Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

30 julho 2009

Olhando Fixamente no Espelho


Rosa Montero, em seu livro “Paixões: amores e desamores que mudaram a história”, faz uma interessante narrativa biográfica do Beatle John Lennon, de quem diz que aos 10 anos de idade “fazia coisas estranhas como olhar-se fixamente no espelho durante uma hora até seu rosto se decompor em imagens alucinantes”.

O Pastor americano David Fisher, citando Loren Mead, explica que a igreja, na melhor das hipóteses, está marginalizada e que algumas igrejas não enxergam essa realidade e funcionam como se nada estivesse acontecendo de errado, deixando assim de entender os tempos, mas apenas falando para si mesmas e, conseqüentemente, exercendo uma influência cada vez menor em seu mundo.

A esta altura você pode está se perguntando: que relação existe entre a Igreja evangélica e o excêntrico John Lennon ainda criança? Quase nenhuma, a não ser pelo fato de ambos terem o estranho hábito de ficar o tempo todo olhando fixamente para si mesmos! Sempre que olhamos insistentemente para nós mesmos, desenvolvemos atitudes egocêntricas e pueris. E, como acontecia com o famoso Beatle, as imagens vão paulatinamente se decompondo e formando figuras bizarras e alucinantes.

Além disso olhar apenas para si mesmo esquecendo os outros e o mundo ao nosso redor é uma atitude própria dos egocêntricos a quem Paulo chamou em Corinto de crianças espirituais (I Cor. 3:1). Pessoas e instituições egocêntricas estão preocupadas apenas com a satisfação dos seus desejos imediatos e totalmente alheias àquilo que lhes espera no futuro, motivo pelo qual se tornarão presas fáceis para os predadores espirituais.

Da mesma forma que Lennon, muito dado às bizarrices, via sua própria imagem se decompor no espelho, a Igreja evangélica brasileira, guardadas as dividas proporções, também começa a assistir o espetáculo escabroso e horrendo dos escândalos ministeriais, do desinteresse pelo culto (justificável, diga-se de passagem), da queda das contribuições financeiras e do marasmo hermenêutico e homilético dos sermões que não dizem nada.

Aliás, a palavra decomposição, gostemos disso ou não, expressa com grande realismo a situação da maior parte das instituições eclesiásticas do nosso país. Com raras exceções, a nossa prolongada conversa com o espelho tem decomposto (separado, desmembrado, dissolvido) aquilo que deveria estar unido em torno de Cristo; afinal de contas, foi ele mesmo quem disse que um reino dividido será devastado (Mat. 12:25).

É bom lembrar também que a decomposição é um estado posterior ao apodrecimento! E que, uma vez decomposta, a matéria, seja ela eclesiástica ou não, acaba unindo-se ao todo como se nunca tivesse existido. Estaríamos nós num estado posterior à própria podridão? Livre-nos Deus desse tão grande mal!

O que os líderes da Igreja evangélica brasileira estão fazendo para evitar o caos eclesiástico? Que medidas estão sendo tomadas para reverter esse processo de destruição acelerada da Igreja? Estão os pastores das igrejas empenhados em discutirem alternativas, ou continuam fazendo o papel da orquestra no convés do Titanic, que tocava “mais perto quero estar” para entreter as pessoas enquanto o navio estava afundando e levando pras profundezas os seus tripulantes?

André Pessoa

Desprogramando o Chip


Tornei-me um andarilho da fé... Minha experiência cristã é o recorte de muitos matizes, o resultado de um estranho sincretismo de doutrinas e denominações. Em duas décadas e meia, fui do Pentecostal ao Episcopal, com pit stop entre os Batistas e o pessoal da Comunidade Evangélica. Congreguei em 7 igrejas, estudei em 3 seminários teológicos, estive sob a autoridade de 5 pastores e 5 bispos, e, não me pergunte como, mais ainda continuo “crente”. É que a graça de Deus, irmão, é poderosa mesmo!

Tantas andanças me fizeram observar a vida cristã por ângulos bem distintos. Conheci gente de toda espécie: santos e “santarados”, bondosos e bandidos, piedosos e picaretas. Trabalhando na “obra”, vi de perto as “entranhas” do mundo institucional. Não é coisa boa não! A “máquina” funciona, por vezes, de maneira perversa. Conheço muita gente boa que, não suportando a realidade, ficou pelo caminho... Quanto a mim, se tinha alguma ingenuidade, perdi; decepções, já vivi; amizades, algumas desfiz; apenas com Jesus não me desiludi! Manter a boa fé e sã consciência é expressão da pura misericórdia do Senhor.

O fato é que nesse “asfalto da fé”, já gastei muita borracha. Como diz a música do Rebanhão, “ só faltei correr atrás de avião”! Já fiz evangelismo de porta em porta, em praça, no meio da rua, em hospital, na praia, tantos lugares que nem lembro mais... Toquei em igrejas de todo tipo, dezenas de denominações. Ministrei louvor em teatro, salão de festa, clube, colégio, ginásio, e até em cima de caminhão! Já preguei pra muita e pra pouca gente, para os “importantes”, e pessoas simples também, para os que queriam ouvir, e para os que não queriam. Preguei em catedrais, em templos pequenos, em casamentos, batizados, 15 anos, bodas de ouro e funerais. Já rodei este Brasil de Deus participando de congressos, seminários e campanhas de toda sorte. Conheci gente “famosa”, pastor de nome, ministro de louvor, pregador de multidões, conferencista internacional, tudo quanto é “figurão” do mundo eclesiástico... Por tudo isso, amigo, ganhei o direito de, ao menos, ser escutado. Portanto, me escute...

