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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

04 dezembro 2010

Ensaio Sobre a Dor

Frejat, em uma das suas canções, diz que todo mundo é parecido quando sente dor. A dor, ao que parece, nivela as pessoas e revela os seres humanos tal e qual eles são, humanos. Na dor não há rico ou pobre, feio ou bonito, apenas homens. Nela as máscaras forjadas para distinguir as pessoas caem por terra revelando a semelhança existente entre todos.


Sobre isso diz Oscar Wilde: “diferente do prazer, a dor não usa máscaras”. A dor é na verdade um sublime momento de revelação. Nela temos acesso aos mais profundos recônditos da alma humana e conhecemos as nossas limitações que tão orgulhosamente tentamos esconder no dia a dia.

Na dor todo mundo tem a mesma cara, todos se parecem, ninguém é diferente. Talvez seja por isso que no sofrimento os homens tendem a ser solícitos e solidários uns com os outros, exatamente por que se assemelham. Os que choram e partilham as mesmas dores sempre se abraçam fraternalmente como irmãos.

Vejam como se parecem os homens enquanto choram. Vejam como são igualmente decaídos os semblantes, vejam como rolam iguais as lágrimas que se precipitam dos olhos e caem na terra do nosso coração fecundando-a. Fecundando-a! a dor gera vida e não morte!

A dor, desde que saibamos absorver os seus ensinamentos, será a melhor de todas as mestras. Ela pode até nos redimir. A dor é redentora, somos salvos pela dor. Triste do homem que é incapaz de senti-la, de aprender com ela, de ser redimido por essa grande tutora que nos conduz por um caminho difícil, mas triunfante.

Entretanto, é também igualmente verdade, que devemos lidar com a dor com a cabeça erguida, sem nos entregar a uma tristeza avassaladora. Devemos ser como aqueles “que não se ajoelham para beber água”, que nunca perdem tempo com excessivas lamentações e que não se deixam abater pelos percalços da vida.

Devemos suportar a dor sem lamentar o destino ou supor que estamos sofrendo por causa do que fizemos e não deveríamos ter feito. Pelo contrário, faremos da dor o combustível que nos move velozmente em direção ao futuro.

A dor é algo inerente a natureza e a existência humana. Quem não sofre e não sente dor certamente também não se pode dizer humano e vivo. A grande questão é: o que faremos das nossas dores? Quanto a mim, embora não a cultue, respeito-a e aprendo com ela. E você? O que faz com a sua dor?

André Pessoa via Século XXI

02 dezembro 2010

Táxi, Aeroporto e Hotel


Eram duas horas da manhã e fazia um frio de rachar em Sampa. Cheguei e fui direto para o hotel. Trabalhei até a madrugada quando meu corpo deu sinal de alarme: “low battery”.

Nesse mesmo dia, eu havia acordado muito cedo e o decorrer das horas foram pesadas: trabalho no escritório, trabalho dentro do avião, isso sem contar com o cansaço da viagem em si e o deslocamento todo que ela engloba: táxi, aeroporto e hotel.

Naquela madrugada, sentei-me próximo à varanda do quarto de hotel e me deixei levar pela paisagem da garoa caindo sobre a Avenida Paulista. Enrolado no edredom, sem sono e sem sonhos, me permiti divagar. Pensei que não era só eu, naquele momento, a fitar aquele céu e que deveriam ser muitos os que estavam acordados fazendo o mesmo e desejando dias melhores.

Viajar me causa uma melancolia. Talvez porque eu já tenha rodado demais na vida... Negócios, projetos, parcerias, problemas com clientes, reuniões boas, reuniões ruins, reuniões azedas, reuniões e mais reuniões...

Tanta coisa assim, começando pelo café da manhã e indo até o último gole de vinho, já na madrugada, me faz perder até as percepções mais naturais. Ao final do dia, nem sequer consigo lembrar com quem estive falando. Às vezes, acordo no meio da noite e não sei onde estou. Por isso sempre deixo a janela aberta, pois, olhando para o lado de fora, consigo me localizar melhor. “Tempos modernos”, diria Chaplin.

