Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

02 janeiro 2017

Transar ou não Transar? Eis a Questão... Mas, Para Quem?




Está correndo mundos a entrevista que Baby do Brasil deu juntamente com o ex-jogador e comentarista Casagrande sobre o relacionamento amoroso que vivem há 4 meses. Na conversa, dentre outras pérolas, eles revelaram que passaram 3 meses pra dar um beijo na boca e que ainda não fizeram sexo. Pronto! Foi o suficiente para tornarem-se os mais novos garotos-propaganda da famosa doutrina do “Eu Resolvi Esperar”, compêndio mal aplicado de textos bíblicos que, dentre outras coisas, estimula a moçada a ficar apenas na masturbação e nos sites pornôs até o casamento, ou você acha que eles se seguram mesmo sem nada?

Pois bem, depois da dita entrevista, choveram perguntas no meu in-box, como se eu fosse sexólogo ou consultor sentimental, em busca de uma "posição oficial". O que tenho, então, a dizer, resumindo tudo, é o seguinte: transar ou não transar é uma decisão de cada pessoa, não uma doutrina bíblica. Casamento, nas Escrituras, é encontro de corpo, alma e espírito, sem legislações eclesiásticas ou cartoriais, sem intervenções ditatoriais humanas. Jesus foi ao casamento de Caná da Galileia para se alegrar com os amigos e a família, não para celebrar a cerimônia ou intermediar a “benção”.

Há, na verdade, dois milagres na festa: a transformação da água em vinho, feita nas talhas da religião, mostrando que o Evangelho traria alegria e encantamento para o coração, e o encontro de pessoas que se amam, o que faz repousar no chão da alma toda a felicidade da vida. Sim, é milagre e mistério, dois que se fazem um e um que se desdobra em dois, é tão sagrado que Paulo compara a união entre homem e mulher com a união entre Cristo e a Igreja.

Mas a religião não se conforma com coisas simples e belas, tem de intervir para legislar e mostrar o seu valor, tem que tencionar mediar o encontro único entre um homem e uma mulher, algo impossível de ser feito. É daí que surge cerimônia, altar, pastor e padre paramentados, côrte assistindo, “carruagens” transportando noivas, padrinhos, igreja enfeitada, e tudo o mais que compõe a indústria do matrimônio e que faz com que a celebração do amor se transforme em espetáculo social.

Casagrande e Baby do Brasil, por suas histórias de vida, pela promiscuidade que já experimentaram, pelos vícios que os consumiu boa parte da vida, decidiram fazer as coisas a partir de novos valores, compreendendo que sexo é parte da relação, não a relação inteira. O que eles fizeram, fizeram para si, não torna-se regra ou princípio para outros, pois, “a fé que tens, tem-na para ti mesmo”, conforme Paulo aos Romanos. Quem fizer a escolha de ter sexo no primeiro dia, que o faça com bom coração e boa consciência, pois, conforme o mesmo Paulo, “tudo o que não provém de fé é pecado”.

Digo, contudo, como homem, nem todos estão aptos a abraçar estes conceitos, pois do ponto de vista da fenomenologia social, nem tudo pode ou deve ser feito. Do ponto de vista do ser, todavia, o melhor é que tudo seja feito na luz, as claras, de tal forma que ninguém se esconda atrás de doutrinas para justificar suas próprias frustrações ou tentações. Sexo é tudo e é nada, pode trazer alegria e profundo pesar, pode completar a existência ou esvaziá-la, vai depender de como ele é experimentado e existencializado.

No mais, deixa a Baby e o Casa na deles, quando tiver que ser, será, e que seja bom, para que ambos, já no outono da vida, se aqueçam e se desejem com paixão e tesão. Quanto a você, não faça de suas escolhas teologia para ninguém, viva sua fé e sua sexualidade de maneira sadia e Deus lhe abençoará. Transar ou não transar não é uma questão nem para Shakespeare, nem para Jesus, mas apenas para você...

Carlos Moreira


17 dezembro 2016

Hímen: o Herói da Resistência!



Engana-se, profundamente, quem imagina que a virgindade feminina é sacramentada pelo hímen, aquela membrana mucosa presente na entrada da vagina das mulheres que ainda não tiveram relações sexuais.

Ah, quanta gente eu já vi que tem essa membrana íntegra, mas que rompeu as camadas da consciência e se deixou violar pela pornografia e pela promiscuidade, mal imensamente maior e capaz de produzir danos muito mais profundos.

