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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

01 agosto 2011

Esperando Contra a Esperança



Assista a mensagem em vídeo "Esperando Contra a Esperança", publicada na seção acima "Mens. em Vídeo". Ela foi pregada no dia 31 de julho de 2011 na Catedral da Trindade em Recife. O poeta chileno Pablo Neruda afirma que "Sofre mais aquele que espera sempre do que aquele que nunca esperou ninguém". Aprender a Esperar é coisa difícil para o ser humano, pois há circunstâncias em que Deus parece estar atrasado em nos responder. Aprenda nesta mensagem sobre princípios que podem te ajudar a esperar sem desanimar nem perder de vista a esperança e a fé. Clique aqui para assistir: http://anovacristandade.blogspot.com/p/mensagens-em-video.html


Carlos Moreira

24 julho 2011

Respeito é Bom e Eu Gosto



“Estes são os meus princípios! Se você não gostar deles, eu tenho outros...”.
Groucho Marx.

Daqui a alguns meses vou completar 25 anos de profissão, todos eles atrelados ao mercado de Tecnologia da Informação. Comecei digitando cheques em um banco e hoje sou um executivo, sócio de uma empresa de desenvolvimento de software.

Se há uma coisa que aprendi nestes anos é que, em se tratando de negócios, pelo menos neste País, tudo é possível. O mercado tem suas próprias “regras” e, a mais importante delas, é que não existe regra para nada. Eu sei que temos Legislação, Judiciário, Polícia Federal, Receita, Secretaria da Fazenda, Constituição, mas, acredite, dependendo de como você “mexa com as peças”, tudo pode ser feito.

Fato é que já há muito que a ética, o pudor, a honestidade, a verdade, a lealdade, a decência, a transparência, a palavra empenhada, e outros valores imprescindíveis foram banidos de nossa sociedade, e isto não apenas nos negócios, mas em todas as áreas do viver humano. Existimos em meio à total dissolução dos princípios que constroem o ser, fomos engolidos e diluídos por um “sistema” perverso que inverteu o direito, perverteu a justiça, relativizou o absoluto e absolutizou o relativo.

Hoje, os que estão buscando fazer a coisa certa se sentem como se andassem na contra-mão, no contra-fluxo, “remando contra a maré”. É por isso que eu vim aqui hoje para registrar o meu protesto, para dizer que exijo respeito, para expressar a minha indignação com o que vejo acontecer todos os dias.

Eu peço que você me respeite por eu querer falar a verdade, ainda que isto me custe, não raro, perder oportunidades, amigos, dinheiro, “prestígio”, “status”. É que eu entendi que a liberdade é filha da Verdade e desde há muito os grilhões que prendiam meu ser foram quebrados, tornei-me livre de tudo e de todos, sou apenas escravo do amor.

Eu peço que você me respeite por eu desejar ser leal, por buscar honrar minha palavra, mesmo quando ela não está num papel assinado, num contrato. Respeite-me por querer ser honesto, comigo, com outros, aceite o fato de que escolhi caminhar de forma transparente, que não desejo trair, enganar, “passar a perna” nem fazer nada as escondidas, pois tudo o que é trevas manifesta-se e eu, por ser filho da Luz, anseio que haja sempre claridade em minha alma e em meu ser.

Eu peço que você me respeite por eu não querer ganhar o mundo inteiro, por não colocar o dinheiro acima das pessoas, por não fazer de minha carreira meu maior objetivo na vida, por não ser capa de nenhuma revista, nem ter ações na bolsa, nem uma lancha no iate clube. Sim, respeite o fato de que meu sono é muito importante para mim e que, para dormir em paz, escolhi apenas “vencer o mundo” e não vencer no mundo.

Eu peço que você respeite o fato de estar com a mesma mulher há 27 anos, pois decidi muito cedo construir uma família, tornei isto uma prioridade, compreendi que os relacionamentos são eternos, mas os bens passageiros. Desta forma, não me sinto atraído por “invólucros”, não desejo trocar minha mulher de 42 anos por uma de 22. Nunca! Ela é minha amiga, minha amante, alguém que aprendi a admirar com o passar dos anos e o acumular das crises. Não estou disposto a arriscar o que vivemos por uma aventura, uma transa, um corpo bonito com uma cabeça vazia.     

Finalmente, peço que você respeite o fato de que eu temo a Deus, acredito na salvação do meu espírito, que é a essência do meu ser, na ressurreição do meu corpo, no juízo final e na vida eterna. Respeite a minha fé, a crença que tenho de que “Deus estava em Cristo se reconciliando com o mundo, não imputando aos homens os seus pecados”.

