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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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07 janeiro 2011

Quer Trocar?



“Trocam-se lâmpadas novas por lâmpadas velhas!”. Você já ouviu esta frase? Ela faz parte do conto Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, que está contido na coletânea de livros e estórias das Mil e uma Noites, preservadas na tradição oral dos povos da Pérsia e da Índia.

Aladim, um jovem chinês, órfão de pai, pobre, vivia a vagabundear pelas ruas. Um dia, um mago africano chegou de um distante reino e passou a observá-lo. Com uma estória falsa, ele foi solicitado a apanhar uma lâmpada velha, abandonada em um jardim, sob o pretexto de ficar rico e poderoso. Entusiasmado com a idéia, cumpriu a missão, mas foi abandonado na caverna escura porque se negou a entregar a lâmpada ao mágico antes de ser puxado para fora.

Desesperado, durante dias procurou sem sucesso uma saída. Entretanto, acidentalmente, acabou esfregando a lâmpada e, surpreendentemente, um gênio lhe apareceu. Ele era capaz de realizar todo e qualquer desejo para o seu possuidor. E foi assim que Aladim tornou-se um homem poderoso, rico, casou-se com a filha do sultão e passou a morar no palácio.

Após algum tempo, sabedor do sucesso de Aladim, o mágico retornou a China. As portas do palácio, disfarçado de vendedor ambulante, começou a anunciar em alta voz: “trocam-se lâmpadas novas por lâmpadas velhas!”. A princesa, que desconhecia o segredo, achou aquela uma ótima oportunidade. Assim, trocou a lâmpada mágica por uma lâmpada nova, mas que não tinha poder algum. Imediatamente o mago acionou o gênio e ordenou-lhe que levasse o palácio com a princesa para terras distantes, deixando Aladim atônito, desesperado e sem absolutamente nada!

Tenho observado os dias em que vivemos, esta sociedade consumista, materialista que, cada vez mais, alimenta-se através da troca de coisas. Troca-se um casamento velho por um novo; uma profissão velha por uma mais rentável; um amigo velho por um outro que “abra” um novo network. É uma questão de oportunidade! No fundo, tudo que nos cerca perdeu o seu valor absoluto. O que importa agora é o que é relativo e como este relativismo pode nos atender.

Por isso é possível trocar caráter por jeitinho, amor por estabilidade, fidelidade por prazer, honestidade por comodidades, compromisso por omissão, troca-se tudo por qualquer coisa desde que se possa ganhar algo com isto. Até mesmo porque, quem pode prever o que uma boa negociação trará de benefícios? Não seria absurdo trocar um Deus antiquado, com princípios e valores “superados”, por outro moderno, tipo “gênio da lâmpada”, que nos assegurasse benefícios e vantagens aqui, agora, e isso sem precisarmos esperar pela eternidade, se é que ela existe? Como assim? Você já trocou?!      

“Alguma nação já trocou os seus deuses? E eles nem sequer são deuses! Mas o meu povo trocou a sua Glória por deuses inúteis. O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água”. Jr 2:11 e 13. Pois é, já dizia George Courteline: “É mais fácil trocar de religião do que de café”.

A denúncia do profeta Jeremias poderia estar estampada no jornal de qualquer denominação cristã: das Histórias e Reformadas, as Pentecostais e Neopentecostais, passando, até mesmo, pela Igreja Católica; qualquer uma! Abandonamos a Deus, seus valores, seus princípios, sua ética, e trocamos tudo isto por um “prato de lentilhas”, por um estilo de vida mais “adequado” ao século XXI, mas adaptável às nossas necessidades e demandas. Assim, sincretizamo-nos com práticas das mais perversas, destruímos, em benefício próprio, a sã doutrina, agimos de forma reprovável e, cinicamente, fazemos como fez o povo de Israel dizendo: “por que nos ameaça o Senhor com todo este grande mal? Qual é a nossa iniqüidade, qual é o nosso pecado, que cometemos contra o nosso Deus?” Jr. 16:10

Abandonamos a fonte de água viva, que é Jesus – “vinde a mim e bebei” – a sua Palavra, o seu Espírito, o seu Evangelho, e passamos a beber água suja, armazenada em cisternas construídas por mãos humanas, cisternas que não podem reter o que trás a paz e faz o bem porque rompem-se, deixam vazar seu conteúdo, pois suas águas estão apodrecidas.

