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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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25 agosto 2012

Quando a Superstição Transforma a Alma Numa "Usina de Fantasmas"



Edmund Burke, filósofo e político anglo-irlandês do século XVIII, escreveu certa vez: “A superstição é a religião das mentes simples”.

Eu penso que uma das coisas mais significativas que o Evangelho produz é a libertação, pelo conhecimento da Verdade, de todo tipo de superstição, sofisma e conceitos do senso comum que venham a se alojar na consciência do homem natural.

Mas o que é superstição? Trata-se de uma crença contrária à lógica formal, algo que vai de encontro à racionalidade e está baseado em tradições populares relacionadas ao pensamento mágico. O supersticioso acredita que rezas, feitiços, maldições e outros rituais possuem influência transcendental e podem alterar o destino das pessoas.

Nas minhas observações como pastor, sobretudo na escuta terapêutica, constatei um fenômeno curioso entre os “evangélicos”: muitos deles possuem um alto grau de superstição! Na maioria dos casos, tais crendices estão associadas à Teologia Moral de Causa e Efeito, aquela que faz com que haja uma ação de punição Divina sempre que o indivíduo realiza alguma coisa errada, uma espécie de bateu-levou.

Um dos exemplos mais comuns, trata dos que crêem que Deus os castiga sempre que eles deixam de dar o “dízimo”. Em tais circunstâncias, afirmam, “deus” libera o “devorador” – uma alegoria creditada a um tipo de gafanhoto que atacava ferozmente as lavouras e que aparece descrito no Velho Testamento – com vistas a que ele destrua objetos, cause transtornos diversos, desarticule oportunidades e, pasmem, provoque até enfermidades!

Cada vez mais, tenho encontrado pessoas atormentadas por neuroses que foram construídas a partir de suas percepções infundadas e da concatenação de uma teologia perversa, a qual, não raro, foi inoculada em suas consciências infantis através de “doutrinas” pregadas pela própria “igreja”. Aos poucos e, sem perceber, muitas delas acabam se tornando usinas de “fantasmas”.

Essa “patologia religiosa”, tristemente, tem destruído indivíduos tornando-os inválidos para a vida boa e simples. É que tais percepções, irremediavelmente, desenvolvem na alma uma espécie de vício psicológico que leva o sujeito a relacionar tudo de ruim que lhe acontece como sendo conseqüência de algo “errado” que ele fez. Na esmagadora maioria dos casos, entretanto, tais questões estão ligadas a fantasias, coisas totalmente dissociadas de qualquer dinâmica existencial que, de fato, possa produzir alguma coisa danosa ao ser.  

Coincidentemente, essa semana ouvi algo desta natureza... No relato, a pessoa me informava que havia descoberto que os problemas de seu casamento, que culminaram na separação, estavam associados ao fato de, no passado, o casal ter destruído muitos “despachos” em encruzilhadas, e isso sem estar devidamente “cobertos espiritualmente”.

Apesar da sinceridade da pessoa e de seu drama ser real, não é difícil averiguar a presença da fantasia produzida por uma consciência debilitada associada a uma alma ferida. Em seu “discurso”, fica claro o surgimento dos mecanismos de transferência, no caso repassando a responsabilidade pela falência do matrimônio para o “diabo”, seguido da questão da “doutrina” da “cobertura espiritual”, algo sem qualquer consistência do ponto de vista das Escrituras, mas que, em sua percepção, acabou os deixando sem o devido “isolamento” para lidar com as “cargas espirituais do mal”, além do total desconhecimento de doutrinas essenciais e elementares, como a da justificação pela fé.

