Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

31 dezembro 2014

Mensagem aos "Fracassados"





O ano está terminando. Em seus últimos suspiros, pensei em deixar uma mensagem para você. Sim, para você que, talvez, não tenha tido um ano extraordinário, cheio de conquistas, alegrias e realizações. 


Esta mensagem é para você que ficou desempregado, que mesmo tendo batalhado atrás de uma oportunidade, não conseguiu coisa alguma. Currículos enviados, entrevistas realizadas, mas, até agora, nada. Não tem coisa pior do que terminar o ano sem uma vaga no mercado, mas esse foi o seu ano, um ano fracassado.

Pensei também em dizer algo para você, que está solitário. Sim, muitos amigos e amigas seus acharam, enfim, alguém para partilhar a vida. Mas você, como já vem acontecendo, está sem ninguém. E é preciso dar aquelas velhas desculpas, disfarçar em festividades, se arrumar sem ter quem lhe elogie, rolar na cama de noite, sentindo apenas o volume do edredom. Solidão é coisa doída, mas, enfim, esse foi o seu ano, um ano fracassado.

Resolvi ainda escrever para aqueles que falharam na tentativa de vencer velhos hábitos, que sucumbiram diante de metas não alcançadas, de planos que se mostraram impossíveis. Sei que há muitos que se sentem vencidos pela falta de disciplina, pela falta de foco ou de vontade. É que a rotina come a gente por dentro e até aquilo que antes nos dava prazer, hoje é um suplício. Mas, sem dúvida alguma, esse foi mesmo o seu ano, um ano fracassado.

Lembrei, também, de tratar das questões dos enfermos. Muitas pessoas descobriram algo errado em seu corpo, foram vitimados por uma notícia apavorante, depararam-se com a finitude da matéria e os dias, agora, são estações de agonia. Você, quem sabe, perdeu o apetite, a alegria e a coragem. E é fato que a luta parece mesmo inglória, pois há doenças que podem ser tratadas com terapias ou medicamentos, mas, no seu caso, o mal veio para ficar, será companheiro do resto dos dias. É triste, mas é real, e esse foi o seu ano, um ano fracassado.

Estou certo que 2014 foi um ano de frustrações para muitos. Teve a casa própria, que não saiu do papel, a viagem, que foi cancelada, a promoção, que ficou na gaveta do chefe, o casamento, que mais uma vez foi adiado. Tantas questões nos fazem pensar que o ano foi mesmo uma merda. Bom foi o ano do fulano, da minha prima, do meu amigo, do meu cunhado, do meu irmão. O ano do outro é sempre melhor que o nosso. E como se sabe, esse foi um ano difícil, um ano fracassado.

Então, para você, “fracassado”, que não casou, que enfermou, que quebrou, que se deprimiu, que se separou, que se endividou, que chorou, que atolou, um feliz 2015! Decerto, acredito que você tem muito o que celebrar...

Você pode celebrar o fato de que, amanhã, o sol vai nascer para todos e a chuva cairá sobre os bons e os maus. Você pode celebrar o recomeço de uma nova jornada, pois o ano terá 365 dias para todos, inclusive, para você, e mesmo o calendário mudando, quem tem mesmo que mudar somos nós!

Eu lhe desejo um feliz 2015 pelo fato de você estar vivo, pois muitos não verão a chegada do novo ano. Celebro, então, a sua vida, seja você jovem, com muito o que aprender, ou velho, que já sofreu e poderá usar a experiência adquirida para fazer as coisas de uma forma melhor.

Eu lhe desejo um ano auspicioso, pois esse poderá ser, justamente, o ano da compra da casa, da viagem, do grande amor, da cura, da promoção, da alegria, das realizações que você tanto espera e, portanto, é bom preparar-se para elas. Por favor, não vá deixar que as oportunidades passem por causa de seu pessimismo, de sua melancolia recalcitrante, de seu mau humor costumeiro.

Assim, apronte-se, pois o ano está chegando com “ares de festas e luas de pratas”! Deus não mudou de endereço, Ele continua assentado no Seu Trono e todas as coisas estão sob Seu controle. No mais, tudo coopera para o bem daqueles que lhe amam e, ao contrário do que você pensa, a vida está é conspirando a seu favor. O que não deu certo, falhou porque não era para acontecer para você.

Portanto, um maravilhoso 2015 aos “fracassados”, a você que, exatamente como todos os outros, teve alegrias e tristezas, conquistas e derrotas, mas que, talvez, diferente de muitos, acha que foi um alvo do destino, perseguido de Deus, que o mundo conspira contra você!

Ora, por favor, deixe de tanta lenga-lenga, pegue o que você tem, faça um cabelo diferente, use uma roupa reciclada mesmo, junte-se com outros “fracassados” e agradeça por tudo o que a vida lhe trouxe, seja reverente com aquilo que a vida levou e prepare-se para as enormes surpresas que a vida ainda lhe trará. Feliz 2015!


Carlos  Moreira


22 dezembro 2014

O que é Mesmo o Natal?

O que é mesmo o Natal? Durante os últimos 10 anos, cresceu assustadoramente a tentativa de pessoas ligadas à religião em demonizar o Natal. Eles condenam a árvore, o Papai Noel, falam da festa consagrada a Mitra, divindade Romana, do erro no calendário atribuído a Dionísio, são tantas as questões que não vale a pena trazê-las aqui. A despeito das verdades históricas, que possuem assento em toda boa consciência, o que me preocupa nesta tentativa de paganização do Natal é que, cada vez mais, aqueles que se dizem discípulos de Jesus sabem menos sofre a celebração. A questão não é comemorar ou não comemorar a festa mais popular na cultura ocidental, mas saber ou não saber as reais implicações da encarnação de Deus na pessoa de Jesus de Nazaré. E você? Você tem certeza que sabe as reais implicações do nascimento do Senhor? Assista a mensagem e tire suas conclusões!

19 dezembro 2014

Quando o Sagrado Vira Rotina

Nada pior do que uma fé teórica que patrocina uma piedade retórica. Nestes dias, temos sido testemunhas do desmonte que sofre a igreja cristã. Perdemos a dimensão orgânica da estrutura, transformamo-nos numa organização burocrática. Práticas cada vez mais desconexas com o Evangelho transformaram a igreja numa engrenagem pesada, movida por dogmas e mitos, lubrificada por doutrinas perversas. Nossas expressões de louvor e adoração estão contaminadas pela massificação dos ritos, somos máquinas de repetição, apartou-se de nós a espontaneidade, a singeleza, a naturalidade. Sem perceber, transformamo-nos em gente de gueto, caricaturados, estereotipados, robôs da fé lutando por uma causa perdida, a religião. Assista esta mensagem e veja o que Deus deseja de você em termos de uma espiritualidade sadia e consequente.

