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24 março 2011

Sob Pressão


A semana passada estava em São Paulo a trabalho. Num dos compromissos que tive, visitei o diretor de uma grande multinacional da área de telecomunicações.

Depois de uma rápida espera, fui recebido. “Tenho pouco tempo”, disse-me logo na partida. Conversamos rapidamente. Falei sobre o que havia programado e, de súbito, minha abordagem foi interrompida – “esta semana demiti 14 pessoas. Disseram-me que não vai haver reposição, pois trata-se de redução de custos. Tenho de fazer mais com menos. Não estou dormindo bem nem me alimentando adequadamente...”. 

Após um silêncio desconfortável, voltamos à tratativa original... Terminei a abordagem. Ele agradeceu, disse que ia analisar e retornaria. Eu, contudo, saí daquele lugar com duas certezas: (1) aquele homem não vai comprar o que eu fui vender; (2) estive por alguns minutos diante de uma das pessoas mais angustiadas de toda a minha vida.

Sob pressão. As pessoas estão sob forte pressão. Lembrei da famosa música da banda inglesa Queen “Under Pressure”. Ela foi composta em 1981, no auge da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética. Naquela década, o “conflito camuflado” ganhou contornos mais fortes por causa do aumento da corrida armamentista, motivada, sobretudo, pelo projeto “guerra nas estrelas” do Presidente Reagan.

A tensão daqueles dias era enorme. Numa das frases da canção podia-se ouvir: “É o terror de saber a que ponto chegou o mundo. Observo alguns bons amigos que estão gritando: "deixe-me sair!”. Pensei comigo mesmo: era este o sentimento daquele homem com quem estive a pouco. Ele estava tentando me dizer: “deixe-me sair”.

Também tenho vivido dias difíceis... Às vezes acho que não vou suportar. É pressão de todos os lados. Em qualquer direção para onde me viro, há algo me “comprimindo”. O apóstolo João dizia em seu tempo: “os dias são maus”. Talvez, se vivesse hoje, diria: “os dias são insuportáveis”.   

Questão: o que fazer para lidar com isto? Pressão de todos os lados. Pressão de ter de ser o melhor, o mais rápido, o que vende mais, o que chega primeiro, o que tem as melhores idéias, o que bate primeiro as metas, o que consegue mais clientes, o que gera mais resultados, o que tem a melhor formação, o que é mais competente... Me diga, com sinceridade, dá para suportar?

O que sei é que eu já vivi o suficiente para saber o que a pressão gera nas pessoas. Além de gastrite, insônia, ansiedade, desconforto torácico, dores abdominais, boca seca, dor de cabeça, dentre outros sintomas, a pressão gera dois problemas perigosíssimos para a fé: a auto-suficiência e a alienação. O primeiro trata da ilusão de acharmos que nós é que fazemos tudo acontecer, que os resultados são fruto apenas de nosso esforço. O segundo nos leva a crer que a existência é uma corrida de cem metros, que o importante é como você começa, e não como você termina, que as coisas são como são, que tudo se restringe ao aqui, ao agora, a este mundo, as realidades tangíveis, mensuráveis e concretas. Tudo engano... Tudo falácia...  

Em sua carta aos Filipenses, Paulo nos apresenta dois remédios para estes males. “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus”. Fp. 4:6-7.

Para destruir nossa auto-suficiência ele nos recomenda orar. Na verdade, fala de orar intensamente, suplicar. A oração é o reflexo de um coração que aprendeu a depender de Deus, que sabe que a vida não é ganha no “muck”, no braço, no talento ou na inteligência. Lembrei de Bill Hybel e o seu livro “Ocupado Demais para Deixar de Orar”. Sim, quem está no meio de uma grande luta, debaixo de intensa tribulação, como bem disse Rick Warren, não se dará ao luxo de ficar relaxado, despercebido, anestesiado. Não. Ele vai dobrar os joelhos e buscar a Deus com o mais íntimo de sua alma, ele vai derramar toda ansiedade e toda inquietação sobre aquele que pode apaziguar suas guerras e lhe dar quietude no ser.

A outra coisa que Paulo nos ensina é sobre viver em paz. Ele fala da paz que vence o entendimento. Trata-se, na verdade, do desafio de viver de forma diferente, baseado em princípios mais elevados. Veja o verso 8: “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama...”. São estes valores que nos ajudam a suplantar as sistematizações e racionalizações as quais estamos expostos, pois eles nos alçam para além das circunstâncias, nos dão tranqüilidade mesmo em meio aos fatos mais negativos e perversos do cotidiano.

Quando saí daquela empresa e entrei no taxi para voltar ao escritório, fiquei pensando que certamente o que aquele homem precisava naquela tarde não era ouvir o discurso de um executivo de tecnologia, mas escutar uma palavra acalentadora de um discípulo de Jesus Cristo. E eu às vezes ainda penso que meu ministério não é de tempo integral...      

Carlos Moreira

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