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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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15 março 2016

Jesus era um “Realista”




Jesus não tinha uma visão “romântica” da sociedade, nem advogava causas que dissessem respeito a igualdade social, como se ele fosse um marxista precoce.

Diante da politicagem hipócrita de Judas, que recriminou Maria pelo desperdício do perfume de Alabastro utilizado para ungi-lo, declarou sem pruridos: “Os pobres sempre tendes convosco”. Era uma leitura realista de que a humanidade, mesmo que o ideal fosse outro, sempre se organizará em castas, havendo, portanto, ricos, pobres, classe média, estrangeiros, etc.

A mensagem de Jesus, bem como a dos Profetas, priorizou os desprestigiados, denunciava a injustiça, o descaso, a abastança da aristocracia em detrimento da miséria da mão de obra escrava e da população essencialmente agrícola de Israel, a opressão dos governos imperialista, mas jamais reivindicou para si uma ideologia comunista, onde houvesse as mesmas oportunidades para todos.

Na verdade, o Reino de Deus se baseia na justiça, não na igualdade, se baseia na verdade, não na utopia, insta o indivíduo a ser solidário, a se importar com a dor do outro, a repartir o que lhe sobra, a fomentar a dignidade humana, mas não desconsidera o homem em sua natureza caída, nem faz vista grossa a presença incômoda do egoísmo, da ambição, da insensibilidade como marcas indeléveis do pecado na consciência e no coração das pessoas, mesmo aquelas que já foram alcançadas pelo Evangelho.

Há pessoas que defendem que, na igreja primitiva, em Jerusalém, existia um modelo de cristianismo socialista. De certo, aquela comunidade experimentou, por curto período de tempo, um “avivamento” social, onde as propriedades e bens foram vendidos e os recursos acabaram sendo repartidos por todos. Mas o resultado final não se mostrou exitoso, pois, pouco tempo depois, Paulo teve de fazer arrecadações para suprir às necessidades dos irmãos pela carestia que os havia alcançado.

Quem acredita num sistema de igualdade de classes, deve olhar para história da humanidade e perceber que, mesmo desejável, isso jamais foi viável. Agora, no que tange a Deus, penso, fomos nivelados em condições de igualdade em, apenas, duas questões: (1) Todos somos pecadores; e (2) Todos somos chamados a receber o perdão e a reconciliação.

O mais, para mim, enquadra-se na tentativa dos políticos de vender sonhos e tirar vantagens do povo, ou na ideologia de teólogos e filósofos religiosos que propõem mudar o mundo sem, contudo, jamais se levantarem de suas poltronas para fazê-lo.


Carlos Moreira

25 agosto 2015

A Igreja e sua Responsabilidade Social e Política



Jesus não era um homem do templo, mas das ruas. Ele não vivia de conchavos na coxia da religião, nem frequentava os bastidores do sinédrio, não estava entre os teólogos de Israel, ortodoxos calcificados de coração e gangrenados de consciência.

Na verdade, o Galileu era um homem de atitudes e muitas de suas ações foram, por assim dizer, ações sociopolíticas. Não há Evangelho nem salvação que seja o bastante para alguém com fome e com medo. As marcas do Reino de Deus ainda são amor e justiça!

Por isso o Senhor deu pão aos famintos de Betsaida, nos desafiando, assim, a assumirmos a responsabilidade com as questões ligadas a miséria e a fome. Ele entrou na aldeia dos leprosos, excluídos do convívio social, demonstrando que seus seguidores deveriam invadir os guetos e os antros das cidades e passou pela terra dos samaritanos, gente expurgada da vida pelo preconceito religioso, sinalizando que o caminho do Evangelho deve nos levar a busca do respeito e da tolerância.

Sim, o meu Jesus conversou com o “sindicato” dos coletores de impostos, na casa de Mateus, denunciou o comércio da religião, que era a mola da economia de Jerusalém e condenou as ações políticas do Rei Herodes, um fantoche nas mãos do Império Romano.

