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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

05 agosto 2009

Ser Líder É...


Que o mundo carece de heróis, todos já sabemos. O herói de nosso tempo, segundo o cantor e compositor Jorge Versilo, “aguenta o peso das compras do mês, sobe no telhado para ajeitar a antena da TV e fica acordado a noite inteira pra ninar bebê”. Mesmo sabendo tratar-se de um luxo, eu me satisfaria com bons líderes, ao invés de heróis, sobretudo na Igreja. Mas a safra atual é sofrível...

Por outro lado, olhando para Jesus, na tarefa hercúlea de transformar pescadores em profetas do Evangelho da Graça, reaviva-se em mim um soslaio de esperanças. De fato, o Galileu não enfrentou moleza. Imagino o desafio de lidar com os “espasmos emocionais” de Pedro, as vaidades e desejos de poder da dupla João e Tiago, a incredulidade de Tomé, além da ladroagem de Judas. Que time! Mas andar com Jesus fez toda a diferença. Por isso sempre serei um entusiasta do discipulado, pois creio que a melhor maneira de transmitir a fé é através da partilha da vida.

Vivemos no tempo da escassez, os economistas que o digam. Falta-nos quase tudo; o tempo é exíguo, o salário é pequeno, a paixão é passageira, a amizade é superficial, os desejos são fúteis... Para completar a lista, faltam-nos líderes, de todos os tipos e em todos os âmbitos: políticos, empresariais, sociais, acadêmicos e religiosos. Com tantas faltas, ainda insistimos em viver. Haja coragem!

Tenho olhado para o desafio de ser líder na Igreja. Quão grande ele é! Maior, talvez, do que eu pudesse imaginar. Se tenho conseguido ser um? Não sei, estou tentando, o tempo dirá.

Contudo, depois de tantos anos, imagino ter adquirido alguma “autoridade” para falar sobre o tema. Assim, compartilho com você umas poucas sugestões sobre o que imagino ser necessário para ser um líder. São 10 mandamentos que, creio, podem ser extremamente úteis na concretização de seus objetivos.

Se você quer ser um líder, então:

01- Desassocie mentalmente liderança de status ou poder. Líder é alguém que está disposto a servir, e não a mandar.

02- Esteja pronto para se decepcionar com as pessoas. As decepções serão muito mais abundantes que as certezas ou convicções que você tem sobre elas.

03- Aprenda a ser um “degustador” de derrotas. Você tirará mais proveito de seus fracassos do que de suas conquistas. É que as marcas marcam mais do que os marcos.

04- Seja paciente. Quase nada acontecerá da forma como você sonhou, no tempo que você imaginou ou do jeito que você planejou.

05- Conforme-se com o anonimato. Dificilmente alguém recordará o que você fez, ou reconhecerá o seu valor. Gratidão é artigo em extinção.

06- Acostume-se com a solidão, pois você se sentirá só muitas vezes.

07- Nunca perca o senso crítico e não negligencie ouvir a opinião dos outros. Você, na maioria das vezes, tem apenas fragmentos da verdade.

08- Desanime sempre que for necessário, mas não desista nunca. Desanimar faz parte da alma humana, superar o desânimo faz parte do propósito de um líder.

09- Tente construir vínculos duradouros. Sobretudo a certa idade, boas companhias lhe farão muita falta.

10- Não foque suas atenções nos que ficam pelo caminho, pois eles serão muitos. Atenha-se a investir nos que querem, e não nos que precisam, pios há uma grande diferença entre estas coisas.

Parece ácido, mas eu penso ser lúcido. Prefiro a dor da realidade a embriagues da ilusão. Se os dizeres lhe fizerem algum sentido, aplique-os a vida. O mais, você, assim como eu, aprenderá fazendo o caminho, enquanto o caminho vai sendo feito em você.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

Como Será a Igreja Evangélica em 2058?


