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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

17 maio 2013

Nota de Falecimento




Hoje tomei conhecimento de algo que já era aguardado por muitos: a notícia de que o cristianismo faleceu. Ao contrário do que talvez se pense, não foi uma morte repentina, uma vez que sua falência múltipla já se arrastava por, pelo menos, meio século. Morreu de infecção generalizada!

Na verdade, a saúde do cristianismo nunca foi boa. Isso podia ser percebido já em seus primeiros anos. Sua origem está associada ao movimento chamado “os do Caminho”, que remonta aos primeiros discípulos de Jesus, o Cristo. No segundo século, este grupo havia crescido assustadoramente, tinha seguidores em todas as camadas da sociedade e na maior parte do mundo habitado.

No terceiro século, todavia, o “movimento do Caminho” sofreu um duro golpe: foi transformado pelo imperador romano Constantino na religião oficial do império. Essa institucionalização, que se deu em 325 d.C., numa reunião denominada de Concílio de Nicéia, estabeleceu a ruptura definitiva entre os antigos seguidores de Jesus e os que passaram a organizar e normatizar essa nova fé.

A idade média foi muito dura com o cristianismo. Já como religião dominante do ocidente, ele viu-se em voltas com inúmeros problemas. Teve de lidar, dentre outros, com a infiltração e o crescimento de falsas doutrinas, além da grave corrupção do clero. Apesar de ter se estabelecido como um poder terreno, tanto político quanto religioso, começava a apresentar os primeiros sinais de doença grave.

O auge dessa crise, contanto, se deu na idade moderna, no século XVI. Foi nesse período que o cristianismo enfrentou mais um sério problema: o seu mais contundente cisma. Denominado de Reforma Protestante, foi liderado por um monge alemão de nome Martinho Lutero, e refletiu o desejo de mudança que já se podia sentir pelo menos 200 anos antes.   

As intenções da Reforma eram boas, mas seus desdobramentos mostraram que ela não se constituiu no remédio definitivo para a “cura do mal”. Polarizado, tendo de um lado a igreja de Roma e do outro as centenas de denominações Protestantes, o cristianismo começou a agonizar. Na idade contemporânea, estava infectado por politicagem, corrupção, desvios, fragmentações, o que acelerou o agravamento de sua situação.

O século XXI iniciou com o cristianismo já em estado de coma. Os últimos anos do século XX foram decisivos para sua decadência final. Os problemas generalizaram-se, em todas as esferas, e atingiram duramente seus líderes. Escândalos sem precedentes marcaram sua derrocada. Entre os mais graves, casos de pedofilia, de enriquecimento ilícito, prostituição no clero, lavagem de dinheiro e os sucessivos e agora insustentáveis desvios doutrinários. A morte era só uma questão de tempo. Enfim, chegou.

Quero aqui me solidarizar com mais de dois bilhões de fiéis que ficaram órfãos de sua religião. Sinto a dor dos que foram manipulados, espoliados, dos que foram iludidos com falsas esperanças. Sim, choro com você que acreditou num deus feito pelos homens, numa fé calcada em magia, numa proposta de mudanças epidérmicas, que alteram a aparência, mas que jamais chegam aos escaninhos da alma e as câmaras do coração.

Querido amigo, sou reverente com sua dor. Sinto pelo engano do qual você se tornou vítima. Apesar de sua mente ter passado por uma “lavagem”, sua consciência nunca foi ressignifcada. Suas práticas não lhe levaram a nada porque eram apenas ritos ocos, regras tolas, nunca se constituíram em mudança profunda no caráter que produzisse furtos de justiça.

Estou certo que suas intenções eram boas. Mas, convenhamos, é impossível que doutrinas judaizantes, simbiotizadas com religiões de mistérios antigas e filosofias gregas, sobretudo a lógica aristotélica, pudesse fazer alguém transcender e chegar ao Deus Eterno. Isso, creia-me, só é possível por meio do Sangue de Jesus de Nazaré, uma vez quebrantado o coração por causa da Graça e acesa a consciência para o arrependimento por meio da fé.

Notícias que chegam a todo instante dão conta de que o sepultamento do cristianismo ainda não tem data certa. Neste momento, há intensa discussão sobre o local, que poderá ser a Basílica de São Pedro, a catedral de Westiminster ou a catedral de Canterbury, e também sobre quem deverá ser o oficiante da cerimônia.

