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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

19 junho 2012

Quem Faz a Tua Cabeça?



A sociedade contemporânea é baseada em controle. Quem tem controle, tem poder. Sutilmente, o homem moderno passou a ser dominado por elementos externos sem que ele mesmo pudesse se aperceber. 



Quem manda na tua vida? Você? Tem certeza? Quem determina as tuas ações, quem influencia as tuas decisões, quem molda os teus valores e princípios? Quem, de verdade, faz a tua cabeça?


Aprenda, assistindo a esta mensagem, sobre as "forças" que operam fortemente nos influenciando e como nós podemos nos defender delas. Através do texto de Paulo aos Colossenses, vamos aprender sobre a influência de elementos do mundo natural movendo, não raro, camadas espirituais.






Carlos Moreira

14 junho 2012

“Diga o Fraco: Eu Sou Forte”



Quando lhe faltar inspiração para fazer o que tem de ser feito e você se perceber como um autômato, uma máquina de repetição, agindo sem sentido, sentindo sem paixão, diga o fraco: eu sou forte!

Quando os dias forem cinzentos, e a estação outonal chegar, quando as flores murcharem e sua beleza se for, quando as nuvens persistirem mesmo depois de todo o aguaceiro, então, diga o fraco: eu sou forte!

Quando os sonhos morrerem, quando os planos falharem, quando a existência se tornar insuportável, e seus olhos estiverem encharcados de tanta realidade, diga o fraco: eu sou forte!

Quando os amantes se forem, quando a festa acabar, se lhe for impossível sorrir, e a cortina se fechar, depois que a orquestra partir e toda música calar, não preste atenção a nada, diga o fraco: eu sou forte!

Quando o silêncio for sua companhia, e tua sombra te acompanhar mesmo à noite, quando te sentires vazio, apagado pavio, aquieta-te então, pois todo caminho caminhado é caminho de solidão, e, assim diga, o fraco: eu sou forte!

Quando a esperança se for, e a tua fé te faltar, quando o absurdo tornar-se razão, e a escuridão vier te abraçar, abre tuas velas ao vento, deixa o porto e o cais, repete contigo mesmo, diga o fraco: eu sou forte!

Quando a alegria partir, e as tuas forças faltarem, quando a doença chegar, sem cura, sem pena, sem nada a te acrescentar, entende que o tempo acabou, segue resignado, não pense em parar, lembra-te, todavia, de algo, diga o fraco: eu sou forte!

Quando os teus bens forem muitos e nada mais te faltar, mas ainda assim tua alma esvaziada ficar, quando não houver mais batalhas, e o último inimigo tombar, olha para tuas conquistas, inúteis, tão fúteis, hão de passar, não te esqueças, contudo, nem um instante, diga o fraco: eu sou forte!

Quando o pecado te arguir, quando o juízo chegar, quando o tempo se cumprir e o teu destino selar, quando não tiveres saída, nem mais a quem apelar, lembra-te que ainda és homem, só Deus pode te salvar, e assim, apele a Ele, diga o fraco: eu sou forte!

* "...diga o fraco: eu sou forte".  Joel 3:10

Carlos Moreira

 

12 junho 2012

Seja quem For, Seja Você!




É muito comum, em conversas pastorais, encontrar aqueles que se tornaram refém dos anseios e desejos de pessoas: pais, cônjuges, filhos, patrões, “amigos”. Eles afirmam que não possuem identidade, que se tornaram uma projeção de outros, um holograma material do que é imaterial e só existe como desejo reprimido, que acabaram encarnando um “personagem”, vivendo uma vida que não é deles, tudo com vistas a agradar aqueles que, sobre eles, alimentaram expectativas das mais variadas. Isso, creiam, provoca um sofrimento sem medida e um desgaste existencial sem precedentes...  

Neste contexto, encontro aquele que se casou com quem não gostava, aquela que exerce uma profissão para a qual não se sente habilitada, o que passou a assumir determinados pensamentos e comportamentos que lhes são estranhos, ou mesmo inaceitáveis, a outra que evita a polêmica, a exposição, o firmar posição, tudo em prol de jamais romper o “cordão umbilical emocional” que os torna, de certa forma, escravos psicológicos de outrem, uma vez que a consciência viciou-se em não ter sua própria “voz”. Desastrosamente, aqui temos algo que, por fim, estabelece um estado existencial em que a pessoa se torna prisioneira de um outro alguém em seu próprio ser! 

