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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

23 maio 2017

ESTOU SUFOCADO!



A religião precisa do método para se sustentar. Sim, sem regras, sem obrigações, sem liturgias ordenadas, o religioso entra em pânico, sente-se sem chão, vê-se nu e em pecado.

Ora, nós sabemos o quanto o Evangelho de Jesus chocou os Fariseus justamente por isso, pois as leis judaicas, em número de 613, acrescidas das tradições dos anciãos, que podiam até dobrar esse número, se constituíam o manual de conduta daquela gente, o método que disciplinava e ordenava a vida do fiel.

Aí veio Jesus, falando de liberdade e de consciência, e reduziu mais de 1.000 preceitos legislativos em apenas dois: amar a Deus e ao próximo. Foi fatal! A crentaiada entrou em pânico! Para eles, viver de forma tão simples e leve revelava-se absurdo, era preciso submeter à existência aos rigores assépticos, as lavagens litúrgicas, aos sacrifícios purgatórios, as orações repetitivas, aos jejuns despropositados e as ofertas, em forma de dízimos, desprovidas de compaixão.

Na verdade, o Galileu bagunçou o quengo da moçada, propôs o Caminho da Consciência do Evangelho, onde não há lugar sagrado, nem dia sagrado, nem sacrifício sagrado, nem homem do sagrado, e com isso pôs fim, de uma feita só, no templo, no sábado, na intermediação dos sacerdotes e na oferta de cordeiros e pombas.

O Evangelho é um convite a quebrar as regras da religião para nos levar a liberdade de ser em Deus, ele nos tira do fordismo metódico e industrializado da igreja, para nos propor a Lei do Espírito e da Vida, que nos faz seguir pacificados e perdoados, sem pesos e sem demandas.

É simples assim, mas o Cristianismo não suportou nada disso, colocou de volta no velho odre da religião o vinagre do judaísmo repaginado com uma pitada de platonismo e a lógica do sistema grego de Aristóteles.

A partir daí, construiu templos, para congregar os "santos", ordenou Papas e Padres, para ministrar sacramentos, santificou o domingo, para o "culto" a Deus e reconstruiu as pesadas liturgias "sagradas", para metodizar a fé, pôs “ordem” na “desordem” proposta por Jesus.

Quando olho para tudo isso, dá certa tristeza, vê no que foi reduzida a fé de muitos, perceber o quanto a religião escraviza o indivíduo com ordenanças sem fim... Mas fazer o quê? Para quem o “Está Consumado!” não basta, o que sobra é viver com o “Estou Sufocado!”. Agora durma com um barulho desse...



Carlos Moreira

03 maio 2017

Às Vezes dá Certo, às Vezes dá Errado. E Daí?

A teologia da prosperidade, impregnada na mente e na alma desta geração, atribui ao fracasso, a doença, a perda ou qualquer outra situação desfavorável na vida do indivíduo o fato dele estar em dívida com a divindade, seja esta falta em forma de pagamento de dízimos, de falha em seu comportamento moral, de queda na frequência de atividades religiosas ou coisas correlatas. A religião se alimenta da culpa e do medo e estabelece na barganha seu modus operandis. Ao invés de fomentar saúde existencial, provoca doença comportamental, produz pessoas gananciosas que imaginam que Deus é uma espécie de financista de suas vontades, obrigado a lhes fazer prosperar em tudo o que fazem desde que o sujeito esteja em dia com a Contabilidade Celestial. Diante desse contexto, a questão que se levanta é a seguinte: o que fazer quando as coisas dão errado, mesmo quando estou fazendo tudo certo? Será que há algo subliminar que não estou percebendo? Ou uma maldição se alojou em minha vida em função da quebra de algum preceito ou mandamento? Quem sabe é algo ligado a alguém que está próximo a mim – um “Acã” em pecado? Será, talvez, plano de Deus me fazer passar por isso para me disciplinar? Ouço todos os dias pessoas que me trazem questões como estas... Elas estão desesperadas em busca de encontrar um álibi que possa explicar qual o motivo de seus negócios não estarem indo bem, o porquê do casamento está em crise, a explicação para o organismo está debilitado, a razão da promoção na empresa não ter saído, o propósito da causa na justiça ter sido perdida, e por aí vai... Mas será que existe alguma promessa de Deus nas Escrituras que lhe garanta viver bem todo o tempo? Sem doenças? Sem perdas? Sem fracassos ou frustrações? Sem impossibilidades e limitações? Na verdade, diante de muitas destas questões, o que tenho dito é apenas o seguinte: “Relaxe! Nem tudo dá certo!”. Assista a mensagem e tenha um encontro com a paz que pacificará sua alma a partir do discernimento de quais ações podem ser tomadas para nos aquietar diante da vida.