A igreja, equivocadamente, se excluiu do debate social e político porque só tem interesses no Reino dos Céus, esquece que o Reino proposto por Jesus é um Reino de consciência! Há anos ouço líderes evangélicos afirmarem que Jesus nunca misturou política e religião, pois vaticinou: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Nunca vi uma exegese tão fajuta e fraudulenta!

Desta perspectiva, Jesus era um indivíduo dicotômico, que departamentalizava as dinâmicas da existência, separava o natural do espiritual. Absurdo! Ele nunca fez isso! Viveu com intensidade cada instante, não se privou de nada nem fugiu daquilo que entendia ser a dádiva do Pai no banquete da vida.

O fato é que Jesus vivia numa teocracia, o imperador de Roma era um deus, adorado e cultuado como tal, um déspota legislando o que bem entendia. O imposto, naquela circunstância, foi só o pano de fundo da armadilha dos fariseus. Eles, contudo, não puderam entender a resposta do Senhor e a maioria dos religiosos, até hoje, ainda não pode.

Eu creio que Jesus afirmou: “Dai a César o que é de César”, referindo-se ao fato de que um deus terreno só pode receber o que provém da terra, no caso, o pagamento do imposto. Era com isso que César se importava e se satisfazia. Mas ele complementou: “Dai a Deus o que é de Deus”, ou seja, dê ao todo-poderoso aquilo que lhe é devido – glória, honra, louvor e devoção verdadeira – pois o Pai procura a estes que assim o façam. Ele não fez separação de coisa alguma, mas pôs tudo em seu devido lugar.

Acredite, a igreja sempre foi chamada a se envolver com as questões políticas e sociais e continuar a negligenciar isto é abdicar de influenciar os destinos deste mundo. Do jeito que está hoje, a igreja é uma organização com pouquíssima finalidade, existe de si para si mesma, enclausura-se em seus programas e exclui-se de tudo o que não for concernente à doutrina e a fé. Eu penso que a igreja só poderá ser relevante neste tempo se estiver envolvida com todos os processos e dinâmicas da vida e isso inclui as demandas políticas e sociais.

É mister, então, compreender, que não há como contribuir de forma propositiva com a sociedade apenas com louvor e pregação. Uma igreja que tenha algum significado para a história de sua geração precisará, a todo custo, sair do átrio do templo para as ruas, precisará aprender a lotar as galerias do Congresso, onde as leis estão sendo feitas, ao invés de lotar as galerias dos teatros, em busca de ouvir artistas gospel.

É tempo de agirmos! O mundo carece de líderes e de pessoas com boa consciência, gente do bem, para influenciar sindicatos, partidos, organizações e políticos! E acredite: você pode ser um destes...

© 2015 Carlos Moreira

22 julho 2015

Eu Fico me Perguntando: Até Quando?




Vocês mentem, de forma despudorada, enganam e manipulam, vocês distorcem a Verdade em prol de seus próprios interesses e se regozijam com a iniquidade, e eu fico me perguntando: até quando?

Vocês se assentaram no Trono do Rei e dizem ter chegado até o pináculo do Templo, vocês não se saciam com o poder, nem se fartam de toda vaidade e orgulho, e eu fico me perguntando: até quando?

Vocês desprezam 
os simples de coração e fazem agiotagem com os quebrados de alma, sim, vocês espoliam o que eles já não possuem, não lhes basta tirar-lhes todo o dinheiro, vocês sequestram sonhos, esperanças, matam desejos, e eu fico me perguntando: até quando?

Vocês fazem magia com a Palavra, sincretismo com as doutrinas da fé, zombam do Reino de Deus e criam para vocês seus próprios impérios, vocês não dão conta de nada a ninguém e agem contra o bem a céu aberto, retorcem a justiça e fazem caso da bondade, e eu fico me perguntando: até quando?

Vocês comem o fígado dos humildes e se fartam na mesa da miséria humana, vocês riem da calamidade e sentem-se poderosos ante o absurdo, vocês lambem o sangue dos pequeninos e blasfemam contra os velhos e indigentes da Terra, lavam as mãos para os inocentes e desprezam os retos de coração, e eu fico me perguntando: até quando?