Analisando mais detalhadamente, percebi que muitas destas situações, não raro, estão associadas a questões econômicas, ao mundo competitivo em que nós vivemos, a essa sociedade movida pelo supérfluo, ao capitalismo que, segundo Bauman, estabeleceu a seguinte máxima: “consumo, logo existo”. Desta forma, em prol de manter vantagens e benesses, as pessoas acabam, às vezes sutilmente enganadas, se sujeitando ao imponderável.

É o filho que tem que assumir o próspero negócio da família, ainda que não tenha qualquer vocação para tal. É a moça que tem que agüentar situações constrangedoras e até assédio por causa do bom emprego que possui. É o cinquentão que tem de se submeter a situações vexatórias, pois, caso seja dispensado, não encontrará mais oportunidades no mercado. É o rapaz pobre, que se casou com a socialite rica, e, agora, tem de atender-lhe as demandas para poder manter privilégios. E por aí vai...

O resultado de tudo isto é o estabelecimento de uma sociedade movida a disfarces, a interesses, ao “jogo de empurra”, ao “toma lá, dá cá”, a cultura da vantagem, dos que vivem “em cima do muro”, do impessoal, do “politicamente correto”. Raramente vemos pessoas que se posicionam, que assumem riscos, que sejam firmes, que mantenham convicções e por elas estejam dispostas a ir as últimas conseqüências! Somos uma geração de homens e mulheres sem “palavra”, de caráter afrouxado, de valores relativizados, de comportamentos marionetizados. Sintetizando, como bem afirmou Groucho Marx: “esses são os meus princípios; se você não gostar deles, eu tenho outros...”. 

Quem é você? No que você acredita? Quais os disfarces que possui a sua face? Quantas pessoas existem dentro de você? São perguntas intrigantes, inquietantes. Respondê-las, inclusive, lhe expõe, faz com que seu pensamento seja conhecido, suas idéias venham à baila, sua opinião se torne pública. É perigoso demais! Para que fazer isto? Que vantagens algo desta natureza lhe trará?

Bem, reconheço que, de fato, você lucrará pouco ou quase nada se passar a fazer tais coisas ou, muito provavelmente, terá enormes problemas e dificuldades, mas, estou certo que, seja você quem for, é melhor que seja sempre você mesmo! No livro "Coragem para Mudar", utilizado no Al-Anon, encontramos “...jamais senti que pudesse ser eu mesmo perto das outras pessoas. Eu estava ocupado demais, tentando ser o que eu achava que os outros queriam que eu fosse, com medo de que eles não me aceitassem do jeito que eu era". Por isso, pense, não dói; fale, não é proibido; posicione-se, não é pecado!

Essa é justamente a questão que Jesus está tratando no texto abaixo: 
Pois veio João Batista, que jejua e não bebe vinho, e vocês dizem: ‘Ele tem demônio’. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: ‘Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores.’”. Lc. 7:33-34. 

É certo que o Galileu nunca sofreu crise de identidade, não se dobrava aos interesses do Sinédrio, nem de Herodes, ou do Império Romano, nem de seu ninguém! Isso porque não tinha compromissos que lhe levassem para além de sua própria consciência e fé, estava disposto apenas a obedecer ao Pai, pois, até mesmo a Escritura se tornara relativa diante dEle uma vez que, Jesus, o Cristo, veio a se constituir a única chave hermenêutica através da qual a “letra” pode ganhar sentido e significado.

Essa passagem de Lucas nos trás uma situação corriqueira. Sua análise concentra-se no fato de que João Batista, que tinha voto de nazireu, ou seja, vivia como um ermitão, comia gafanhotos, mel silvestre, vestia-se de trapos, peregrinava pelo deserto, não era casado, não bebia vinho, orava, jejuava, pregava o arrependimento, mas, ainda assim, os religiosos diziam que ele tinha demônio! Ou seja, João, segundo Jesus, havia se tornado o maior de todos os homens nascidos de mulher, contudo, não era capaz de agradar àquela multidão.

