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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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24 dezembro 2018

O Presente de Natal é Jesus Estar Presente



Bem falou Exupéry, “O essencial é invisível aos olhos”. De fato, as coisas mais significativas da vida são sentidas muito antes de serem vistas, elas nascem, primeiro, no coração e na consciência e, só depois, ganham materialidade e podem ser perceptíveis aos olhos. 

Paulo trata deste tema se referindo também aos fatos de natureza espiritual, ele afirma que há coisas na vida que só podem ser compreendidas se discernidas espiritualmente. Foi exatamente isso que aconteceu com os que estavam no Templo de Jerusalém no primeiro Natal. 

Naqueles dias, José e Maria foram, conforme o costume da Lei, apresentar o menino recém-nascido diante de Deus. Eles entraram no “lugar sagrado”, ali estavam acontecendo todas as liturgias e rotinas da religião, sacerdotes ofereciam sacrifícios pelos pecados do povo, levitas faziam suas oblações, transeuntes traziam seus dízimos e os depositavam nos gazofilácios, os objetivos cúlticos estavam em seus devidos lugares, havia canções e orações sendo proferidas, mas ninguém notou que o Salvador do Mundo adentrou aquele espaço. 

Eles serviam a um Deus a quem jamais conheceram, desenvolveram para si um tipo de espiritualidade que cega a consciência e endurece o coração, não podiam discernir, viam apenas as exterioridades, o essencial não podia ser compreendido porque a Revelação não havia acontecido. 

Lucas narra este fato no capítulo 2 de seu Evangelho. Ainda que ali estivessem milhares de pessoas, só Simeão, um homem piedoso da cidade, e Ana, uma profetiza velha e viúva, entenderam que o Messias havia chegado, a Encarnação de Deus, na figura de um menino, estava ali, diante de todos, mas a maioria deles não podia ver, seus olhos estavam embotados. 

Como bem disse Tertuliano: “credo quia absurdum” – creio porque é absurdo! Eu lhe desejo, com todo afeto, um Feliz Natal! Sim, lhe desejo um Natal onde Jesus possa ser sentido em seu coração, um Natal onde sua Mensagem possa ser discernida em sua Consciência e um Natal onde o Seu Espírito lhe habite trazendo a revelação de quem, de fato, ele é. 

Eu não sei se você frequenta um local de culto religioso, não sei se está envolvido com rotinas eclesiásticas ou mesmo se é um sacerdote, ou líder, o que sei é que este é um tempo de Templos cheios e almas vazias, onde a esmagadora maioria das pessoas sabe quem é Jesus, do ponto de vista da historicidade da fé, mas jamais teve um encontro pessoal com ele nas ambiências do coração. 

Naqueles dias, nem mesmo os rabinos, os doutores da Lei e os escribas puderem perceber o que estava acontecendo, pois eles sabiam tudo sobre a Letra, mas nada compreendiam sobre o Espírito, os Magos, do Oriente, fizeram a leitura correta, mas os teólogos de Jerusalém passaram batido, estavam entretidos com o negócio da religião. 

Contudo, diz o apóstolo João, “Mas, a todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem chamados Filhos de Deus”! Que o Pai lhe dê, neste Natal, o maior de todos os presentes, que é a revelação de que Jesus está presente, ele habitou entre nós, se fez um de nós, viveu como um de nós, morreu como um de nós, mas Ressuscitou, como haveremos de ressuscitar todos nós, os que cremos em seu Nome! 

Um beijo carinhoso neste dia da Festa do Amor! 


Carlos Moreira


06 dezembro 2017

Masturbação Teológica: Puxa, Encolhe e não Chega a Canto Algum



O “Drama do Gondim”, que diz ter abraçado a teologia apofática, não é novo, não é, sequer, dele, apenas, não tem qualquer originalidade, é o drama do homem diante do inexplicável, do êxtase do absurdo de um Deus que ama a quem dele se aproxima com fé, sem questões outras, crendo no imponderável, fazendo a dúvida sucumbir e a razão desvanecer ante a imensidão do amor que se manifesta na Graça.

De certo, diverte-me tanta polêmica com a questão do Gondim, debates inflamados, “teólogos” monolíticos defendendo sua ortodoxia calcificada, agressões espontâneas, paixões ideologizadas. O sábio do Eclesiastes daria gargalhadas de nossas questiúnculas, tomaria um bom vinho e apreciaria a nossa barbárie pseudo intelectual.

Escrito há 3.000 anos atrás, o texto do sábio oriental já apresentava os devaneios de quem não tem medo de pensar e inquirir a existência em busca de, ao menos, algumas poucas respostas. No capítulo 9, versos 2 e 3, ele nos expõe o drama humano, numa afirmação basilar, que carrega o desconsolo de todos nós. Afirma o pensador: “Todos caminham rumo a um mesmo destino, tanto o justo quanto o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que consagra sacrifícios e louvores e o que não os oferece. O que acontece com o homem bom, ocorre também ao pecador; e o que faz juramentos passa pelas mesmas circunstâncias que aquele que evita jurar. Este é o mal que paira sobre tudo o que se realiza debaixo do sol: todos nós estamos expostos ao mesmo destino”.

A perplexidade do autor do extraordinário texto sapiencial é a minha, a sua, a nossa! Quem ousar olhar para além do muro, quem abrir o entendimento para degustar outros saberes e não se afogar numa teologia minimalista, vai se deparar com a mesma questão, pois a dualidade do texto bíblico por ora nos revela um Deus que intervém na história, muda planos, usa circunstâncias, altera destinos, subverte a lógica, realiza o milagre, ao mesmo tempo em que, em outras situações, permite que o caos se estabeleça, que o inusitado nos surpreenda, que o pior plano seja executado, que a razão sucumba, que o justo morra, que a questão se revele irremediável e inamovível.

E tem explicação? Tem não! Deus não é para ser explicado, é para ser crido, o justo não viverá pelo método, mas pela fé, isso é tão elementar que avançar um milímetro para além é blasfêmia e arrogância.

Deixa, então, o Gondim crer no que ele quiser, eu prefiro a sua honestidade de confessar sua incapacidade de crê na cartilha protestante reformada do que a hipocrisia travestida de segurança dogmática dos que defendem a providência de um lado e se contorcem em angústias noturnas do outro, sem conseguir explicar o óbvio da vida. Queria ver essa gente diante da calamidade de enterrar um filho, ou ao receber a notícia do câncer metástico, que confere ao enfermo três meses de vida, se ainda encararia a “providência” da mesma forma. Na prática, minhas convicções teológicas não conseguem, sequer, explicar porque nasce o são e o cego, quanto mais questões singulares da vida, posto que a tragédia do outro é sempre suportável para quem assiste a calamidade da calçada da arrogância teórica.

Assim, podemos chamar de teologia apofática ou teologia da negação aquela que apregoa um Deus que não pode ser definido ou explicado, como bem disse Karl Barth, isso acontece por que ele é o “Totalmente Outro”. A teologia autofágica, por sua vez, é aquela que se basta, que come a si mesma, que se alimenta de um deus criado, um deus a semelhança do homem, com a razão humana, com as inquietações e angústias dos seres humanos, um deus para consumo da religião, ensimesmado, malicioso, cheio de cabrestos morais, ranzinza, neurótico, empestado de ódio pela criação, vingativo, que precisa mostrar seu poder mandando maldições e despejando saraiva e fogo sobre a humanidade perdida.

Certo, mesmo, estava o sábio do Eclesiastes, que num texto de apenas 12 capítulos questiona Deus, faz asseverações realistas, permite-se realizar conjecturas absurdas, contraria a teologia vigente, assume contornos epicuristas, apropria-se de questões ateístas, veste-se com a dúvida, flerta com a loucura, toma um porre de desrazão e conclui, como não poderia deixar de ser, dizendo: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: teme a Deus e guarde os seus mandamentos”, ou seja, ainda que todas estas inquietações me habitem, pois sou feito do barro das contradições, Ele continua sendo bom, Ele continua sendo Deus!

Portanto, creia-me, o Todo Poderoso está no mesmo lugar de sempre e o seu amor ainda é a razão de tudo ser e existir. O mais, meu bro, é masturbação filosófico-teológica de quem, na verdade, nunca quebrou uma unha e não sabe que o chão da vida é feito de perdas, dramas e dores... CM

Carlos Moreira

30 setembro 2017

Toda Nudez Será Perdoada



“... Percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si ”. Gn. 3:7.

O texto revela o nascimento da consciência humana, agora capaz de discernir não somente o bem, mas também o mal. Adão e Eva estavam nus desde sempre, mas não se percebiam nus, não havia neles uma preocupação pudica ou moral, nem um sentimento erótico quanto a esse fato.

Como sabemos, Gênesis 3 possui uma narrativa mítica, mas serve, perfeitamente, para demonstrar como se deu o processo de construção de nossos valores, uma vez que se utiliza da nudez como forma de estabelecer conceitos como “certo” e “errado”. Desta forma, levando-se em consideração uma consciência em estado ainda infantil, não seria possível usar uma analogia muito diferente desta, portanto, a nudez ali não é a questão principal, uma vez que o ponto a debater não é a moral religiosa que herdamos da cultura judaico-cristã, nem muito menos algo ligado a sexualidade, mas, como o nosso olhar constrói o que, para nós, é certo ou errado, é bem ou mal.

