas igrejas Neo-Pentecostais.


O neo-pentecostalismo no Brasil é um capítulo à parte. Ele tem como precursor a Confissão Positiva de Gossett e Hagin nos Estados Unidos, na década de 1980. Seu arcabouço teórico é o que denominou-se chamar de “Teologia da Prosperidade”, uma doutrina baseada em promessas de sucesso e felicidade. A estratégia eclesiástica, que tem arrebanhado milhões de pessoas, está baseada no trinômio: discipulado manipulativo, hermenêutica tendenciosa e cultos de catarses. Numa época de “igrejas cegas”, uma que tem um olho vesgo vira majestade!


Não se deixe iludir, a situação é gravíssima! Não acredite em estatísticas triunfalistas, elas são fraudulentas! Infelizmente o último censo do IBGE não contemplou a questão das pessoas que abandonaram igrejas. Gente séria, que lida com dados, estima que o número de evangélicos “desviados” é superior ao número dos que afirmam pertencer a alguma denominação. Se de fato representamos algo em torno de 25 milhões de pessoas, temos, pelo menos, o mesmo número de gente que, tendo aceito de bom grado a mensagem da salvação, acabou vindo a rejeitar a mensagem e o proceder da igreja. Agora, imagine o que acontecerá quando esta legião de gente iludida, que hoje encorpa as fileiras das igrejas Neo-Pentecostais, se decepcionar com “Deus” por não ter recebido a “benção” que lhes foi prometida? Viraremos o novo continente Europeu, onde as catedrais tornaram-se boates? Deus se apiede de nós!


Olhando para Dentro Antes de Olhar para Fora


Se quisermos ser honestos e verdadeiros, veremos que a Igreja Cristã como um todo não está preparada para enfrentar os desafios do século XXI. Aliás, aqui cabe, inclusive, perguntar: você acha que a igreja, do jeito que está, vai sobreviver a este novo milênio? Se não, que igreja, então, sobreviverá? Quais serão suas características? Que perfil terá os seus líderes? Será possível articular e contextualizar a milenar mensagem da salvação às idiossincrasias do mundo pós-moderno? Como usar a hermenêutica e a exegese de tal forma a não desprezar a ortodoxia histórica, nem sufocar as questões prementes de nosso tempo? Não me leve a mal, mas se sua igreja não está refletindo estas questões ela é uma séria candidata a virar defunto, se é que já não virou! Acorde: igrejas também morrem!


Sendo pragmático, creio que a situação do cristianismo ainda não aponta para uma morte súbita. Sua patologia, entretanto, sugere o diagnóstico de uma doença crônica, que vem avançando desde o século XVIII, com o secularismo e iluminismo. No século XX o existencialismo deu mais um duro golpe na fé cristã e, nos dias atuais, uma soma de fatores como o modernismo, o relativismo e o multiculturalismo, servem como elementos desestruturadores da igreja e de sua mensagem. A verdade é que as pessoas estão cada vez mais desiludidas com a proposta cristã. Ser religioso, nos nossos dias, é sinônimo de ser obscurantista, moralista, hipócrita e até manipulador. Eu que sou pastor que o diga...


Olho para a igreja e vejo a tragédia na qual estamos mergulhados. Nossos púlpitos estão esvaziados, a mensagem é direcionada para atender as exigências dos ouvintes, não suas necessidades. O discipulado se resumiu a um enfadonho estudo bíblico, não é mais a vida sendo ministrada através da experiência prática e da convivência fraterna. Os programas, recursos aos quais recorremos para entreter pessoas, ocuparam o lugar da oração, do jejum e do estudo aprofundado das Escrituras. As famílias vivem um drama a parte. Separação já virou coisa natural, até mesmo de líderes e pastores. Por isso tanta miséria social, tanta catástrofe! A Terra foi ferida com maldição, pois os entes familiares não converteram os seus corações uns aos outros. Nossos filhos não sabem nada sobre a nossa fé e, quando sabem alguma coisa, nunca a transformam em prática de vida. Talvez porque faltam-lhes exemplos...


Somos tão presunçosos que continuamos utilizando métodos e formas do século XIX, como se eles fossem eficazes no século XXI. Não são! É um fato! Precisamos acordar! Muitos dos nossos programas não conseguem mais atingir as pessoas. Perdemos terreno para outras seitas que parecem entender o nosso mundo e as pessoas que nele vivem bem melhor do que nós. Nossos líderes são fracos, não foram treinados, não sabem, sequer, interpretar os textos mais elementares. Até em termos de administração e finanças nós ficamos a dever. Nem avançamos no espiritual, nem damos conta do natural. Trágico, convenhamos!


Diante deste contexto nefasto, há algo que ainda possa ser feito? Há! Mas tem que ser feito logo, de forma inteligente e planejada. Todavia, e é bom não esquecer, devemos começar por onde tudo, em toda a história, sempre começou, quando grandes mudanças aconteceram: no arrependimento. Sem ele, sem um olhar que nos permita ver que estamos “nus”, sem o desejo de continuar reformando aquilo que apenas começou com a Reforma, sem quebrantamento, sem humilhação perante o Senhor da Igreja, sem confissão de culpa, sem desapego de vaidades, sem o desmantelamento de estruturas adoecidas, nunca conseguiremos recolocar a igreja no lugar onde Deus deseja que ela esteja. Creia-me: se esta geração falhar, a bronca ficará para a próxima...


Semelhanças Entre o Passado e o Presente


Foi mais ou menos isto que aconteceu nos dias de Josué. Diz as Escrituras: “Depois que toda aquela geração foi reunida aos seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel”. Jz. 2:10. O contexto do texto é o estabelecimento do povo Hebreu na terra de Canaã. Moisés, o líder que havia tirado o povo do Egito, já havia falecido. Em seu lugar assumira o “moço que ficava a porta da tenda”; Josué. Aquela geração foi testemunha dos feitos do Senhor e guardou as Suas leis e preceitos, conforme lhes fora ordenado. Contudo, eles falharam no ensino e na propagação da mensagem e esta falha lhes saiu muito caro...


A continuação do texto de Juízes nos mostra as conseqüências desastrosas do que aconteceu. O povo, sem referências de quem era Deus, sem uma vida pautada em princípios, sem experiências práticas que significassem sua fé, foi se extraviando e se afastando do Senhor. Abandonaram o Deus de seus antepassados e seguiram a adorar deuses estranhos, prestando culto a Baal e Astarote. Por conta disto, a ira do Senhor se acendeu contra Israel e Ele os entregou nas mãos dos invasores que os saquearam, havendo para toda aquela geração muita dor e muito sofrimento.


A história está aí para que aprendamos com ela. Se isso não nos for possível, de fato, somos uma geração obtusa e arrogante. Ainda há tempo de reconhecermos nossos equívocos e voltarmos ao Senhor nosso Deus! Estamos vivendo uma espiritualidade banalizada e uma fé dessignificada. Nossas igrejas estão cheias de um amontoado de gente perdida e vazia, que transformou o evangelho em barganhas com o sagrado, que esqueceu dos preceitos e princípios do Reino e passou a viver pelo sistema caído do mundo que nos cerca, adorando aos “deuses” deste tempo.


Fim dos Tempos ou Nova Era?


Por outro lado, correndo paralelamente as fragilidades da igreja, está aí a Nova Era. Diferentemente do que muitos pensam, Nova Era não é uma religião, nem mesmo uma seita, mas uma espécie de “sentir” deste final dos tempos. Ela está misturada a todas as coisas, inclusive, a mensagem de salvação de algumas correntes da igreja. O movimento da Nova Era é uma miscelânea de ensinos metafísicos, de influência oriental, de linhas teológicas, de crenças espiritualistas, animistas e paracientíficas, que tem como proposta um novo modelo de consciência moral, psicológica e social além de integração e simbiose com o meio envolvente, a natureza e até o cosmos. Sim, amigo, eles sabem como “enfeitar o bolo” e “vender a festa”.


