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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

30 junho 2011

Alterar a Agenda não Significa Transformar a Consciência


Quando alguém aceita a Cristo como seu Senhor e Salvador, não percebe, de imediato, o milagre que se realizou silenciosamente em seu ser, o desencadeamento de todo um processo interior e espiritual em proporções inimagináveis.

Através da iluminação do Espírito Santo, que produz a consciência de pecados, nascemos de novo, recebemos o próprio Espírito em nossas vidas, apropriamo-nos da remissão de pecados – mediante o sangue do Cordeiro – somos justificados pela fé, pois cremos com o coração e confessamos com a boca a Jesus, e, a partir de então, começamos a viver os prenúncios da eternidade, pois nossa consciência começa a ser reelaborada a partir da matriz de valores do Evangelho, o que nos leva a praticar atos de justiça.

O processo de santificação, que é este desafio de, no caminho encarnarmos “O Caminho”, é algo que vai sendo gestado de dentro para fora, das percepções para as ações, dos conteúdos para a prática, algo que permite com que carisma e caráter caminhem lado a lado, harmonizem-se com a finalidade de construção de um novo ser, pois, como disse Proudhon, “a revolução sucede à revelação.

Isso fica bonito num texto religioso-filosófico, mas, na prática, a realidade é outra. O que tenho visto, nas últimas décadas, é que o “evangelho” não produz mais aquilo que deveria produzir, ou seja, ou ele perdeu a sua eficácia com os anos, ou o que estamos pregando é um outro “evangelho”!

Sinto uma alegria indescritível quando encontro alguém que me relata ter tido recentemente uma experiência com Deus através de Jesus Cristo. Por outro lado, minha alma é invadida por uma imensa tristeza, pois sei que há grandes chances desta pessoa se tornar uma vítima da engrenagem  das instituições religiosas, pois, como disse Nietzsche, “Deus está morto e o seu túmulo é a Igreja".

Quando o filósofo escreveu esta sentença, estava diante de uma religião perversa, a qual havia criado um “deus” caricaturado, um ser absoluto e indiferente. “Matar” Deus, significava extinguir o dogma, o conformismo, a superstição e o medo, era a proposta da não imposição de “regras”, as quais impediam a transcendência do ser, sua auto-afirmação, sua busca por elevação em sua saga existencializada.

O que vejo em nossos dias é que as pessoas “desembarcam” nas comunidades, às vezes oriundas de movimentos, outras após aceitarem o convite de amigos ou parentes, em algumas situações após terem levantado a mão num “apelo”, seja como for, e, a partir daí, iludidas pelo "sistema", começam a imaginar que a vida cristã significa apenas uma mudança na agenda, e não uma transformação na consciência!

O “novo convertido” inclui em sua programação semanal um culto dominical, uma reunião de oração, a participação em um pequeno grupo, ou mesmo num movimento, e pronto, toda a sua vida está rearrumada! Agenda refeita, lá vai o novo “crente” “mundo a fora”, ano após ano, e nada do que ele faz é capaz de produzir transformações significativas em seu ser – reestruturação emocional, ressiginficação conjugal, reelaboração familiar, renascimento espiritual, redirecionamento profissional.

É que o sujeito, não raro, apenas trocou o bar pelo pequeno grupo, o cinema pelo culto, a praia pelo movimento e a palestra pela reunião de oração. Ele mudou a agenda, mas não mudou o coração. Em alguns anos, irá sentir-se totalmente esvaziado de propósitos e significados, viverá uma fé epidérmica, uma espiritualidade não-sustentável, se decepcionará com a Igreja, ou, talvez, até com o próprio Deus, irá tornar-se um “esquentador de banco”, freqüentador de reuniões que possuem, como único objetivo, purgar de sua consciência um sentimento de culpa por ter se tornado um ser sem emoção, sem reverência, sem devoção. 

Termino com Karl Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão: “a verdadeira existência é a possibilidade de transcender a situação na qual nos encontramos”. E eu, na minha insignificância, fico pensando: e se não for isso, então, o que será? 

Carlos Moreira

29 junho 2011

Afinal: Você Confia ou não Confia?


Ontem à noite eu me vi diante de uma cena inusitada... Minha filha Gabi colocou na orelha um brinco e ele entrou na pele, o que fez com que a região inflamasse e sua retirada se tornasse algo extremamente doloroso.

Sei que Gabriela ama a mãe loucamente, confia nela cegamente, mas aquela situação a fez agir de forma inusitada. Ela corria de um canto para outro e não deixava a gente, sequer, se aproximar para ver o que precisava ser feito. Em certo momento, senti a angústia nos olhos de Fabiana, algo do tipo: “milha filha, ou você confia ou não confia!”.

É fácil manter a confiança quando o contexto é favorável, quanto o problema é contornável, quando os envolvidos são confiáveis, quando as medidas a serem tomadas são palpáveis. Mas, e quando não?...

Aqui surge uma questão: como confiar quando os fatos são contrários, quando Deus se torna “indisponível”, ou o céu mostra-se impermeável, quando o “telefone” do Altíssimo fica dando “caixa postal”? O que fazer no momento em que as coisas, aparentemente, não possuem sentido ou lógica, e o caos aproxima-se de nós com um apetite voraz? 

Como todos sabem, gosto muito do profeta Habacuque. Trata-se de um homem suigeneris, pois, ao invés de começar seu ministério confrontando aos homens, ele parte para questionar o próprio Deus. Por isso, de cara, me apaixonei por ele, pois em Habacuque não existem “salamaleques” para com o sagrado, ele é um ser perplexo em busca de respostas, assim como eu.

A questão central no livro de Habacuque é o afastamento de Israel da comunhão e intimidade com Deus. Profeta do período pré-exílico, ele constatou que o bem se afastara da vida dos seres humanos, assistiu ao desvirtuamento das relações, viu o poder sendo usado para esmagar o próximo, o estabelecimento da corrupção, da volúpia por sangue, da ganância, do desamor como praxis, ou seja, a inexistência de todos os matizes dos quais é constituída a matriz de valores do Evangelho.

Depois de insistentes questionamentos sobre o fato de Deus está, aparentemente, inerte a toda aquela situação, Habacuque recebe, então, a sua resposta. Foi impossível não lembrar de Guimarães Rosa “esperar é reconhecer-se incompleto”. Ah, coisa difícil é esperar... sobretudo, esperar por Deus... Ele parece sempre estar indisponível no dia da calamidade, da dor, da solidão, da tragédia.

Todavia, a resposta que Deus deu ao profeta não lhe agradou. Ele estava preparando, como “vara de juízo” sobre o Seu povo, uma nação ainda mais perversa, corrupta e dura: os Assírios. Aí o profeta foi à loucura! “Como assim Deus?! Você vai nos disciplinar usando gente mais corrompida do que nós mesmos?!”.

Sei que não está escrito no livro de Habacuque, mas, neste ponto, penso que Deus questionou o profeta: “afinal, você confia ou não confia?”. E é justamente aí, em meio à perplexidade, ao inexplicável, ao ilógico, ao contraditório, ao irracional, ao desconexo, que surge um homem resignado a obedecer e aceitar os desígnios do amor de Deus, pois, mesmo quem ama, tem de ser firme.

Ouvi isso, e o meu íntimo estremeceu, meus lábios tremeram; os meus ossos desfaleceram; minhas pernas vacilavam. Tranqüilo esperarei o dia da desgraça que virá sobre o povo...”. 


A lição que tiramos da vida deste homem é que confiar não é uma ação que nasce na consciência, mas no coração. Confiar é lançar-se no absurdo, no insondável, é abrir mão de racionalizações, de conjecturas. Confiar é resignar-se, aquietar-se, render-se, sublimar-se, é ir na contra-mão, no contra-fluxo, esperar o inexplicável, aguardar o improvável, ter a certeza de que, ainda que contra todas as evidências, Deus nos fará bem e nos trará a paz.

Habacuque nos ensina que ainda que o fluxo natural da existência  – “mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos”, seja, por algum motivo, alterado, ainda assim ele confiará no Senhor, pois diz: “exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação”.

O nome Habacuque significa “abraçado por Deus”. Não sei o que se passa em sua vida, mas eu, particularmente, tenho vivido dias muito difíceis... Algo, entretanto, me fala ao coração: “filho muito amado, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei, recebe o abraço do teu Pai”. E eu lhe pergunto: “do que mais precisarei?”. 

