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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

11 fevereiro 2016

Transar ou não transar?



Transar ou não transar? Essa é uma pergunta que me chega todos os dias... Ao invés de se enfrentar o problema, que, na verdade, não é problema, é impulso natural do corpo de ordem fisiológica e psicológica, a religião tenta achar suas “vias sacras” para lidar com a questão através de preceitos morais.

Diante disso, há sempre indivíduos mais ortodoxos que me dizem: “eu escolhi esperar!”. Sim, mas, até quando? A esmagadora maioria que tenta reprimir aquilo que é da ordem e dos fluxos da vida, fica doente. Sim, doente de alma, pois tudo o que produz mordaça no ser vaza por outras vias, seja em taras, em pulsões, seja em somatizações, em desvios traumáticos de conduta, em atitudes histéricas, e por aí vai...

Já cansei de aconselhar “meninos” e “meninas” que estão se castrando para o sexo que se viciaram em pornografia, ou se entregaram a experimentações bizarras, que, na tentativa de sublimar o desejo, enveredaram pela via da oração e do jejum como se isso fosse o “pó de pirlimpimpim” que vai arrefecer o fogo das paixões.

Ora, qualquer um que seja sério irá concordar comigo que este não é o caminho, pois é pela via da pacificação e da liberdade da consciência que a saúde do corpo aflora no chão dos dias.

Fazer o quê, então? Mandar a meninada transar? Bem, é melhor um jovem transando com uma namorada a quem ama ou fazendo programa e pagando para ter sexo com prostitutas, viciado em pornografia de internet, cheio de libido e tesão comprimido, impossibilitado até de andar no ônibus sem se excitar no esfrega-esfrega? É possível desconsiderar este tempo, essa sociedade erotizada na qual vivemos, e jogar sobre a garotada toda a nossa carga hipócrita de “santidade” relacional? Formiga no formigueiro dos outros é refresco...

Mas a religião acha melhor o indivíduo com uma aparência impecável mesmo que sua alma, desconfigurada, seja um jazigo de elucubrações as mais impensáveis! Parecer, para eles, é melhor do que ser... Assim, só há um jeito de lidar com o tema: trazer tudo a luz e a verdade!

Estou, portanto, mandando todo mundo transar e fazer o que quiser? Bem, as escolhas na existência sempre trazem suas consequências, e cada um deve avaliar o seu próprio caminhar debaixo do sol. Para os simples de coração, todavia, o que está dito, está dito. É que eu não estou disposto, a esta altura, a não enfrentar um tema porque ele é polêmico. Eu não tenho satisfações a dar que não seja a mim mesmo e àquele que me disse: "haja luz!".



Carlos Moreira

05 fevereiro 2016

Até que a Morte nos Separe... Só que Não!




Casamento é tema recorrente no aconselhamento pastoral: traição, separação, finanças, mesmice, os dramas se repetem e cansa ter de dizer, sempre, as mesmas coisas...

É difícil falar de casamento, sobretudo, para quem não está casado, e aqui digo casado não me referindo a quem acha que casamento é altar e cartório, ou seja, cumprir liturgias e rituais da Igreja e do Estado e viver na aridez, mas aos que se encharcaram de amor, os que penetraram não apenas o corpo do outro, mas os que invadiram alma e chegaram até o espírito!

Deixe eu lhe dizer uma coisa com a autoridade de quem está casado há 25 anos: casamento tem crise e, se não tiver, ele é a crise, pois a relação gangrenou e você não se apercebeu porque, provavelmente, já não se importa mais com o outro. Dependendo do que se carregue no coração, viver na mesma casa, dormir na mesma cama, comer na mesma mesa e fazer sexo com a mesma pessoa não é atestado de saúde conjugal, mas de esclerose relacional!

Eu sei que anos de convívio vão impor desafios hercúleos à relação: superar pequenas diferenças – que ficaram grandes, vencer a mesmice, reapimentar o sexo, cultivar o carinho, mas é fato que, mesmo com todo esforço, por vezes, o casamento acaba! Sem esforço, então, já nasce morto, dura de dois meses a dois anos, no máximo.

Portanto, um casamento acabar não é o fim do mundo, não obstante ser uma das maiores dores que um ser humano pode enfrentar, mas o problema, mesmo, é ele acabar sem acabar, ou seja, é você manter-se “casado” por causa do patrimônio, dos filhos, pela preguiça de separar, ou por questões religiosas. Aí, sim, é o fim!

Casamento acabado que não acabou é um horror, é como manter o vovô, morto, na sala de estar da casa, em estado de putrefação, degenerando-se lentamente na presença da família. Sim, óbvio, todos percebem: seus filhos – principalmente, os funcionários, os vizinhos, até o cachorro! E você ali, firme, como o capitão do Titanic, afunda com o barco, mas não perde a pose, e ainda mantém seu orgulho idiotado de poder afirmar que está casado, com a mesma mulher, há trocentos anos. E viva a hipocrisia!