A Nova Era está conectada com as demandas deste tempo, com os dramas das pessoas, suas angústias, medos e perplexidades. Para cada questão tem uma resposta clara, objetiva. Fala da necessidade de uma nova ordem mundial de unificação global, ou sobre o fato da cultura ser determinada ecleticamente, respeitando a diversidade dos povos do mundo. Propõe acrescentar ao estilo de vida capitalista elementos do Budismo, Hinduismo, religiões africanas, e outras tradições místicas – tudo conforme o gosto de cada um. É a religião self-service!


Contudo, há um ponto determinante na proposta da Nova Era que afeta diretamente a Mensagem do Evangelho de Jesus Cristo: o fim das diferenças entre as várias religiões. Segundo seus postulados, todas as religiões adoram o mesmo Deus e, partindo-se de uma cosmo visão ecumênica, todas poderão aprender muito mais umas com as outras e isto, obviamente, permitirá uma melhor compreensão de quem é Deus. No fundo é uma espécie de “todo caminho dá na venda”. É pouco ou quer mais?


Você já ouviu falar do “Ponto de Mutação”? Trata-se de um tratado científico em que o físico Fritjof Capra, com uma aguda crítica ao pensamento cartesiano na biologia, medicina, na psicologia e na economia, explica como a nossa abordagem, limitada aos problemas orgânicos, nos levou a um impasse perigoso, ao mesmo tempo em que antevê boas perspectivas para o futuro e traz uma nova visão da realidade, que envolve mudanças radicais em nossos pensamentos, percepções e valores.


Capra se inspirou nos escritos do I Ching, – Livro das Mutações, um texto clássico chinês, milenar, composto de várias camadas sobrepostas ao longo do tempo – que expressa que "depois de uma época de decadência chega o ponto de mutação". Ele pondera que os movimentos sociais dos anos 60 e 70 representaram na verdade o início de uma nova cultura em ascensão, destinada a substituir as nossas rígidas instituições e suas tecnologias obsoletas. É a era de Aquários! No fundo, as premissas de Capra estão mais do que nunca conectadas aos pressupostos da Nova Era e, desgraçadamente, é esta “mensagem” que está atraindo as pessoas, e não a única mensagem que pode transformar de fato o homem, de dentro para fora, dando a ele valor e significado, a mensagem de Jesus Cristo!


A Nova Era é mais perigosa do que qualquer outra seita ou religião, sobretudo porque não se “vende” como tal. Ela é uma espécie de “oxigênio”, que não se pode ver, mas que se pode sentir. Almeja estar em todo lugar, buscando ocupar todos os espaços vazios de tal forma que, sem ela, nada que possua vida possa existir. Você está preparado para enfrentá-la? E sua igreja, está?


Conclusão


Se a esperança é a última que morre, é bom você começar a passar o terno para o funeral da catedral. A igreja, conforme a conhecemos hoje, ou muda radicalmente sua forma de ser, seus programas, seus modelos, sua estratégia, sua liderança e até mesmo a forma de anunciar a mensagem da salvação, não subtraindo-lhe as verdades e conteúdos, mas repensando os meios e as formas, ou veremos o cristianismo, como religião institucionalizada, perder cada vez mais espaço para outras confissões, mergulhando assim num ocaso sem precedentes.


Diante de tudo isto, o que me deixa tranqüilo e seguro é saber que, mesmo que esta “peleja” seja perdida, o campeonato, contudo, já está ganho. Aleluia! Haverá um dia onde o Leão da Tribo de Judá, reunindo seus anjos e arcanjos virá buscar a Sua Igreja. Se ela será esta que aí está, não sei. Sinceramente, espero que não! Mas, certamente, existe uma Igreja, invisível e indivisível, aconfessionalista, que ama a Jesus mais que a tudo, que guarda os Seus mandamentos e que espera ansiosamente a Sua vinda. Esta, sem dúvida, nunca sucumbirá, pois está destinada ao triunfo e a vida eterna ao lado do seu “Noivo”.


Meu desejo e minha oração é que, tanto eu, quanto você, estejamos sempre almejando por fazer parte desta Igreja, e que jamais venhamos a ser como os amigos de Quincas Berro D’água, que arrastaram o defunto noite a dentro até ele afundar nas águas profundas do oceano. Que tal não aconteça com as nossas catedrais!


Carlos Moreira

05 outubro 2010

Desesperado com o Inesperado

"Na vida, você precisa ou de inspiração ou de desespero". Anthony Robbins. O desespero é algo universal e todos os homens o vivenciam, mesmo não tendo consciência plena dele.

Soren Kierkegaard, teólogo e filósofo dinamarquês do século XIX, um dos pais do existencialistmo, dedicou sua vida para entender o desespero no qual o ser humano, pela sua condição de estar no mundo, vive cotidianamente. Na sua obra "Desespero Humano - Doença até a Morte", ele procura refletir sobre o seu significado, tendo como questão principal a seguinte temática: será que o desespero advém, exclusivamente, de acontecimentos externos?

A princípio, para a grande maioria das pessoas, sim. É que a tragédia não marca nem dia nem hora para acontecer; materializa-se surgindo do nada e é sempre acompanhada por um poder avassalador. Num abrir e fechar de olhos destrói sonhos, desfaz esperanças, suspende projetos em andamento, acaba com relacionamentos afetivos, desconstrói histórias de sucesso, faz até mesmo cessar a vida, arrasa tudo o que encontra pelo caminho.

De fato, o desespero é muito mais do que um fenômeno social motivado apenas por fatores externos, mas, consiste também, de questões emocionais e interiores que podem nos remeter ao fracasso ou ao triunfo. O homem em desespero costuma se considerar uma vítima das circunstâncias, porque o desespero acaba revelando a nossa miséria e a nossa grandeza, trata da oportunidade de nos chegarmos a nós mesmos, ao nosso eu próprio. Quando esta “estação da vida” chega, surge com ela um momento singular, pois a crise pode levar-nos à superação de muitas de nossas interjeições e desencontros. Por isso, cabe perguntarmos: o que devemos fazer diante da perplexidade das tragédias? É legítimo, em situações como estas, indagar: será que existe Deus? Será que Ele me ama? Por que isto aconteceu justamente comigo?
Olhar para a tragédia exige um olhar desprovido de autocomiseração. É preciso, antes de tudo, entendê-la como sub-produto do fato de existir, do acumular nos pés a poeira que se faz pelo caminho da existência humana. Por isso, mesmo nas situações mais adversas, é possível semear no coração algo de bom, ainda que haja de se ter reverência para com a dor. Mas isto só é possível quando não sucumbimos em meio aos raciocínios simplistas, as construções fatídicas. Na verdade, o dia da perplexidade e do desespero sempre chega, e ele, invariavelmente, é solitário, por que surge da aparente indisponibilidade de Deus para conosco. Seu maior perigo não está na concretude dos fatos em si mesmos, mas nos desdobramentos que, a partir deles, podem sobrevir sobre a alma humana.
Foi justamente isto o que aconteceu com Jó, um homem atingindo por uma das maiores catástrofes narradas pela Bíblia Sagrada. Nela encontramos a “anatomia da tragédia”, a forma concatenada e quase planejada como, por vezes, a vida parece conspirar contra nós. E é aqui, neste vale da sombra da morte, onde teremos de escolher entre apaziguar o coração e aquietarmo-nos diante do inexplicável e do imponderável, ou darmos vazão a ira, ao ódio, ao medo, e permitir que se instaurem em nós as pulsões geradoras da amargura e da morte.
Mas quem é Jó? Curiosamente, não é um Hebreu, não é um “homem de Deus”, um membro da “fé institucionalizada” de Israel. Ele está para além das genealogias do sagrado, das heranças baseadas no “DNA de Abraão”. Contudo, no texto escrito cerca de 2.500 anos a.C., nos deparamos com um homem inculpe, reto, que teme a Deus e se desvia do mal. Casado, pai de 7 filhos e 3 filhas, Jó é um latifundiário próspero, dono de muitas terras, de rebanhos e manadas. Tem a seu serviço servos e servas e é tratado como o maior de todos os do Oriente. Não fosse isso bastante, é ainda um indivíduo devotado a valores – generoso, solidário e leal.

