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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

26 abril 2016

Há Um Outro Eu Morando em Mim

“Desventurado homem que sou, quem me livrará desta morte?”. A afirmação dramática é do apóstolo Paulo e está descrita no capítulo 7 da Carta aos Romanos. De fato, a esmagadora maioria das pessoas que encontro vive em profunda aflição e sentindo-se brutalmente culpada por não conseguir fazer àquilo que a religião lhes propõe. Elas reconhecem que, mesmo amando a Deus e desejando seguir ao Evangelho, não conseguem livrar-se de vícios, pensamentos, condicionamentos, traumas e medos, o que as faz existir em flagrante estado de culpa e desânimo. Sim, a cartilha religiosa comportamental se constituiu no substituto da Lei Mosaica, assumiu o papel de advogada de acusação, esmaga consciências e reduz a zero a possiblidade de experimentação de algo que produza paz e bem na vida e, por conseguinte, saúde no ser. Contudo, a questão é: como lidar com esse outro “eu” que existe em mim e que tende, inexoravelmente, ao pecado? O que fazer para apaziguar essa guerra incessante entre a carne e o espírito, entre o bem e o mal que habitam no meu interior? Assista a mensagem e encontre a pacificação para sua alma!


22 abril 2016

Morreu na Praia Atrapalhando o Feriado.



O dia de ontem foi marcado pela tragédia do desabamento de parte da passarela da Ciclovia Tim Maia que circunda a Avenida Niemeyer no Rio de Janeiro, construída para abrigar competições das Olimpíadas.

Essa poderia ser mais uma obra de engenharia com problemas, teria passado despercebida, como tantas outras, devido, quem sabe, a materiais de quinta categoria, erro de projeto, descaso na fiscalização, corrupção na licitação, mas chamou à atenção pelo fato de ter vitimado, até agora, duas pessoas e haver a suspeita de uma terceira morte.

Ora, numa cidade onde morre gente todo dia, de todas as formas, de indigência na fila do hospital, de bala perdida na favela, de assalto na Lagoa, essas foram apenas mais duas, logo estarão nas estatísticas e fica tudo por aí...

A imagem do post é da reportagem da Rede Globo e choca pelo descaso, mostra os corpos estendidos ao centro e as pessoas seguindo normalmente o script programado para o feriado: jogo de futebol, churrasquinho, cerveja, bronzeador e frescobol.

Mais e daí? Vamos estragar o dia por causa de duas mortezinhas de nada? Lembrando o João Bosco, "Tá lá o corpo estendido no chão...". O que tem a morte do outro a ver comigo? Dá licença, coloca aí do lado, deixa quem de direito reclamar, só não atrapalha minha pelada, não estraga meu lazer e, se possível, não "suja" a paisagem, hoje é dia de praia e sol!

Pobres homens de gelo, com coração de lata e nervos de aço, desumanizaram-se! Bem disse Jesus a vosso respeito, que chegaria o tempo, nos dias derradeiros da Terra, onde o amor esfriaria, as pessoas seriam vítimas de um tipo de sociopatia que dessensibilizaria a alma. Certo estava Sartre, o inferno é mesmo o outro... E que venham as Olimpíadas!



Carlos Moreira

21 abril 2016

A Pisada de Bola de Bolsonaro e o “Pecado” de Deus



Diante da polêmica sobre o discurso de Jair Bolsonaro no Congresso, uma fala curta, mas carregada de ódio, uma vez que exaltou Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da Ditadura Militar, acabei lendo um comentário de alguém que disse: “Ora, vocês cristãos criticam torturadores, mas amam um Deus que irá torturar, indefinidamente no inferno, almas condenadas à danação?”.

Na verdade, a citação era uma entre muitas, num diálogo bizarro, cheio de agressões, tendo como protagonistas crentes raivosos e um ateu astuto. Pois bem, a certa altura do imbróglio, que já adentrara no tema do inferno, o ateu citou a parábola do “Rico e Lázaro”, descrita por Lucas no capítulo 16. Foi um vexame! Os crentes silenciaram, ficaram estupefatos, não puderam contrapor a fala do próprio Jesus que assevera sobre um Homem Rico que foi condenado a sofrer os horrores do inferno e, sendo assim, é consumido por suas chamas implacáveis. Achei curioso o ateu saber mais bíblia que os crentes, mas...