Ora, eu não sou Deus, não sou capaz de julgar sem um viés entre o que é bom e o que não é, uma vez que estou aculturado e impregnado pela cosmovisão do mundo que habito. Eu não sou absoluto, como ele, mas relativo, meu olhar só consegue compreender as coisas a partir daquilo que já está instalado em mim como consciência pois, de outra forma, o que olhasse nada poderia me dizer.

Assim, quando o texto do Gênesis estabelece o conceito da moralidade (bem/mal) ele o faz da perspectiva humana, foram Adão e Eva que se perceberam nus, não foi Deus quem os avisou de tal fato mandando que se vestissem, donde se depreende que a moral religiosa não tem nada a ver com a Ética do Reino de Deus.

A não percepção desta verdade subjacente, a qual se encontra para muito além do “estar nu”, foi o que estabeleceu o paradigma que se ancorou na força do pressuposto religioso, o que fez com que o corpo, sobretudo os órgãos sexuais, fossem censurados e tidos, por nós, como meios pecaminosos.

Na verdade, o trato da igreja com o corpo e a sexualidade está fartamente influenciado pelo pensamento filosófico agostiniano que, além de neoplatônico, está "afetado" pelo seu próprio censo moral. Assim, o cristianismo tem estabelecido para si uma moral que é cultural e temporal, mas o Evangelho nos chama a viver a ética do Reino, atemporal e universal.

O corpo, portanto, não é feio, nem a nudez pecado, como querem ensinar os líderes religiosos, o que fez o homem ser expulso do paraíso não foi o sexo, nem o estar nu, mas o desejo de ser igual a Deus, a liberdade sem responsabilidade, a independência egoísta.

Tudo isto que disse até aqui foi para que eu pudesse afirmar que nudez é uma coisa e erotismo é outra. A nudez é a manifestação expressa da beleza do corpo, o erotismo, por sua vez, tem a ver com a forma como eu vejo a nudez, pois está pigmentado pelos meus conceitos e valores, minha visão de mundo e da vida.

Não é o corpo que é erótico, é a alma, como bem definiu a poetiza e filósofa Adélia Prado. O mal, portanto, não está naquilo que eu vejo, mas no “como” eu vejo, não está na nudez, mas como essa nudez se traduz em mim a partir de meus sentidos e dos conteúdos que eu carrego.

Fica, portanto, a dica, para quem quer andar livre, sem questões morais, mas tendo sempre o bom senso e a boa consciência como companheiros de jornada: olhe com amor, pois, sem amor, até o belo lhe parecerá feio. Traduzindo isto nas palavras insuperáveis de Jesus: “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luz”...


Carlos Moreira


25 julho 2017

O Suicida vai para o Inferno?



Se eu acredito que Deus condenará um suicida ao inferno de fogo? Jamais. Quem sai da vida porque viver é pior do que morrer deliberou um ato extremo para tentar encontra paz e pacificação. Certamente, o Pai o acolherá e lhe enxugará dos olhos toda lágrima.

A maior parte dos que sustentam a condenação do suicida o fazem baseados numa afirmação de Paulo na carta de 1ª Coríntios capítulo 3 versos 16 e 17. Ora, para mim, o simples fato de Jesus nunca ter tocado no tema já abre um precedente insuperável para que nós não tentemos legislar nada, onde ele calou. Mas vamos ao texto:

1ª Co. 3:16-17 (Versões de Almeida no Brasil)
Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós.

Agora, o mesmo texto na versão King James, considerada uma das melhores versões da bíblia, fora o original grego.

1ª Co. 3:16-17 (Versão King James)
Não conheceis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém contaminar o templo de Deus, Deus o destruirá; Porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.

A palavra “destruir”, que aparece nas citações acima, do grego φθείρω (phtheiró), pode ter em sua tradução a aplicação de mais de um sentido. Contudo, no texto em questão, ela é melhor traduzida quando usamos a palavra “corromper”. Para perceber o que digo, esse mesmo verbo – φθείρω – é utilizado em passagens como 1ª Co. 15:33, 2 Pe. 2:12, Ap. 19:2 e Ef. 4:22.

Quando Paulo faz a analogia asseverando que nós somos o templo de Deus, ele fala a uma plateia de gentios recém convertidos, que era a maioria da composição dos membros da igreja de corinto. Ora, essa gente estava acostumada a conviver com templos pagãos, pois na cidade havia, ao menos, 12 deles.

Mas a ilustração não servia apenas aos gentios, mas também aos Judeus, pois a ideia de “corromper” era a mesma de “contaminar”, e o Judeu bem sabia o que significava a contaminação do templo, pois em sua história isso já havia sido feito por Epifânio Antíoco, rei da Síria, que profanou o segundo templo.

Então, quando Paulo fala sobre “corromper/contaminar” o templo, que agora não é mais uma obra humana, um empreendimento de pedras, mas o nosso próprio corpo, tornado santuário, ele está tratando de questões éticas e morais, da entrega do corpo a depravação, a diluição do ser, o extravio da alma, a profanação da consciência, o que se compatibiliza com todos os outros textos onde o verbo citado aparece.

Assim também, o mesmo verbo – φθείρω – que aparece na parte (b) do versículo “Deus o destruirá; Porque o templo de Deus, que é você, é santo”, precisa ser adequado quanto a sua tradução, pois, em nossa língua, destruir não o compatibiliza nem com o Espírito do Evangelho, nem com o total da citação. Assim, depois de consultar alguns exegetas, percebi que minha ponderação estava coerente, pois eles aplicam a parte (b) do versículo o sentido de “ruína”, ou seja, se nós nos corrompermos ao ponto de profanarmos nosso próprio corpo, alma e espírito, Deus nos entregará a nós mesmos e nos deixará entrarmos num processo de falência que nos levará a ruína.

De fato, não precisa ser um especialista para perceber que esta posição tem muito mais a ver com Jesus e com o Evangelho do que a tese de que Deus vai matar alguém, seja por que motivo for, até mesmo porque o texto não trata de suicídio, mas de devassidão e diluição do ser.

Portanto, quanto mais estudo, mais vejo que é preciso estudar e que analisar textos de forma simplista, sem um cuidado hermenêutico adensado, olhando para as várias traduções, para a mesma palavra aplicada a mais de um contexto, em livros distintos, etc, é algo perigoso. 

Por isso, mantenho firme minhas convicções e dou aqui alguns poucos, mais bons argumentos, para tal.


Carlos Moreira



13 março 2017

A "Cura Gay" e a Danação da Alma Humana





Em 34 anos caminhando com Jesus, tenho ouvido e convivido com centenas de pessoas homossexuais. Os dramas são inimagináveis e o que a igreja diz fazer por eles, “em nome de Deus”, é algo da mais grotesca intenção.

Eu creio firmemente que, se estivéssemos na idade média, com todo o poder que a instituição tinha, os gays seriam dizimados pelos senhores da ortodoxia, pelos perseguidores das diferenças, pelos exterminadores do amor, pelos executores da “moral e dos bons costumes”. Sim, em nome de Deus já se matou e torturou muita gente, e os gays comporiam essa lista, seriam queimados em fogueiras, arrancados de suas casas e torturados, pressionados a confessar estar possessos de demônios.

Eu não quero essa religião para mim, nem quero crer num Deus que não aceite alguém numa condição existencial diferenciada. E aí me falam: “Mas Deus cura!”. Sim, Deus é Deus, ele faz o que quiser sem dar satisfações, mas olhando a existência como ela é, e não como eu gostaria, as coisas não sucedem dessa forma.

Todos sabemos, o mundo é caído, a Terra passou a produzir “cardos e abrolhos”, a linguagem figurada do Gênesis, cheia de simbolismos, não pode ser entendida pelos escribas deste tempo, examinadores de códigos sem nenhuma competência hermenêutica, gente que estupra a Escritura em nome da sua fé.

Os impactos da queda são profundos e se movem em todas as direções, no físico e no emocional, no mundo animal, vegetal e mineral, na natureza e na substância das coisas, por isso Paulo fala que a criação geme e aguarda sua redenção, o estrago foi aterrador!

No entanto, a Graça redime, o amor cura, Deus fez a sua parte, a Cruz destruiu quem eu sou, o Sangue o que eu faço, toda a dívida foi exterminada, mas os homens costuram o véu novamente, e trazem Levítico para substituir Mateus, eles preferem Moisés a Jesus, são os que fazem gestão da misericórdia, os porteiros do céu que nem entram e nem deixam quem quer se salvar entrar.

Eu lido com centenas de homossexuais, alguns são amigos íntimos, outros estão na comunidade, são gente boa, pessoas amigas, leais, generosas, eles fazem o trabalho do Reino com devoção e responsabilidade. Não poderia estar mais honrado pela presença dos tais entre nós, estou agradecido a Deus por poder tê-los conhecido. Eles me confessam que tentaram de tudo, o imponderável para serem “curados” da maldição que a igreja lhes impõe, a dor é dilacerante.