Daqui a cinquenta anos serei um velhinho octogenário. Se Jesus não houver buscado Sua Igreja, ou se eu mesmo não tiver ido de outra forma, estarei aqui nesta Terra com meus cabelos brancos, uma família bem grande e muita história pra contar aos meus netos. Mas, como estará a Igreja brasileira? Que Igreja as minhas cãs verão? Vamos fazer uma projeção mambembe?
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Daqui a cinquenta anos o Brasil será uma nação evangélica. Teremos passado por um presidente da República evangélico, um ministro do STF evangélico, e muitas autoridades políticas evangélicas, como vários senadores de destaque. Muitos deles terão cometido crimes de corrupção, improbidade administrativa, e haverá escândalos em diversos Municípios e Estados com o franco envolvimento de pastores, líderes evangélicos e igrejas.

A maioria dos crentes evangélicos em 2058 será nominal. Dizer a palavra "evangélico" será como anunciar uma importante insígnia, o termo cairá na boca de todo mundo como açúcar. Ser evangélico abrirá muitas portas, e fechará outras a quem não se identificar como tal. Em razão de disputas de poder, haverá grandes divisões nas maiores denominações do país. Todas as denominações ficarão rachadas em vários pedaços. O pentecostalismo passará por uma transformação enorme, quase desaparecerá debaixo de heresias e duros golpes dos sensacionalistas e personalistas, que se apoderarão de suas igrejas. Mas alguns crentes verdadeiros sobreviverão a isso, tendo que se reinventar.
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Crescerá um movimento informal de igrejas menores, pequenos grupos que se reunirão por extrema necessidade espiritual, não por uma questão de estratégia de crescimento, nada disso. Haverá pastores sendo consagrados por sua vocação, dentro desses pequenos grupos, e não por causa de promoções políticas dos sistemas eclesiais.

Para se distinguir dos poderosos e hereges evangélicos do futuro, os verdadeiros crentes adotarão o nome que lhes for dado. Não me arrisco a antecipar essa nomemclatura, porque não sou vidente, mas será alguma coisa pejorativa, uma alcunha dada pelos outros, que acabará redundando num modo de designação de diversos grupos heterogêneos.

Muitos dos popstars serão evangélicos. Eles gravarão músicas para igreja e para bailes funk ou coisa do gênero, tudo num só album. Haverá evangélicos em todos os setores artísticos, e a maior rede de televisão e rádio será evangélica.

Será muito difícil pregar o Evangelho em 2058. As pessoas terão preconceito, porque buscarão apenas o nome "evangélico", mas não o Jesus do Evangelho. Quando os crentes verdadeiros quiserem pregar, serão tratados com o típico respeito da indiferença, no mesmo sentido do ainda vivo pluralismo. O evangélico "normal" será uma pessoa materialista, que criou um estilo diferente de se vestir e de falar, com sua cultura musical e artística específica, cada vez mais influente. Falar de Jesus entre os evangélicos será como falar de um líder que fez coisas extraordinárias para mostrar o que se pode esperar desta vida.

Daqui a cinquenta anos, a Bíblia continuará sendo tratada como um rol de variados segredos motivacionais, como um pacote de amuletos, e, mais do que isso, será vista até pelos evangélicos como um livro sagrado dentre tantos outros. Haverá forte expansão da demitologização das Escrituras, os milagres e o sobrenatural serão vistos como figuras de um poder cósmico que a Bíblia atribui a Deus. Os líderes farão da Bíblia o que quiserem. Isso não será a exceção - será a regra, a tese majoritária, a doutrina oficial, a ideologia da classe dominante nas igrejas, e, enfim, do País.

Os crentes de verdade não apreciarão em nada esse estado de coisas, e por isso não terão alternativa senão envolver-se em grupos menores, de comunhão, primeiro em casas, depois em prédios destinados a esse fim, mas com o surgimento de líderes proeminentes que buscarão pastorear esse rebanho e resgatar pontos doutrinários fundamentais, com interesse reformista.