Pois bem, essas questões que envolvem superstição e consciência aparecem com frequência nas Cartas de Paulo. Em 1ª. Coríntios capítulo 10 ele trata do tema de forma bastante lúcida. Observe: “Considerem o povo de Israel: os que comem dos sacrifícios não participam do altar? Portanto, que estou querendo dizer? Será que o sacrifício oferecido a um ídolo é alguma coisa? Ou o ídolo é alguma coisa? Não...”. 1 Co. 10:18-20

Paulo está fazendo uma analogia sobre a Ceia do Senhor. Sua argumentação é que aquele que come o que está no altar deve discernir o que o altar representa e também a quem ele está consagrado. Ora, quando trata do altar, do sacrifício e do ídolo pagão, afirma categoricamente que nada daquilo tem representação espiritual para aquele que está em Cristo Jesus, ou seja, ele está afirmando que, apesar dos poderes espirituais invisíveis existirem, a sua influência material real só tem aplicação para aquele que a ele credita alguma coisa, abrindo assim “portas” espirituais para a ação de demônios.

Caso contrário, tudo o que ali estiver exposto perde sua significação posto que o alimento que foi sacrificado ao ídolo, em si mesmo, nada representa: não é nem moral nem amoral, nem bom nem ruim, nem santo nem profano. Assim, só ganha representação para aquele que a ele credita alguma crença, a qual pode vir a transferir “poderes” do mundo espiritual para o mundo da matéria. 

E continua sua argumentação... “Se algum descrente o convidar para uma refeição... coma de tudo o que lhe for apresentado... Mas se alguém lhe disser: “Isto foi oferecido em sacrifício”, não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria...”. 1ª.  Co. 10:27-29.

Perceba que o que Paulo está afirmando é que, mesmo que eu coma algo que foi sacrificado ao ídolo, para mim, nenhuma influência terá, uma vez que minha consciência sabe que nem a comida nem o ídolo têm qualquer simbolização espiritual ou poder sobre minha vida. A única ressalva que o apóstolo faz, em circunstâncias desta natureza, diz respeito à presença de pessoas débeis na fé, ou seja, que não terão a compreensão da extensão da liberdade que há em Cristo, e, assim sendo, por amor a elas, e a sua fragilidade de entendimento e consciência, a abstenção deve ser praticada.

De fato, o que vejo, e isso cada vez mais, é que o povo dito de Deus não conhece nada das Escrituras, não sabe fazer uma exegese mínima dos textos bíblicos e, assim sendo, fica nas mãos de “feiticeiros do sagrado”, os quais lhe induzem, com frequência, ao erro. Por isso, tome essa análise aqui feita e a ponha em prática em sua vida. Ela tem aplicação direta para esta e muitas outras questões semelhantes.

Quando eu era solteiro, morava num bairro de Recife onde havia muitos “despachos”. Incontáveis vezes eu os destruí e, na autoridade do Nome de Jesus, desfiz o mal que eles carregavam contra outros. Como isso sempre acontecia tarde da noite, e, neste horário eu estava vindo ou da aula ou do trabalho, faminto, confesso que tive muitas vezes vontade de comer a galinha com a farofa que ali estava oferecida ao demônio! Talvez nunca o tenha feito porque não tinha nem prato nem talher para tal. Não fosse isto, o “capeta” ia era “dormir” com fome!

O que sei é que em toda a minha existência, jamais creditei nada de bom ou de ruim que me aconteceu no chão da vida aos despachos que destruí naquela esquina. E olha que eu não tinha “cobertura espiritual” para me proteger! Na verdade, poderia citar aqui uma infinidade de versículos que me “imunizam” contra qualquer mal que seja lançado contra mim ou os meus, mas vou citar apenas um: “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo.”. 1ª. Jo. 4:4.

Por isso, galinha em encruzilhada, vela preta, charuto, cachaça, farofa, despacho, macumba, maldição, mal olhado, mandinga, e o que mais vier, pra vocês, ó, tô nem aí! Fui!  

Carlos Moreira

02 janeiro 2012

O Medo: o Maior Gigante da Alma




Para quem tem medo, e a nada se atreve, tudo é ousado e perigoso. É o medo que esteriliza nossos abraços e cancela nossos beijos; que proíbe e nos coloca sempre do lado de cá do muro. 


Esse medo que se enraíza no coração do homem impede-o de ver o mundo que se descortina para além do muro, como se o novo fosse sempre uma cilada, e o desconhecido tivesse sempre uma armadilha a ameaçar nossa ilusão de segurança e certeza.