Carlos Moreira

28 junho 2011

Não Escuto o que Você Fala, Porque Vejo o que Você Faz


Houve um tempo, na Grécia antiga, em que um grupo de professores viajantes obteve destaque e relevância. Eles eram chamados de sofistas, mestres que, por determinado preço, vendiam ensinamentos de filosofia. 

Etimologicamente, o termo sofista significa sábio, mas, historicamente, eles ficaram marcados, sobretudo pelas críticas de Platão, como impostores. Para um sofista, não importava se um conhecimento era verdadeiro ou falso, mas apenas a capacidade de argumentação. O discurso de um sofista, apesar de primoroso, era esvaziado de conteúdos e significados, suas vidas restringiam-se a transmissão do conhecimento, jamais a sua encarnação.    

Conta-se que, de certa feita, Sócrates, argumentando sobre o embuste dos sofistas, afirmou: “os Sofistas buscam o sucesso e ensinam as pessoas como conseguí-lo; Sócrates busca a verdade e incita seus discípulos a descobri-la”.

Você consegue ver semelhanças entre o discurso dos sofistas e a pregação dos pós-pentecostais? Estou usando o termo pós-pentecostais para acabar, definitivamente, com o uso do termo, ao meu ver equivocado, neopentecostais.

O pentecostalismo é um ramo sério da Igreja, que prega as verdades das Escrituras, os dons do Espírito Santo, a vida simples e a propagação do Evangelho através de ações de misericórdia. Isto não tem nada a ver com os pós-pentecostais, que enganam pessoas, falsificam doutrinas, extorquem dinheiro do povo, vivem em busca do sucesso, da prosperidade e da “benção”.

Pensando bem, o nome que melhor se aplicaria a este grupo seria o de “sofistas modernos”. Para eles, não importa se o que pregam é verdade ou não, mas apenas o fato de conseguirem, com argumentações supostamente lógicas, ancorados numa hermenêutica fraudulenta, convencer o povo a obedecer doutrinas de demônios. E a “massa”, muito mais interessada nas “promessas” de Deus do que no caráter de Deus, naquilo que Ele pode fazer, e não em quem Ele é, vai sendo espoliada, “depenada” como ave que vai para o abatedouro.

Quando Paulo escreve sua carta aos Romanos, faz uma citação de Isaías no capítulo 10 verso 14 “...como são belos os pés dos que anunciam boas novas”. Ora, eu sempre pensei, em se tratando da proclamação do Evangelho, que o apóstolo deveria afirmar “como é belo o discurso dos que anunciam a salvação”. Mas ele é que estava certo...

A questão é que o discurso vazio, desprovido de sentido, desacompanhado de boas obras, de nada aproveita para a vida. É por isso que a fala precisa ser seguida de ações, ou seja, de pés que se movam na direção do outro, pés que abandonem a zona de conforto, pés que representem este estado de movimento, de não-fixidez, que simbolizem o “espírito” do hebreu, na melhor acepção da palavra, um ser errante, desenraizado, habitante de tendas, peregrino em terra estrangeira.

A pregação do Evangelho, em nossos dias, precisa ser ressignificada. Ao invés de usarmos a boca, para a divulgação das verdades do Reino – o discurso, os recursos homiléticos, a oratória – vamos passar a usar os pés, membros do corpo que não possuem tanta beleza, que talvez não recebam de nós tanto decoro, mas que podem nos levar pelo caminho da justiça e da verdade revelando que, em nós, Cristo se constitui ação, e não meras palavras, que os que nos vêem podem seguir-nos, pois fazemos o que falamos, a nossa fé tem se materializado através de atos de bondade e amor.

Desta forma, nunca se esqueça: a Palavra só se tornou verbo porque, um dia, o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.    

Carlos Moreira

25 junho 2011

O "Ciclo do Buraco"


Recife é uma cidade cortada por rios e cercada de manguezais. Como está abaixo do nível do mar, quando chove é uma tragédia, pois, com galerias entupidas e lixo nos canais a água não tem por onde escoar e, assim, tudo fica inundado.

Eu viajo por todo o Brasil, mas acho que minha cidade é a recordista em buracos no asfalto. Quando chove, isto se transforma numa verdadeira desgraça, pois, sem ver o dito cujo, que está coberto pela água, pessoas, motos e carros acabam acidentando-se.

É curioso, mas aqui existe uma coisa que eu chamo de “o ciclo do buraco”. Funciona da seguinte forma: em vez da prefeitura fazer o recapeamento das ruas antes do período de inverno, ela faz depois, e isto segue uma lógica...

No inverno, as ruas ficam todas esburacadas, não só por causa da chuva, mas porque o asfalto é de má qualidade. Esse evento faz com que toda uma “cadeia alimentar” funcione: lojas de autopeças, oficinas mecânicas, empresas de reboque, e até mesmo a “molecada”, que fica de plantão para desatolar os carros enguiçados e descolar “algum”. 

Depois que a época das chuvas termina, a prefeitura, então, faz uma licitação para concertar as ruas. A empresa ganhadora vai fazer um serviço de quinta categoria, e isto com vistas a que, no ano que vem, o ciclo recomece novamente. Prevenir, de forma séria, seria o correto, mas em nosso país, o correto quase nunca se torna concreto.

Pois bem, de tanto aconselhar pessoas, descobri que muitas delas vivem um certo tipo de “ciclo do buraco”. Grande parte de seus problemas são questões que, facilmente se revolveriam e a maioria sabe, inclusive, o que tem de ser feito para resolver. Contudo e contraditoriamente, elas preferem enfrentar as conseqüências de “cair no buraco” ao invés de trabalhar preventivamente – tomar decisões, afastar-se do mau e cindir com situações que esgotam a alma, machucam o coração e convulsionam a consciência.

Outra coisa que eu observei é que “o ciclo do buraco” na vida das pessoas possui também sua própria “cadeia alimentar”. Ela é formada de psicoterapeutas, ansiolíticos, cd’s de “dor de cotovelo”, amigos de bar, livros de auto-ajuda, lenços de papel, garrafas de vinho e muita, muita autocomiseração. Como diria o Tom, “é o fundo do poço, é o fim do caminho, no rosto o desgosto, é um pouco sozinho...”.

Analisando tudo isto, lembrei de algo curioso. Nos últimos anos, a igreja tem convivido com uma prática chamada: “descansar no Espírito”. Trata-se do fato das pessoas caírem ao receber orações através da imposição de mãos. Eu não tenho nada contra isso. De fato, não vejo a prática nas Escrituras, mas não condeno quem faz. Acho, todavia, que é melhor “andar no Espírito”, conforme nos ensina o apóstolo Paulo e, de preferência, sem cair em “buracos”.

“Andar no Espírito” significa deixar-se guiar pelas Escrituras, fugindo assim de fábulas, modismos e ventos de doutrina, ter uma consciência sensível a “voz de Deus”, o que nos leva a desviar daquilo que não nos trará paz ou fará bem e, sobretudo, estar sempre em oração, pois eu e você somos tentados pelas nossas ambições e cobiças.   

Por isso, se você está vivendo num período de “inverno” em sua vida – solidão, depressão, ansiedade ou medo – preste atenção ao que vou lhe dizer agora: se você não está vendo o “buraco”, ande com cautela; se o está vendo, desvie; se caiu dentro dele, procure sair; se saiu, não volte mais; se voltar, não pense que é o fim do mundo, pois você já saiu uma vez. Faça isso, desta forma simples como estou lhe falando, e você verá que boa parte dos seus problemas irá desaparecer, e “a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará a vossa mente e o vosso coração em Jesus”.

Agora, se tudo isto não funcionar, ligue para mim, escreva-me ou marque um aconselhamento pastoral. Você, provavelmente, está entre os 10% que, de fato, necessitam de uma orientação espiritual. E lembre-se do que disse o "sábio": “tudo ao redor de um buraco é beira”. Portanto, não chegue muito perto, você pode cair!

Carlos Moreira

24 junho 2011

Viva São João!



Quinteto Violado, marca do autêntico forró nordestino. Lembro-me quando os vi pela primeira vez na cidade de Garanhuns, interior de Pernambuco, acompanhado dos meus pais, em férias escolares. Eu devia ter uns 5 anos, mas nunca esqueci daquela moçada. Curta aí meu bom! Eita forró arretado!


É Parada...