Cura gay? De um gay que nasceu gay? De alguém que aos 3 anos de idade se percebe disforme dos seus iguais? De alguém que os pais já identificaram, ainda usando fraldas, que é diferente dos outros? Creio nessa cura como creio que a mangueira possa dar laranjas. Creio nessa cura como creio que Deus pode dar visão a um cego de nascença, em condições especiais, mas não como obra do catecismo dos crentes, nem de correntes de oração ou cultos catárticos de milagres, nem de processos de invasão de mente e alma com um doutrinamento perverso e violento.

Eu não prego a “Cura Gay”, eu prego o Evangelho que salva gays e todos os outros pecadores. O resto é com Deus, e você que não gosta que se entenda com ele. Se ao ser julgado, no último dia, o Senhor me imputar essa culpa, eu direi: “Perdoa-me, Pai, eu queria que todos os gays fossem salvos pelo teu amor. Se agi errado, tira, então, a minha porção da árvore da vida”. Serei honesto com Deus, direi isso de cara limpa e coração puro, ele sabe que aqui não minto nem faço jogo de cena, pago um preço muito alto para ser quem sou e fazer o que faço, não há nenhuma vantagem nisso.

Portanto, prefiro ver um gay curado pelo amor, sendo quem é e vivendo com reverência e discrição, do que “curado pela igreja”, negando sua natureza, introjetando ser o que não é, fazendo uma mutilação na sua alma, casado com uma irmãzinha e tendo pulsões pelos irmãozinhos, se escondendo atrás de ministérios e gemendo na solidão da cama, dando testemunho de libertação e chorando horrores por viver um simulacro. Sim, é isso o que acontece, e quem é gay e passou por esse processo não me deixará mentir. A cura para o gay é o amor, e a igreja que aí está dificilmente entenderá isso...

Carlos Moreira










01 março 2017

Religião X Evangelho



A religião muda aparências
O Evangelho muda consciências...
A religião muda rotinas.
O Evangelho muda pessoas...
Na religião, a Verdade é uma ideologia.
No Evangelho, a Verdade é uma pessoa...
A religião se propõe a ocupar prédios.
O Evangelho se dispõe a ocupar mentes...
A religião propõe que você experimente o melhor desta terra.
O Evangelho propõe que você experimente o melhor de Deus...
A religião lhe propõe fazer o sinal da Cruz
O Evangelho lhe ensina a fazer da Cruz um sinal...
A religião visa multiplicar gente
O Evangelho visa multiplicar mentes
A religião molda as pessoas.
O Evangelho muda as pessoas...
A religião consegue transformar pessoas boas em más.
O Evangelho é capaz de transformar pessoas más em boas...
A religião idealiza
O Evangelho realiza...
A religião se ocupa em edificar impérios.
O Evangelho se compromete a edificar pessoas...
A religião anestesia o pensamento.
O Evangelho reconstrói a consciência...
Na religião você é um CNPJ
No Evangelho você é um CPF

A religião é uma forma de pensar.
O Evangelho é uma forma de viver...

A religião desafia você a ler as Escrituras.
O Evangelho instiga você a encarná-las...
Na religião, a confissão é uma liturgia do culto.
No Evangelho, a confissão é uma liturgia da vida...
Na Religião: “Sem dízimos, nada podeis fazer.
No Evangelho: "Sem Mim, nada podeis fazer"
Na religião, arrependimento é um pesar por aquilo que eu faço.
No Evangelho, é a geração da consciência sobre quem eu sou...
A religião põe a bíblia em suas mãos.
O Evangelho a põe em seu coração...
O Evangelho te dá identidade.
A Religião dupla personalidade.
A religião propõe uma Reforma.
O Evangelho, uma nova forma...
Na religião há muitos culpados e muita culpa.
No Evangelho há muitos culpados e nenhuma culpa...
A religião raciocina com a categoria do "todos por Um".
O Evangelho, com a factualidade do "Um por todos"...
A Religião muda à forma.
O Evangelho muda a fôrma...
Vem e segue-me, propõe o Evangelho.
Vem e senta-te, propõe a religião...
O Evangelho lhe desafia a seguir a Jesus.
A Religião lhe propõe seguir-se a si mesmo...
A religião nos leva a buscar coisas.
O Evangelho nos desafia a abraças causas...
O Evangelho: "Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".
A Religião: "Negue a sua cruz, tome a si mesmo e siga"...




Carlos Moreira


10 janeiro 2017

Os Imperdoáveis



A chacina na cadeia de Manaus, onde 56 presos foram assassinados, revela, pela crueldade das ações, com exposição das vísceras dos mortos e decapitações com os indivíduos ainda vivos, a que nível o ser humano pode chegar.

Trancados em suas “jaulas”, aqueles homens viraram bichos, vitimados pelo sistema prisional, pela lentidão da justiça, pelo descaso da sociedade, pela ineficiência do Estado, pela desigualdade social do País, pela insalubridade da vida nos bolsões de pobreza e, finalmente, por suas próprias escolhas.

O que eles fizeram é impensável, mas não é imperdoável, pois se houver um pecador que a Graça não possa regenerar e um pecado ao qual o Sangue de Jesus não possa perdoar, você pode chamar sua religião do que quiser, menos de Evangelho.

Eu fiquei abismado em ver os comentários de “crentes” sobre o ocorrido nestes últimos dias em Roraima e no Amazonas. Gente que disse que se alegrou com a barbárie, que afirmou que “bandido bom é bandido morto”, esquecendo-se que o diabo pensa, também, que “pecador bom é pecador morto”, pois há vagas de sobra no inferno para receber gente caída. Mas Deus pensou diferente...

Compreendo, todavia, o fenômeno, pois a religião vive da hipocrisia seletiva, ela cria a casta do pecador-padrão, aquele indivíduo que é mauzinho, mas a maldade dele é fumar um cigarro, beber uma cerveja, dizer uma mentira, falar um palavrão, dá uma pulada de cerca no casamento, sonegar o imposto de renda, fazer uma fofoca, ou seja, são os pecados normatizados e aceitos pela santa igreja, aqueles que Deus tolera, Jesus aceita e o Espírito Santo faz vista grossa, afinal, não foi por isso que nós fomos salvos, ou não podemos dar, aqui e ali, uns tropecinhos?

Ora, quando o Senhor agonizava na Cruz, havia um ladrão ao lado dele. No derradeiro instante, aquele homem arrependeu-se de sua vida de crimes, uma centelha da revelação acendeu sua consciência e seu coração foi incendiado pela Verdade. O Galileu, todavia, antes de perdoá-lo, perguntou-lhe: “Você por acaso é estuprador, pedófilo, necrófilo, degolador ou canibal? Pergunto isso porque, se for, não há espaço para você no paraíso.”. Bem, você conhece a história...

Fiquei horrorizado com o que os presos fizeram, seria muito mais fácil condená-los ao inferno de fogo, pois eles chegaram ao ponto de se tornarem diabos, esvaziados de qualquer humanidade, cheios de maldade e miséria, desprovidos de afetividade, de sensibilidade, enrijecidos e brutos, violentos e homicidas. Com sinceridade, penso que seria mais fácil fuzilá-los, enforcá-los, cerrá-los ao meio, matá-los com choque, com injeção letal, mas aí eu lembro que Deus ainda pode resgatá-los e salvá-los, assim como ele fez comigo e com você, e meu coração se encharca de misericórdia, sobretudo, porque de alguma forma, eu tenho parte nesse sistema que transforma homens em animais.

Cabe, contudo, indagar e lembrá-lo que você só foi salvo porque Deus abdicou de sua ética, pois, se ele aplicasse a sua justiça contra você, não haveria qualquer possibilidade de perdão. Mas o amor superou tudo...

De certo, se eu fosse um dos homens da foto abaixo, gostaria de saber que ainda existe uma chance de ser salvo de mim mesmo, ainda que seja imperioso pagar a sociedade tudo o que fiz.

Portanto, me perdoem, eu sei que isso que digo é um escândalo, mas esse é o espírito de Jesus e do Evangelho, isso é andar na contramão, é olhar o que ninguém olha e sentir o que ninguém sente, e qualquer um que o tenha conhecido, pensará e agirá assim, poir crer é absurdo! Se fosse um dos meus que tivesse sido decapitado por esses perversos, eu diria o mesmo? Não sei, a dor seria insuportável, mas, ainda assim, não posso ensinar algo diferente...


Carlos Moreira


11 julho 2016

Namoro: Pra Quê?



De repente, uma quantidade enorme de pessoas passsou a me perguntar se devem ou não continuar mantendo o namoro em “on” para o “modus" corte. 

Para ser sincero, não sabia nem que isso existia, pois eu vivo num outro planeta, um lugar onde as pessoas são livres para escolher, amar, errar, reconfigurar e seguir em frente... 

Bem, fui buscar de um “guru gospel” a definição do tal “namoro corte” e encontrei o seguinte: “Queremos, para os solteiros, um relacionamento sem carícias, beijos, sensualidade, dependência emocional, chantagens emocionais, ciúmes, isolamento social. A ideia é que os jovens sejam movidos por princípios bíblicos e não por impulsos da paixão, sexualidade ou pressão cultural. Buscamos um relacionamento focado na amizade e no conhecimento mútuo”. 