Por tudo isso, quero apenas lhe dizer o seguinte: eu tenho os meus princípios; se você não gostar deles, infelizmente, não tenho o que fazer, pois por eles decidi viver e morrer, e não há nada, nem ninguém neste mundo, que possa me fazer mudar a escolha que um dia fiz.

Carlos Moreira

 

21 julho 2011

Pra Sempre, Sempre Acaba



"Ele fez tudo apropriado há seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez
”. Ec. 3:11

Depois de certa idade você começa a entender que tudo na vida é passageiro, fugaz, demasiadamente breve. Hoje, existe; amanhã, quem sabe? Esta é uma das grandes chatices da vida, nada é pra sempre; pra sempre, como poetizou Renato Russo, sempre acaba...

Eu já vivi a ilusão de que algumas coisas na existência eram pra sempre. Ah, como isso me fazia bem... Mas não era real... Hoje penso que, às vezes, é melhor acreditar numa boa ilusão do que ter de encarar uma dura realidade. Pena que meu pragmatismo não me permita viver com tal regalia.     

Houve um dia em que eu pensei que seria jovem para sempre, mesmo que meu corpo viesse a sofrer os desgastes próprios do tempo. Hoje, na meia idade, percebi que o envelhecimento não tem nada a ver com a degeneração do físico, mas com a perda da inocência, da irreverência, da anarquia, da capacidade de sonhar sonhos impossíveis.

Houve um tempo em que eu pensei que os amigos seriam amigos para sempre. Ao depois, entretanto, percebi que as amizades acabam por tornarem-se circunstanciais, algumas, inclusive, são meramente calcadas em interesses, outras, desfazem-se quando mudamos de endereço, de telefone, de empresa, de igreja... Constatei que minhas amizades, quais pedras de barro, foram se esfarelando até tornarem-se apenas poeira que cobre os meus pés exaustos de tanto chão.

Houve um tempo em que eu pensei que a paixão seria para sempre. Mas paixão é “bicho” indolente, foi feita pra voar, não para viver presa, por isso não é possível aprisioná-la na “gaiola” do coração humano. A paixão é como foguete de São João, quando despertada, rasga o céu com exuberância e desenvoltura, depois, todavia, desvanece, silencia, some na escuridão da noite do ser.   

Houve um tempo em que eu “vivi a ilusão de que ser homem bastaria”. Mas aí eu cresci, senti a necessidade de ser gente, quis ser reconhecido, singular, irrepetitível. Ser gente é mais do que simplesmente ser homem, pois homens não duram pra sempre. Aos poucos, entretanto, percebi que meus sentimentos se complexificaram, que minha alma tornara-se “sofisticada”, que minha consciência, momentaneamente iludida, imaginara ter evoluído a tal ponto de prescindir do meu coração. Sendo gente, pensei, jamais serei esquecido, ignorei o fato de que tudo na existência ruma para o irremediável, sucumbe em silêncio e solidão.  

Houve um tempo em que eu sentia estas coisas... Tudo isto invadia minha alma como raios de sol que rasgam as frestas da velha janela, até que atentei para o fato de que o único absoluto da vida é Deus, tudo o mais, sendo relativo, é passageiro e finito. Deus colocou a eternidade como pulsação interior no coração do homem, mas este, não compreendendo as dimensões e implicações deste estado pós-matéria, tenta tornar eterno aquilo que é apenas temporal.

De fato, pra sempre, sempre acaba, pois, no final desta estrada na qual todos nós estamos caminhando, existe uma grande placa onde estão presentes os seguintes dizeres: “Fim da Linha! Bem vindo à eternidade!”. Nesta nova dimensão pós-existencial, pra sempre é pra sempre mesmo, pois Deus assim o diz, e Sua Palavra, para mim, é mais do que suficiente para me fazer crer. E para você?...

Carlos Moreira


13 julho 2011

Arranquei Jesus da Cruz!


Na próxima quinta-feira estarei sendo ordenado presbítero da Igreja Episcopal Carismática do Brasil. O arcebispo Paulo Garcia, que oficiará a cerimônia, é como um Pai, tem me ajudado e servido de referência desde minha conversão.

Na verdade, atuo como pregador do Evangelho há pelo menos 25 anos. Mas, do ponto de vista da instituição formal, só fui ordenado diácono em 2004. Canonicamente, deveria ter sido consagrado presbítero logo em seguida, mas toda vez que o assunto surgia eu acabava me esquecendo, e, assim, passaram-se 7 anos...

