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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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05 janeiro 2019

Amar não é, Necessariamente, Querer Bem



“Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Mt. 5:43-44

Nas palavras de Jesus, amar o inimigo parece, à primeira vista, um convite ao masoquismo, mas não é.

Para entender o texto do Sermão do Monte, sobre o qual há muita confusão, quero fazer breves ponderações. Sim, porque do ponto de vista da ortodoxia religiosa, a proposta é inalcançável, ninguém pode nutrir bons sentimentos por quem lhe faz mal.

O problema, contudo, está na forma de interpretar a proposta do Galileu que, acreditem, é um convite para o exercício da profilaxia que produz saúde ao ser. Ora, não há dúvidas sobre o que Jesus disse: o verbo ἀγαπᾶτε – amai – no grego, está no imperativo ativo, é uma ordem, não uma opção.

Mas, para entendermos qual é verdadeiramente a proposta, precisamos analisar o contexto da frase, e não apenas um conjunto de palavras. Perceba que, ao fazer a afirmação, Jesus está usando como contrapartida o que havia sido dito pelos antigos – “... Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. 

Nessa passagem existem duas questões importantes: a primeira é que a bíblia não diz: “Ouvistes o que está escrito...”, e sim: “Ouvistes o que foi dito...” – “Ἠκούσατε ὅτι ἐρρέθη”, ou seja, Jesus explicita que há um grave problema na interpretação da Lei, pois em nenhum lugar das Escrituras encontramos a afirmação de que devemos amar ao próximo e odiar o inimigo. A segunda questão é que essa crença baseava-se na “tradição dos antigos”, algo que estava perfeitamente alinhado com a “Lei de Talião”, a lei escrita mais remota já registrada e que tratava da reciprocidade entre o crime e a pena – “Olho por olho e dente por dente”. 

Desta forma, o que de fato Jesus queira dizer? Ora, nós sabemos que amar não é um sentimento, mas uma decisão, e temos esse entendimento quando compreendemos o amor de Deus por nós. Assim, o que Jesus estava querendo dizer sobre “... amai os vossos inimigos”, é que é possível fazermos a escolha de não “odiarmos os nossos inimigos”, conforme a “tradição antiga”, ainda que isso não tenha nada a ver em nutrir por eles sentimentos de afeição. 

Eu não devo odiar, nem desejar o mal, nem guardar rancor, nem cultivar amarguras, mas também não estou obrigado a sentar a mesa com ele para tomar uma breja, nem muito menos me subjugar a manter uma relação que se tornou insalubre, faz profundo mal a alma e ao coração. Eu posso amar, sem querer bem, eu posso amar, sem manter contato, eu posso amar, sem alimentar a ira, eu posso amar até mesmo sem ser amado, o que eu não posso, nem Deus me pede isso, é querer bem a quem me faz mal.

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Carlos Moreira





25 abril 2017

Se Não Tem Tu, Vai Tu Mesmo!



A sabedoria popular afirma que "é melhor viver só do que mal acompanhado", mas a realidade existencial, por vezes, revela o contrário, ou seja, é melhor viver mal acompanhado do que só. Aliás, Vinícius, o poetinha, afirmou certa feita, despudoradamente: “É melhor o amor que não compensa do que a solidão”.

Como pastor, estou acostumado a ouvir os dramas relacionais das pessoas, separações e crises conjugais fazem parte do meu cardápio cotidiano, além, obviamente, de novas relações que se estabelecem após estações outonais. Me parece, todavia, que a partir dos 40 anos fica mais difícil construir relações duradouras e qualitativas, a esmagadora maioria das pessoas chega a esta etapa da vida com, no mínimo, uma separação e um filho, o que, convenhamos, é uma dificuldade extra.

