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25 agosto 2009

Quando o Sacramento se Transforma em Sofrimento


Introdução

“Eu os declaro marido e mulher até que o casamento os separe”. Sendo muito sincero, essa deveria ser a frase usada na conclusão de algumas cerimônias religiosas de matrimônio. Olhando para os noivos, ainda no altar, analisando a forma como eles construíram aquela “história de amor”, nem é preciso ser profeta para vaticinar o provável desfecho. Sim, em pouco tempo, a não ser que haja uma mudança absoluta de direcionamento, aquilo lá vai para o beleléu! É que, não raras vezes, o “casamento” se transforma em veneno e, em curto prazo, mata o relacionamento.

Nós vivemos na sociedade dos descartáveis. Quase tudo à nossa volta, em termos de bens de consumo, é feito para durar pouco, ser substituído facilmente, ou ser reciclado. Talvez, por conta disso, começamos a amar coisas e usar pessoas. É muito comum, em conversas pastorais, diante de gente que teve o coração despedaçado pela perda do “grande amor da vida”, ouvir expressões do tipo: “ eu fui usada”; “sou apenas um joguete”; “não tenho qualquer valor”. A verdade é que, cada vez mais, amontoam-se os casos dos que são tratados como coisas e descartados como lixo.

Outra questão que também está muito presente em nossos dias é a impermanência. Trata-se da ausência de qualquer existência duradoura, estável e inerente. Impermanência é uma crença budista, que está presente nos “Três Selos do Dharma”, e postula que “as pessoas mudam, os fenômenos mudam. Nossos pensamentos, sonhos, sentimentos, idéias, vida, estão sempre em transformação. Nada permanece inalterado”. Olhando para o conceito sem pré-conceitos, não vejo nada extraordinário. Parece-me, apenas, a simples constatação dos “movimentos” próprios da existência humana. O problema é que, nós “evangélicos”, temos por premissa jogar no “lixo” tudo aquilo que é dito fora de nosso “mundinho eclesiástico”, como se a sabedoria fosse apenas um privilégio dos “santos”, e não um dom de Deus às Suas criaturas.

Descendo a Ladeira

Pois bem, o que tenho visto nos relacionamentos conjugais pós-modernos é justamente um misto de algo descartável e impermanente. Casamento não é mais um projeto existencial de longa duração, mas um contrato de prestação de serviço de curto prazo. As pessoas querem apenas ser felizes e, em nome dessa “tirania da felicidade”, ou seja, desse desejo de ser feliz a qualquer custo, como se felicidade fosse um estado perene, e não uma estação sazonal, estão dispostas a fazer qualquer coisa, inclusive, trocar de parceiros tantas vezes quantas sejam necessárias, até que o “príncipe” ou a “princesa” encantados seja encontrado.

Ora, eu não sou legalista, ou contra separações, mesmo sendo pastor de igreja. Crucifique-me quem quiser! E não me venha com sua “exegese de gaveta”, viciada, baseada no uso do texto que exalta a letra das Escrituras, mas exclui o Espírito do Evangelho. Sei, todavia, que meu trabalho, como sacerdote, é ajudar pessoas a construir vínculos afetivos fortes e duradouros. Contudo, não há como negar que, às vezes, vida de marido e mulher torna-se uma fábrica de neuroses e amarguras. Nesses casos, quando verifico que o ficar junto se constitui algo totalmente insalubre ao ser, pois está diluindo a substância interior das pessoas, além do desastre que é para os filhos ter de conviver com essa “ferida purulenta”, não raro apenas para manter as aparências, sejam religiosas, sejam sociais, aceito o fato de que, o que Deus não uniu, o homem pode separar.