De fato, sempre acreditei que é Deus quem levanta homens e os capacita para a obra do ministério. Por isso nunca me preocupei em “costurar” ou “viabilizar” de alguma forma minha ordenação, sequer, tratei deste assunto com quem quer que fosse. Se hoje sou pastor, posso dizer, é pela vontade de Deus e pela imposição de mãos dos homens.

Como faço parte de uma Igreja de linha reformada – litúrgica, sacramental e carismática – que guarda a herança do cristianismo anglicano, procurei observar com atenção os detalhes da cerimônia para não fazer feio no dia. Foi desta forma que vi que existe um momento simbólico onde o presbítero recebe 3 elementos bastante significativos: uma Bíblia, a Estola Sacerdotal e um Crucifixo.

Bem, a Bíblia eu já possuo. Ganhei a primeira quando tinha 10 anos, de minha mãe. Hoje existe uma dezena delas na minha biblioteca. Aprendi a amá-la e utilizá-la para comunicar as verdades do Evangelho. Como ministro já ordenado, também tenho Estolas Sacerdotais, com as cores litúrgicas. Elas apontam simbolicamente para o fato de que eu estou cingido com o jugo de Cristo, ou seja, preciso carregar na consciência e no coração o fato de que o ministério nunca deve deixar de ser algo leve e suave, apesar de todas as dificuldades que lhe são inerentes.

Quanto ao crucifixo, dependendo do ramo da Igreja, pode assumir vários significados, sobretudo porque a cruz é um símbolo muito antigo e, ao contrário do que alguns pensam, não é patente dos cristãos. Para mim, todavia, a cruz que irei receber terá o propósito de trazer sempre a minha memória que foi o sacrifício de Jesus, através de sua morte, que proporcionou aos homens a possibilidade de se reconciliarem com Deus. 

Pois bem, como eu não tenho um crucifixo, fui hoje comprar um. Depois de ir a várias joalharias, e não me agradar de nada, resolvi visitar uma loja da Igreja Católica Romana onde existe farto material litúrgico. Lá encontrei um crucifixo muito bonito, mas com uma questão incômoda: havia nele a figura de Cristo pregada na cruz.

Ora, eu sou hoje um dos maiores defensores do retorno dos símbolos à Igreja. Os protestantes, sobretudo no Brasil, baniram de suas paróquias e congregações toda a beleza litúrgica por não quererem qualquer semelhança com os Católicos Romanos. Pura tolice, em minha opinião. Jogar fora 2.000 anos de tradição e história da Igreja por causa de algo tão pequeno e mesquinho chega a ser insano. Mas, fazer o quê?

Comprei o crucifixo, pois o achei de uma beleza incomparável, mas o meu Jesus não está pregado na cruz, ressuscitou, e isto para mim tem implicações profundas e um poderoso significado. Desta forma, lancei-me a tarefa de “descolar” aquele outro “Jesus” da cruz.

Com um objeto pontiagudo, fiz uma ligeira pressão sobre a peça e, tomado de surpresa, tive de agarrar “Jesus” com uma das mãos, pois “ele” praticamente “saltou” da cruz, como se quisesse se desprender dali há tempos...

Foi uma cena cômica, e eu comecei a rir descontroladamente. Fiquei imaginando a “agonia” daquele “Jesus” pregado naquele crucifixo desde o dia em que ele foi feito pelo artífice. Acho que minha atitude pôs fim ao seu grande tormento. Nunca imaginei que, um dia, iria arrancar “Jesus” da cruz!

Em toda essa história, verídica, diga-se de passagem, há duas lições preciosas. A primeira, é que Jesus foi crucificado e, naquele madeiro, ficou preso até a morte, só sendo retirado de lá depois de ter sangrado e agonizado pelos pecados de todos os homens em todos os tempos. A segunda é que a morte não pôde retê-lo, pois ele ressuscitou ao terceiro dia, como havia dito, deixando tanto a cruz quanto o túmulo vazios.

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Gl. 2:20.

Eu, não raras vezes, esqueço que estou crucificado com Cristo, “desprego-me” da cruz, e começo a viver conforme a minha própria vontade. Ele, todavia, tomou sobre si a minha iniqüidade, incluiu-me na sua morte para que eu pudesse usufruir da sua vida, do poder da sua ressurreição, pois pela fé estou assentado com ele nos lugares celestiais e nada, nem ninguém, pode me remover de lá ou alterar o que ele fez por mim.

Carlos Moreira 

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