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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

17 dezembro 2018

Síndrome de Lúcifer: Quando o Mal Vence o Bem

Na última semana, em entrevista ao programa global do jornalista Pedro Bial, a holandesa Zahira Lieneke, uma das mulheres presentes, denunciou o médium João Teixieira de Faria – o João de Deus – por abuso sexual. João atua há mais de 40 anos fazendo cirurgias e outras ações de curas espirituais no município de Abadiânia, interior de Goiás, num centro de atendimento chamado “Casa Dom Inácio de Loyola”, onde cerca de 20.000 pessoas são submetidas, todos os meses, aos seus procedimentos terapêuticos. Nesta semana, o Ministério Público recebeu mais de 300 denúncias de mulheres que se dizem abusadas sexualmente por João de Deus, algumas das quais relatam que teriam sofrido a violência quando ainda eram crianças ou adolescentes. As Escrituras Sagradas não negam a existência da paranormalidade, há casos, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, onde encontramos a liberação de poder sobrenatural através de magos, místicos, feiticeiros e paranormais, os quais operaram coisas extraordinárias, inclusive curas. A questão que se põe diante dos acontecimentos, todavia, é a seguinte: como pode um homem que realiza o bem a tantas pessoas ser também, ao mesmo tempo, um instrumento de tamanha maldade e perversão? O que leva o indivíduo que lida com o sobrenatural a entrar neste caminho adoecido onde o mal parece ser justificado em função de todo bem que está sendo promovido? Qual a fenomenologia por trás deste processo de desconstrução da consciência e de anomalização das interações que se dão no trato humano? E mais, no caso específico de Abadiânia, o que podemos afirmar? Será que estamos lidando com uma possessão demoníaca, um caso de insanidade mental, de perversão de natureza psicológica, ou uma sociopatia que se esconde por detrás de um dom sobrenatural? Assista a menagem e chegue a suas próprias conclusões!


 

15 dezembro 2018

João de Deus e a Cidade “Santa”



Pobre Abadiânia. Sim, tu, pequena Abadiânia, estais fadada a experimentar dias de desolação, pois o cenário econômico-religioso que te fazia prosperar, atraindo turistas e visitantes em busca de cura e libertação, está com os dias contados. 

É curioso como o fenômeno da religião tem esse poder de imantar pessoas e lugares, de sacralizar indivíduos de carne e osso e construções de tijolo e cimento. Sempre que algo desta natureza ocorre, logo se percebe a necessidade de se erigir um templo, um centro, uma casa de milagres, um espaço onde o sobrenatural aconteça de tal forma a atrair as pessoas, é o "Tanque de Betesda" em forma arquetípica. 

Por isso Jesus jamais se fixou em lugar algum, fosse assim ele abriria a Casa de Yeshua, e logo os discípulos estariam “trabalhando” no negócio do sagrado, vendendo quinquilharias, dando passes e derramando água benzida sobre enfermos e possessos. 

O tempo passa, o mundo gira, mas o fenômeno ainda é o mesmo... Abadiânia, Aparecida, Juazeiro, e outros lugares milagreiros são, na sua medida, a Jerusalém dos dias de Jesus, a cidade “santa”, onde existe o lugar sagrado, o homem do sagrado, as curas milagrosas, as unções de poder, as intercessões libertárias, os transes histéricos, as intermediações negociadas, os ascetismos estéticos, as purgações meritórias. 

Por isso o Galileu entrou naquele espaço e denunciou que ali se fazia comércio da Fé, pois se vendia todo tipo de objeto imantado, se operava o câmbio do dinheiro, se comprava animais para o sacrifício, animais estes criados nas fazendas dos comerciantes ricos da cidade, se consumia as ofertas de manjares, todas feitas a partir da plantação das fazendas agrícolas, era um negócio rentável - produzir, transportar, vender, aplicar - e todo mundo levada algum, até mesmo o sinédrio tinha o seu quinhão. 

Em Abadiânia não é diferente. Tem a água benta, a garrafa da água, o rótulo da garrafa, a indústria que produz, o caminhão que carrega, a barraquinha que vende, é uma cadeia de negócio, tudo entrelaçado, e é isso que faz a “roda girar”. E tem medicamentos, tem souvenirs, tem pousadas, restaurantes, lugar para comprar lembrancinhas, camisas, livros, tem de tudo, e todo muito ganha com o tráfego de gente e o comércio do sagrado. 

Por isso os Espíritas tem restrições ao João de Deus, pois no Kardecismo não se cobra nada para ser fazer o bem, coisa bem diferente dos neopentecostais evangélicos, que além dos dízimos cobram pedágios em suas campanhas para realizar curas e produzir libertação. 

João será preso, não tenho dúvidas, e Abadiânia vai precisar de outro “santo” para sobreviver, um “Roque Santeiro” fazedor de milagres, pois, doutra forma, como irá se sustentar? Fica a dica para o Macedo, o Estavan Hernandes, o Agenor Duque e o Valdemiro, gente especializada em fazer negócio com o povo em nome de Deus. Se um destes topar, fique certo, Abadiânia crescerá o dobro do que é hoje, quiçá, se tornará a capital de Goiás.