Com o Nazareno, todavia, a questão era diferente! Comia, bebia, se alegrava, sentava com pecadores, ia à casa de publicanos, conversava com meretrizes, andava com samaritanos, curava em dia de Sábado, acolhia os enfermos, libertava os endemoninhados, quebrava as tradições, fazia tudo ao contrário de João, mas ainda assim era tido como subversivo, alguém andando na contra mão do “sistema”, um “rebelde” com causa, sendo condenado do mesmo jeito, porque o que as pessoas queriam era ver um boneco, um fantoche, um profeta de “brinquedo”. Mas Jesus “quebrou a banca!”. Boa!

O que sei é que quando você não é o que é, não há mais o que se possa ser! O que sei é que toda a sua vida se resume na busca de você tentar se encontrar com você mesmo, de “tornar-se aquilo que é”, e isso tem a ver com o propósito do que Deus planejou para que você experimentasse debaixo do sol, no solo árido da existência humana, pois, ou você é em Deus, ou você já se tornou não-ser, ou seja, algo que parece que é, mas que está longe de ser...   

Carlos Moreira


Preocupados com a Vida Eterna, os Cristãos Desprezam a Vida na Terra




Acho curioso como, tão escandalosamente, a religião se contrapõe à proposta de Jesus. Enquanto o Evangelho se propõe a pacificar o coração dos homens, a religião promove o seu distanciamento; um sugere a transformação da consciência, a outra uma mudança comportamental; um trata do perdão dos pecados, a outra da realização de obras meritórias; um chama as pessoas a reconciliação com o Criador, a outra tenta convencer o Criador a aceitar as criaturas.

Não é a toa que muitos filósofos e pensadores, olhando para a história da civilização humana, mantiveram diante da religião um olhar crítico, cético e por vezes, cínico. Heinrich Heine, escritor e poeta alemão, num tom sarcástico, afirmou certa vez: “bem-vinda seja uma religião que derrama no amargo cálice da sofredora espécie humana algumas doces, soníferas gotas de ópio espiritual...” Marx, pai do socialismo científico, não economizou “tinta”, e vociferou à seu tempo: “a religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração. É o ópio do povo”. Hegel, um dos mais respeitados filósofos, pai do idealismo absoluto, apesar de ter estudado no seminário protestante de Württemberg, era outro que via a religião como alienação da essência humana.

Friedrich Engels, um dos criadores da teoria do materialismo histórico e dialético, no século XIX, fez uma avaliação bastante lúcida sobre a religião cristã ao longo do tempo. Ele afirmava que, primeiramente, a cristandade foi uma religião dos pobres, dos desterrados, dos condenados e oprimidos. Todavia, não demorou muito para, no século III, se estabelecer como ideologia estatal do Império Romano. Em seguida, já na idade média, alinhou-se perfeitamente com a hierarquia feudal européia e, logo depois, a partir da revolução industrial, já na modernidade, amalgamou-se a sociedade burguesa.

Eu penso que uma das coisas mais imprescindíveis nestes tempos difíceis que vivemos é manter um olhar analítico e crítico a respeito de nossa própria história. Nosso objetivo deve ser repensar que papel nos cabe no mundo que vivemos, na sociedade na qual estamos inseridos, com vistas a materializarmos, com ações concretas, as propostas que possam vir a ressignificar o que afirmamos ser a fé em Jesus Cristo.

Contudo e, tristemente, o que tenho visto, cada vez mais, é o entorpecimento, a alienação, a “massa manipulada”, a “teologia” do comodismo que sacrifica sobre o altar da conveniência, a substituição da singularidade da unidade pela burrificação da unanimidade. Vejo os cristãos preocupados com a vida eterna, “labutando” em busca de garantir o futuro, sonhando com o galardão prometido, enquanto a humanidade se esvazia por completo de qualquer possibilidade de encontrar na existência significados, e a Terra agoniza pela exploração de seus recursos cada vez mais escassos.

Olho as igrejas lotadas de gente, não raro, vazia, egoísta, vivendo uma espiritualidade adoecida, que olha para si mesmo, mas não é capaz de perceber o próximo. Os cristãos estão enredados com movimentos, programas, seminários, shows, cultos, atividades que são justificadas pela velha máxima: evangelizar os perdidos! Você dificilmente encontrará essa gente em passeatas que reivindiquem questões sociais importantes, ou engajadas em ONG´s e outras organizações que lutem por direitos dos menos favorecidos, ou participando de projetos que viabilizem o desenvolvimento sustentável do planeta. Não, o “negócio” dos “crentes” é buscar o sobrenatural! Deixa que o natural se acabe, se desmantele, se extinga...    

