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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

10 maio 2011

Dai aos Gays o que é dos Gays e a Deus o que é de Deus



Introdução

Na última quinta-feira, através da publicação da revista Veja, nos deparamos com os detalhes da decisão inédita do Supremo Tribunal Federal sobre duas matérias de suma importância para o povo brasileiro.

No julgamento da primeira ação, proposta pelo governo do Rio, o STF reconheceu que as uniões homoafetivas – casais do mesmo sexo – passam a ter os mesmos direitos das uniões de casais heterossexuais. “O objetivo é que os servidores tenham assegurados benefícios como previdência, concessão de assistência médica e licença”.

A segunda ação dizia respeito a uma petição da Procuradoria-Geral da República. Ela reclamava “além do reconhecimento dos direitos civis de pessoas do mesmo sexo, declarar que uma união entre estas pessoas é uma entidade familiar”. Essa decisão, na prática, permite que tais casais possam, por exemplo, adotar filhos ou pleitear que seus relacionamentos sejam convertidos em casamentos.

Polêmicas a parte, pois após a decisão veio de imediato uma reação política quanto à competência do STF de tratar questões que deveriam ser, prioritariamente, conduzidas pelo Congresso Nacional, o que está diante de nossos olhos é o prenúncio de profundas mudanças que se estabelecerão no cenário sócio-cultural-religioso de nosso país. 

Colocados estes pontos, surge à questão central da qual trata este artigo: “e nós, na condição de cristãos que somos, como devemos nos posicionar frente a estas decisões?”.

Instâncias de Poder na Época de Jesus

Antes de qualquer consideração, quero trazer-lhe uma porção das Escrituras: “Ele lhes disse: "Portanto, dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" Lc. 20:25. Para que você possa discernir a profundidade e as implicações da resposta de Jesus, é fundamental compreender as funções de duas instâncias político-religiosas da nação de Israel em Seu tempo: o Rei e o Sinédrio.

Desde o ano 4 a.C a Galiléia era governada por Herodes Antipas, que reinou até o ano 39 d.C. Ele era um déspota, dono absoluto de tudo, homem que não devia e não prestava contas a ninguém, além de não possuir ética alguma, contudo, por pertencer a uma linhagem “real”, era temido e aceito pela grande maioria do povo como autoridade política. Mas, na realidade, quem governava de fato a Palestina, desde 63 a.C., eram os romanos. De fato, Herodes era só uma marionete nas mãos do império, um “inocente” útil, uma figura caricata, aparentava ter poder, mas, na verdade, fazia apenas o que lhe era ordenado. 

O Sinédrio, por outro lado, e de forma bem diferente, representava o supremo tribunal dos judeus em Jerusalém, uma espécie de senado, e sua influência se estendia tanto a Judéia quanto a Galiléia, além de possuir o controle do Templo. Sua função primordial era julgar assuntos da Lei quando surgia algum tipo de discórdia e sua decisão era final, não cabendo qualquer apelação. O Sinédrio era composto por 71 membros, sendo a grande maioria pertencente ao partido dos Saduceus, os quais representavam o poder, a nobreza e a riqueza. 

Voltemos ao texto. Se você for ler todo o capítulo, perceberá que a discussão de Jesus é com mestres da Lei, sacerdotes e líderes religiosos. Eles queriam apanhar Jesus em algum tipo de contradição, fato que seria suficiente para levá-lo diante do Sinédrio (instância religiosa). Por outro lado, se ele cometesse algum tipo de transgressão civil, como um motim, poderia ser levado ao rei Herodes (instância política) e este, por sua vez, o encaminharia para ser julgado pela autoridade romana competente, no caso, Pilatos.

Mas a armadilha não funcionou. A resposta de Jesus deixou todo mundo de “calça curta”, foi um verdadeiro “xeque-mate”: “dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Nela nem se podia encontrar violação contra o império, nem muito menos transgressão religiosa. A questão aqui é: Jesus ficou em cima do muro? Tendo sido ousado em tantas outras questões, “amarelou” nesta?

