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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

13 julho 2015

Perdas & Danos do Apagão Religioso




Em tempo de doutrinas espúrias e igrejas insalubres, doença pouca é bobagem. Sim, é impossível ser exposto a estas coisas e não se contaminar para o mal, não adoecer alma e coração. Um sem número de pessoas me procura com os sintomas do que eu chamo de “apagão religioso”, uma síndrome contemporânea que se manifesta após o contato com o suposto sagrado.

A religião sempre foi o abrigo dos oprimidos e refúgio dos desesperados. O indivíduo que está vivendo dores existenciais não pensa ou age da melhor forma, sobretudo, quando se trata de discernir enganos. Igrejas são hospitais, bem sabemos, acolhe moribundos e “feridos de guerra”, mas cresce assustadoramente o número de instituições que se tornaram manicômios, lugares que não recuperam ninguém para a vida e, pior ainda, ajudam a aprofundar as patologias pré-existentes e fomentam novas anomalias.

Na verdade, quanto mais tempo a pessoa ficar exposta às dinâmicas destes lugares – cultos, programas, campanhas – tanto mais sofrerá os danos. Os conteúdos inoculados, ministrados por “sacerdotes qualificados”, não passam de doutrinas sincretizadas, interpretações fraudulentas, manipulações cirurgicamente preparadas para iludir e domesticar o sujeito levando-o a se tornar uma commodity na igreja-fábrica. O objetivo final é a serialização total, a padronização de comportamentos e a unificação de pensamentos.

Para veicular este tipo de alucinógeno espiritual, é necessário um ambiente adequado. Sim, quanto mais você excita o indivíduo, tanto mais ele poderá responder a esses estímulos de forma “satisfatória”. A mente religiosa é condicionada para só se satisfazer em meio a uma overdose de sensações e sentimentos, tudo é feito para exacerbar emoções, é o clímax da alma, mas não há absolutamente nada para a mente e a razão.

Cultos catárticos, com manifestações pseudo espirituais, onde anjos e demônios aparecem com frequência e onde curas milagrosas se proliferam, faz qualquer um imaginar que está pisando em solo sagrado, que o mediador que ali está é imantado por Deus, que tudo agora é apenas uma questão de fé, pode acontecer, o milagre está a caminho. Ora, quem pode sobreviver a algo desta natureza, quem pode ficar são inalando este veneno?

O dano mental se dá, sobretudo, porque a mente que foi hipnotizada pela religião fica viciada neste processo que explicamos. Libertar alguém desta prisão dá trabalho. Quase sempre, a readaptação à vida normal leva tempo. O indivíduo religioso, ao ver-se livre dos condicionamentos aos quais foi exposto, sofre em muitos casos da síndrome pós-traumática da liberdade culposa, ou seja, demora a agir normalmente porque ainda acha que tudo o que pensa ou faz é pecado.

O tempo que leva para que haja uma rearrumação da psique é proporcional ao tempo de exposição ao qual a pessoa foi submetida a estas dinâmicas. É triste, mas em muitos casos, esses danos são irreversíveis. O sujeito alvejado de forma intensa, passa a sofrer de diversos tipos de transtornos, tais como: delírio religioso, pânico, psicose, neurose, depressão e, desgraçadamente, jamais consegue se recuperar totalmente. Psiquiatras e psicólogos sabem muito bem do que estou falando.

A premissa do Evangelho de Jesus é: “conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”. O chamado é para uma profilaxia de alma, para o quebrantamento do coração e para a transformação da mente, reajustada a novos valores e princípios que produzem paz e bem na vida. A luz da revelação de Deus, em nós, produz esperança, aponta-nos o Caminho de reinvenção de nós mesmos, da morte de quem fomos para a ressurreição de quem seremos.

© 2015 Carlos F. S. Moreira

12 julho 2015

Eu me Devoro






Tenho constatado que, para alguns, o Facebook tornou-se o espelho mágico do conto de fadas da Branca de Neve. Essas pessoas fazem suas postagens e dizem: “Facebook, Facebook meu, há no mundo alguém mais interessante do que eu?”.

É uma espécie de masturbação da alma que capta a luz da tela e se satisfaz consigo mesma. Trata-se de uma patologia que chamo de narcisismo virtual, à necessidade compulsiva de obter cliques e curtidas para tudo que se publique, um desejo obsessivo pela admiração do outro.

Na verdade, o que há por trás desta volúpia de olhares é uma alma esvaziada de significados para a vida, a qual desenvolveu um ser egocêntrico, compulsivo de aplausos, com um apetite insaciável para o elogio, um devorador da atenção alheia, um voyeur digital.

A primeira vista, pode-se pensar que o distúrbio passe com o tempo, pois o comportamento adolescente revela, sobretudo, uma imaturidade de consciência. Contudo, há de se ter atenção nos desdobramentos do problema, pois a alma tem a tendência de se viciar na overdose de sensações e sentimentos produzidos pelo ambiente virtual.

Narcisistas “normais” necessitam de elogios em doses homeopáticas, mas os narcisistas virtuais acabam se acostumando a doses cavalares de exaltação do eu. São tantos comentários que o indivíduo não consegue deixar o computador.

E assim, movido por esse impulso infantil, ele publica o que for necessário para receber “likes”, perde o senso de ética, do ridículo, de privacidade, pois descobriu que, quanto mais esquisito ou inusitado for o que posta, mais chances tem de receber, em porções exageradas, sua dose de veneno diário.