De fato, o que tenho visto em certos tipos de vínculos conjugais é que eles, de tão adoecidos que estão, acabam se constituindo em algo profundamente nocivo a psique do casal. Dentro deste contexto, surgiu em nossa sociedade um tipo de patologia relacional que vem crescendo assustadoramente nos últimos 10 anos. Trata-se da famosa “solidão a dois”. A “síndrome” baseia-se na premissa de que os casais modernos estão mais preocupados em competir do que em construir, vivem juntos, mas existem desconectados. Moram na mesma casa, dormem no mesmo quarto, mas não conseguem experimentar um mínimo de conjugalidade. Possuem dois carros, duas camas, dois computadores e duas contas correntes. Têm amigos separados, lazer separados, filhos separados, bens separados, ou seja, tantas coisas fora do comum, e tão poucas em comum que, por fim, acabam olhando-se nos olhos e se perguntando: “ por que foi mesmo que nós nos casamos?”.

O “buraco”, todavia, parece estar bem mais embaixo. Na prática, o que tenho visto é uma total falta de apetência dos casais em querer, de verdade, considerando, inclusive, os “custos” envolvidos – renúncia, paciência, humildade – que a relação ganhe significado e propósito, mesmo que em meio a crises. Desavenças e desajustes, neste mundo louco que vivemos, é algo comum e até natural! Desencontros são maravilhosas oportunidades de crescimento, de amadurecimento, de abrirmo-nos à percepção do outro, de suas dores, medos e idiossincrasias. Crises são, via de regra, a melhor chance de um casal ajustar-se para viver uma existência sadia e equilibrada, onde busca-se mais a alegria e o bem-estar do outro, do que o seu próprio. Mas, o problema é que nós queremos apenas ser felizes e, como diz o “poetinha”, “tristeza não tem fim, felicidade sim”...

Sinais de Fumaça

O trágico equívoco desta história está no fato de imaginarmos que os problemas conjugais só começam após o casamento, ou seja, que são frutos da falta de tato e habilidade dos cônjuges em conduzir o relacionamento entre quatro paredes. Que nada! Isso é lenda! Folclore puro! A bronca começa bem lá atrás, no alicerce e nos pilares, nos valores e conteúdos, na forma como a relação está sendo construída.

Pastores e Padres sabem o que eu estou dizendo... Sim, nós sacerdotes da igreja, incumbidos de realizar o sacramento do matrimônio, nos encontramos, por vezes, entre a “cruz” e a “espada”! Neste caso, entretanto, o dito popular ganha nova significação. Cruz passa a ser a representação do fardo existencial que os nubentes vão arrastar pela estrada da vida a dois, mas que, tristemente, ainda não sabem. Espada, por sua vez, é a sentença de morte, que já está posta, em algum lugar do futuro-próximo, pois, não tenha dúvidas, mais dias menos dias, um dos dois cônjuges será “decapitado” ou, quem sabe até, ambos!

Tentando encontrar alternativas para minimizar estes problemas, adotamos, em nossa denominação, o costume de, antes do casamento, termos alguns encontros com o casal para avaliar as motivações e o estado de ânimo em que eles se encontram. Normalmente esta iniciativa ajuda os noivos com questões pendentes, detalhes da cerimônia e, às vezes, até na solução de problemas. Pois bem, é justamente aí que, não raras vezes, já começo a perceber o cheiro de “angu queimado”... É que não é difícil discernir um relacionamento adoecido, mesmo tratando-se do primeiro encontro. Muitas vezes, uma simples conversa é capaz de revelar marcas e medos que só se fazem presentes em relações que foram vitimadas por enormes desgastes.

Diante de tais circunstâncias, a impressão que tenho é que a separação já aconteceu, não obstante o casamento ainda não ter sido realizado, ou seja, o casal já está separado, antes mesmo de se separar, só que ainda não está percebendo. Talvez, justamente por isso, é que exista uma certa expectativa mística em torno da cerimônia de matrimônio, como se o ato religioso pudesse produzir um efeito milagroso capaz de mudar realidades interiores.

Luzes, Câmera, Ação e Decepção!