Eu sempre achei curioso o fato de Jesus não entrar no tema em si, de não questionar se o imposto era certo ou errado, justo ou injusto, devido ou não, se seu destino era para realizar o bem ou apenas para servir de instrumento de enriquecimento ilícito de uns poucos. Na verdade, Jesus fez uma dicotomia perfeita: separou a instância política dos preceitos da religião, e mesmo assim não deixou de pontuar o que era concernente ao Reino de Deus; pôs cada coisa em seu devido lugar!      

O Estado Moderno e a Igreja

Como devemos nos posicionar quanto às decisões do STF? Bem, antes de dizer o que penso, deixe-me trazer uma questão conceitual importante sobre a diferença que há entre o poder do Estado e o “poder” da Igreja.

Citando Gustavo Biscaia de Lacerda, Mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal do Paraná, “a separação entre a Igreja e o Estado é um dos princípios basilares do Estado brasileiro e, na verdade, do moderno Estado de Direito. Embora em um primeiro instante pareça que ele refere-se apenas à impossibilidade de o Estado não professar nenhuma fé, ele tem outras aplicações. A separação entre Igreja e Estado não é apenas um princípio negativo, que veda ao Estado a profissão de fé ou à Igreja de intrometer-se nos assuntos estatais; na verdade, o que ele consagra é a laicidade nas questões públicas, no sentido de que não se faz – não se deve fazer – referência a religiões ao tratar-se das questões coletivas”.

“Traduzindo em miúdos”, no Brasil, desde a constituição de 1.891, Igreja e Estado são instituições separadas, que possuem suas próprias leis e jurisdições, e que não podem interferir uma nas ações da outra.

Eu estou certo de que nós teremos muitos protestos, em todo o país, quanto a estas decisões polêmica do STF. Várias instituições religiosas, tanto católicas quanto protestantes, se manifestarão contundentemente de forma contrária. Meu pensamento, todavia, é diferente, e aqui falo por mim mesmo, não sendo representante de nada nem de ninguém a não ser de minha própria consciência.

Parte do texto da ação impetrada pelo governo do Rio de Janeiro diz o seguinte: “... Não reconhecer essas uniões contraria princípios constitucionais como o direito à igualdade e à liberdade, além de ferir o princípio da dignidade da pessoa humana”.

Conclusão

Para mim, há duas formas de um cristão se posicionar frente a estas questões. A primeira é reconhecer o direito do Estado de fazer cumprir as leis, de agir de forma justa quanto à coletividade, de buscar o bem comum independentemente de raça, credo, cor, orientação sexual, ou qualquer outra questão que produza diferenciação, exclusão ou acepção.

Se você me perguntar se eu acho que os gays têm direito a dignidade, direito a receber benefícios aos quais, mediante a lei, façam jus, direito a ser tratados com equidade, eu lhes direi que sim, pois penso ser esta uma questão de Estado e que nos remete ao princípio inalienável da dignidade humana. O fato de discordar da forma como vivem do ponto de vista de sua orientação sexual não é motivo para desejar privá-los de seus direitos civis. E mais, acho que eles possuem os mesmos direitos dos adúlteros, dos mentirosos, dos facciosos, dos sonegadores do imposto de renda, dos avarentos, dos egoístas, dos jactanciosos e dos fofoqueiros. Fico por aqui para não ter de citar a lista de todos os pecados que cometemos, eu e você...

A segunda forma de responder a estas questões me retira do âmbito do Estado e me coloca dentro da “jurisdição” do Reino de Deus. Por esta perspectiva, se você me perguntar se um casal gay pode ser considerado uma “entidade familiar” eu lhe direi que não, pois isto fere um princípio das Escrituras onde Deus estabelece a família como sendo a união entre um homem e uma mulher. Ainda assim, terei de acatar a decisão do Estado, por ser ela de caráter civil, e por ser o Estado laico, mas dou-me ao direito de, na Igreja, pensar de forma diferente, não estabelecendo assim tal decisão como parâmetro ou padrão para a comunidade de fé.