Resumindo, eles querem que o indivíduo ou a sujeita sejam como manequins em uma loja de departamento, podem até estar nus, mas não tem como fazer nada, é a sublimação da experiência, a negação da possibilidade de crescimento natural, é a tara produzida em série na “estufa” da igreja onde, pela via da castração, imagina-se que a santidade aflorará. Impossível!

Na verdade, o que daí surgirá, na esmagadora maioria dos casos, todo tipo de pulsão sexual e desvio de comportamento, salvo os casos de pessoas com baixa libido, homossexualidade reprimida, tendência real ao celibato, problemas hormonais, dentre outros. 

A coisa toda, em si mesma, já se traveste de uma pseudo-piedade quando afirma que estes postulados estão baseados em princípios bíblicos! Ora, a bíblia não trata de relacionamento afetivo a não ser o casamento, pois na cultura dos Hebreus, no mundo antigo, não existia tal possibilidade. 

Mas esses grupos são tão radicais que advogam que tem de ser assim mesmo, pois como o namoro não está descrito na bíblia, como poderia ele ser vivenciado por um cristão? Ora, avião também não está na bíblia e todo mundo voa neles! É tão esdrúxulo que não dá nem para comentar... 

Quem receita a tal corte tenta, de forma equivocada, achar nas Escrituras as prescricções do “manual teen de relacionamento”, eles querem patrocinar a Malhação Gospel, mas tudo com "santidade"! Sabe o que uma maluquice desta vai produzir? Gente esmagada de alma e com um tesão superlativo, tendo dificuldade até de andar em ônibus cheio, pois o “esfrega-esfrega” vai produzir excitação e asfixia. 

Pelo amor de Deus! Jesus ensinou que se um homem olhasse para uma mulher com volúpia, com desejo lascivo, aquele olhar scanner, onde o sujeito vê por baixo da roupa, ele já estaria adulterando com ela. E por que o Galileu afirmou isso? Por que o judeu tinha esse mesmo comportamento farisaico-estoicista dos crentes, ou seja, eles não levavam em conta o pecado subjetivo, aquele que é feito nos ambientes da mente e do coração, onde o swing pode acontecer sem nem um dedinho da moça ser tocado. É o mesmo princípio que trata do assassinato mental, aquele onde o sujeito não mata com um tiro, mas pela ira represada no ser. 

Bem, o que eu tenho a dizer? Uso as Escrituras, com bom senso e bom coração: “Jovem, alegra-te na tua mocidade! Sê feliz o teu coração nos dias da tua juventude. Segue os caminhos que o teu coração indicar e todos os desejos dos teus olhos; saibas, contudo, que tudo quanto fizeres passará pelo julgamento de Deus”. Ec. 11:9.

Você quer uma bula, um manual, uma cartilha, um passo-a-passo, uma etiqueta, mas só posso te dar a chance de crescer, escolher, pensar, ponderar, assumir responsabilidades e aprender que Deus ama a quem vive em verdade, enxergando a si mesmo, não negando quem é e o que sente, mas agindo sempre em fé e com bom coração. Aos que caminharem assim, paz e misericórdia os acompanhe. Aos que escolheram fazer “a corte”, que vivam com um barulho desse...


Carlos Moreira

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22 fevereiro 2016

Igreja: Um Ajuntamento Regular, Localizável e Organizado


Deus não habita nem em prédios de tijolo nem em corações de pedra. Então, cabe perguntar, o que é uma igreja? Bem, igreja, conforme o Novo Testamento é um ajuntamento regular, localizável e organizado. O próprio nome grego (Εκκλησία – Eclésia – Assembleia) já demanda, por si só, estas características.

Assim, não é possível estabelecer um conceito sobre igreja a partir de um modelo anárquico, ou seja, algo que acontece a revelia de todos os padrões mínimos que caracterizam a formação e o estabelecimento de grupos sociais com objetivos comuns.

É impossível pensar em igreja sem regularidade, pois, se não há um propósito para o ajuntamento, o que existe é a informalidade do encontro e tal característica, dificilmente, viabiliza a perenidade de um grupo humano. O que faz com que laços se constituam e se mantenham é a regularidade do convívio, pois, como é possível a comunidade de fé ser um Corpo se cada membro tem sua própria agenda e, sendo assim, não prioriza o encontro que atende a objetivos comuns?

Também não é possível ser igreja sem que haja um lugar para o culto, o partir do pão, a adoração, a coleta para os necessitados, o serviço solidário, o exercício dos dons, as missões, o ensino e tantas outras características que vemos no livro dos Atos e nas epístolas.

A igreja é Universal, no sentido de sua constituição atemporal, não espacial e mística, como Corpo de Cristo e Família de Deus, mas ela também é local, no sentido de seu ajuntamento geográfico formal! Todas as comunidades neotestamentárias possuíam um lugar próprio de encontro e culto, mesmo que ele fosse uma casa, um salão, ou até mesmo o cemitério! As cartas do Apocalipse, enviadas pelo próprio Senhor, bem como as cartas de Paulo, foram endereçadas a igrejas localizáveis e não apenas aos errantes espalhados pelo mundo anunciando a Salvação.

A existência de um lugar promove não só o acolhimento, mas até mesmo o desenvolvimento das pessoas, com estruturas adequadas para as ministrações, para a comunhão e o serviço. Desconstruir isso é investir na impessoalização da fé, num mundo onde tudo já está impregnado pelo virtual e pelo individual.

Por último, a igreja é organizada, uma vez que existem pessoas exercendo funções específicas e serviços sendo ministrados: assistência aos pobres, ensino das Escrituras, preparação e envio de missionários, atendimentos pastorais, atividades ligadas à oração, a adoração, dentre outros tantos. Sem uma organização, mínima que seja, não é possível uma estrutura funcionar. Não há pecado em formalizar as coisas, o pecado está no culto que se faz à forma!

Portanto, você pode ser de Deus e ser discípulo de Jesus mesmo escolhendo não se ajuntar, mas é impossível imaginar que uma igreja se estabeleça como algo casual, que acontece a qualquer hora, em qualquer lugar, ou informal, que promove encontros descompromissados. Não devemos confundir a vida dos que estão na igreja com a igreja em si.

No encontro de dois ou três, sem agenda, espaço ou propósito fixo, Jesus se faz presente, se ele for buscado e, como sabemos, Deus não se prende a templos e aboliu toda a geografia que diz respeito ao sagrado. Mas o encontro ocasional e fortuito, em absoluto, se constitui igreja e isso conforme o que nos está dito no livro dos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas e no Apocalipse de João.

Assim, “Desigrejado”, para mim, não é o sujeito sem igreja, mas o que escolheu não ser igreja!


Carlos Moreira

03 fevereiro 2016

O Diabo Veste Prada




O Velho Testamento fala no diabo 35 vezes, aproximadamente. O Novo Testamento, por assim dizer, cita-o 7 vezes mais, cerca de 140 ocorrências e isso certamente por influência das crenças persas e gregas que moldaram a cultura de certo período do mundo antigo.

Na verdade, o diabo foi se tornando mais glamoroso à medida que o pensamento humano foi evoluindo, ele foi se desenvolvendo tanto mais as percepções e inquietações dos indivíduos se adensaram. O terreno onde o diabo mais cresce é na mente das pessoas, onde há medo, angústia e ansiedade, há também ambiência fértil para que o diabo se “materialize”.

Portanto, é o homem que faz o diabo a imagem e semelhança do que pior existe em si mesmo e esse diabo varia de acordo com os "diabos" que estão dentro dele! Assim, o diabo do homem é do tamanho de sua culpa e é por isso que gente perdoada, que bebeu nas fontes da misericórdia, não tem medo nem de diabos nem de assombrações.

Eu não nego a existência do mal, nem tão pouco a de Satanás, mas não acredito em quase nada que lhe é atribuído pela religião. Esse diabo de "igreja" é por demais caricato, é o diabo de Dante Alighieri – do Inferno de Dante – um ser bestializado sob medida para assustar gente tola.

O diabo, mesmo, é muito mais sofisticado e sutil e, por isso, tão mais perigoso. A Escritura não se refere a ele com chifres e tridentes, mas como anjo de luz! Sim, tem gente que se assustaria se visse o diabo como ele é, não de medo, mas de estupefação!

Cristãos que imaginam que o diabo está distante, despachando no inferno, se enganam redondamente. O diabo, acredite, está sentado nos bancos de suas igrejolas, dando risada das aloprações que presencia, se deliciando com tanta ingenuidade e meninice...


Carlos Moreira

26 janeiro 2016

A Ceia só é Santa se a Fome for Farta



Santa Ceia? É ser pão para o faminto e vinho – alegria – para o oprimido de alma. O resto é rito dominical elitizado para uma igreja cauterizada de mente e gangrenada de coração.

Compreenda, portanto, que todo memorial que não aponta para a vida e não se faz carne e sangue no Caminho, para nada aproveita, é tradição religiosa que reverbera apenas como piedade perversa. 
A mística do Corpo e do Sangue servem para aguçar o Espírito em nossa consciência quanto ao Evangelho, essa é a benção, sermos livres do egoísmo que opera em nós, pois não há nada que produza mais doença do que ser autocentrado.  