Nestes últimos dias estamos vivendo a “febre das paradas”. É parada pela legalização da maconha, parada dos Bombeiros do Rio, parada pela liberdade de expressão, parada gay, parada dos “evangélicos” – marcha para Jesus? – e ainda tem a parada de 7 de Setembro pela independência do Brasil. Haja parada! 

Algumas destas manifestações eu até entendo... A legalização da maconha, por exemplo, não é só um problema de saúde pública ou de polícia, o “buraco” é muito mais embaixo... As ramificações do tráfico são tantas, e tão complexas, que discutir se libera ou não, para mim, é como coar o mosquito e engolir o camelo.

A questão dos Bombeiros é legítima; são profissionais que se arriscam, estão sempre de prontidão, prestam um valoroso serviço a sociedade e ganham salários pífios. Acho que o governador do Rio excedeu-se, extrapolou seu poder e autoridade.   

Quanto à questão da liberdade de expressão, num país que viveu durante décadas debaixo de uma ditadura militar, nunca é demais fazer uma passeata para avivar em certas mentes velhos preceitos. A democracia é o estado de direito que permite ao povo manifestar-se, ser ouvido.

Já a parada gay, há muito tempo deixou de ser uma manifestação deste grupo da sociedade exigindo respeito e dignidade, para tornar-se um desfile anárquico, com exageros dos mais diversos, hostilidades, baixarias, pois os gays, tentando combater a homofobia, tornaram-se heterofóbicos, criaram a ditadura da homossexualidade.

O desfile de 7 de setembro celebra a independência do Brasil. Tem sua importância do ponto de vista do fato histórico, mas não reflete a realidade sócio-econômica do país pois, num mundo globalizado, todo mundo depende de todo mundo e nós, do 3º mundo, dependemos ainda mais.

Agora, a tal da marcha para Jesus, do meu ponto de vista, é de amargar! Apesar de nunca ter ido a uma, pois sempre achei o evento bizarro, acompanho a cada ano as notícias sobre a dita cuja nos meios de comunicação. Assim como a parada gay, que perdeu seu propósito, esta marcha, se um dia já teve algum, há muito ele desvaneceu-se.  

Hoje, esse corso de “carnaval evangélico”, com trio-elétrico e tudo, essa passeata de políticos "crentes" – espertalhões, falsários e corruptos – essa grande massa amorfa de gente caminhando pelas ruas, só me faz lembrar da música de Zé Ramalho que afirma em um de seus versos: “...e ver que toda essa engrenagem, já sente a ferrugem lhe comer... Êeeeeh! Oh! Oh! Vida de gado. Povo marcado, êh! Povo feliz!...”. Que o povo é marcado, eu tenho certeza, mas será que o povo é feliz? 

Meu amigo, minha amiga, se você ainda tem algum juízo em sua cabeça, se você ainda tem algum sopro de Deus em sua consciência, se você é capaz de, ao menos, ouvir o sussurrar do Espírito Santo, não se junte a este trágico desfile! Eu lhe aconselho, no nome do Senhor, fique em sua casa, junte sua família, alguns irmãos, e ore por esta “igreja” que, nem de longe, é um Corpo, mas apenas uma massa desconjuntada de membros esquartejados!

Essa marcha nem é nem nunca foi para Jesus e isso qualquer tolo pode ver... Quem foi que disse que Jesus quer um bando de gente “marchando” por ele nas ruas? Quem foi que disse que Jesus está atrás de ser notícia no Jornal Nacional ou na Veja? Quem foi que disse que o Senhor de toda a Terra está em busca deste tipo de publicidade? Será que você é tão ingenuo que não percebe que tem um grande business por trás de tudo isto!?...

Alguma vez você viu nas Escrituras Jesus incitando algo deste tipo? Você já o imaginou dizendo aos discípulos: “vamos juntar uma moçada lá em Cafarnaum e fazer um grande desfile para que se saiba, até em Roma, que eu sou o Rei dos Reis!”. Você imagina Paulo entrando em Atenas, em cima de um carro de boi, vociferando as verdades do Reino, seguido de um bando de “crente” com cornetas e apitos, com seus rostos pintados e carregando faixas com os seguintes dizeres: “aceitem Jesus!”?

Acorda rapaziada! Não é com passeata de 2,0 milhões de “evangélicos” que, não raro, nem sabem pelo que estão marchando, pessoas que nunca leram nem os 4 Evangelhos, gente que nunca foi discipulada, um “exército” de “soldados” com carisma, mas sem nenhum caráter, que a nossa sociedade vai perceber que o caminho é Cristo! Ah, isso nunca!

O Reino de Deus é subversão silenciosa, discreta, pacata, vida sendo gerada na vida de outras pessoas através dos encontros humanos, de casa em casa, nas esquinas da existência, tudo de forma simples. Precisamos é de gente que acolha o necessitado, que visite o preso, que solidariza-se com o faminto, que ore pelo enfermo, que ande pelos “antros” da terra anunciando com ações a Boa Nova de que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados”.

E digo-lhe mais... Para fazer isto, não precisamos de passeata, publicidade, carro de som, trio-elétrico, multidão, mas apenas de um punhado de gente que teve o coração pacificado pela graça que acolhe os caídos do mundo. O mais, meu mano, é fanfarra de “crente”, micareta “evangélica”, corso de “figueiras cheias de folhas”, mas sem qualquer fruto de justiça ou misericórdia.

Não gostou? Então coloque a sua “fantasia” e vá para a rua! Não tem fantasia? Então vá disfarçado de você mesmo... Um a mais, um a menos, que diferença fará? Se existem exceções? É óbvio! São os que estão, a cada ano, deixando de participar desta prosopopéia! Sabe o que significa o termo?  Trata-se de uma figura de linguagem que dá vida e sentimentos aos seres inanimados... Não cai como uma luva?

Carlos Moreira

23 junho 2011

Trair e Coçar: é Só Começar


Introdução

Euclides Rodrigues da Cunha foi, entre outras coisas, escritor, sociólogo, historiador, poeta e engenheiro brasileiro que viveu no século XIX. Sua história ficou conhecida como a “Tragédia da Piedade”, ou seja, ele foi vítima de um dos acontecimentos mais corriqueiros na existência humana: a infidelidade conjugal.

Euclides da Cunha, como era conhecido, foi casado com Anna de Assis. Sua viçosa e bela esposa, pelas “vias do destino”, veio a apaixonar-se e envolver-se com um primo 17 anos mais novo do que ela, o qual, inicialmente, se hospedara em sua casa.

Do romance com Dilermando de Assis, Ana teve dois filhos, um dos quais morreu. O outro menino, um garoto loiro numa família morena foi, aparentemente, acolhido por Euclides. Não obstante isto, em 1909, já desconfiado da traição, nosso “herói” vai até a casa de Dilermando com a intenção de matar ou morrer, “lavar a honra” com sangue, ato de “cabra macho”.

O desfecho do encontro foi trágico. Dilermando, que era perito em tiro e experiente militar, matou Euclides com um tiro certeiro. Ao depois, inocentado pelo tribunal, casou-se com Ana e os dois viveram juntos durante 15 anos.

Essa tragédia brasileira, bem ao estilo Nelson Rodrigues, poderia carregar como título o nome de uma de suas polêmicas peças: “Perdoa-me por me Traíres”. Sim, essa insígnia representa com propriedade os contornos da epopéia carioca, ou ainda, citando Pittman, a mais cara de todas as loucuras é acreditar apaixonadamente naquilo que claramente não é verdade”.

Consciência com as Conseqüências

Traição, ao contrário do que, talvez se pense, não é coisa de “pagão”. Algo de natureza e contornos bem semelhante ao drama de Euclides pode ser encontrado na própria Escritura Sagrada na traição de Davi com Bate-Seba.   

O mavioso salmista de Israel, Rei da nação, não resistiu aos encantos da mulher de seu general Urias, e, numa história cruel, bem ao estilo do Nelson, onde há traição e assassinato, o “homem segundo o coração de Deus” viu o seu ser tomado por todos os matizes do pecado, desde sua elucubração até a consumação. O coração de Davi era, sem dúvida, de Deus, mas ele parecera esquecer de consagrar ao Todo-Poderoso outras partes importantes do seu corpo. Deu no que deu...