O Medo, já dizia Mira Y Lopes, é o grande gigante da alma, é o mais forte e a mais atávica das nossas emoções. Somos educados para o medo, para o não-ousar e, no entanto, os grandes saltos que demos, no tempo e no espaço, na ciência e na arte, na vida e no amor, foram transgressões, e somente a coragem lúcida pode trazer o novo, e a paisagem vasta que se descortina além dos muros que erguemos dentro e fora de nós mesmos.


E se Cristo não tivesse ousado saber-se o Messias Prometido? E se Galileu Galilei tivesse se acovardado diante das evidências que hoje aceitamos naturalmente? E se Freud tivesse se acovardado diante das profundezas do inconsciente? E se Picasso não tivesse se atrevido a distorcer as formas e a olhar como quem tivesse mil olhos?


"A mente apavora o que não é mesmo velho", canta o poeta, expressando o choque do novo, o estranhamento do desconhecido.


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Teixeira de Andrade.

02 dezembro 2010

Táxi, Aeroporto e Hotel


Eram duas horas da manhã e fazia um frio de rachar em Sampa. Cheguei e fui direto para o hotel. Trabalhei até a madrugada quando meu corpo deu sinal de alarme: “low battery”.

Nesse mesmo dia, eu havia acordado muito cedo e o decorrer das horas foram pesadas: trabalho no escritório, trabalho dentro do avião, isso sem contar com o cansaço da viagem em si e o deslocamento todo que ela engloba: táxi, aeroporto e hotel.

Naquela madrugada, sentei-me próximo à varanda do quarto de hotel e me deixei levar pela paisagem da garoa caindo sobre a Avenida Paulista. Enrolado no edredom, sem sono e sem sonhos, me permiti divagar. Pensei que não era só eu, naquele momento, a fitar aquele céu e que deveriam ser muitos os que estavam acordados fazendo o mesmo e desejando dias melhores.

Viajar me causa uma melancolia. Talvez porque eu já tenha rodado demais na vida... Negócios, projetos, parcerias, problemas com clientes, reuniões boas, reuniões ruins, reuniões azedas, reuniões e mais reuniões...

Tanta coisa assim, começando pelo café da manhã e indo até o último gole de vinho, já na madrugada, me faz perder até as percepções mais naturais. Ao final do dia, nem sequer consigo lembrar com quem estive falando. Às vezes, acordo no meio da noite e não sei onde estou. Por isso sempre deixo a janela aberta, pois, olhando para o lado de fora, consigo me localizar melhor. “Tempos modernos”, diria Chaplin.

Táxi, aeroporto e hotel, eles nunca me largam. A noite avança geralmente fria, com os poucos carros que ainda circulam pelas ruas. Na minha cabeça passam mil coisas: “o que fazem as pessoas dentro desses carros? No que elas estarão pen-sando? Será que, como eu, estão no piloto automático — ao fim de mais um dia — na melancolia das horas, contando os minutos para o sono chegar e o “chip” ser desligado?”.

Mas, como de costume, no dia seguinte, começa tudo de novo! E na minha solidão vou seguindo atrás da agenda que nem carnavalesco na Quarta-Feira de Cinzas. Sorriso no rosto, terno impecável, sapato engraxado, mochila com notebook nas costas, iPhone a postos, cartão de visita no bolso, o kit de ataque completo que um executivo precisa ter para tentar fazer dinheiro.

Durante o dia, as máquinas funcionam impecavelmente, desde que haja “link”, mas o meu sorriso se
desfaz como sorvete à luz do sol. É que, para mim, alegria vem de dentro, não é plástica performática estampada no rosto como personagem de novela.

Mesmo que eu feche negócios aos milhões, ao final do dia estarei de novo sentado na janela, enroscado no edredom, olhando para o nada e pensando no que farei na manhã seguinte.

A rotina come as pessoas por dentro. Talvez por isso me sinta, por vezes, oco, vazio, um galpão enorme sem nada dentro.