Pois saibam todos vocês, no dia de hoje, que ainda que tudo possa passar, não tardará a vinda do Senhor. Fiquem, portanto, informados e saibam que o Juiz está às portas, vem, não mais como Cordeiro, mas como Leão, com glória e majestade.

E em sua vinda, Ele abrirá com chaves os segredos dos corações dos homens e todos, os grande e os pequenos, se perfilarão perante Ele e terão de se submeter a sua sentença. Então, para que se cumpra as Escrituras, finalmente se saberá a diferença que há entre o justo e injusto, entre o que serve a Deus e o que não serve.

Eis o meu desabafo! Eis a minha confissão!


Carlos Moreira


13 maio 2013

Eu Porém vos Digo...



Quando Jesus começou a anunciar o Reino de Deus, sua proposta não se referia a mudanças na religião de Israel, mas tratava da transformação da consciência dos indivíduos. Estava claro que seu objetivo não era fazer remendos na debilitada lei judaica, mas instaurar um novo proceder que fosse para além das questões relativas à norma.

“Ouvistes o que foi dito...”, afirmava o Galileu. Sua fala referia-se aos velhos ditames da Torá. Ele estava confrontando àquilo que era discernido como espiritualidade, mas que, na verdade, envenenava a alma. Aquela geração vivia calcada em regras estéreis, baseadas na estética comportamental, que valorizavam a performance. Jesus, todavia, oferecia conteúdos éticos, que transformavam interiores e regeneravam o ser.

“Eu porém vos digo...”, insistia Ele. Era uma proposição que visava ressignificar práticas existenciais. A lei havia caducado, transformara-se num conjunto de doutrinas perversas e tradições histórico-culturais. Chegara a um ponto em que era melhor deixar alguém sofrendo com um aleijão do que curá-lo em dia de sábado. Instaurara-se no coração dos homens a condescendência com a hipocrisia.

Estou certo de que um dos maiores perigos da religião é quando ela vira ideologia. Se perguntarmos a alguém em uma comunidade se ele já aceitou a Cristo, ouviremos: “sim, eu tomei essa decisão. Certo dia levantei minha mão e dei um passo à frente”. Esse ato, todavia, raramente é seguido de qualquer mudança interior, pois o que o sujeito fez foi dizer que concorda com as regras seguidas pela coletividade.

É um tipo de “decisão” que não possuiu qualquer desdobramento para dentro, restringiu-se ao que se pode perceber do lado de fora. Ela fez com que o sujeito incorporasse trejeitos, mudasse o tom da fala, alterasse a agenda. Tudo isso, contudo, jamais se projetou para o ser. Conversão, de fato, diz respeito a mudar a consciência, com vistas a que se possa materializar no caminho “frutos dignos do arrependimento”.

Quando isso acontece, a pessoa é capaz de perceber o outro, solidarizar-se com os caídos, tornar-se reverente com a dor do que sofre, aceitar o diferente, buscar a justiça, falar a verdade, amar sem ser amado. Não existe fé que não se desdobre! Uma espiritualidade voltada para si mesmo adoece todo aquele que dela se torne refém.

“Se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”. Essa é a difícil constatação de Jesus. Tenho percebido que há mais gente de bem fora das igrejas do que dentro delas. Vejo cristãos se esforçando para tentar chegar à média comportamental da sociedade. Triste ver que somos um povo cheio de carismas, mas totalmente esvaziados de caráter.      

Em tempos de prosperidade, falsificação doutrinária, barganhas com o sagrado, querer viver o bom e simples Evangelho coloca a pessoa na contra-mão do fluxo. Fazer o quê? Talvez, lembrar de Isaías: “Senhor, quem deu ouvidos a nossa pregação?”.

Carlos Moreira

08 janeiro 2011

"O Simples é o Contrário do Fácil"



“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me” Mt. 16:24

“Se Alguém...”. O convite de Jesus estabelece uma condição.
"Para este mundo Deus tem planos, não problemas...” W. Ian Thomas.

“...Quer Vir...”. O convite de Jesus exige uma decisão.
"Cristo levou nossa natureza para o céu para nos representar, e deixou-nos na terra com sua natureza para representá-lo." John Newton.