Jesus afirmou que era o verdadeiro Pão que havia descido do Céu, e assim, arrematou: "A minha comida e a minha bebida é fazer a vontade de meu Pai". Ora, nós já sabemos que a vontade do Pai é ser amado no próximo. O outro, portanto, é o altar onde eu devo realizar o meu serviço, pois, só fazendo assim, é que o Senhor virá até nós, sentará à mesa e cerará conosco.

Quando Jesus declarou na Eucaristia: "Fazei isto em memória minha", ele não tencionava induzir ninguém a repetir um rito sem qualquer entendimento, pois, em verdade, aquele ato significava algo com uma perspectiva muito maior! Chega a ser bizarro imaginar que Jesus desejava que comêssemos pão e vinho, fizéssemos o sinal da cruz, cara de piedade e voltássemos saltitantes para nossos lugares no culto.

Na verdade, a fala do Senhor, ao depois, desdobrou-se de forma mais profunda e consistente no fato dele ter dado a Sua vida em prol do mundo! Então, Santa Ceia é aquilo que me leva, a partir do rito e dos símbolos, a entender que eu também devo ser pão para os outros, que devo gastar minha vida em prol de amenizar a dor dos que não possuem esperança. Que melhor maneira de anunciar a "morte e a ressurreição do Senhor" que não esta? 


Em absoluto, é propósito de Deus que, semana após semana, ano após ano, o indivíduo faça o "árduo" caminho do banco até o altar para tomar a sua Ceia e voltar ao seu lugar, tão inerte de consciência e insensível de alma quanto estava antes.

E assim, a Ceia só se torna Santa se a fartura da mesa seja tanta que chegue até os miseráveis e indigentes da Terra. Caso contrário, é apenas pão, vinho, religiosidade e descaso...



Carlos Moreira

O Jejum que Alimenta o Coração




O jejum, no meio evangélico, é uma espécie de “Espinafre do Popeye”, o sujeito faz uso dele como um suplemento espiritual com vistas a se fortalecer, tornar-se mais ungido, mas destemido na sua luta contra o diabo, é algo travestido de sobrenaturalidade, não obstante não passe de uma prática supersticiosa e vazia.

Sim, o Jejum de Jesus foi feito como preparação para a oferta de si mesmo ao mundo, portanto, correlatamente, ele deve ser algo que aguça a consciência e fortalece o coração para a ação solidária e generosa com o outro no chão da vida.

O jejum tem, sim, esse poder de nos mover para fora de nós mesmos, ele leva a fixar o olhar para o que está no entorno, para as realidades dramáticas que nos cercam, como a dor, a miséria e a injustiça contra aquele que é nosso igual.

Isaías, no capítulo 58, já advertia a Nação de Israel quanto a esse jejum ascético, auto-indulgente e meritório, que visa fazer chantagem emocional com a divindade com vistas a tirar proveitos dela. Já ali, numa sociedade experimentando um desequilíbrio social grave, há a denúncia do abandono dos pobres em detrimento do exercício de uma espiritualidade oca, que imaginava que Deus desejava que o abastado se privasse de pão por um ou dois dias, enquanto o faminto agonizava sem ter o que comer.

O único jejum que agrada a Deus é aquele que você faz para o benefício do outro, um jejum que remove a lepra da alma para torná-la sensível ao sofrimento humano, o jejum que traz algum proveito alimenta o coração de solidariedade, move mãos e pés na direção dos indigentes da terra, dos esquecidos e soterrados sem qualquer esperança.

Tudo o mais, para mim, é só fuleragem, não é necessário se fazer um curso para aprender o óbvio! Com o que está dito aí, você já está diplomado em jejum, não precisa de mais nada...


Carlos Moreira

15 julho 2015

Será Eterno o Inferno?




Sobretudo no ocidente, a ideia de inferno povoa a mente da grande maioria das pessoas. Talvez esta seja, inclusive, uma das grandes inquietações do ser humano em todos os tempos: qual será o seu destino após a morte?

Céu e inferno são conceitos que estão intrinsecamente associados à religião. A Bíblia está repleta de citações onde ambos aparecem, o primeiro como sendo o destino dos bons e justos, o segundo como lugar de castigo eterno para os maus.

No que diz respeito ao cristianismo, foi na Idade Média em que as ideias sobre o inferno mais se popularizaram. Ao observarmos as pinturas daquele período, constatamos produções realmente bizarras, como o Diabo e seus anjos cozinhando pessoas em caldeirões de óleo fervente, por exemplo. Imagens como esta são símbolos que servem para criar conceitos e propagar valores. Sem dúvida, esse era o objetivo já naquela época.

Mas o que realmente é o inferno? Um lugar? Um sentir? Perguntas como essas só podem ser respondidas do ponto de vista da teologia ou da filosofia, pois ninguém jamais foi até ele ou de lá voltou para nos dar qualquer depoimento.

Por outro lado, há quem afirme que as Escrituras são muito claras com relação ao inferno. Ora, isso depende de quem as interpreta. Os textos que falam sobre inferno usam uma linguagem recheada de metáforas, alegorias e arquetipias — presentes na apocalíptica judaica e, por conseguinte, na escatologia cristã.

O conceito de inferno, como nós o entendemos hoje, foi sendo desenvolvido nas Escrituras. No Velho Testamento, ele simplesmente inexiste. Já no Novo, o que encontramos é uma construção cultural-religiosa que é consequência da história do povo Hebreu pós-cativeiro babilônico.

No que diz respeito ao Velho Testamento, o pensamento sobre o pós-morte e o inferno pode ser compreendido na leitura de Eclesiastes capítulo 9. Lá está dito: “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mor-tos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles”, (v.5). Em seguida encontramos: “O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria”, (v.10).

O que vemos nesse texto é algo que denota uma espécie de apagão. Para os hebreus antigos, quando a vida terrena findava, se alguém morresse sem a consciência de Deus e de sua Graça, restava apenas ser semeado na terra. Em sombra e silêncio, a alma deveria aguardar o juízo final. Tais indivíduos passavam então a habitar o Sheol, termo hebraico que significa túmulo. Portanto, neste período, não existia a ideia de inferno.

Para entendermos como esta concepção mudou, precisamos voltar à época da destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor e o inevitável exílio ao qual o povo hebreu foi submetido. Naqueles 70 anos de escravidão, os israelitas tiveram contato com os persas e depois com outros povos. Eles já traziam em suas religiões as crenças a respeito de anjos, céu e inferno. Isso pode ser constatado tanto no zoroastrismo como no confucionismo.

A partir de então, rabinos judeus “simbiotizaram” esses saberes universais sobre o mundo invisível com as doutrinas vétero-testamentárias, o que culminou numa nova consciência: a imaterialidade escatológica. Ela pode, inclusive, ser percebida na literatura apócrifa do período intertestamentário.

Por isso, quando começamos a ler o Novo Testamento, logo percebemos a mudança, pois nos deparamos repetidas vezes com o nome grego “hades”, o qual, na cultura helênica, predominante naquele mundo, representava o deus das camadas inferiores e dos mortos.

Na verdade, aquele “novo pensamento” era, em síntese, o resultado de séculos de tradição rabínica inculcada na mente e no coração do povo. Essa foi à fenomenologia que produziu as representações que passaram a conceituar o pós-morte e o inferno.

Curiosamente, todavia, é “lendo” Jesus que melhor compreendemos o que é o inferno. O Galileu nos revela com clareza que há, pelo menos, dois tipos dele: um existencial e o outro escatológico.

O inferno existencial trata de uma ambiência onde a alma humana, não raras vezes, sucumbe. Podemos encontrá-lo em duas alegorias expostas no Evangelho de Mateus. A primeira está no capítulo 5 e fala daquele que mata o seu irmão com a língua, que reduz o outro ao desprezo absoluto e o segrega ao estado do não-ser.

A segunda está em Mateus 18 e trata do “credor incompassivo” que, mesmo após ter sua dívida impagável perdoada, age com inclemência contra aquele que lhe devia uns trocados. Em ambos os textos está dito que o indivíduo culpado será remetido à “prisão” e “dali não sairá até que pague o último centavo”.

Portanto, este é um tipo de inferno de onde se pode “entrar” e “sair”. Eu já estive neste “lugar” algumas vezes, em agonia de alma, solidão, sofrendo dores lancinantes em meu ser. Sim, este sentir pode também ser percebido na fala do salmista quando afirma: “laços de morte me cercaram e angústias do inferno, se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza...”. Sl. 116.

Esse tipo de inferno existencial nós provamos em vida. Ele não é habitado, ao contrário, instala-se no coração de todo aquele que se deixa persuadir pelo mal. Sentimentos e ações que manifestam ódio, medo, julgamento, egoísmo ou inveja, dentre tantos outros, acabam enraizados no ser e, por conseguinte, transformam nossos “ambientes interiores” em masmorras escuras e frias.