Táxi, aeroporto e hotel, eles nunca me largam. A noite avança geralmente fria, com os poucos carros que ainda circulam pelas ruas. Na minha cabeça passam mil coisas: “o que fazem as pessoas dentro desses carros? No que elas estarão pen-sando? Será que, como eu, estão no piloto automático — ao fim de mais um dia — na melancolia das horas, contando os minutos para o sono chegar e o “chip” ser desligado?”.

Mas, como de costume, no dia seguinte, começa tudo de novo! E na minha solidão vou seguindo atrás da agenda que nem carnavalesco na Quarta-Feira de Cinzas. Sorriso no rosto, terno impecável, sapato engraxado, mochila com notebook nas costas, iPhone a postos, cartão de visita no bolso, o kit de ataque completo que um executivo precisa ter para tentar fazer dinheiro.

Durante o dia, as máquinas funcionam impecavelmente, desde que haja “link”, mas o meu sorriso se
desfaz como sorvete à luz do sol. É que, para mim, alegria vem de dentro, não é plástica performática estampada no rosto como personagem de novela.

Mesmo que eu feche negócios aos milhões, ao final do dia estarei de novo sentado na janela, enroscado no edredom, olhando para o nada e pensando no que farei na manhã seguinte.

A rotina come as pessoas por dentro. Talvez por isso me sinta, por vezes, oco, vazio, um galpão enorme sem nada dentro.

Sei que Jesus fala para aprendermos a ser gratos. A gratidão é dádiva degustada por poucos. Sou grato pela rotina, ainda que não tenha conseguido lidar bem com ela nestes últimos 30 anos de trabalho.

Mas tenho esperança de que ainda conseguirei. Há dias singulares, mas são poucos... Tenho tentado ser agradecido por cada coisa, até mesmo pela solidão, que me faz querer ir atrás de sonhos que são impossíveis de realizar.

Há, todavia, uma esperança no final do túnel! Nas sextas, tudo volta ao normal. O retorno para casa: hotel, táxi, aeroporto, avião, viagem, planilha aberta no voo... E a velha cerveja no final de mais uma noite fria. Esse é o trajeto que me leva de volta, de Sampa para Recife – horas que parecem não acabar nunca...

O que me espera na chegada é apenas o taxista. Carrego minhas malas e as deposito no carro. Adentro a noite escura de minha cidade seguindo pela Mascarenhas de Moraes até em casa. Entro em silêncio, guardo as malas, tomo um banho quente, deito sem sono, fico olhando o teto e as luzes pela janela... Mais uma jornada cumprida.

Obrigado, Senhor, pela rotina nossa de cada dia. Ajuda-me a dar a ela algum outro significado. É que o atual não dá mais para o gasto. Semana que vem, tem tudo de novo: táxi, aeroporto e hotel.

Carlos Moreira

01 dezembro 2010

Uma Geração de Vampiros

Desde que os jornais sensacionalistas como a Folha de Pernambuco entraram em circulação a violência e a morte foi banalizada e uma grande multidão de “vampiros” ávida por sangue espalhou-se por todos os lugares. São os novos vampiros urbanos, habitantes da cidade e não da lendária Transilvânia.

Não basta apenas ver pessoas mortas nos jornais e nos filmes da TV, é preciso que os cadáveres estejam mutilados, decepados, esmagados, empalados, mergulhados em poças de sangue, enforcados nas próprias tripas. Quanto maior a desgraça, mais leitores, mais dinheiro ganho.
Lembro de um dia, enquanto eu dava aula, que chamei um aluno à atenção porque ele ria sem parar no fundo da sala, sentado em uma cadeira na última fileira de bancas enquanto olhava um pedaço de papel.

“Por que você está rindo tanto? Alguma coisa muito engraçada? O que tem aí nesse papel?”; perguntei ao rapaz. Com um gesto ele levantou a mão contendo uma página de jornal na qual se via a fotografia de um homem decapitado e a sua cabeça repousando calmamente colocada em cima de um orelhão.

“É que se parece com o tio de um amigo meu”, e o rapaz continuou rindo sem controle algum. Pensei então comigo: “que geração é essa que ri de uma cena tão bizarra? Será que ele tem noção do que é uma vida humana? Acho que não”. O ser humano perdeu todo o seu valor, a vida nada significa.