11 dezembro 2014

O Paraíso é Aqui



Sem dúvida alguma, um dos maiores fenômenos da tecnologia nos últimos anos são as chamadas redes sociais. Elas nos oferecem interação em tempo real com uma comunidade de pessoas, muitas das quais conhecemos intimamente, outras nem tanto, além de permitir que fatos e circunstâncias de nossas vidas possam ser vistos e comentados por terceiros.
Uma dessas redes sociais, que tem por objetivo promover diversão, criou um produto que permite que residentes do universo online possam viver uma vida paralela. Nele é possível trabalhar, estudar, passear, namorar, fazer compras, vender, ter novos amigos, viajar, ou seja, experimentar quase todas as dinâmicas de uma vida real.
Contudo, para os usuários do programa, a maior vantagem do metaverso tridimensional é que você pode ser quem quiser, ter uma outra vida, um alter ego, ser totalmente diferente de quem na verdade é! Nele você pode ser famoso, rico, bonito, saudável, bem empregado, ou seja, ter ou ser tudo o que você sempre quis, mas que, talvez, nunca tenha conseguido.
Sociologicamente falando, é curioso perceber esse fenômeno da contemporaneidade que está presente nas redes sociais. Nelas é mesmo possível ter uma vida dentro da própria vida, pois o ambiente virtual permite que qualquer um seja e se apresente da forma como bem desejar! Na verdade, a grande maioria das pessoas está ali se relacionando com outras tantas que nem sequer lhe conhecem bem, ou mesmo que nunca lhe viram pessoalmente.
Eu sou usuário de uma dessas redes. Entro lá para divulgar mensagens, artigos, reflexões, frases e pensamentos. Como não tenho tempo para ficar analisando o que se posta, às vezes dou uma olhada rápida no feed de notícias para ver o que aparece por lá... É como se você ficasse diante de um grande mural onde as pessoas postam as mais diversas informações: textos, músicas, imagens, vídeos, piadas, e tudo o que, eventualmente, lhes chama a atenção.
Obviamente, o material publicado pelas pessoas muda de acordo com os conteúdos interiores que em cada um existe, com sua matriz de valores. Como somos uma geração com muita aparência e pouca consciência, tenho percebido que, cada vez mais, encontro coisas inapropriadas e desagradáveis. Recentemente, inclusive, cheguei a afirmar que esse “ambiente” estava parecendo um grande lixão, onde é preciso um esforço hercúleo para encontrar algo que se aproveite.
Mas o que mais me impressiona nas redes sociais é o fato de que boa parte das pessoas vive, na grande maioria do tempo, uma enorme mentira, pois estão mergulhadas numa vida que não lhes pertence. É gente que está despedaçada fazendo piada, casais em crise postando fotos de amor, profissionais frustrados contando vantagens, pessoas solitárias compartilhando experiências maravilhosas, pais descuidados em fotos belíssimas com os filhos, gente flertando e contando lorota, etc.
Em resumo, é muita encenação e pouca verdade! O grande perigo de tudo isso é descuidar nos exageros e cair no que bem citou o escritor Millôr Fernandes: “Jamais diga uma mentira que não possa provar”.
Triste geração esta, onde ser o que se é tornou-se algo insuportável. Por isso, precisamos tanto do disfarce, de algo que nos projete da falsidade real para a realidade virtual. Tem toda a razão Erich Fromm, psicanalista alemão, quando afirmou: “Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar”. E me responda, com total isenção e honestidade, em que lugar se “mata” mais o tempo do que nas redes sociais?
Diante de tudo isso, alguém pode afirmar que sou contra a tecnologia. Não, não sou. Mas, confesso: sou totalmente cético quanto ao fato de que a tecnologia pode nos tornar pessoas melhores e dar à humanidade um futuro mais tranquilo. E aqui lembro de George Carlim, escritor norte-americano, que afirma: “Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos”.
Escrevi esse texto porque estive conversando com uma pessoa que conheço há bastante tempo – alguém que não pode me esconder os contornos de sua vida – e percebi que seu estado era preocupante. Sim, senti suas dores, discerni sua angústia, “inalei” sua tristeza, “sorvi” sua solidão, “degustei” sua ansiedade, seus medos, sua aflição . Foi um diálogo longo e difícil...
Todavia, na manhã posterior a essa nossa conversa, quando fui divulgar algo nas tais redes sociais, percebi que o dito cujo havia postado piadas e fotos engraçadas, contando vantagens e falando bobagens, como se nada do que está “depositado” nas gavetas do armário de sua alma fosse real.
Diante do ridículo da situação, e com certo ar de decepção, não me restou outra alternativa a não ser relacionar tudo aquilo com a velha canção do Bee Gees – “ Jive Talking ” – cujo título, numa tradução livre, pode ser compreendido como: “Papo Furado”. Sim, meu “mano”, tudo aquilo que foi publicado não passou de conversa mole, dissimulação e mentira.
Por isso, tenha muito cuidado ao navegar pelas redes sociais, pois, do outro lado da linha, tem gente de carne e osso – e não estátuas! Certo mesmo estava cantor e compositor Renato Russo ao afirmar: “Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. E viva o ciberespaço!

Carlos Moreira


09 dezembro 2014

Batalhas Reais com Inimigos Espirituais

Um dos mais controversos temas da atualidade no meio cristão é a "Batalha Espiritual". Apesar de em nosso tempo está cercado de mitos, falsificações, manipulações, não deixa de ser um assunto importante e, tristemente, negligenciado. Mas será que nós estamos em guerra? Será que estamos sendo atacados? Qual é a influência do mundo espiritual em nossas vidas? O que dizer de práticas como: “maldições hereditárias”, “mapeamento genealógico”, “lutas com potestades e príncipes de cidades e nações”? Sim, são questões complexas e que precisam ser analisadas a luz das Escrituras sempre com vistas a trazer algo para a prática 


da fé no chão da vida.

01 dezembro 2014

Será que o Inferno é Aqui?

Como se sabe, Escatologia é um tema pouco abordado pela igreja. A quantidade de doutrinas confusas sobre esse assunto produz, não raro, uma fé totalmente distante das verdades do Evangelho. Dentre as muitas polêmicas encontradas, temos aquelas que dizem respeito ao inferno. De fato há, desde sempre, mitos relacionados ao inferno. Correntes das mais diversas fazem, por vezes, o tema se tornar absurdamente bizarro. No Velho Testamento, existe uma forma própria de tratar a questão e, curiosamente, o Novo faz um outro tipo de abordagem. O que será, portanto, que aconteceu no período intertestamentário? Será que há influências de outras crenças sobre a doutrina do inferno? Será que, como dizem muitos liberais, o inferno é mesmo aqui? Inferno é um lugar ou um sentir? É eterno ou temporal? Existencial ou escatológico? Essas e outras questões são abordadas nessa mensagem que fará com que o inferno nunca mais seja o mesmo para você. Portanto assista, não tenha medo! Jesus já venceu tanto a morte quanto o inferno!


28 novembro 2014

Lançamento Nacional do Livro "Cotidiano em Branco e Preto"



“Cotidiano em Branco e Preto” – de Carlos Moreira, nasce de uma vida que é maior do que o livro. Nele você se deparará com o olhar atento daquele que escreve. Seu ângulo de visão muda a cada instante, a lente aumenta e diminui conforme o foco que se deseja dar. Trata-se de um grande convite à reflexão, pois no livro não há questões fechadas ou dogmas invencíveis.

Uma leitura leve para um texto provocante!
Utilizando uma linguagem moderna, o texto articula questões ligadas às ambiguidades próprias do existir.

Por entre as páginas do “cotidiano” o autor lhe convida, por exemplo, a dialogar com Nietzsche, filósofo do século XIX, enquanto também lhe leva a fazer uma reflexão sobre o pensamento da pesquisadora Judith Viorst, expoente da psicanálise em nosso tempo. Em um momento, você se deparará com o profeta Jeremias e, num outro, se deliciará com o poeta Mário Quintana.

Nessa “viagem” será possível conhecer Sófocles, dramaturgo grego e se emocionar com o realismo do texto de Graciliano Ramos. Num instante, você ouvirá a música ácida do Pink Floyd e, em seguida, se apaixonará pelo ator Roy Scheider, personagem do filme All That Jazz.

Entrando nos cotidianos propostos pelo autor...
Você se surpreenderá com um olhar instigante a respeito das falas e da pessoa de Jesus. Ao mesmo tempo, se deparará com uma consciência crítica a respeito dos desvios da religião e das rotinas cansativas do sagrado em nosso tempo.

Será uma grande viagem pela senda dos dias...
Venha visitar os cotidianos da existência adentrando em cenas que se passam na empresa, entre amigos, no saguão do aeroporto, nos corredores da igreja ou num almoço familiar. Dialogue abertamente com temas polêmicos como aborto, eutanásia e inferno. Recolha-se no silêncio do seu “quarto” ou siga a rotina do trânsito insuportável das grandes cidades.

Clique aqui e compre o seu agora! www.cotidianoembp.com.br

27 novembro 2014

Livres de Tudo, mas Escravos da Consciência

Eu vejo o prejuízo que falsas doutrinas e ensinos produzem na vida das pessoas. Sim, desgraçadamente, muitos pensam que Deus é sensor e não amor. Neuroses religiosas estão entre as mais difíceis de serem tratadas uma vez que algemam a alma a regras, amputam a liberdade de ser, tornam as pessoas autômatos domesticados. Eu acredito que, uma reflexão honesta, é capaz de abrir rasgos de luz na consciência adormecida, mergulhada nas trevas do obscurantismo e da legalidade culposa da religião, com vistas a produzir a liberdade que Cristo nos oferece no Caminho de cada dia. Assista esta contundente mensagem e compartilhe com aqueles que estão presos nas "gaiolas" da religião.