E mais, sendo eu partícipe de uma sociedade democrática, dou-me ao direito de expor meu pensamento de que o Estado pode ir até certo ponto e de que o Evangelho, encarnado em Jesus, vai a partir de então, pois, sendo confrontados um contra o outro quanto a princípios estabelecidos nas Escrituras, “seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso” uma vez que “importa agradar primeiramente a Deus, e não aos homens”. Se esta conta ficar cara, e me cercear meu direito de liberdade, de exercício ministerial, gerar perseguição, ou seja lá o que for, terei uma grande oportunidade de provar qual a natureza, significado e propósito de minha fé. 

Assim, resumindo, eu diria o seguinte: “daí aos gays o que é dos gays e a Deus o que é de Deus”. Não deixarei de pregar que o padrão das Sagradas Escrituras para a sexualidade humana é a união entre homem e mulher, mas também não permitirei que minha consciência seja cauterizada pela caducidade da “letra” que mata em detrimento do Espírito do Evangelho, não me darei ao desplante de "coar mosquitos e engolir camelos", não distorcerei a justiça sendo tendencioso por causa de questões que a Igreja condena, não ficarei cego quando o assunto tratar do que é justo quanto à dignidade humana em razão de preconceitos religiosos, pois fui chamado para ser portador da Graça, não do juízo, quero anunciar a Salvação, não a condenação, ser instrumento do Amor, não do ódio. Quem achar ruim, que vá fazer piquete na rua!

Carlos Moreira

24 abril 2011

Jesus Está Vivo!


Queridos amigos leitores da Nova Cristandade, desde quinta-feira tenho feito pequenas reflexões tentando seguir o que aconteceu em cada um dos dias que antecederam a ressurreição. Mas hoje, meu desejo é cantar, e não escrever. Compartilho com vocês a música "Jesus is Alive" de Ron Kenoly. A tradução está logo abaixo. Espero que gostem do vídeo e da música. Aleluia, Ele ressuscitou! Um abraço do amigo Carlos Moreira.






Jesus Está Vivo

Ron Kenoly

 

Pois toda a terra tremia
O sol escondera sua face e
Todos os homens que andavam com ele
Se viraram e fugiram
Eles crucificaram seu Salvador
E o sepultaram
A vida que uma vez
Trouxe amor e esperança
Se foi naquela tarde
Satana´s se vangloriava com prazer
Naquele dia no Calvário
Pois pensara que vencera
Uma grande vitória
E assim como ele, todos os demônios
Do inferno aplaudiram
Mas eles mal sabiam
Que seu fim estava próximo

Porque no domingo bem cedo
Como Jesus havia dito
Ele quebrou o curso
Do pecado e da morte
E ressurgiu dos mortos
Agora temos um novo começo
E um reino qeu não tem fim
Aleluia! Aleluia!

Aleluia!
Jesus está vivo!
A morte perdeu sua vitória
E o túmulo foi rejeitado
Jesus vive eternamente
Ele vivo está! Ele vivo está!

Ele é o alfa e o ômefa
O primeiro e o último ele é
O curso do pecado foi quebrado
Temos liberdade perfeita
O cordeiro de Deus ressuscitou
Ele vivo está! Ele vivo está!

Ele é o autor e
O consumador da nossa fé
A pedra qeu foi rejeitada
Hoje é a pedra angular
A morte não tem mais sua vitória
E o túmulo não tem mais sentido
Aleluia! Aleluia!

Maravilhoso Conselheiro
Um Deus poderoso ele é
O Pai da Eternidade
Ele é o precioso Príncipe da Paz
É o Verbo que vive para sempre
Ele vivo está! Ele vivo está!

(Tradução: letras.mus.br)

23 abril 2011

Dá Licença, mas Eu não vou Rodar no Carrossel do Destino


Hoje é sábado e, conforme as Escrituras, Jesus neste dia estava sepultado. Depois de três anos andando e pregando por toda a Palestina, fazendo milagres, ressuscitando mortos e expulsando demônios, enfim, haviam dado cabo dele, a cruz tragara-lhe a vida e o túmulo guardara-lhe o corpo.