Eu cresci ouvindo chavões do tipo: “crente não se envolve com política”; “a Terra está sendo “entesourada” para o fogo eterno”; “temos de cuidar dos da família da fé”. Por isso os políticos evangélicos são os mais corruptos do Congresso Nacional, a Terra está sofrendo com "dores de parto", levada a superar todos os seus limites, e os que não fazem parte de nossa “confraria” agonizam pelas ruas, nas cracolândias da vida, nas sarjetas da existência, nos hospitais, nos presídios, nas favelas. Só de pensar tenho calafrios... "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes". Mt. 25:41-43

Nossa religião é “espiritualidade” de ocasião, com choro de encenação e contrição de momento. Tiago, em sua epístola, escrevendo para os judeus da dispersão, gente ainda impregnada pela “religião de Israel”, afirmou que essa religiosidade calcada sobre a fé, mas que não possui boas obras, para nada aproveita. Parafraseando o apóstolo, poderia perguntar: “mostra-me onde estais, com a tua fé, e eu, com o meu engajamento em questões prementes da humanidade, te mostrarei a minha!”. 

Gramsci, filósofo e cientista político italiano do século XIX, analisando na sociedade contemporânea a cultura religiosa, concluiu que ela é “a utopia mais gigante, a mais metafísica que a história jamais conheceu, desde que é a tentativa mais grandiosa de reconciliar, em forma mitológica, as reais contradições da vida histórica”. Em outras palavras, a religião é artigo de luxo, serve apenas para “anestesiar a alma”, mas tem pouca ou nenhuma utilidade para o espírito dos homens.

Enquanto a “igreja” continuar alienada entre quatro paredes, embevecida com suas próprias obras, pensando na vida no além, o mundo padecerá com “cólicas” sociais, milhões morrerão de fome, de frio, de sede, de maus tratos, gente que não poderá ser “evangelizada” porque estará enterrada numa cova rasa! Sim, enquanto ficamos apenas “orando” e “louvando” ao “senhor”, os rios estão sendo poluídos, as matas devastadas, o ar contaminado, os animais extintos, a camada de ozônio destruída. “Aleluia irmãos!”...

Com a ajuda que estamos dando ao “diabo”, ele nem precisa se ocupar em fazer o que Jesus afirmou: “matar, roubar e destruir”. Pode tirar férias e ir para Boca Raton! Minha oração nestes dias é ver menos gente “entulhada” dentro da “igreja”, ou seja, aqueles que não fazem nada, não tem compromisso com nada, e mais gente em sindicatos, OSCIP´s, organizações de direitos humanos, gente que se interesse pelo que seu candidato evangélico está fazendo, gente que vá as ruas, que proteste contra tudo o que ferir a dignidade humana, que seja “Elias” em nosso tempo, profetas que denunciem a injustiça e a maldade, e não aspirantes de feiticeiros, adivinhando o futuro dos outros. 

Se eu creio na vida eterna? Claro que sim! Se eu a espero? De todo o coração! Se estou na expectativa da volta de Jesus? Oxalá fosse hoje! Mas até que tudo isso se torne realidade para mim, tenho muito o que fazer aqui na Terra pois, parafraseando Paulo, ainda não completei a carreira para poder guardar a fé e receber a minha coroa, a qual o Justo Juiz me dará naquele dia! Sim, afirmo com toda autoridade: quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz a Igreja! 

Carlos Moreira

 

06 junho 2012

Ricardo Gondim: de “Herói” da Fé a Arqui-herege!





Inicialmente, quero lhe dizer que Ricardo Gondim não me conhece; eu o conheço. Sim, porque Gondim é parte da história recente do cristianismo em nosso país e do movimento evangélico, com livros publicados, participações em revistas aclamadas, congressos, simpósios, entrevistas na TV, homem de notório saber, não só do ponto de vista da teologia, mas de outras áreas do conhecimento, líder de uma denominação de expressão, articulista, dentre outras muitas habilidades que o Senhor da Igreja lhe concedeu.