Fato é que as conseqüências do adultério são sempre trágicas. Enganam-se os que imaginam ser ele algo inócuo ao ser. Enganam-se os que pensam que “aquilo que os olhos não vêem o coração não sente”. Sexo é coisa espiritual. Coito é coisa carnal. Há uma grande diferença entre sexo e coito. Um trata da celebração prazerosa da vida em todas as suas dimensões, no encontro de corpo, alma e espírito que acontece entre os que se amam. O outro é apenas tesão, troca de fluídos, prazer de ocasião, hedonismo na melhor concepção do termo.        

Também há uma grande diferença entre conjugalidade e casualidade. A primeira dimensão trata da vida a dois, do amor estabelecido como decisão, de projeto existencial, de acolhimento e entendimento do propósito de Deus. A segunda trata do sexo fortuito, descompromissado, algo desencadeado pela emoção, pela tara, pelas pulsões interiores, pelo desejo do perigo, pela necessidade de “novidades”, pela adrenalina da traição.   

Como bem citou Cáio Fábio, em artigo sobre sexualidade, “há quem queira muita ‘variedade’... Meu Deus, que ilusão! Mal sabem que a tal ‘variedade’ vai deixando gambiarras penduradas pela gente, como fios desencapados e ‘em curto’. Se pudéssemos ver espiritualmente tais pessoas, as veríamos como troncos cheios de cabeças, braços, olhos, e pernas. Sim, completamente monstrificadas... Simbiotizadas de tantas formas e de tantas maneiras, que elas mesmas assustar-se-iam se pudessem se enxergar. Mas não é preciso enxergar para ver. Basta que se olhe para dentro do coração, para as legiões de seres..., para sentimentos que cada vez mais se complexificam na alma, para mentes cada vez mais compartilhadas pelos entes psicológicos que foram sendo agregados no caminho”.



A Pesquisa “O Crente e o Sexo”

Este tema do adultério apareceu de forma muito contundente na pesquisa que o recém criado BEPEC – Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã – www.bepec.comm.br produziu durante o mês de abril. A pesquisa foi realizada com o público “evangélico” via e-mail marketing e pode ser consultada no site acima a partir da próxima semana.

Enviamos mais de 71 mil e-mails e obtivemos, a partir de um questionário de coleta de dados pré-formatado, aproximadamente 6 mil respostas válidas para o grupo “casados”. O resultado, decididamente, não me surpreendeu em nada. Abaixo farei algumas considerações. A pesquisa, até este momento, levou a mim e ao Danilo – Editor Chefe do Genizah – a sermos entrevistados pela revista “Cristianismo Hoje” e também a irmos ao programa “Papo de Graça” com o Rev. Caio Fábio.  

Para mim, o grande resultado da pesquisa é mostrar à enorme farsa que existe no meio “evangélico” brasileiro em relação à sexualidade. Todos os tabus caíram como as muralhas de Jerusalém quando o General Tito, no ano 70 da era Cristã, invadiu a cidade e a destruiu. E ”mano”, sobra “tijolada” para todos os lados, quase ninguém escapa.

Focando no tema do artigo, trago-lhe alguns dados. A pesquisa retratou que a média dos entrevistados quanto a alguns aspectos importantes para traçar o perfil da sexualidade entre os “evangélicos” foram os seguintes: 56% eram homens e 44% mulheres. Aproximadamente, eles possuíam 8 anos de casados, 7 anos de convertidos e faixa etária entre os 35 anos de idade.
O percentual de pessoas que já traíram seus cônjuges foi de 12% para as mulheres e 24,5% para os homens. Comparados estes números com dados de pesquisa do Ministério da Saúde - 2008, ficou posto que os homens “evangélicos” traem mais do que a média da população brasileira, mesmo considerando-se a margem de erro. No caso das mulheres, o índice foi praticamente o mesmo. Em síntese, já não podemos afirmar, como disse o profeta Malaquias, “então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem”. Ml. 3:18.

Na verdade, a pesquisa nos chama a consciência, a revermos não só nosso discurso, altamente esvaziado por nossas práticas, mas, sobretudo, nossa postura hipócrita e dissimulada ante a sociedade, nossa falta de misericórdia diante dos transtornos dos que “caíram”, nosso juízo temerário em face a situações que nós, sequer, conhecemos os “contornos”. Façamos o que nos disse Jeremias, sentemo-nos a sós e fiquemos em silêncio... Isso já seria um bom começo.

Os dados revelados acima mostram apenas as questões relativas à traição. Se formos ver os pontos ligados à pornografia, relação homossexual, uso de “acessórios” e outras práticas sexuais veremos que os cristãos vivem da mesmíssima forma que aqueles que não professam qualquer fé confessional.

Em absoluto a pesquisa me surpreendeu. Ser “evangélico” em nossos dias não significa, de forma alguma, ter valores e conteúdos do Evangelho. Ser “evangélico” revela apenas a adesão de um indivíduo a uma determinada denominação cristã. Tratar os “evangélicos” como uma categoria diferenciada da população é alimentar um mito, é imaginar que esta “fatia” da sociedade possui hábitos e costumes diferentes das outras pessoas. Engano e engodo! Se isto algum dia foi verdade, hoje, já não é mais.

E mais.... Se essa pesquisa fosse sobre outro tema qualquer, como ética, por exemplo, os resultados seriam os mesmos, ou seja, revelariam discrepâncias semelhantes. Os dados colhidos só corroboram com minha experiência pastoral no aconselhamento de casais há, pelo menos, 15 anos.

A Solução não está na Desumanização do Humano

A bem da verdade, sexo para os cristãos sempre foi um problema, e isso desde o início da igreja. Paulo já carregava, notadamente, certa dose de “impregnação” quanto ao tema em suas epístolas, muito provavelmente como forma de antagonizar a doutrina cristã frente à devassidão da sociedade romana, na qual ele vivia. Esta, por sua, vez, já carregava em suas “entranhas” as influências do helenismo grego, onde o sexo assumia diversos matizes contrários aos costumes hebreus.

Daí para frente à questão só piorou... No século IV, com Santo Agostinho, o sexo tornou-se algo terrível, uma nódoa na consciência dos cristãos. Agostinho, que vinha de uma vida dissoluta, introduz um sentimento de culpa que esmaga toda e qualquer ação que gere prazer sexual. Nele o sexo torna-se feio, sujo, impuro, perverso e vicioso. Em sua famosa obra “Confissões”, chega a afirmar: "... a felicidade não é um corpo e por isso não se vê com os olhos". É sobre este pensamento que a cultura cristã ocidental vai se desenvolver, ou seja, sobre a premissa de que sexo e pecado são coisas que andam juntas.

Com o surgimento da psicanálise de Sigmund Freud, no século XIX, estas questões foram analisadas por um outro ângulo e, assim, essa idéia de sexo como coisa maligna foi praticamente abolida. Contudo, e isso é fato, a igreja sempre foi impermeável a ciência e, convenhamos, Freud nunca esteve entre os pensadores que a influenciaram. Há algo que me chama a atenção na pesquisa? Não. Talvez apenas o fato de pessoas que praticam uma religião terem a coragem de responder, ainda que anonimamente, a perguntas de caráter extremamente explícito. 

Segundo a psicóloga Gelly Marques Pereira, “ainda hoje, em pleno século XXI, percebe-se que, para muitas pessoas, o que justifica o casamento é um amor apaixonado, idealizado, absoluto. E o que justifica um bom número de divórcios e recasamentos é a decepção com as histórias vividas, associadas ao 
redespertar da esperança, à procura inebriante de novas ilusões. A proliferação de relações paralelas, ocultas e proibidas nasce desse desejo insaciável, representando exatamente a mesma busca, a partir da convicção nem sempre consciente de que o fantástico não subsiste ao dia-a-dia, não passa por nenhum teste de realidade”.

Com tristeza tenho visto, nos últimos anos, muitos lares cristãos se esfacelarem. Alguns foram destruídos em conseqüência de casos de adultério, inclusive de pessoas envolvidas com o ministério, no caso, pastores e pastoras. Confesso que é desestimulante para alguém que trabalha para ajudar a consolidar famílias ter de lidar com a sua falência. Mas, por outro lado, não há como colocar mordaças nos olhos e na consciência diante do que está acontecendo.

O fenômeno da traição no mundo contemporâneo é muito bem resumido por Pittman: “paixão e romance têm pouco a ver com amor, que significa trazer prazer, conforto, paz e segurança um para o outro, ao invés de dor, excitação e ansiedade. No entanto, em nossa sociedade, essas paixões intensas, desorientadoras, serviram, nas últimas décadas, como a base para muitos casamentos”.