Fico imaginando as conversas em Jerusalém, nas casas, nas ruas, nas esquinas, no Templo... Todas as especulações levavam Jesus ao ridículo: “salvou a tantos, mas não pôde salvar-se a si mesmo”. Até os seus “...discípulos o abandonaram e fugiram”. Não havia mais o que se fazer. “The Dream is Over!” – O Sonho Acabou.

Como sabemos a história sempre é contada pelos vencedores. É provável que Pilatos, naquela manhã, tenha se gabado de ter posto fim a mais um motim judeu. Herodes, em seu palácio, dava gargalhadas e dizia: “vão ver agora onde está o “Rei dos Judeus””. O sinédrio, quem sabe, realizou uma reunião extraordinária para comemorar a articulação e execução do “plano perfeito”. Judas havia se enforcado. Pedro remoia-se em seu desespero. Cada habitante de Jerusalém tinha sua própria história e fazia suas próprias conjecturas.

Mas ainda havia o mundo espiritual, os principados e potestades. O que teria se passado nesta dimensão? Será que os demônios estavam de porre pela celebração que começara na sexta feira, quando Jesus rendeu o espírito, varou a madrugada do sábado e entrou dia adentro? Imagino o inferno, apinhado de demônios, todos celebrando a “vitória” – o Filho de Deus está morto!

Eu não sei se você já pensou, mas se tudo isso tivesse terminado dessa maneira, se aquele túmulo pudesse ter contido a Jesus, o Cristo, nossa história seria muito diferente... Sim, porque sem a ressurreição de Jesus, toda a existência seria roleta russa, submissão ao acaso, subserviência ao destino, um jogo de sorte ou azar, seria como lançar dados numa mesa e torcer para que a combinação certa acontecesse.

Sem Jesus estaríamos entregues a nós mesmos, as nossas próprias dissoluções, as nossas incongruências e interjeições. Sem Jesus não haveria possibilidade de arrependimento, de novo nascimento, de reconstrução da consciência, pois, sem Ele assentado a destra de Deus, ressurreto e glorificado nos céus, o Espírito não teria sido enviado a Terra, nem derramado em nossos corações, que foi o que nos possibilitou um novo começo.  

Se o sábado tivesse se constituído no epílogo desta “saga”, não haveria, para nenhum de nós, e para ser humano algum, em qualquer tempo, a possibilidade de sonhar com a experimentação da eternidade, nós estaríamos fadados a nos transformar apenas em cinzas e silêncio, voltaríamos irremediavelmente ao pó, o “sopro de vida” que um dia recebemos apagaria como uma vela ao vento, e todos iríamos ao encontro do nada, seríamos transformados no não-ser.

Sem Jesus, tudo o que nos restaria seria rodar no carrossel do destino, pois o texto de Paulo aos Romanos não se aplicaria a nós – “pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmão. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou”. Sim, sem Ele não haveria justificação, eu e você ainda teríamos de oferecer o sangue de animais sacrificados para podermos ser aceitos diante de Deus.

Mas fato é que o sábado passou e o domingo trouxe consigo um novo amanhecer, a ressurreição e a vida, a vitória e a salvação! Paulo nos diz em Filipenses “pois que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.

Quero concluir com as palavras da parábola do filho pródigo. Terminarei desta forma, pois é assim que me sinto, como um que era indigno e que, caindo em si mesmo, retornou para casa. No meu imaginário, estas palavras do texto não se aplicam só a mim, mas creio que o próprio Jesus as tenha ouvido da boca do Pai ao retornar aos céus: “vamos celebrar, pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado”.

Carlos Moreira

22 abril 2011

Tetelestai!



Meu pai faleceu em 2006, vítima de um câncer no fígado. Durante 13 anos pagou religiosamente em dia um determinado plano de saúde para que, quando viesse a precisar, pudesse usufruir de seus benefícios. Certo dia ele me ligou e, com voz cansada, disse: “filho, eu não estou bem, leve-me ao hospital”. Em alguns instantes estávamos diante de um diagnóstico desalentador: peritonite aguda, uma infecção generalizada no abdômen.