Eu já conheci meninas virgens que tinham a mente mais suja que o esgoto do rio Tietê e outras que tiveram algumas relações, com namorados mesmo, contudo, permaneciam “virgens” na alma, com boa consciência e resguardando puro o coração.

Tristemente, admito, a igreja, quase na sua totalidade, trabalha tentando reprimir aquilo que é aparente, ignorando todavia o pecado que cresce com o adubo das pulsões da alma e que mata o indivíduo pela via da subjetividade. O cinto de castidade é um exemplo disso. Invenção que data do século XIX, foi um dos recursos da fé cristã para refrear os impulsos da carne. Na prática, nunca passou de bizarrice. Além de degradante, tinha pouca serventia, uma vez que o apetite sexual, muito antes de passar pela genitália, cresce e consuma-se na mente.

Eu confesso que me sinto meio ridículo quando ouço as sacanagens que acontecem nos porões das juventudes de igreja neste tempo. Fico pasmo como pastores ensinaram uma geração inteira a viver no simulacro, a reverenciar uma película vaginal em detrimento de todo tipo de elucubração erótica que se aloja na alma e de todo tipo de contato sexual que não exija penetração, isso sem falar na internet, que seria um capítulo a parte.

A verdade é que essa “meninada” me conta o que eles fazem porque sabem que eu os ouvirei sem reprimendas hipócritas, mas apenas com o olhar de um Pai que deseja ajudar. Em nome da ortodoxia, matamos o que havia de melhor neles, que era o desejo amoroso regado pelo tesão da primavera da vida. Com pudores e etiquetas religiosas, ensinamos que sexo é coisa para o "casamento" e, assim, os segregamos a viver 25, 30 anos envoltos em todo tipo de experimentação sexual.

E é justamente assim que muitas meninas “imaculadas” chegam às núpcias, tão ou mais rodadas que profissionais do sexo, a exceção da presença impoluta do hímen na vagina, uma espécie de “herói da resistência” que para nada aproveita, posto que quem não conseguiu guardar puro o coração, nada mais tem a proteger. E por favor: não venha me pedir para aqui legislar sobre nada. Cada uma tenha sua fé e a viva conforme a sua consciência.


Carlos Moreira

22 novembro 2016

A Soberania de Deus e o Curso da História Humana

A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos fez surgir calafrios e previsões apocalípticas da parte de muitos. Curioso, todavia, é que o futuro presidente, mesmo com tudo que atesta contra ele - racismo, xenofobia, fundamentalismos - foi eleito com 82% dos votos dos evangélicos. Ora, para quem sabe como a política funciona, é certo que Trump não poderá fazer o que prometeu nos arroubos da campanha. Sim, pois, por detrás dele, há lobbies poderosos como o da indústria de armamentos, dos Judeus de Wall Street, das 30 Famílias Mais Ricas, além dos Senadores e Deputados do Congresso. Na verdade, são tantos acordos e conchavos, que quem governa, mesmo, tem uma faixa de poder extremamente limitada. Trump é o seu grande medo? Um mundo pré-apocalíptico se avizinha? Deixa eu lhe dar uma notícia: Deus, o único que tem poder sobre os universos e sobre todas as coisas, ainda está no trono, portanto, como diz o salmista: “que mal me poderá fazer o homem?”. A partir do texto de Daniel capítulo 4, que trata da visão de Nabucodonosor interpretada pelo profeta, vamos fazer uma análise da simbiose político-cultural dos reinos da Terra com as potestades espirituais, de tal forma a discernirmos a fenomenologia que se desenha diante de nós. Assista a mensagem!


 

14 novembro 2016

Submissão Feminina: um Tabu que Resiste ao Tempo.



“Permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a lei. Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja”.
1 Coríntios 14:34,35.

Sempre tenho encontrado gente que me questiona sobre a doutrina que trata da submissão da mulher. Via de regra, homens que se agarram aos textos de Paulo sobre o tema são dominadores, preconceituosos e inseguros, mas, com uma bíblia nas mãos, eles se servem da força do dogma que impede uma leitura de Paulo condicionada ao prisma da sociedade em que ele vivia – machista e patriarcal – ou seja, uma cosmovisão totalmente diferente da nossa. 


