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26 dezembro 2013

Quando o Amor não é o Bastante



Em Recife, o tradicional Quartel do Derby, sede do comando da Polícia Militar, foi palco de duas grandes celebrações nestes dias natalinos: uma no dia 24 de dezembro, que reuniu os católicos na tradicional “Missa do Galo”, e a outra, no dia 25, que reuniu os evangélicos para o culto: “Que Haja Paz na Terra”. 

As celebrações reuniram milhares de pessoas e tiveram momentos de fé, alegria, e gratidão a Deus. Também foi possível apreciar, em ambos os encontros, as belíssimas apresentações de grupos musicais, além das homilias que lembraram o nascimento de Jesus. A mensagem dos católicos foi proferida pelo arcebispo de Recife e Olinda, Dom Fernando Saburido e a dos evangélicos, pelo presidente da Assembléia de Deus local, Pr. Ailton José Alves 

Tudo foi muito bonito! Só uma coisa, todavia, não foi possível de se ver: os dois grupos celebrarem este momento de gratidão a Deus juntos! Sim, para tristeza dos que percebem o que acontece nos bastidores da religião, ambas as confissões não puderam, com suas ações, anunciar a maior de todas as mensagens: a Boa Nova do Evangelho que afirma que Deus encarnou entre os homens para dar-lhes a esperança da Salvação. 

Não foi possível para os católicos, ter os evangélicos em sua celebração, assim como não foi possível para os evangélicos, ter os católicos na sua. É que este encontro poderia ser explosivo! A inimizade é histórica, e desperta os mais hostis sentimentos. Ambos os grupos, inclusive, atrevem-se a se considerar a única e verdadeira igreja de Jesus Cristo sobre a Terra. Também é fato que os dois reivindicam para si a chancela dos céus e o direito de propriedade ao uso do nome de Deus. 

É um contra-senso, mas é real! A posição assumida por estas duas igrejas, contudo, vai violentamente de encontro ao ensino de Jesus. Em sua oração sacerdotal, em João capítulo 17, o Galileu afirmou: “Pai, eu oro para que eles sejam um, assim como Tu ó Pai e Eu somos um... Faço isso para que o mundo creia que Tu me enviastes”. Para o Cristo de Deus, o amor bastava. Mas, para os cristãos...

De fato, uma celebração conjunta não seria mesmo viável. O bispo católico, por exemplo, iria ser criticado por suas vestes sacerdotais e, ao mesmo tempo, o pastor evangélico, por sua homilética mais exaltada. Não seria possível também realizar a eucaristia, pois um grupo crê na transubstanciação e o outro se divide em posições teológicas distintas, tais como: um memorial, a consubstanciação e a presença mística. Em resumo, no altar que celebra a Deus, se um grupo se fizesse presente, o outro seria excluído. 

Outro problema que precisaria ser enfrentado diria respeito às canções a serem entoadas. É que os evangélicos rechaçam a adoração a figura de Maria, mãe de Jesus, e se recusariam a cantar algo que fizesse alusão a ela. Ao mesmo tempo, os católicos possuem aversão aos líderes da Reforma do século XVI, que compuseram alguns dos belíssimos hinos que estão presentes no hinário protestante. 

E assim, por total impossibilidade de celebrarem conjuntamente o nascimento do Deus que se fez homem, em Recife, católicos e evangélicos tiveram duas celebrações. Mas é importante que se diga que Jesus encarnou para salvar a humanidade, da qual fazem parte católicos, evangélicos, espíritas, budistas, islâmicos, judeus, pois, conforme a Escritura, a única religião de Deus é o amor. 

Portanto, na celebração do Natal, os cristãos podem até dizer uma parte da passagem do Evangelho que afirma: “Glória a Deus nas alturas!”, mas, em definitivo, não podem dizer a conclusão da citação que expressa: “E paz na Terra aos homens de boa vontade.”.

Carlos Moreira

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