Conclusão

Como já tenho dito e escrito, em síntese, a pesquisa desvela um universo que, talvez, ainda seja desconhecido do público em geral. Contudo, para mim que sou pastor, ela apenas comprova o que já escuto todos os dias no meu gabinete, durante as seções de aconselhamento.

O que existe na verdade, e aí entramos no terreno da “mitologia evangélica”, é que a sociedade imagina que a religião é um “cabresto” para determinados impulsos da natureza humana, como a sexualidade, por exemplo. Essa ilusão continua sendo “vendida” nos púlpitos de muitas igrejas, como se a doutrina, por si só, fosse capaz de tornar-se instrumento de sacralização dos impulsos da “carne”, um meio de transformar o indivíduo comum num asceta medieval, de remetê-lo a ataraxia grega, a sublimação do sentir do ser.

É fato que há um afrouxamento do ensino e da pregação da santificação na igreja cristã contemporânea e, sem dúvida, isto ajuda a construir um cenário de liberalismo e permissividade. Mas não há como negar que essas questões existem desde sempre, pois podemos encontrá-las presentes no livro de Gênesis, na cidade de Sodoma, nas orgias da Grécia, nos bacanais de Roma, na boemia francesa da idade média e nos bailes funks do Rio de Janeiro.

Esta não é uma questão ligada a uma época ou a uma cultura, é algo atemporal, intrínseco ao ser humano, faz parte de nossa natureza “caída”, devia ser visto como coisa real, pois, tratar o tema de outra forma só faz proliferar o que temos aí, o sexo como algo insalubre, como perversão escondida, como neurose religiosa, e tudo o que é proibido explode da alma para a vida nas formas mais hediondas possíveis. Sente numa sala de aconselhamento e você comprovará o que estou dizendo. 

Ora, eu não sou legalista, ou contra separações, mesmo sendo pastor de igreja. Crucifique-me quem quiser! E não me venha com sua “exegese de gaveta”, viciada, baseada no uso do texto que exalta a letra das Escrituras, mas exclui o Espírito do Evangelho. Sei, todavia, que meu trabalho, como sacerdote, é ajudar pessoas a construir vínculos afetivos fortes e duradouros.

Contudo, não há como negar que, às vezes, vida de marido e mulher torna-se uma fábrica de neuroses e amarguras. Nesses casos, quando verifico que o ficar junto se constitui algo totalmente insalubre ao ser, pois está diluindo a substância interior das pessoas, além do desastre que é para os filhos ter de conviver com essa “ferida purulenta”, não raro apenas para manter as aparências, sejam religiosas, sejam sociais, aceito o fato de que, o que Deus NÃO uniu, o homem pode separar.

O que tenho visto em certos tipos de vínculos conjugais é que eles, de tão adoecidos que estão, acabam se constituindo em algo profundamente nocivo a psique do casal. Dentro deste contexto, surgiu em nossa sociedade um tipo de patologia relacional que vem crescendo assustadoramente nos últimos 10 anos. Trata-se da famosa “solidão a dois”.

A “síndrome” baseia-se na premissa de que os casais modernos estão mais preocupados em competir do que em construir, vivem juntos, mas existem desconectados. Moram na mesma casa, dormem no mesmo quarto, mas não conseguem experimentar um mínimo de conjugalidade. Possuem dois carros, duas camas, dois computadores e duas contas correntes. Têm amigos separados, lazer separados, filhos separados, bens separados, ou seja, tantas coisas fora do comum, e tão poucas em comum que, por fim, acabam olhando-se nos olhos e se perguntando: “por que foi mesmo que nós nos casamos?”.
O que fazer então? Bem, alguém já me disse que “galha” não existe, isto é algo que colocam na cabeça das pessoas. Eu, por via das dúvidas, continuarei a fazer o que tenho feito nos últimos 20 anos de convívio afetivo-conjugal com minha esposa: sexo de boa qualidade, livre, prazeroso, consensual e romântico. E não me esquecerei que casamento é obra de tapeceiro, tem de ser construído todos os dias, com singularidade, respeito e compromisso. Quanto ao mais, lembro apenas aos “incautos” que “trair e coçar: é só começar”.

Carlos Moreira

Aviso aos Navegantes!

Estive postando pouco nos últimos meses em função de estar com excesso de trabalho e também escrevendo a minha monografia de conclusão do curso de filosofa que, inclusive, trata do fenômeno dos "desigrejados": mito ou prenúncio de um cristianismo alternativo?

Depois de corrigida pelo professor, colocarei a tese aqui para download para quem desejar... Agora preparem-se! Vai vir textos de todos os lados, inclusive a nova seção de postagem de mensagens em vídeo está bombando! Os números do Vimeo são espantosos! Fico feliz em poder alcançar a outros com a mensagem do evangelho.

 Você, amigo do caminho, que gosta do que escrevo ou prego, dá uma força e trás alguém para o blog. Tem tanto conteúdo legal que sei que quem o ler será edificado. Na parte superior do lado direito, basta a pessoa colocar o e-mail e receberá as atualizações sempe que elas forem feitas.

Ah, e não esquece de pedir para ela se cadastrar entre os seguidores, ok? Depois de alguma resistência, enfim, entrei no Twitter. Me disseram que isto iria dinamizar o blog e, por isso, estou fazendo mais este esforço. Em breve você vai poder me seguir por lá. Já é possível me acompanhar.

Na parte superior lado direito, existe a opção para quem quer me seguir no Twitter. Bem, é isso! Bom feriado a todos. Devo postar algo por estes dias. Beijão,


Carlos Moreira

22 junho 2011

Uma Mesa no Deserto



Quem me vê sorrindo, não conhece os meus dramas; quem me vê sonhando, não discerne as minhas limitações; quem me vê chorando, não entende os meus motivos; quem me vê sofrendo, não compreende as minhas razões.

Hoje estou me sentindo como Sansão, vencido pelos dilemas, soterrado por contradições. Estou girando em torno da roda de moinho da existência. Já dei várias voltas ao redor do mundo sem sequer sair do lugar. Sim, eu sei que há dias nublados, cinzentos, há dias de dor e solidão, “tempo de chorar e tempo de sorrir”...

Descobri, já faz algum tempo, que eu sou de osso, não de aço. Não faço parte desta geração que não sente dor, que não sente medo, que não fica doente, que não peca, que não se contradiz. Fui formado em uma “forma” diferente, sou o mais comum dos comuns, ainda permaneço como substância informe, meu interior é coberto de sombras e silêncios, sou ser por fazer-se, incompleto, inconstante, imperfeito.

Estou com fome de vida, preciso de um gole de esperança. Sinto dores por fora, calafrios por dentro. Talvez você não entenda o que é isso, pois provavelmente você foi feito numa outra “linha de produção”. Você é mais maduro, mais moderno. Eu não. Eu sou ser da terra, feito do barro, criado do pó. O Espírito Eterno soprou em minhas narinas e eu ganhei um pequeno fôlego de vida, coisa passageira, tênue. Logo, logo, eu sei, ele se extinguirá.

Já andei pelos lugares altos, e sei também o que é se arrastar com a cara no chão. Aprendi a viver mais com o não do que com o sim. De tanto apanhar da vida, acabei aprendendo a dar significados as minhas derrotas. Eu vivo de restos; aquilo que outros desprezam eu colho como frutos de misericórdia. Tenho semeado com lágrimas, por isso ainda espero um dia colher algo com um pouco de alegria... 

Há momentos em que eu me sinto como alguém que caminha pelo deserto, um beduíno, um andarilho sem destino. Eu não sei qual foi a porta que eu abri mas, quando dei por mim, já estava aqui. Curioso, também, é que eu não sei como sair; as portas daqui só possuem maçanetas pelo lado de fora! Aqui é todo canto e lugar nenhum...

Deus é a minha esperança, e isso é tudo o que a minha alma sabe. Enquanto o pó da existência se acumula nos meus pés cansados de tanto caminho, lembro-me das palavras do “pequeno príncipe” – não o de Exupery – e faço a minha prece: “prepares para mim uma mesa na presença dos meus adversários, uma mesa no deserto, e então derrame óleo sobre a minha cabeça para que o meu cálice transborde”.

