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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

10 dezembro 2018

“João sem Deus”?



Na última semana, em entrevista ao programa global do jornalista Pedro Bial, a holandesa Zahira Lieneke, uma das mulheres presentes, denunciou o médium João Teixieira de Faria – o João de Deus – por abuso sexual.

João de Deus atua há mais de 40 anos fazendo cirurgias e outras ações de curas espirituais no município de Abadiânia, interior de Goiás. A Casa Dom Inácio de Loyola, onde os procedimentos são realizados, tornou-se mundialmente conhecida e recebe cerca de 10 mil pessoas por mês para tratamento.

Ontem, no programa Fantástico, outro grupo de mulheres veio a público para declarar que foram vítimas de abusos e estupros, supostamente cometidos pelo paranormal, entre os quais, um relato de quem foi abusada na adolescência. A situação tomou tal proporção que o Ministério Público, que apura o caso, já conta com mais de 200 pessoas que querem depor contra João de Deus.

Eu não sei se João é culpado, a polícia e a justiça devem decidir isso, mas se ele for condenado, eu posso afirmar, com convicção, que nele operou-se o mesmo princípio que opera em Lúcifer: a “Síndrome de Deus”.

As Escrituras não negam a existência da paranormalidade, há casos, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, onde encontramos a liberação de poder sobrenatural através de magos, místicos, feiticeiros e paranormais, os quais operaram coisas extraordinárias, inclusive curas.

Portanto, sim, é dom de Deus, uma vez que, conforme Tiago: “Toda dádiva e todo dom perfeito vem do alto, do Pai das Luzes...”. Tg. 1:7. Paulo, complementando esse conceito, nos informa que “Os dons de Deus são irrevogáveis”, conforme Romanos 11:29, ou seja, o dom está na pessoa, mas pode ser usado, tanto para o bem, quanto para o mal, tudo é uma questão de consciência.

Assim, João, se culpado, é uma vítima de sua própria soberba, de um egocentrismo despudorado, pois, sendo usado por Deus, achou que em si mesmo pudesse haver tal poder sobrenatural, como se ele fosse a fonte primária dessas realizações. Ainda que recitasse, conforme relatos, que nada daquilo era feito por ele, no fundo, seu coração já havia se corrompido, era apenas um mantra psicológico, mas sem qualquer reverberação para a vida.

A verdade é que homem algum suporta existir no lugar de Deus, a glória de Deus é veneno para nós, mortais, o poder de Deus, mal utilizado, desconstrói nossas estruturas psíquicas e nos leva ao surto diabólico que produz o desejo de ser como ele é. Aí o indivíduo não teme mais nada, nem ninguém, está acima do bem e do mal, pode realizar qualquer coisa, transformar pedra em pão e subir no pináculo do templo, ele cura, ele salva, ele liberta, pois ele é Deus!

O capítulo 28 do Livro do Profeta Ezequiel nos revela essa fenomenologia associada ao rei de Tiro. Na metade do texto, todavia, faz um paralelismo com o próprio Satanás, mostrando-nos que o princípio que operava em um, é o mesmo que operava no outro. O resultado final, inexoravelmente, é a destruição do ser, a corrupção da alma e a desapropriação do coração, homens, mesmo sem perceber, podem transformar-se em diabos.

João, se culpado, esqueceu-se que, para quem é de Deus, não basta apenas fazer o bem, tem de faze-lo da forma certa, movido pelo amor, mas sem esquecer-se de cerca-se, por todos os lados, pela ética, pela verdade e pela justiça.

Esperemos, todavia, a comprovação dos fatos, aqui não há um juízo temerário, apenas a revelação da fenomenologia que já foi constatada em situações semelhantes (só neste ano, Maury Rodrigues da Cruz e Sri Prem Baba).