“...Após mim...”. O convite de Jesus nos fornece uma referência.
"Aprouve ao Pai que toda plenitude habitasse em Cristo; portanto, não há outra coisa senão o vazio em qualquer outra parte." W. Gadsby.

“...A si mesmo se negue...”. O convite de Jesus nos expõe a um “custo”.
"Deus tem uma obra a realizar neste mundo; fugir dessa obra por causa das dificuldades e obstáculos é rejeitar sua autoridade." John Owen.

“...Tome a sua cruz...”. O convite de Jesus está associado a um propósito.
"Deus não faz nada dentro do tempo que não tenha decidido fazer desde a eternidade." William Jay.

“...E siga-me.”. O convite de Jesus tem um objetivo.
"O futuro pertence aos que pertencem a Deus. Isto é esperança." W.T.Purkiser.

Carlos Moreira



26 outubro 2010

Assim Caminha a Cristandade...

“Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: "O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está dentro de vocês". Lc. 17:20-21.

O Sagrado em Israel se descaracterizara como experiência religiosa bem antes do tempo Jesus. Na verdade, a fé para os judeus havia se transformado num poderoso sistema que possuía dois grandes tentáculos: um político e o outro econômico. Assim como nos nossos dias, os que mercadejavam o espiritual perceberam que manipular com a fé das pessoas era um extraordinário e lucrativo negócio.

O texto citado acima nos dá a dimensão exata do que estava acontecendo naqueles dias... Mas nós não conseguimos discerni-lo com todos os seus matizes porque o “cenário” no qual os fatos se passam nos é totalmente estranho. No encontro inusitado entre Jesus e os Fariseus, a questão principal não é o que parece estar evidente, ou seja, o Reino de Deus, mas o que está subliminar – o reino dos homens.

Ora, isto pode ser visto claramente na pergunta, aparentemente “espiritual”, – “mostra-nos o teu Reino”. Ela não tinha nada a ver com os conteúdos, valores e princípios éticos do Evangelho de Jesus. A preocupação estava centrada apenas nos aspectos institucionais – nas estruturas físicas (templo, sinagogas), nos códigos regulamentares (a Lei e os Profetas), no centro de decisão (o Sinédrio), nos rituais “litúrgicos” (sacrifícios, oferendas), ou seja, o que estava em “jogo”, era entender quais os mecanismos que compunham a “engrenagem” que o Galileu estava anunciando. E isto era “bastante razoável”, uma vez que o “sistema” que eles possuíam já estava há anos sendo “tecido” pela aristocracia judaica, pelas castas sacerdotais e pelos grupos religiosos e, o melhor de tudo, “operava” perfeitamente.


A religião judaica criara uma opulência que entorpecia o ser. Era um conjunto de ritos e mitos que sacralizava o banal, petrificava o coração, cauterizava as percepções e roubava as emoções. Em torno de tudo aquilo girava uma “máquina” de fazer dinheiro, e era muita grana que circulava em torno do templo, o “centro espiritual” de toda a engrenagem, e de onde os recursos eram distribuídos para manter as benesses de muita gente e para bancar o “custo” da estrutura que era, sem dúvida, muito cara.

Aí vem Jesus que, em vez de propor manter a opulência do “negócio”, trás a mensagem de ressignificação da consciência! O Reino de Deus, anunciado através do Evangelho do Reino, não tinha “donos”, nem “trono”, nem ditames humanos, nem regras, nem lei, nem sacrifícios, nem intermediários sacerdotais, nem traficantes de influências espirituais, nem castas religiosas, nem comércio do sagrado, nem barganhas com a divindade, nem nada! Era a proposta de um Reino que crescia de dentro para fora, que instaurava valores no coração a partir de uma reconstrução da consciência. Por isso a discrepância tão grande entre um projeto e o outro. Agora dá para entender porque a proposta de Jesus era tão bizarra para aquela moçada, porque ela, simplesmente, desmantelava com o sistema inteiro!