O texto do livro que tem o seu nome, por ser de estilo poético, e não narrativo, sem as preocupações sócio-históricas que dariam contornos outros ao seu drama, não retrata com detalhes a dimensão da desgraça que lhe sobrevém. O fato é que certo dia, Jó, sem qualquer explicação, sem que haja um motivo aparente, sem que exista uma lógica mensurável, sem que se delineie uma questão plausível, é alcançado pela tragédia. Vitimado por duas calamidades da natureza, fogo do céu e ventos do deserto, perde todas as suas plantações e terras e, conjuntamente a tudo isto, recebe a pior de todas as notícias de sua vida: seus filhos, filhas e netos estão todos mortos.

O desdobramento de todos estes fatos produz a desconfiguração existencial de Jó. Alquebrado pela vida, vitimado pelo inesperado, descontruído emocionalmente, ele começa a somatizar suas perdas através de tumorações que lhe rasgam a carne, feridas que vão dos pés até a cabeça. Não fosse isto o bastante, ainda tem de lidar com três amigos santarrões que, a todo custo, tentam lhe convencer de que tudo aquilo é fruto de um grande pecado que ele cometera e que insistentemente não confessara a Deus. Até a sua própria mulher, que já não suporta mais vê-lo em tais condições, dá-lhe como conselho o seguinte: “blasfeme contra Deus e morra!”.  

Como você se comportaria diante de algo desta magnitude? Eu penso que, o mínimo a ser feito, é requerer da vida uma explicação, um motivo, uma justificativa. E Jó vai em busca dela... Ele procura respostas, pede e até as exige. A sua boca se abre e dela sai uma dor que não se compara a nada. É a dor que dói por fora e por dentro, de dia e de noite. E é aí, neste estágio, não raro extremamente perigoso, onde começam os infindáveis e insondáveis questionamentos da razão humana: por que nasci, diz Jó? Por que isto me acometeu? Por que não morro de uma vez? Por que permites isto, Senhor? Por quê? Por quê? Por quê? É a queixa de um farrapo humano desesperado com o inesperado!

Mas, para todo inexplicável, sempre há algum tipo de explicação... Os existencialistas dizem que não há qualquer padrão na ordem dos fatos e das coisas e que tudo se desenvolve a partir de um movimento desordenado das escolhas humanas. Os espiritualistas dizem que a vida desenvolve-se a partir de um carma pré-concebido e que os seres humanos têm de experimentar as tragédias para poderem purgar os males de existências passadas. Os filósofos acreditam que o universo físico é regido por leis exatas, mas que a desordem e as injustiças não combinam com a existência de um Deus soberano. Assim, a tragédia é um acontecimento aleatório e sem qualquer propósito. Os religiosos falam que o trágico é conseqüência de uma teologia moral de causa-efeito que remete o ser humano a experimentar a desgraça sempre que ele faz algo que vai de encontro a Deus. Se alguém está sofrendo, é porque pecou.

E eu, na minha perplexidade, como alguém que já se deparou com o desespero muitas vezes, que conhece estes “ambientes” não apenas de ouvir falar, não de vislumbrá-los em livros, olho para estas definições de gaveta e não me satisfaço com nenhuma delas. Sim, de fato, elas não me servem como possibilidades de explicar a dor e o desespero humano, se é que isto, em si mesmo, pode supor algum tipo explicação. Jó, como bem diz Caio Fábio no seu livro “O Enigma da Graça”, tenta a partir de sua dor e desespero descatastrofizar a existência alcançada pela catástrofe, de tal forma a poder se livrar de todos os seus medos, inquietações e frustrações. Ao final o que encontramos no seu Livro é uma porção das Escrituras que fala da Graça, e não da desgraça. É o depoimento de um homem que mesmo em meio ao caos total, busca encontrar um bem maior, um sentido mais amplo, um propósito mais sublime para o que lhe acontece, pois, diz Jó, “eu sei que o meu Redentor vive e, por fim, se levantará sobre a Terra”.  

E assim, após cessarem todas as indagações, após retirarem-se todas as indulgências pessoais, após secarem-se as lágrimas e subtraírem-se todas as lamúrias, após o mar revolto ter se aquietado e os ventos tornarem-se brisa suave de fim de tarde, quando a escuridão da noite se fez luz do amanhecer que veio abraçar o raiar do dia, Deus pôde, enfim, falar com Jó. E aquele homem, desencontrado de si mesmo e de sua própria alma, começa a ser reconstruído, de dentro para fora, num novo ser, pois diz Jó, capítulo 42:1 “sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos será frustrado”.

No fim das contas, a melhor coisa que a tragédia pode fazer é nos levar a rendermo-nos a soberania absoluta e inquestionável de Deus. A dor, talvez, jamais nos deixe, mas, se serve como consolo, “temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo”. 2ª Co. 4:7-10.

Carlos Moreira

27 agosto 2010

Além do Horizonte



“Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito pra viver em paz…”. É bem provável que você já tenha ouvido esta canção. É uma composição de Roberto e Erasmo Carlos datada de 1975. Fala de um lugar paradisíaco, onde a natureza está harmonizada com flores e animais silvestres. Neste pedacinho de mundo, pode-se viver tranqüilo, e os apaixonados se dão um ao outro, se amam curtindo o canto dos pássaros.

Mas este lugar que o Roberto fala não existe. Existiu, um dia, mas nós o perdemos. Pode ainda estar em algum lugar, em alguma “camada” que não temos acesso, mas no seu portão tem uma placa dizendo “temporariamente fechado”. O mundo no qual vivemos é outro, feito de cardos e abrolhos, de dores e dramas, medos e sombras. O paraíso do rei só existe em sua poesia...

Como disse um amigo: “a vida é bela, mas o mundo é mau”. E foi sob esta perspectiva que, na semana passada, ouvi essa história... Um alto executivo, de uma multinacional, pediu demissão. Exaurido, depressivo, largou o bom emprego, as vantagens, as comissões, tudo, e foi embora. Deixou a mesa vazia, poucas lembranças e amigos. Fez uma carta de despedida e, ousadamente, enviou para diretores, gerentes, executivos, e para o corpo funcional. Seu teor era triste e trágico.

Num punhado de linhas mal traçadas, onde a razão deu lugar à emoção, o homem dizia-se esmagado. Tanta pressão por metas, tantos “desafios” por números, o fizeram perder seu eixo existencial. Já não tinha tempo para nada. Não foi capaz de acompanhar a infância dos filhos, dessignificou o casamento, pois conjugalidade é coisa para ser vivida a dois, e ele estava sempre viajando, ausente. Sua rotina estava circunscrita entre um e-mail e outro, um telefonema e outro, um projeto e outro, um cliente e outro, uma reunião e outra. E assim, entre uma coisa e outra, a vida aconteceu e ele não a viu passar. Agora, arrependido, queria buscar novos horizontes...

A carta gerou comoção! A reação geral foi de estupefação! O conselho reuniu-se, os acionistas foram chamados, a diretoria apresentou propostas, novos planos foram traçados. Ao final, diante de fatos tão marcantes, tomaram uma decisão: em vista das metas e desafios da empresa ser tão elevados, aqueles que mais produzissem seriam bonificados com uma premiação extra! Ah, agora sim, agora eles haviam entendido o que todos queriam! Enfim, aparecera uma decisão sensata, acertada...