Ensina-me, eu te peço, a viver com retidão, a não desprezar a correção, a meditar em tua palavra e a guardar puro o meu coração. Eu sei que se isso eu fizer, certamente “bondade e misericórdia me acompanharão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”.  

Quem puder entender, então que entenda... Quem não puder, apenas leia... Quem não ler, melhor fará...


Carlos Moreira

16 junho 2011

O Homem Acordado


Cada vez que paro e reflito sobre as coisas com as quais estou envolvido sinto que “corro atrás do vento”. Boa parte daquilo que eu faço não me levará a lugar algum; constato com tristeza.

Percebo isso com mais clareza quando o meu corpo exausto de uma rotina sem sentido adoece. As doenças, em alguns casos, são as melhores amigas do ser humano porque o fazem perceber a sua loucura.

Elas nos ajudam a sair de nós mesmos e ver como são fúteis os projetos nos quais estamos envolvidos. Como observou Nietzsche certa vez: “É preciso sair da cidade para ver a que altura fica às torres”.

Estamos afundados até o pescoço em uma grande ilusão. Aquilo que chamamos erroneamente de “ganhar a vida”, não passa de algo que nos ajuda
a perdê-la. Como dizia uma antiga música de Belchior: “caminhamos para a morte pensando em vencer na vida”.

As nossas muitas e fúteis atividades não nos deixam tempo nem para mastigar a comida que comemos. Fazemos uma coisa pensando na próxima, nos deitamos hoje pensando no trabalho de amanhã.

Um dia me apanhei comendo enquanto caminhava para o local de trabalho porque para mim tornou-se comum comer andando e dirigir comendo. Como podem ser saudáveis e felizes pessoas que comem enquanto andam?

A maior parte das coisas que fazemos tem finalidades egoístas e mesquinhas. Além do mais, as pessoas com quem nos relacionamos todos os dias, em sua maioria, sentiriam grande prazer em nos verem arruinados.

Tudo isso não poderia ser diferente uma vez que objetivos mesquinhos geram pessoas mesquinhas. Não passamos de máquinas burras de trabalhar que deveriam procurar fazer menos e ser mais.

Somos escravos das próprias necessidades que criamos em um ato de loucura e disparate. Falamos de liberdade e vivemos cada vez mais cativos; forjamos as próprias correntes que nos prendem nas trevas como os homens do mito da caverna de Platão!

Talvez o antídoto para tudo isso seja deixar um pouco de lado a realidade, dormir e sonhar. Pois, como explicou Erich Fromm: “no sono, o reino da necessidade cede lugar ao da liberdade”. Só somos livres de fato enquanto dormimos!

Talvez precisemos primeiro adormecer para só depois despertar. O homem acordado dorme, mas aquele que sonha realmente acordou.


André Pessoa via Século XXI

06 junho 2011

Papo de Graça com Caio Fábio

Assista ao Papo de Graça com Caio Fábio sobre a pesquisa  "O Crente e o Sexo". Presentes eu e o Danilo representando o Genizah como Editores. 



O crente e o sexo | Papo de Graça from Caminho da Graça | Oficial on Vimeo.

04 junho 2011

Mensagens de Vïdeo

Gente Boa de Deus,

Atendendo a vários pedidos, estou criando uma nova seção no blog. Trata-se de uma área para disponibilizar mensagens em vídeo de pregações minhas. Há muito que tenho sido abordado por pessoas que dizem que seria muito bom ter minhas mensagens num site de tal forma que elas pudessem, enviando o link, abençoar outras pessoas, amigos, parentes, irmãos.

Desta forma, uma vez que as mensagens de minha comunidade são todas filmadas, gravadas e transmitidas pela internet, estou tendo esta possibilidade de usar mais esta mídia como forma de abençoar e alcançar pessoas.

Por isso, você que me lê e me solicitou, aí está o seu pedido atendido. Você que nunca me viu pregar, mas gosta dos meus textos, agora terá a oportunidade de assistir a mensagem em vídeo. A nova seção está aí na barra de menu e chama-se "Mens. em Vídeo".

Neste primeiro momento, estou disponibilizando duas mensagens pregadas nos meses de abril e maio deste ano de 2011. A primeira é sobre como lidar com a ansiedade e a segunda sobre a solidão. Ambas tratam de temas pertinentes a sociedade pós-moderna, mas, nos surpreenderemos em ver que estas não são apenas "patologias" do nosso tempo.

Espero que vocês gostem e divulguem.

Um beijo no coração!

Carlos Moreira

01 junho 2011

O Crente e o Sexo, a Pesquisa.


Parte 1 - Fidelidade e Hábitos



Nesta edição do Almanaque Genizah, temos o orgulho de apresentar os resultados do mais completo estudo sobre a sexualidade da população evangélica.

Uma pesquisa inédita executada pelo BEPEC – Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã - em parceria tecnológica com a AKNA SURVEY, fornecedora de uma das melhores plataformas de pesquisa online do mundo.

O projeto O Crente e Sexo foi concebido pelos editores de Genizah e contou com a participação da Revista Cristianismo Hoje – além do talento de uma série de líderes cristãos, convidados a colaborar nas linhas de abordagem do tema e na análise de dados.

A pesquisa foi realizada por meio digital e envolveu amostragem científica e envio de instrumento de coleta de dados, por e-mail, para 71.552 pessoas, de uma amostra da base de mais de 1,5 milhão de evangélicos cadastrados.

Nesta edição, apresentamos os resultados para o grupo-alvo EVANGÉLICOS CASADOS. Outros grupos, como jovens, solteiros, etc. Serão apresentados oportunamente.

Entre os gráficos, o leitor encontrará comentários destacados de grandes líderes e formadores de opinião na igreja evangélica brasileira acerca de resultados específicos do estudo ou do projeto, de forma genérica. Foram convidados a opinar lideres de diferentes linhas teológicas, denominações e atuação ministerial. Os comentários publicados não representam a opinião do BEPEC, do Genizah ou da Revista Cristianismo Hoje.  

Temos a certeza de que os resultados serão de extrema utilidade para os líderes, aconselhadores, acadêmicos e, principalmente, para os próprios casados em Cristo. Ficamos felizes com o estímulo que estes achados oferecem para a produção de textos e projetos abençoadores do povo de Deus.

Para fins de publicação, o estudo está dividido em três partes:


– Parte 1 - Fidelidade e Hábitos; 


Parte 2 - Vivências e Atitudes; e


- Parte 3 - Percepções.



Qualificação dos Respondentes

Informações acerca da população pesquisada, objetivam cortes, classificação, qualificação, etc.







 NOTA 1

A qualificação acima é decorrente da percepção dos respondentes. Estes foram convidados a escolher o grupo que melhor representaria a sua própria igreja. Foram indicadas as principais igrejas / denominações, bem como, grupos nomeados com a linha teológica básica. Estes últimos, com exemplos de igrejas pequenas e médias  pertencentes ao conjunto, de forma que o respondente membro de uma igreja não listada não teve dificuldade de enquadrar a sua igreja / comunidade na categoria mais representativa de sua linha teológica. A qualificação "OUTROS" abarcou as denominações menores difíceis de serem enquadradas nos grupos apresentados, os desigrejados, os movimentos de igrejas em casa e as comunidades emergentes. As seitas mais conhecidas, como as Testemunhas de Jeová, tiveram as suas respostas expurgadas.



NOTA 2


A amostra não inclui pessoas com idade declarada inferior a 16 anos, exceto aquelas pessoas que se declararam casadas.

Em relação a denominação, a amostragem para o envio dos instrumentos de coleta de dados foi construída segundo os resultados obtidos no último Censo do IBGE.  Os gráficos representam a segmentação, segundo as respostas válidas. 


Quanto ao tempo de "convertido", observamos uma população, em média, mais madura no Evangelho. Contudo, vale ressaltar que o gráfico reflete os resultados para a  população EVANGÉLICOS CASADOS, como de resto os demais gráficos, salvo quando de outra forma for apresentado.




Um pouco sobre a metodologia


Este projeto é um esforço conjunto do site Genizah e BEPEC – Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã.

Contou ainda com o apoio da Revista Cristianismo Hoje www.cristianismohoje.com.br e a parceria tecnológica da AKNA , fornecedora da ferramenta de amostragem e coleta de dados digital.