...E eu, do alto de meus 81 anos, ficarei em casa conversando sobre tudo isso com minha família, principalmente com a minha esposa, a Miriam. Não tendo mais forças para falar em público, nem sendo mais convidado a lugar nenhum, dobrarei meus joelhos frágeis e orarei ao Deus do Céu, para que tenha misericórdia daquela geração tosca e fútil.

Não se apoquente: não sou profeta. Este é apenas um pequeno exercício mental e literário, sem nenhuma conotação profética.

Fonte: Alex Esteves via Genizah

Carta de Cristo para a Igreja Brasileira


“Aos anjos da igreja do Brasil escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, dos quais tu não podes te esconder.[1]

Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, mas estás morto. Te gabas de ser protagonista de um grande avivamento, mas não sabes que estás moribundo. Teu avivamento artificial e sensacionalista não me comove, nem tampouco produz transformação na sociedade onde estás inserido.[2]

Conheço as tuas obras, as tuas estratégias, o teu marketing, e mesmo que te aches quente, na verdade não és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Tua mornidão e apatia já me causam náuseas. Estou a ponto de te vomitar.[3]

Tu te achas rico, por causa de tuas suntuosas catedrais, como se Eu me impressionasse com sua exuberância; te esqueceste que Eu não habito em templos feitos por mãos? [4]

Tu dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.[5]

Tua riqueza é fruto de extorsão, de manobras políticas, de sacrifícios dos mais pobres, que caem em suas teias por desconhecerem a minha Palavra. Esqueceste que não quero sacrifícios, e sim misericórdia?[6]

Começaste bem, mas te corrompeste. Deixaste de ser igreja, para ser empresa. Deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde caíste! Arrepende-te, e pratica as primeiras obras. Se não te arrependeres, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, tirarei o teu alvará, e passarás a trabalhar na escuridão e na clandestinidade espiritual.[7]

Tenho contra ti que toleras o espírito do consumismo, e ainda o estimulas com suas correntes de prosperidade. Tenho lhe dado tempo para que te arrependas, mas tu não queres te arrepender.[8]

Tu não te pareces comigo, mas com o mundo. As mãos que tu tens estendido ao Pai em louvor, não têm sido estendidas ao próximo em Amor. Em vez de buscar me conhecer mais, tu preferes conhecer as profundezas de Satanás,[9] ignorando que Eu mesmo o despojei através de minha Cruz. Mas tendes no Brasil algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes, nem a sua consciência.[10]

Estas não se venderam aos modismos doutrinários, mas permanecem fiéis, retendo o que receberam. A estas digo: Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. [11]

Sei que habitas no meio a idolatria, superstições, feitiçarias, contudo, reténs o meu nome, e não negaste a minha fé[12].

O que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e guardar até o fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com Cetro de ferro as regerá, quebrando-as como são quebrados os vasos de oleiro; assim como também recebi autoridade de meu Pai.[13]

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à igreja brasileira. [14]

Fonte: Hermes Fernandes via Hermes Fernandes

De Quem é a Culpa?


"Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz". Tg. 1:13-14

O diálogo do gênesis entre Deus, Adão, Eva e a serpente é algo extraordinário. Ele carrega em si mesmo muitos significados e revela-nos facetas do caráter e do comportamento dos mortais. Poderia ser, para os estudiosos da alma humana, para os que buscam através de ações terapêuticas amenizar as dores do ser, um vasto cabedal de conhecimentos. Mas, via de regra, os Escritos Sagrados têm sido desprezados, sobretudo pela dificuldade que possuímos de interpretar alguns de seus conteúdos. Neste caso, por exemplo, temos um texto em linguagem mítica, com seus simbolismos próprios que, erroneamente imaginamos, deva ser entendido de forma literal.

Quando paro para analisar os contornos do capítulo 3 de Gênesis, acabo encontrando uma coisa muito comum e presente nos relacionamentos humanos, a famosa “transferência de responsabilidade”. No fundo, para mim, a “conversa” parece apenas um grande jogo de empurra, uma espécie de "salve-se quem puder"! Senão, vejamos...

