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25 novembro 2014

Lázaro e o Pastor Rico




Essa parábola (baseada em Lc. 16:19-31), será melhor entendida se você ler, antes, essa outra nesse link: http://anovacristandade.blogspot.com.br/…/a-parabola-do-pas…
LÁZARO E O PASTOR RICO
Crentonildo, pastor de “sucesso”, dono de uma hermenêutica invejável, possuidor de uma “unção” poderosa, considerado o príncipe dos púlpitos, vivia encastelado em sua mega-igreja. Ele se vestia com vestes pomposas, andava em sua Mercedes, morava em uma mansão com 6 suítes e refestelava-se no luxo.
Diante dos portões de seu Império Eclesiástico, todavia, havia um mendigo chamado Lázaro, moribundo coberto de chagas que agonizava solitário e ansiava por comer das migalhas que caíam da mesa da “Santa Ceia” de Crentonildo. Sim, ali estava um homem desprezado da sociedade, abandonado dos amigos, expurgado da família, em irremediável colapso físico e emocional.
Passado certo tempo, chegou o dia em que Lázaro morreu e os anjos o levaram para estar à mesa com Jesus.
Logo em seguida, Crentonildo também faleceu e foi sepultado. No Hades, onde passou a habitar, vivia atormentado, existia de si para si mesmo, experimentava uma total impossibilidade de arrependimento, era consumido pelas chamas do egoísmo e devorado por sua própria cobiça.
Nessa angústia interminável, Crentonildo olhou para cima e viu, de longe, Lázaro sendo acolhido e consolado por Jesus. Inconformado, clamou com grande voz e disse: “Jesus, tem misericórdia de mim! Manda que Lázaro venha aqui e me traga um pouco de esperança e boas palavras que consolem meu coração, pois estou sofrendo muito neste desespero sem fim”.
Diante de tal apelo, Jesus afirmou: “Crentonildo, é importante que você reflita que durante a sua vida você tratou a dor alheia de forma displicente e, não fosse isso bastante, encolheu os braços ao faminto, fez economia de misericórdia e racionamento de solidariedade. Lázaro, por outro lado, era indigente e sem importância, morava na favela próxima a tua igreja, era pedinte ao lado do teu portão. Por isso, não por acaso, agora ele está consolado e tu em meio a esse tormento.
Além disso, há entre nós um abismo tal de consciência, que torna-se impossível ressignificar aqueles que aí estão para que sejam transportados para aqui.
Crentonildo, todavia, respondeu: “Jesus, eu te suplico que mandes, então, Lázaro lá no presbitério da minha igreja, pois tenho fraternos amigos pastores vivendo absortos tal como eu, despercebidos da dor humana, e ele os avise sobre as implicações de tal proceder, de sorte que eles não venham parar aqui neste lugar”.
Jesus, entretanto, arrematou: “Eles têm o Evangelho, portanto, que o ouçam!”. E Crentonildo insistiu: “Meu Senhor, se você ressuscitar alguém entre os mortos é bem provável que eles acreditem, sobretudo se for Lázaro, o mendigo”.
Mas Jesus finalizou: “Eles tem o Evangelho, o testemunho dos apóstolos e profetas, a vida de milhares de homens e mulheres que foram inspiração na história da igreja, o testemunho dos meus discípulos sobre a Terra. Se não podem escutar todas essas “vozes” que clamam, então, não adiantará fazer mais nada, nem mesmo ressuscitar alguém dentre os mortos”.
As igrejas estão cercadas de “Lázaros” por todos os lados. Há gente agonizando em nossas portas, indigentes de alma, mendigos de amor, miseráveis de sentimentos. Estamos circundados de desgraças, de fome, de doenças, de drogaditos. Eles não podem mais esperar, é preciso fazer algo agora, hoje!
Enquanto você vai, displicentemente, para o seu “culto” no domingo, senta-se em sua cadeira confortável, sente o refrigério agradável do ar-condicionado e escuta belas canções do grupo da música, tem gente morrendo de sede, de fome e de frio no altar da injustiça humana, solitários nos bancos do descaso, perfilados a frente da mesa das lamentações.
Deus escolheu ser amado no próximo e fez a síntese de toda a Lei em um único mandamento, com duas facetas: amar a Deus e amar ao meu irmão. O que passar disso é retórica vazia, é a indignação complacente daqueles que acreditam que podem mudar o mundo sentados nos bancos de suas igrejolas...

Carlos Moreira

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