Na verdade, nem tudo são espinhos. No caminhar do caminho que se faz caminhando também experimentei muita coisa boa, momentos inesquecíveis... Tornei-me um sonhador incurável, um otimista por convicção, mas sem perder a capacidade de análise e o senso crítico. É que eu nunca gostei de camuflagem. Apaixonei-me pela minha mulher porque ela quase não usava maquiagem. Tudo me parecia mais real. O sábio afirma que “quem olha para fora sonha, mas quem olha para dentro, acorda”. Chegou então a hora de acordarmos para o que está acontecendo bem debaixo do nosso nariz...

Impressiona-me o cristianismo! Vivemos um momento pavoroso! O amor se dessignificou no coração das pessoas e, por conseguinte, em seus relacionamentos. A fé banalizou-se e perdeu o seu significado mais amplo, e a ética já não existe. A bondade e a piedade afastaram-se, em definitivo, do caminho dos que lotam os nossos templos, e a abnegação e o sacrifício são coisas do outro mundo, valores incompatíveis com as doutrinas vigentes. É um tempo de dores e de perdas. Muitos têm se tornado insensatos, insensíveis e, não raras vezes, insanos. Amargam existir para fora, sem valores e conteúdos. Suas almas não possuem singularidade nem altruísmo, são apenas labirintos de pulsões e medos, masmorras de solidão e de confusão.

Tenho comparado a espiritualidade dos nossos dias com um chip de celular. Você sabe o que é um chip? Trata-se de uma pecinha plana, de pouco mais de um centímetro quadrado, feito de um metal semicondutor de eletricidade, sobre o qual são implantados dezenas de milhões de transistores. Um chip é um microprocessador capaz de armazenar bilhões de dados. No caso dos celulares, por exemplo, “guarda” a sua agenda telefônica, compromissos, mensagens, e uma série de outras informações, conforme o tipo de cada aparelho. Tempos modernos...

Sem dúvida alguma, a maior vantagem do chip de celular é a sua portabilidade, ou seja, a possibilidade que o usuário tem de tirá-lo de um aparelho para colocá-lo em outro, sem que ele perca suas características originais. Esse benefício é muito útil para quem tem mais de um celular, de operadoras diferentes, pois a simples troca do chip permite manter os dados que se precisa sempre à mão, uma vez que as informações continuam ali gravadas.

Pois bem, a impressão que tenho, olhando para os “crentes” que estão nas igrejas, é que cada um deles carrega uma espécie de Chip-Sanctus implantado na consciência. O Chip-Sanctus é um programa institucional que já vem pré-formatado com todas as características básicas para o sujeito ser um “crente”. Ele contém, por exemplo, o glossário do fiel, com expressões do tipo: “paz do Senhor”, “glória a Deus”, “aleluia”, “tá amarrado”, “é de Deus”, e coisas do gênero. Além disso, possui também o módulo de doutrinas básicas, que vem com “arrependimento, fé, batismo, imposição de mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno”. Dependendo da “operadora”, ou seja, da denominação, o kit trás ainda “maldição hereditária, cura interior, prosperidade e possessão demoníaca”.

Outro benefício do produto que, me parece, é “instalado” no fiel assim que ele se “converte” a “igreja”, desculpe, melhor dizendo, a Jesus Cristo, é o mapa de pecados, um guia completo com o conjunto de reprimendas básicas da “fé cristã”. Nele você encontrará a lista dos “dez mais”, ou seja, transgressões usuais que devem ser evitadas a todo custo. A lista foi revista e atualizada para os nossos dias pois, além dos clássicos contidos nas “tábuas de Moisés” – “não adulterarás”, “não matarás”, e “não furtarás” – traz ainda o “não beberás”, “não dançarás” e “não fumarás”. Outras versões podem conter também o “não usarás calça jeans”, o “não te maquiarás” e o “não cortarás o cabelo”. Perfeito, não?!

Não morra de rir! É algo muito próximo a isso que está aí! Você, talvez, é que não esteja conseguindo olhar da forma correta, com um pouquinho de senso crítico! Igreja, nos nossos dias, parece mais com uma fábrica de Henry Ford do que com um local terapêutico, que sirva de ambiente para pacificação dos desencontros humanos. Criamos “casas de neuróticos” que se encarregam da produção em série de gente despersonalizada e descaracterizada. Impossível não lembrar de Nelson Rodrigues, quando afirma que “ toda unanimidade é burra”, ou de Antoine Motte, que expressa que “o tédio nasceu um dia da uniformidade”.

A impressão que tenho é que, em nossas igrejas, as pessoas não precisam mais pensar, nem ter autenticidade, não devem questionar nada, nem sentir medos ou contradições. É como se vestíssemos o disfarce-nosso-de-cada-dia, que produz uma espécie de “espiritualidade virtual”, que não existe no mundo real, mas que incorporamos todos os domingos antes de ir para o “culto”. Loucura! Isso não é Evangelho! É um estelionato da fé! Estamos comendo lixo, lambuzando os beiços, e achando que é pudim!