25 novembro 2014

Lázaro e o Pastor Rico




Essa parábola (baseada em Lc. 16:19-31), será melhor entendida se você ler, antes, essa outra nesse link: http://anovacristandade.blogspot.com.br/…/a-parabola-do-pas…
LÁZARO E O PASTOR RICO
Crentonildo, pastor de “sucesso”, dono de uma hermenêutica invejável, possuidor de uma “unção” poderosa, considerado o príncipe dos púlpitos, vivia encastelado em sua mega-igreja. Ele se vestia com vestes pomposas, andava em sua Mercedes, morava em uma mansão com 6 suítes e refestelava-se no luxo.
Diante dos portões de seu Império Eclesiástico, todavia, havia um mendigo chamado Lázaro, moribundo coberto de chagas que agonizava solitário e ansiava por comer das migalhas que caíam da mesa da “Santa Ceia” de Crentonildo. Sim, ali estava um homem desprezado da sociedade, abandonado dos amigos, expurgado da família, em irremediável colapso físico e emocional.
Passado certo tempo, chegou o dia em que Lázaro morreu e os anjos o levaram para estar à mesa com Jesus.
Logo em seguida, Crentonildo também faleceu e foi sepultado. No Hades, onde passou a habitar, vivia atormentado, existia de si para si mesmo, experimentava uma total impossibilidade de arrependimento, era consumido pelas chamas do egoísmo e devorado por sua própria cobiça.
Nessa angústia interminável, Crentonildo olhou para cima e viu, de longe, Lázaro sendo acolhido e consolado por Jesus. Inconformado, clamou com grande voz e disse: “Jesus, tem misericórdia de mim! Manda que Lázaro venha aqui e me traga um pouco de esperança e boas palavras que consolem meu coração, pois estou sofrendo muito neste desespero sem fim”.
Diante de tal apelo, Jesus afirmou: “Crentonildo, é importante que você reflita que durante a sua vida você tratou a dor alheia de forma displicente e, não fosse isso bastante, encolheu os braços ao faminto, fez economia de misericórdia e racionamento de solidariedade. Lázaro, por outro lado, era indigente e sem importância, morava na favela próxima a tua igreja, era pedinte ao lado do teu portão. Por isso, não por acaso, agora ele está consolado e tu em meio a esse tormento.
Além disso, há entre nós um abismo tal de consciência, que torna-se impossível ressignificar aqueles que aí estão para que sejam transportados para aqui.
Crentonildo, todavia, respondeu: “Jesus, eu te suplico que mandes, então, Lázaro lá no presbitério da minha igreja, pois tenho fraternos amigos pastores vivendo absortos tal como eu, despercebidos da dor humana, e ele os avise sobre as implicações de tal proceder, de sorte que eles não venham parar aqui neste lugar”.
Jesus, entretanto, arrematou: “Eles têm o Evangelho, portanto, que o ouçam!”. E Crentonildo insistiu: “Meu Senhor, se você ressuscitar alguém entre os mortos é bem provável que eles acreditem, sobretudo se for Lázaro, o mendigo”.
Mas Jesus finalizou: “Eles tem o Evangelho, o testemunho dos apóstolos e profetas, a vida de milhares de homens e mulheres que foram inspiração na história da igreja, o testemunho dos meus discípulos sobre a Terra. Se não podem escutar todas essas “vozes” que clamam, então, não adiantará fazer mais nada, nem mesmo ressuscitar alguém dentre os mortos”.
As igrejas estão cercadas de “Lázaros” por todos os lados. Há gente agonizando em nossas portas, indigentes de alma, mendigos de amor, miseráveis de sentimentos. Estamos circundados de desgraças, de fome, de doenças, de drogaditos. Eles não podem mais esperar, é preciso fazer algo agora, hoje!
Enquanto você vai, displicentemente, para o seu “culto” no domingo, senta-se em sua cadeira confortável, sente o refrigério agradável do ar-condicionado e escuta belas canções do grupo da música, tem gente morrendo de sede, de fome e de frio no altar da injustiça humana, solitários nos bancos do descaso, perfilados a frente da mesa das lamentações.
Deus escolheu ser amado no próximo e fez a síntese de toda a Lei em um único mandamento, com duas facetas: amar a Deus e amar ao meu irmão. O que passar disso é retórica vazia, é a indignação complacente daqueles que acreditam que podem mudar o mundo sentados nos bancos de suas igrejolas...

Carlos Moreira

18 novembro 2014

Fé Líquida

Uma mensagem que vai por em cheque a sua Fé! O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que nós estamos experimentando a Modernidade Líquida, um fenômeno onde os indivíduos não possuem mais referências, nem códigos sociais e culturais que lhes possibilitem construir suas vidas dentro de certos padrões. Nesta mensagem, a partir de uma leitura do fenômeno religioso atual, trato daquilo que convencionei designar de “Fé Líquida”, um tipo de espiritualidade sem referências e sem aplicativos. Numa análise minuciosa da vida do profeta Daniel, busco mostrar quais os aspectos fundamentais para a construção de uma vivência sadia do sagrado, para o desenvolvimento de uma vida espiritual equilibrada e inspiradora. Assista! Você poderá se surpreender ao constatar que sua fé, que parecia sólida, nada mais é do que uma Fé Líquida...


05 novembro 2014

A Parábola do Pastor Rico




A PARÁBOLA DO PASTOR RICO

Crentonildo, 45 anos, pastor “bem sucedido”, casado, pai de 4 filhos, com curso de Formação Teológica, versado em inglês, pós-graduado em igreja de renome nos EUA, estava de férias em Israel.

Sentado no local onde, acredita-se, seja o Tanque de Betesda, meditava tranquilamente naquela tarde fria, pôr do sol em Jerusalém, quando, de repente, Jesus apareceu e sentou-se ao seu lado. A partir daí, iniciou-se a conversa que passo a narrar a seguir...

- Crentonildo – Bom Mestre, que posso eu fazer para que minha congregação herde a vida eterna?

- Jesus – Ora, tu não sabes o que propõe o Evangelho? Ama os abatidos, acolhe os caídos, sê solidário com os pobres, abraça o diferente, ensina a Verdade, faz discípulos e tua comunidade será salva!

 - Crentonildo – Bem... É... Deixa eu ver... Mas... Tudo isso tenho feito, Mestre, desde a minha juventude!

 - Jesus – Então, só uma coisa te falta: vende teu templo e tudo o que nele há e dá aos pobres. Faze isso e depois vem e segue-me

 - Crentonildo – Mas Senhor, como bem sabes, tenho uma mega-igreja na minha cidade... E não poderia ser diferente! Para abrigar nossos dez mil membros, é necessário manter aquela enorme estrutura! 

 - Jesus – Por quê?

 - Crentonildo – Ora, como vamos acolher mais de duas mil pessoas em cada um de nossos 4 cultos?

 - Jesus – Para que tanta gente junta?

 - Crentonildo – Como assim?

 - Jesus – Ao invés de uma igreja com dez mil membros, você poderia ter dez com mil membros...

 - Crentonildo – Mais assim eu enfraqueceria a estrutura e fragilizaria o planejamento!

 - Jesus – Pelo contrário! Fazendo desta nova forma, você estaria em mais lugares, alcançando mais pessoas! Assim, fortaleceria a estrutura, pois haveria mais espaços para novos líderes, novos grupos ministeriais, mais gente envolvida, compromissada... A cidade inteira seria beneficiada por esta ação!

 - Crentonildo – Olha Jesus, você não conhece aquela gente... Eles precisam de estacionamento, de vários banheiros, de fraldário, estúdio de gravação, quadra poliesportiva, salas, auditórios, é muita coisa!

 - Jesus – Você é pastor de um igreja ou administrador de um shopping center?

 - Crentonildo – Precisamos de tudo isso se não, não funciona!

 - Jesus – Por que não se reúnem nas casas? Algo mais simples, mas intimista?

 - Crentonildo – São poucos os que estão dispostos a abrir suas casas. Por que você acha que a igreja precisa ser tão grande?

 - Jesus – Porque as casas deles são deles mesmos,  não são minhas, não estão a minha disposição...

 - Crentonildo – E minha equipe pastoral? Como vamos mantê-la? Como poderei pagar os ministros se fragmentar a frequência e distribuir as pessoas em várias comunidades?

 - Jesus – Seus pastores não trabalham?

 - Crentonildo – Meu Deus! Em que mundo você está? Pastor de igreja grande trabalha muito e tem que ganhar bem! É tempo integral!

 - Jesus – Eles poderiam ter trabalhos seculares e exercer o ministério. Espalhados em diversas empresas, seriam oásis de misericórdia e graça em meio a tanto sofrimento. O Paulo, que foi meu apóstolo, tinha seu próprio trabalho, não dependia de igreja para viver. Em alguns casos, talvez fosse bom à dedicação exclusiva, mas isso deveria ser exceção, não a regra. 

 - Crentonildo – Mas Paulo não precisava batizar, casar, enterrar, fazer 15 anos, aconselhamento, bodas de prata, aniversário da sociedade feminina, visitar hospital, ter reunião com os jovens, com os casais, fazer palestras em movimentos...

 - Jesus – E por que você não deixa que o povo realize estas coisas? Em meu Nome, eles podem e devem fazer tudo isso! Se você não os deixa fazer, eles ficam obesos espiritualmente, acomodados, confortavelmente anestesiados.

 - Crentonildo – Você tá de brincadeira! Fazer tudo isso sem ir ao Seminário Teológico? Sem ordenação? 

 - Jesus – Mas eu  já os ordenei quando disse: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”!

 - Crentonildo – Sim, mas isso foi há muito tempo, e foi muito genérico. Ali tudo era muito frouxo, sem organização, sem institucionalização. Agora as coisas são diferentes, ninguém pode ir fazendo o que quer sem ter nosso aval antes.

 - Jesus – Quando criei a igreja, estava criando um organismo vivo, não uma organização morta. Era para todos estarem envolvidos, todos serem usados, pois todos são sacerdotes!

 - Crentonildo – Olha, voltando a questão dos custos, você não tem ideia do quanto pagamos para manter tudo aquilo funcionando? É taxa de energia, bombeiro, água, internet, são os funcionários, o jardim, a manutenção, os impostos sobre tudo isso, é muito gasto!

 - Jesus – Se a estrutura fosse mais simples, com menos despesas, este dinheiro poderia estar sendo utilizado para ajudar os necessitados, da própria comunidade, e outros, de bolsões de pobreza próximos.

 - Crentonildo – Mas nós já damos 20 cestas básicas por mês! E tem o pessoal que faz um sopão nas quintas feiras.

 - Jesus – Estas são ações marginais, apenas pontuais. Vocês poderiam fazer coisas mais relevantes. Ao invés de usar o que vocês chamam de dízimo para cobrir tantos custos, além de manter certos luxos, poderiam adotar uma favela e fazer casas simples para as pessoas. Vocês poderiam ajudar creches nestes lugares, ou solidarizar-se com ações de ONG´s e outros institutos que promovem cursos e tentam viabilizar um tipo de ajuda que promove socialização e dignidade. Lembre-se que Deus deseja ser amado no outro!