O Evangelho do Reino é contra-cultura! É algo que se impõe para derrubar a cultura vigente. É subversão silenciosa, pacífica, de boca em boca, de casa em casa, de pequenos gestos, de serviço ao próximo, de amor ao necessitado, de acolhimento ao excluído. É uma lógica totalmente diferente! O sistema diz: ajunte, acumule, recolha. O Evangelho do Reino responde: espalhe, compartilhe, distribua. Onde um diz: seja servido; o outro preconiza: torne-se servo. Onde um diz: seja o primeiro; o outro afirma: seja o último. Onde um diz: busque reconhecimento; o outro adverte: faça tudo em secreto. Onde um diz: se exalte; o outro ensina: se humilhe. E ainda tem a segunda milha, a túnica junto com a capa, a face para o que o fere, o perdão setenta vezes sete... É metanóia!


Mudar a cultura é mudar a forma como as pessoas vivem. E isto varia de época para época, pois a cultura é um subproduto do social e do humano. É antropológica e temporal, segundo Vergílio Ferreira. Não foi diferente com Jesus. Em seus dias Ele lidava com vários tipos de culturas e filosofias distintas: os epicuristas, os estóicos, os cínicos, os céticos, além de toda a influência helênica – 600 anos de pensamento grego sincretizado com os cultos de mistérios egípcios, culto ao imperador, religiões pagãs e por aí vai... Mas o Evangelho do Reino, pregado pelo Nazareno, e depois pelos seus discípulos, propunha uma contra-cultura que desmantelava com tudo aquilo. E eles subverteram o mundo com a mensagem da paz, da esperança e do amor! E eu lhe afirmo: se já foi feito antes, pode ser feito novamente...


Geraldo D’Almeida Alves nos questiona de forma instigante: “para que servem cultura e filosofia? Na verdade, elas são imprescindíveis ao próprio existir humano. Um homem sem cultura não existe, e a filosofia existe justamente para que toda atividade humana possa ter significado”.

Quando a cultura muda, as pessoas mudam. Por isso Jesus queria estabelecer um novo Reino (uma nova consciência – cultura), baseado num Evangelho que tinha um “vinho novo” (valores e princípios). De lá para cá, vimos o mundo mergulhar em muitas crenças e culturas diferentes: a medieval, a renascentista, a moderna e agora, a contemporânea. Mas o que fez o cristianismo durante este período? Que propostas trouxe como contraponto, como contra-cultura para enfrentar os sofismas e as vãs filosofias? Eu lhes respondo: quase nada. E está ficando cada vez pior... Quem somos nós hoje? Como somos vistos? Como somos interpretados? Quem está disposto a ouvir nossa mensagem? E o principal: por que será que isto está acontecendo? Eu não tenho todas as respostas, mas tenho minhas “teses”. Você não precisa concordar com elas, mas pode a partir delas expandir sua consciência e buscar construir seus próprios “mapas”. Contudo, lembre-se: respostas que não produzem mudanças tornam-se apenas filosofia de botequim.

O problema é que nós nos conformamos à cultura vigente. Nos amoldamos, nos amalgamamos a tudo o que esta posto aí. Vivemos como todo mundo vive, corremos atrás das mesmas coisas, nossas famílias são pautadas pelos mesmos valores, nossos filhos são criados do mesmo jeito, nossos negócios são conduzidos da mesma forma, nossas “igrejas” viraram empresas! A proposta deveria ser exatamente outra: deveríamos nos rebelar pacificamente! Deveríamos denunciar de forma ordeira! Onde está a nossa voz profética? Ela se tornou “profétida” tantos são os escândalos nos quais estamos envolvidos. Não há mais diferença, como afirmava o profeta Malaquias, entre o que serve a Deus e o que não serve. Todos são iguais, participam das mesmas práticas, se envolvem nos mesmos conluios, vivem pelos mesmos princípios.