O tempo é curto, o espaço é pouco, mas a indignação é imensa... Deixe-me falar mais um pouco... É que ainda tem uma coisa curiosa no Chip-Sanctus que eu não falei: os diferentes tipos de planos. Já identifiquei, pelo menos, três: o básico, o intermediário e o avançado. O plano básico vem com as seguintes características: uma oferta por ano, trinta minutos de leitura da Bíblia por semestre, dez minutos de oração por mês e duas idas ao culto de domingo. Não desanime não, o intermediário é melhor! Ele não tem dízimo, mas possui ofertas esporádicas. O tempo de leitura aumenta, vai para trinta minutos mês e a oração chega a 5 minutos por dia. Tem ainda idas freqüentes aos cultos, com uma falta aqui, outra acolá, que ninguém é de ferro, e uma reunião semanal, podendo ser culto de vigília, doutrina, reunião de movimentos, etc.

Não satisfeito?! Gostaria de algo mais sofisticado, algo quase exclusivo? Calma, tem ainda o plano avançado, o topo da espiritualidade em nossos dias! O Chip-Sanctus, versão Gold, é o melhor do que se pode encontrar em termos de consciência do “fiel de igreja”. Ele vem com ofertas quase regulares, desde que o “devorador” se mantenha à distância, três leituras das Escrituras por semana, cada uma de 15 minutos, e orações diárias e sistemáticas, de 10 minutos cada. Tem ainda freqüência regular a todos os cultos, a escola dominical, a uma reunião semanal, além da participação assídua em um movimento de igreja. Fantástico! Além disso, no plano Gold, é possível o “cliente” estar aberto a experiências novas, como batismo no Espírito Santo, quebrantamento na adoração comunitária, confissão de pecados durante orações, ou até a experimentação de “coisas” mais profundas, como cura divina e libertação de vícios. É o máximo, não é não?

Ah, e não esqueçamos que algumas “operadoras” oferecem bônus para os que cumprem suas “obrigações” em seus planos de forma responsável e rotineira. Já vi promoções do tipo: “nesta semana: quebra de maldições na família, sessão de descarrego espiritual, eliminação de carmas e encostos, e exorcismo do capeta”. Pesquisando bem, com um pouco de paciência, você ainda poderá encontrar algumas coqueluches como: “profecias, cura divina e liberação de bênçãos espirituais: emprego, casamento e pagamento de dívidas”. É demais! Não dá para resistir!

Entretanto, semelhantemente ao que ocorre na telefonia celular, onde as operadoras disputam de forma acirradíssima o mercado consumidor, com as igrejas também acontece o mesmo. Como sabemos, no negócio das comunicações existem operadoras que não permitem a possibilidade de seu chip ser utilizado por uma outra, restringindo assim o enorme benefício da portabilidade. Há casos também onde o chip até pode ser transferido, mas o aparelho da nova operadora não permite a recepção do mesmo, seja por questões técnicas, seja por incompatibilidade de modelo.

Pois bem, no mundo eclesiástico, de igual modo, o Chip-Sanctum de um cristão da denominação “A”, raramente é compatível com o Chip-Sanctum de um cristão da denominação “B”. No caso de troca de denominação, ou o fiel joga fora o chip que já possuía e instala um outro, ou tenta fazer um up-grade, acrescentando ou retirando meia dúzia de “doutrinas” para ver se o chip passa a operar “normalmente”. Há casos, entretanto, em que a troca do chip de uma denominação para outra dá um “zebedeu” tão grande que, não raras vezes, o fiel passa, ou a ser considerado maluco, ou, em casos extremos, endemoninhado.

Não me leve a mal. Não estou ridicularizando coisa séria. Estou apenas usando o humor para que o assunto se torne um pouco mais palatável. É que a desgraça é grande, e eu sei do que estou falando! Da forma como coloquei, posso até ter lhe chocado, pois eu estou chocado faz tempo, mas, no fundo, meu desejo é apenas levá-lo a fazer uma reflexão séria e isenta sobre os pontos em questão.

É bem provável que uma meia dúzia de três ou quatro tenha sentido que estes planos são totalmente insuficientes. Sei que ainda existem pessoas que amam a Deus por quem Ele é, e não por aquilo que pode fazer. Gente que se santifica, que jejua e que gasta tempo diário com as Escrituras. Gente que ora o tempo todo, em todo tempo, que serve, sem se preocupar com ideologias, e que tem alegria com o pecador redimido. Esses são os que abrem a vida para ser cuidados, a casa para abençoar a outros, e ofertam, não só os bens, de forma generosa, mas também a própria vida, com sacrifícios, por vezes, da agenda, de projetos e planos. Sei, sim, ainda existe gente assim. Mas, na verdade, são tão poucos que não conseguem influenciar o resto da “massa que levedou”. Se eu sou um deles? Não, não sou. Mas estou querendo muito ser...

