Pesquisar Neste blog

10 janeiro 2017

Os Imperdoáveis



A chacina na cadeia de Manaus, onde 56 presos foram assassinados, revela, pela crueldade das ações, com exposição das vísceras dos mortos e decapitações com os indivíduos ainda vivos, a que nível o ser humano pode chegar.

Trancados em suas “jaulas”, aqueles homens viraram bichos, vitimados pelo sistema prisional, pela lentidão da justiça, pelo descaso da sociedade, pela ineficiência do Estado, pela desigualdade social do País, pela insalubridade da vida nos bolsões de pobreza e, finalmente, por suas próprias escolhas.

O que eles fizeram é impensável, mas não é imperdoável, pois se houver um pecador que a Graça não possa regenerar e um pecado ao qual o Sangue de Jesus não possa perdoar, você pode chamar sua religião do que quiser, menos de Evangelho.

Eu fiquei abismado em ver os comentários de “crentes” sobre o ocorrido nestes últimos dias em Roraima e no Amazonas. Gente que disse que se alegrou com a barbárie, que afirmou que “bandido bom é bandido morto”, esquecendo-se que o diabo pensa, também, que “pecador bom é pecador morto”, pois há vagas de sobra no inferno para receber gente caída. Mas Deus pensou diferente...

Compreendo, todavia, o fenômeno, pois a religião vive da hipocrisia seletiva, ela cria a casta do pecador-padrão, aquele indivíduo que é mauzinho, mas a maldade dele é fumar um cigarro, beber uma cerveja, dizer uma mentira, falar um palavrão, dá uma pulada de cerca no casamento, sonegar o imposto de renda, fazer uma fofoca, ou seja, são os pecados normatizados e aceitos pela santa igreja, aqueles que Deus tolera, Jesus aceita e o Espírito Santo faz vista grossa, afinal, não foi por isso que nós fomos salvos, ou não podemos dar, aqui e ali, uns tropecinhos?

Ora, quando o Senhor agonizava na Cruz, havia um ladrão ao lado dele. No derradeiro instante, aquele homem arrependeu-se de sua vida de crimes, uma centelha da revelação acendeu sua consciência e seu coração foi incendiado pela Verdade. O Galileu, todavia, antes de perdoá-lo, perguntou-lhe: “Você por acaso é estuprador, pedófilo, necrófilo, degolador ou canibal? Pergunto isso porque, se for, não há espaço para você no paraíso.”. Bem, você conhece a história...

Fiquei horrorizado com o que os presos fizeram, seria muito mais fácil condená-los ao inferno de fogo, pois eles chegaram ao ponto de se tornarem diabos, esvaziados de qualquer humanidade, cheios de maldade e miséria, desprovidos de afetividade, de sensibilidade, enrijecidos e brutos, violentos e homicidas. Com sinceridade, penso que seria mais fácil fuzilá-los, enforcá-los, cerrá-los ao meio, matá-los com choque, com injeção letal, mas aí eu lembro que Deus ainda pode resgatá-los e salvá-los, assim como ele fez comigo e com você, e meu coração se encharca de misericórdia, sobretudo, porque de alguma forma, eu tenho parte nesse sistema que transforma homens em animais.

Cabe, contudo, indagar e lembrá-lo que você só foi salvo porque Deus abdicou de sua ética, pois, se ele aplicasse a sua justiça contra você, não haveria qualquer possibilidade de perdão. Mas o amor superou tudo...

De certo, se eu fosse um dos homens da foto abaixo, gostaria de saber que ainda existe uma chance de ser salvo de mim mesmo, ainda que seja imperioso pagar a sociedade tudo o que fiz.

Portanto, me perdoem, eu sei que isso que digo é um escândalo, mas esse é o espírito de Jesus e do Evangelho, isso é andar na contramão, é olhar o que ninguém olha e sentir o que ninguém sente, e qualquer um que o tenha conhecido, pensará e agirá assim, poir crer é absurdo! Se fosse um dos meus que tivesse sido decapitado por esses perversos, eu diria o mesmo? Não sei, a dor seria insuportável, mas, ainda assim, não posso ensinar algo diferente...


Carlos Moreira


0 comentários:

Mais Lidos

Barra de Vídeos

Loading...

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More