Carlos Moreira




11 dezembro 2018

A Falência Múltipla da Pós-Modernidade

Na semana em que um cãozinho vira-lata foi brutalmente assassinado a golpes de barra de ferro, nas dependências de uma grande cadeia de supermercado, o que gerou, sobretudo nas redes sociais, uma enorme comoção, cabe perguntar: o que aconteceu conosco? Onde foi que nos perdemos de nós mesmos? Por que nos tornamos tão insensíveis, desumanizados? E mais... Por que certas cenas do cotidiano, muito mais violentas e dramáticas, envolvendo mulheres, crianças, velhinhos, policiais, mendigos de rua, não nos sensibilizam mais? Será que estamos esgotados de tantas cenas negativas? Será que a mesmice da rotina cegou a nossa retina? Ou terá sido a nossa psiquê que sofreu um apagão, que ficou leprosa, perdendo toda a capacidade de sentir e discernir o que está no nosso entorno? Nesse tempo onde tudo é “líquido”, passageiro e fugaz, nessa civilização da virtualização, onde o técnico se sobrepõe ao tátil, onde a imagem faz prescindir a presença, a vida dessignificou-se, banalizou-se, somos como zumbis, andando na direção insólita do futuro, mas ainda não percebemos que o futuro já chegou, é hoje, é agora. Sim, desgraçadamente, morremos enquanto íamos vivendo, nem isso fomos capazes de perceber, estamos sepultados na vala dos dias e cobertos com a terra que devora a alma, nosso túmulo, que ironia, tornou-se a nossa própria consciência. Ainda assim, cabe questionamentos: qual a fenomenologia por traz de tudo isso? Quais foram os acontecimentos que nos levaram a ruína, quais indícios tínhamos de que estávamos num caminho sem volta? Será que é possível parar o trem e pular do trilho, antes do encontro irremediável com o destino final? Diante de tudo isso, lembro das palavras de Jesus, quando ele afirma: "Bem aventurados os que choram, por que serão consolados". De fato, quem ainda tem lágrimas para derramar no chão duro do cotidiano, pode mesmo se achar verdadeiramente rico na existência. Assista a mensagem e faça sua própria reflexão!


 

10 dezembro 2018

“João sem Deus”?



Na última semana, em entrevista ao programa global do jornalista Pedro Bial, a holandesa Zahira Lieneke, uma das mulheres presentes, denunciou o médium João Teixieira de Faria – o João de Deus – por abuso sexual.

João de Deus atua há mais de 40 anos fazendo cirurgias e outras ações de curas espirituais no município de Abadiânia, interior de Goiás. A Casa Dom Inácio de Loyola, onde os procedimentos são realizados, tornou-se mundialmente conhecida e recebe cerca de 10 mil pessoas por mês para tratamento.

Ontem, no programa Fantástico, outro grupo de mulheres veio a público para declarar que foram vítimas de abusos e estupros, supostamente cometidos pelo paranormal, entre os quais, um relato de quem foi abusada na adolescência. A situação tomou tal proporção que o Ministério Público, que apura o caso, já conta com mais de 200 pessoas que querem depor contra João de Deus.

Eu não sei se João é culpado, a polícia e a justiça devem decidir isso, mas se ele for condenado, eu posso afirmar, com convicção, que nele operou-se o mesmo princípio que opera em Lúcifer: a “Síndrome de Deus”.

As Escrituras não negam a existência da paranormalidade, há casos, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, onde encontramos a liberação de poder sobrenatural através de magos, místicos, feiticeiros e paranormais, os quais operaram coisas extraordinárias, inclusive curas.

Portanto, sim, é dom de Deus, uma vez que, conforme Tiago: “Toda dádiva e todo dom perfeito vem do alto, do Pai das Luzes...”. Tg. 1:7. Paulo, complementando esse conceito, nos informa que “Os dons de Deus são irrevogáveis”, conforme Romanos 11:29, ou seja, o dom está na pessoa, mas pode ser usado, tanto para o bem, quanto para o mal, tudo é uma questão de consciência.

Assim, João, se culpado, é uma vítima de sua própria soberba, de um egocentrismo despudorado, pois, sendo usado por Deus, achou que em si mesmo pudesse haver tal poder sobrenatural, como se ele fosse a fonte primária dessas realizações. Ainda que recitasse, conforme relatos, que nada daquilo era feito por ele, no fundo, seu coração já havia se corrompido, era apenas um mantra psicológico, mas sem qualquer reverberação para a vida.

A verdade é que homem algum suporta existir no lugar de Deus, a glória de Deus é veneno para nós, mortais, o poder de Deus, mal utilizado, desconstrói nossas estruturas psíquicas e nos leva ao surto diabólico que produz o desejo de ser como ele é. Aí o indivíduo não teme mais nada, nem ninguém, está acima do bem e do mal, pode realizar qualquer coisa, transformar pedra em pão e subir no pináculo do templo, ele cura, ele salva, ele liberta, pois ele é Deus!

O capítulo 28 do Livro do Profeta Ezequiel nos revela essa fenomenologia associada ao rei de Tiro. Na metade do texto, todavia, faz um paralelismo com o próprio Satanás, mostrando-nos que o princípio que operava em um, é o mesmo que operava no outro. O resultado final, inexoravelmente, é a destruição do ser, a corrupção da alma e a desapropriação do coração, homens, mesmo sem perceber, podem transformar-se em diabos.

João, se culpado, esqueceu-se que, para quem é de Deus, não basta apenas fazer o bem, tem de faze-lo da forma certa, movido pelo amor, mas sem esquecer-se de cerca-se, por todos os lados, pela ética, pela verdade e pela justiça.

Esperemos, todavia, a comprovação dos fatos, aqui não há um juízo temerário, apenas a revelação da fenomenologia que já foi constatada em situações semelhantes (só neste ano, Maury Rodrigues da Cruz e Sri Prem Baba).

Desta forma, se culpado, “João sem Deus”, mais do que nunca, precisará da misericórdia de Deus, pois, na medida em curou milhares, adoeceu e feriu a outros tantos. O perdão do Pai, certamente, não lhe faltará, mas o castigo e a justiça dos homens, todavia, não lhe serão negados


Carlos Moreira




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