Deixe-me perguntar: qual é o seu horizonte existencial? Para onde vai a sua vida? Em busca de que você está? O que move o seu coração. Jesus nos ensinou que deveríamos vencer o mundo, mas nós queremos vencer NO mundo! Queremos chegar ao topo da pirâmide profissional, queremos ir aos píncaros da glória humana, queremos ser a capa da Você SA. É a “cultura dos campeões”! É a sociedade que só exalta os vencedores, os que chegam ao primeiro lugar, os que conquistam os melhores cargos, os que moram nos melhores apartamentos, os que possuem os carros mais caros, as roupas de grife...

Aqui, ali, encontro uns poucos que conseguiram realizar estes “sonhos”. Entre uma esquina e outra falo com quem chegou “no topo”. Eles não me parecem bem. Estão envelhecidos; aparentam ter 20 anos mais do que tem. A grande maioria venceu na profissão e fracassou na família. Conquistaram tudo e agora estão esvaziados de sentido, estão ocos de valores e propósitos. Olham para mim e me perguntam: o que vou fazer agora que já tenho tudo?

Lembro-me de um caso... Eram quatro horas da manhã e meu telefone tocou. Do outro lado da linha um dos mais bem sucedidos profissionais da minha cidade. Mora num apartamento de 450 m2. com todos os requintes possíveis e imagináveis. Ele me disse, com voz embargada, “quero paz!”. Lembrei, novamente, de Jesus “a minha paz vou dou”. Não era a PAX Romana, conseguida com guerras intermináveis, à custa de um exército que mal sabia como era a capital do Império, pois só vivia nos campos de batalha, longe de casa, da família. Não, a paz de Jesus era outra, era aquela que aquietava a alma e pacificava o coração mesmo em meio às tragédias.

E foi com esta simplicidade que Jesus arregimentou não um exército, mas um punhado de discípulos para segui-Lo. Um simples chamado: “vem e segue-Me”, era suficiente para fazer o sujeito deixar todo o seu projeto de vida e ir adiante. Para onde? Não se sabia. Fazer o que? Muito menos. O “patrão” não assegurava nada! Nem vantagens, nem seguro saúde, participação nos resultados, plano de carreira, nem mesmo um curso de outra língua – quem sabe o Grego – nada! Simplesmente nada! Era ir aonde o Espírito os enviasse e viver a maior aventura humana na Terra.

E foi assim, num dia comum que, andando pela praia, Jesus encontrou João, um dos que foi convocado. João era irmão de Tiago e estava junto com seu pai, consertando as redes para ir pescar. A impressão que eu tenho é que João tocava um negócio de família, pois eles tinham o seu próprio barco. Talvez fosse um negócio bom, talvez João tivesse um grande futuro como empresário no ramo pesqueiro. É provável que assim como seu pai, também seu avô tivesse sido pescador. Era um ofício de gerações, transmitido de pai para filho.

Ali estava João e o seu mundinho, mas, naquela manhã, Jesus apareceu para “bagunçar” tudo... Seu horizonte existencial media 20 km. de cumprimento por 12 Km. de largura. Ele chamava-o de Mar da Galiléia, mas era apenas um lago. A vida de João era a vida do pescador, mesmice, sal e suor. Consertava as redes, saia cedo para pescar, passava o dia no “mar”, voltava a tarde com o produto do trabalho, vendia ali mesmo ou na cidade os peixes capturados, amealhava alguns trocados, voltava para casa, dormia, e começava tudo de novo no dia seguinte...

Tenho encontrado muita gente com a “Rotina do João”: comendo para trabalhar – trabalhando para comer. E a vida vai passando, como um trem veloz que não para na estação. Mas naquela manhã, os horizontes de João se abriram para uma nova vida: “vem e segue-Me”. Era um convite inusitado! “João, paralelamente a sua vida, há outra para ser vivida, uma que vai lhe levar a olhar a existência com outras lentes, que vai significar os seus dias, que vai lhe transformar de dentro para fora, de “filho do trovão” para o “apóstolo do amor””.

O convite de Jesus quebrou os paradigmas de João: “você pesca peixe. Eu lhe proponho pescar homens!”. Quem poderia resistir!? Além do horizonte do Mar da Galiléia, havia uma nova vida disponível! João continuaria comendo peixes, mas receberia da boca do próprio Deus pão em forma de palavras eternas, alimento que o sustentariam por toda sua existência.

Lembro-me dos últimos dias de João na Ilha de Patmos. Ali estava um homem idoso, com 96 anos, cansado, desgastado pelas lutas de sua vida. Aquela altura, havia sido testemunha de milagres extraordinários, mas também de muitas mortes, algumas das quais de amigos íntimos. Era um homem corroído pelo tempo, mas seu coração estava cheio de graça e esperança, pois mesmo preso e solitário, ainda carregava no semblante a paixão daquele primeiro encontro com o Galileu, naquele pequeno lago que era o seu “mundinho”.

Caio Fábio, no seu livro “O Apocalipse das Igrejas”, diz que na vida de João tudo começou com o Cordeiro e tudo terminou com o Cordeiro. O Alfa e o Ômega esteve sempre ao seu lado. Naquela pequena ilha, onde nada mais poderia acontecer, aquele “velho” ainda teria a visão do Deus que um dia se apresentou como Cordeiro, mas agora lhe aparecera como Leão! E a ele, talvez o único dos apóstolos a não ser martirizado, é feita a grande revelação do Apocalipse. É o fechamento de uma história de amor, não de uma história de sucesso...

Além de seu horizonte, de seu mundinho, há um lugar onde Deus lhe espera para, juntos, vocês começarem a construir algo novo. Há uma vida dentro da sua vida esperando para desabrochar, para ser vivida! Este chamado – vinde a Mim – vai mudar o seu eixo existencial, transformá-lo de dentro para fora, ressignificar os seus dias, mudar sua percepção de mundo, quebrar seus paradigmas, destruir seus preconceitos. Você deseja experimentar tudo isto? Então vem! Siga-O...

S O L A   G R A T I A  !

Carlos Moreira

13 agosto 2010

O Lado Escuro do Ser


Introdução

“Dark Side of the Moon” é, sem dúvida, o melhor trabalho do Pink Floyd. Lançado em 1973 tornou-se o terceiro disco mais vendido de todos os tempos, ficando 14 anos consecutivos entre os melhores na parada da Billboard.

Eu, que sempre fui apaixonado pela banda, tive contato com o álbum aos 11 anos de idade, mas só vim entender sua proposta tempos mais tarde... Em suma, tratava-se de um disco conceitual que buscava abordar temas existenciais da década de 1970, entre eles: tempo, dinheiro, drogas, loucura, guerra e morte.

Sem muitos rigores, “Dark Side of the Moon” poderia ser traduzido como “O Lado Escuro da Lua”. Não sei se é mito, mas conta-se que a inspiração para o título veio de uma afirmação do guitarrista Syd Barrett, um dos pioneiros do grupo, que de certa feita afirmou: “todo mundo pode ver a face clara da lua; mas quem pode ver o seu lado escuro?”.

Não é sem motivo que a frase de Barrett sempre me fez lembrar da “Parábola do Publicano e do Fariseu”. De forma livre, “amplificada” por alguns comentários próprios, transcrevi o texto tomando por base a narrativa do Evangelho.

O Fariseu e o Publicano – Lucas 18:9-14

Jesus apresentou essa estória a algumas pessoas que se achavam boas e que por isso pensavam ser capaz de promover sua própria salvação, desprezando assim aos demais.

Dois homens se dirigiram ao templo para um momento de oração. Um deles era um simulacro religioso. O outro, gente comum, gente como a gente.

O primeiro, uma espécie de traficante do sagrado, posicionou-se num lugar de destaque e, em voz alta, fez um discurso fraudulento, eloqüente, de si, para si mesmo.

Na sua apologia, tratava de feitos “reluzentes” e agradecia por não ser como os “normais”. Já perto do fim da reza vazia, olhou para trás e viu ao fundo a figura desbotada do homem que com ele viera pelo caminho.

