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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

03 fevereiro 2016

O Diabo Veste Prada




O Velho Testamento fala no diabo 35 vezes, aproximadamente. O Novo Testamento, por assim dizer, cita-o 7 vezes mais, cerca de 140 ocorrências e isso certamente por influência das crenças persas e gregas que moldaram a cultura de certo período do mundo antigo.

Na verdade, o diabo foi se tornando mais glamoroso à medida que o pensamento humano foi evoluindo, ele foi se desenvolvendo tanto mais as percepções e inquietações dos indivíduos se adensaram. O terreno onde o diabo mais cresce é na mente das pessoas, onde há medo, angústia e ansiedade, há também ambiência fértil para que o diabo se “materialize”.

Portanto, é o homem que faz o diabo a imagem e semelhança do que pior existe em si mesmo e esse diabo varia de acordo com os "diabos" que estão dentro dele! Assim, o diabo do homem é do tamanho de sua culpa e é por isso que gente perdoada, que bebeu nas fontes da misericórdia, não tem medo nem de diabos nem de assombrações.

Eu não nego a existência do mal, nem tão pouco a de Satanás, mas não acredito em quase nada que lhe é atribuído pela religião. Esse diabo de "igreja" é por demais caricato, é o diabo de Dante Alighieri – do Inferno de Dante – um ser bestializado sob medida para assustar gente tola.

O diabo, mesmo, é muito mais sofisticado e sutil e, por isso, tão mais perigoso. A Escritura não se refere a ele com chifres e tridentes, mas como anjo de luz! Sim, tem gente que se assustaria se visse o diabo como ele é, não de medo, mas de estupefação!

Cristãos que imaginam que o diabo está distante, despachando no inferno, se enganam redondamente. O diabo, acredite, está sentado nos bancos de suas igrejolas, dando risada das aloprações que presencia, se deliciando com tanta ingenuidade e meninice...


Carlos Moreira

28 janeiro 2016

O Jejum que Alimenta o Coração

O jejum, no meio evangélico, é uma espécie de “Espinafre do Popeye”, o sujeito faz uso dele como um suplemento espiritual com vistas a se fortalecer, tornar-se mais ungido, mas destemido na sua luta contra o diabo, é algo travestido de sobrenaturalidade, não obstante não passe de uma prática supersticiosa e vazia. O Jejum de Jesus, por outro lado, foi feito como preparação para a oferta de si mesmo ao mundo, portanto, correlatamente, ele deve ser algo que aguça a consciência e fortalece o coração para a ação solidária e generosa com o outro no chão da vida. O jejum tem, sim, esse poder de nos mover para fora de nós mesmos, ele leva a fixar o olhar para o que está no entorno, para as realidades dramáticas que nos cercam, como a dor, a miséria e a injustiça contra aquele que é nosso igual. Isaías, no capítulo 58, já advertia a Nação de Israel quanto a esse jejum ascético, auto-indulgente e meritório, que visa fazer chantagem emocional com a divindade com vistas a tirar proveitos dela. Já ali, numa sociedade experimentando um desequilíbrio social grave, há a denúncia do abandono dos pobres em detrimento do exercício de uma espiritualidade oca, que imaginava que Deus desejava que o abastado se privasse de pão por um ou dois dias, enquanto o faminto agonizava sem ter o que comer. O único jejum que agrada a Deus é aquele que você faz para o benefício do outro, um jejum que remove a lepra da alma para torná-la sensível ao sofrimento humano, o jejum que traz algum proveito alimenta o coração de solidariedade, move mãos e pés na direção dos indigentes da terra, dos esquecidos e soterrados sem qualquer esperança. Assista a esta mensagem e mude, para sempre, sua forma de jejuar!




27 janeiro 2016

Meu Nome é “Legião”



Na vida, você pode ser possuído por dois tipos de espíritos: o dos demônios e o espírito do próprio homem. Sim, gente pode possuir gente para o bem e para o mal, pois todo encontro humano é, de certa forma, possessão.

