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10 março 2018

A Cartilha dos Crentes: Orar, Jejuar e Ler a Bíblia



Nos dias de Abraão não existia bíblia, a tradição para se ensinar algo era oral, o pai repassava para o filho as verdades da fé enquanto caminhava com ele no chão dos dias e aquilo ia sendo introjetado como verdade e bem.

Mas quando Jesus fala de Abraão para os Fariseus, diz que ele viu o “Seu Dia” e se alegrou, ou seja, o Patriarca não leu nada sobre isso em um livro, mas fez uma leitura da vida da perspectiva do Espírito, ele não discerniu a partir da letra, mas leu espiritualmente o que estava por vir e isso era para ele mais real do que qualquer texto, "... As palavras que eu lhes digo são espírito e vida". João 6:63, lembram?

É muito comum, no meio evangélico, existir uma certa neurose compulsiva pela leitura da bíblia. Aliás, o trinômio “orar, jejuar e ler a palavra” é quase um mantra na boca dos crentes, revela um sinal de saúde espiritual e quem segue essa “disciplina” está em paz com Deus.

Ora, eu sei que quando se afirma isso ainda se está olhando para a religião judaica, para a oração do templo, que foi substituída por vigílias e cultos, para o jejum meritório, onde se tencionava mover a divindade na direção daquilo que se desejava, e para a leitura do texto sagrado, com o livro nas mãos, hora e local definidos.

Mas em Jesus, todas essas coisas foram extintas, não há mais geografia para o culto, uma vez que ele se faz em todo lugar e a qualquer hora, a oração é em Espírito e em Verdade, interage com as dinâmicas dos fatos, o jejum é aquele ensinado por Isaías, que quebra o jugo da injustiça e me torna solidário a dor do meu próximo, e a leitura da palavra passa a ser a encarnação da Palavra, que é Jesus, em mim, ou seja, eu passo a ler a bíblia a partir daquilo que eu encarno conforme o Evangelho que está em mim, não é mais um fetiche pelo texto, é um chamado a tornar o texto realidade existencial.

Ora, com isso não estou dizendo que não se possa pegar o livro e ler, ainda que eu entenda que o livro já está em mim, na minha consciência, mas que praticar o que se leu é melhor do que ler e não tornar esse saber em nada que não seja “carne e sangue”, não materializar as Verdades das escrituras como concretude no passadiço do quotidiano. Você gosta de ler a bíblia? Fazes bem, até os demônios a leem. Mas você faz a bíblia ser lida em você?


Carlos Moreira



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