Na fase da pre-pesquisa, foram disponibilizados links para o instrumento de coleta de dados em diversos sites evangélicos de alto tráfego, bem como, redes sociais. Entre outros: Genizah, Gospel Prime, etc. As 2.428 respostas obtidas possibilitaram refinar o instrumento de coleta de dados e ofereceram subsídios para inferências e parâmetros para a amostragem. Os dados coletados nesta fase foram descartados. 

Na segunda fase, produzimos uma amostra estratificada de e-mails de evangélicos, segundo a participação dos grupos de denominações evangélicas no Brasil, sexo e outros fatores. Ver detalhes no site do BEPEC. O BEPEC / Genizah possui o maior banco de dados de e-mails de evangélicos brasileiros – superior a 1,5 milhão.

Os métodos de coleta não presenciais têm evoluido muito nestes últimos anos, a medida em que os meios de coleta (telefone, e-mail / internet) tornam-se disponíveis a uma maior parcela da população. O Brasil é um dos países de maior inclusão digital e telefônica do mundo e oferece as melhores condições para este tipo de pesquisa. Nos E.U.A. as grandes empresas migram para a pesquisa digital pelo seu baixo custo e agilidade. Nas eleições de Obama, por exemplo, foi este, juntamente com o telefone os meios mais utilizados. Finalmente, as metodologias não presenciais são facilitadoras na investigação de certos temas.

Naturalmente, a metodologia empregada (digital) não substitui de forma alguma os métodos presenciais de coleta de dados (entrevistas) na maioria dos projetos, contudo, reunidas condições fovoráveis, acesso, banco de dados e uma plataforma de pesquisa on-line de última geração (com capacidade de controlar origem das respostas, qualificação dos respondentes, etc.) as pesquisas online têm sido largamente empregadas pelas maiores empresas do mundo, em especial os projetos de Hábitos e Atitudes, posicionamento, avaliação de campanhas, comportamento do consumidor e outras. Entre o cadastro, ferramenta, envio e análise, uma pesquisa como a presente tem seu custo de mercado em torno de R$ 40,000,00. O mesmo projeto de pesquisa quantitativa, com a mesma abrangência, baseado em entrevistas pessoais pode custar até oito vezes mais.

Utilizamos a ferramenta AKNA SURVEY para a amostragem científica, envio de questionários, apuração e tratamento de dados em mídia digital. A ferramenta enviou CONVITE e um link controlado via cookie – uma resposta por máquina – para 71.552 pessoas.

Para o grupo-alvo EVANGÉLICOS CASADOS obtivemos 5.139 respostas válidas. Para o grupo-alvo SOLTEIROS obtivemos 6.721 respostas válidas. As respostas do grupo VIUVOS E DIVORCIADOS ( 734) foram descartadas para análise por grupo, mas mantidas para as questões genéricas, aplicadas à população de EVANGÉLICOS.


Não é de hoje que precisamos saber com mais precisão acerca de quem somos, do que pensamos e do que fazemos como igreja evangélica brasileira. Uma pesquisa feita de forma profissional sobre a sexualidade dos evangélicos nos dá um retrato mais fiel daquilo que de fato nosso grupo é, pensa e faz nessa área, e nos ajuda a visualizar de uma forma mais precisa ações que gerem transformações profundas e genuínas. 
  Marcos Simas
Editor  
Revista Cristianismo Hoje



Visto que a relação conjugal do casal é a criação e ordenação de Deus e que tem a Sua plena benção quando é regulada pela Palavra, as relações conjugais são parte importante da santa vida do casal cristão. Os deveres e alegrias deste aspecto da vida conjugal precisam fazer parte do ensino da igreja, seja do púlpito, em aula ou em casa. A pesquisa apresentada neste documento revela saúde em alguns aspectos, mas também, espaço considerável para melhoramento. Como pastor, quero meditar nas questões apuradas, em oração e com Bíblia aberta, procurando, junto com meus colegas, a orientação de Deus para que possamos servir melhor o rebanho por meio do pleno conselho de Deus. Famílias saudáveis glorificam a Deus e promovem a sua agenda no mundo.
  Arcebispo Willian Mikler
Christian Communion International 
Líder do Apostolado para as Nações, 
programa de missões de evangelismo
e ensino presente em 40 nações
Reitor da Abadia St. John’s  


Considero a pesquisa extremamente relevante porque ela fornece dados mais precisos sobre o comportamento dos evangélicos na área da sexualidade. Será, sem dúvida, uma excelente ferramenta não só para os pastores no trato com as suas ovelhas, mas também para aquelas pessoas especializadas na orientação de casais. Não me lembro de outra pesquisa do gênero entre os evangélicos de maneira que se queremos contribuir para uma sexualidade saudável entre os "da fé", esses dados não podem ser desprezados. 
 Geremias do Couto
Jornalista, escritor e conferencista
 My Hope Project da Associação Evangelística Billy Graham.
Assembléia de Deus


Fidelidade e hábitos sexuais entre evangélicos casados


 Quando pessoas de nível se empenham em trazer ao povo evangélico um assunto que, infelizmente, ainda é visto como tabu pelos mais conservadores e, por outro lado, banalizado pelos liberais, tem: minha atenção e minhas congratulações. Afinal, assuntos como SEXO, podem LIBERTAR PESSOAS dos espectros religiosos de fanatismos, dar um "upgrade" nos casamentos falidos escondidos atrás da mascara da fé e trazer qualidade de vida e felicidade aos crentes fervorosos!
Pr. Marco Feliciano
Presidente do Ministério Tempo de Avivamento 
Presidente da AD Catedral do Avivamento
Deputado Federal PSC-SP

 Esses dados são irônicos, já que costumamos colocar o dedo no rosto dos não evangélicos com infindáveis discursos sobre moralidade. Não que a ética de Cristo seja ineficaz, mas o nosso moralismo não é um meio eficaz de promovê-la.
Marcelo Lemos
Pastor e teólogo
Igreja Angllicana Reformada


 Dados secundários relativos a população em geral (ver tabela a seguir) nos oferecem subsídios para balizar estes achados. O Ministério da Saúde apresentou em 2009 a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. Esta pesquisa apurou que 21% dos homens em relações estáveis vivendo com conjugue mantem relações sexuais esporádicas ou contínuas com outros parceiros. 11% das mulheres, na mesma situação, traem seus companheiros mantendo relação sexual paralela com outro(s) parceiros(s). Estes números indicam que o homem casado evangélico declara trair mais a sua esposa do que o homem casado da população geral. Já as esposas evangélicas são um grupo onde a ocorrência de infidelidade conjugal está abaixo da população total de mulheres casadas brasileiras.                                    

Danilo Fernandes 
Survey Director
Profissional de Marketing Digital
Editor do site Genizah



TABELA 1 - Ministério da Saúde 2008 








Os dados deixam claro que as igrejas neopentecostais, por se voltarem muito mais para a obtenção de benefícios e a aquisição de felicidade, não estão discipulando tão bem como deveriam os seus fieis e combatendo o pecado de forma eficaz. Os aspectos espirituais estão sendo negligenciados em função dos materiais.  
Maurício Zágari
Jornalista, escritor, tradutor
Editor da Editora Anno Dominni
Editor e locutor do programa de rádio Mosaico Cristão (Rádio 93 FM – RJ).






NOTA ao gráfico 3 - As denominações foram agregadas em grupos a fim de possibilitar inferências. Ver Q2 para todas as denominações.  Pentecostais, batistas e reformados – segundo definição vista em Q2  apresentam resultados semelhantes, dentro da margem de erro. Todos dentro da ocorrência média da população brasileira, segundo pesquisa do MS, supra. Já o grupo formado por neopentecostais está em outra faixa, apresentando frequência de ocorrência de traição conjugal superior à media dos demais grupos evangélicos e da população brasileira em geral.