Quando meu pai estava entrando no elevador para se dirigir ao quarto, o hospital impediu-o de subir, pois o plano de saúde havia negado a internação. Eu sabia que aquele era um caso de vida ou morte. Não tive dúvidas, levei-o ao hospital público mais próximo e internei-o para que pudesse ser atendido.

Paralelamente, entrei com um mandato de segurança para poder removê-lo de volta ao outro hospital ao qual ele tinha direito pelo plano. Foi uma luta imensa, mas lembro-me quando cheguei à enfermaria na qual ele estava com o despacho do juiz nas mãos para dizer-lhe, com lágrimas nos olhos: “está feito”.  

Em dias como o de hoje, fico imaginando o sofrimento de Jesus em seus últimos momentos. Mas também imagino o sofrimento do Pai, pois Ele sofria não só por aquele Filho dependurado entre o Céu e a Terra, mas por todos os outros pendurados nos madeiros da vida, crucificados pelas injustiças dos homens, trucidados pelo poder destrutivo do pecado, privados da luz pelas trevas, chicoteados pela miséria, pela dor, pelo abandono, coroados com coroas adornadas de espinhos de rejeição e de preconceito.

Sim, naquela tarde sombria do Gólgota, um Deus agonizava na Terra e os outros dois agonizavam nos Céus. Mas após aquelas três horas de intenso sofrimento, a frase que ecoava desde a eternidade – pois “o Cordeiro foi sacrificado antes da criação do mundo” – materializou-se historicamente na voz frágil do Profeta de Nazaré: TETELESTAI! “Consumatum Est
”. Está Feito! Está Consumado!  

Tetelestai é uma palavra grega que era bastante utilizada nos dias de Jesus, pois estava presente em alguns fatos da vida cotidiana das pessoas. Outra peculiaridade, além desta, é que ela podia assumir mais de um significado, conforme a ocasião requeria.

Tetelestai era usada como expressão quando um artista ou escritor concluía a sua obra. Caio Fábio afirma que antes de Deus dizer “haja luz!”, Ele disse: “haja cruz!”. No derradeiro momento do calvário, Deus concluiu o plano de salvação escrito na eternidade, Ele terminou a obra que vinha “pintando” desde o paraíso, finalizou, finalmente, o “quadro”, e assim devolveu ao homem a chance de se reconciliar com Seu criador.

Tetelestai era utilizada também quando o servo terminava um trabalho e o comunicava ao seu Senhor. Jesus sempre foi categórico em dizer que não estava a serviço próprio, mas fazia apenas aquilo que era da vontade do Pai. Até na hora da morte, quando pediu: “se possível passa de Mim este cálice”, declarou resignado logo em seguida: “mas não se faça a minha vontade, mas a Tua”. Ele foi tentado em todas as coisas e em nada caiu, cumpriu a Lei, fez o que lhe foi requerido e, no tempo e na hora exatos, terminou o trabalho que lhe fora confiado.

Outra aplicação para Tetelestai, dita em seu correlato aramaico ou hebraico pelos sacerdotes do templo, era quando um animal era oferecido em sacrifício. Após um exame minucioso, não sendo achado qualquer defeito ou mácula, o sacerdote declarava: Tetelestai. Naquela cruz estava o cordeiro pascal – “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – sem mancha, sem mácula, sem defeito, pois, como ovelha muda, foi conduzido até os Seus tosquiadores, ofereceu-se em sacrifício uma vez por todas e, “por meio de Suas pisaduras nós fomos sarados”.

Finalmente, Tetelestai ainda significava o resgate final de uma dívida. Era um termo usado pelos mercadores para designar que o débito fora totalmente pago. Por isso o apóstolo Paulo afirma aos Colossenses: “Ele cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”,

Eu não sei se a data de hoje coincide com a sexta-feira da paixão. Isso para mim é totalmente irrelevante. O que me importa é que houve na história da humanidade uma sexta-feira em que o Filho de Deus esteve pendurado numa cruz, derramando Seu sangue para que o Pai pudesse perdoar aos homens os seus pecados e não imputar-lhes as suas transgressões. Por isso, neste dia de hoje, a coisa mais importante que eu posso lhe dizer neste artigo é: TETELESTAI! 

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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