Não devemos esquecer, todavia, que o o espelho mágico do Facebook quase nunca diz a verdade, tem um problema incurável: mentir sem qualquer tipo de pudor. Mas, para quem vive do irreal, postagem pouca é bobagem...

© 2015 Carlos Moreira

11 julho 2015

Até que o "Casamento" os Separe




Casamento, conforme as Escrituras, não se faz nem no cartório, nem na igreja, casamento não é nem civil, nem religioso, não é nem pagão, nem cristão.

Casamento é encontro de propósitos, é consciência apaixonada, é latência do coração enternecido, são olhos que se encontram, bocas que se tocam, abraço apertado, química de sentimentos e mistério insondável.

Casamento é, antes de qualquer coisa, uma união de espírito, homem algum pode celebrar isto, papel nenhum legisla no sagrado da alma de duas pessoas que desejaram se dar por inteiro, uma a outra, sem que nada os sequestre desta entrega despudorada, insana e intensa.

Casamento é abrir mão, é dar prazer, é dar-se de si, do melhor do que se tem, é alegria na alegria alheia, é sofrimento conjunto, é partilha da dor, é lágrima que semeia esperança, e carinho que afaga a pele e faz molhar até as entranhas do ser.

Por favor, não me chame para lhe casar, nem me faça propostas para celebrar suas núpcias com as pompas deste tempo presente, nesta sociedade das aparências, com todos os requintes da festa que acontece do lado de fora, mas que não se projeta para dentro por total falta de entendimento do que se está fazendo.

Não, eu não sou contra a celebração, mas sou contra toda comemoração que aconteça apenas para os holofotes da sociedade, e não parta das dinâmicas que acontecem nos ambientes interiores, onde apenas Deus pode, de fato, fazer soar a música e brotar a alegria.

Ora, eu penso que quando esses pressupostos não se estabelecem como verdade e fé, de tal forma que o que se exteriorize seja apenas a significação do que já acontece no íntimo do ser, o que está sendo feito é apenas uma encenação social.

Portanto, é um enorme equívoco acharmos que algo possa ser sagrado sem proceder do coração, pois sagrado é tudo aquilo que reverencia a Deus no íntimo, e vaza pela vida em expressões de amor e gratidão. Tudo o mais é liturgia oca e sem propósito, é apenas o badalar do címbalo que retine, mas que não produz música para acalentar a alma, nem o prazer desejoso e amante que apaixona os apaixonados.

E assim, eu vos digo, casem-se sem “casamento”, para que seja possível viver junto até o outono dos dias, para que eu não tenha que declarar a confissão litúrgica requintada: “Eu vos declaro marido e mulher até que o casamento os separe”...

Carlos Moreira

10 julho 2015

Assédio Espiritual: Um Crime como Qualquer Outro!




Eu penso que, muito em breve, a legislação brasileira terá de olhar de forma séria, com legislação específica, para um tipo de abuso praticado a céu aberto e sem qualquer tipo de sanção da sociedade civil: o assédio espiritual.

Trata-se da exploração da miséria em nome de Deus, do charlatanismo sincrético que propaga curas mentirosas, das promessas de prosperidade para famintos de alma e indigentes de pão.

Se você ligar agora sua TV e sintonizar em algum canal que veicule programas religiosos, a chance de se deparar com este tipo de “mensagem” será enorme. É trágico, mas a esmagadora maioria dos teleevangelistas que estão nas grandes redes faz uso deste expediente.

Para que se saiba, gente abusada espiritualmente fica desgraçada para a vida, perde a esperança, a alegria, compromete a fé e tem sua autoestima abalada. É uma invasão de privacidade o que se faz hoje, um tipo de coronelismo espiritual, onde o “senhor de engenho” da igreja-latifúndio tem o poder de adentrar mentes e corações.

E assim, os fracos de alma, sem paz e sem calma, sucumbem às suas proposições tentadoras, aos seus apelos frenéticos e a desafios insanos. Tudo mentira! Cafetões do Sagrado, traficantes de sofismas, pregadores de fundo de quinta e estupradores de mentes.

As vítimas, via de regra, sofrem porque não entendem, de forma clara, as Escrituras, é gente com pouca ou nenhuma consciência do Evangelho. O alvo destes falsários se detém em quem está em desespero flagrante, se entregando a qualquer mágica que alivie a dor, que diminua a sensação de abandono existencial.

Estes abutres, como que sentindo o cheiro da “carniça”, se abatem sobre os incautos sempre em hora propícia, quando os indivíduos estão mais fragilizados. Eles chegam sorrateiros, com fala e voz mansa, travestem-se de um tipo de piedade perversa, que oferece a salvação por um lado e a escravidão pelo outro.

Mas que se saiba, ai destes que apagam a torcida que ainda fumega, que sujam com excrementos o solo santo do coração de pessoinhas aflitas e entregues a própria sorte! Eles darão conta, no último dia, ao Juiz de toda a Terra, que não lhes poupará a dívida, mas os enviará para o “verdugo” até que paguem o último centavo roubado de quem não tinha mais o que perder no chão dos dias.

Meu desejo é que haja alguma legislação que proteja essa gente simples e humilde que vem sendo dilacerada em seus sentimentos e enganada pela agiotagem da fé. Eles compram um produto enganoso, iludidos com a promessa de solução de todos os problemas, um negócio que envolve barganhas com a divindade, que tenta vender àquilo que já foi pago e liquidado na Cruz do calvário.


Carlos Moreira


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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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