O que eu me divirto quando encontro tais indivíduos, é que eles, como de costume, coam o mosquito e engolem o tiranossauro rex, são excêntricos observadores das porções que lhes interessa nas Escrituras, afirmando que os princípios de Deus são irrevogáveis, todavia, ficam sem qualquer condição de defesa diante de argumentos básicos da exegese, coisa que criança em escola dominical já sabe fazer. 

Veja você como os tais se complicam com um texto como o citado acima. Nesta passagem de 1ª. Coríntios, Paulo trata do tema da submissão da mulher, primeiro no que diz respeito a observância da Lei para o ambiente público, depois, na sequência, para o ambiente doméstico. Em ambos os casos, o princípio é o mesmo, ainda que com diferentes aplicações. 

Na sociedade de Paulo, mulher não tinha direitos, nem espaço, nem reconhecimento. A mulher paria filhos, cuidava da casa e pedia a Deus com todas as forças que seu marido não lhe desse uma carta de divórcio, pelo motivo que bem entendesse, deixando-a desamparada e exposta a enorme possibilidade de buscar a prostituição para poder sobreviver. Esse era o contexto, de forma esmagadoramente simplificada. 

Contudo, observe como os Doutores da Lei modernos são convenientes em suas interpretações. Por força da cultura social de nosso tempo, seria absurdo manter uma mulher calada na igreja, pois a mulher no século XXI pode fazer tão bem ou melhor qualquer coisa que um homem faça. Por conta disto, metade da passagem acima é flexibilizada em função de sua inadequação ao contexto do mundo contemporâneo, mas o mesmo não se aplica a outra metade, ou seja, no que convém, que é manter a mulher subjugada por uma doutrina que expirou, o texto se aplica, mas naquilo no qual a questão se torna indefensável, do ponto de vista do fenômeno sócio-cultural, ela pode ser relaxada. 

Portanto, o que temos aqui é mais um tabu da religião a ser quebrado. Ora, eu penso que o que regula uma relação afetiva não é a submissão, mas o amor! O mandamento é amar, não subjugar, é acolher, não amedrontar, é cuidar, não esmagar, pois em meio a essa questão da submissão da mulher o que mais se vê são os exageros e o uso perverso do texto sagrado para justificar desmandos inaceitáveis. 

Jesus não tratou desta questão, deixando claro, para mim, que o tema deve ser abordado de maneira consensual. Quando Paulo estabelece o postulado em várias de suas epístolas, ele trata de um ponto de vista dessa cultura patriarcal judaica, numa sociedade onde a mulher não tinha outra escolha a não ser aceitar o mando do marido. Seria absurdo, nesta perspectiva, o apóstolo ensinar qualquer outra coisa, pois aquele era o mundo onde ele vivia! 

Eu acredito que olhar para certas passagens das Escrituras requer coragem e bom senso. Nós sabemos que o texto é inspirado, mas também precisamos compreender que, alguns deles, em função de questões religiosas, culturais, políticas, econômicas, sociais, dentre outras, expirou! É o caso da submissão da mulher. 

Para ser factual nesta afirmação, basta analisarmos os dados do último censo do IBGE no qual cerca de 60% das famílias das classes C e D são mantidas pelo trabalho das mulheres. 

Com o intuito de buscarmos uma posição equilibrada, podemos desferir um outro olhar sobre o tema de tal forma a lançar uma nova luz. Quando Jesus trata da questão da autoridade, ele ensina que quem a exerce deve fazê-lo com a consciência de quem presta um serviço, ou seja, eu cativo a submissão de alguém porque, ante de tudo, cativei a pessoa pelo amor e pelo cuidado para com ela. O próprio Paulo já deixou plantada esta ideia quando usou a metáfora no texto de Efésios 5:25: “Maridos amai as vossas esposas como Cristo amou a igreja e sacrificou-se por ela”. 

Então, eu penso que este é um tema que deve ser abordado de forma honesta e buscando a luz da verdade para este tempo. Não vejo qualquer problema em haver igualdade de autoridade no lar, pois, onde há amor sincero, os conflitos são sempre resolvidos buscando o melhor para o outro. Onde não há, todavia, o código religioso será usado como mordaça existencial, como instrumento de opressão, como meio de chantagem, e tudo isso em nome de “deus”. 

Portanto, se você, macho-man cristão, quer uma mulher submissa a sua vontade, compre uma boneca de plástico para brincar. Agora, quando for tratar da questão na vida real, seja gentil e carinhoso, compartilhe decisões e busque o consenso. Acredite em mim: será muito melhor ir por este caminho... 

Carlos Moreira



Mais Lidos

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More