O segundo tipo de inferno, o escatológico, nos revela que aqueles que se negarem a aceitar a Graça de Deus ficarão numa espécie de lapso de memória/tempo. Jesus se refere a ele afirmando que se trata de um “lugar” onde “o verme não morre e o fogo não se apaga”.

Essa expressão, na verdade, é uma alegoria que aponta para o vale de Hinom. Este local, nos arredores de Jerusalém, ficou conhecido como um lugar de morte e perversidade. Foi lá que o rei Manassés sacrificou seus filhos a moloque, um deus pagão. A prática passou então a ser feita pelos filhos de Israel, o que veio a se constituir abominação ao Senhor.

Nos dias de Jesus, o vale de Hinom chamava-se Geena e havia se transformado no lixão de Jerusalém, onde o fogo não se apagava, em decorrência dos incêndios que visavam incinerar os dejetos ali colocados. Era também um lugar fétido e pútrido, pois havia degeneração de restos alimentares e humanos, o que favorecia a ambiência para a proliferação de vermes.

Quando Jesus falou de inferno, usando o nome Geena, todos os que pertenciam àquela cultura imediatamente fizeram a associação ao local e compreenderam que se tratava de uma comparação.

Todavia, ao longo dos tempos, a interpretação da igreja acabou tornando literal o que era apenas alegórico, transformando assim o inferno num lugar de fogo e enxofre, de demônios e vermes, sofrimento e miséria. Em Jesus, está mais do que claro que o inferno não é localizável, pois não se enquadra em categorias espaço-temporal. Não se trata de um local, mas de algo de natureza dimensional.

E aqui cabe perguntar: será eterno este inferno? Será. Mas isto do ponto de vista da eternidade, onde o khronos (tempo) não é algo como em nossa dimensão. Na eternidade, a “medida” que vale é o Aeon, um tempo sagrado, desprovido de uma medida precisa, um tempo onde as horas não passam cronologicamente, o tempo de Deus.

Caio Fábio afirma: “o inferno durará uma eternidade, mas a misericórdia de Deus vai de eternidade a eternidade”. Assim, o que se pode deduzir, e isso com fundamentação bíblica, é que até mesmo o inferno terá o seu fim, pois, como sabemos, “a misericórdia triunfa sobre o juízo”. Sim, a Graça já proveu todas as coisas!

Eu penso que a grande questão a ser entendida é que o inferno não foi criado para homens e sim para o Diabo e seus anjos! Quem pode acreditar num Deus de amor que, uma vez tendo concluído o seu plano, julgados os pecados de sua criação, irá enviar para um lugar de trevas, fogo e dor eterna as almas dos que não corresponderam às suas expectativas? Quem quiser que creia nesse deus! Menos eu!

O apóstolo Pedro pode nos levar a entender melhor este inferno escatológico. Em 1ª. Pe. 3:19, lemos: “no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão que há muito tempo desobedeceram, quando Deus esperava pacientemente nos dias de Noé”.

Neste texto, Pedro usa a expressão “tártaro”, a qual estava associada à cultura helênica e representava uma subdivisão do hades. No tártaro ficavam todos os que haviam pecado deliberadamente contra Deus, ou seja, os homens maus.

Pois foi justamente a este “lugar” dimensional que Jesus se dirigiu quando morreu fisicamente. Ele entrou lá e anunciou: “Vencida foi a morte! Quem deseja aceitar a Graça de Deus?”. E assim, toda aquela geração teve uma nova oportunidade, pois, onde quer que uma consciência se acenda para a Boa Nova do Evangelho, dali sairá imediatamente para entrar na festa do perdão e da misericórdia.

Por outro lado, não é absurdo supor que alguém que chegou um dia a “habitar” o inferno, ainda que por um instante/momento, acabe por se tornar “diabo”. Assim, imagino que haverá aqueles que, deliberadamente, se recusarão a aceitar o Cordeiro e, sendo assim, perecerão. Sim, há um tipo de sentimento que se instala no coração para a morte, pois impermeabiliza o ser para o amor e, desta forma, quem o carrega, receberá justa punição.

Para esses que transgredirem e não aceitarem, em hipótese alguma o amor de Deus, haverá apenas juízo, pois eles serão lançados neste “lugar” e lá ficarão, “até que paguem o último centavo”, usando aqui a alegoria já exemplificada.

Ao final, o que teremos, após o juízo, está revelado no texto de Apocalipse 20:14, que nos afirma que: “A morte e o inferno foram lançados no lago de fogo...”. Nesta ocasião, quem estiver lá “dentro”, tendo rejeitado em todas as instâncias o perdão de Deus mediante sua Graça, estará sendo destruído para sempre.

Tanto o Diabo e os seus anjos, quanto os homens, deixarão de existir. Os homens perderão a consciência de si mesmos, sendo transformados em não-ser e, por fim, se nadificarão.

Eu sei que estou tocando numa questão paradigmática. Há gente, inclusive, que se soubesse que o inferno — tendo como referência este lugar que habita o inconsciente coletivo da cristandade — não existe de fato, talvez deixasse de amar a Deus e caminhar com Jesus.

O que percebo, no epílogo da existência humana, é que tudo é Graça e Misericórdia, pois apenas o que diz respeito ao amor se eternizará. O mais, tudo o mais, será extinto, passará o céu e a terra, mas o amor sobreviverá!

É minha convicção que na eternidade com Deus não haverá paraíso e inferno, ambos coexistindo paralelamente, simultaneamente. O que nos aguarda quando tudo estiver reconciliado com o criador, será aquilo que “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano...”, pois Deus assim o quis.

Para mim, inferno sempre remeteu a algo que trata da separação de Deus. Viver sem Deus é existir no absurdo, entregue à própria sorte, e isso, nem mesmo o Eterno permitirá. Como se diz no jargão popular: “quem viver verá!”.

Carlos Moreira


16 maio 2014

Congregar é Preciso!



Você já se perguntou qual foi o motivo que levou Jesus a criar um grupo de discípulos para anunciar o Reino de Deus? E mais... Por que ele os mandou fazer o mesmo após sua ressurreição? Por que não saiu sozinho pelo mundo, de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando, ensinado e curando?

Outra coisa: por que precisava de recursos, de gente para ajudar financeiramente – na grande maioria mulheres – de “tesoureiro” para cuidar das receitas, de pessoas que se preocupassem com a hospedaria – quando possível – ou um cenáculo – para um encontro mais íntimo, ou ainda a casa de um amigo na cidade de Betânia, para um pernoite? Por que ele, sempre que podia, ensinava nas sinagogas e não se furtou, também, de ir ao templo?

Ora, eu acredito que Jesus nunca foi contra essas coisas e sua liberdade não o tornava um ser descompromissado. Ele não era ligado à religião, nem estava preso ao sistema do templo, não se encaixava nas políticas do sinédrio, mas sabia que não dava para ser um errante transloucado gritando nas ruas sem qualquer foco ou objetivo. Definitivamente, não era como Diógenes de Sinope, o filósofo grego que discursava nas praças e morava num barril.

É certo que havia uma estratégia naquilo que o Galileu fazia, por mais imperceptível que ela pudesse parecer. Quando Paulo menciona os discípulos na ressurreição, revela-nos que, além dos doze apóstolos, havia também os setenta, os cento e vinte e os quinhentos! Obviamente, era necessário um mínimo de organização para acomodar tudo isto.

Eu percebo ordem e método em muitas outras questões. Quando, por exemplo, Jesus quis treinar setenta destes discípulos, enviou-os de dois em dois, com instruções detalhadas sobre o que fazer e o que não fazer. Não era uma ação desordenada, apesar de ser simples, não era atabalhoada, apesar de ser leve.

Por que você acha que Jesus foi para a Judéia, depois para a Galiléia? Era tudo obra do acaso? Por que escolheu, inicialmente, pregar para os Judeus? Não tinha ele um objetivo? Ou você imagina que Jesus era um sujeito alienado andando conforme as “marés”? A verdade é que ele nunca foi contra a organização, mas contra o enquadramento, a normatização burra, a estatização da espiritualidade. Em Jesus somos livres, não irresponsáveis!

Confesso que me espanta os extremos nos quais a igreja está enredada nestes dias... Por um lado, um aquartelamento institucional, gente presa entre quatro paredes, alienada de tudo, manipulada por lobos em forma de pastores, totalmente distante da mensagem do Evangelho. Eles são vítimas da engrenagem pesada, que gira em função de si mesma, obsoleta em seus propósitos e dessignificada em seus objetivos.

Mas, por outro lado, há uma geração se formando em nosso meio com um entendimento que está totalmente equivocado! Eles falam de uma dita “liberdade” que exclui o indivíduo de tudo, pois não é mais preciso congregar, nem ofertar, nem ter compromisso com o outro, nem ser ensinado, nem participar da ceia, da imposição de mãos, das orações e da adoração. O que tem que ser feito é feito, se possível for, no “caminho”, sem qualquer compromisso com nada.

De certo, eu creio que a fé é uma experiência que se põe em prática nas dinâmicas da vida, mas isto não exclui, em absoluto, a necessidade de nos congregarmos! E para se congregar é necessário, por mínima que seja, alguma organização. 