Em todo o mundo, grupos religiosos se preparam para receber o “espólio” dos cristãos, não só os bens da igreja, que são numerosos, mas, sobretudo, as pessoas. Acredita-se que a migração será fragmentada, com grupos aderindo ao islamismo, outros retornando ao judaísmo, e ainda os que buscarão religiões espiritualistas orientais.

A boa notícia, em meio a toda essa tragédia, é que ainda sobrevive um pequeno remanescente dos que acreditam em Jesus de Nazaré. Em todo o mundo, discípulos do profeta da Galiléia continuam a reunir-se em casas, escolas, pequenos auditórios e igrejas para celebrar ao Deus Verdadeiro. Eles se dizem oriundos do “movimento do Caminho”, o qual está associado aos primeiros apóstolos e pais da igreja dos dois primeiros séculos.  

Esse grupo permanece, até hoje, fiel a Escritura Sagrada, amando a Deus sobre todas as coisas e sendo solidário com o próximo. Curiosamente, eles sempre se fizeram presentes na história, ora coexistindo dentro do próprio cristianismo, ora correndo paralelo a ele. Surpreendentemente, a fé destes discípulos de Jesus sobreviveu há séculos de crendices e hoje parece ter se tornado madura e consistente.

Trata-se de gente carregada de uma singeleza no olhar, pois eles são mansos, humildes, cheios de compaixão e misericórdia. Não será difícil reconhecê-los. Estão sempre dispostos a ajudar, são coerentes com aquilo que pregam e vivem, falam de esperança, amam com sinceridade, são desapegados.

Quais errantes, eles estão em todo lugar, e sempre anunciam o que chamam de Evangelho. Essa mensagem milenar, que parecia totalmente esquecida, apregoa que Deus se reconciliou com os homens por intermédio de Jesus, não mais imputando aos mesmos os seus pecados, mas assegurando a todo o que crê a vida eterna.

Quem desejar conferir que fique atento! Pode existir um grupo destes bem próximo a você. Vale a pena visitá-los e conhecer a extraordinária mensagem que eles carregam encarnada em si mesmos.

Carlos Moreira 


14 maio 2013

Sem Noção!




Ouvir pessoas é algo, ao mesmo tempo, prazeroso e penoso. Dá prazer porque você pode ajudar a resolver questões, não raro, simples, que machucam e angustiam os indivíduos. Penoso porque você sofre com o sofrimento de quem se expõe e abre as feridas feitas pela vida.

É nesse processo de escuta terapêutica que compreendemos o que acontece entre os cristãos. A esmagadora maioria dos problemas tem a ver com questões onde o bom senso resolveria. Mas também são muitos os casos onde se percebe o total desconhecimento de princípios elementares do Evangelho os quais, uma vez aplicados a existência, tornariam a vida melhor e mais leve.

Em conversas pastorais, ao questionar sobre a leitura das Escrituras, identifico que quase a totalidade dos entrevistados nunca leu, sequer, o Novo Testamento. Pessoas com cinco ou dez anos na “fé” afirmam que nunca leram um livro inteiro da Bíblia, nem mesmo um dos Evangelhos!

O fenômeno que surge em decorrência desta atitude revela um pouco do substrato da igreja em nossos dias. Em primeiro lugar, temos uma massa de indivíduos facilmente manipulados, pois ela não possui qualquer argumento para confrontar ou refutar as ideias que lhes são transmitidas.

Em segundo lugar, surge a “hegemonia da tradição”, que torna verdade aquilo que foi construído a partir da cultura. Foi assim, por exemplo, que se estabeleceu que não se pode comer carne na semana santa. Em nenhum lugar das Escrituras encontramos isso, pelo contrário, Jesus afirmou que não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que procede do coração.

Em terceiro lugar, temos o problema da interpretação. A Reforma Protestante prestou um enorme bem à cristandade quando colocou a Bíblia ao alcance das pessoas. Por outro lado, fez surgir um mal quase que incontornável: a questão de como os textos passaram a ser interpretados.

A Escritura Sagrada possui diversos tipos de linguagem, foi escrita dentro de uma cosmovisão específica, num contexto cultural, econômico, religioso, filosófico e político totalmente diferente do nosso. Além disso, aproximadamente 40 autores participaram deste processo, o que a torna ainda mais heterogênea e eclética. Portanto, interpretar este livro e trazer seus ensinamentos, ressignificado-os para o nosso tempo, não é tarefa fácil.  