 - Crentonildo – Olha Jesus, me desculpe, mas isto está me cheirando a Espiritismo. Esse negócio de ação social, que se preocupa com o material e não traz salvação ao espírito, não serve para nada.

 - Jesus – A sua fé sem obras é morta, já dizia Tiago. Vocês são teóricos da religião, platonistas modernos, desenvolveram uma espiritualidade que se ocupa das coisas do céu e se esquece das demandas da Terra.

 - Crentonildo – Além disso, mesmo que eu quisesse fazer assim, não poderia, pois temos nossas regras internas, nossos cânones, e eles determinam como o dinheiro deve ser gasto. Você sabia que 70% do que arrecadamos vai para pagar a folha da igreja: pastores, músicos, professores, etc.?

 - Jesus – Então a igreja existe para viabilizar o ministério de vocês! Se fizessem uma auditoria, e expuzessem aos membros estes números, eles diriam que nenhuma empresa pode gastar mais do que 40% de suas receitas com folha de pagamento. Como, então, uma igreja pode se dar ao luxo de fazer um despautério destes?

 - Crentonildo – Você pensa que tem muito membro contribuinte? Hoje em dia, só 30% da comunidade oferta regularmente, dá, de fato, 10% de dízimo. O resto fica só olhando... É dureza!

 - Jesus – Eles não dão porque não acreditam no que vocês pregam, nem muito menos no que vocês fazem! Se vissem a aplicação justa dos recursos, todos estariam contribuindo de alguma forma, uns com mais, outros com menos, de acordo com as possibilidades de cada um, conforme Paulo escreveu na carta aos Coríntios, que é o Espírito do meu Evangelho. 

 - Crentonildo – Olha Jesus, nós não somos daqueles que pregam prosperidade não! Nosso dinheiro é mirrado!

 - Jesus – No meu Reino não há acúmulo, mas distribuição. Quanto mais se distribui, mais Eu dou, quanto mais se acolhe ao caído, ao necessitado, mas Eu derramo bênçãos sem medida, de todos os tipos... 

 - Crentonildo – Olha Senhor, queria que você ficasse lá com a gente só um mês, para você ver como aquilo lá funciona. Tenho certeza de que só este tempinho já mudaria sua opinião.

 - Jesus – Olha Crentonildo, eu conheço a sua comunidade. Digo sua, porque ela nunca foi minha. E sei bem o que vocês fazem lá, por isso lhe dei todos estes conselhos. Agora tenho de ir. Mas digo-lhe uma última coisa: o que tens de fazer, faze-o depressa, para que Eu não venha e mova de ti o teu candeeiro e para que tu não te tornes cego, pobre e nu. 

 E assim Jesus levantou-se e saiu, lentamente. O texto, como se pode perceber, é fictício, mas os fatos descritos, são reais. Sim, e quem é pastor, quem é líder, quem sabe como a “engrenagem” funciona, perceberá que fui simplista e exageradamente misericordioso, não expondo coisas que aqui não precisam ser ditas. 

É tempo de repensar a igreja! Não sou contra a estrutura, mas contra toda a estrutura custosa, megalomaníaca, inchada, portentosa. Bom seria que nos reuníssemos em lugares mais simples, quem sabe até alugados, para que não se investisse tanto na aquisição e construção de templos, não raro, asfixiando as pessoas para viabilizá-los. Nós pregamos o desalojamento, dizemos que esta não é nossa casa, que somos peregrinos, e colocamos prata e ouro enterrados no chão, reduzimos a igreja a tijolo e concreto, esquecemos do essencial, que são as pessoas! 

Mas é bom lembrar que, muito em breve, aquele que é o Cabeça da Igreja voltará para buscar a Sua Noiva. Neste dia, não caberão disfarces, encenações ou desculpas, tudo ficará patente diante de nossos próprios olhos. Portanto, quem tem ouvidos para ouvir, ouça, o que o Espírito Santo está dizendo a igreja.

Carlos Moreira

04 novembro 2014

Quem Mexeu nos Meus Dogmas?

Sua fé suporta questionamentos? Como foram criadas suas convicções religiosas? E se o que te ensinaram estiver totalmente equivocado? Olho para a igreja destes dias e sinto profunda tristeza. Vejo centenas de milhares de pessoas induzidas ao erro, agonizando em busca de um gole de vida. Inúmeros são aqueles que estão sendo marionetados por lobos vorazes, entorpecidos em estruturas perversas. Eles lêem, mas não compreendem, buscam, mas não encontram, pedem, mas não são atendidos. O que está acontecendo? Será que Deus tornou-se indisponível? Ou será que suas convicções se tornaram o anti-Evangelho, acabaram por levar você a uma espiritualidade que nada tem a ver com Jesus de Nazaré? Assista a esta intrigante mensagem e chegue a suas próprias conclusões...


29 outubro 2014

Devolva Melhor do que Recebeu

O Crescimento é um dos principais princípios ativos de todo ser vivo. Tudo o que tem vida cresce e se desenvolve. Eu acredito que não nasci com tudo o que desejava, mas, certamente, com tudo o que precisava para me tornar quem eu sou. Chegar aqui, todavia, não foi tarefa fácil. Na verdade, muita coisa precisou ser feita e eu não fugi dos desafios, não me escondi atrás de desculpas nem coloquei empecilhos no meu próprio caminho. Eu ainda não estou pronto e sei que há muito o que conquistar antes de encerrar esta jornada. Entretanto, não desejo, em absoluto, está no mesmo ponto em que estou hoje daqui a 10 ou 20 anos. Tenho encontrado muitos que enterraram a própria vida numa vala comum, pessoas cheias de habilidades e aptidões vitimizadas por complexos, medos, inseguranças e tragédias.Se você se encontra nesta situação, saiba que eu estou absolutamente certo de que Deus não lhe criou para você ser um fracasso existencial. Assista esta mensagem e aprenda como ser útil a Deus e aos homens.

28 outubro 2014

Jamais Terei Vergonha de Ser Nordestino


Com a derrota recente de Aécio Neves e após a análise – muito simplista e tendenciosa – de alguns comentaristas políticos sobre os números da votação em cada região, comecei a ler e ouvir posicionamentos xenofóbicos contra os nordestinos e a me deparar com velhos ideais separatistas.

Na verdade, os movimentos de independência fazem parte da história de nosso país e acontecem desde a época da Colônia. Mas foi em Pernambuco que houve o mais importante movimento revolucionário de caráter emancipacionista e republicano contra o absolutismo de Portugal, a Confederação do Equador de 1824.

O nordeste, para quem não sabe, já foi à base de construção desta nação, tendo em Pernambuco e na Bahia dois centros extraordinários de desenvolvimento. Pensar num Brasil sem o nordeste, seria amputar parte significativa de nossa história, seccionando importantes manifestações de nossa cultura.

Só para se ter ideia, no segmento literário, excluir o nordeste do Brasil seria eliminar as obras e pensamentos de João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Gilberto Freire, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Rachel de Queiroz, Gregório de Matos, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Ferreira Gullar e Manuel Bandeira.

Não, eu não quero separar o nordeste do Brasil! Iria ser insuportável perder as referências que em mim foram produzidas por homens e mulheres notáveis como Paulo Freire, Aurélio Buarque de Holanda, Correia Picanço, Ariano Suassuna, Assis Chateaubriand, Delmiro Gouveia e Joaquim Nabuco. Como poderia viver sem as canções e a poesia de Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Djavan, Fagner, Gilberto Gil, Dominguinhos, Tom Zé, Geraldo Azevedo, Capiba, Sivuca e Hermeto Pascoal?

Não, eu não quero separar o nordeste do Brasil porque não desejo perder o que temos aqui. De forma simplista, somos o 2º. polo de tecnologia do país, temos 3 dos 10 principais polos industriais, o 2º. polo de turismo, o 2º. polo de saúde e medicina, importantes centros de comércio, um dos maiores centros de cultura, artes e música e 4 entre as 20 melhores Universidades Federais.

É fato que no nordeste está concentrada boa parte da miséria do Brasil. Sim, aqui existe, desde sempre, a indústria da seca, os bolsões de miséria localizados no interior, baixa taxa de escolarização, altos índices de mortalidade, péssimo saneamento, menos acesso a empregos de qualidade, baixa renda e poucas empresas de grande porte. São problemas estruturais que reverberam estilhaços em todas as direções e impedem o desenvolvimento crescente e sustentável da região.

Mas é importante, todavia, que se reconheça que não foram as pessoas desta região que cultivaram este cenário pavoroso. Muito pelo contrário! Aqui existe gente extraordinária! Somos um povo amável, solidário e generoso. O nordestino, além de ter trabalhado duro em seu próprio território, a despeito de todas as dificuldades climáticas, ajudou a construir a capital do país, Brasília, e a desenvolver os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Assim, é mister que se compreenda que tem nos faltado, sim, oportunidades, em todos os âmbitos e de todas as formas. Por séculos, temos sido preteridos em termos de investimentos governamentais. Carecemos, historicamente, de um olhar mais sensível as nossas idiossincrasias, de projetos adequados às nossas realidades. Aqui nasceu o Brasil! E aqui ele começou a se desenvolver! Como pode agora, que tão grande legado, possa ser desprezado e desprestigiado?