Conversando com um funcionário aqui do escritório, perguntei a ele se um chip pode ser “desprogramado”, ou seja, se há uma forma de você “zerar” o conteúdo que está ali gravado para poder reutilizá-lo de outra maneira. Pois bem, ele me respondeu que sim, que isso é possível, mas que não é nada fácil, pois é preciso conhecer bem o programa e ter o equipamento certo para realizar a tarefa. Depois que ele saiu de minha sala, fiquei pensando: se para desprogramar um chip de celular existe esse trabalho todo, imagine, então, o que deve ser tentar desprogramar um Chip-Sanctum! Haja sofrimento...

Foi aí que lembrei de Paulo... “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Rm. 12:2. Sim, se eu pudesse escrever o mesmo texto hoje, diria da seguinte forma: “não se conformem com o que vocês estão vendo! Antes, pelo contrário, troquem o chip e reescrevam na consciência as verdades do Reino. Se vocês fizerem isto, poderão experimentar verdadeiramente qual é plano que o Senhor tem para suas vidas”.

Deus pode, se desejarmos, desprogamar o nosso “chip interior” para remoldá-lo com um novo conjunto de valores, crenças e convicções a respeito da fé. Sim, se nos abrirmos para este propósito, a partir de uma releitura das Escrituras, sem os óculos da religião e os paradigmas das denominações, veremos que a liberdade de andar em fé, com o coração pacificado e cheio de significados para a existência, é muito melhor do que nos submetermos aos preceitos caducos do “chip velho”, que tem como único objetivo nos condicionar a viver uma espiritualidade sem preceitos e sem proveito, mas apenas, com muitos “pré-conceitos”.

Hoje, depois de tantas andanças, não dependo mais de “experiências de igreja” para seguir no caminho, mas apenas do relacionamento íntimo e gostoso com o Pai. Tenho desejado, ardentemente, reescrever minha história, de maneira coerente e conseqüente, pois, como muitos, também tive instalado na consciência um desses chips. Por conta dele, fiquei por muito tempo impregnado com o cheiro de morte da “religião”, ao invés de exalar o bom perfume da vida. Há alguns anos, todavia, perdi o bichinho, não sei nem como. Acho que ele se desprendeu de mim quando comecei a olhar mais para quem eu era, e menos para o que eu gostaria que os outros pensassem que eu fosse...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

29 julho 2009

O Fracasso do Sucesso


O economista Jeremy Rifkin, escritor do livro "O Fim dos Empregos" afirmou, há quase uma década, que o futuro do mercado de trabalho convencional, como até então se conhecia, estava com os dias contados. O fato devia-se a busca frenética, por parte das empresas, da expressiva redução dos custos de produção com vistas a tornar bens e serviços cada vez mais competitivos e lucrativos, o que só seria possível, com uma significativa eliminação de postos de trabalho. Infelizmente, ele tinha razão. O desemprego é hoje uma realidade global, sobretudo, em grande parte do continente europeu e nos países subdesenvolvidos do resto do mundo.

Foi dentro deste cenário, respaldado por autores consagrados como Philip Kotler e Jerome McCarthy, que surgiu o marketing pessoal. De forma simplista, trata-se da geração de ações promocionais de valorização pessoal que colocam o profissional no lugar certo, na hora certa, com vistas a proporcionar as organizações, ou pessoas para quem trabalhe satisfação plena e, para si mesmo, novas e constantes oportunidades.

Rapidamente ações de marketing pessoal tornaram-se uma “febre” no mercado. A tônica era a seguinte: você é um produto! Por isso, venda-se bem se quiser ser “consumido”. Para tornar o slogan marketeiro realidade, um sem número de ações passou a fazer parte da vida de profissionais e executivos, indo desde investimentos no network relacional, até aos cuidados com a higiene e a aparência.

Como sabemos, muito do que acontece no âmbito empresarial acaba sendo copiado, logo em seguida, pela igreja institucional. Com o marketing pessoal não foi diferente. O que tenho visto, no circuito da música, por exemplo, são “cantores gospel” gastando muito dinheiro na contratação de empresas especializadas para realizar, através de shows, a divulgação de “seus trabalhos”. Pastores estão, cada vez mais, atrás de fórmulas profissionais para promover “seus” próprios “ministérios”. Talvez estejam em busca de uma comunidade maior, melhor, e que lhes pague mais dinheiro. Observo “igrejas” atraindo pessoas, com eventos de prateleira feitos sob medida, como se elas fossem apenas “consumidoras” de produtos eclesiásticos, sempre com o objetivo de manter aquecido o rentável e maravilhoso “mercado da fé”.

Sobre este assunto, Karina Bellotti, professora, doutora em história cultural, que lançou um livro sobre o fenômeno do movimento evangélico brasileiro, fala em recente entrevista a uma revista secular, que “Desde os anos 1990, ser evangélico virou um evento midiático, que trouxe visibilidade a esse grupo social, e que atualmente vem passando também pela construção de um mercado consumidor de produtos...: música gospel, personagens infantis como Smilingüido, artistas que se converteram, etc.”.

Não desejo mais prosseguir com isso... Permita-me, apenas, ir as Escrituras. “Passadas estas coisas, Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer a Judéia, visto que os judeus procuravam matá-lo. Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos, estava próxima. Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. Jo. 7:1-4.