Por outro lado, não conhecer os conteúdos e os princípios da fé leva as pessoas a sempre serem infantis em sua espiritualidade. A priori, ou elas são manipuladas por estelionatários ou fundamentalistas, ou passam a ser guiadas por tradições que nada dizem respeito a Jesus e ao Evangelho, ou caem no problema das interpretações, por vezes, bizarras.

A educação cristã é tão importante quanto à educação tradicional. Um povo analfabeto em termos de Bíblia refletirá um cristianismo distorcido e insipiente. O pior é que não há solução de curto prazo, pois cada vez mais as pessoas leem menos. Até nas igrejas as passagens são projetados em telões. Desta forma, nem mesmo na comunidade de fé o indivíduo lê o texto em sua própria Bíblia!

Abrir a Escritura foi uma das mais prazerosas experiências que tive na vida. Em minhas mãos, tenho mais do que um conjunto de livros, tenho um “ente relacional”, escritos que ganham vida, palavras que saltam das páginas e interagem comigo. Elas me confrontam, indagam, acalmam.

Em qualquer área do conhecimento humano é mister o aprofundamento teórico. Na vida cristã também é assim. O desconhecimento das verdades bíblicas tem consequências profundamente danosas à espiritualidade, sendo que a menos impactante delas é a formação de uma geração de fiéis totalmente “sem noção”. Seria, sem qualquer ofensa, a consagração das toupeiras!

Contudo, eu lhes pergunto: fazer o quê?

Carlos Moreira

13 maio 2013

Eu Porém vos Digo...



Quando Jesus começou a anunciar o Reino de Deus, sua proposta não se referia a mudanças na religião de Israel, mas tratava da transformação da consciência dos indivíduos. Estava claro que seu objetivo não era fazer remendos na debilitada lei judaica, mas instaurar um novo proceder que fosse para além das questões relativas à norma.

“Ouvistes o que foi dito...”, afirmava o Galileu. Sua fala referia-se aos velhos ditames da Torá. Ele estava confrontando àquilo que era discernido como espiritualidade, mas que, na verdade, envenenava a alma. Aquela geração vivia calcada em regras estéreis, baseadas na estética comportamental, que valorizavam a performance. Jesus, todavia, oferecia conteúdos éticos, que transformavam interiores e regeneravam o ser.

“Eu porém vos digo...”, insistia Ele. Era uma proposição que visava ressignificar práticas existenciais. A lei havia caducado, transformara-se num conjunto de doutrinas perversas e tradições histórico-culturais. Chegara a um ponto em que era melhor deixar alguém sofrendo com um aleijão do que curá-lo em dia de sábado. Instaurara-se no coração dos homens a condescendência com a hipocrisia.

Estou certo de que um dos maiores perigos da religião é quando ela vira ideologia. Se perguntarmos a alguém em uma comunidade se ele já aceitou a Cristo, ouviremos: “sim, eu tomei essa decisão. Certo dia levantei minha mão e dei um passo à frente”. Esse ato, todavia, raramente é seguido de qualquer mudança interior, pois o que o sujeito fez foi dizer que concorda com as regras seguidas pela coletividade.

É um tipo de “decisão” que não possuiu qualquer desdobramento para dentro, restringiu-se ao que se pode perceber do lado de fora. Ela fez com que o sujeito incorporasse trejeitos, mudasse o tom da fala, alterasse a agenda. Tudo isso, contudo, jamais se projetou para o ser. Conversão, de fato, diz respeito a mudar a consciência, com vistas a que se possa materializar no caminho “frutos dignos do arrependimento”.

Quando isso acontece, a pessoa é capaz de perceber o outro, solidarizar-se com os caídos, tornar-se reverente com a dor do que sofre, aceitar o diferente, buscar a justiça, falar a verdade, amar sem ser amado. Não existe fé que não se desdobre! Uma espiritualidade voltada para si mesmo adoece todo aquele que dela se torne refém.

“Se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”. Essa é a difícil constatação de Jesus. Tenho percebido que há mais gente de bem fora das igrejas do que dentro delas. Vejo cristãos se esforçando para tentar chegar à média comportamental da sociedade. Triste ver que somos um povo cheio de carismas, mas totalmente esvaziados de caráter.      

Em tempos de prosperidade, falsificação doutrinária, barganhas com o sagrado, querer viver o bom e simples Evangelho coloca a pessoa na contra-mão do fluxo. Fazer o quê? Talvez, lembrar de Isaías: “Senhor, quem deu ouvidos a nossa pregação?”.

Carlos Moreira

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