Desta forma, se culpado, “João sem Deus”, mais do que nunca, precisará da misericórdia de Deus, pois, na medida em curou milhares, adoeceu e feriu a outros tantos. O perdão do Pai, certamente, não lhe faltará, mas o castigo e a justiça dos homens, todavia, não lhe serão negados


Carlos Moreira




07 dezembro 2018

A Supremacia Evangélica





Não se poderia esperar nada diferente depois de décadas de doutrinação baseada no positivismo de Augusto Conte – convertido a fé cristã – dos ensinos de Kenneth Hagin, Morris Cerullo e Benny Hinn, com a teologia da prosperidade, e da indústria de milagres e manifestações metafísicas de Macedo, Valdemiro, Agenor Duque, Estavan Hernandes e outras entidades do mundo religioso.

A nova ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, a pastora Damares Alves, chegou para causar, e vem com toda essa bagagem que eu citei acima, ainda que ela, praticamente, não sirva para quase absolutamente nada com o qual ela vai lidar, sobretudo num estado laico.

Admira-me o Presidente Bolsonaro, que disse que não lotearia cargos, ter feito essa gentileza apenas para acalmar a bancada evangélica, insatisfeita com as indicações do Todo Poderoso – o da Terra, não o do Céu.

Em 2016, em pregação na Igreja Batista da Lagoinha – aquela que tem aqueles aloprados do show business gospel – a nova ministra disse o seguinte: “... As instituições estão todas piradas... Não restou à nação senão a alternativa de confiar nas denominações evangélicas... Chegou a nossa hora. É o momento de a igreja ocupar a nação. É o momento de a igreja governar. Se a gente não ocupar esse espaço, Deus vai cobrar da gente." (sic).

A profecia se cumpriu, aleluia! Ou seria, misericórdia? Até o diabo treme com uma declaração dessas. Sim, ela tem tudo a ver com a religião, mas não tem nada a ver com Jesus, com o Evangelho ou com o Reino de Deus. Se restou a nação confiar nas denominações evangélicas, como ela afirma, já estou pulando do barco, sei como essa engrenagem gira, o Congresso vira creche de criancinha junto dessa moçada, que além de usar de esperteza, fisiologismo, tramoia, charlatanismo e estelionato, tem a divindade a seu favor, um Deus só pra si, capaz de realizar coisas imponderáveis para agradar “seu povo”.

Dá tristeza? Dá. Mas causa muito maior indignação a distorção fraudulenta da mensagem e do ensino de Jesus. O mesmo Jesus que disse a Pilatos que seu Reino não era desse mundo, o mesmo Jesus que disse aos Fariseus que seu Reino não tinha aparência, nem opulência, nem cargos, nem tronos, nem poderes transitórios, nem planos expansionistas, nem instâncias de poder, nem propósito de dominação.

Jamais, em momento algum, Jesus imaginou que sua igreja teria o desafio de dominar a Terra, de governar nações, de reger política e economicamente os povos. A igreja nada mais é do que o encontro singelo e despretensioso de gente que foi reinventada pela graça, alcançada pela misericórdia, pessoas do bem em torno da mesa da comunhão para celebrar o amor e o perdão. Ela não passa de um ajuntamento transitório, não físico, não geográfico, não hierárquico, não normatizável, não institucionalizado, um ente espiritual, um corpo imaterial ligado a Cabeça, que é o próprio Senhor, um espaço de fomento de consciência para a vida e de envio de anônimos da existência para suportar os desvalidos, os desterrados, os invisíveis, os pobres, os famintos, os discriminados, todos os que estão nas cenas do cotidiano dos dias.

Ah, ministra, quanto equívoco em suas palavras, quanta distância há nelas em relação as palavras do Galileu. Não, Deus não vai cobrar nada de ninguém, muito menos que sua igreja ocupe os espaços do poder público, pois toda a dívida foi paga, tudo está consumado e cravado na Cruz. Não, não é nosso papel, como discípulos de Jesus, tomar o poder temporal dos homens, pois todo poder, conforme Paulo aos Filipenses, já foi dado a Jesus, não estamos atrás de tronos humanos, mas de paz, alegria e justiça, pois destas coisas é feito o Reino de Deus.

Espero, de todo o coração, um bom reinado a ministra, que suas ações possam redundar em benefício da sociedade, e não de sua igrejola ou denominação, pois para este fim ela foi colocada no cargo.