A verdade é que somos vampiros, filhos de Vlad IV, geração do Conde Drácula, criaturas ávidas por sangue. Os nossos heróis são os homens mais sanguinários (Stallone, Vin Diesel, Capitão Nascimento) e os nossos filmes preferidos os mais violentos. Somos todos vampiros!


Você acha que não? Então me responda: você não se frustrou com a tomada quase sem violência do Morro do Cruzeiro e do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro? Seja sincero, admita, você gostaria de ter visto os traficantes esmagados pelos blindados da Marinha, metralhados impiedosamente, cortados ao meio por armas de grosso calibre não gostaria?

Você também é um vampiro, apesar dessa carinha de gente civilizada, você também deseja beber sangue. Foi a TV que fez isso com você, foi a locadora, foi a globo, foi a internet... “A vida imita o vídeo”.


Sangue, queremos sangue! Não somos muito diferentes dos antigos romanos que se reuniam em grandes multidões nas arquibancadas do coliseu de Roma para ver os gladiadores lutarem até morrerem envoltos em um rio de sangue. Somos uma geração de vampiros, e o pior de tudo: não temos medo de alho!

André Pessoa via Século XXI

30 novembro 2010

Crente Lady Kate: "Tô Pagano!"

A Revolução Francesa foi sem dúvida um dos eventos mais significativos do mundo ocidental e da sociedade moderna. A França do século XVIII era um país marcado por profundas injustiças sociais. O arcabouço histórico da revolta se construiu em meio a um regime político absolutista, onde a camada inferior da população, formada por trabalhadores urbanos, camponeses e a pequena burguesia comercial, era obrigada a pagar pesados impostos para manter o luxo das classes privilegiadas.


No topo daquela pirâmide estava o clero que, dentre outras prerrogativas, não pagava impostos. Abaixo dele estava à nobreza, formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres. O rei era absoluto; controlava a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súditos. Qualquer tipo de oposição era punida duramente, pois o "contraventor", além de ser enviado a prisão da Bastilha, era, em seguida, guilhotinado.

A insatisfação com aquela situação chegou ao limite em 1789. Vivendo em extrema miséria, a população saiu às ruas com o objetivo de tomar o poder. Avançaram primeiramente para derrubar a Bastilha e, em seguida, invadiram os palácios e as terras da nobreza em busca de tomar o controle do país. Muitos conseguiram escapar, mas a família real foi capturada, e o rei Luis XVI, juntamente com sua esposa Maria Antonieta, foi julgado e guilhotinado em 1793. Nem o clero foi poupado, pois os bens da igreja foram todos confiscados.

Os contornos estruturais que marcaram o desencadeamento da Revolução Francesa são muito parecidos com a situação da Igreja em nossos dias. Como bem disse o sábio do Eclesiastes, as gerações mudam, mas o “espírito” humano permanece o mesmo. Olho para o que está aí e surpreendo-me com tamanha semelhança. Os fatos são arquetípicos além de fenomenológicos.

Se não, vejamos: o que temos em nossos dias que não uma elite espiritual privilegiada, supostamente dotada de pedigree sacerdotal, vivendo no luxo e na benesse, com seus “líderes” – não seria melhor dizer gestores? – e seus cantores – não seria melhor dizer atores? – refestelados em mansões, andando com carros de grife importada, voando em jatinhos e helicópteros, vestindo ternos italianos e comendo das “iguarias da corte”, enquanto a grande massa da população vive na pobreza ou na miséria?

O que temos hoje senão o tráfico de influência religiosa, o conluio político para a concessão de rádios e canais de TV que, supostamente, divulgam o “reino” de Deus, mas que, na prática, apenas aumentam o poder e a riqueza do “reino dos homens”? O que temos hoje senão a prática de se efetuar barganhas com o sagrado operacionalizadas através da cobrança perversa de “impostos celestes” que têm como único alvo o espólio desmedido de gente incauta e desesperada?

Posso continuar? O que temos hoje senão a pregação fraudulenta de doutrinas bíblicas aberrantemente distorcidas, aplicadas de forma maliciosa, com vistas a estimular a crença em promessas absurdas que, supostamente, trarão a solução para problemas financeiros, conjugais, físicos, espirituais e de toda e qualquer outra sorte? O que temos hoje senão a alienação da consciência, o esvaziamento dos valores éticos, o anestesiamento dos “sentidos” do coração e tudo em favor da catarse cultual, da serialização da “vida” e da commoditização da doutrina?