Não satisfeito pelo incômodo já causado ao Divino, para arrematar a pantomima, passou então a comparar-se a “triste figura” dizendo: “Deus, quero ainda te agradecer por não ser como este desqualificado, recebedor de propinas, homem de conluios, adúltero, pois, como bem sabes, sou ser religioso, íntegro nos meus caminhos, jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de todos os meus bens”.

E continuou Jesus... O segundo homem, por outro lado, perfilava-se cabisbaixo e introspecto. Encharcado de dores e dramas, achando-se indigno de aproximar-se do altar, preferiu ficar à porta do templo. Com voz baixa e embargada, recitava sua oração como um mantra e dizia: “Deus, sê propício a mim pecador”.

De fato, ali estava alguém com muitas contradições, um filho da terra, caminhante da vida. Tinha nos pés a poeira da miséria humana, era um escrevente de histórias desconexas e protagonista de muitos equívocos.

O absurdo da parábola, entretanto, e contra toda lógica, é a maneira singular como Deus trata os dramas da alma humana...

E continuou Jesus... Estes dois homens vieram a esta catedral em busca de uma aproximação com o sagrado. Um veio movido pelo desejo de exibir seus “experimentos” religiosos; o outro tragado pela necessidade de ter uma experiência com o transcendente.

O primeiro é reflexo da perpetuação da religião sem significados, calcada em exterioridades, produtora de ritos ocos, portadora de palavras de lisonjas, mas incapaz de materializar algo de concreto na vida. Munido de supostas boas obras, imaginava ter o seu proceder autenticado pelo céu e, em função disso, percebia-se tão reluzente como a lua cheia.

Eis a desgraça perpetrada pela religião: a produção de manequins travestidos de “espiritualidade”, arquétipos da fé institucionalizada. Na sua insensatez, vomitou o que de pior havia em seu ser, expurgou sombras profundas sobre o altar. O que para ele parecia ser luz, para Deus eram apenas trevas.

O segundo homem, por sua vez, é um ser em transformação, que tem na reconstrução de sua consciência seu melhor momento existencial. Percebendo a si mesmo, enxergou-se portador de muitas mazelas. Nem ousou comparar-se a nada em baixo na terra, nem se deu ao desplante de requerer qualquer vantagem do céu. Despido de suas máscaras, nada pediu, a não ser um pouco de paz e perdão.

E Jesus concluiu... Ambos vieram em busca de justificação, mas apenas o segundo foi saciado de sua ânsia de vida. O outro, por sua vez, auto-justificado, indulgente consigo mesmo, portador de uma mente cauterizada pela caducidade da “letra morta”, possuidor de um coração pedrado pelas futilidades da existência, tornou para seu caminhar cheio de si mesmo e esvaziado da presença de algo sagrado.

O que expôs as suas trevas, revestiu-se de luz. O que forjou para si a luz, encobriu-se de sombras, injetou veneno na alma e mergulhou em profunda escuridão.


Nos Bailes da Vida...

Tenho uma questão para nós: quando andamos pela rua, ou estamos no trabalho, sentados no cinema, ou em casa com a família, qual lado nosso está evidente: o iluminado ou o escuro? O que vaza através de nossa alma: luz ou trevas? Quem somos de fato: seres performáticos ou andarilhos nus? Commodity de gente, ou humanos singulares?

A pergunta é simplista, mas tem seus porquês... É que no mundo pós-moderno fomos obrigados a viver baseados na “cultura da imagem” a qual, alterando nossos valores, fez-nos existir na perspectiva da “sociedade da aparência”. Desprovidos de conteúdos, nos revestimos de opulência ótica para camuflar nossa miséria ética. Parecer é nosso sonho de consumo! Ser, a agonia-nossa-de-cada-dia.

Deus ama a luz, pois tudo o que é luz traduz-se em vida. Por isso Jesus disse que a nossa luz deveria brilhar em meio aos homens. A afirmação, contudo, está para além de nossa hermenêutica simplória. É que luz, em nossos conceitos, está associada apenas a coisas boas, ações meritocráticas – dar esmola a velhinhos, visitar pessoas enfermas, ir a velórios, e até algumas tidas como “espirituais”, como dar o “dízimo”.

Luz, na perspectiva de Jesus, é tudo aquilo que irradia verdade e vida. Tanto boas obras, tiradas do tesouro do coração, que pela via da reconciliação foi pacificado, como também medos, dores, angústias e contradições. Todas estas matizes, ao vir à luz, revelam em nós o que em nós é verdade e, por assim ser, aniquilam a possibilidade de virmos a nos constituir estelionato existencial.

É assim que pulsões, taras, síndromes, ódios e todas as sombras incrustadas em nossos labirintos profundos se desgrudam de nós, pois tudo o que não produzir saúde e paz acabará sendo expurgado pela luz. Alegoricamente, seria como abrir as janelas de um velho porão para que os raios de sol pudessem entrar. Luz, que tudo revela, lançada sobre a alma, dissipa toda escuridão. Só assim os “ambientes interiores” podem, novamente, reencontrar a paz e a alegria de existir.

Por isso, creia-me, o pior tipo de falsificação sócio-existencial é aquela que tenta produzir luz artificial, e isto com vistas a camuflar a imensa escuridão que há em nós. A sedução para produzir esse tipo de “luz” nos projetará apenas como hologramas caricaturados, e, por fim, acabará nos levando a não reconhecer o que, de fato, somos: “metamorfose ambulante”.


Conclusão

O que eu aprendi com a parábola do Publicano e do Fariseu é que Deus é capaz de ver o lado escuro das pessoas, mas, ainda assim, continua amando-as profundamente. Para Ele, toda escuridão desaguada sobre a luz acaba transformando-se em vida, pois inicia no ser o processo de construção de uma nova consciência, uma “reinvenção” de nós mesmos, de dentro para fora, e isso, no desdobrar da vida, produz uma espiritualidade saudável e uma existência sustentável.

Syd Barrett tinha razão, pois qualquer um pode ver o lado claro da lua. Qualquer um pode ver o que é aparente, opulente ou reluzente. Isso, todavia, tratado da perspectiva dos seres humanos, pode revelar que, não raro, aquilo que parecia ser luz, é trevas, e, aquilo que parecia ser trevas, sendo ressignificado, pode transformar-se em luz.

É certo que Deus sabe que nossa matéria é feita de contradições e nosso coração de ambigüidades. No fundo, somos substância composta de bem e mal, ternura e tormento, sombras e silêncio. Um dia, todavia, seremos como Ele é...

Mas, para o hoje, para o agora, a proposta é vivermos na luz! Viver a vida que tem que ser existencializada na integralidade do que somos. Se for assim, parafraseando Nietzsche, nunca nos renderemos à encenação, como se estivéssemos num baile de máscaras. No palco da nossa vida, os holofotes jamais produzirão dissimulações, pois, como atores desta grande “peça”, nos comprometemos a representar apenas aquilo que, de fato, revela o que o ser é.

Por isso, fuja de toda a possibilidade de se tornar um personagem num teatro de marionetes, pois, saiba, seu significado existencial é ser “barro encarnado”, sangue e suor, mas seu destino eterno é, ressignificada sua consciência, passar de existente a gente, transmutar-se do não ser ao ser de fato.

E não se esqueça: você foi convidado a sentar à mesa, apreciar o cardápio e degustar tudo o que lhe vier como vida, e isso com coração agradecido. Não se furte a nada, pois luz e trevas lhe sobrevirão, dias de sol e de escuridade, mas, com toda certeza “tudo valerá a pena se a alma não for pequena”. E quem entender diferente disto, penso eu, ainda não compreendeu o porquê de Deus gerar seres humanos sobre a Terra.

S o l a G r a t i a !