O contexto da passagem não requer grande exegese. Está claro que a própria família do Senhor não acreditava no Seu ministério, pelo menos, não do jeito que ele estava sendo conduzido. De fato, eles podiam ver as obras que Jesus realizava, mas isto, por si só, não era suficiente para “catapultá-lo” no “mercado da fé”. O problema, na minha ótica, residia em duas questões principais: (1) Ele não estava agradando boa parte do Seu público – “...visto que os judeus procuravam matá-lo”; e (2) Seus feitos não tinham grande visibilidade – “...se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. Fico pensando: será que a família de Jesus estava lendo Kotler?

Para mim, não é difícil entender porque eles estavam tão descontentes! A questão é que Jesus realizava o anti-marketing pessoal: trabalhava em silêncio e comportava-se com discrição. Não raras vezes exortou àqueles que foram curados para não declarar nada a ninguém. Sim, Ele tinha um propósito, e este não era agradar as pessoas e nem, muito menos, divulgar-se a Si mesmo – “...a minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”, Jo 4:34. A razão de Sua existência, como Deus-Homem, era executar uma missão que, aos olhos naturais, estava encoberta, mas, ao ser manifesta, revelaria com que grande amor Deus amou os humanos caídos.

Quero denunciar algo de forma profética: há um “espírito” enganoso pairando sobre todos nós! Ele intenta nos levar a cometer dois terríveis erros: pregar um “evangelho” que agrade as pessoas, e não o Evangelho que as leve ao arrependimento, mediante a ação soberana do Espírito Santo, e buscar a promoção de nossos próprios ministérios, como se de nós mesmos pudéssemos realizar algo, ao invés de promover o Reino de Deus e a Sua justiça.

Eu imagino que todos nós já lemos a carta de Tiago. Nela nos deparamos com a dura realidade de que somos tentados pelas nossas próprias cobiças. Esse desejo de auto-promoção não é coisa nova, mas, pelo contrário, sempre esteve presente na história humana e, não raras vezes, está exposto e patente na própria Escritura, para advertência nossa, imagino eu.

Permita-me lhe fazer uma pergunta e, se possível, responda-me com a máxima honestidade: você já foi tentando a utilizar o marketing pessoal no seu ministério? Não? Pois eu já fui! Aliás, ainda sou e, provavelmente, amanhã o serei. É minha fraqueza. Talvez, até, a de outros também. Mas a bíblia afirma: “o que confessa, se arrepende e deixa, alcançará misericórdia”. Eis, então, a minha pública confissão...

Já estou com mais de 40 anos; 42 para ser exato. O sentimento é o de quem chegou a metade da existência de mãos vazias. Como já disse em outros textos, aos 40 a gente se sente meio que no meio do nada. Instala-se dentro de nós, sem qualquer permissão, a famosa crise da meia idade, onde sofre-se pelo o que não se foi, e anseia-se pelo que não se pode ser.

Olho para o “meu” ministério achando que ele é meu. Sinto o tempo passando... Dá uma certa angústia... Muitos dos que caminhavam comigo, alguns dos quais eu mesmo discipulei, foram ordenados bem antes de mim e, portanto, já realizaram mais obras do que eu. O tempo não para... Indago-me: o que vou dizer ao Senhor? O que vou apresentar a Ele naquele último dia? Eu sei que a obra de Deus é no ser, não no fazer, pois fazer é sempre conseqüência do ser. Mas sinto uma agonia... Vem de dentro para fora. E o tempo devorando tudo... Minhas certezas viraram dúvidas; o que um dia foi chão, agora é só poeira; aquilo que me parecia alcançável, distanciou-se tanto, que já nem posso ver.

Na minha arrogância, fico pensando: tanto potencial, com tão pouca utilização. Que grande desperdício! Inquieto-me. Preciso fazer algo, mostrar ao mundo que eu estou aqui, pronto, e à disposição. Eu poderia estar escrevendo livros, artigos para revistas, poderia estar pregando em congressos ou gravando CD’s. Queria viajar, abrir Igrejas, ir para a TV, fazer isso, aquilo e aquilo outro... Aí vêm os questionamentos: "a quem estou querendo promover? Com que propósito eu fui ordenado? Que ministério é este que Deus me deu?" Em seguida, reflito comigo mesmo: "isto está me fazendo mais mal do que bem". E é no meio desta contradição que ouço a voz suave do Espírito: “eu te atraí com cordas humanas, com laços de amor; sou para ti como quem alivia o jugo...”.

Num mundo feito para os campeões, como disse o Gondim, eu sei que sou apenas um “perdedor”. Queria chegar ao lugar mais alto do pódio, mas sinto-me como quem está afundado num tremedal de lama. Ó, Senhor, livra a minha alma! Não me permita sucumbir em meus próprios devaneios. Livra-me, Senhor, de mim mesmo! Salva-me dos meus próprios planos! Ajuda-me a ser como João Batista, que desejava te ver crescer, ainda que, para tal, ele tivesse que diminuir. Contudo, eu Ti confesso: como é difícil fazer a Tua vontade...