Eu sei que em decorrência da estrutura, podem surgir problemas como a hierarquização, a “militarização”, a institucionalização, que são doenças que destroem a igreja. Mas isso não me exclui da responsabilidade de ser parte efetiva do Corpo de Cristo! Eu não sou um braço ou uma perna perambulando sem destino. Sou membro deste Corpo e sigo as instruções da Cabeça, que é Cristo! O Corpo não está esquartejado! Ele tem unidade em tudo o que realiza.

O ajuntamento e a organização são necessários e indispensáveis. Pequeno grupo, grande grupo, grupo com ações locais, grupos com ações de longo alcance, grupos pastorais, grupos missionários, grupos de oração, grupos com ações de cidadania, grupos com maior ênfase na adoração e oração e grupos direcionados a obras humanitárias. Todos são, ao mesmo tempo, Corpo e parte do Corpo, não importando se são feitos de dois, três ou de trezentos. O que os qualificará como igreja continuará sempre sendo o fato de Jesus estar ou não no meio deles.


Carlos Moreira

01 março 2014

Descobri Quando Jesus Voltará!




O mistério em torno de quando será a volta de Jesus e o arrebatamento da Igreja é uma das questões mais controversas da fé cristã. Especulações das mais diversas já foram realizadas, algumas fantasiosas e místicas, outras seguindo correntes doutrinárias e sistematizações.

Na verdade, a inquietação quanto ao tema é legítima, uma vez que trata de eventos cataclísmicos e, na sequência, do fim da vida como nós a conhecemos. Até mesmo os apóstolos que andavam com Jesus perguntaram a Ele sobre quando tudo isso sucederia: “Dize-nos quando ocorrerão estas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do final dos tempos?”. Mt. 24:3(b).

Em sua resposta, a meu ver, Jesus foi extremamente claro, e, a partir dela, é possível saber, exatamente, quando ele voltará! Agora, para afirmar consistentemente algo desta natureza, é preciso, antes, analisar duas questões prioritárias: o “espírito” das sociedades e as ambiências sócio-culturais da humanidade.

Para chegar a uma conclusão, nesse caso específico, não é preciso ser especialista em sociologia, antropologia ou filosofia para perceber que as sociedades e suas culturas, apesar de separadas no espaço/tempo, sendo assim totalmente distintas, possuem, contudo, arquetipias comuns. Através da história, podemos averiguar que a saga das civilizações humanas percorreu, de certa forma, os mesmos caminhos.

Essa afirmação não carrega nada de novo. Os povos antigos já sabiam disto com clareza, pois o sábio do Eclesiastes, há cerca de 3.000 anos atrás, já afirmava: “O que foi voltará a ser, o que aconteceu, ocorrerá de novo, o que foi feito se fará outra vez, não existe nada de novo debaixo do sol”. Existem, sim, fatos e comportamentos humanos que se repetem, a cada geração e, ainda que muitos deles se aprofundem, como numa espiral, ganhando contornos cada vez mais intensos, carregam os mesmos arquétipos de gerações passadas.

Entendido isto, é possível declarar, exatamente, quando Jesus irá voltar! Tal conclusão, bastante simplista, não faz parte da execução de cálculos cabalísticos, nem faz alquimia em sistematizações dispensacionalistas, nem muito menos exegese exaustiva da escatologia judaico-cristã a partir dos escritos de Daniel, Mateus, Paulo ou João. Para mim, tudo é muito óbvio, pois acredito que Jesus deixou-nos aquilo que é suficiente para nossa salvação e entendimento da Verdade em tudo que existencializou.

Para chegar ao desfecho, poderíamos utilizar vários textos, mas escolhi o final do Evangelho de Mateus, onde estão organizados os eventos escatológicos descritos pelo próprio Jesus. Se prestarmos atenção, veremos que, do capítulo 22 até o capítulo 25, o Evangelista nos expõe, em certa ordem, os eventos que marcam o fim dos tempos, a saber: a grande tribulação, a segunda vinda, o arrebatamento e o juízo eterno.  

Pois bem, minha chave hermenêutica, para estas ponderações, se localiza na primeira metade do capítulo 24 de Mateus. Neste texto, estão presentes os sinais que nos dão condições de afirmar, com absoluta certeza, quando será a volta de Cristo. Quais são eles, então? Observe: falsos profetas, guerras e rumores de guerras, injustiças, perseguições, esfriamento do amor, traições, manipulação do sagrado e eventos de magnitude celeste.

Mas é na segunda metade deste capítulo que Jesus nos diz, de forma segura, quando ele irá voltar! A revelação está no verso 34, que explicita: “Com toda certeza Eu vos afirmo, que não passará esta geração até que todos esses eventos se realizem”. Eis, portanto, a grande revelação: Jesus voltará em nossa geração!

Não se frustre, pois é legítimo que haja certa confusão quanto a esta afirmação. Alguém pode exclamar: “o texto em questão se refere à geração dos discípulos, não a nossa!”. Sim, isso é verdade! Contudo, se Jesus afirmou que voltaria naquela geração, onde todos os sinais que foram citados acima se manifestaram, e não voltou, o que, então, precisamos entender? Qual a chave para este mistério?

Ora, nós sabemos que, entre a morte e ressurreição de Jesus – no primeiro terço do 1º. século – e o ano 100, o mundo presenciou perseguições, barbáries, guerras, injustiças, desamor, a destruição da Cidade Santa, o aniquilamento do Templo, o general Tito sendo cultuado como deus, recebendo sacrifícios em plena Jerusalém, dentre outros tantos eventos que, inquestionavelmente, produziam a moldura perfeita para que se fizesse a asseveração de que, de fato, o Senhor estava voltando!  

Todavia, o fato é que Jesus não voltou! Por isso, a partir deste evento, começou-se a se fazer especulações e previsões sobre quando se daria a tal volta do Senhor. Para mim, não há questões a serem desvendadas. É certo que Ele volta nesta geração. Jesus virá a qualquer momento, portanto, devo estar preparado para recebê-lo! Quando leio o texto de Mateus, e vejo a afirmação “não passará esta geração”, tomo a mensagem para mim, sinto como se Jesus falasse comigo naquele instante, para a minha geração!

O que todo discípulo precisa saber, é que a análise de Mateus 24, e dos demais capítulos escatológicos das Escrituras, deve sempre ser feita com muito cuidado, pois a linguagem, não raro, é simbólica, parabólica, recheada de figuras e metáforas da apocalíptica judaica. Em Mateus 24, o que percebo, claramente, é que as arquetipias usadas por Jesus servem para evitar as previsões fatalistas dos adivinhadores e magos da religião em relação ao dia ou hora quando tudo sucederá.

Ao fazer isto, Ele desenhou o cenário do fim, mas não estabeleceu qualquer outro tipo de previsão. A cada geração, o cenário se faz presente, portanto, é nosso dever esperar a Sua volta a qualquer momento! Sempre haverá, em cada uma das sociedades humanas, a presença dos sinais de Sua vinda, pois os arquétipos descritos pelo Senhor estão constantemente presentes na história das civilizações. Quando Jesus volta? Ora, Ele volta hoje! A questão, todavia, é: você está preparado?!

Quanto a mim, esforço-me para fazer o melhor que posso ainda neste tempo! Estou arregimentado no exército de Deus, tenho metas a alcançar, preciso anunciar o Evangelho e ser testemunha de que, em Cristo, o Pai se reconciliou com o mundo e não mais imputa aos homens os seus pecados. Aleluia! Essa é a grande salvação!

Quem é filho do Reino, herdeiro da fé, quem tem sobre si a marca do Sangue do Cordeiro e a habitação do Espírito Santo, entende estas verdades e delas dá testemunho. Os que caminham na luz e são mensageiros da Boa Nova, não se cansam nem se fadigam, seguem obstinados até alcançarem a promessa da Vida Eterna, quando todos juntos celebraremos a festa da misericórdia que triunfou sobre o juízo!

E assim, também sigo eu, remindo o tempo, pois os dias são maus, anunciando a todo homem que a Graça de Deus está disponível para aquele que a receber com alegria, que o perdão está estendido a todo aquele que deseje se arrepender de seus pecados. Portanto, sigo com todo empenho, compromissado em anunciar o Evangelho e, enquanto faço isso, declaro com toda convicção: Maranata! Vem Senhor Jesus!


Carlos Moreira

03 fevereiro 2014

Espectadores da Tragédia



Teorizar sobre o bem é, talvez, uma das mais perversas formas de piedade. E nós, que fazemos parte da igreja contemporânea, somos protagonistas deste tipo de “teologia” que traz como dogma a doutrina do “viva e deixe morrer”. Tal descaso, na melhor das hipóteses, revela uma gangrena de alma, a lepra do egoísmo tornando insensível o coração que evita, a todo custo, amar a Deus no outro. 


Num tempo de casas apaineladas e pessoas vazias, a dor desfila perfilada ao meio dia, na nossa porta, mas o drama real, para nós, mais parece trama da ficção. Do alto de nossos apartamentos, contemplamos o sofrimento dos que se esgueiram atrás de um prato de sopa, um corte de estopa, um gesto, um olhar, um pedaço de pão.