Não tenho vergonha de ser nordestino! E como poderia ter? Tenho vergonha, sim, daqueles que querem fatiar o Brasil, daqueles que, egoisticamente, querem desenvolver apenas parte da nação. Tenho vergonha dos que abandonaram suas origens, dos colapsados de mente, dos enfartados de consciência, dos gangrenados de coração.

Em tempos de ofensas contra nosso povo, de posicionamentos midiáticos xenofóbicos, de humilhações e distratos, conclamo você, homem do nordeste, mulher sertaneja, filho desta terra varonil, a levantar sua cabeça, a ter orgulho de sua terra e de sua gente, a continuar acreditando no futuro do Brasil!

Assina este texto um nordestino apaixonado,
Carlos Frederico de Souza Moreira

24 outubro 2014

Equilíbrio Espiritual: O Grande Desafio

A fé é capaz de produzir paradoxos na existência humana. Nestes últimos 30 anos, vi pessoas saírem de verdadeiros abismos motivadas por uma relação profunda e consequente com Deus. Mas não posso negar também que assisti a outras tantas sucumbirem a um tipo de espiritualidade doentia, que provoca uma gangrena na consciência e, por conseguinte, atrofia de alma e coração. Em tempos difíceis, onde a religião tornou-se produto de massa, commoditizada para atender a todas as demandas, surge a inquietante pergunta: o que é preciso ser feito para que possamos desenvolver uma espiritualidade equilibrada e sadia? Assista e comprove! 

23 outubro 2014

Evangelho Autofágico

Está acontecendo em todos os lugares! Será que acontece com você também? Veja a sinopse:

A autofagia é um processo no qual um animal devora a própria carne. Nestes tempos difíceis, reconheço perfeitamente um fenômeno acontecendo entre aqueles que se dizem cristãos: a fé autofágica! Trata-se de uma prática religiosa que leva o indivíduo a se alimentar de si mesmo, é a religião do EU, o serviço para o próprio ventre, o sacrifício que tem como alvo a conveniência. Esse tipo de evangelho produz uma espiral que nasce e morre no sujeito, é a espiritualidade voltada para o lado de “dentro”, que busca apenas satisfazer interesses e produzir benefícios. Assista esta mensagem e comprove se esta realidade se faz presente em sua vida.


22 outubro 2014

Efeito Cinderella



Não há consenso sobre a origem do Conto de Fadas mais arrebatador da humanidade: “Ciderella”. A versão mais popular dá conta de que ele é produto do famoso escritor francês Charles Perrault e teria sido escrito em 1697.

Decerto, Cinderella é uma história maravilhosa. De suas muitas nuances, uma me chamou particularmente a atenção nestes dias: a magia que transforma, momentaneamente, a garota rejeitada e descuidada em uma princesa estonteante.

Mas tudo na vida tem um custo... Aquele encantamento, que abria possibilidades e entretecia sonhos, tragicamente, tinha prazo de validade – dia, hora e lugar para acabar. E foi assim que, no bom da festa, Cinderella teve de correr para não se transfigurar na frente de todos e do príncipe, numa “gata borralheira”.

Como pregador e pensador deste tempo, percebo um fenômeno que vem acontecendo entre aqueles que dizem seguir a Jesus e ao Evangelho: o “Efeito Cinderella”. Trata-se de um tipo de prática religiosa que acaba por tornar o sujeito um refém da agenda do sagrado.

O Efeito Cinderella é a crença confinada ao ambiente, a espiritualidade de ocasião que consagra o personagem, a religião com hora marcada. Neste tipo de profissão de fé, o indivíduo pensa e age como crente apenas quando está conectado ao calendário da igreja, num culto, num movimento ou numa vigília de oração. Nestas circunstâncias, muda o olhar, a fala, os gestos, os atos, as convicções. Passa a seguir ritos, acredita em mitos, fala sério, torna-se ético no proceder e ascético quanto ao pecado.

Contudo, findo o “efeito mágico”, alterado o ambiente e as ambiências, a pessoa fica livre para viver conforme sua própria conveniência, entregue a tórridas concupiscências, dessensibilizado de consciência, amargurado de alma e petrificado de coração. No fundo, é como se a fé estivesse condicionada ao acionamento de um botão on/off , que liga e desliga conforme a ocasião e as circunstâncias.

Com tristeza, encontro maridos exemplares no Templo, mas que são adúlteros contumazes no escritório. Vejo gente sincera trabalhando em movimentos, mas mentindo descaradamente na sala de aula, pudica na EBD e depravada na mesa do bar. Para nossa vergonha, é a consagração do estelionato espiritual, a bipolaridade existencial, a dialética religiosa sem síntese, nem tem propósitos, nem se desdobra de forma consequente.

Bem dizia a canção consagrada na voz imortal da Elis Regina: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Sim, “nossos pais” adoravam no Templo, por isso tornamo-nos devotos de espaços pseudo-sacralizados, de geografias espirituais, batemos no peito diante do altar, mas ignoramos o necessitado agonizante em nosso caminho, somos sacerdotes que ofertam o ideal no altar da conveniência. 

Mas não esqueçamos que no grande banquete que nos aguarda, onde estaremos diante do Rei, não adiantará encantamentos. Naquele dia, não haverá como esconder a fratura exposta de nossa consciência, atrofiada por práticas refratárias ao amor. Ali, ou você se revestirá de vestes de louvor ou trajará trapos de imundice.   

Ainda é tempo de lembrar que Jesus nos desafiou a encarnar um tipo de espiritualidade que se projeta de ambientes para as dinâmicas do cotidiano. “Nem neste Templo e nem no Monte”, disse a Samaritana, mas andando em Espírito e em Verdade! Deus continua buscando gente que não se satisfaça com rotinas religiosas e que não se torne prisioneiro de catedrais. Sim, para estes, Ele ainda continua a dizer: “Vem e Segue-me!”.


Carlos Moreira
Outubro de 2014



24 julho 2014

"Amigo" de Igreja



É difícil, no meio profissional, você fazer amizades. E falo de amizade mesmo, cara brother, não apenas parceiro, por causa de oportunidades pois, como se sabe, colega, todo mundo tem... E quando o seu mercado é muito competitivo, a coisa fica ainda mais improvável. Não raro, é neguinho querendo lhe passar a perna, ocupar o espaço que nem se sabe se seria seu.

Nessa impossibilidade, sobram, no meu caso, os “amigos” de igreja. E aqui não vai uma crítica a ninguém e, por favor, se você conviveu comigo nestes últimos 30 anos, não se magoe nem tome o texto como uma indireta. Na verdade, a coisa é muito pessoal, acontece comigo, mas, tenho absoluta certeza, jamais acontecerá com você. A minha leitura dos fatos, em definitivo, não implica em eu ter razão, mas me dá o direito de sentir assim.

Amigo de igreja é foda... Não sei, mas tenho a impressão que esse tipo de relacionamento, que tem como pano de fundo a religião, parece que trava as pessoas. E no meu caso, que sou pastor, que vivo na “vitrine”, pregando, aconselhando, ensinando, visitando e assistindo pessoas, a coisa torna-se ainda mais artificial. 

O “amigo” de igreja é um amigo temporal. Sim, a amizade nascida na ambiência do “sagrado” não resiste à mudança de lugar, de denominação, de convicções. Crente tem de pensar tudo igual, como se fosse produção em série. A divergência provoca um tipo de náusea existencial que, mais cedo ou mais tarde, expurga o indivíduo da confraria.

Outra coisa incômoda, no “amigo” de igreja, é que ele só quer falar sobre temas “espirituais”. Fica pior quando você carrega esse status de “guru-pastor”. Aí é ainda mais traumático. Crente, quando se junta, tende a só querer tratar de doutrina, até mesa de bar vira púlpito, e uma fala mansa logo se transforma em desfile de homiléticas toscas e exegeses de gaveta. 

Para ser sincero, tem certos assuntos, em roda de “amigo” de igreja, que parecem ser proibidos. Eu penso que, no fundo, ninguém quer se expor. Quem vai falar intimidades, ou fraquezas, nesse meio? Mazelas, então, nem pensar! Em roda de crente, tem que se manter a “ordem e a decência” afinal, cada um quer preservar a sua postura incólume. Aí tudo fica pálido e plástico, você sufoca de tantas amenidades. 

É curioso, mas existe certa dificuldade de encontrar um “amigo” de igreja que vá num bar, num campo de futebol ou numa boate. Crente gosta de encontro, de seminário, de acampamento e de reuniões, muitas reuniões... Além do mais, pela enorme bitolação, as falas são sempre dietéticas, será, então, improvável uma reflexão sobre política ou poesia.