Portanto, tenha cuidado com aquele que você convida para entrar no íntimo do ser, pois a “variedade” promíscua, ao invés de proporcionar experiência, fomenta, na verdade, a decadência da alma, exila o indivíduo para o mar do abandono dentro do seu próprio corpo.

Pessoas que tem por hábito cultivar relacionamentos fortuitos, gente que se entrega a um rosto bonito ou um corpo esculpido, não percebe o mal que faz a si ao trazer para o coração uma mistura enorme de sentimentos, o que faz com que a mente se torne compulsiva pela busca de novas possibilidades.

Tenho pena dos que imaginam que se entregam pelo prazer e que isso nada lhes custará, pois, mais cedo ou mais tarde, perceberão que perderam sua essência, diluíram-se dentro de si mesmos, já não possuem mais identidade nem unicidade, se você lhes perguntar o nome, tristemente, responderão: “meu nome é legião”.

Desta forma, percebo que o indivíduo que tem reverência pela sua solidão é mais feliz do que aquele que fez das trocas relacionais uma orgia de encontros descompromissados, onde o sexo rolou frouxo e a busca pela satisfação constituiu-se o único objetivo a ser alcançado. Quem vive imbuído apenas em sentir prazer experimentará angústias inesgotáveis quando ele lhe faltar e, tenha certeza, isso acontecerá, cedo ou tarde...

Carlos Moreira

26 janeiro 2016

A Ceia só é Santa se a Fome for Farta



Santa Ceia? É ser pão para o faminto e vinho – alegria – para o oprimido de alma. O resto é rito dominical elitizado para uma igreja cauterizada de mente e gangrenada de coração.

Compreenda, portanto, que todo memorial que não aponta para a vida e não se faz carne e sangue no Caminho, para nada aproveita, é tradição religiosa que reverbera apenas como piedade perversa. 
A mística do Corpo e do Sangue servem para aguçar o Espírito em nossa consciência quanto ao Evangelho, essa é a benção, sermos livres do egoísmo que opera em nós, pois não há nada que produza mais doença do que ser autocentrado.  

Jesus afirmou que era o verdadeiro Pão que havia descido do Céu, e assim, arrematou: "A minha comida e a minha bebida é fazer a vontade de meu Pai". Ora, nós já sabemos que a vontade do Pai é ser amado no próximo. O outro, portanto, é o altar onde eu devo realizar o meu serviço, pois, só fazendo assim, é que o Senhor virá até nós, sentará à mesa e cerará conosco.

Quando Jesus declarou na Eucaristia: "Fazei isto em memória minha", ele não tencionava induzir ninguém a repetir um rito sem qualquer entendimento, pois, em verdade, aquele ato significava algo com uma perspectiva muito maior! Chega a ser bizarro imaginar que Jesus desejava que comêssemos pão e vinho, fizéssemos o sinal da cruz, cara de piedade e voltássemos saltitantes para nossos lugares no culto.

Na verdade, a fala do Senhor, ao depois, desdobrou-se de forma mais profunda e consistente no fato dele ter dado a Sua vida em prol do mundo! Então, Santa Ceia é aquilo que me leva, a partir do rito e dos símbolos, a entender que eu também devo ser pão para os outros, que devo gastar minha vida em prol de amenizar a dor dos que não possuem esperança. Que melhor maneira de anunciar a "morte e a ressurreição do Senhor" que não esta? 


Em absoluto, é propósito de Deus que, semana após semana, ano após ano, o indivíduo faça o "árduo" caminho do banco até o altar para tomar a sua Ceia e voltar ao seu lugar, tão inerte de consciência e insensível de alma quanto estava antes.

E assim, a Ceia só se torna Santa se a fartura da mesa seja tanta que chegue até os miseráveis e indigentes da Terra. Caso contrário, é apenas pão, vinho, religiosidade e descaso...



Carlos Moreira

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