Por isso sucede-nos o que também se sucedeu ao povo de Israel: “agora, por que você vai ao Egito para beber água do Nilo? E por que vai à Assíria para beber água do Eufrates?”. Jr. 2:18. Temos de beber a água do “Egito”, que simboliza o mundo e seu sistema perverso, bebemos de seus valores distorcidos e nem nos apercebemos que eles estão nos matando, destruindo nossas famílias, vamos a “Assíria”, beber das fontes do paganismo, e assim nos apropriamos de “fogo estranho”, porque as fontes da vida que nos supriam secaram-se, esvaziaram-se, tornaram-se indisponíveis. 

Nunca foi tão fácil, em termos da sociedade humana, realizar trocas como em nossos dias. Podemos trocar tudo! O ferro de engomar quebrou, troca-se; o mouse do computador quebrou, troca-se; o carro está quebrado, troca-se; não está feliz no apartamento atual, troca-se; a faculdade é distante, troca-se; não está realizado no emprego, troca-se; o casamento está monótono, troca-se; a igreja não tem programas que te agradam, troca-se; o pastor é muito firme, troca-se; Deus não te atende, troca-se. O importante é você estar feliz! Por isso, vá trocando tudo até encontrar algo que lhe agrade!

É a cultura do descartável. Começa-se trocando coisas; depois, trocam-se valores; em seguida, princípios e, por fim, pessoas. Aí instaura-se em nossa consciência um mecanismos perverso que nos leva a amarmos as coisas e usarmos as pessoas. Saímos trocando, como se a vida tivesse se tornado um grande mercado público e tudo pudesse ser “comercializado”, não há limites nem restrições, não há regras, nem ética, nem nada, apenas a necessidade de se saciar o apetite da alma e de suas paixões.

Às vezes fico imaginando se Deus nos tratasse na mesma moeda. Já pensou se houvesse um jornal no céu, “A Tribuna Divina”?!. Como sereia abrir de manhã cedo a seção dos classificados e encontrar, com letras garrafais, o seguinte anúncio: Deus Troca! E abaixo, as ofertas...

"Troca-se um fulano que quer fazer por um outro que queira ser; a fulana maldizente por uma que seja adoradora; a cicrana fofoqueira por uma apaziguadora; um marido infiel por um que seja leal; um colaborador esporádico por um dizimista responsável; um atarefado por um comprometido; um legalista por alguém cheio da graça; uma boca suja pela língua de um salmista; ativistas por gente que ora; uma igreja com donos por uma em que Eu possa mandar; “apóstolos”, “bispos”, “patriarcas”, “evangelistas”, “missionários” e outras “entidades metafísicas” por gente humilde, simples, comprometida apenas com o ensino, o pastoreio e a profecia".

Apenas uma pergunta: Você trocaria?...

Carlos Moreira


11 novembro 2010

MATRIX

Em biologia o crescimento está relacionado ao aumento do tamanho do organismo e o desenvolvimento à capacidade de executar funções. Portanto, pode haver crescimento do organismo sem que haja necessariamente desenvolvimento do mesmo.

Na teoria econômica, crescimento também é diferente de desenvolvimento. Crescer é acumular riqueza, produzir mais e multiplicar o PIB. Desenvolvimento, porém, tem a ver com melhoria dos índices de IDH, com diminuição dos desníveis regionais e com distribuição equitativa de renda.

No que diz respeito ao homem o mesmo acontece, ou seja, todos, de uma forma ou de outra, crescem, mas poucos chegam a se desenvolver. Crescimento no âmbito humano, assim como nos outros organismos vivos e na economia, relaciona-se com aumento de tamanho e com acúmulo de riqueza.