O “amigo de igreja”, desgraçadamente, também é pouco sensível. Isso, me parece, está ligado às questões do platonismo cristão, que dissociou a vida espiritual da vida material. As pessoas choram no louvor, mas não conseguem se aperceber que, ao seu lado, há alguém deprimido. Triste, mas as coisas sensíveis ficaram todas no mundo das idéias, e aí, solidão, medo, ansiedade e dor, sentimentos do mundo real, de gente de carne e osso, e não apenas de mente e espírito, acabam passando despercebidos. 

Eu fico pensando como seria uma igreja com gente boa de Deus, sem frescuras, sem intrigas, sem melindres. Um lugar de encontro humano, de carinho, de partilha, de abraço. Sim, um “Clube da Esquina”, numa esquina qualquer da vida, onde dois ou três se juntassem para celebrar, dar risada do trágico, citar poetas, discutir futebol, criticar político safado, coisas que bons amigos fazem quando se encontram. 
Se você tem amigos "do mundo", sugiro preservá-los. Eles podem não ter pedigree espiritual, mas são ótimos em dias nublados e noites frias. Amizade, não implica religiosidade, um bom ateu, que lhe diga verdades agudas e seja solidário na dor, terá mais serventia que um "irmão" que lhe saúda com a paz no domingo e lhe dá as costas na saída do "culto".

Quem sabe chegará um tempo onde a igreja terá a mesma devoção pelo humano que tem pelo divino. Sim, eu penso que isso não só é preciso, mas também possível, afinal, amar a Deus sobre todas as coisas só faz sentido quando se ama ao próximo como a si mesmo.

Carlos Moreira

16 julho 2014

Novo Canal de Mensagens de Carlos Moreira



Chegamos a marca de meio milhão de pessoas alcançadas no VIMEO com as mensagens de vídeo. Mas, por outro lado, há algumas questões que dificultam a visualização das mesmas, como incompatibilidade do browser, do formato da mensagem, etc.

Por conta disso, resolvi criar um canal no YOUTUBE e comecei a transferir as mensagens de um aplicativo para o outro. Todas as mensagens deste ano, 2014, já estão disponíveis. A partir de agora, vou começar a migrar as mensagens de 2011 a 2013. No total, serão 100 mensagens disponíveis, com temas diversos, que tenho certeza podem abençoar e ajudar muitas pessoas.

Para você que me acompanha, e para você que ainda não me conhece, deixo aqui o endereço do canal do YOUTUBE para você se cadastrar. Acesse: https://www.youtube.com/user/cfsmoreira/videos e, se puder, divulgue com aqueles que precisam ouvir mensagens sobre Jesus e o Evangelho. 


Um grande beijo a todos!

Carlos Moreira

10 julho 2014

Perdeu no Campo e Fora Dele



Perder uma semi-final de Copa do Mundo, com um time em condições de disputar a final, não é uma coisa boa. A Holanda encantou a todos na primeira fase, sobretudo na goleada contra a Espanha, mas decepcionou na fase do mata-mata, indo para os pênaltis nos dois últimos jogos. Está fora da final. 


Imagino ser frustrante para a Holanda chegar sempre muito perto e perder. Eles foram finalistas 3 vezes e nunca conseguiram um título. Com a “tragédia” do Brasil, eu estava torcendo pela “Laranja”, pois acho justo que eles entrem no seleto clube dos Campeões Mundiais, mas, infelizmente, não deu. A Argentina ganhou nos pênaltis e vai para o Maracanã.

O mais triste desta história, contudo, não foi a perda do jogo, mas a perda dos significados do jogo. O técnico Van Gaal, que se destacou durante toda a competição, não só pela boa equipe que formou, mas também por declarações polêmicas, fechou ontem com “chave de ouro” sua participação na semi-final afirmando, sobre a disputa do 3º lugar com o Brasil, o seguinte: “Esse jogo nunca deveria ser disputado, já disse isso há 15 anos. Mas não há o que fazer, teremos que jogar".

Na verdade, a fala de Van Gaal carrega o inconsciente coletivo desta geração, onde apenas vencer importa, onde só há reconhecimento para os “campeões”, para os que atingem o lugar mais alto do pódio. Participar, competir, celebrar a alegria entre as nações, confraternizar os povos, nada disso interessa nem a Van Gaal, nem a FIFA, nem as Seleções, os jogadores, ou a grande maioria dos torcedores.

Não me deixa mentir a seleção de Gana, que recusou-se a jogar se não recebesse em dinheiro o prêmio pelas partidas disputadas e pela classificação. A mensagem foi enviada ao mundo inteiro: Gana só joga com Grana! Apego a camisa, amor a bandeira, ética desportiva, consciência profissional, nada disso. O negócio é faturar, é ser exposto para a mídia, é alavancar contratos milionários, tudo gira em torno do sucesso e do dinheiro.

Eu fico triste pelo que vejo e mais decepcionado ainda porque sei que o problema não é a Copa do Mundo, com seus bastidores sujos e sórdidos, mas aquilo que o homem contemporâneo carrega como verdade no ser, como valores e princípios para a vida. Esse é um tempo de muitos carismas e pouco caráter, de aparências reluzentes e consciências pálidas e apáticas.

Sábado, vou torcer pelo Brasil. Sim, o 3º. lugar será um prêmio e um consolo para a torcida que ama o futebol e entende sobre competição. Se não der para passar pela Holanda, que venha o 4º. lugar, com dignidade e honradez. Quanto a Van Gaal, seja qual for o resultado da partida, ele já perdeu. Sim, perdeu dentro e fora do campo, no futebol e na ética, perdeu no jogo da copa e perdeu no jogo da vida.

Carlos Moreira
Recife, 10 de julho de 2014

26 maio 2014

Carta Aberta a Presidente Dilma Rousseff



Exma. Sra. Presidente do Brasil, 

Como cidadão brasileiro, senti o desejo de compartilhar com a Sra. alguns dos meus sentimentos e convicções mais profundos. Apesar de saber que a Sra. não lerá est
a carta e, se lesse, provavelmente, não a responderia, segue o meu desabafo, expressão da minha alma, pois pouco me resta fazer.

Eu não votei na Sra, presidente. Também não votei no seu partido. E não votei porque não me convenci sobre o seu projeto, não abracei as suas idéias. E isto se deu, não porque eu seja de direita, ou de centro, pois, desde que muros e “impérios” ruíram, na década de 1980, entendi que as ideologias estavam sendo, juntamente com eles, sepultadas. Portanto, tento votar na proposta que entendo ser a melhor para a sociedade, independente da sigla que o candidato carregue.

E qual é o motivo de minha indignação, Sra. presidente? Ora, eles são tantos, que uma carta não poderia abrigá-los. Por isso, vou me ater ao evento que estamos para receber nos próximos dias em nossa nação: a Copa do Mundo de Futebol da FIFA.

É com imensa tristeza que presencio a humilhação a qual o meu Brasil está sendo submetido por causa desta que é, sem dúvida, a maior de todas as competições do planeta. Sim, discirno sem ingenuidades que aqueles que organizaram o evento, dentre eles, obviamente, o Governo Federal, se esmeraram ao extremo na prática de safadezas, de negociatas, na corrupção, nos desmandos, no “jogo de comadres”, no “toma-lá-dá-cá”, práticas essas já tão costumeiras em meu país.

Os desmandos são tantos e em tantas áreas distintas, desde o planejamento, passando pelo projeto, até a execução e operação, que enumerá-los seria tarefa hercúlea. Aquilo que foi feito sem o devido “esquema”, aparece todos os dias nos jornais e meios de comunicação como sendo o maior estupro que a nação, talvez, já tenha sido vítima.

O derrame de dinheiro gasto em obras faraônicas, super-faturadas, em nada ajudará o meu país, ao depois. Os estádios, que são o maior legado da competição, não foram feitos para a grande maioria de nossa população, que é pobre e miserável e, sendo assim, só servirão a uma pequena camada da classe média. Outras tantas obras, anunciadas pela Sra. e pelo seu governo, juntamente com o arrobo praticado por governadores oportunistas, além de não terem sido executadas, jamais o serão.

A minha desventura, Sra. presidente, é ver que, as vésperas de um evento desta magnitude, nós brasileiros, ao invés de celebrarmos e nos orgulharmos de nosso país, temos que nos encolher de vergonha. Sim, pois quem tem um mínimo de dignidade e amor pela justiça e pela verdade, não pode tapar os olhos e os ouvidos ao que está acontecendo.

Dá muita indignação ver o país exposto em notícias nos quatro cantos do mundo. Somos capa de revistas, jornais, aparecemos na internet, nas rádios, na TV, sempre como protagonistas da safadeza e promotores da corrupção, todos desmandos que envolvem a Copa do Mundo. É desalentador ver que uma oportunidade tão grande, foi desperdiçada com tamanho descaso.

Eu sei que uma Copa do Mundo de Futebol não se faz com hospitais, como afirmou o nosso Ronaldo “fenômeno”. Ingenuamente, ele disse a coisa certa, da forma errada e na hora errada. Mas eu não sou ingênuo, Sra. presidente. Sei como as coisas funcionam... Já perto dos 50 anos de idade, com três formações, uma na área de exatas, duas na área de humanas, 30 anos de profissão no segmento de tecnologia, empresário há 20 anos, posso fazer análises adequadas sobre a situação.