Na verdade, a ideia de inferno que habita o inconsciente coletivo do ocidente cristão, nada tem a ver com o Evangelho ou com Jesus. Ler os textos que tratam do inferno no Novo Testamento sem ter conhecimento histórico e filosófico sobre o tema nos levará, irremediavelmente, a acreditar no inferno de Dante Alighieri, escritor italiano do século XIII, autor de famosa obra – O Inferno de Dante – sobre a “Casa do Tinhoso”, esse lugar onde há lagos de larvas, câmaras de tortura, fogo, enxofre, bestas insanas e homens desgraçados.

O inferno cristão é uma construção teológica que se inicia no exílio judaico, na simbiose de crenças babilônicas e egípcias com as concepções do Velho Testamento. Durante cerca de 400 anos, rabinos organizaram uma nova metafísica para o pós-morte, a qual sofreu, por último, a aditivação de elementos da cultura helênica, zeitgeist dominante no mundo antigo desde 300 a.C. Portanto, o “Ades” do Novo Testamento não tem nada a ver com o “Sheol” do Velho, é, por assim dizer, uma crença pagã convertida ao judaísmo.

Dito isso, chego à parábola do “Rico e Lázaro”, explicitada por Jesus. De fato, o que temos não é um texto elucidativo sobre o inferno, mas sobre o drama de se viver sem Deus no mundo, ainda que cumprindo os rigores da Lei. O público ao qual a mensagem se destina é essencialmente religioso, por isso o “Rico”, “abençoado” pelo Senhor, vai parar no tormento do inferno de fogo, enquanto “Lázaro”, um pobre purulento, tem como destino o céu e vive a graça de estar junto a Abraão.

Ora, parábolas são contos que tem como objetivo transmitir um ensinamento moral. Elas se utilizam de metáforas e alegorias, um universo rico em imagens e símbolos, sempre com o fim de facilitar o entendimento. Assim, a lição óbvia que Jesus traz na parábola do “Rico e Lázaro” é que devemos encarnar uma espiritualidade que nos leve a amar a Deus tendo a vida do nosso próximo como altar, ou seja, não devemos deixar que ninguém agonize em nossa porta, pois quando deixamos de fazer algo aos pequeninos, ao Senhor o negamos.

Observe que a parábola começa na Terra, passa pelo céu e pelo inferno, e retorna novamente a Terra, onde os irmãos do “Rico” estão a viver de forma descuidada e desafeiçoada. O inferno nesse conto é apenas uma cenografia, algo que já habitava o inconsciente daquela geração, por isso Jesus o utilizou como uma poderosa imagem para tratar do essencial, que é o fato de que não devemos deixar que em nós se instale o que há de pior para a vida. Inferno, muito antes de ser um lugar, é um sentir, você pode estar possuído do inferno mesmo sem, literalmente, vir a habitá-lo.

Portanto, ainda que de forma muito simplista, uma vez que num texto curto não dá para explorar o tema com profundidade, quero dizer que essa especulação de que Deus irá torturar indefinidamente as pessoas num caldeirão de fogo é uma crença mitológica e infantilizada. E com isso não estou negando a existência do inferno, tema que deixarei para abordar em outra oportunidade, mas apenas abrindo um espaço mental para novas percepções.

É mister esclarecer que todo texto que fala de inferno o faz de uma perspectiva filosófica, especulativa, uma vez que ninguém nunca foi lá e voltou para fazer um relato. Eu sei que a ortodoxia vai citar os textos do Apocalipse de João e os escritos de Paulo quanto ao cenário de horrores, mas, como disse, toda leitura sobre o tema deve partir da perspectiva das crenças vigentes nos dias de Jesus e também do fato de que os textos estão em linguagem apocalíptica, recheados de arquetipias, metáforas e alegorias, e assim devem ser interpretados. 


Para mim, todavia, vai para o inferno aquele que odeia a vida, pois ele é o destino de quem insistir em viver sem Deus, como acontece com os demônios. Inferno é a existência sem a possibilidade de Deus, seu maior castigo é permitir que os indivíduos convivam com o pior de si mesmos sem uma alternativa para o arrependimento e o perdão. Esse é o significado do fogo que não se extingue, um símbolo da perpetuação daquilo que consome o ser para a morte e a não existência de salvação ou esperança.