Carlos Moreira

24 setembro 2009

O Evangelho 3G: Grana, Glamour e Gambiarra


“Uma congregação enorme é algo bom e agradável, mas a maior parte das comunidades precisa mesmo é de alguns santos. A tragédia é que pode ser que eles estejam lá, como embriões, esperando ser descobertos, precisando de treinamento eficiente, aguardando ser libertados do culto à mediocridade”- Martin Thornton

Está inaugurada a portabilidade eclesiástica! Vai ter pastor colocando catraca eletrônica na porta do templo, pelo menos assim dá pra saber (contabilizar) se o fluxo aumentou ou (bate três vezes na madeira da cruz…) se diminuiu. Imagine a cena: uma pessoa chega para o pastor e diz: “Pastor, quero mudar pra essa igreja, mas quero ficar com a minha teologia” – eis a porta(dos fundos)bilidade da fé.

O evangelho 3G chegou pra ficar! Grana, glamour e gambiarra. Agora vai! Só não sabemos pra onde… O problema maior é que os crentes/clientes do balcão da religiosidade tresloucada pós-moderna vão ficar cada vez mais chatos. Para aquela perguntinha do apóstolo Paulo aos Gálatas 3.1: “Quem vos fascinou?”, a resposta hoje será um uníssono: “a portabilidade!”.

O evangelho 3G tem a seguinte configuração:

Grana: O evangelho 3G é o evangelho do moneycentrismo. Você vale o que seu bolso determinar. Se você tem dinheiro, ah, “o céu é o limite”, você pode tudo! O evangelho 3G tem horror a pobre. É a teologia Caco Antibiana! Detesta “ofertinhas” e “viuvinhas”. Tem alergia ao diminutivo. O negócio é a “reunião dos empresários”, a “unção da prosperidade” e o “voto faraônico”. A sua trindade é assim: Lucro, Consumo e Prosperidade. Coitados dos que recebem o famigerado salário mínimo…

Glamour: O evangelho 3G é o evangelho da ostentação, do luxo. Das revistas imitando pobremente a “Caras” (aí fica “Faces”, pra dar uma de crente), aos pastores e pastoras “emergentes” (aqueles “papagaios de piratas” que não perdem uma noite de autógrafos). Eles adoram aparecer na TV. São viciados nos holofotes. Já não andam de carro (principalmente no trânsito eterno de sampa), eles têm helicóptero, chiques não? É o evangelho Dolce Gabana, Daslu, Armani e cia. Coitado do Jesus dos evangelhos, com aquelas sandalinhas de couro… ninguém merece…

Gambiarra: O evangelho 3G é o evangelho da maracutaia. É a igreja de Simão (um mágico safado que percebeu a possibilidade marqueteira e quis “dar uma de esperto” pra cima dos apóstolos – At. 8. 9-20). É a teologia canalha que, em nome de Deus, vai “profetizando” seu estelionato religioso. O evangelho da gambiarra é baseado na lei fundamental da pilantragem: você é um trouxa; eu sou o profeta que vai dar a você a chance de ser alvo da minha esperteza! Você nasceu pra ser iludido; eu, pra iludir – o mundo é maravilhosamente ordenado! Coitados daqueles irmãos que acreditam numa coisa chamada “caráter...

Esse é o Evangelho 3G. Eu até queria escrever mais… só que tô me sentindo péssimo… desculpe, é que a vontade de vomitar é grande… vou correr pro banheiro…


Fonte: Alan Brizotti via http://alanbrizotti.blogspot.com

22 setembro 2009

Irmão ET?


Você acredita que há vida inteligente em outros planetas? Se não, seja por que razão for, você faz parte de um grupo, cada vez menor, de céticos e ortodoxos quanto ao tema. Para se ter uma idéia, até a Sé de Roma, considerada uma das instituições mais conservadoras do nosso mundo, rendeu-se, recentemente, a teoria de que existe sim, vida em outros lugares do universo.

A declaração pública foi feita pelo padre jesuíta José Gabriel Funes, chefe do Observatório Astronômico do Vaticano. Em sua entrevista ao jornal L’Ossevatore Romano, o padre afirmou: “assim como consideramos as criaturas terrestres como irmãos e irmãs, por que não podemos falar sobre um irmão extraterrestre? Seria também parte da criação", argumentou.

Fiquei matutando sobre a notícia... Desde a adolescência acredito que há vida em outros planetas. O tema para mim sempre foi tão real que, aos treze anos de idade, escrevi um livro de ficção científica que tratava destas questões.

Abrir-se a estas percepções, ao contrário do que muitos pensam, não é pecado! O problema é que nós “evangélicos” convencionamos desacreditar de tudo aquilo que a Bíblia, de forma explícita, não fale, como se as Escrituras se prestassem a ser um livro de “anatomias do cosmos”, e não uma carta de amor endereçada aos humanos caídos para permitir-lhes compreender qual é o significado que há em existir.

A verdade é que a igreja, e isso não é de hoje, sempre teve medo de discutir, aberta e corajosamente, questões polêmicas. Isto se deve principalmente ao fato de que nós cristãos, de forma muito presunçosa, acreditamos poder ter a palavra final em todos os assuntos, como se apenas o que crêssemos fosse expressão exata da realidade.

O mundo pós-moderno, entretanto, não pensa nem funciona assim! Talvez seja justamente por isso que no pontificado de Bento XVI têm-se dado tanta ênfase a que se encontrem, cada vez mais, pontos de contato entre fé e razão. E nós “reformados” imaginamos ser a vanguarda da fé...

Digo o que creio: é bem provável que haja sim, em outros planetas, ou em outros sistemas, ou em outras galáxias, vida inteligente. Acharmo-nos os únicos habitantes de todo o universo revela o quanto somos prepotentes e egocêntricos, pois resume a capacidade de Deus criar vida apenas em nosso mundinho. Ora, você acha mesmo que eu e você somos o melhor do que Deus podia fazer? Mais menino!?...

Numa questão, todavia, eu, mui modestamente, permito-me discordar do padre Funes. É que, no meu entendimento, para que eu possa chamar o ET de “meu irmão”, preciso antes satisfazer alguns pressupostos.

Logo na partida, temos um problema enorme: a falta de prova material sobre o fato de existir ou não algum tipo de consciência fora da Terra. Isso por si só já nos deixa profundamente limitados sobre muitas possíveis conjecturas. Por exemplo, não temos como fechar questão se a “queda” foi um fenômeno restrito apenas a este planeta e aos seres que aqui vivem, ou se ela teve implicações e desdobramentos outros, para muito além de nossa possibilidade de ver e compreender. A “queda” pode, inclusive, ter sido um evento universal, não obstante nossa percepção sobre ela ser apenas global.

Como o assunto é polêmico e complexo, ficando, inclusive, fora do meu universo de conhecimento, quero apenas me enxerir e pontuar três questões.

Em primeiro lugar, para chamar o ET de irmão, preciso saber se ele, em algum momento de sua existência, compreendeu o significado do amor. Sim, creio que isso é imprescindível porque aquele que não ama não é nascido de Deus e também não conhece a Deus. A descoberta mais importante, na vida de um humano, se dá quando ele compreende que o Infinito, movido por um amor inexplicável, tornou-se Homem, pois tinha como objetivo redimir-nos de toda a culpa e também do medo da morte. Isso dá a nossa existência, e a qualquer outra, um novo significado e propósito, pois, sem amor, de que adiantaria existir?

Em segundo lugar, para chamar o ET de irmão, preciso saber se ele, como eu, tendo experimentado a “queda”, foi também “sepultado com Cristo”, pois a Cruz de Cristo é uma “Cruz Cósmica”, universal, que em nosso mundo ganhou materialidade histórica na Cruz do Calvário. É a partir dela que emana o poder, independentemente de lugar, tempo ou forma de vida, para que se possa reconciliar o que um dia foi criado com o Criador.

Se algo neste universo, seja porque razão for, afastou-se dos propósitos do Eterno, esse algo pode, através do sacrifício do Cordeiro, que foi imolado antes da criação de todos os mundos, ser pacificado e apaziguado com o Deus de Toda a Graça. Jesus, na Cruz do Calvário, atraiu para si mesmo todas as coisas, tanto as visíveis como as invisíveis, de tal forma que tudo o que existe só existe, de fato, a partir dEle e, fora dEle, nada é capaz de ser.