Eu casei em 1991, numa cerimônia simples, à beira de uma piscina, no entardecer do mês de dezembro. De lá para cá, vi o sacramento se transformar num verdadeiro business. Hoje, casar como “manda o figurino”, é coisa dispendiosa e extremamente complexa. Para realizar a festa, prepare-se para gastar dinheiro, algumas dezenas de milhares de reais, e arregace as mangas, pois os preparativos começam com, pelo menos, um ano de antecedência.

Planejamento é a chave do “sucesso”! A coisa é tão organizada que possui até planilha de custos. Nela estão incluídos itens como: local, decoração, maquiagem, filmagem, sonorização, orquestra, bufet, iluminação, convites, dentre outros. Uma festa de casamento, realmente organizada, pode chegar a contar com uma equipe de até 40 pessoas trabalhando, pois, lembre-se: tudo precisa ser perfeito para que o evento seja inesquecível!

Olhando para este cenário, acho intrigante o fato de alguns casais desejarem se casar no religioso. A questão é simples: se eles não possuem um relacionamento com Deus, não estão dispostos a conhecer Sua vontade, não discernem os princípios das Escrituras, nem muito menos os valores intrínsecos à fé, por que, então, querem realizar tal ato? Se são apenas praticantes da religião institucional, hereditária e nominal, por que desejam o sacramento?

Ora, eu penso que quando esses pressupostos não se estabelecem como verdade nos “ambientes interiores”, de tal forma que o que se exteriorize seja apenas a significação do que já acontece no íntimo do ser, o que está sendo feito é apenas uma encenação social. É um enorme equívoco acharmos que algo possa ser sagrado sem proceder do coração, pois sagrado é tudo aquilo que reverencia a Deus no íntimo, e vaza pela vida em expressões de fé e gratidão. Tudo o mais é liturgia oca e sem propósito, é apenas o badalar do címbalo que retine, mas que não produz música para acalentar a alma, nem a alegria desejosa e amante que apaixona os apaixonados.

Remendo Novo em Vestido Velho?

Outra questão que avilta ainda mais o paradoxo está no fato de que, nas Escrituras, casamento sempre foi algo totalmente diferente do que aí está posto. Matrimônio, do ponto de vista bíblico, é algo simples, familiar, despretensioso, sem implicações regulamentares que possam ir além do pacto de amor e fidelidade entre os que se amam. A verdade é que a evolução sociológica da instituição do casamento acabou dessignificando por completo o ato diante de Deus e, porque não dizer, até mesmo diante dos homens.

Fato mesmo é que essa cerimônia de ritos e pompas é apenas a projeção dos plebeus acerca do casamento dos nobres. Festa com trombetas, véu, grinalda, entrada triunfal – já vi uma até com tiro de canhão – padrinhos e madrinhas, págens, corais, e a “corte” assistindo, como diz o Caio, é a simbolização dos casamentos de príncipes e princesas da Idade Média. Ora, convenhamos, você não acha que fica meio ridículo nós, descendentes de índios tupiniquins, querermos aparentar a sofisticação da burguesia européia?

O que tenho visto, na prática, é que os noivos pensam em tudo, até numa assessoria para ajudar na preparação do feito apoteótico, gastam “aos tubos”, chamam os amigos, parentes, aderentes, mas não possuem qualquer entendimento daquilo que Deus deseja que se realize. Eu não sou contra a festa, mas sou contra toda festa que aconteça apenas para fora, e não parta das dinâmicas que acontecem do lado de dentro, onde apenas Deus pode, de fato, fazer soar a música e brotar a alegria. Já vi casamento em que os noivos, ao apresentarem a lista das canções, sequer incluíram uma que fosse para adorar a Deus! Ora, se Deus é apenas adereço, por que então não assumir isso e fazer uma cerimônia apenas social? Não seria mais honesto?