Também não estou aqui para defender Gondim, até mesmo porque eu não tenho nem categoria nem “pedigree” para isso. Aliás, ele sequer precisaria de algo desta natureza: está lavado pelo Sangue do Cordeiro, justificado de suas obras, crucificado com Cristo e com Ele ressuscitado, já assentado nas regiões celestes e, com absoluta convicção, aguarda o dia do juízo para ouvir de Jesus: “vinde, entrai no Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo... Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”.

Então, o que quero? Ora, eu busco entender os porquês de algumas coisas. Eu tenciono levar você há pensar um pouco e a questionar as razões de suas ações, como afirmava Nietzsch. Eu quero tentar sair desta “cortina de fumaça” que se formou em torno de Ricardo Gondim, para buscar enxergar práticas que estão em vigor hoje no mundo eclesiástico, almejo, de alguma forma, discernir que “espírito” é este que surgiu entre nós, que zeitgeist vem influenciando o "nosso ethos", o que está tornando-se “material” impregnado, tanto na mentalidade, quanto no inconsciente coletivo dos evangélicos, se é que isto é possível.

Tenho acompanhado o “drama” do Gondim... Afirmo desta forma, pois, há bem pouco tempo atrás, ele era um homem celebrado no meio evangélico, um “herói” da fé. Seus escritos e mensagens abençoavam e alcançavam milhões de pessoas dentro e fora do Brasil. Não tenho dúvidas das centenas de milhares que foram levados a Cristo pela pregação do Evangelho que foi posto em sua boca. Mas, de repente, em função de algumas falas e escritos, a despeito de tudo, desgraçadamente, ele transformou-se em arqui-herege da fé cristã. Interessante...

Eu li e assisti a todo o material que veio a baila nestes últimos tempos. Não o fiz apenas nos blogs na internet, mas, sobretudo, entrei no site de Gondim e desci as “profundezas” de seus pensamentos e ensinamentos, de tal forma que evitasse texto sem contexto, exegese de ocasião, sensacionalismo, e outros recursos mais que, penso, foram usados neste e em outros casos.

Li também e, de forma cuidadosa, analisei, sem “sentimentos” ou inclinações, as articulações dos apologetas sobre Gondim. Diante de todo este cenário, valendo-me da posição que hoje me cabe, como editor assistente do Genizah, com 30 anos de caminhada com Jesus, 10 dos quais como pastor, com formação em teologia e filosofia, com centenas de artigos e mensagens publicados em revistas e blogs, penso que, ao menos, também ganhei o direito de ser ouvido por alguns instantes, ainda que esteja “remando contra a maré”...   

Minha fala carrega algumas preocupações...

Em primeiro lugar, preocupa-me como, tão repentinamente, um homem com notórios “serviços” prestados ao Senhor da História, da Vida e da Igreja, tenha se transformado em alguém tão execrado. Como bem afirmou Cáio Fábio – outro que já viveu algo de natureza semelhante, ainda que por questões totalmente diferentes – “a igreja é o único exército que mata os seus feridos”. O homem vem pregando e falando a mesma coisa há décadas e, de repente, por começar a pensar em outras possibilidades e analisar outras “rotas”, tudo o que fez, toda sua história, sua reputação, construída com lágrimas e muito trabalho, foi para o “beleléu”, pois, agora, sentenciado pela multidão que grita “crucifica-o”, ele se “converteu” em inimigo da fé.

Parece-me, grosso modo, que o que se quer é ver o “circo pegar fogo”! Nós perdemos o respeito pelos nossos líderes, somos uma geração sem referências, sem influências, sem heróis. Joga-se no lixo tudo o que um homem fez em sua vida porque ele não está seguindo a risca, para usar uma fala do próprio Gondim, o “evangelho” segundo os santos evangélicos! Pouquíssimos tem, ao menos uma ideia, do "preço" que um homem deste paga para chegar onde chegou. É um custo de vida, aliás, é quase não ter vida, mas vamos "jogar pedra na Geni!", e de forma, não raro, irresponsável. Gondim caiu em desgraça porque ousou pensar diferente, mas cometeu o pior de todos os pecados: tornou isso público! 