Alguém recentemente me perguntou: “mas pastor, eu vou ter um casamento diferente de todos os outros?”. E eu respondi: “para que então você quer servir a Deus se não está disposta a fazer diferente e fazer diferença!”. Os crentes hoje são execrados na sociedade e com toda a razão, na grande maioria dos casos. Os piores profissionais que trabalharam na minha casa e na minha empresa eram “evangélicos”. Gente de duas conversas, que nunca cumpria prazo, que empenhava a palavra e não a honrava. É o empresário “evangélico” usando caixa dois, meia nota, propina para fechar negociatas, sonegação fiscal, e por aí vai. Qual a diferença?! Onde está a contra-cultura do Reino? E alguém me diz: “mas se eu fizer tudo certinho vou quebrar meu negócio”. Ora, então mude de profissão! É melhor perder o negócio e preservar a salvação e a vida eterna, do que ir para o inferno com o negócio e tudo!

Está achando o discurso duro? Então faça uma pesquisa sobre o que a sociedade acha dos cultos de catarse que promovemos para espoliar as pessoas. Pergunte aos seus amigos e vizinhos o que eles acham dos “evangélicos”. Veja se não estamos associados à idéia de gente perversa, julgadora, presunçosa, arrogante, falsa... Pergunte a deputados e senadores sérios – ainda existem alguns – o que eles acham da bancada “evangélica” no Congresso Nacional? Eu que sou pastor que o diga. Não há ninguém que não me olhe e não ache que eu sou ladrão, manipulador ou aproveitador. E aí me vem, do nada, um fulano querendo saber da marca da besta do apocalipse! Ora meu mano, a marca da besta já está aí, presente em tudo o que se faz neste “sistema” no qual nós estamos imersos. Ela existe desde Caim, que ficou com sua fronte marcada para que todo homem soubesse que ali estava alguém que vivia em desacordo com a vontade de Deus. Não precisa de marca no pulso, na testa, de número 666, porque tudo já está “tatuado” no coração, enraizado em práticas perversas, assumido por uma consciência anestesiada, incapaz de discernir o que o Espírito está falando a Igreja.

E assim vamos vivendo. Misturados ao todo e diluídos na massa, sequer aparecemos. Somos considerados gente de gueto, povo de segunda categoria, seres que não pensam, confraria de tolos. Não influenciamos, mas somos massacrados pelo marketing, pela mídia, pela cultura da aparência, do parecer ao invés do ser, dos valores pagãos, da fé commoditizada, mecanizada, robotizada, que produz uma massa de alienados que não consegue nem influenciar os que estão em suas próprias casas.

É amigos, parafraseando o Lulu Santos, assim caminha a cristandade, com passos de formiga e sem vontade. Até quando? Não sei. Mas parece que algo começa a acontecer, lentamente, silenciosamente. Há uma geração se levantando contra essas coisas, anunciando que Evangelho não é isto, que Jesus nunca propôs nada do que aí está. A revolução não começa nas estruturas, nas denominações, nos grupos se matando uns contra os outros, mas na consciência, numa nova hermenêutica, na ressignificação dos valores e das verdades do Evangelho do Reino, na restauração do ministério profético.

E quanto menos se esperar, surgirá de onde não se imagina, dos anônimos de bairro, dos discípulos que estão com a mão na massa, nas chagas das pessoas, socorrendo os desabrigados da Terra, os excluídos da sociedade, porque esta é a Igreja de Jesus. Ela está aí, como sal dissipada pelo mundo, ativa, falando nos blogs "subversivos", na cabeça de pensadores e escritores que fomentam novas idéias, no púlpito de algumas Igrejas, nos corredores dos hospitais, dos presídios, nos encontros de pequenos grupos.

Por isso, saiba: a “massa do bolo” está crescendo e o “caldo está engrossando”. Desta forma, preste atenção! O Evangelho do Reino está sendo pregado novamente e as profundas mudanças por ele trazidas estão a caminho e nada, absolutamente nada, poderá impedi-las de subverter novamente a sociedade e trazê-la para um encontro definitivo – restaurador e pacificador – com o Deus de toda a vida! E nem altura, nem profundidade, nem coisas do presente, nem do porvir, nem principados nem potestades, nada poderá deter o que já se iniciou por vontade única e exclusiva do Senhor de toda a Terra. Quem vai pagar para ver?

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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