Eu compreendo, obviamente, que os estádios precisavam ser construídos ou reformados. Estou convencido de que as parcerias e os investimentos do governo eram necessários. Sei também que uma Copa da FIFA, talvez, não seja prioridade de um país de 3º. mundo, mas penso que qualquer gestor mediano é capaz de perceber os inúmeros benefícios e oportunidades que um evento desta magnitude pode produzir, direta e indiretamente ao anfitrião que o receber, desde que, bem administrado.

De fato, a Copa do Mundo não se faz com hospitais, Sra. presidente, mas pode gerar hospitais. E não apenas eles, mas poderia produzir, desde que fosse interesse de seu governo, escolas, habitação, segurança, e tudo o mais que o brasileiro se acostumou a ver como artigo de luxo, mas que figura como basicalidades para os países desenvolvidos.

E como essa “mágica” poderia ser feita, seria uma pergunta legítima? Ora, não com o dinheiro dos estádios, mas com todo o dinheiro que um evento desta envergadura faz circular no país! Com os impostos pagos pelas empresas que estiveram envolvidas na construção, nas telecomunicações, nas obras de transporte, dos aeroportos, nos muitos movimentos da mídia e da publicidade, no turismo, só para citar, de forma simplista e resumida, algumas atividades econômicas que foram “oxigenadas” em função do evento.

Melhor do que eu, presidente, a Sra., como excelente gestora que é, sabe o quanto de receitas adicionais foram geradas, da ordem de bilhões de reais, as quais poderiam ter sido empregadas em obras básicas para nossa população. Mas ao invés disto, o que nos sobrará será continuar a ver, todos os dias, os corredores dos hospitais superlotados, as delegacias infestadas de presos, os ônibus e metrôs sendo depredados, as casas sem saneamento, todas situações insalubres ao ser e desrespeitosas para com a vida e a dignidade humana.

Presidente Dilma, a Sra. teve, talvez, uma das maiores oportunidades de projetar o Brasil nos últimos dois séculos. Nós poderíamos ter dado ao mundo lições de nossa competência, de nossa criatividade, de nosso vigor! Sim, a Copa poderia ter sido usada com mais inteligência, pois poderia ter resgatado nossa auto-estima, e esse benefício, apesar de intangível, promoveria desdobramentos tão profundos que só se poderia medir se acontecesse de fato.

Eu sei que, se ganharmos a Copa, os “proventos” políticos serão enormes e, quem sabe, isto impulsione sua já consolidada campanha à reeleição. Contudo, ao depois, o povo se aperceberá de tudo, pois o “porre” de alegria vai passar, e assim será possível ver que, do “pão e circo”, nada sobrou.

Eu acredito que, se fosse do interesse do governo, e se fosse prioritário, a Copa do Mundo poderia ter gerado ganhos de toda sorte para o país. Poderíamos, com os meios de que dispomos, ter promovido um grande canteiro de obras em nossas Cidades-Sede, obras realizadas com transparência, sendo acompanhadas de forma eletrônica em portais públicos.

Se fosse conveniente, os Tribunais de Contas, o Ministério Público, as empresas de Planejamento e Consultoria teriam sido convocados/contratadas para promover o melhor aproveitamento dos recursos, com o menor custo possível, e com as mais bem sucedidas práticas de gestão. Nós teríamos dado um verdadeiro show! Sim, essa seria mesmo a “Copa das Copas”...

Vou finalizar, Sra .presidente, pois quase ninguém lerá esta carta, nem mesmo, provavelmente, meus amigos. Brasileiro, como se sabe, não gosta de ler e ela está por demais extensa. Mas eu tinha de falar, Sra. presidente, estava com um nó na garganta e um buraco na alma. Fui simplista no que expus, eu sei, mas já dará para perceber que, nem sou inocente, nem estou confortável com tudo isto.

Presidente Dilma, como se sabe, a Sra., recentemente, foi portadora de um câncer. Também é sabido que foi tratada e, graças a Deus, está curada de sua enfermidade. Houve um homem na bíblica sagrada, um governante, que, certa vez, também enfermou. Ele foi visitado pelo profeta Isaías que foi lhe avisar que ele iria morrer. Seu nome era Ezequias.

Aterrorizado com aquela notícia, o Rei foi para o seu quarto e chorou amargamente. Desesperado, pediu ao Deus de Israel que o livrasse daquela doença mortal. Enquanto ainda orava, Isaías, o profeta, recebeu a ordem de retornar ao palácio e anunciar que o Todo-Poderoso havia se compadecido de sua alma e, pelo seu clamor, lhe daria mais 15 anos de vida.

Eu gostaria tanto, presidente, que a Sra. tivesse feito o mesmo com a sua vida! Não sei quantos anos o Senhor da Terra e dos Céus ainda lhe reserva, mas espero que sejam suficientes para lhe levar a refletir sobre sua vida e suas escolhas. Minha oração, presidente, não é para que Deus lhe castigue, pois isso seria grande ingenuidade minha, mas para que Ele lhe ascenda à consciência e lhe proporcione arrependimento.

Eu acredito, presidente Dilma Rousseff, que a Sra desperdiçou uma grande oportunidade de entrar para a história deste país. Sim, acredito que a Sra. poderia alvejar um pouco a mancha de seu partido, o PT, que hoje está com boa parte do seu “staff” preso em prisões de nosso país por conta de corrupção e safadeza. Eu creio plenamente que a Sra. poderia nos dar esperanças, nos alimentar a alma de sonhos, mas, desgraçadamente, a Sra. pouco ou nada fez quanto ao que aí está, diante dos seus e de nossos olhos.

Com todo respeito que a Sra. merece, presidente, lhe escrevo esta carta, pois independente de tudo, a Sra. é a minha presidente. E lhe envio, pelas redes sociais, através da internet, para que ela ganhe alguma “voz”. Seu conteúdo reflete as dores e percepções de um homem de meia idade, já calejado da vida, que crê no Evangelho e na salvação do homem, no perdão dos pecados e na vida eterna, mas que já não acredita mais no seu país. Eu amo o Brasil, mas odeio o que vocês fizeram com ele.

Com reverência por sua vida e sua alma, subscrevo-me, cordialmente,


Carlos F. S. Moreira, um brasileiro
.

24 maio 2014

Sempre Fará Sentido se Você Tiver Sentido


Virei mundos atrás de um fôlego de vida, mas a maior viagem que fiz foi mesmo para dentro de mim. Andando por ruas desertas encontrei imagens que o tempo apagou, todas estampadas em letreiros desbotados, sucatas da alma, fantasmas moribundos, já não assombram mais, morreram de tristeza e desgosto.

Eu já fui um e já fui muitos. Fui pedaço, partido, perdido, fui inteiro, certeiro e conciso. Andei em voltas, fiz revoltas, espalhei pedras e grafei palavras. Se soubesse pintar e tivesse um pincel de pintor, eu faria quadros e retratos, deixaria marcas em paredes lisas e pálidas. Mas como se diz: meu ofício é outro.

A sabedoria do silêncio não compensa a angústia da solidão, pois quem observa estrelas jamais construirá calçadas. Na régua da vida, uma noite não é nada: nem um traço, nem um paço, apenas espaço. E foi por muita insônia que descobri que há homens que nascem prontos, já outros, precisam fazer-se, camada a camada, sobreposições cuidadosamente esculpidas no tecido dos dias.   

A rima do poeta é mimética, suave, mas o texto do cronista é angústia. Nada é pior do que falar e não dizer, juntar palavras, mas não expressar. Flexionar o verbo é fácil, usa-se a regra como álibi. Difícil é imprimir-lhe significados, resgatar os sentidos que rasgaram a carne no êxtase do instante.

O drama do tempo é ter memória, pois recordar é sofrer duas vezes o mesmo mal. Se não me faço entender é porque, ou você andou pouco, ou dormiu demais. No fundo, o que me aflige, são os modelos prontos, pois percebi que o cemitério da mente está nas prateleiras das lojas. Pegue, pague, peque, tudo é rotina, tudo é rapina, devaneio e desprazer. 

Se eu pudesse, ao invés de andar para frente, andaria para trás. No futuro, posso fazer ainda mais tolices do que fiz até agora. Voltando ao passado, todavia, talvez fosse capaz de concertar erros que ficaram gravados na imensa lousa de bronze. Mas o relógio, como se sabe, é obtuso em seu trabalho, nunca se cansa, nem reclama, segue devorando tudo, até mesmo o tempo.


Se eu juntasse as peças, talvez, a figura do esboço ficasse mais clara. Mas há pedaços em todos os cantos, até embaixo do sofá! Por isso é melhor ir no improviso, tateando entre ruas desertas e becos sem saída. No final, se não for como desejava, não devo ficar chateado. Como imaginava, quem foi que disse que havia alguma garantia? 

Carlos Moreira

16 maio 2014

Congregar é Preciso!



Você já se perguntou qual foi o motivo que levou Jesus a criar um grupo de discípulos para anunciar o Reino de Deus? E mais... Por que ele os mandou fazer o mesmo após sua ressurreição? Por que não saiu sozinho pelo mundo, de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando, ensinado e curando?