Em segundo lugar, preocupa-me a grave crise que vivemos, pois ela é crise de pensamento, é a substituição da intuição pela dogmatização, do questionamento pelo fundamentalismo, da liberdade de expressão pela tirania da letra. Onde os cristãos imaginam que vão parar isolando-se cada vez mais do “mundo”? Como poderá a teologia sobreviver nos dias atuais separada do resto do pensamento e do conhecimento humano? Será que ninguém vê que o mundo mudou? Quem tem coragem e ousadia de articular a ponte que leve a fé ao diálogo com os outros saberes, que a liberte da prisão a qual a "instituição" a remeteu? Gondim vem tentando fazer isso e olha no que deu!? Como bem citou João Alexandre, em uma de suas maravilhosas canções: “é proibido pensar!”. Estou certo: é mesmo...

Estamos vivendo em meio a uma geração movida à repetição, que “segue mapas”. Ainda nos encontramos presos ao século XIX, não ousamos, não avançamos, não dialogamos com os outros, não nos abrimos à reflexão, a auto-análise, não ouvimos críticas, achamos que a teologia é algo que está acima do bem e do mal, somos tão ufanistas que sequer cogitamos que podemos estar equivocados. Estamos debaixo da tirania de Procusto, normatizados pela instituição perversa, nossas consciências se cauterizaram pela pregação de uma mensagem que nada mais tem de Evangelho. Tristemente tornamo-nos a “igreja playmobil”: somos todos iguais, falamos todos iguais, pensamos todos iguais, vestimos todos iguais, cremos todos iguais! 

Em terceiro lugar, preocupa-me o fato de que muitos dos que fizeram análises e avaliações das falas e textos de Gondim sequer têm preparo para sentar com ele numa mesa e conversar, cinco minutos que seja, sobre os temas "malditos". A grande maioria dos líderes e pastores que o detratam são rasos, possuem um conhecimento de "epiderme", nunca investiram nem no estudo das Escrituras nem em estudos de outros campos do saber. Estes, jamais topariam um debate com o Gondim em rede nacional, pois, certamente, ficariam desconfortáveis e, provavelmente, sem argumentos consistentes para refutar pensamos e ideias. Boa parte dos textos “apologéticos” que li fazem “recortes pinçados” daquilo que Gondim afirma, uma espécie de edição via fotoshop, numa clara demonstração de que a análise é, no mínimo, tendenciosa. É a velha práxis de “coar o mosquito” enquanto se engole o “tiranossauro-nosso-de-cada-dia”. 

Apesar de não concordar com alguns pensamentos de Gondim, em nada ele me escandalizou. Pensar diferente não ofende, abre "sendas" para um olhar novo sobre questões antigas. Isso não desconstrói minhas convicções, pelo contrário, por vezes ajuda a sedimentá-las!  Sei que este homem agiu com retidão, abriu o coração, sei de sua seriedade e serenidade ao tratar dos assuntos do Reino, pois, mesmo sem o conhecer, conheço o seu legado e tenho convicção que ele próprio não poderia negar aquilo que passou toda a vida crendo. Seu pensamento avança ainda que, talvez, por terrenos eventualmente “pantanosos”, mas certamente rumo a um platô que lhe ponha firme sobre a Eterna Rocha que, uma vez posta, sendo a Pedra Angular, jamais poderá ser removida: Cristo, Jesus.

Em quarto lugar, preocupa-me a igreja evangélica não está aberta a nenhum tipo de conversação que vá para além da ortodoxia e, em alguns casos, para além do fundamentalismo já posto. Aqui vão me dizer que as “Escrituras são nossa única regra de prática e fé”, e eu assim também creio, mas não me sinto “amarrado” ao ponto de não usar da liberdade que disponho em Cristo para pensar, para fazer conjecturas, para teologizar, como tantos outros fizeram antes de mim, pois nossas crenças estão, usando um conceito de Foucault, sobre “camadas de saber” que foram construídas por outros, desde os Pais da Igreja até os pensadores – teólogos e filósofos – dos nossos dias.

Ora, nós somos o “produto” do pensamento de muitas gerações, de homens e mulheres que, ao seu tempo, ousaram, com aqueles que com eles estavam, refletir, pensar, questionar. Ninguém irá ao “inferno” de fogo por assim agir, isso eu lhes garanto... Toda teologia é temporal e antropológica, produto do tempo, da cultura, da sociedade e do homem em um determinado momento histórico. Mas as igrejas hoje querem apenas seguir a cartilha de sua denominação, pois nelas é pecado mortal pensar de forma diferente ou se abrir a novos saberes. Continuam dizendo que “Jesus é a solução”, mas não têm a mínima idéia do que o mundo está hoje questionando...