Por exemplo, quando alguém diz que deseja crescer é no aumento das dimensões físicas e no poder aquisitivo que está pensando. Neste sentido, é correto dizer que é exatamente o desejo de crescer, a ambição doentia e a ânsia para possuir status social e riqueza que impedem o desenvolvimento.

Não há nada, nem mesmo nas ações mais altruístas do ser humano, que não revele a sua ânsia por dominar, abranger e acumular. A idéia de lucro e de domínio é tão forte e habita com tanta naturalidade o inconsciente coletivo que nada é considerado importante se estiver desvinculado da idéia de lucro. Êta capitalismo selvagem!

Duas semanas atrás ouvi um ambientalista desesperado em um programa no rádio querendo convencer as pessoas da necessidade imediata de proteger o meio-ambiente e em especial os corais que de acordo com o que ele disse é de suma importância para o bom funcionamento do ecossistema marinho.

Até aí tudo bem, não existe nada de mal, muito pelo contrário, em conclamar as pessoas urgentemente a preservarem o meio-ambiente. O problema é que a única maneira que o referido ambientalista encontrou para convencer as autoridades e a iniciativa privada a preservar a biosfera foi argumentando que espaço natural
preservado gera lucro e dá dinheiro.


Eis aí o grande problema de tudo o que existe no mundo contemporâneo capitalista, da economia à religião: até quando fazemos a coisa certa, fazemos pelo motivo errado. Mas por que será que as coisas são assim? Por que é preciso chamar à atenção para o lucro financeiro proveniente da preservação do meio-ambiente para despertar a consciência ecológica nas pessoas?

A resposta é: porque a nossa matriz cognitiva é defeituosa, o nosso molde de pensamento é imperfeito, a fôrma que multiplica as nossas idéias é mesquinha e equivocada.

O homem já nasce em um meio social cujo pensamento e as intenções estão totalmente corrompidos.
Somos revestidos desde criança com uma espécie de capa que nos envolve em pensamentos e projetos medíocres e impede a visão real das coisas. A sociedade molda-nos desde a mais tenra idade segundo os seus propósitos materialistas, egoístas e emocionalistas muito cedo.

Somos deformados desde a maternidade, passando pela família e terminando o processo de desnaturação no ensino formal. A concepção que nos ensinam quando criança sobre o homem e a finalidade da existência, a criação recebida nos lares e a educação nas escolas e universidades deformam-nos irreversivelmente, transformam-nos em “bebês chorões e egoístas”.

Marginais, estupradores, débeis mentais, psicopatas, anoréxicos, estelionatários, demagogos, líderes religiosos maquiavélicos e políticos corruptos são todos refugo e substrato de um processo constante de produção de seres alienados e perversos pela sociedade. “Somos quem podemos ser...” diz a letra de uma das músicas do grupo Engenheiros do Hawaí.

Tal e qual o fordismo, a sociedade contemporânea produz em série, mas não automóveis, e sim lixo humano. Basta observar os interesses e projetos das pessoas que nos rodeiam para constatar que na melhor das hipóteses elas são superficiais e limitadas pelos interesses banais do sistema instituído. Somos frutos da Matrix!

Há, porém, outro caminho que rompe com esse conjunto de coisas, que liberta o pensamento e as ações tornando-nos seres humanos na plena acepção da palavra. Esse caminho, entretanto, por não ser ordinário parece estranho a maior parte das pessoas.

Como começar a andar por ele? Respondo: não fazendo. Eis o primeiro passo para mudar: não fazer aquilo que todos fazem e que nós mesmos temos feito. Ou melhor, não é necessário apenas não fazer e sim não fazer pelos mesmos motivos que os outros fazem. A mudança começa em uma nova motivação.

O caminho verdadeiro é algo inabitual, é uma estrada ao lado da estrada, é um caminho dentro do caminho. Não é um atalho, é bom que se diga; é um caminho, mas um caminho escondido, oculto a maioria dos olhos exatamente porque é óbvio.

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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