Sei que Jesus fala para aprendermos a ser gratos. A gratidão é dádiva degustada por poucos. Sou grato pela rotina, ainda que não tenha conseguido lidar bem com ela nestes últimos 30 anos de trabalho.

Mas tenho esperança de que ainda conseguirei. Há dias singulares, mas são poucos... Tenho tentado ser agradecido por cada coisa, até mesmo pela solidão, que me faz querer ir atrás de sonhos que são impossíveis de realizar.

Há, todavia, uma esperança no final do túnel! Nas sextas, tudo volta ao normal. O retorno para casa: hotel, táxi, aeroporto, avião, viagem, planilha aberta no voo... E a velha cerveja no final de mais uma noite fria. Esse é o trajeto que me leva de volta, de Sampa para Recife – horas que parecem não acabar nunca...

O que me espera na chegada é apenas o taxista. Carrego minhas malas e as deposito no carro. Adentro a noite escura de minha cidade seguindo pela Mascarenhas de Moraes até em casa. Entro em silêncio, guardo as malas, tomo um banho quente, deito sem sono, fico olhando o teto e as luzes pela janela... Mais uma jornada cumprida.

Obrigado, Senhor, pela rotina nossa de cada dia. Ajuda-me a dar a ela algum outro significado. É que o atual não dá mais para o gasto. Semana que vem, tem tudo de novo: táxi, aeroporto e hotel.

Carlos Moreira

29 novembro 2010

Medos de Quem tem Medo


A capa da revista Veja deste último final de semana estampou a notícia: “O Dia em que o Brasil Começou a Vencer o Crime”. Com uma ação coordenada entre as Polícias Militar, Civil, Federal, o Grupo de Operações Especiais – BOPE, Tropas do Exército, e tudo isto suportado por centenas de viaturas, helicópteros, blindados, tanques de guerra dos Fuzileiros Navais, os traficantes do Rio de Janeiro sofreram, talvez, o seu mais duro golpe em décadas.

Além da ação na favela Cruzeiro e no Complexo do Alemão, outras intervenções externas eram realizadas simultaneamente, como a transferência de chefões do tráfico para outros estados, a prisão de familiares dos traficantes, o bloqueio de bens, a decretação da prisão de advogados, uma ação de inteligência e ousadia do Governo do Estado e da Prefeitura que parece ter atingido, pelo menos até agora, resultados satisfatórios. Mesmo depois de termos assistido a série de barbáries proporcionadas pelos contraventores, com carros e ônibus incendiados, piquetes em avenidas, tiros disparados contra policiais, correria, comércio fechado, escolas inoperantes, parece que o saldo final foi positivo, pois as favelas estão controladas pelas forças de segurança e os bandidos presos.

Este não é um fato isolado. A verdade é que no mundo pós-moderno, cada vez mais, vivemos com medo. Criei interesse pelo tema e fui estudá-lo. Na minha análise, observei que existem determinados tipos de medos que são universais e atemporais. Rosemeire Zago, psicóloga clínica com abordagem jungiana, afirma que “o medo é uma reação protetora e saudável do ser humano e que ele se manifesta sempre que há uma ameaça à vida”. Este é o medo, digamos, saudável. Mas também existe o medo danoso, aquele que marca as pessoas e gera seqüelas na existência e que nasce quase sempre das experiências negativas e ameaçadoras que nós experimentamos.

Fato é que o nosso inconsciente não consegue diferenciar a fantasia da realidade, nem mesmo o passado do presente. Por isso muitos de nossos temores estão associados a coisas que vivenciamos e que nós, muitas vezes, não sabemos nem mesmo de onde vêm. Em muitos casos, esse tipo de medo surge, além dos perigos iminentes e reais, de certas associações que fizemos ao longo da vida.

Medo mata! Aliás, não somente ele, mas a ansiedade, que é a versão civilizada do medo, também pode matar. É por isso que os psicólogos dizem que o medo é o câncer da alma. E pior: quanto mais o negamos, mais poderoso ele se torna em nós. O medo é angustiante, apavorante, e, em algumas situações, paralisante. A vida pode ser comprometida por causa do medo. As dificuldades vão desde problemas relacionais, passam pelo comprometimento no exercício de atividades profissionais, e podem até mesmo chegar a gerar problemas físicos, as chamadas doenças psicossomáticas. Os casos mais agudos dão origem as síndromes do pânico, essa muito associada a tensões e temores do mundo contemporâneo.