Mas nada é mais bizarro do que casamento de crente que acabou e não acabou. Sim, é triste ver como as pessoas podem ser sequestradas de mente e alma pela religião, como um dogma aplicado de forma perversa sobre a existência castra sonhos e arrasa corações. E o sujeito-homem, defensor da moral e dos bons costumes, da indissolubilidade do matrimônio, do meio de sua amargura asfixiante, reza todo dia para a mulher cometer adultério – o que lhe daria a prerrogativa “legal” para a separação, ou que Deus leve sua “amada” para junto de Si, de tal forma que, pela via da viuvez, a vida possa, enfim, ser refeita.

Não sou dos que advogam o divórcio por qualquer idiotice, muito menos acredito em relações frívolas, mas creio que, por vezes, amputar o membro é melhor do que perder o corpo inteiro por septicemia. No que tange ao divórcio, Jesus afirmou: “Não foi assim desde o princípio...”, alertando-nos que, o melhor de Deus é casar e manter-se casado, mas, num mundo caído, onde nascem “cardos e abrolhos”, a vida é como pode ser, não como deveria ser, portanto, na falta de escolha, escolha o mal menor!

E assim, digo, com toda a responsabilidade que carrego, se teu casamento te faz pecar, corta-o e arranca-o fora, pois é melhor entrares divorciado e casado novamente no Reino de Deus, do que casado uma única vez, em meio a uma relação fraudulenta e cheia de perversidade piedosa, viveres, já aqui, no inferno da tua alma e, ao depois, na eternidade, quem sabe onde?

© 2016 Carlos Moreira

03 fevereiro 2016

O Diabo Veste Prada




O Velho Testamento fala no diabo 35 vezes, aproximadamente. O Novo Testamento, por assim dizer, cita-o 7 vezes mais, cerca de 140 ocorrências e isso certamente por influência das crenças persas e gregas que moldaram a cultura de certo período do mundo antigo.

Na verdade, o diabo foi se tornando mais glamoroso à medida que o pensamento humano foi evoluindo, ele foi se desenvolvendo tanto mais as percepções e inquietações dos indivíduos se adensaram. O terreno onde o diabo mais cresce é na mente das pessoas, onde há medo, angústia e ansiedade, há também ambiência fértil para que o diabo se “materialize”.

Portanto, é o homem que faz o diabo a imagem e semelhança do que pior existe em si mesmo e esse diabo varia de acordo com os "diabos" que estão dentro dele! Assim, o diabo do homem é do tamanho de sua culpa e é por isso que gente perdoada, que bebeu nas fontes da misericórdia, não tem medo nem de diabos nem de assombrações.

Eu não nego a existência do mal, nem tão pouco a de Satanás, mas não acredito em quase nada que lhe é atribuído pela religião. Esse diabo de "igreja" é por demais caricato, é o diabo de Dante Alighieri – do Inferno de Dante – um ser bestializado sob medida para assustar gente tola.

O diabo, mesmo, é muito mais sofisticado e sutil e, por isso, tão mais perigoso. A Escritura não se refere a ele com chifres e tridentes, mas como anjo de luz! Sim, tem gente que se assustaria se visse o diabo como ele é, não de medo, mas de estupefação!

Cristãos que imaginam que o diabo está distante, despachando no inferno, se enganam redondamente. O diabo, acredite, está sentado nos bancos de suas igrejolas, dando risada das aloprações que presencia, se deliciando com tanta ingenuidade e meninice...


Carlos Moreira

28 janeiro 2016

O Jejum que Alimenta o Coração

O jejum, no meio evangélico, é uma espécie de “Espinafre do Popeye”, o sujeito faz uso dele como um suplemento espiritual com vistas a se fortalecer, tornar-se mais ungido, mas destemido na sua luta contra o diabo, é algo travestido de sobrenaturalidade, não obstante não passe de uma prática supersticiosa e vazia. O Jejum de Jesus, por outro lado, foi feito como preparação para a oferta de si mesmo ao mundo, portanto, correlatamente, ele deve ser algo que aguça a consciência e fortalece o coração para a ação solidária e generosa com o outro no chão da vida. O jejum tem, sim, esse poder de nos mover para fora de nós mesmos, ele leva a fixar o olhar para o que está no entorno, para as realidades dramáticas que nos cercam, como a dor, a miséria e a injustiça contra aquele que é nosso igual. Isaías, no capítulo 58, já advertia a Nação de Israel quanto a esse jejum ascético, auto-indulgente e meritório, que visa fazer chantagem emocional com a divindade com vistas a tirar proveitos dela. Já ali, numa sociedade experimentando um desequilíbrio social grave, há a denúncia do abandono dos pobres em detrimento do exercício de uma espiritualidade oca, que imaginava que Deus desejava que o abastado se privasse de pão por um ou dois dias, enquanto o faminto agonizava sem ter o que comer. O único jejum que agrada a Deus é aquele que você faz para o benefício do outro, um jejum que remove a lepra da alma para torná-la sensível ao sofrimento humano, o jejum que traz algum proveito alimenta o coração de solidariedade, move mãos e pés na direção dos indigentes da terra, dos esquecidos e soterrados sem qualquer esperança. Assista a esta mensagem e mude, para sempre, sua forma de jejuar!




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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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