Por isso, não raras vezes, sinto-me como se fosse uma espécie de “vela de altar”, ou seja, apenas um enfeite a mais na belíssima e requintada festa. E logo eu, branco do jeito que sou e vestido com vestes clericais, para vela, só fica faltando o fogo! Ora, se eu, que sou pó e poeira, me sinto meio sem sentido naquele altar, imagina, então, como não se sente aquEle que significa não só o altar, mas também a cerimônia, o sacramento, o casamento e a vida? Triste, não? E eu ainda tenho que ficar esperando, rindo e achando bom, às vezes mais de hora, a beldade da noiva chegar... Vá ser pastor! E o salário, ó!!

Depois de tudo isso, do esvaziamento dos significados da festa, do empobrecimento dos valores da cerimônia, da banalização dos preceitos do sagrado, o casal ainda deseja que Deus saia da igreja juntinho com eles, se possível, de mãos dadas com os pombinhos. Imaginam, equivocadamente, que a benção do Senhor se estabelecerá, de forma mágica, sobre as suas vidas pelo resto de seus dias, e isso sem qualquer perspectiva de mudanças posteriores. Ah, meu bom, me poupe! Não dá dois anos! Sim, esse é o tempo médio de muitos casamentos em nossos dias. É só a crise chegar, seja de que natureza for, para aquele “endless love” sair voando pela janela.

Cenas dos Próximos Capítulos

O que vem a seguir, todavia, seria hilário, não fosse trágico. O casal, mergulhado numa crise sem fim, perdido de Deus e de si mesmos, depois das luzes, cores e brilhos da festa terem se apagado, e a dura realidade da rotina e das contas a pagar ter chegado, tem ainda que aturar o coro desafinado da “moçada” da religião que, diante do infortúnio, tem a petulância de protestar em alto e bom tom: “O que Deus uniu não o separe o homem”. Mc. 10:9.

Cabe, aqui, perguntar: que tipo de entendimento temos sobre esta passagem? Será que ela trata do fato de ter Deus decidido, de forma unilateral e determinista, quem deva ser o nosso par na existência? Que a escolha foi dEle, e não nossa? Que Ele é uma espécie de deus grego que, com arco e flexa na mão, feito um cupido irresponsável, sai flexando as pessoas para obrigá-las a viver juntas para sempre? Me perdoe, mas eu não creio nisso. Não creio que Deus faça tal escolha nem por mim nem por você, como também não creio, por exemplo, que Ele escolha nossa profissão.

A coisa fica ainda pior quando se acrescenta a esse fatalismo-místico, exposto acima, uma analogia bíblica explicitamente legalista, baseada numa exegese tendenciosa e preconceituosa. Desta perspectiva, Jesus estabelece que a separação conjugal produz um estado de total impossibilidade de reconstrução da vida a dois, a não ser que tenha ocorrido um caso de adultério. Em tais circunstâncias, ficaria, então, “legalizado”, o direito a novas núpcias. Bizarro! Não parece ter nada a ver com a forma como o Galileu lidava com os dramas da vida. Sempre achei essa linha de interpretação muito perigosa, pois ela coloca na mente e na boca de Jesus conceitos e palavras que Ele pode, jamais, ter Se prestado a defender.

No mesmo contexto, também acho absurdo os que reconhecem a responsabilidade pela escolha conjugal que fizeram, mas, em paralelo afirmam que, a partir do momento que foram ao “altar-mágico” da igreja, Deus tomou parte no processo e, por conta disso, passa a obrigá-los ao convívio marital pelo resto da vida, mesmo quando fica claro que a decisão tomada foi totalmente equivocada. A conseqüência óbvia de tal pré-disposição é que o casal, por medo das supostas reprimendas do Altíssimo, permanece casado no papel, mas completamente separado no coração.

Para mim, todavia, ainda há algo mais impensável: os que em meio a uma relação claramente desprovida de sentido existencial, acabam torcendo, às vezes inconscientemente, para que o cônjuge, ou morra – que Deus o tenha! – ou adultere. A explicação para algo tão adoecido é simples: em ambos os casos, tanto a “letra morta” das Escrituras, quanto os “homens do sagrado” poderiam fornecer à devida “legalidade” institucional para chancelar a autorização que o pobre infeliz necessita para contrair a tão sonhada nova núpcia. É muita doideira!