Outra coisa: por que precisava de recursos, de gente para ajudar financeiramente – na grande maioria mulheres – de “tesoureiro” para cuidar das receitas, de pessoas que se preocupassem com a hospedaria – quando possível – ou um cenáculo – para um encontro mais íntimo, ou ainda a casa de um amigo na cidade de Betânia, para um pernoite? Por que ele, sempre que podia, ensinava nas sinagogas e não se furtou, também, de ir ao templo?

Ora, eu acredito que Jesus nunca foi contra essas coisas e sua liberdade não o tornava um ser descompromissado. Ele não era ligado à religião, nem estava preso ao sistema do templo, não se encaixava nas políticas do sinédrio, mas sabia que não dava para ser um errante transloucado gritando nas ruas sem qualquer foco ou objetivo. Definitivamente, não era como Diógenes de Sinope, o filósofo grego que discursava nas praças e morava num barril.

É certo que havia uma estratégia naquilo que o Galileu fazia, por mais imperceptível que ela pudesse parecer. Quando Paulo menciona os discípulos na ressurreição, revela-nos que, além dos doze apóstolos, havia também os setenta, os cento e vinte e os quinhentos! Obviamente, era necessário um mínimo de organização para acomodar tudo isto.

Eu percebo ordem e método em muitas outras questões. Quando, por exemplo, Jesus quis treinar setenta destes discípulos, enviou-os de dois em dois, com instruções detalhadas sobre o que fazer e o que não fazer. Não era uma ação desordenada, apesar de ser simples, não era atabalhoada, apesar de ser leve.

Por que você acha que Jesus foi para a Judéia, depois para a Galiléia? Era tudo obra do acaso? Por que escolheu, inicialmente, pregar para os Judeus? Não tinha ele um objetivo? Ou você imagina que Jesus era um sujeito alienado andando conforme as “marés”? A verdade é que ele nunca foi contra a organização, mas contra o enquadramento, a normatização burra, a estatização da espiritualidade. Em Jesus somos livres, não irresponsáveis!

Confesso que me espanta os extremos nos quais a igreja está enredada nestes dias... Por um lado, um aquartelamento institucional, gente presa entre quatro paredes, alienada de tudo, manipulada por lobos em forma de pastores, totalmente distante da mensagem do Evangelho. Eles são vítimas da engrenagem pesada, que gira em função de si mesma, obsoleta em seus propósitos e dessignificada em seus objetivos.

Mas, por outro lado, há uma geração se formando em nosso meio com um entendimento que está totalmente equivocado! Eles falam de uma dita “liberdade” que exclui o indivíduo de tudo, pois não é mais preciso congregar, nem ofertar, nem ter compromisso com o outro, nem ser ensinado, nem participar da ceia, da imposição de mãos, das orações e da adoração. O que tem que ser feito é feito, se possível for, no “caminho”, sem qualquer compromisso com nada.

De certo, eu creio que a fé é uma experiência que se põe em prática nas dinâmicas da vida, mas isto não exclui, em absoluto, a necessidade de nos congregarmos! E para se congregar é necessário, por mínima que seja, alguma organização. 

Eu sei que em decorrência da estrutura, podem surgir problemas como a hierarquização, a “militarização”, a institucionalização, que são doenças que destroem a igreja. Mas isso não me exclui da responsabilidade de ser parte efetiva do Corpo de Cristo! Eu não sou um braço ou uma perna perambulando sem destino. Sou membro deste Corpo e sigo as instruções da Cabeça, que é Cristo! O Corpo não está esquartejado! Ele tem unidade em tudo o que realiza.

O ajuntamento e a organização são necessários e indispensáveis. Pequeno grupo, grande grupo, grupo com ações locais, grupos com ações de longo alcance, grupos pastorais, grupos missionários, grupos de oração, grupos com ações de cidadania, grupos com maior ênfase na adoração e oração e grupos direcionados a obras humanitárias. Todos são, ao mesmo tempo, Corpo e parte do Corpo, não importando se são feitos de dois, três ou de trezentos. O que os qualificará como igreja continuará sempre sendo o fato de Jesus estar ou não no meio deles.


Carlos Moreira

14 abril 2014

Bizarrices Pascoais



Começou uma campanha nas redes sociais que tem como objetivo demonizar a imagem do “coelhinho da páscoa” e do ovo de chocolate. 

Como sabemos, a “crentaiada” adora caçar fantasmas e tudo em nome da orto
doxia! Mal sabem eles que os maiores mitos pagãos estão, hoje, dentro de seus próprios templos. A doutrina da prosperidade, da batalha espiritual, da maldição hereditária e da cura interior, práticas vigentes na grande maioria das comunidades cristãs, é material mais do que suficiente para atestar o que digo.

De fato, o hábito de oferecer ovos como presente vem da tradição pagã francesa e espalhou-se rapidamente por toda a Europa e Oriente. Tratava-se da celebração a Ostera, deusa da primavera, caracterizada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, representante da fertilidade.

Na idade média, provavelmente na Inglaterra, a tradição foi “cristianizada” para associar a troca de presentes ao período de celebração da páscoa judaica. Os costumes folclóricos foram absorvidos uma vez que era comum essa prática entre aqueles povos. 

No século XVIII, confeiteiros franceses tiveram a ideia de produzir os ovos de chocolate, o que fez com que o costume ganhasse contornos econômicos. Hoje, o que temos nada mais é do que a utilização da tríade: tradição – religião – mercado, sendo maximizada pelo marketing para fazer girar a engrenagem de consumo capitalista. Não há nem demônio nem maldição em nada disto, business is business. 

Para finalizar, vou lhe dar uma sugestão: se você tem problemas com o “famigerado coelho”, ao invés de dar um de presente a meninada, troque por um boneco do Thales, o qual pode ser achado neste linkhttp://www.lojathallesroberto.com.br/produtos/54/bonecos ao preço de aproximadamente R$ 20,00. Com esse simples ato, ao menos, seu paganismo será gospel! 

Feliz páscoa para você! E não coma ovo demais. Eles não causam embaraços espirituais, mas podem produzir complicações intestinais...


Carlos Moreira


31 março 2014

Deixe-me ser Coerente com Minhas Incoerências



Quem foi que disse que o traço perfeito tem de ser reto? Há muito mais beleza nas curvas, no “torto”! Cartilhas do viver, convenções, estereotipagens, tudo bobagem. Quem é andarilho da vida sabe que há planos que se fazem enquanto se caminha, o destino nem foi alcançado e já há mudança de rotas.

Talvez isso seja nossa herança cartesiana, tudo sensato demais, lógico demais... Num mundo dominado por máquinas, os sentimentos viraram software, esboço automatizado do que um dia existiu como desrazão no coração. Em nosso tempo, até amar é mecânico, previsível e chato.  

Odeio a ditadura, sobretudo aquela que tenta serializar o pensamento. Neste sentido, ninguém consegue ser mais fabril do que a religião. A fé deixou de ser uma expressão da relação pessoal com o sagrado para se tornar um conjunto de normas e fluxos aceitos pela convenção do sindicato do clero. Quem crer diferente, está fora! Basta ser normal para não caber na “caixa”...

Os anos, creia-me, passam depressa depois dos quarenta. Um dia hoje vale muito mais do que valia há dez ou quinze anos atrás. Eu olho com interesse redobrado o caminho que trilhei. Quando se é jovem, não há motivação para se guardar nada. Ao depois, todavia, surge certa sensação de perda, dá vontade de colher os pedaços de nós que vão ficando pelo caminho para depois colar e vê no que dá. 

E foi olhando para dentro de mim, para os muitos “eus” que compõem o mosaico de quem sou, que percebi essa enorme desarrumação! Sim, eu já fui Quixote um dia, amante dos impulsos, poeta pessimista, lutando contra moinhos... Mas também fui apolíneo, um Hércules invencível, aquartelado em fortalezas miméticas, prisioneiro do saber e da razão.    

Há uma glória, contudo, que não me pode ser negada: a de que eu fui muitos e único, nunca existi para fora, fugi o mais que pude dos recursos estéticos que plastificam a vida. Na minha incoerência, sempre houve coerência, eu expus no letreiro toda a anarquia interior que, na fábrica do coração, um dia, se fez amor e paixão.  

Portanto, não me amole, não me esfole, nem me moleste com seu senso de perfeição. Não me diga que não dá para ser desse jeito, que é preciso recondicionar minha alma para que o apetite pelo démodé se torne prato do dia. Fique com seus códigos, no meu sistema, o caos é o padrão, não há rotas, a nau se entrega as correntes e vai...

Hoje eu sou, mas, amanhã, quem sabe? Hoje é assim, contudo, tudo pode mudar! Hoje acredito, mas posso vir a duvidar... Já tens quase tudo de mim, não me tire essa loucura derradeira. Há tantas câmeras me filmando, quase me tornei controlável, dá-me, então, um pouco de espaço para ser o que você tem medo até de pensar. 

É que “pau que nasce torno” não vira mobília em museu, só serve para ser vara de boiadeiro rasgando o chão duro da Terra, comendo barro e poeira, descobrindo o sabor das manhãs... 

Carlos Moreira

Mais Lidos

Barra de Vídeos

Loading...

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More