Recorrentemente, confesso, tenho me deparado com reclamações de que o “mercado” de solteiros é escasso e de baixa qualidade, os homens não querem nada sério e as mulheres preferem investir na profissão do que num novo casamento. A verdade é que vivemos no tempo dos “líquidos”, como afirmou Bauman, somos a sociedade da impermanência, nada sólido ou duradouro sobrevive aos nossos dias.

Diante deste contexto complexo, observo, também, que muita gente partiu para o que expõe, mais uma vez, a sabedoria popular, ou seja, “se não tem tu, vai tu mesmo!”. E assim, relacionamentos de alto risco se estabelecem, pessoas se juntam para aplacar suas carências, sejam elas sexuais, emocionais, e, não raro, financeiras. Ficar só não parece para estes uma boa opção, portanto, é melhor viver pela metade, do que amargar um final de semana de televisão e edredom.

Na verdade, o que percebo em tais arranjos é que, na esmagadora maioria dos casos, eles se revelam desastrosos em pouquíssimo tempo. A pessoa desarruma a vida inteira, às vezes desaloja filhos, muda de apartamento, realiza adaptações profissionais, tudo para tentar fazer caber o new love no espaço apertado que a alma dispõe. Todavia, como esse “Romeu” está mais para “Romero”, ou seja, não era bem isso o que eu desejava, em curto espaço de tempo os problemas se revelam maiores que a capacidade de administrá-los e aí, o desfecho final já está traçado, é só questão de oportunidade...

São muitos, portanto, os casos de pessoas que se entregaram a novas relações que acabaram por se constituir mais adoecedoras do que a que elas possuíam no passado. A tirania da solidão, um mal deste tempo, acaba obrigando o indivíduo a estar acompanhado a todo custo, ainda que essa companhia produza o que poetizou Cazuza – solidão a dois.

Estar só, imagino, é uma merda, pois não há nada melhor do que ter alguém para amar e dividir alegrias e tristezas da vida. Estar acompanhado de alguém que não lhe completa, contudo, parece-me algo ainda pior, pois além de impedir que alguém bacana chegue na antessala do coração, e nos arrebate o ser, faz-nos viver na melancolia do “quase”, ou seja, não é o que eu queria, mas é o que tem para hoje! Como bem disse Chico Buarque, em 1979, na canção “Sob Medida”: “Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus”. Só que não...

Carlos Moreira



18 outubro 2016

Fantasma Caseiro



Uma das grandes tragédias relacionais é a pessoa se tornar um fantasma caseiro. Sim, isso é mais comum do que se imagina, é quando o outro passa a ser ignorado pelo parceiro e aceita viver de migalhas do tempo, busca saciar-se com a escassez de gestos, quase suplica por miudezas de olhares e restos de atenção. 

O fantasma caseiro é o estado final da alma que foi desprezada e não se ateve para o mal do abandono, procurou, erradamente, satisfazer-se com pouco, lutou, ainda que heroicamente, para sobreviver do expurgo de um tipo de amor que mata, pois o narcisista só consegue amar àquilo que é espelho. 

Quanta gente já vi sucumbir em meio a esse tipo de patologia moderna, viraram assombrações de si mesmos, perambulando por corredores escuros, agonizando solitários em lençóis esbranquiçados, sentados, postumamente, na frente da TV ou comendo comida velha no banquinho de canto da cozinha. 

Neste contexto, já dizia Cazuza, a pior solidão é aquela de quem está acompanhado, faz a pele enrugar de tristeza e a boca murchar de descontentamento.

Portanto, se você discerne que está vivendo este processo, que sua existência está lhe levando a se tornar um holograma, uma projeção imaterial de um eu que sucumbiu em si mesmo, se as paredes se tornaram confidentes e os livros uma distração irremediável, talvez esteja na hora de pensar um pouco em você, pois há cura para este tipo de mal, basta que a pessoa acorde do sonífero que fez o coração se tornar dormente a dor. 