Em terceiro e último lugar, para poder chamar o ET de irmão, tenho de partir do pressuposto de que ele faz parte da “Família de Deus”, ou seja, não é apenas um ser criado, mas obteve, através do poder que é outorgado pelo Espírito Santo, a possibilidade de ser chamado Filho de Deus.

De fato, todos os seres vivos que habitam em nosso planeta são meus irmãos e irmãs, do ponto de vista sociológico, mas não do ponto de vista teológico. Desta perspectiva, irmão em Cristo é, apenas, aquele que “nasceu de novo”, da água e do Espírito, que teve o ser pacificado pela graça e a consciência apaziguada pela justiça que procede da fé. Sim, estes foram ressignificados na existência, enxertados na Videira, tiveram seus nomes escritos no Livro da Vida e ganharam o direito a vida eterna.

Se estas três questões forem satisfeitas, não só pelos ET’s, mas por qualquer outro tipo de criatura que exista, creio poder então irmanar-me com ela, seja neste mundo, seja em outro, seja nessa vida, ou na que ainda há de vir.

Por fim, não vá se assustar se numa noite dessas você avistar um disco voador parado, quem sabe, no quintal da sua casa. Tenha calma, não fique alarmado. O “OVNI” pode ser da paz! Se tiver oportunidade de entrar na nave, faça isso com cautela, e veja se a “moçada” que está lá é do Senhor. Em caso afirmativo, relaxe, fique a vontade, e não esqueça de saudar os “irmãos” com a paz do Senhor!

Agora, se a “Etzada” estiver reunida num culto ou coisa afim, não se escandalize, sobretudo se eles estiverem ouvindo música gospel e assistindo o Silas Malafaia! É que irmão, tem coisas que parecem ser aqui da Terra, mas, no fundo, são mesmo é do outro mundo...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

10 setembro 2009

Um Banho de Simplicidade


Como de costume, estava saindo às pressas para o escritório. Mal deu tempo de engolir o almoço e lá estava eu, de volta a maratona minha de cada dia.

Na saída do prédio, entretanto, algo me fez parar. Eu moro num edifício antigo, daqueles que possuem poucas unidades. Mas, confesso, não tenho do que me queixar. O bairro é bom, o espaço é ótimo, com cômodos amplos e bem divididos. Já a Gabriela, não sei...

Gabriela é minha filha de apenas 4 anos. Tenho dúvidas se para ela nossa aquisição foi boa. O motivo é simples: o prédio não tem parquinho, piscina, nem salão de festa. Apenas um pilotis cimentado e amontoado de carros com uma pequena área na entrada.

Pois bem, com tantas “deficiências”, levando-se em consideração os modernos arranha-céus que existem ao redor, a Gabi não parecia nem um pouco insatisfeita. Naquela tarde, colocou no pequeno espaço que havia entre a guarita e um carro sua “piscina” para se divertir. Aliás, chamar aquele artefato de piscina é um despropósito. Na verdade, tratava-se de uma antiga bóia que ela utilizava quando tinha meses de vida para brincar com a água.

Ao contrário de tudo que se possa imaginar, levando-se em consideração tanta “precariedade”, a pituca se esbaldava dando gritos de alegria e risos soltos no ar. Batia com as mãos na água, que se esparramava pra todo lado, e me mandava beijos de despedida.

Sem dúvida, uma cena arrebatadora. Pensei comigo mesmo por alguns instantes: tanta felicidade, com tão pouco. Como a Gabi pode estar tão feliz com apenas uma bóia e dois palmos de água? Na verdade, naquele dia, minha filha me deu um banho de simplicidade. Ao contrário do que eu imaginava, a piscina não era algo tão determinante para ela...

A vida moderna acabou por criar uma série de demandas de coisas que, não raras vezes, são totalmente dispensáveis na nossa lista de imprescindíveis. Constatei isto depois do episódio da “piscina”, numa análise, mesmo que simplista, sobre algumas coisas que julgava ser fundamentais no meu dia-a-dia.

Para se ter uma idéia, na minha lista passou desde alguns gêneros alimentícios até o uso de eletrodomésticos. Fiquei intrigado em ver que algumas coisas que eu realmente achava fundamentais acabaram não sendo assim tão importantes... Durante todo aquele dia continuei meditando e, para minha surpresa, vi que a lista começava a ter proporções cada vez maiores, cabendo, inclusive, até alguns eternos “sonhos de consumo”.

O que é mesmo necessário para se ser feliz? Paulo escrevendo a seu filho na fé Timóteo parece ser sintético demais. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”. I Tm 6:7-8. Ora, dizer isto nos nossos dias soa como uma verdadeira aberração. Como se pode viver sem um telefone celular? E o ar-condicionado? Neste calor! Impossível. Você já imaginou o que seria de sua vida sem uma televisão? E banho quente, já pensou? Imagina tomar um banho frio no final de um dia de trabalho? Inadmissível! Será?

Impressionante mas, até a metade do século XX, boa parte destas coisas que eu mencionei como imprescindíveis à vida sequer existiam no Brasil. E isto há apenas 60 anos atrás. Será que as pessoas daquela época eram menos felizes do que nós somos?

Fico imaginando se Paulo escrevesse o mesmo texto hoje. Penso que, talvez, ele refletisse uma outra realidade. Como sabemos, a cultura sempre teve grande influência sobre o texto bíblico. Por isso, é bem provável que no nosso contexto algumas outras coisas realmente tivessem que ser acrescentadas para se poder viver a vida com dignidade. Mas, provavelmente, a nova lista continuaria a nos surpreender pela simplicidade.

Boa parte dos problemas que chegam aos gabinetes pastorais está relacionada com questões financeiras. Nós vivemos oprimidos por um forte apelo de consumo, seja de bens, de serviços, ou de gêneros alimentícios. A propaganda e o marketing são capazes de realizar maravilhas. Um consumidor menos precavido é sutilmente conduzido a se endividar realizando a compra de algo que, a primeira vista, parecia indispensável. Ao depois, entretanto, acaba se juntando a uma dúzia de outras coisas sem grandes utilidades.

Na verdade, a concupiscência dos olhos parece ter ganhado seu maior significado na sociedade pós-moderna. Ë muito apelo! Televisão, jornal, letreiro, stand, internet, vitrine, folder, e uma infinidade de outros instrumentos de comunicação estão sempre ávidos por encontrar os olhares cobiçosos de consumidores cada vez mais despreparados para comprar. Além do mais, para se levar tais “bagatelas” para casa não se precisa nem ter dinheiro! Tem cartão, crediário, cheque pré-datado, nota promissória, carnê e, se mesmo assim não der, você pode fazer um empréstimo bancário a taxas de juros extraordinárias; para os banqueiros, é claro.

Será mesmo que eu preciso disto? Será que esta é a melhor hora para fazer isto? Será que vou ter condições de pagar por esta aquisição? Perguntas tão óbvias, que poderiam evitar tanto sofrimento, mas que são, desgraçadamente, esquecidas na hora de se comprar algo ou de se fazer alguma despesa.

Fico impressionado como o tema “problema financeiro” tem uma alta capacidade de destruição. Famílias podem ser arrasadas como conseqüência de uma má administração econômica. Relacionamentos conjugais podem “virar sopa” por conta de descontroles e irresponsabilidades. Viver com dívidas é como viver no inferno. É uma tormenta da hora em que se levanta até a hora em que se vai dormir. Não há nada pior do que acordar com o telefonema de um gerente de banco dizendo que a conta está descoberta. Lembro-me de Paulo quando diz “a ninguém fiqueis devendo coisa alguma exceto o amor...” Rm. 13:8. Não tenho dúvidas de que o apóstolo queria nos poupar de tristezas e dissabores.