Na viração do dia, Deus, sentindo cheiro de lambança, procurou o homem para lhe perguntar o que estava havendo. Adão, meio “cabrero”, respondeu o seguinte: "a mulher que você me deu por esposa me ofereceu do fruto da árvore e eu comi". Ou seja, “olha patrão, a culpa é Tua! Essa aí já veio com defeito de fabricação. Não dá pra fazer outra não?”. Mas Deus é Deus, misericordioso e paciente. Mandou chamar a "marvada" da Eva e perguntou: "o que foi que você fez?". Olha só a resposta da "criança": "...a serpente me enganou, e eu comi". Fico imaginando que se o Senhor desse "corda ao assunto", chegando ao desplante de inquirir, também, a serpente, é bem provável que ela se saísse com algo do tipo: "ora, a culpa é Tua! Não foi você mesmo que criou estas duas alminhas sebosas?". É pouco, ou quer mais?

Como pastor, tenho sido sempre questionado pelas pessoas sobre a origem de muitos dos dramas humanos. Deparo-me, não raras vezes, com questões complexas, do tipo: "pastor, por que isto aconteceu comigo? Será que é uma armadilha de satanás para minha vida?”. Outros afirmam: “Ah, isso não é culpa minha não, é fruto da minha criação. O problema é da minha mulher, ela é que não me entende”. Ouço coisas do tipo: “Ah meu querido, o tráfego estava um horror, por isso me atrasei; pastor, o vestibular foi muito difícil, não dava mesmo para passar; reverendo, mesmo me esforçando, continuo desempregado. O mercado de trabalho está terrível para alguém da minha idade".

Sinceramente, não sou cigano, nem vidente, mas apenas profeta, por isso não tenho, muitas vezes, respostas exatas nem convincentes para o porquê de tais questões. Um pastor amigo, professor de Teologia, disse-me certa vez que, em muitas situações no ministério, a única coisa a se fazer é apenas sentar junto e ficar calado. Por isso, meu brother, deixe-me quietinho aqui, não provoque não! Aí vem você e me pergunta: “de quem é a culpa então?”. Quer mesmo uma explicação? Então vou tentar esclarecer alguns pontos para você.

Questões de Constituição do Ser

Do ponto de vista da psicologia, elementos que redundam em transferência de responsabilidade são chamados de “projeção” e estão enquadrados em um grupo do comportamento humano chamado de "mecanismos de defesa".

Segundo Eugênio Mussak, colunista da revista Você SA e especialista em educação corporativa, estes mecanismos se manifestam da seguinte forma: "a parte da estrutura psicológica chamada ego muitas vezes recusa-se a reconhecer impulsos de seu vizinho, o id. Essa é a parte da mente humana mais primitiva, regida pelo impulso do prazer, e que busca a satisfação imediata das necessidades e o apaziguamento das tensões. Obedecendo a esses impulsos primitivos, muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, que nossa própria moral reprovaria. É quando entra o ego, que é regido pelo princípio da realidade. Quando adultos, não podemos mais simplesmente cair no choro e sapatear quando somos contrariados ou repreendidos. As crianças fazem isso porque são comandadas pelo id. Nos adultos, o ego assume o comando e a responsabilidade. Entretanto, às vezes o golpe é muito forte para um ego ainda não totalmente estruturado. Nesse caso, ele projeta a culpa para fora de si, isentando-se e, claro, incriminando alguém”. Resumindo, Freud explicou, pelo menos em parte...

Questões Relativas aos Desdobramentos Existenciais

Outra coisa importante, e que não pode ser desprezada, é que em todo fato desencadeado na natureza, existe a causa que o determina e a causa que o predispõe. Sempre existe uma causa interna e outra externa para cada um dos fenômenos da vida humana. Por exemplo, um casal, depois de anos experimentando um relacionamento apático, sem diálogo, carinho ou cumplicidade, em uma discussão banal, por causa de um programa de TV, decide se separar. O que determinou a separação foi a controvérsia, não há dúvidas, mas o que permitiu que algo tão drástico acontecesse foram os anos de total entorpecimento do amor. Isso sim foi o que provocou a desconstrução da relação.