Você tem medo? E tem medo do que? Ora, de tanto aconselhar pessoas, de ouvi-las em suas dores e dramas, acabei constatando que existe um conjunto de “medos genéricos”, sensações e sentimentos que são comuns as pessoas. Usando o Salmo 91 como pano de fundo para esta análise, uma vez que é um Salmo escrito durante um período de guerra, ou seja, numa situação onde surgem todos os tipos de medos, vamos tentar identificar, através da análise hermenêutica contextualizada, quais são estes medos presentes na vida das pessoas.

O primeiro medo é o medo da morte – Sl. 91:6 “Não te assustará... a mortandade que assola ao meio-dia”. Segundo Elizabeth Kubler Ross, nós vivemos numa cultura de negação da morte, por isso evitamos hospitais, funerais, doentes terminais, e tudo que nos remeta ao fim da existência. O fato é que este medo da morte está muito associado às incertezas que existem sobre o além. Samuel Johnson escreveu “não importa como uma pessoa morre, mas sim como ela vive”. E Paulo afirma, “completei a carreira e guardei a fé!”. Gosto muito da forma como Leonardo Boff fala da morte. Ele afirma que nós não estamos rumando para o fim, mas avançando para o começo, pois nossa vida foi predestinada para aquilo que ainda está adiante. Neste momento, estamos indo de encontro ao nosso nascimento, e isto com vistas a realizarmos aquilo que Deus planejou, portanto, somos o agora e o ainda-não!

O segundo medo é o que falamos no começo, o medo da violência. Sl. 91:7 “caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido”.  A vida humana perdeu o valor e o significado. Mata-se uma pessoa por questões banais, por uma discussão no trânsito, por um tênis, pela inveja, pelo poder, pela ganância. Com 20 ou 30 reais você pode extinguir a vida de uma pessoa. Este medo da violência nos trancafiou dentro de nossas casas. Temos medo de qualquer pessoa que tenta se aproximar de nós, nem mesmo com os vizinhos queremos relacionamento. Nossas “trocas” agora são virtuais, pois imaginamos estar protegidos atrás do computador. Ledo engano. Centenas de crimes são cometidos pela internet, desde os financeiros, até seqüestros, com pessoas seduzidas em sites de relacionamento.

O terceiro medo é o medo do futuro. Sl. 91:10  “nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda”. A música popular diz: “como será o amanhã, responda quem puder, o que irá me acontecer...”. Nós vivemos num mundo onde, economicamente, os recursos são cada vez mais escassos. O capitalismo produziu um estilo de vida sufocante, onde as pessoas têm de sobreviver a qualquer custo e, para tal, vale tudo: passar por cima de regras, da ética, dos valores absolutos, pois o que vale é a negociata, o conluio, o suborno, uma vez que, no final, vencerá aquele que for mais “esperto”. É nesta perspectiva que o existencialismo de Sartre afirma que “o inferno é o outro”. Sim, o outro quer tomar o meu lugar, roubar a minha mulher, ocupar o meu cargo, morar na minha casa, desfrutar daquilo que deveria ser meu. É daí que surgem os transtornos de ansiedade, as doenças psicossomáticas, as demandas por diazepínicos, muletas existenciais que utilizamos para ter condições de tomar o transporte e encarar a rotina da vida. Disse Mário da Silva Brito “quem muito pensa no futuro, perde o presente”. 