Em quinto e último lugar preocupa-me o destino do cristianismo como religião institucionalizada. Quando vejo alguns homens que jugo serem pessoas sérias, coerentes, pensantes, representativas e, sobretudo, gente de Deus abandonando o que aí está posto, quando ouço, por exemplo, um Leonardo Boff falar que o cristianismo deveria se aproximar mais da existência, ou um Cáio Fábio afirmar que hoje vivemos a perversão do Evangelho de Jesus, ou um Gondim romper com o movimento evangélico, fico contando o que sobrou e, sinceramente, assusta-me o que parece nos reservar o futuro! Acho que Deus terá de levantar as "pedras" para pregar, pois faltarão pregadores. Ou então vamos ficar com os estelionatários que aí estão, na TV, no rádio, gente tão perversa que aqui não cabe nem nominar.

Não estou preocupado com a Igreja de Jesus, pois esta sempre estará lutando contra as hostes do mal, defendendo “a fé que foi entregue uma vez por todas aos santos”, pregando a sã doutrina, amparando os caídos da existência, servindo a Deus com coração pacificado, adorando-o com todo ardor e amor, aguardando com ansiedade a volta de Jesus! Todavia, esta igreja invisível e católica – Universal  de Cristo, está inserida dentro das milhares de ramificações do cristianismo, pois é fato que existe uma igreja dentro da "igreja" e só o "Cabeça do Corpo", que a tudo vê, pode discernir quem é "joio" e quem é "trigo". E assim, como partícipe da religião institucionalizada, angustio-me com seus rumos, temo pelos dias vindouros, desencanto-me com suas posturas, percebo sua grave crise, sua "septicemia intelectual", sua falência múltipla em termos de prática e fé.

Bem, tudo dito, agora é só aguardar as PEDRADAS... (risos). Mas quem escreve aqui deve estar sempre preparado. Como de costume, não responderei as críticas, não é falta de respeito, mas de disponibilidade. Isso toma o pequeno espaço de tempo de postar novo artigo para abençoar meia dúzia dos que precisam. Ao Gondim, meu mano querido na fé em Jesus, desejo que seu coração seja inundado de paz e misericórdia, que ele fuja de toda raiz de amargura que esta “saraivada de golpes” pode vir a provocar, que se entregue ao Justo Juiz e sinta-se consolado por seus antecessores, uma grande “nuvem de testemunhas”, os quais foram perseguidos, mortos, torturados, serrados ao meio, caluniados, destratados, injuriados, “homens dos quais o mundo não era digno”, conforme Hebreus, capítulo 11. 

Termino este texto desejando encontrar corações quebrantados e espíritos humildes para entender o que está exposto, que não distorçam as afirmações aqui feitas, pois sou responsável pelo que escrevo, mas não pelo que entendem... Contudo, depois de ler o artigo da Bráulia e ver os comentários tenho poucas esperanças... (risos). Que Deus nos guie a Sua vontade e ao temor do Seu nome. Quanto a você, Gondim, caso leia estas linhas, sei que  sabe que é privilégio sofrer pela causa do Evangelho e pelo nome de Jesus, ainda que muitos não vejam que o que está acontecendo se encaixe neste contexto... Parafraseando-o, então, concluso dizendo:  Soli Deo Gloria!


Carlos Moreira


03 junho 2012

A Vida não Espera por Ninguém... Viva Logo!




Assista a esta empolgante mensagem em vídeo! A vida não espera por ninguém, segue seu curso, faz seus próprios planos, ruma inexorável na direção que lhe está proposta. No fundo, como disse Chaplin, ela “... é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.



Sou testemunha de dramas dos mais diversos que as pessoas enfrentam, muitos dos quais por causa de escolhas e decisões equivocadas. Esse fato nos remete a seguinte questão: depois de conhecer a Deus e ter aceito o chamado de Jesus, como devemos viver? Será que o que nós chamamos de vida é, de fato, vida conforme o Evangelho? 


Aprenda nesta mensagem sobre alguns princípios para viver a vida de tal forma que ela seja o desdobramento para fora, de toda graça, pacificação e misericórdia que um dia se instalou do lado de dentro do ser.






Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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