Acredite, não há pobreza maior do que não ter o que receber de quem se ama, pois a mendicância de afeto corrói mais que a ferrugem do ferro, mata compulsoriamente, faz o corpo implodir em silêncio e sombra, transforma a vida na cinza das horas. 

Desta forma, se já estais só, ainda que iludido com uma companhia que não te acompanha, não seria melhor libertar-se deste vício que te prendeu ao outro sem razão e sem por quês? Ama-te a ti mesmo, antes de tudo, e assim será possível amar e ser amado por alguém...


Carlos Moreira


31 julho 2015

Como Segurar um Homem?



É muito simples.

Seja você, não se vista com um personagem. Ao depois, na cama, não será possível manter os disfarces, sexo não se faz apenas com o corpo, mas com a alma.

Seja honesta também, diga sempre a verdade, não se preocupe em desagradar ou ser inconveniente. Homens, quase sempre, são imaturos, precisam de alguém que lhes chame a realidade do chão de cada dia.

Não se preocupe muito com sua estampa, você não é uma esfinge, mas uma pessoa. Apesar de vivermos na sociedade da imagem é o conteúdo que mantém relações sadias. Creia, tem mais valia um coração enorme que uma bunda grande, além do quê, rugas e celulites podem ter seu charme em alguém que não tem a mente pequena.

Esqueça essa história de feminismo, isso é uma grande tolice. Mulher quer atenção e segurança e adora dar carinho e fazer um pratinho gostoso, nem que seja comprado no chinês. Ideologias são legais para filósofos e escritores, mas tem pouca serventia para gente comum, gente como você e eu.

Seja uma pessoa legal, conte piada, tome uma breja, se interesse pelas coisas dele, faça cara de espanto com suas conquistas. Homem adora ser admirado, portanto, seja generosa, mesmo que esse troféu dele não passe de mera babaquice.

Só faça filhos por amor! Não imagine que barriga sustenta ninguém! O que faz um homem criar raiz no solo sagrado do coração de uma mulher é o fato de que ele, com ela, se percebe ser alguém muito melhor. Portanto, não se satisfaça em ser um pedaço, seja parte significativa, você não é um adereço, tem de estar nele, ser carne da sua carne.

Faça sexo sem pudor, seja intensa e deseje que ele seja só seu. Não economize na sacanagem, na fantasia, e deixe de tanto mimimi, regras devem ser consensuais, mas regras demais são feitas para tribunais, não para cama.

Este é um tempo de solidão a dois. Os casais tem carro separado, cama separada, conta separada, amigos distintos, tanta coisa não comum que é incomum que algo assim possa funcionar.

Se você quer mesmo este homem, entre na vida dele, torne sua companhia desejável, faça-se necessária, homens adoram estar com suas parceiras, e quem diz o contrário é porque está mal acompanhado.

Como afirmei no começo, não tem nada de complicado. Mas colocaram tanta minhoca em sua cabeça que você acha que não é capaz de construir algo duradouro. Portanto, faça tudo simples e você verá como a vida lhe visitará com ares de festa e luas de prata. Só não se esqueça, contudo, de algo importantíssimo: “o simples é o contrário do fácil.”...


Carlos Moreira

11 fevereiro 2013

Tem Gente que Vem, Tem Gente que Vai



Todos os dias é um vai-e-vem , a vida se repete na estação. Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais, tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar, tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar. E assim, chegar e partir”  
Milton Nascimento e Fernando Brant 

O trecho acima é parte da canção Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Confesso que, para mim, já se tornou hábito analisar a vida através das lentes dos poetas, pois eles, não raro, revelam-nos a realidade através do que, a princípio, parecia só abstração

Eis, então, algo que vi na vida: nada é capaz de marcar tão profundamente a alma humana quanto a passagem de uma pessoa. Sim, seres humanos deixam rastros por onde pisam, sobretudo se o terreno é o ser da gente. Há pegadas que se projetam do chão da existência para o sagrado do coração, deixam tatuadas impressões, sentidos e sentimentos.  