Tornamo-nos, sem perceber, quais Jonas, o profeta de Samaria. Sim, o homem que foi abduzido até as entranhas do Leviatã, que se viu alçado ao absurdo, sem saída, sem expectativas, no “antro da Terra”, clamou a Deus e foi salvo, sobretudo, de si mesmo, do monstro do egoísmo que nele habitava. 

Esse mesmo Jonas, todavia, é aquele que se senta nas colinas de Nínive para observar, placidamente, o desespero e a dor humana. Durante um dia inteiro, ele anda cerca de cem quilômetros, de uma ponta a outra da metrópole, anunciando a destruição iminente, e apresentando o arrependimento como única alternativa de salvação.

A partir daí, o imponderável aconteceu, pois quem pode impedir o agir do Espírito de Deus em busca de um coração quebrantado? Sim, Deus não suporta um pecador arrependido, não resiste ao contrito de alma. Sobre a esplendorosa capital da Assíria foi derramado um orvalho de consciência que escorreu pelos becos da alma dos ninivitas e foi ao mais profundo do ser. 

Eis agora os habitantes da cidade, vestidos de pano de saco, pranteando pelas calçadas, jejuando dentro de suas casas, esmolando o perdão. Percebe-se, claramente, que ali houve um surto de auto-percepção provocando não só um verniz de tristeza, mas o desejo verdadeiro de mudar a vida. Aquela era uma gente perdida, sem valores ou princípios, que não sabia discernir entre bem e mal, entre certo e errado.

São nestes cenários dantescos onde mais se precisa de um profeta. Quem está saindo da escuridão na qual a mente esteve aprisionada, necessita, desesperadamente, ver a luz da salvação, do Evangelho! Mas onde está Jonas? Nas ruas, acolhendo os caídos? Nas casas, consolando os aflitos? Não. Jonas está na colina, absorto, teologizando a dor, discutindo com Deus sobre suas razões, amaldiçoando sua vida porque o Altíssimo não quis ouvir seus conselhos. 

E nós, onde estamos? O que estamos fazendo pelos desabrigados das chuvas, pelos famintos do sertão, pelos viciados das craconlândias? Gente que precisa de amor que se faz ação, e não de pregação que se traduz em inércia de pernas e braços. Somos discípulos de Jonas, não de Jesus! Estamos nos montes de Nínive, contemplando o horror, enquanto esperamos, anestesiados, que Deus faça o seu milagre... 

Não esqueçamos, todavia, que um dia fomos libertos do “interior do peixe”, do imponderável no qual existíamos, das trevas de nossa alma para a Sua maravilhosa luz, não para sermos espectadores das tragédias humanas, mas povo solidário com o sofrer do outro que ao nosso lado está. 

Portanto, é mister que caminhemos sempre em direção a Nínive, este lugar onde a vida agoniza em plena luz do dia, onde há cheiro de morte por todos os lados, e não encolhamos nossas mãos ao aflito, pois o verdadeiro profeta tem sempre que ir aonde a dor está...


Carlos Moreira


01 fevereiro 2014

Desculpem, Eu Me Enganei...



Me perdoem, eu me enganei quando quis defender o Evangelho e, por conta disto, me atritei com pessoas e, em alguns casos, até perdi a oportunidade de conquistá-las para o “nosso” lado.

Eu me enganei quando levei a sério o que diz o apóstolo Judas, que deveríamos lutar pela fé que foi entregue aos santos. Esse negócio de guerra é coisa da idade medieval. Hoje tudo tem de ser feito de tal forma a harmonizar relacionamentos. Tudo é network!


Sim, eu acho que me enganei quando quis defender a sã doutrina, o ensinamento dos apóstolos, pois tudo é questão de cultura, e nós, como cristãos, não devemos entrar em choque com a sociedade e com os costumes de nosso tempo. 


Na verdade, percebi que havia me equivocado quando comecei a perder amigos, quando foram aumentando os desafetos, quando a pecha de “radical” começou a se tatuar em meus escritos e mensagens. A saída, percebo, é falar sobre temas do senso comum, evitar polêmicas, agradar a todos e, nunca, nunca mesmo, discordar de pessoas influentes.


Estou equivocado, admito, porque percebi que ando na contramão, que todo mundo está indo na direção contrária e, sendo assim, eu é que devo estar errado! Minha fé está ultrapassada, precisa ser reciclada com novas técnicas do mundo gospel e com estratégias de gestão eclesiástica.


O que penso, é que a “ficha” só começou a cair quando me dei conta que ainda estava orando todo dia, lendo apuradamente a Escritura, querendo socorrer o meu semelhante nas suas dores e guardando o estranho hábito de adorar e contemplar o altíssimo. Percebi que essas coisas são muito embaraçosas nos dias atuais e aí me dei conta de que fiquei ultrapassado... 


Foi difícil, mas posso discernir que não devo julgar ninguém independe do que faça ou diga contra o Evangelho. Nestes dias, o “não julgar” é mais importante do que a denúncia honesta, afinal, como ir contra o sucesso inquestionável de muitos? Ora, se é bem sucedido, é porque Deus está com ele!


Estou mesmo constrangido, pois tenho a impressão de que tudo o que fiz foi em vão... Tantas madrugadas preparando mensagens, tantos anos lendo, estudando, me capacitando para produzir conteúdos relevantes. Perda de tempo... Muito mais fácil seria usar jargões populares, vídeos bombantes, pirotecnia circense e meia dúzia de canções de pula-pula. Teria alcançado muito mais gente!


É duro, mas tenho de reconhecer, publicamente, que me enganei... Mas, como eu sou do contra, e sou muito implicante, continuarei fazendo o que sempre fiz, nestes últimos 30 anos, do mesmo jeito, falando e escrevendo os mesmo conteúdos. Que importa que eu siga enganando a mim mesmo, se Cristo for pregado com toda a inteireza do Evangelho, no poder do Espírito Santo? 


E assim, mesmo que eu esteja totalmente errado, continuarei a pregar e amar a mensagem da Cruz e da Salvação, escândalo para os religiosos, loucura para os sábios deste tempo, mas, para os humildes de espírito, pacificação e graça.


Carlos Moreira


Sobre a Questão do "Não Julgueis".



O mundo religioso é curioso: por um lado, desenvolve nas pessoas comportamentos jactantes, ao mesmo tempo que é capaz de produzir, no mesmo indivíduo, uma pseudo-piedade. 


Tenho visto muito isto no quesito do julgamento. Há um excessivo pudor quanto ao tema. Qualquer opinião ou avaliação que se faça de fatos ou pessoas, já expõe aquele que emite o comentário ao famoso jargão: “não julgueis!”. 

Ora, a Escritura não pode ser interpreta para satisfazer os meus fins, e nunca, fora do contexto do texto, pois isso traz um enorme prejuízo à aplicação de seus conteúdos. Como pode uma passagem da bíblia afirmar: “não julgueis”, e outra vaticinar: “julgue”?

Você mesmo pode comprovar isso que estou afirmando usando uma chave bíblica, pesquisando a palavra: “julgar”. Esse processo também pode ser executado aqui na internet, em algum site de bíblia on-line. 

Portanto, para os que não compreendem esta aparente contradição, afirmo que o texto tem de ser analisado em função de suas circunstâncias, tais como: o livro, o autor, a datação, a cultura, o contexto imediato, o capítulo anterior, ou posterior, o tema da perícope, e por aí vai... 

Assim, sugiro a quem não tem experiência com o tema, tomar cuidado ao postar sua opinião pessoal usando o texto sagrado, pois suas citações correm sério risco de afirmar uma grande bobagem e, pior do que isso, sua bobagem pode acabar ganhando “eco”... 

Para concluir, vou dar um exemplo prático sobre esta questão utilizando um texto de Paulo em 1ª. Co. capítulo 5. O contexto de Paulo nesta carta é exortar a igreja de Corinto que enfrentava diversos problemas de ordem ética, moral e espiritual. 

Neste capítulo, em particular, ele fala de desvios de conduta e analisa aqueles que estão “do lado de dentro”, ou seja, na igreja. 

Observe que fazer qualquer análise sem levar em consideração este contexto mínimo pode me levar a cometer um grave equívoco na exegese. Pois bem, analise o verso 12 desta passagem, onde está dito: “Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro?”. 

O que quer dizer o apóstolo com esta afirmação? Que se pode, e mais, que se deve fazer juízo sempre que a conduta for imprópria, com vistas a que, não só aquele que está se desviando da verdade seja alertado, como também, aqueles que são participantes da comunhão estejam sendo exortados e ensinados. 

Contudo, é mister compreender que o princípio que me autoriza a fazer esse juízo está sempre associado a um desejo sincero, uma fé sem hipocrisia e, sobretudo, visando o bem maior, que é a coletividade, utilizando sempre o Evangelho como parâmetro. É isso que me ensina Jo. 7:24 “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos". 


É função de todo aquele que ama a Jesus, guardar a fé que foi entregue aos santos, conforme explicita o livro de Judas e, para tal, utilizar sempre a exortação e o ensino. A profecia é, sobretudo, a denúncia dos desvios dos valores do Reino de Deus, seja em relação aos da própria igreja, seja com os que estão na sociedade como um todo.


Carlos Moreira

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