Você já olhou sua lista de imprescindíveis? Será que tudo que está nela é de fato indispensável? Vejo que as Escrituras Sagradas nos instam a um viver simples. Por isso Jesus recomenda buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus. Sim, Ele nos garante que “as outras coisas” nos serão acrescentadas. E o que é o Reino de Deus? Diz Paulo: “não é comida nem bebida”, mas “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Rm. 14:17. Ou seja, não é constituído de coisas, mas de valores. A felicidade não está baseada no que se tem, mas em quem se é.

Gosto do pensador de Eclesiastes quando ele diz:”Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho... Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol”.

Sim, ele fala de simplicidade. Não inclui o carro do ano, o apartamento de cobertura, a banheira de hidromassagem, o DVD, o microondas, o notepad, o celular, o i-pod, e tantos outros “imprescindíveis” dos nossos dias. Mas ensina a comermos com alegria, coisa que muitos de nós já não sabemos o que é. Cita o pão como elemento que expressa a graça de “cada dia”, como no pai-nosso, e o vinho como simbolização do prazer de se poder apreciar o que é bom e o que faz bem. Fala também da mulher amada, numa clara demonstração do prazer que há na conjugalidade, e é só. Só isso? Sim. Não precisa de mais nada. Esta é a nossa porção. É tudo o que precisamos. O resto está nas “outras coisas”, que não são essenciais e que, por assim ser, nos “serão acrescentadas”.

Quero viver dias melhores. Quero poder ver minha filha crescer com valores diferentes. Nunca mais me esquecerei do seu sorriso naquela tarde em que eu estava tão apressado para ir para o trabalho. Muitos negócios me esperavam. Coisas urgentes, telefonemas, contas para pagar. Mas uma bóia com dois palmos de água me fez refletir que a vida é mais do que o que eu tenho vivido. Obrigado Pai pela preciosa lição que a Gabi me ensinou. Ensina-me a viver com o pouco e a ser grato pelo muito que tens feito em minha vida.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

04 setembro 2009

Me Perguntaram quem é Jesus?


Entender quem foi esse personagem tão misterioso e paradoxal só é possível descobrindo primeiro quem ele não foi.

Em primeiro lugar, Jesus Cristo não foi um revolucionário no estilo marxista-leninista do termo. Em momento algum, para a decepção de alguns, ele criticou a “burguesia” defendendo o “proletariado”.

Jesus Cristo procurou ajudar os pobres por compaixão, mas não creditou ao sistema a miséria do mundo. Nunca se rebelou contra as autoridades políticas, embora conhecesse as suas inconsistências como o demonstrou muitas vezes.

Em segundo lugar, Jesus Cristo não foi um mito criado a partir da história de Hórus, deus egípcio filho de Ísis e Osíris. Apesar das semelhanças literárias entre as duas histórias e outras mais, a figura do nazareno é diferente das demais.

Por quê? Você perguntaria. Porque em Jesus Cristo o elemento ético aparece de forma clara, coisa que não se verifica nas demais histórias. Krishna, por exemplo, que tem “uma ficha” muito parecida com a de Cristo (nascendo de uma virgem e tudo mais), tinha 6 000 amantes, coisa que não se verifica no nazareno.

É bem verdade que tentaram casar Jesus Cristo com Maria Madalena, mas isso é coisa da Margareth Starbird e do Dan Brown e não da história que se desenrolou na Palestina. Os profetas judeus, em geral, eram celibatários, embora houvesse exceções.

É possível que Jesus não tenha sido nem de longe aquilo que o cristianismo ocidental fez dele, mas também é fato que ele não foi uma mera construção mitológica como deseja o documentário Zeitgester. Um mero mito dificilmente dividiria a história do ocidente em duas partes como fez Jesus.

Além do mais, é bom lembrar que a historicidade do Cristo é testemunhada por Tácito (60-120), decano dos historiadores romanos que liga o nome dos cristãos a um certo “Christus”, que no reinado de Tibério (42 a.C. – 42 d.C.) sofreu a morte por sentença do procurador Pôncio Pilatos, como observou Earle Cairns.

Outros personagens ilustres e historiadores como Plínio e Suetônio também fizeram menção a historicidade de Jesus, portanto, o fato da sua existência histórica é indiscutível. O Cristo andou nesse mundo, teve endereço e familiares, foi um ser humano como os demais.

É interessante notar também as semelhanças entre Jesus Cristo e Sócrates. Ambos foram considerados santos pelos seus discípulos, não escreveram nada com o próprio punho e foram condenados injustamente. Contudo, é raro ver alguém duvidar da autenticidade histórica de Sócrates, mas quanto a Jesus a história é outra, por quê?

Autores como Charles Dawkins e companhia limitada são analfabetos teológicos que sentem prazer em impressionar as pessoas com interpretações equivocadas da Bíblia. Pousar para a foto como ateu confesso sempre trouxe popularidade aos espertalhões.

Quanto a mim, não desejo fazer nenhum tipo de apologia a qualquer tipo de religião, muito menos a cristã, que sobrevive sem a minha ajuda a mais de dois mil anos. Aliás, não sou muito chegado á religião institucionalizada, mas também não tolero imbecis que vivem para denegrir fatos e pessoas que não conhecem.

Afinal de contas, quem é Jesus? Não sei exatamente, mas tenho a impressão de que o nazareno, como observou Jung, é um arquétipo, um pensamento fundante com o qual nos deparamos toda vez que somos invadidos por um sentimento religioso ancestral. Jesus é o ativador da nossa consciência em relação a Deus.

André Pessoa

Crime Existencial


Em Gn 3:15, Deus faz uma afirmação, da qual, nem sempre, nos damos conta: de que a inimizade da serpente seria para com a mulher.

A serpente configurava Satanás e a mulher configurava a Igreja, que traria Cristo ao mundo.

Mas, para além das configurações, que falam do enfrentamento da Igreja do Antigo e do Novo Testamento para trazer o Cristo, primeira e segunda vez; nesse texto, Deus reinventa a maternidade. O que era, apenas, a forma como nos multiplicaríamos, passou a ser a única esperança da humanidade. Duma gravidez especial viria o salvador. Toda a esperança da humanidade repousava no útero de uma mulher.

Mas a mulher pagaria um alto preço, teria como seu inimigo o anjo rebelde.

Os homens entrariam nessa briga por serem descendentes da mulher. Mas, a briga principal era com ela, para impedir a vinda do ungido.

Talvez, isso explique porque a vida da mulher tem sido um inferno em todas as culturas. Os homens, que deveriam ser aliados das mulheres, protegendo-as dos ataques do maligno, mudaram de lado e colaboraram com essa caçada por tempos perdidos na memória.

De todas as manifestações dessa tentativa de destruir a mulher, fazê-la prostituta, talvez, seja a pior. E, às vezes, se faz isso dentro do casamento, porque prostituição é mais do que troca de sexo por dinheiro, é o aviltamento da mulher – há culturas onde isso está institucionalizado por meio do harem - em outras pela poligamia – noutras pela permissão velada a profusão de amantes ou aventuras. E, também, se faz isso quando a mulher é convencida que sem sexo não há relacionamento possível.

Em qualquer tipo de prostituição a mulher não conta como ser humano, apenas como fonte de satisfação masculina: quanto mais serviçal, melhor! Ela não existe mais! O que existe é o macho em sua volúpia querendo satisfação plena e sem questionamento. E a única razão da existência da fêmea se sustenta em sua capacidade de dar prazer ao macho. Ela não vale pro si, vale por ele.

A gente não combate a prostituição como pecado moral, combate-a como crime existencial, porque a alma da mulher é devorada e o que resta é a sua capacidade de satisfazer a uns e enriquecer a outros: homens que a usam e exploram a seu bel prazer.

Os Céus revoltam-se, a prostituição amesquinha a mulher e insulta a Deus, que, com a mulher, fez um pacto especial, fazendo dela a portadora da esperança da humanidade, não só por trazer o Cristo, mas por ser, na maternidade que carrega no coração, a certeza de que Deus continua investindo na humanidade.

Ariovaldo Ramos

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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