Quero compartilhar o que, a duras penas, tenho aprendido: há um tipo de sucesso que nada mais é do que fracasso, pois é na humilhação do ser que Deus é exaltado. Vivo dias em que o Senhor está arrazoando comigo. Sim, Ele me chamou, exatamente como fez com Jó, para uma conversa franca e aberta sobre os segredos do coração e os propósitos da existência. É inevitável não lembrar de Jeremias: “esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor”. Sim, Pai, deixe-me retornar. Quero voltar ao primeiro amor. Permita-me, apenas, promover o Teu Reino, pregar a Tua mensagem e engrandecer o Teu nome. Não seria isso bastante para mim?

Lembrei-me, também, de Filipe... Sim, Filipe, o diácono que deixou o avivamento de Samaria para pregar a um eunuco solitário, no meio do deserto. Já pensou que coisa mais maluca? Sair do meio da multidão para ir para o nada! Gente se convertendo, milagres acontecendo e, cadê o Filipe? Sumiu! Logo agora? No meio deste evangelismo de impacto? Trio elétrico tocando, ministério de dança, teatro, pregação de cura, libertação e, cadê o homem? Foi pregar para o eunuco! Que eunuco? Onde? Por quê? Que loucura é esta mensagem da cruz! Quão insondáveis são os caminhos desse Deus que ama os perdidos.

“A minha graça te basta, pois o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Eis onde está a minha esperança! Sucesso, sem Deus, é fracasso; vitória, sem Deus, é derrota; alegria, sem Deus, é tristeza; riqueza, sem Deus, é miséria. Obrigado, Senhor, porque um dia Tu me chamaste das trevas para a luz. Sim, Pai, muito obrigado porque me destes um motivo para viver, um propósito para existir e uma mensagem para pregar. Tudo é Teu! Tudo veio de Ti, e para Ti voltará. Por isso, Sole Deo Gloria!

Meus amigos de jornada, para mim chegou o momento de abandonar a teoria, pois está mais do que na hora de caminhar no caminho, e não apenas falar dele. No final, eu sei, permanecerá apenas a fé, a esperança e o amor. Tudo o mais passará, até mesmo a vida.

Portanto, Senhor, minha oração é que Tu me dês força para os braços e pernas, para que eu possa Ti servir com alegria, reverência para que o coração seja sempre agradecido, pacificado na graça, e um espírito manso, humilde e quebrantado, para fazer hoje, amanhã, e enquanto em mim houver fôlego de vida, a Tua vontade. E que, para tal, Tu me concedas a nobreza de aceitar ser aquilo que desejas, e não aquilo que eu quero ser...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

A Marca da Besta


É com revolta que vejo o que está acontecendo com aqueles que governam o nosso país. Com tristeza constato que a nossa nação elegeu a impunidade como regra e a improbidade como lema, ambas ervas daninhas que se proliferam, sobretudo, em ambientes onde há a perda da capacidade reflexiva e, por conseguinte, da deliberação em prol do que é ético, justo e bom.

Em 2010 estamos fadados a participar do triste espetáculo que será a campanha eleitoral, a qual promete, e promete muito. Os partidos travarão, sem dúvida alguma, uma luta acirrada, sobretudo, porque sobra “munição”. Por isso é bom estarmos preparados para o festival de baixarias que vem por aí...

Surpresas? Ainda? Talvez. A última, quem diria, veio do PT. A queda vertiginosa da estrela do Partido dos Trabalhadores, que despencou dos “pícaros da glória” e vem se desintegrando como se fosse um meteorito entrando na atmosfera, surpreendeu não só os mais de 50,0 milhões de eleitores, que votaram na legenda, mas também a sua própria militância, historicamente engajada e responsável. A “marca” PT, que era sinônimo de austeridade e honestidade, está hoje associada à corrupção.

Infelizmente, ou felizmente, surgiu diante de nossos olhos às “vísceras” de um engenhoso sistema político-econômico que, administrado por gente influente do governo e do setor privado, alimentou toda uma máquina de crimes que funcionava a base de superfaturamento, caixa dois e lavagem de dinheiro, o que caracterizou o esquema como um dos maiores de todos os tempos em termos de ilicitudes.

Diante de tudo isto o que nos restou foi a triste melancolia do fim de um sonho – Lula lá! Sucumbe com ele o que ainda nos restava de ingenuidade. Índice de aprovação baseado na esmagadora maioria de miseráveis mantidos pela "ração" do Bolsa Família é algo só para "gringo" ver... Se a esperança é a última que morre, talvez, então, seja bom começar a pensarmos no seu funeral.

Todavia, e é importante que se diga, esse sistema evocado pelo PT não traz nada de novo. Enganam-se os que assim pensam. Na verdade, ele é filhote de um outro, muito maior e mais abrangente, e que, de forma semelhante, se alimenta dos mesmos insumos: ganância, inveja, mentira, maldade, exploração, astúcia, vaidade e tudo o mais que se chama pecado, e que, de forma inexorável, atua como “princípio metabólico” na alma de todo o ser humano.

Pois bem, foi pensando nisto, e na “marca” do PT, que eu acabei lembrando de uma outra marca, a “marca da besta”, aquela que aparece descrita no livro de Apocalipse: “a todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis”. Ap. 13:16-18.