O quarto medo é o medo do fracasso. Sl. 91:11 “porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos”.  Existimos na sociedade dos campeões. Você tem de chegar ao topo, tem de ser o melhor, o mais bonito, o mais bem sucedido, o que mora no melhor bairro, no melhor apartamento, que trabalha na melhor empresa, que tem os filhos no melhor colégio. Ai de quem fracassar! Ai do empresário que falir! Ai da mulher de meia idade, cheia de dores e de filhos, que foi abandonada pelo marido! Ai daquele que foi surpreendido em pecado, pois a “plebe” urge e grita “crucifica-o!”. Ai do homem de meia idade que não se recoloca mais no mercado, ai da mulher que não conseguiu casar, ai daquele que sucumbiu a depressão, ou que foi atingido por um câncer. As pessoas têm medo de perder, de cair, de beijar a lona. Judith Vriost afirma em seu livro “Perdas Necessárias” que nós só cresceremos quando aprendermos a perder, por isso, dê significado as suas derrotas, encontre lições em seus fracassos, tire da dor princípios para a vida, e da amargura valores para o ser. Diz o salmista, “não dormitará aquele que te guarda... ele guardará a tua entrada e a tua saída”. Aprenda a confiar e lembre-se “a maior perda é a das coisas que nunca tivemos” Mauro Motta.
 
Outro medo muito comum, o quinto, é o medo de amar. Sl. 91:14 “porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo”. A alusão do salmista é o amor de Deus por nós, mas eu bem que posso transportar isto para o amor que envolve um homem e uma mulher. Hoje ninguém se apega mais a ninguém, por isso “ninguém está a salvo”! Estamos na sociedade dos descartáveis, pois aprendemos a amar as coisas e usar as pessoas. “tem gente que pensa que gente se entrega a outra gente e nada acontece. Tem gente que se dá a outra gente sem saber que a gente é feita de gente. Tem gente que se ilude com a idéia de que gente não transfere gente para outra gente. Tem gente que não entende que gente é contagiada quando se faz ‘um’ com outra gente.” Caio Fábio. Eis uma realidade! Gente reciclando relacionamento, passando de mão em mão, simbiotizando a alma com toda sorte de ser, e ainda diz que o bom é experimentar a variedade. Coisa nenhuma! Quanto mais relações mais distorções, mais confusão sentimental, mais referências cruzadas, a pessoa acaba perdendo a noção do que é amor, pois tantas são suas experiências que ela já não distingue o bom do ruim. Amor não é um sentimento, mas uma decisão. Esta é a cura para este mal: “o verdadeiro amor lança fora todo medo... o amor tudo crê, tudo suporta, tudo espera”.

O sexto e último medo é o medo da solidão. Sl. 91:15 “Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele”. A violência nos aprisionou em nossas casas. A tecnologia nos transportou para mundos distantes sem sair do lugar. Nossa vida se tornou impessoal, não relacional. É um tempo de impermanência, onde a existência de qualquer coisa duradoura está ameaçada. As pessoas se relacionam como empresas, fazem “contratos” de curta duração, pois não existem mais projetos de longo prazo, tudo é perecível. Por isso canta o poeta Cazuza: “solidão a dois de dia faz calor depois faz frio”. É a vivência que não gera conjugalidade, que não gera relacionamento, é apenas sexo e diversão, não existe renúncia, não existe amor, não existe doação. Vivemos na cultura da imagem: corpo sarado, mas a mente vazia; é a supervalorização do invólucro remendado pela plástica, a despeito das celulites e rugas, mas que vêm acompanhadas de precioso conteúdo existencial. É a tirania do se fazer acompanhar, pois é melhor estar mal acompanhado do que só. Que tragédia! Deus te diz: “nunca te deixarei, jamais te desampararei”. Viver de forma solitária, mas reverente para consigo mesmo, pode ser uma escolha difícil, mas que eliminará de tua vida muitos males. Quanto a isto não tenha dúvidas, pois é o que a vida tem me mostrado.    

Em minhas análises encontrei estes que são os medos de quem tem medo. Se você os identificar na sua vida, saiba: não há nada de anormal com você. Apenas, com coração apaziguado pela graça e com a alma pacificada pela fé, busque vencê-los, pois aquele que conhece a Deus é liberto de todos os seus temores. Diz o salmista “clamou este aflito, e o Senhor ouviu, e o livrou de todas as suas tribulações”. Por isso, não tema, mas apenas confie...

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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