Por isso, tenha muito cuidado com quem entra e sai de sua vida, pois você pode acabar acolhendo quem só lhe fará mal ou despedir quem só lhe fez bem.

Tem gente que chega pra ficar...”. Estes, de preferência, devem ser os que nos trazem paz e alegria. Semeá-los em nós revelará sábia decisão, pois, quem acha um amigo, encontrou na lida da vida um abrigo. Deixe que entrem, que sentem, que façam morada duradoura, que nos dias difíceis nos sejam alívio e nas noites sombrias, alento.

“Tem gente que vai pra nunca mais...”. Em alguns casos, inclusive, já foi tarde! É sinal de maturidade acatar a voz da consciência e abandonar os sussurros do coração. Há certo tipo de gente que precisa ser arrancada de dentro de nós, pela raiz, de tal forma que jamais brote novamente. Dessas, as piores são aquelas que nos fazem bem nos fazendo mal. Esse vício vicia! Trate-as como erva daninha, deixe a piedade para outra ocasião, corte a própria carne, se preciso for, mas ampute esse mal antes que ele lhe faça “bem”.

“Tem gente que vem e quer voltar...”. Mas seja cauteloso, veja se vale a pena. Alguns relacionamentos têm prazo de validade, não devem ser consumidos após o tempo determinado. Partidas saudosas marcam mais do que chegadas indesejáveis. É melhor a lembrança boa do que o convívio entediante. Há certos encontros humanos que nos trazem coisas boas por um determinado tempo, passado o qual, tendem a afetar o sono e o apetite.

“Tem gente que vai e quer ficar...”. Aprendi que sonhos não devem ser construídos sobre nuvens, mas sobre pedras! Não há coisa mais danosa ao ser do que a convivência passiva com a indecisão, pessoas que estão sempre entre o agora e o ainda-não. Na vida, há mais proveito no fim precoce do que na longevidade tardia. Portanto, ou fica, ou sai, ou entra, ou vai, pois o tempo urge, devora o sentir e o ser.

“Tem gente que veio só olhar...”. Pois é melhor assistir ao circo pegar fogo do que meter a mão no lamaçal para levantar paredes. De que lhe servem milhares de amigos nas redes sociais que assistem, placidamente, a tua dor, num torpor calcificante, de dar nó e dó, de dá medo? A vida não é palco do imaginário, mas crueza do real, não demanda plateia, mas atores que se envolvam na trama do drama, façam parte do enredo, seja ele qual for, co-média ou tragédia.

“Tem gente a sorrir e a chorar...”. Elas vão e vêm, daqui para ali, e você precisará escolher com quem vai sorrir, após ter chorado, e com quem vai chorar, depois de ter sorrido. Lembre-se, todavia: a vida é feita de nuances e contradições, tempos bons e maus, dias pálidos e noites ardentes. Por isso, se possível, nunca deixe a mesa ficar vazia, mas acolha sempre a solidão com reverência, se preciso for.

No mais, “é melhor serem dois do que um”, e melhor ainda quando, de dois, se faz um, pois, lembrando Nietzsche: “Na solidão, o solitário devora a si mesmo; na multidão, devoram-no muitos”. Contudo, é mister aprender, tem gente que vem e gente que vai, é preciso acolher quem chega, com ares de primavera, e despedir agradecido quem parte, no ocaso da estação outonal.

Carlos Moreira

04 agosto 2011

A Ponte



“O grande do homem é ele ser uma ponte e não uma meta”. Nietzsche, filósofo alemão.

Tenho refletido ultimamente que, quanto mais conectado se torna o mundo, mais isoladas ficam as pessoas. Não é à toa que o escritor francês André Malraux afirma que somos a “civilização da solidão”.
Não obstante, é bem provável que a grande maioria afirme justamente o contrário, pois é fato que estamos vivendo em meio ao fenômeno das grandes interações humanas que ocorrem nas redes sociais.