Vou lhe dizer o que penso. O que temos hoje é a anatomia de uma tragédia anunciada se desenhando silenciosamente debaixo de nossos olhos! O que temos hoje é uma multidão de milhões de pessoas sendo pressionadas, roubadas e enganadas por uma gangue de feiticeiros do sagrado. É gente que, iludida, está em busca de um “Deus performático”, uma divindade que está obrigada a satisfazer as demandas de seus “clientes” a qualquer custo.

Eis o maior dos absurdos: Deus colocado contra a parede tendo que cumprir o que, supostamente, está dito em Sua palavra! O Todo-Poderoso sendo vítima de extorsão para realizar milagres de prateleira: é o problema da falta de emprego, da restauração do casamento falido, do pagamento da dívida do aluguel, da eliminação da ação de despejo, do destravamento do processo judicial, da limpeza do nome no SPC, da libertação do encosto encomendado na macumba, e por aí vai... É tanta bizarrice que eu poderia encher um livro com estas loucuras.

Olho para a cristandade e vejo uma multidão de “crentes Lady Kate”. Você sabe de quem estou falando? Trata-se de uma personagem interpretada pela atriz Katiuscia Canoro no programa humorístico Zorra Total da Rede Globo. Lady Kate é uma aspirante a socialite que vive a todo custo tentando entrar para o High Society. Apesar da origem humilde, Kate herdou a fortuna deixada pelo marido, um senador rico, que, desgraçadamente, "bateu a caçuleta". Enfeitiçada com as novas possibilidades que o dinheiro lhe proporciona, Lady Kate vai em busca do "gramour, causo de que grana ela já tem".

O “crente Lady Kate” é aquele ser que quer por que quer que a vida se transforme num passe de mágica e, para tal, está disposto a pagar o “pedágio religioso” para que “seu milagre” se materialize. Minha questão é bem simples: até onde isso vai? Até quando as pessoas que estão sendo iludidas continuarão pagando esta conta? Sim, porque assim como Lady Kate, que usa o bordão “que que é? Tô pagano”, essa “moçada” também vai querer receber o seu bocado, pois, sem dúvida alguma, eles estão pagando, e pagando muito caro!

Quer saber no que eu acredito: acredito que em muito pouco tempo toda esta farsa vai cair! Acredito que esta multidão de gente espoliada e enganada vai se revoltar, assim como aconteceu na Revolução Francesa, pois eles estarão exaustos de pagar tanto “imposto” travestido de dízimo, e não ver nada acontecer. Estarão fartos de ver “pastores”, “bispos”, “apóstolos”, e outras “divindades” enriquecendo a custa de sua inocência, de seu desespero e, não raro, de suas excentricidades.

Espero firmemente que a farsa termine e que a farra acabe! No que depender de mim, como profeta do Senhor, continuarei a denunciar este estelionato, este anti-Evangelho, esta deformação de fé em Jesus Cristo. Estarei incansavelmente pregando, escrevendo, e fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para que este engodo seja, em fim, revelado aos olhos de todos.

Minhas orações estão centradas para que Deus, no zelo que tem por Sua palavra e pelo Seu povo, interfira com justiça e juízo sob tudo o que está sendo feito. Meu desejo é que Ele haja logo, antes que venhamos a experimentar o que hoje acontece na Europa, onde as catedrais viraram boates e o povo nada quer saber sobre Jesus.

Na Revolução Francesa, o destino da família real não poderia ser pior: a guilhotina. Fico pensando que destino espera aqueles que estão profanando a Palavra do Senhor e enganando o povo que foi comprado pelo Sangue do Cordeiro? Não desejo nenhum mal a ninguém, mas se esta moçada for parar no inferno, poderá, usando outro bordão da Lady Kate, fazer a seguinte barganha com o capeta: “que que é ô seu diabo! Descola aí um lugarzinho meior pra nós, causo de que grana nós tem; o que só nos falta-nos é o gramour”. Pois é, se isso acontecesse, sabe o que eu acho que o “tinhoso” responderia: “tá amarrado!”.


Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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