O que explica as diferenças encontradas entre as denominações neopentecostais e as demais denominações evangélicas em diversas das questões pesquisadas?
Vamos imaginar a igreja evangélica como sendo uma grande estação de tratamento de águas, com seus diferentes tanques, de vários tamanhos e tipos, sendo estes as diferentes denominações e contendo água (fiéis) com níveis diferentes de limpeza e tratamento.
O que podemos falar dos tanques representando as denominações neopentecostais?
São um dos maiores reservatórios, seus tanques são os que vem recebendo mais água nos últimos 20 anos tendo, portanto, mais conexões com a rede de água pública do que qualquer outro tanque. Por conta deste fato, se retirarmos uma amostra de água destes tanques, esta será mais parecida com a água da rede e, portanto, suja, do que a água contida nos demais reservatórios da estação de tratamento. Em outras palavras, a estatística descreve os neopentecostais com com as tintas mais fortes do velho homem, e oferece seu traço mais suave aos renascidos vivendo sob a Graça.
Sabemos que as igrejas neopentecostais são denominações jovens, e não estamos falando das principais fundadas na década de 80, mas mesmo hoje vemos fenômenos como a Igreja Mundial surgirem da noite para o dia. Sendo tanques mais novos, a água ali depositada tende a ser mais nova e menos exposta ao eventual tratamento (discipulado) usado ali para limpar a água.
Estes são fatores que ajudam a explicar pequena parte das diferenças encontradas. Mas não são determinantes. Neste corte específico – CASADOS – o tempo de conversão médio é alto (veja Q3), o que deveria indicar mais maturidade doutrinaria e exposição ao discipulado. Este aspecto anula boa parte dos efeitos explicitados acima. Ou seja, devemos considerar outros fatores.
O que sabemos é que que o que se passa nos tanques neopentecostais não contribui muito para a limpeza da água. Fundamentalmente, porque ali não jorram as águas do Trono. O Evangelho do Reino não é pregado, mas outro antropocêntrico. Obra de homens para homens que comercializam o que não se pode comercializar, deturpam a Palavra e pretendem transformar o Senhor em garçom de bênçãos materiais e milagres obtidos em cassinos religiosos. Uma religião que demoniza tudo, incluindo a responsabilidade pelos próprios erros, incentiva com isto o pecado e ainda e nega o sacrifício de Cristo na Cruz. O resultado é que estes tanques atraem águas "cheias de ambição e egoísmo" caçadoras da promessa de ser água de piscina na vida. Antes de limpar, os reservatórios neopentecostais sujam e apodrecem as águas que ali ficam estagnadas e dominadas pela sedução de falsos tratadores e pela fraqueza de seu próprio fedor.
 Danilo Fernandes
Survey Director
Profissional de Marketing Digital
Editor do site Genizah








Pastoreio e discipulado - uma grande lacuna na vida da igreja brasileira.
Willy Bretas Galgoul 
Editor Ichtus Editorial 
Coisas de Crente






 Segundo pesquisa patrocinada pelos laboratórios Pfizer e coordenada pela Dr Carmita Abdoo do Hospital das Clínicas em SP, a média nacional entre casados é de 3X por semana.

Danilo Fernandes 
Survey Director



Contra o gosto de líderes que tentam – já há séculos aprisionar a alma dos homens, freando-lhes o humor e o sexo - até que os evangélicos parecem gozar (hi!) a sexualidade de modo satisfatório. Para esse ramo da igreja cristã tidos por intolerantes e retrógrados e cheios de pudor sexual num país reconhecido como um paraíso da tolerância e da exaltação à sensualidade, os evangélicos, mostram-se nessa pesquisa como dos mais felizes e mais atuantes. Nada menos que 73% praticam sexo semanalmente e, se disseram a verdade, parecem realizados.

Rubinho Pirola
Pastor reformado, cartunista
e grato a Deus pelo dom do sexo.



O fato de que um terço dos cristãos casados afirme que se masturba regularmente mostra o quanto esse pecado tem sido relativizado. Recentemente, no twitter, vi um influente líder de jovens defender abertamente que masturbação não é pecado. A quase inexistência da abordagem sobre o assunto nos púlpitos somada a essa relativização e à facilidade da prática têm contribuído muito para isso. Masturbação sem luxúria não existe e, portanto, constitui pecado. Sexo foi feito para ser vivido a dois.

Maurício Zágari
Jornalista, escritor, tradutor
Editor da Editora Anno Dominni
Editor e locutor do programa de rádio Mosaico Cristão (Rádio 93 FM – RJ).






Considero também elevado o indice 32,6% de masturbação como pratica regular, mas ele não pode ser analisado de maneira isolada, mas à luz de diferentes razões para tal comportamento, como, por exemplo, problemas no relacionamento conjugal, indiferença ou doença da esposa ou vício mesmo.

 Geremias do Couto

Jornalista, escritor e conferencista
 My Hope Project da Associação Evangelística Billy Graham.

Assembléia de Deus





Eu achava que masturbação, diante das alternativas disponíveis em termos de pornografia, era pecado só cometido em turma de escola dominical. Impressiona-me o percentual de 32,6% de pessoas casadas praticando a masturbação solitariamente. Em que essa moçada fica pensando enquanto se masturba? E mais, se o sexo no casamento é bom, porque o sujeito prefere “comer a azeitona” ao invés da “feijoada?
  Carlos Moreira
Pastor, escritor, teólogo  
Editor assistente do Genizah








Protegemos o nosso patrimônio, zelamos pela nossa segurança pessoal, mas estamos esquecendo de proteger o mais essencial: a família. Estamos juntos fisicamente, mas envoltos em nossos próprios anseios, problemas e necessidades individuais. Mesmo quando nos voltamos para Deus, cada vez mais, o fazemos como indivíduos, não como família! Não olhamos o outro, não nos ouvimos, não nos acolhemos. Não é este o projeto de Deus para a família. O individualismo destroi o núcleo e a proteção famíliar e o mal invade as nossas casas pelas telas.Veja: A pornografia já está presente em mais de 1/3 dos lares cristãos.

Cláudio Duarte
Pastor e conferencista 




É o sinal claro da falta de temor a Deus na vida da Igreja Brasileira. Que cenário mais terrível! Estamos tomando a forma do mundo e desatentos ao aviso e advertência de Romanos 12:1-2 pra que não nos conformemos a esse presente século. 
Willy Bretas Galgoul 
Editor Ichtus Editorial 
Coisas de Crente





A pesquisa mostra resultados alarmantes quando o assunto é a pornografia na internet, no chamado “meio cristão. [...] Antigamente era preciso correr o risco de deixar o conforto (e a segurança) da casa para ir até à zona de prostituição das cidades. Hoje, a internet – esse gigolô digital – traz a zona até sua casa. É uma espécie de pornô-delivery. No conforto de casa, “protegido” pelo silêncio da madrugada, muitos crentes dão vazão aos delírios mais lascivos de suas almas.

Alan Brizotti 
Teólogo, escritor e conferencista 
Assembleia de Deus







Houve um tempo em que as coisas eram significativamente diferentes, Eu ainda pastoriei neste tempo. [...] e, naquele tempo, até se encontravam coisas que combinavam com a qualificação encontrada na pesquisa, mas não com a quantificação. O que de fato houve foi uma subversão de conteúdo do Evangelho. De maneira que não é uma questão do muro da igreja ter caído ou de mistura (da igreja com o mundo). [...] O Evangelho pregado é que foi ficando rarefeito, foi desaparecendo e de trinta anos para cá, em especial nos últimos vinte anos, o processo se acelerou e o caráter do Evangelho foi totalmente deformado, quando chegaram estas teologias da mágica. [...] Há quanto tempo não se houve mais na TV uma pregação sobre o significado da Cruz de Cristo? E sobre o arrependimento, metanoia? Sobre frutos dignos de arrependimento? [...] O carisma foi trocado pelo caráter. (*)

Caio Fábio
Pastor e escritor
Do Caminho da Graça 


(*) Em seu programa Papo de Graça, 
respondendo a pergunta de Danilo Fernandes


O que a Bíblia diz sobre sexo anal? Sobre o uso de acessórios na prática sexual? Sobre o homossexualismo? Sobre a pornografia? O silêncio de muitos púlpitos sobre tais questões pode soar de duas maneiras: licença para tais práticas, já que não são abertamente condenadas, ou o oposto, uma vez que as mantém como tabu. Alguns chegam a pensar: Ora, se o pastor evita falar sobre o assunto, é porque é tão sujo que não vale a pena abordar. E assim, a ignorância continua… Será que a liderança eclesiástica deveria preocupar-se com o consumo de pornografia por pessoas casadas? A pesquisa revela que 32,03% acessam sites pornográficos. Se o percentual entre casados é tão grande, imagine entre solteiros! Enquanto isso, o púlpito continua omisso. Não basta dizer que é pecado. É necessário abordar as conseqüências disso para um casamento a médio e longo prazo. Como também é importante que se desmascare a indústria pornográfica, da qual são cúmplices todos os que consomem seus produtos.

Bispo Hermes Fernandes
Teólogo reformado, 
compositor, escritor
Líder da Reina

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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