Ainda assim, penso diferente... Somos seres sociais, não virtuais. Precisamos de trocas que se deem para além do teclado e da tela do computador; necessitamos de abraço, toques, sensações.

Tenho observado as interações que os seres humanos travam em seu cotidiano. Raramente elas são pessoais, íntimas ou intensas. Na sua grande maioria, estão marcadas pelo formalismo, pela impessoalidade e até pela frieza.

Somos forçados a realizar tantas interações mecanizadas num único dia que já não nos preocupamos mais com o que as pessoas estão sentindo ou mesmo quem elas são! Por isso, não se assuste se você estiver numa reunião, tratando de negócios, enquanto alguém bem próximo está chorando. E isso ainda não será o pior... A grande tragédia será você nem sequer perceber!

Paralelamente, também é verdade que nós, dificilmente, somos percebidos em meio aos nossos sentimentos e necessidades. Não raro converso com pessoas que parecem me escutar, mas, de fato, es-tão apenas me ouvindo.

Em alguns segundos, o que eu expressei vai desaparecer, será deletado, expurgado da mente, não terá a chance de chegar nem perto do “coração”.

A questão é tão grave e profunda, e nós temos nos apercebido tão pouco, que já nem nos preocupamos mais com o fato de não termos com quem “nos abrir”; precisamos pagar um profissional para nos escutar!

Ninguém sabe o que se passa em nossas almas, frequentemente, nem mesmo nosso(a) companheiro(a). Estamos vivendo a “existência epidérmica”, onde tudo é superficial e rasteiro. Só o nosso travesseiro conhece nossos dilemas.

Na verdade, nossas trocas têm se tornado neurotizadas pela quantidade de opções que possuímos. Estamos diante do computador e, de repente, soa um apito: “plim!” – acaba de chegar um e-mail. Outro zunido vem em seguida: é alguém na rede social nos chamando. De repente, a conversa que era apenas com uma pessoa, já se desenrola com três ao mesmo tempo! Fica até difícil articular o pensamento.

Mais um toque sai da máquina: agora é alguém que seguimos postando algo no short mensage. Ah, e não esqueçamos dos avisos que chegam dos blogs que acompanhamos e da necessidade de dar uma olhadela no quadro de avisos para ver se alguém deixou algum recado. 

“Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”. A afirmação de Jesus expressa bem o seu propósito existencial: ser uma ponte! Ele quer nos reconectar não somente a Deus, mas a nós mesmos e ao nosso próximo.

Se você prestar atenção, verá que Jesus sempre agiu como ponte. Ele era a ponte entre a desgraça e a misericórdia, entre a calamidade e a libertação, entre a deformação e a integridade do ser, entre o caído e a redenção. Foi assim com a prostituta, com os dez leprosos, com o cego de Jericó, com o endemoniado gadareno, e tantos outros... Ser “ponte” entre gente, esse era o “negócio” de Jesus!

Parafraseando Lenine, essa “...ponte não é de concreto, não é de ferro, não é de cimento...”, a “ponte” que viabilizou tudo isso habitou entre nós em carne e sangue e, por causa dela, toda inimizade foi desfeita, eu e você podemos nos religar novamente à “Fonte”.

Sim, mesmo vivendo em meio à sociedade da in-formação, há certo tipo de “conexão” que nenhum cabo ou conector pode realizar, mas apenas a aceitação do sacrifício do Cordeiro mediante o arrependi-mento trazido à consciência pelo Espírito Eterno.


Carlos Moreira


19 novembro 2010

Uma Mulher de 40 é igual a Soma de duas de 20


Como pastor tenho aconselhado muitos casais em crises conjugais e, não raro, em processos de separação, alguns dos quais litigiosos, outros, mais raramente, amigáveis.