Deixe-me dizer, antes de qualquer coisa e, sobretudo, para evitar a pichação de herege, que nem eu creio que o PT represente um “sinal apocalíptico”, mesmo levando-se em consideração toda a “destruição” que causou, nem muito menos que o Lula seja o anti-Cristo. Isso, então, seria ridículo! Estou fazendo este esclarecimento para evitar que, amanhã, meu texto seja usado de forma indevida, ou seja, fora de seu próprio contexto.

Posto isto, voltemos à Apocalipse 13. Ouso afirmar que aí está uma das mais polêmicas passagens das Escrituras Sagradas. Sobre ela já li e ouvi quase todo tipo de interpretação, desde as bizarras, passando pelas absurdas, e chegando, em alguns casos, as hilárias. Na verdade, raríssimos são os escritos sobre esse tema que são sérios e centrados.

Só para você ter uma idéia, a “marca da besta” já foi atribuída às tatuagens, ao código de barras, aos cartões de crédito, e, hoje, está sendo associada à um chip eletrônico, que pode ser introduzido de forma subcutânea no organismo, com o objetivo de repassar informações de uma pessoa para um computador. Será que agora não seria ela?

De fato, não sei, e, sinceramente, quero fugir dessa discussão. Ficarei distante, inclusive, de comentários exegéticos mais aprofundados sobre o texto. Isto fica para outra oportunidade. Neste momento, desejo apenas suscitar uma reflexão quanto ao que, indubitavelmente para mim, tem maior significado e aplicação, ou seja, que a chancela – “marca da besta” – trás associada a si, dentre outras coisas, um poderoso sistema de valores e princípios que pode incorporar-se ao proceder dos homens sobre a terra.

Se olharmos para Apocalipse 13, como pessoas normais, e não como ghostbusters (caçadores de fantasmas), veremos certamente menos mistérios do que pareça ali existir e, sendo assim, teremos a opção de desviar nossa atenção para aquilo que pode dar ao texto maior significado para o aqui, e o agora.

Como ponto de partida, vamos pensar o seguinte: o que é a “marca da besta”? Seria apenas um logotipo que identifica quem se associou, deliberadamente, ao diabo? Talvez isso seja muito religioso. Quem sabe, então, um instrumento de inclusão/exclusão social que acabará por criar o grupo dos “sem-marca”? Não sei... Parece político demais. Que tal algo mais subliminar e, aparentemente inócuo: administrar, através do uso de uma tecnologia seletiva, os negócios de pessoas e empresas para ter, sobre elas, controle? Ainda tenho dúvidas... Mesmo sendo a versão mais aceita, parece ter um viés excessivamente econômico.

Mas, vamos lá: se o significado for esse último, qual seria sua aplicação imediata? Separar, através de critérios financeiros, os “escolhidos” dos “não escolhidos”? E, se for assim, quem optar em permanecer no “sistema” vai para o inferno? E quem não optar, vai fazer o quê? Vai sobreviver como? Saindo do mundo?

Na verdade, não tenho respostas para nenhuma destas perguntas, pois não sou mago, mas apenas profeta. Entretanto, fico feliz em saber que tudo isto ainda está muito longe de nós, uma vez que só se processará no “tempo do fim”. Apenas ali é que a “marca da besta” será imposta aos homens como escolha existencial que determinará a sua “sorte” sobre a terra. Será...?

No meu entendimento, a interpretação do texto deve ser aplicada para o “dia chamado hoje”, pois, sendo o mesmo uma chave hermenêutica, pode me ajudar no caminho que estou construindo com Deus, entre os homens. Desta forma, a ótica da minha análise passa a ser completamente diferente.

Em primeiro lugar, diferente porque não creio que a “marca da besta” seja algo que se manifestará apenas no tempo chamado de fim, antes, pelo contrário, que atua desde sempre, ou seja, é atemporal. Por isso, acredito que João, na verdade, ao escrever-nos a carta na Ilha de Patmos, revelou-nos não só o que estava por acontecer, mas, sobretudo, o que já operava claramente nos seus próprios dias.

Em segundo lugar, não creio que a “marca da besta” esteja apenas confinada a um determinado “evento” – no caso, comprar e vender – mas a toda produção humana baseada em um conjunto de valores e princípios que são contrários a Deus. Desta forma, afirmo que a “marca” diz respeito a algo muito mais amplo, ou seja, a um modus operandis que nos revela como “as trevas”, de forma concreta, atua neste mundo caído.

Em terceiro e último lugar, não creio que a “marca da besta” seja algo seletivo do ponto de vista pessoal, mas, pelo contrário, que é impessoal, podendo aplicar-se a qualquer um, ou seja, “a todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos...” a partir de suas próprias escolhas e ações. Assim, o que faz com que a “marca” se fixe como tatuagem não apenas na pele, mas, sobretudo, na alma e no coração, é a sistematização de um proceder que é contrário aos pressupostos do Reino de Deus.

Pois bem, foi utilizando a premissa que impõe, para o futuro, a “marca da besta” àqueles que desejam continuar com suas atividades econômicas que consegui identificar que, no presente, o mesmo “princípio” opera também, e livremente, em muitas das práticas vigentes, sobretudo naquilo que não carrega em si mesmo o peso de pecados que são considerados “capitais”, e por isso, chamam menos a nossa atenção.

