Pesquisar Neste blog

Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

24 dezembro 2018

O Presente de Natal é Jesus Estar Presente



Bem falou Exupéry, “O essencial é invisível aos olhos”. De fato, as coisas mais significativas da vida são sentidas muito antes de serem vistas, elas nascem, primeiro, no coração e na consciência e, só depois, ganham materialidade e podem ser perceptíveis aos olhos. 

Paulo trata deste tema se referindo também aos fatos de natureza espiritual, ele afirma que há coisas na vida que só podem ser compreendidas se discernidas espiritualmente. Foi exatamente isso que aconteceu com os que estavam no Templo de Jerusalém no primeiro Natal. 

Naqueles dias, José e Maria foram, conforme o costume da Lei, apresentar o menino recém-nascido diante de Deus. Eles entraram no “lugar sagrado”, ali estavam acontecendo todas as liturgias e rotinas da religião, sacerdotes ofereciam sacrifícios pelos pecados do povo, levitas faziam suas oblações, transeuntes traziam seus dízimos e os depositavam nos gazofilácios, os objetivos cúlticos estavam em seus devidos lugares, havia canções e orações sendo proferidas, mas ninguém notou que o Salvador do Mundo adentrou aquele espaço. 

Eles serviam a um Deus a quem jamais conheceram, desenvolveram para si um tipo de espiritualidade que cega a consciência e endurece o coração, não podiam discernir, viam apenas as exterioridades, o essencial não podia ser compreendido porque a Revelação não havia acontecido. 

Lucas narra este fato no capítulo 2 de seu Evangelho. Ainda que ali estivessem milhares de pessoas, só Simeão, um homem piedoso da cidade, e Ana, uma profetiza velha e viúva, entenderam que o Messias havia chegado, a Encarnação de Deus, na figura de um menino, estava ali, diante de todos, mas a maioria deles não podia ver, seus olhos estavam embotados. 

Como bem disse Tertuliano: “credo quia absurdum” – creio porque é absurdo! Eu lhe desejo, com todo afeto, um Feliz Natal! Sim, lhe desejo um Natal onde Jesus possa ser sentido em seu coração, um Natal onde sua Mensagem possa ser discernida em sua Consciência e um Natal onde o Seu Espírito lhe habite trazendo a revelação de quem, de fato, ele é. 

Eu não sei se você frequenta um local de culto religioso, não sei se está envolvido com rotinas eclesiásticas ou mesmo se é um sacerdote, ou líder, o que sei é que este é um tempo de Templos cheios e almas vazias, onde a esmagadora maioria das pessoas sabe quem é Jesus, do ponto de vista da historicidade da fé, mas jamais teve um encontro pessoal com ele nas ambiências do coração. 

Naqueles dias, nem mesmo os rabinos, os doutores da Lei e os escribas puderem perceber o que estava acontecendo, pois eles sabiam tudo sobre a Letra, mas nada compreendiam sobre o Espírito, os Magos, do Oriente, fizeram a leitura correta, mas os teólogos de Jerusalém passaram batido, estavam entretidos com o negócio da religião. 

Contudo, diz o apóstolo João, “Mas, a todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem chamados Filhos de Deus”! Que o Pai lhe dê, neste Natal, o maior de todos os presentes, que é a revelação de que Jesus está presente, ele habitou entre nós, se fez um de nós, viveu como um de nós, morreu como um de nós, mas Ressuscitou, como haveremos de ressuscitar todos nós, os que cremos em seu Nome! 

Um beijo carinhoso neste dia da Festa do Amor! 


Carlos Moreira


17 dezembro 2018

Síndrome de Lúcifer: Quando o Mal Vence o Bem

Na última semana, em entrevista ao programa global do jornalista Pedro Bial, a holandesa Zahira Lieneke, uma das mulheres presentes, denunciou o médium João Teixieira de Faria – o João de Deus – por abuso sexual. João atua há mais de 40 anos fazendo cirurgias e outras ações de curas espirituais no município de Abadiânia, interior de Goiás, num centro de atendimento chamado “Casa Dom Inácio de Loyola”, onde cerca de 20.000 pessoas são submetidas, todos os meses, aos seus procedimentos terapêuticos. Nesta semana, o Ministério Público recebeu mais de 300 denúncias de mulheres que se dizem abusadas sexualmente por João de Deus, algumas das quais relatam que teriam sofrido a violência quando ainda eram crianças ou adolescentes. As Escrituras Sagradas não negam a existência da paranormalidade, há casos, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, onde encontramos a liberação de poder sobrenatural através de magos, místicos, feiticeiros e paranormais, os quais operaram coisas extraordinárias, inclusive curas. A questão que se põe diante dos acontecimentos, todavia, é a seguinte: como pode um homem que realiza o bem a tantas pessoas ser também, ao mesmo tempo, um instrumento de tamanha maldade e perversão? O que leva o indivíduo que lida com o sobrenatural a entrar neste caminho adoecido onde o mal parece ser justificado em função de todo bem que está sendo promovido? Qual a fenomenologia por trás deste processo de desconstrução da consciência e de anomalização das interações que se dão no trato humano? E mais, no caso específico de Abadiânia, o que podemos afirmar? Será que estamos lidando com uma possessão demoníaca, um caso de insanidade mental, de perversão de natureza psicológica, ou uma sociopatia que se esconde por detrás de um dom sobrenatural? Assista a menagem e chegue a suas próprias conclusões!