Finalmente, quero lhe dizer que a bondade de Deus não combina com a maldade do inferno dos cristãos. A justiça de Deus foi feita na Cruz, onde tudo foi pago! Deus amou o mundo, não condenou o mundo, pois a misericórdia, por fim, triunfará sobre o juízo! Deus, um torturador? Jamais! Quem o conhece, sabe do que estou falando...


Carlos Moreira

19 abril 2016

Crente Profissional?



Quanto mais a igreja foi se afastando do “Movimento do Caminho”, registrado em Atos dos Apóstolos, tanto mais foi se transformando em uma organização. A singeleza da fé e a simplicidade da vida foram dando lugar a doutrinas sofisticadas, criadas por uma necessidade apologética a partir do II século, e também a estruturas mais robustas, decorrentes da estatização da igreja por Constantino no IV século, o que desembocou, dentre outras coisas, no complexo compêndio litúrgico e na burocratização clerical.

A igreja medieval se desenvolveu como uma poderosa organização. A figura Papal era uma símile dos Reis da Europa, não só no uso dos símbolos – mitra/coroa, cátedra/trono, anel do bispado/anel real, báculo/cetro – mas também como establishment do empoderamento religioso, a representação de uma potestade terrena e espiritual, uma instância de poder travestida de inerrância e sob a delegação do próprio Deus como Seu representante na Terra.

Na idade moderna, sob o zeitgeist da Revolução Industrial, a Igreja Católica já se apresentava como uma organização muito bem estruturada. Segundo Leon C Megginson, professor de marketing na Universidade de Baton – EUA, a “Representante de Cristo”, por ter de lidar com uma expansão mundial, precisou desenvolver processos administrativos para manter “íntegra” a sua missão. O uso de métodos e diretrizes, associados a uma robusta estrutura organizacional, fez com que a igreja influenciasse, positivamente, a administração e a gestão modernas. Fantástico!

E assim, com um brevíssimo resumo de 20 séculos de história, já é possível perceber de onde vêm termos bastante utilizados no meio religioso, tais como: “ministério de evangelização”, “departamento infantil”, “presidente da denominação”, “líder do louvor” e “tesoureiro”. 
Sim, há igrejas que mais se parecem com uma empresa varejista! A fé é o negócio, a catedral ou o templo central é a holding, as demais igrejas são as distribuidoras, o produto é Jesus, o mercado é o mundo e os crentes são os profissionais da religião trabalhando ativamente em prol deste grande business! Quem lucra com isso? Ora, Deus! Será? ...

É fácil observar como muitas igrejas se estruturaram para arregimentar e envolver pessoas no negócio da fé. A pirâmide eclesiástica desperta interesses e vaidades e promove, como em qualquer outra organização, lutas pelo poder, políticas perversas, conchavos, inveja, ciúmes, toda sorte de mal. Envolto nestas circunstâncias, numa ambiência altamente competitiva, um crente pode até não se dar bem na sua profissão, pode não ter um título universitário, mas, na igreja, terá a chance de se “destacar”, ser um pastor, um diácono, um professor da escola bíblica ou ainda o supervisor de uma região! Requisitos?
 Na esmagadora maioria dos casos: tempo de “casa”, “dons do Espírito Santo”, submissão à liderança e a doutrina, “boas” relações e uma ajudinha dos “céus”...

Toda essa engrenagem, regada a programas e atividades dos mais diversos, funciona perfeitamente. É bem verdade que ela desestimula o serviço abnegado, o cuidado com os necessitados, o lavar os pés dos irmãos... É que o marketing religioso vive do fomento da personalidade, cria iconoclastias institucionais, alça indivíduos ao palco da igreja-teatro, onde o culto se torna show da fé e a pregação do Evangelho apenas um programa a mais.

Confesso que, mesmo sem muita esperança de produzir resultados, mas apenas para lembrar, em Jesus, e no Evangelho, o maior é o que serve, a grande fonte de lucro da piedade é o contentamento, juntos, fomos chamados a ser Sacerdotes, e por isso, não há gregos, nem judeus, nem homem, nem mulher, todos, Nele, são um, e convém, a despeito de qualquer outra coisa, que apenas Ele cresça e seja glorificado. E é assim porque o Senhor Jesus se despiu de Sua majestade, esvaziou-se a Si mesmo, assumiu forma de homem e veio servir e morrer em nosso lugar! É simples, não? Mas, se você não entender, posso fazer um Power Point e te enviar. Coisas da modernidade...


Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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