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05 janeiro 2011

Um Certo Dia Chamado Hoje



"Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta da mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de desperdiçado". Não tenho dúvida, a frase de Riminaldo é a mais pura verdade.


Eis aí um tema que sempre atraiu a atenção do ser dito racional: o tempo. Queremos conhecê-lo e diagnosticá-lo para podermos dar dimensões mais amplas ao desenvolvimento da nossa existência. A Filosofia ensina-nos que ele é um fluir constante, uma sucessão ininterrupta na qual todas as coisas nascem, existem e morrem. Ele é fatalmente irreversível; nenhum esforço humano o pode deter, retardar ou acelerar. Tudo, com movimento perpétuo, passa e vai passando.


Que mundo este em que nós vivemos... Dias curtos demais, horas curtas demais. Falta-nos tempo. As pessoas correm de um lado para outro, precisam aproveitar o tempo. Todas estão sempre atrasadas, é um problema esta falta de tempo. “Desculpe, mas se não for agora posso perder um negócio, não tenho tempo. Ah, talvez amanhã, hoje estou indo para a aula, não tenho tempo. Filho, mais tarde, agora o papai está sem tempo. Ligue outro dia, agora ela está ocupada, está sem tempo. Estou quase chegando, fiquei presa no trânsito, ainda tenho tempo?”. Por isso, já dizia Nicolas Boileau: “depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim”. 


E o poeta afirma “hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir, e não há tempo que volte amor, vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir”. Se não podemos conter o tempo, então o que fazer para se aproveitar a vida? Ouso afirmar algo: a coisa mais importante que possuímos é o dia de hoje. O dia de hoje, mesmo estando entre o ontem e o amanhã, deve merecer nossa total prioridade. Só hoje podemos ser felizes; o amanhã ainda não chegou e já é muito tarde para ser feliz ontem. A grande maioria das dores humanas é fruto dos restos do ontem ou dos medos do amanhã. Vivamos o dia de hoje, com sabedoria e prudência. Decidamos agora como gastaremos cada minuto.


Por isso, Carpe Diem – aproveite o dia, curta a vida, aproveite o momento. A frase famosa de Horácio, filósofo que viveu entre 688 a.C, conhecido como o poeta da festa, uma das colunas da Literatura Ocidental e um dos maiores poetas líricos de todos os tempos, parece querer nos ensinar a viver de modo diferente.


Gosto do sábio do Eclesiastes. Ele nos ensina, no capítulo 3, que há tempo para tudo. Será mesmo? Poderia ele fazer a mesma afirmação nos dias em que vivemos? Entenderia ele o caos ao qual estamos submetidos? Suportaria os sinais de trânsito, carros buzinando, motos correndo, engarrafamentos, asfalto fumegante, arranha-céus, concreto, viadutos, metrô, ônibus lotado, fumaça, luzes piscando, gente correndo, e haja compromissos, agendas intermináveis... Quem pode sobreviver a tudo isso?


Transportei os dizeres do sábio para tentar nos aquietar o coração. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz”. Ec. 3:1-8


Voa tempo, voa. Vai devorando tudo o que encontras pela frente, rouba nossos sonhos, desconstrói nossos planos, traze-nos de volta a realidade dura, fria, crua da vida. Voa tempo, leva nosso sorriso, o brilho de nosso olhar, o dia alegre que durou tão pouco, o passeio no parque, a tarde junto ao lago, o beijo eternizado, o olhar trocado, o abraço apertado, a mão que afaga. Voa tempo, leva nossas memórias, as poucas lembranças que ainda restaram, apaga tudo, transforma a festa em cinzas e a luz em escruidade. Voa tempo, voa...


E assim se vai mais um dia, pois assim se foi mais um ano... O tempo passou, nada voltará atrás, nem tornará a ser como antes... Ai de quem vive de lembranças, vagará pela vida com sonhos que jamais se materializarão novamente. Ai de quem sente saudades de um tempo que não voltará nunca mais, está sentenciado a existir baseado em sentimentos e fragmentos. Bem disse Caetano Veloso, “e o meu coração embora finja fazer mil viagens, fica batendo parado naquela estação”. 

Agora compreendo que não é a toa que Paulo nos ensina: "hoje é o dia sobremodo oportuno, hoje é o dia da salvação". É que o apóstolo entendia sobre esse apetite do tempo em querer devorar todas as coisas...

Carlos Moreira

1 comentários:

Meu irmão.Gostaria muito que você nos ajudasse publicando aqui a petição publica com o respectivo abaixo assinado contra a distribuição do que estão chamando de kit gay. Só um post e por algumas horas é o que pedimos. Segue o link da petição, o texto pode ficar a seu critério ou se preferir pode copiar o meu.Não precisa mencionar crédito.Não estou preocupado em auto-promoção. A idéia é que seus leitores tenham a oportunidade de se manifestar. te agradeço desde já no grande amor de Cristo. Vamos lutar pela família brasileira. Paz!
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=PROL

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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