É triste ver uma família se desfazer, implodir, ruir perante os olhos perplexos, sobretudo, dos filhos, que quanto mais novos mais sofrerão as conseqüências do litígio. Como bem disse o Caio Fábio – e ele têm autoridade no tema, não só pelo que viu, mas também pelo que sofreu – separação é uma amputação, algo que se faz quando a conjugalidade atingiu um grau onde a convivência se tornou insalubre, ou seja, viver junto produz morte e não vida. Aí, ou corta a parte “gangrenada”, ou o corpo todo morrerá por septicemia.    

Existem muitas relações que já estão em estado de putrefação. Elas “fedem” em meio a mentiras, disfarces, subterfúgios, e toda sorte de arranjo existencial quando se tenta, sabe-se lá porque, salvar o que é irremediavelmente irrecuperável. Às vezes é por causa do patrimônio, outras por conta dos filhos, outras por que ambos já possuem vidas duplas, há também os casos em que a coisa é pura safadeza mesmo. E por aí vai... Como disse um colega, “desgraça pouca é bobagem”.  

Não sou fundamentalista. Aprendi que a misericórdia de Deus vai além de meus juízos humanos e minhas exegeses de 3ª categoria de textos bíblicos complexos. Já deixei a muito tempo de “esfregar” na cara das pessoas coisas do tipo “o que Deus uniu não o separe o homem”. Minha hipocrisia já não dá para tanto... E isto por um motivo muito simples: tem coisas que, simplesmente, Deus não uniu. E mais... Creio firmemente que alguém que vem a Cristo tem a chance de reescrever a própria história. Se for um escravo, poderá ser liberto; se sua liberdade representa dessignificação existencial, poderá tornar-se escravo da lei do amor e da graça. Em síntese, quem conhece a “Verdade” é liberto de todas as suas mazelas e inquietudes. O mais, é doutrina barata de “igreja”...

Mas, voltando ao gabinete pastoral, tenho observado um fenômeno social curioso, e isto não apenas no meio “evangélico”. Homens de meia idade separando-se de suas esposas, quase sempre de idade próxima, e assumindo relações com mulheres bem mais novas. Alguém recentemente me disse: “pastor, troquei minha mulher de 40 por uma de 20. Aí eu perguntei: “e como está agora? ”. Ele me respondeu com uma melodia conhecida dos Beatles: “Love, Love, Love... All you need is Love”.   

Nas minhas pesquisas mais aprofundadas, quando converso com a “macharada” mais a sério, o que ouço é que mulheres de 20 anos são extraordinárias. Em primeiro lugar elas são facilmente manipuladas por homens mais maduros, sobretudo se houver um cartão de crédito e um carro bacana. Em segundo lugar porque fazem sexo como ninguém, estão ávidas por noites ardentes, e são capazes até de “ressuscitar mortos”, segundo um me comentou. Além do mais, elas não exigem grandes demandas relacionais, não querem fazer “DR” todo dia, e não tem muito assunto para conversar, quando muito papo de faculdade. Assim, o tempo é gasto mesmo com festa, sexo, sexo, festa, festa, sexo e, para variar um pouco, sexo e festa.

Como todos sabem, sou avesso a generalizações. O que trago aqui é apenas a observação de conversas pastorais e a percepção sobre o que vem acontecendo na sociedade como um todo. Nem estou dizendo que todo homem de meia idade quer ninfetas para se relacionar, nem tão pouco que mulheres de 20 ou 25 anos são fúteis, frívolas, ou esvaziados de conteúdos. Sei que existe gente boa por aí, gente que gostaria muito de encontrar o seu “sapato velho”, que aquece o frio e, para tal, basta você o calçar...