Eu não creio, em se tratando de casamento, que Deus faça escolhas por nós nem, muito menos, que nos obrigue a viver com as decisões equivocadas que tomamos pelo resto da vida. Creio, sim, que Ele abençoa toda escolha que é feita levando-se em consideração os Seus princípios. É isso que entendo quando leio o texto “ o que Deus uniu não o separe o homem”, que tudo aquilo que foi feito em fé e calcado em valores e verdades, é algo realizado da perspectiva de Deus, e, por conta disso, o homem não deve desfazer. Sobre os que agem de tal forma, penso, repousa, ainda que em meio a lutas e dores, a paz que apazigua toda desconstrução interior. É isso que dá consistência a liga da qual é feito o “cordão de três dobras”, que não se rompe com facilidade, pois é o próprio Deus quem o mantém como uma corda de amor capaz de sustentar o relacionamento dos que nEle se amam.

Conclusão

Sinceramente, não creio ser possível construir um caminho existencial a dois, de forma sólida e séria, sem levar em consideração cada uma das questões aqui expostas. Se desejamos apenas cumprir os “códigos” da religião, sem atentar para a necessidade de haver pressupostos no coração, devemos ter claro o fato de que, em se tratando de casamento, poderemos até realizar uma bela festa, repleta de ritos sagrados, mas que, em sua essência, estará esvaziada da presença do Sagrado, que é o que dá sentido e significado ao rito.

E mais, o que tenho visto é que, quando o relacionamento não foi construído da maneira correta, antes das núpcias, acaba potencializando as chances de replicar as mesmas questões para a vida de casado, que passará, então, a acumular os desgastes do namoro e do noivado com os novos problemas da vida conjugal. Relacionamentos afetivos precisam de profilaxia, ou seja: cuidados diários, investimentos constantes e tratamento, quando necessário. Se isso não for observado, pode aguardar, pois, provavelmente, a tragédia está a caminho...

Por outro lado e, como mamãe dizia, às vezes “é melhor está só do que mal acompanhado”. Sim, tenho visto muitas experiências de solidão que, quando processadas pelo solitário de forma reverente consigo mesmo, acabam gerando desdobramentos existenciais extraordinários. Pessoas sozinhas tendem a crescer mais para dentro do que para fora. Este tipo de experimentação equilibra o corpo, aquieta o espírito, e produz paz e bem para a alma. Corrobora comigo o pensamento de Fernando Pessoa quando afirma: “a liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.

Sendo bem pragmático, creio haver mais chances para o solteirão solitário, que experimentou estes matizes interiores, construir um relacionamento duradouro, do que para o conquistador compulsivo, de sentimentos “reciclados”, ávido por relações de alto risco, estabelecer um convívio sustentável. Portanto, prefiro quem experimenta a liberdade de estar só, do que quem se “amarra” a uma companhia indesejável, mesmo que pela via do “sagrado” matrimônio.

Se você me convidar para realizar o seu casamento, certamente, fá-lo-ei com muito prazer. Ficarei ainda mais feliz se perceber que você discerniu o que está no “coração de Deus” e, por conta disso, tem buscado honrá-lo, não apenas no dia da festa, mas em todos os dias de sua vida.

Quanto à cerimônia, quero apenas lhe pedir um favor: se você for atrasar muito, não esqueça de me ligar antes, pois, nesse caso, não precisarei ficar em pé no altar, todo paramentado, suando feito “tirador de espírito”, rindo sem motivos para centenas de convidados que, impacientemente, estão esperando. Lembre-se: nem sempre as pessoas estão num dia bom e, se esse for o meu caso, para seu azar, posso também prolongar a liturgia do ato pelo mesmo tempo que você me fez esperar, horas a fio, pois, creia-me, é mais fácil tirar uma chupeta da boca de uma criança chorando, do que um microfone da mão de um pastor com desejo de pregar.

Sola Gratia !

Carlos Moreira

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