Quanto a “supremacia evangélica”, ainda não vimos nada... A última vez que esse firme passou, na idade média, a bola da vez eram os Católicos Romanos, e houve um apagão geral, trevas sobre tudo e todos. Muito em breve, todavia, como tanto se sonhou, o “Brasil será do Senhor Jesus”, teremos um “crente” no poder, e aí você vai ver a democracia virar teocracia, e por incrível que pareça, vai sentir saudades de Color, Lula, Dilma e Temer...


Carlos Moreira

04 dezembro 2018

Pastor sou Gay, e Agora?

Em entrevista pública em 2015, o cantor e compositor inglês Helton John declarou: “Se ser gay fosse uma opção, dificilmente haveria homossexuais”. Eis aí um tema controverso, capaz de gerar as mais diversas polêmicas e despertar o mais primitivo de todos os ódios, não só no meio religioso, mas na sociedade como um todo. Na história humana, a homoafetividade – termo que melhor enquadra o tema – já foi admirada, condenada e, em alguns casos, tolerada. Quando admirada, respaldava-se na crença de que o indivíduo poderia se tornar melhor com seu usufruto, como no mundo da antiga Grécia e no Império Romano. Nos casos de condenação, é considerada prática pecaminosa pelas religiões de matiz abraâmica – Judaísmo, Islamismo e Cristianismo –, além de, na idade média, ter sido diagnosticada como transtorno de ordem mental, o que desembocava, não raro, no confinamento da pessoa num centro de tratamento médico-psiquiátrico. Na sociedade pós-moderna, existe um nítido avanço quanto a aceitação dessa temática social, sobretudo no ocidente, mas em diversas outras nações, com predominância do mundo oriental, ainda existe forte preconceito e trato violente com os homoafetivos. No Brasil, os números de registro de violência e assassinato contra pessoas homoafetivas – e suas variantes – é assustador. Em 2017, representando um aumento da ordem de 30% de anos anteriores, houve 445 assassinatos ligados a questão da homofobia, um a cada 19 horas. Diante de um cenário tão complexo, o tema mantém-se como um dos mais polêmicos, produzindo, desta forma, no espectro religioso, questões tais como: é pecado ser homoafetivo? Uma pessoa homoafetiva pode ser salva? É possível a um homoafetivo realizar atividades na igreja? Homoafetividade é desvio moral, patologia social, inclinação psicológica ou natureza genética? Assista a mensagem e tire suas conclusões!


 

26 novembro 2018

Rebeldes com Causa

“Se você ainda não achou uma causa pela qual valha a pena morrer, você ainda não achou razão de viver”. Martin Luther king. O Anarquismo é uma ideologia filosófica que se opõe a todo tipo de hierarquização ou dominação, seja ela política, religiosa, econômica, social ou cultural. O fim último do Anarquismo é a constituição de uma sociedade libertária baseada na cooperação e na ajuda mútua entre os indivíduos. As ideias anarquistas tiveram forte influência do filósofo francês do século XIX Pierre-Joseph Proudhon, que foi considerado por Kark Marx como sendo um “socialista utópico”. Mas o maior “anarquista” de todos os tempos viveu na Galiléia, debaixo do sol escaldante da Palestina. Seu nome era Jesus, de Nazaré, e seus seguidores foram os promotores da mais revolucionária proposta de transformação da sociedade humana da qual se tem notícia: o Reino de Deus. A mensagem do Reino – o Evangelho – é não só uma carta de alforria para os homens, libertando-os de seus preconceitos e condicionamentos, mas também uma proposição viável de ressignificação da existência, uma vez que altera, profundamente, a matriz cognitiva do indivíduo com seu conjunto de valores e princípios, salvando-o, antes de qualquer coisa, de si mesmo. Em tempos de polarizações filosófico-ideológicas, de ceticismo religioso, de desumanização social e descrédito político, há ainda uma causa pela qual se valha a pena lutar, uma causa que é capaz de reconstruir o homem, de dentro para fora, dando-lhe propósito para a vida e significados para existir. Assista a mensagem e compartilhe com aqueles a quem você ama!


 

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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