Mas o fato é que a banalização das relações afetivas chegou ao seu limite. Homens e mulheres relacionam-se hoje sem que haja, por vezes, qualquer tipo de sentimento envolvido. É apenas sexo pelo sexo. Como diria o poetinha, numa das poucas frases dele que não concordo: “é melhor está mal acompanhado do que só”. É o que eu chamo de “tirania do está a dois”, ou seja, tantos são os preconceitos e as questões que envolvem estar sozinha(o) que a “moçada” acaba “pegando” qualquer coisa apenas para não aparecer só num barzinho, num casamento, num clube, num aniversário de criança, e por aí vai. É o típico caso de dois que jamais fazem-se um...

Garotas de 20, 25 anos são fantásticas para viver com homens da mesma idade, envoltos nos mesmos dilemas, partícipes dos mesmos dramas, contradições e desafios. Eles possuem linguagem comum, sabem o que é Blog, Twitter, Facebook, Orkut, coisas que muitos quarentões não sabem, pois não raro não tem “saco” de ver ou usar. Não estou afirmando que não existam mulheres novas com cabeças mais maduras, mas essa exceção, estatisticamente, é muito baixa.

Por outro lado, mulheres de 40 anos ou mais são fascinantes! Eu tiro pela minha, que quanto mais velha, vai ficando melhor. Acho que ela aos 80 estará no auge da forma, e eu serei um velho cheio de rabugices... Mulheres na faixa dos 40 ou mais são mais sofridas, são mais vividas, são mais “espertas”. Elas já andaram bastante e sabem o que querem. Dificilmente você as verá colocando “remendo novo em vestido velho”, ou seja, estou cansado de ouvir: “pastor, o “mercado” está muito ruim, prefiro ficar só”. E eu retruco: “melhor só que pessimamente acompanhada”.

Mulheres de 40 são fascinantes porque tem conteúdo, porque dá para tomar um vinho e conversar sobre dimensões da vida que as de 20 ainda não viveram. Elas transitam bem em todos os temas, desde política, passando por cultura geral, religião, filosofia, cinema, etc. Já notei que mulheres de 40 gostam muito de ler, gostam de ver filmes, gostam de teatro, gostam de museus. Elas já estão em outra fase da vida, onde a plasticidade neurótica das academias de ginástica foi substituída por um bom programa com uma pessoa que valha a pena sentar na mesa e conversar, ou por uma tarde no parque, ou por um cineminha básico.

O sábio do Eclesiastes me ensinou que tudo na vida tem o seu tempo. Acho o texto perfeito. Se pudesse fazer um pequeno retoque, incluiria apenas: “tempo de namorar mulheres de 20 e tempo de namorar mulheres de 40. É que tudo na vida tem um tempo determinado, até o amor precisa ter suas estações próprias...

Eu não gostaria que as mulheres de 20 ficassem com raiva de mim pelos comentários deste texto. Vocês são maravilhosas, fantásticas, mas para uma “outra turma”. Para nós, quarentões vivendo crise de meia idade, é necessário mulheres que entendam a vida do ponto de vista de nossas inconcretudes, inseguranças, de nossos medos bobos, de nossas contradições, máscaras, vivências existenciais que não se aprendem vendo filmes, mas apenas experimentando e degustando os sabores e aromas da vida, as sombras e silêncios, as cinzas e o pó do caminhar pela terra.

Sei que na sociedade da imagem, onde parecer é melhor do que ser, na sociedade das aparências, onde o botox, a lipoaspiração, as plásticas corretivas para tirar, aumentar, modelar, os cosméticos, e todo este exército que aguça sentidos está à disposição das mulheres, para enfeitiçar os homens que ficam, diante de tanto esplendor, totalmente “vendidos”. Deixo-lhes, contudo, dois conselhos: o primeiro é que o invólucro nunca é mais importante que o conteúdo. Mas isto, por vezes, só se descobre com muito sofrimento. E o segundo, citando Stendhal é que “as mulheres muitíssimo belas surpreendem menos no dia seguinte. E eu ainda vou mais além: esta surpresa, via de regra, é proporcional ao teor alcoólico ingerido na noite anterior. Agora é com você...

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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