Para que um ser seja emocionalmente saudável, é necessário que haja a experimentação do equilíbrio entre estas duas questões, a causa determinante e a causa de predisposição. O problema é que, na grande maioria dos casos, as pessoas não conseguem ajustar o "fiel da balança" para que isto se constitua num determinante existencial. Valorizam sempre um aspecto mais do que o outro, de acordo com suas próprias conveniências. Desta forma, acertos acabam sendo sempre mérito nosso, mas desgraças, via de regra, são produzidas por fatores externos a nós, algo ou alguém.

É muito raro uma pessoa me dizer: "pastor, isso é culpa minha, de minhas escolhas e ações, e não tem nada a ver com o diabo. Pastor, meu casamento acabou porque nunca tratei minha mulher como deveria", ou, "não passei no vestibular porque não estudei", ou ainda, "não consigo emprego porque meu currículo é fraco”. Se fosse assim seria uma maravilha...
Mas não é.

Questões de Suposta Natureza Espiritual

É muito comum, sobretudo no meio cristão, a atribuição a satanás de poderes extraordinários. Nós "crentes" gostamos de meter o diabo em tudo. Ele é o arquiteto das desgraças humanas. Sentado na sua prancheta no inferno, vive a elaborar planos malignos para nos destruir.

Esse tipo de pensar está associado a uma fé infantil, a uma espiritualidade baseada no medo, demonizada pelas “teologias da terra”. Infelizmente, creio que a igreja tem muito a ver com tudo isto. É que o diabo na igreja é tratado como um super-star, com status de ator hollywoodiano. Tudo de ruim que acontece é coisa do diabo, como se nós nunca tivéssemos qualquer responsabilidade sobre o "latifúndio". Não seria heresia achar, inclusive, que o "capiroto" se sinta profundamente injustiçado e ofendido com tudo isso. Não me surpreenderia se ele procurasse a Deus e dissesse: "olha aqui, aquela “parada” lá não é culpa minha não, viu. Vê o que aquele miziguento tá fazendo, Senhor!". E Deus olhando para o proceder de Seu filho na Terra, responderia: “Durma com um barulho desse...”.

Sinceramente, o que vejo em Jesus me serve como chave hermenêutica para estas questões. O Senhor nunca deu qualquer importância a satanás, nem muito menos fez qualquer apologia a teologias sobre encostos, maldições hereditárias, e outras maluquices que a igreja inventou. Quando encontrou, no caminhar da existência, pessoas possessas, expulsou o demônio sem muitas delongas nem pirotecnias. "Retira-te dele", era o que bastava. Bem diferente do que acontece em nossos dias, nestes espetáculos bizarros de exorcismo fraudulento de demônios de quinta categoria, os quais, supostamente, estão atormentando a vida das pessoas. Sai capeta! Quanta gente vivendo de correntes e sessões de descarrego as quais, ao invés de quebrar o jugo do diabo, quebra apenas a cara do “cliente” e, não raras vezes, o bolso também.

Não me entenda mal. Eu não estou afirmando que satanás, por vezes, não crie cenários existenciais para nos atormentar com culpas e medos. Como já disse, a “serpente” se alimenta do pó da terra, ou seja, de toda a produção emocional e psíquica dos humanos caídos. Isso, sem dúvida, é um poderoso motor de propulsão quando acionado. Por exemplo, medo gera medo que alimenta o medo para desenvolver mais medo ainda. É um ciclo vicioso. Mas é fato que o diabo não pode atuar na "peça", ainda que ajude a ornamentar o cenário. Quem desempenha o papel de ator principal do espetáculo somos nós, sempre a partir de nossas próprias escolhas e decisões. Jean Paul Sartre, filósofo existencialista, disse certa vez que "o inferno é o outro". De fato, para muitos, é justamente isso que se processa no ser: criam infernos particulares onde todo mundo tem culpa no cartório, menos eles mesmos. É um eterno jogo de transferência, um empurra-empurra, um “toma que o filho é teu”. Muito elementar...