 

15 dezembro 2018

João de Deus e a Cidade “Santa”



Pobre Abadiânia. Sim, tu, pequena Abadiânia, estais fadada a experimentar dias de desolação, pois o cenário econômico-religioso que te fazia prosperar, atraindo turistas e visitantes em busca de cura e libertação, está com os dias contados. 

É curioso como o fenômeno da religião tem esse poder de imantar pessoas e lugares, de sacralizar indivíduos de carne e osso e construções de tijolo e cimento. Sempre que algo desta natureza ocorre, logo se percebe a necessidade de se erigir um templo, um centro, uma casa de milagres, um espaço onde o sobrenatural aconteça de tal forma a atrair as pessoas, é o "Tanque de Betesda" em forma arquetípica. 

Por isso Jesus jamais se fixou em lugar algum, fosse assim ele abriria a Casa de Yeshua, e logo os discípulos estariam “trabalhando” no negócio do sagrado, vendendo quinquilharias, dando passes e derramando água benzida sobre enfermos e possessos. 

O tempo passa, o mundo gira, mas o fenômeno ainda é o mesmo... Abadiânia, Aparecida, Juazeiro, e outros lugares milagreiros são, na sua medida, a Jerusalém dos dias de Jesus, a cidade “santa”, onde existe o lugar sagrado, o homem do sagrado, as curas milagrosas, as unções de poder, as intercessões libertárias, os transes histéricos, as intermediações negociadas, os ascetismos estéticos, as purgações meritórias. 

Por isso o Galileu entrou naquele espaço e denunciou que ali se fazia comércio da Fé, pois se vendia todo tipo de objeto imantado, se operava o câmbio do dinheiro, se comprava animais para o sacrifício, animais estes criados nas fazendas dos comerciantes ricos da cidade, se consumia as ofertas de manjares, todas feitas a partir da plantação das fazendas agrícolas, era um negócio rentável - produzir, transportar, vender, aplicar - e todo mundo levada algum, até mesmo o sinédrio tinha o seu quinhão. 

Em Abadiânia não é diferente. Tem a água benta, a garrafa da água, o rótulo da garrafa, a indústria que produz, o caminhão que carrega, a barraquinha que vende, é uma cadeia de negócio, tudo entrelaçado, e é isso que faz a “roda girar”. E tem medicamentos, tem souvenirs, tem pousadas, restaurantes, lugar para comprar lembrancinhas, camisas, livros, tem de tudo, e todo muito ganha com o tráfego de gente e o comércio do sagrado. 

Por isso os Espíritas tem restrições ao João de Deus, pois no Kardecismo não se cobra nada para ser fazer o bem, coisa bem diferente dos neopentecostais evangélicos, que além dos dízimos cobram pedágios em suas campanhas para realizar curas e produzir libertação. 

João será preso, não tenho dúvidas, e Abadiânia vai precisar de outro “santo” para sobreviver, um “Roque Santeiro” fazedor de milagres, pois, doutra forma, como irá se sustentar? Fica a dica para o Macedo, o Estavan Hernandes, o Agenor Duque e o Valdemiro, gente especializada em fazer negócio com o povo em nome de Deus. Se um destes topar, fique certo, Abadiânia crescerá o dobro do que é hoje, quiçá, se tornará a capital de Goiás.


Carlos Moreira




11 dezembro 2018

A Falência Múltipla da Pós-Modernidade

Na semana em que um cãozinho vira-lata foi brutalmente assassinado a golpes de barra de ferro, nas dependências de uma grande cadeia de supermercado, o que gerou, sobretudo nas redes sociais, uma enorme comoção, cabe perguntar: o que aconteceu conosco? Onde foi que nos perdemos de nós mesmos? Por que nos tornamos tão insensíveis, desumanizados? E mais... Por que certas cenas do cotidiano, muito mais violentas e dramáticas, envolvendo mulheres, crianças, velhinhos, policiais, mendigos de rua, não nos sensibilizam mais? Será que estamos esgotados de tantas cenas negativas? Será que a mesmice da rotina cegou a nossa retina? Ou terá sido a nossa psiquê que sofreu um apagão, que ficou leprosa, perdendo toda a capacidade de sentir e discernir o que está no nosso entorno? Nesse tempo onde tudo é “líquido”, passageiro e fugaz, nessa civilização da virtualização, onde o técnico se sobrepõe ao tátil, onde a imagem faz prescindir a presença, a vida dessignificou-se, banalizou-se, somos como zumbis, andando na direção insólita do futuro, mas ainda não percebemos que o futuro já chegou, é hoje, é agora. Sim, desgraçadamente, morremos enquanto íamos vivendo, nem isso fomos capazes de perceber, estamos sepultados na vala dos dias e cobertos com a terra que devora a alma, nosso túmulo, que ironia, tornou-se a nossa própria consciência. Ainda assim, cabe questionamentos: qual a fenomenologia por traz de tudo isso? Quais foram os acontecimentos que nos levaram a ruína, quais indícios tínhamos de que estávamos num caminho sem volta? Será que é possível parar o trem e pular do trilho, antes do encontro irremediável com o destino final? Diante de tudo isso, lembro das palavras de Jesus, quando ele afirma: "Bem aventurados os que choram, por que serão consolados". De fato, quem ainda tem lágrimas para derramar no chão duro do cotidiano, pode mesmo se achar verdadeiramente rico na existência. Assista a mensagem e faça sua própria reflexão!


 

Mais Lidos

Músicas

O Que Estamos Cantando

Liberdade de Expressão

Este Site Opera Desde Junho de 2010

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Visualizações de Páginas

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More