Desta forma, a “marca da besta” pode se revelar, por exemplo, na compra de um CD ou DVD “pirata”, feita na “loja da rua”, onde, pelos menos, dois crimes ignorados estão qualificados: o de violação de direitos autorais e o de sonegação fiscal.

Ela também aparece quando o imposto de renda é sonegado, ou extraindo-se dele coisas, ou acrescentando-se. Está naquele recibo forjado, comprado do médico, do dentista ou do advogado, para que se possa reverter uma situação desfavorável, ou mesmo aumentar vantagens já obtidas.

Podemos encontrá-la ainda no “caixa dois”, prática comum não apenas no desacreditado PT, mas na grande maioria das empresas deste país. Aliás, o próprio Presidente da República disse que, em se tratando de partidos políticos, o “método” era a prática vigente, ainda que velada.

Sem grandes esforços, veremos a “marca da besta” nas operações de compra/venda, como também viu o apóstolo João. Ela está na nota fiscal subfaturada, que registra metade dos produtos adquiridos, com metade do valor a ser pago, e, por conseguinte, metade do imposto a recolher. Ou pode ainda está na própria inexistência da mesma, pois é bem provável que você já tenha ouvido a expressão: “é com nota ou sem nota?”.

Vejo a “marca da besta” no suborno do guarda de trânsito, na não assinatura da carteira de trabalho da empregada doméstica, no negócio que funciona sem licença da prefeitura, no software que não está legalizado, e em tantas outras coisas que poderia fazer um livro sobre “as práticas não evangélicas dos santos evangélicos”.

Agora, me responda, honestamente: em tudo que citei, ou no que deixei de citar, mas você pensou/lembrou, está ou não está presente a “marca da besta”? Fica ou não patente um sistema de valores e princípios que depõe contra tudo aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama?

E se é assim, diante deste contexto mais amplo, resta-nos apenas três opções: 1) fazer de contas que estas práticas não têm maiores significados e desdobramentos; 2) racionalizar a aplicação do texto bíblico com sistematizações e interpretações teológicas; ou 3) olhar para a vida com desejo verdadeiro de que esta “marca” não se instale em nós: nem naquilo que fazemos e nem, muito menos, naquilo que somos.

Se escolhermos o cinismo, para mascarar práticas lesivas, estaremos corroborando com boa parte dos políticos e governantes do nosso país, os quais preferem sempre varrer a sujeira para "debaixo do tapete". O pior de tudo, é que isso certamente nos associará à “doutrina dos fariseus”, aquela que vive de coar o mosquito e engolir o camelo.

Se formos para o terreno das interpretações, corremos o risco de chegar a lugar algum, pois boa parte dos teólogos discute esses temas há anos sem chegar, contudo, a qualquer conclusão, pois parecem aprender sempre e não entender jamais. Podemos, sim, é “ficar presos” à retórica, aguardando a “luz da revelação” para nos deliberarmos a agir. Lembre-se que é daí que surgem teorias como a dos dispensacionalistas, dos pré-, a-, e pós-milenistas, dos pré-, a-, e pós-tribulacionistas, daqueles que vivem para averiguar tempos, datas, códigos e números.

Mas nós podemos, a partir de uma análise mais simples, com sinceridade, contrição e arrependimento, confessar ao Senhor que temos andado por maus caminhos. Podemos dizer-Lhe que não queremos fazer parte deste sistema caído, desta máquina que nos empurra para a morte, ao invés de nos escondermos atrás de escusas do tipo: “se eu não fizer assim não vou conseguir sobreviver”.

Meu medo é que por trás de tudo isto esteja escondido um grande engodo, ou seja, que os nossos atos no presente, os quais ferem princípios e valores de Deus, não trazem conseqüências maiores para o ser. Entretanto, baseado no mesmo padrão de comportamento, o qual, estranhamente, não se aplica ao “tempo do hoje”, mas, apenas, ao “tempo do fim”, todos nós estaríamos condenados, e de forma irremediável, ao julgo de satanás e ao inferno de fogo.

Se você me perguntar se eu creio no que diz Apocalipse 13, sobre a marca e o número da besta, eu lhe direi: certamente! Creio que no final dos tempos muito do que se processou nos dias de João voltará a acontecer, pois os “ambientes proféticos” são cíclicos e podem, por assim dizer, repetir-se de tempos em tempos.

Entretanto, há coisas ocultas que jamais serão esclarecidas a não ser que o Senhor as queira revelar para nós. Por isso, atendo-me mais ao “Espírito da letra”, do que a “letra” propriamente dita, acredito não precisar circunscrever “a marca da besta” apenas ao final dos tempos, uma vez que, para mim, ela já opera como princípio-sistema desde os primórdios, ou seja, já estava presente nos dias de Caim, que recebeu na fronte uma “marca” que atestava, dentre outras coisas, que nele operava um instinto homicida.

Minha oração é para que o Senhor nos livre HOJE da “marca da besta”, e nos ajude a ter apenas a Sua marca, aquela que nos foi atribuída pelo precioso Sangue da Aliança, o qual foi derramado pelo sacrifício do Cordeiro eterno, antes mesmo de existirem homens sobre a Terra. A Ele, que nos transportou do império-sistema-das trevas para o Reino do Filho do Seu amor, seja o louvor e a adoração pelos séculos sem fim.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

Mais Lidos

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More