A Posição das Escrituras Sagradas

Tiago, no texto que citei acima, que para mim é bastante equilibrado e isento, pois coloca cada coisa em seu devido lugar, afirma que Deus não tenta ninguém. A respeito do diabo, como era de se esperar, não fala absolutamente nada, deixando o “tinhoso” no seu devido lugar, apenas como espectador da existência. Contudo, de forma categórica, pontua que nossos desencontros são fruto das escolhas que fazemos, de nossa cobiça e contradições, ou seja, em última instância, a responsabilidade é toda nossa.

De fato, cada um de nós busca viver por uma espécie de “mapa existencial”, e determina, a partir dele, quais rotas deverão ser seguidas. Na fase de execução do projeto, somos chamados a tomar decisões, muitas das quais acabam por modificar o mundo ao nosso redor, tanto a nosso favor, quanto contra nós, e nem Deus, nem o diabo, tem nada a ver com isso. Somos responsáveis por cada decisão que tomamos. Não adianta tentar fazer transferências ou viver de escapismos, isso não nos ajuda em absolutamente nada, apenas provoca um sentir infantil, que desemboca numa psique instável, e leva-nos a experimentar sentimentos de frustração, impotência e injustiça. Tornamo-nos vítimas do mundo, e nunca de nós mesmos...

A vida cristã é construída a partir de valores e verdades. Deus estabeleceu princípios imutáveis através dos quais opera. Por exemplo, “aquilo que o homem semear, isto também ceifará”. É o livre arbítrio em operação. Não dá para plantar vento e depois não querer colher tempestade. De forma prática, se não estudar, não passa; se não amar a esposa, o casamento se dessignifica; se não aprender a repartir, vai tornar-se avaro; se não perdoar, terá o ser consumido pela amargura; se não falar a verdade, viverá enredado com mentiras, se não tiver controle, vai se endividar, e por aí vai...

Conclusão

Quero desafiá-lo a aprender a fazer uma dicotomia dos fatos e fenômenos que lhe acometem. Tente discernir o que é de natureza psicológica, o que veio como conseqüência e desdobramento existencial e, se for o caso, o que surgiu a partir de aspectos e implicações espirituais. A vida é feita de escolhas e cada um de nós fará o seu próprio caminho sobre a terra, seja com Deus, seja sozinho. Se queremos crescer, em todos os aspectos, precisamos colocar cada coisa no seu devido lugar.

Em última hipótese, todavia, considere que algumas situações que lhe advirão estarão fora de seu controle e responsabilidade, e podem apenas ser o desenrolar de fatores externos que, involuntariamente, acabaram “caindo” sobre você. Nestes casos, tire proveito do todo e aprenda, também, a lidar com isso, pois está escrito que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus".

Entretanto, não posso deixar de afirmar, é bem provável que na absoluta e esmagadora maioria das vezes, nem Deus, nem o diabo, nem os outros possuam qualquer responsabilidade sobre suas desventuras. Introjetar esse saber no ser lhe proporcionará um enorme bem na vida e lhe trará paz e serenidade.

A história mítica do Édem, dentre outras coisas, nos ensinou que o pecado passou a todos os homens em função da escolha de um só. Entretanto, segundo Paulo aos Romanos, “onde abundou o pecado, superabundou à graça!”. É que Deus, em Cristo Jesus, antes de haver mundo, ou mesmo humanos habitando nele, antes, inclusive, de haver luz na Terra, disse: "haja cruz!". O Cordeiro foi sacrificado antes de todos os começos, pois, para o Pai, o fim precedeu ao princípio, e isso assim foi feito para que existisse uma alternativa segura e viável de salvação para mim e para você. Essa escolha foi ele quem fez! Façamos, então, a nossa! Antes de escolher, todavia, não esqueçamos de que, por ela, viveremos ou morreremos.

Sola Gratia !

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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