 

26 abril 2017

O Absurdo de Deus num Mundo em que é Absurdo Existir

Olhe para o mundo a sua volta: o que lhe parece? Ande pelas ruas de sua cidade, observe o que se passa ao seu entorno, você percebe o que está acontecendo? Leia as manchetes dos jornais de hoje, analise o que elas expressam, dá para discernir a gravidade do que está dito? Sim, está claro, vivemos em meio ao caos e estamos à beira de um colapso definitivo. O mundo, neste exato momento, sofre com diversos tipos de ameaças: catástrofes no ecossistema global por ações exploratórias desenfreadas dos países ricos; iminência de guerras continentais com a possibilidade do uso de armas atômicas; epidemias globais de vírus que estão, cada vez mais, resistentes aos medicamentos; exploração humana e corrupção generalizada nos países do terceiro mundo; ceticismo religioso com a irremediável falência das instituições ligadas a fé; terrorismo internacional utilizado pelos países do Oriente como mecanismo de insurreição. Convenhamos, viver neste planeta é algo totalmente inviável, por isso, diante de um quadro tão assustador, o ser humano implode em si mesmo, a psique do indivíduo não suporta o peso das pressões externas, explodem, assim, disfunções psicossomáticas, depressões, pânico, transtornos de ansiedade, dependência de diazepínicos, tudo visa, de alguma forma, amortecer a realidade. Estamos vivendo na sociedade da fuga, existimos com medo, temos terror de olhar pela janela e constatar o que nos espera no dia seguinte. Diante de tudo isso, contudo, lembro de forma esperançosa das palavras do profeta Miquéias: “Eu, porém, olharei para o Senhor; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá”. Mq 7:7. Eu confesso: tenho receio de colocar meus pés na rua, temo pelo que pode sobrevir contra as pessoas que amo, sofro com o que acontece no meu país em termos político, econômico e social. Mas constato, também, que não dá para viver assim! Por isso afirmo que, num mundo absurdo, a existência só se torna possível se crermos no Deus que é absurdo! Só a fé naquilo que é intangível e a convicção da existência de um amor que é inexplicável pode nos dar a capacidade de andar num caminho que é pura contradição. Como bem afirmou Tertuliano, pensador do segundo século da era cristã: “O Filho de Deus morreu, o que é crível justamente por ser inepto; e ressuscitou do sepulcro, o que é certo porque é impossível”. Com essas certezas, há um terreno onde a consciência pode descansar, pois no chão do coração passa a repousar a paz que viabiliza o ser. Assista a mensagem e se permita ser consolado pela paz que excede todo entendimento.


 

25 abril 2017

Se Não Tem Tu, Vai Tu Mesmo!



A sabedoria popular afirma que "é melhor viver só do que mal acompanhado", mas a realidade existencial, por vezes, revela o contrário, ou seja, é melhor viver mal acompanhado do que só. Aliás, Vinícius, o poetinha, afirmou certa feita, despudoradamente: “É melhor o amor que não compensa do que a solidão”.

Como pastor, estou acostumado a ouvir os dramas relacionais das pessoas, separações e crises conjugais fazem parte do meu cardápio cotidiano, além, obviamente, de novas relações que se estabelecem após estações outonais. Me parece, todavia, que a partir dos 40 anos fica mais difícil construir relações duradouras e qualitativas, a esmagadora maioria das pessoas chega a esta etapa da vida com, no mínimo, uma separação e um filho, o que, convenhamos, é uma dificuldade extra.

Recorrentemente, confesso, tenho me deparado com reclamações de que o “mercado” de solteiros é escasso e de baixa qualidade, os homens não querem nada sério e as mulheres preferem investir na profissão do que num novo casamento. A verdade é que vivemos no tempo dos “líquidos”, como afirmou Bauman, somos a sociedade da impermanência, nada sólido ou duradouro sobrevive aos nossos dias.

Diante deste contexto complexo, observo, também, que muita gente partiu para o que expõe, mais uma vez, a sabedoria popular, ou seja, “se não tem tu, vai tu mesmo!”. E assim, relacionamentos de alto risco se estabelecem, pessoas se juntam para aplacar suas carências, sejam elas sexuais, emocionais, e, não raro, financeiras. Ficar só não parece para estes uma boa opção, portanto, é melhor viver pela metade, do que amargar um final de semana de televisão e edredom.

Na verdade, o que percebo em tais arranjos é que, na esmagadora maioria dos casos, eles se revelam desastrosos em pouquíssimo tempo. A pessoa desarruma a vida inteira, às vezes desaloja filhos, muda de apartamento, realiza adaptações profissionais, tudo para tentar fazer caber o new love no espaço apertado que a alma dispõe. Todavia, como esse “Romeu” está mais para “Romero”, ou seja, não era bem isso o que eu desejava, em curto espaço de tempo os problemas se revelam maiores que a capacidade de administrá-los e aí, o desfecho final já está traçado, é só questão de oportunidade...

São muitos, portanto, os casos de pessoas que se entregaram a novas relações que acabaram por se constituir mais adoecedoras do que a que elas possuíam no passado. A tirania da solidão, um mal deste tempo, acaba obrigando o indivíduo a estar acompanhado a todo custo, ainda que essa companhia produza o que poetizou Cazuza – solidão a dois.

Estar só, imagino, é uma merda, pois não há nada melhor do que ter alguém para amar e dividir alegrias e tristezas da vida. Estar acompanhado de alguém que não lhe completa, contudo, parece-me algo ainda pior, pois além de impedir que alguém bacana chegue na antessala do coração, e nos arrebate o ser, faz-nos viver na melancolia do “quase”, ou seja, não é o que eu queria, mas é o que tem para hoje! Como bem disse Chico Buarque, em 1979, na canção “Sob Medida”: “Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus”. Só que não...

Carlos Moreira



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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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